Infelizmente, e é preciso reconhecer isso, hoje o crime organizado e a política andam de mãos dadas. Juntinhos como marido e mulher apaixonados, tamanha é a quantidade de criminosos habitando o Parlamento do Brasil desde a esfera municipal à federal. Conheci pessoalmente, pois lidava com jornalismo e esporte, o bicheiro José Carlos Gratz. Ele era dirigente do Rio Branco além de deputado estadual. E filiado ao PFL (Partido da Frente Liberal) e, depois de cassado, tentou retornar à vida legislativa pelo PSL (Partido da Frente Liberal). Perto dos políticos de hoje era quase um seminarista... Caiu porque teve um acesso fonético dos mais sérios e reagiu a uma ordem judicial com um grito de "Eu tenho e força!" Não tinha e foi parar na prisão apesar de todo o seu ar de moço bom.
No Rio de Janeiro, TODOS os governadores eleitos nos últimos 30 anos acabaram sendo presos. Posso destacar Luiz Fernando Pezão (2014-2018), Sérgio Cabral (2007-2014), Rosinha Garotinho (2003-2007), Athony Garotinho (1999-2002) e Wilson Witzel (eleito em 2018 e cassado). Para não nos cansarmos, paro por aqui. Witzel é autor da célebre declaração de que iria dar "um tiro no coco" de todos os criminosos de seu Estado. Menos no dele, claro. Cláudio Castro, que renunciou para não ser também cassado e mesmo assim está sem direitos políticos, indiretamente matou 122 pessoas, sendo cinco delas policiais e numa mega operação policial na favela da Rocinha, em 2005. Chamou a operação de "sucesso" e os mortos de "opositores nautralizados". Alguns eram inocentes, gente digna e favelada.
Não é só isso. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o deputado TH Jóias está preso. O mesmo acontece com o ex-presidente da mesma ALERJ, Rodrigo Bacellar. Esse último é acusado de vazar informações sigilosas de uma operação policial a TH, o suspeito de integrar o Comando Vermelho. E para quem acusa a esquerda política de envolvimento com o crime, nenhum deles era ou é filiado a partidos desse espectro.
Aqui no Espírito Santo alguns deputados são declaradamente de extrema direita. Um deles, o Capitão Assumção (assim mesmo se escreve) chegou a ser preso. É filiado, e até aí surpresa nenhuma, ao Partido Liberal (PL), a sigla que reúne mais nazifascistas por metro quadrado da história da política do Brasil, dentre os quais o ex-presidente e presidiário Jair Messias Bolsonaro. Muitos outros criminosos também. Gente que, no Legislativo Federal, se "destaca" por xingamentos, ofensas, ocupação de mesas da presidência, controle sobre comissões importantes como a CCJ e para blindar a quadrilha de punições.
Pior de tudo: ainda não há uma luz ao final do túnel. Ontem mesmo o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro foi surpreendido pedindo dinheiro ao preso Daniel Vorcaro para a conclusão do filme "Dark Horse", um termo que em inglês pode ser tradzido como "o azarão", e que pretende contar a hstória, obviamente falsa, de seu pai como um herói para ele. Tudo nessa história de filme é suspeito. Não apenas a narrativa deve ficar a anos luz de distancia da realidade, mas também a trajetória do dinheiro produto de ações criminosas tem tudo para ser, como diz esse candidato, totalmente sigilosa. Em "confidencialidade".
E a culpa nem é so deles; nós os elegemos!


