15 de maio de 2026

Política e crime organizado


Hoje a Polícia Federal ocupou a porta do prédio onde mora o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, logo às seis horas da manhã (foto). Bem cedinho! Era mais uma ação contra o crime organizado que, não por coincidência, opera junto a nove dentre dez membros da extrema direita política do Brasil. E quem é esse político visado? Ele tem cara de bandido, fala de bandido, jeito de bandido e postura de bandido. Portanto, fica difícil acreditar que seja uma pessoa honesta. Felizmente não pode se candidatar mais ao Senado.

Infelizmente, e é preciso reconhecer isso, hoje o crime organizado e a política andam de mãos dadas. Juntinhos como marido e mulher apaixonados, tamanha é a quantidade de criminosos habitando o Parlamento do Brasil desde a esfera municipal à federal. Conheci pessoalmente, pois lidava com jornalismo e esporte, o bicheiro José Carlos Gratz. Ele era dirigente do Rio Branco além de deputado estadual. E filiado ao PFL (Partido da Frente Liberal) e, depois de cassado, tentou retornar à vida legislativa pelo PSL (Partido da Frente Liberal). Perto dos políticos de hoje era quase um seminarista... Caiu porque teve um acesso fonético dos mais sérios e reagiu a uma ordem judicial com um grito de "Eu tenho e força!" Não tinha e foi parar na prisão apesar de todo o seu ar de moço bom.

No Rio de Janeiro, TODOS os governadores eleitos nos últimos 30 anos acabaram sendo presos. Posso destacar Luiz Fernando Pezão (2014-2018), Sérgio Cabral (2007-2014), Rosinha Garotinho (2003-2007), Athony Garotinho (1999-2002) e Wilson Witzel (eleito em 2018 e cassado). Para não nos cansarmos, paro por aqui. Witzel é autor da célebre declaração de que iria dar "um tiro no coco" de todos os criminosos de seu Estado. Menos no dele, claro. Cláudio Castro, que renunciou para não ser também cassado e mesmo assim está sem direitos políticos, indiretamente matou 122 pessoas, sendo cinco delas policiais e numa mega operação policial na favela da Rocinha, em 2005. Chamou a operação de "sucesso" e os mortos de "opositores nautralizados". Alguns eram inocentes, gente digna e favelada.

Não é só isso. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o deputado TH Jóias está preso. O mesmo acontece com o ex-presidente da mesma ALERJ, Rodrigo Bacellar. Esse último é acusado de vazar informações sigilosas de uma operação policial a TH, o suspeito de integrar o Comando Vermelho. E para quem acusa a esquerda política de envolvimento com o crime, nenhum deles era ou é filiado a partidos desse espectro.

Aqui no Espírito Santo alguns deputados são declaradamente de extrema direita. Um deles, o Capitão Assumção (assim mesmo se escreve) chegou a ser preso. É filiado, e até aí surpresa nenhuma, ao Partido Liberal (PL), a sigla que reúne mais nazifascistas por metro quadrado da história da política do Brasil, dentre os quais o ex-presidente e presidiário Jair Messias Bolsonaro. Muitos outros criminosos também. Gente que, no Legislativo Federal, se "destaca" por xingamentos, ofensas, ocupação de mesas da presidência, controle sobre comissões importantes como a CCJ e para blindar a quadrilha de punições.

Pior de tudo: ainda não há uma luz ao final do túnel. Ontem mesmo o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro foi surpreendido pedindo dinheiro ao preso Daniel Vorcaro para a conclusão do filme "Dark Horse", um termo que em inglês pode ser tradzido como "o azarão", e que pretende contar a hstória, obviamente falsa, de seu pai como um herói para ele. Tudo nessa história de filme é suspeito. Não apenas a narrativa deve ficar a anos luz de distancia da realidade, mas também a trajetória do dinheiro produto de ações criminosas tem tudo para ser, como diz esse candidato, totalmente sigilosa. Em "confidencialidade".

E a culpa nem é so deles; nós os elegemos!

12 de maio de 2026

Sem anistia para golpista

A imagem fotográfica feita através do vidro quebrado de uma das janelas do Palácio do Planalto em 08 de janeiro de 2023 (foto) deveria ser suficiente para convencer qualquer pessoa sensata de que golpistas não podem ser anistiados. Se as penas impostas aos criminosos daquele dia foram pesadas demais, isso é um caso a ser avaliado. Mas membros do Parlamento pretenderem reagir à sustação da votação da dosimetria retirando do esgoto a tal Lei da Anistia é de uma insensatez que beira a loucura e porque até os porteiros do Supremo Tribunal Federal sabem que essa anomalia será dada como inconstitucional.

Vamos analisar a questão por dois atores menores. Um deles, o deputado federal Sóstenes Cavalcanti é pastor, teólogo (assim se apresenta) e membro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, a corrente liderada pelo também dito pastor Silas Malafaia. Não é preciso dizer mais nada. Ele acha "inevitável" a votação da tal anistia e sabe que ela será considerada inconstitucional pelo STF. Sua posição é apenas a aposta no caos institucional.

A outra figura é o senador catatinense Esperidião Amin, 78 anos (Cavalcanti tem 51), um egresso da velha Arena, colaborador da ditadura militar brasileira, saudoso dela e que sempre se aproveitou de posições de extrema direita para renovar mandatos. Hoje no PP, ele jura que quer aprovar a anistia para "pacificar" o Brasil (sic!). Comunga da ideia de que os presos e condenados, sobretudo o ex-presidente Jair Bolsonaro são vítimas de perseguição política implacável e por isso precisam ser anistiados para retornar à vida pública.

A tudo isso se soma a figura de Flávio Nantes Bolsonaro, o "filho pródigo" feito candidato pelo papai presidiário. Vai tentar a presidência da República com as bandeiras de submissão total às políticas dos Estados Unidos, torpedeamento da legislação trabalhista, asfixia da Saúde, tutela da Educação por parte de sua corrente de pensamento e, se possível, privatização do maior número possível de entidades educacionais, o que vai desde educação técnica até as universidades e, como se ainda não bastasse, a privatização de nossas maiores empresas públicas como são os casos da Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e a Petrobrás. Essa última é a cereja do bolo da extrema direita brasileira!

Não é por outro motivo que Flávio foi homenageado em eventos do agronegócio brasileiro recentemente. Os empresários do setor sabem que nunca tiveram tanto dinheiro à sua disposição através do Plano safra e outras sinecuras como ocorre agora no governo Lula. Então por que isso? Simples: porque a eles não interessam apenas as benesses do Estado, mas sim o controle total sobre a economia agrícola e pecuária do Brasil, num governo que poderia privatizar até o Palácio do Planalto caso isso fosse possível ou viável.

Não haverá mais ganho real sobre as correções dos vencimentos, principalmente de quem recebe através da Previdência Social, como é o caso do salário mínimo. Benefício de prestação continuada? Esqueçam. A conta vai cair de novo sobre as camadas mais subalternas da população e é quase certo que, em caso de naufrágio das propostas econômicas de um improvável governo Bolsonaro 2, novamente vejamos filas em frente aos açougues para a disputa de ossos de animais abatidos para o consumo. Os pobres emprenhados pelo canto das sereias extremistas de direita vão ver com quantos paus se faz uma canoa.

E como tragédia pouca é bobagem, o ministro Nunes Marques assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral hoje convidando à solenidade de sua posse dois presos: os ex-presidentes Jair Bolsonaro e Fernando Collor de Mello. É um cartão de visitas como não poderia ser nenhum outro. E mostra explícita sobre de que forma pensam não apenas ele, mas também o ministro André Mendonça. Por que então termos receio de qualquer coisa dar errado e um novo quadro sombrio surgir no horizonte? Se acontecer um "imprevisto", bastará levar a cabo outro projeto de anistia e eles estarão pacificando o Brasil.

Com a paz dos cemitérios!

10 de maio de 2026

A bandeira Ypê

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão do governo encarregado de zelar pela confiabilidade dos produtos colocados à disposição da população, identificou em alguns detergentes da marca Ypê a presença da bactéria Pseudomonas aeroginosa, sobretudo alguns lotes específicos de lava-roupas líquido. O fabricante, a Química Amparo anunciou o recohimento cauteloso e voluntário dos lotes contaminados, o que é procedimento normal. Isso deveria encerrar tudo, mas veio o inacreditável.

Como o fabricante é um conhecido empresário bolsonarista, os seguidores dessa corrente "ideológica" viram na iniciativa um ataque à empresa Amparo. E, a começar pela ex-primeira dama Michele Bolsonaro, iniciaram campanha em favor do consumo da marca, mesmo o dos lotes com contaminação, identificados nas gôndolas dos supermercados com o "1" fechando a numeração. E muitos adotaram esse comportamento claramente irresponsável pedindo a compra dos detergentes. A Anvisa, por sua vez, passou a apenas não recomendar esse uso condenado por medida de precaução.

É o Samba do Crioulo Doido versão eleições presidenciais!

Hoje mesmo o candidato Flávio Bolsonaro foi fazer propaganda eleitoral em Florianópolis, o que é ilegal antes de iniciado o processo de campanha oficial, e vestindo uma camisa onde se lia: "O PIX é do Bolsonaro. O Master é do Lula". Trata-se de uma inverdade deslavada, mas de que importa? E em seus discursos naquela cidade e diante do governador Jorginho Melo proclamou que vai reduzir a maioridade penal para 14 anos e endurecer o combate à corrupção, no que foi seguido pelo senador e ex-juiz Sérgio Moro. Ele só não explicou seus vínculos com o senador Ciro Nogueira e os casos de rachadinhas, compra de imóveis em dinheiro vivo, conluio com milicianos e outros casos de corrupção mais. Todos comprovados! 

Estamos às vésperas de uma campanha ileitoral na qual a verdade será assassinada e sepultada todos os dias, sobretudo nos palanques onde estiverem candidatos da oposição ao governo. E tudo será feito sem o menor pundonor, sem a menor cerimônia. Sérgio Moro, que deixou o governo Bolsonaro onde era ministrao por não aceitar nomeações para a pasta de Justiça de pessoas sem qualifificão moral suficiente, agora vê em Flávio o indivíduo capaz de acabar com toda a corrupção que assola o Brasil e sobre a qual ele e seus iguais acusadores não possuem a menor sombra de prova concreta. E ele era juiz!!!!!

Não será bom o samba desafinado que se avizinha na campanha presidencial. Hoje mesmo os comícios fora de hora, todos eles ilegais, mostraram que não vai haver limite para os ataques, inclusive à democracia. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes votou a ser achincalhado por ter suspendido a dosimetria das penas do criminosos de 2023 porque há recursos pendentes e ainda não julgados. E isso era necessário nesse momento.

Michele Bolosnaro podia beber um vidro de detergente para provar seu amor pela marca do empresário bolsonarista do coração. Isso, sim. seria uma bandeira para quem não tem nenhuma.