11 de junho de 2026

A Copa do Extremismo

 

Quando o Brasil realizou aqui a Copa do Mundo de 2014, teve que se sujeitar, na assinatura dos termos de compromisso, a uma série de exigências por parte da FIFA que restringiram até mesmo sua independência como nação. Além de o país estar subordinado à Lei Geral da Copa, as mudanças decorrentes dessa situação chegaram a adequações estruturais e financeiras que envolveram até mesmo alterações temporárias na nossa legislação. Não tínhamos sequer soberania jurídica total, como ocorre em todas as demais situações. Era aceitar ou o Mundial seria transferido para outro país.

Mas isso faz 12 anos... Agora o governo de Donald Trump faz o que quer e submete as pessoas a constrangimentos inimagináveis na Copa de 2026, que desde hoje é realizada nos EUA, no México e no Canadá. A sequência de fotos acima mostra a delegação do Senegal sendo alvo de revistas totais mesmo na pista de taxi do aeroporto onde desembarcou, antes de chegar ao terminal aeroportuário. O que aconteceu com a delegação da Holanda, desembarcada quase na mesma hora, foi totalmnete diferente. Um árbitro somali escalado pela FIFA para atuar na Copa e que tinha até passaporte diplomático de seu país voltou do aeroporto, não admitido. E não foi aceito apenas e tão somente porque tinha aquela nacionalidade. Nada mais.

E a FIFA? Curva-se.

O que se passa com a delegação do Irã é ainda pior. Proibida de ingressar em território norte-americano, está hospeadada em Tijuana, no México, ao lado da fronteira. Vai ter que ingressar no país ianque para jogar e retornar imediatemente ao lugar de onde saiu. Não pode sequer pernoitar no quintal de Trump embora as normas da FIFA determinem o contrário. E os ingressos de seus torcedores foram simplesmente cancelados sem maiores explicações embora tenham sido adquiridos como mandam as regras, online.

Isso nunca aconteceu até hoje. Uma Copa do Mundo é uma competição esportiva e nada mais. Todos os países que se classificam nas diversas eliminatórias têm direito de tomar parte da disputa. Motivações políticas não podem interferir de forma alguma. Sempre foi assim até hoje com a entidade que dirige o futebol. Mas agora ela está sendo presidida por Gianni Infantino desde fevereiro de 2016 e com mandato até 2027. E esse presidente, que já criou um troféu da paz para Trump, é poodle desse personagem. Poodle domesticado!

A imensa maioria das reações do presidente dos EUA tem origem racista. A Somália fica na África, tem população negra, é pobre e os somalis já foram chamados de todos os epítetos de raça por parte do supremacista branco da Casa Branca. O Senegal, a mesma coisa. O árbitro que teve o ingresso nos Estados Unidos recusado poderia ser enviado para apitar os jogos a serem realizados no Canadá ou no México, mas nem isso Infantino faz. Hoje a gente está tendo uma festa de abertura da maior competição de futebol do mundo sem que os jogadores, atores maiores nesse espetáculo, sejam a atração principal. Ao contrário, esta está na Casa Branca, movida pelo ódio. Trata-se de um degenerado que um dia pagará por isso.

Ele promove a Copa do Extremismo patrocinada pela FIFA.     

7 de junho de 2026

Telecontos e o descaso

A série "Telecontos Capixabas", da TVE do Espírito Santo, foi uma experiência inédita, um programa pioneiro de adaptação literária em teledramaturgia realizado pela televisão capixaba. Viveu entre os anos de 1983 a 1986 e morreu da mesma forma como morrem no Estado dos capixabas a esmagadora maioria das iniciativas de divulgação de nossas formas culturais: por inanição financeira. Falo dela hoje porque fazem exatamente 40 anos que foi ao ar "O pênalti", adaptação de conto meu, um dos primeiros feitos e que tinha o futebol como foco.

Essa série, como dizem os que a acompanharam, representou um marco na cultura deste Estado e era incursão única no universo ficcional na nossa televisão. E é preciso notar que a iniciativa não foi das emissoras privadas ligadas a grandes redes nacionais, sempre com verbas graúdas,  mas sim de uma emissora de rede estatal ligada à TV Educativa. Como a TVE não tem um acervo guardado de sua história, a maior parte do que foi feito se perdeu. Acredita-se que tenham sido gravados 12 episódios no total, com autores capixabas diversos, mas nada disso está preservado. No meu caso fiquei com o poster do programa e uma cópia das filmagens inicialmente feita em fita cassete, mas depois transportada para um CD e que se encontra comigo até hoje.

A produção contava com episódios de 40 a 60 minutos divididos em blocos, tendo tido uma equipe de produção comandada pelo diretor geral Ricardo Conde, idealizada e dirigida por Antônio Carlos "Toninho" Neves, e a equipe de produção era formada por Gerusa Conti e composta exclusivamente de atores capixabas e contando com nomes como Vera Viana, Cristina Valadão e Denise Martins. Especificamente no caso de "O pênalti", dele participaram Valdete Dias Ferreira, Denise Martins e Duda Palhese na produção, além de Cláudio Mothé, Marcos Komká, Alvarito Mendes Filho, Emílio Cortes, Alcides Vasconcelos, Antônio Pepino, Jair Fonseca, Milton Neves, Lena Borges, Aluízio Mendes Franklin, Nelson Batista e Luiz Alberto de Oliveira atuando. Como se tratava de um conto sobre futebol, foi gravado no campo e com jogadores do 138 Unidos da Vale Futebol Clube e Esporte Clube Mariano. Cito esses nomes para que se tenha noção da dimensão que esse projeto tomou graças à garra e ao denodo daqueles que o fizeram.

Infelizmente esse registro dos 40 anos de "O pênalti" indo ao ar é quase um obituário. Quase todas as pessoas citadas por mim estão aposentadas e algumas delas, mortas. Mortos também estão os esforços por adaptar as obras de autores capixabas para transformar a literatura regional em produções televisivas. Tentei fazer a pauta da TVE durante algum tempo quando seu diretor geral era Orlando Bonfim Júnior, mas tive que abandonar o barco porque o clima de déjà vu me fez desistir. Já havia vivido isso e antes e ele prenuciava a volta de algo que recordava em mim o início da morte do jornalismo capixaba, que havia começado com a Rede Gazeta de Comunicação e hoje se acentua nela mesma.

A jornalista Mirian Bilich, que trabalhou durante anos na TVE na época áurea da emissora, diz que ela chegou a ter 14 produções locais na sua grade de programação, enviando seus melhores trabalhos à Fundação Padre Anchieta, de São Paulo, que os requeria. Era um jornalismo brilhante! Algumas direções políticas e politiqueiras fizeram com que o canal se reduzisse ao que é hoje: 0 programa local. E a TVE patina desde então. Resta a saudade do nosso "Telecontos Capixabas" e dessa tentativa de levar a produção literária de nosso Estado à televisão. Foi muito bom enquanto durou e para muita gente.                           

4 de junho de 2026

Um PIX no sapato

Notem bem uma coisa que talvez tenha passado desapercebida a muita gente - aos jornalistas da Globo News, certamente - quando a "carta" de Flávio Bolsonaro foi lida na TV logo depois de ser endereçada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele falava o tempo todo que tentou de diversas formas evitar as novas taxações do governo norte-americano sobre nossa economia - pois sim.. - mas em momento algum tocava no PIX. Essa carta, mentirosa como tudo o que vem do  bolsonarismo, esta aí mesmo para quem quiser ver ou rever. Ele pode dizer jamais ter pedido ao dirigente dos EUA para não taxar o Brasil, já que nenhuma testemunha confiável estava presente à reunião entre eles, mas deve o tempo todo defender o sistema de pagamentos instantâneos brasileiros porque este é usado por praticamente todos e negá-lo publicamente seria suicídio. Isso só se faz por baixo dos panos, aliás como agem esses agentes do imperialismo atual.

Foi o irmão de Flávio, Eduardo, quem deixou escapar a forma como essa questão está sendo tratada. Ele falou com orgulho indisfarçável do Zelle, um sistema de pagamentos adotado nos Estados Unidos. Trump e seu governo querem transformar nosso sistema nesse avatar norte-americano. Mas ele é privado, não tem transferência de valores imediata, é ligado aos bancos que decidem se taxam ou não as transações, têm o direito de impor regras ao seu funcionamento e podem inclusive cancelá-lo a qualquer momento, contanto sua existência prejudique "os negócios" como dizem os agentes do mercado aqui e lá.

Flávio nada falou do PIX na "missiva". Tarcício de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e outros próceres da extrema direita evitam o assunto como o diabo foge da cruz. E nenhum deles toca no caso por um motivo simples: eles vão ceder aos Estados Unidos nesse ponto caso um deles chegue ao Palacio do Planalto em janeiro próximo. Oferecerão o sistema público, que é uma invenção brasileira, à voracidade ianque. Isso, juntamente com as terras raras, as instituições públicas e o que mais eles quiserem nos tomar. Como sempre foi, só que de forma menos explícita.

E vão fazer isso, não por ideologia mas sim por seu complexo de vira latas jamais disfarçado e nunca também confessado. Escondidos como estão escondidos até mesmo os rituais nazistas, como o de beber leite copiando o que faziam os líderes supremacistas brancos do século passado (foto ao lado). O ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Geobbels fazia isso porque para ele a prática significava a promoção de ideias de pureza racial ligadas a saúde, vitalidade e outros. Os nazifascistas brasileiros são seus filhos bastardos.

Com a proximidade da campanha eleitoral oficial, nossa extrema direita irá às ruas. E, como sempre, estará armada do que há de mais "moderno" em seu arsenal: a capacidade de tentar transferir para o outro lado, a seu opositor, todas as mazelas de suas vidas e crenças. Eles entendem que, assim agindo, conseguirão iludir a população, ganhar as eleições e reconquistar pelo voto um País em cujo poder pretendem se manter até mesmo por golpe, como já foi tentado recentemente. Só que as coisas começam a não dar tanto certo hoje como ontem. O Caso Master está derrubando Flávio Bolsonaro, outros desacertos começam a afetar alguns dos demais membros do alto escalão da oposição e agora surge esse sistema de pagamentos brasileiro, todo nosso, público, mas que eles pretendem destruir com a privatização travestida de modernidade. Parece que não vai dar certo em momento algum.

Em vez de pedra, a extrema direita tem um PIX no sapato.         

1 de junho de 2026

O gangster

 


A tática adotada pelo neofascismo é essa: "Acuse o inimigo por seus atos denunciados. Inverta a lógica". E assim é feito. Em Curitiba, durante o lançamento da candidatura do senador Sérgio Moro a governador daquele Estado Flávio Nantes Bolsonaro disse que o atual presidente, Lula, "lambeu as botas" do mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump. Até as crianças inocentes sabem que é o inverso e que o atual candidato da extrema direita à presidência da República vende soberania e riquezas do Brasil aos ianques para tentar ganhar as eleições de outubro. Mas ele joga do modo como aprendeu nas cartilhas do gangsterismo, do nazifascismo e das milícias, transferindo - ou tentando transferir - seus pecados ao oponente. Flávio e o restante dos Bolsonaro são a escória da escória na política.

Nessa foto acima o candidato que se mostra como "moderado" faz arminha juntamente com o criminoso Fabrício Queiroz, que já ganhou dinheiro público em seu gabinete de deputado. Mas não foi só ele. Na foto mais abaixo o leitor pode ver Flávio Bolsonaaro agachado e usando camisa azul, com seu sorriso falso e ao lado de dois criminosos do círculo íntimo do bolsonarismo: TH Jóias (E) e Rodrigo Bacellar, ambos com ligações claras junto ao Comando Vermelho (CV) do Rio de Janeiro. O segundo era presidente da Assembleia Legislativa carioca, onde Flávio foi deputado estadual. Está preso por ligação com o tráfico de drogas. E esses são apenas dois dos criminosos conhecidos e que tinham relações diretas com esse chamado filho 01. Mas não é o maior caso. Nem de longe.

O hoje candidato à presidência cometeu o crime de homenagear um presidiário, Adriano Magalhães da Nóbrega, ou Capitão Adriano ou Gordinho, com a Medalha Tiradentes, a maior honraria que a ALES concede aos cariocas e só deve fazê-lo por mérito consagrado. Pior: foi fazer a entrega na cadeia onde o sujeito estava antes de fugir, se esconder, acabar localizado e sendo morto no interior da Bahia num episódio claro de queima de arquivo. Antes disso o 01 havia empregado a mãe e a mulher desse ex-capitão em seu gabinete da Assembleia. Pagou bandidos - mais de um -  e parentes destes com dinheiro do contribuinte carioca, o pobre brasileiro que já viu quase todos os seus ex-governadores mais recentes na cadeia. E em todas as acusações há corrupção.


Mas Adriano não foi um criminoso comum, como Fabrício e outros. Sargento da PM e campeão de tiro, ocupou a banda podre da Polícia Militar do Rio de Janeiro de onde acabou expulso. Antes, foi segurança de banqueiro do jogo do bicho, um dos líderes do Escritório do Crime, o grupo de extermínio formado por policiais e ex-policiais, também integrou a milícia feroz que atua em Rio das Pedras, na zona oeste do Rio de Janeiro, e chegou a ser preso acusado de pelo menos três homicídios (houve uma absolvição por falta de provas) e também foi acusado de "rachadinhas", a marca registrada de Flávio Bolsonaro. "Currículo" para ninguém botar defeito! Nem na Papuda!

Ele teve proximidade com Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, os assassinos confessos da vereadora Marielle Franco, crime ocorrido em 18 de março de 2018 e pelo qual também foram condenados os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, respectivamente conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (que beleza!) e deputado federal pelo mesmo Estado. As conexões entre Ronnie Lessa e Adriano da Nóbrega são muitas. Ambos eram ex-policiais e figuras centrais em esquemas de contravenção, pois atuavam como pistoleiros de aluguel e líderes de grupos de extermínio. Além de tudo isso, uma "grande coincidência": Ronnie morava na Condomínio Vivendas da Barrra, pertinho da residência de Jair Bolsonaro. Eles se frequentavam. Tudo em casa!

Portanto, não foi só de loja de chocolates e de mansão comprada com dinheiro suspeito e vindo sabe-se lá de que lugar e de centenas de "rachadinhas" que o candidato bolsonarista à presidência da República se construiu. Estamos correndo o risco de colocar um gangster na presidência do Brasil. E isso com todos os danos que virão caso ele até lá não derreta eleitoralmente ou não seja preso por envolvimento em corrupção, sobretudo junto com Daniel Vorcaro et caterva no Caso Master, o maior escândalo de corrupção de nossa República. Dos bilhões roubados via Banco Master saíram os R$ 61 milhões que financiam (sic!) o filme Dark Horse, o relato que conta uma pseudo história do papai presidiário.  

Flávio não quer desistir, mesmo sabendo que grande parte da direita política honesta brasileira já desembarcou de seu palanque. Ele insiste porque essa é a vontade do papai, o criminoso condenado Jair Messias Bolsonaro, único presidiário brasileiro que pode ficar em casa vendo TV porque tem soluços e de onde comanda todo o seu grupamento político, dando ordens, enviando recados e ainda secundado pela mulher mãe de sua única filha e hoje sonhando com um futuro político de destaque (por que não o Senado?) nesse Brasil que se acostumou a fechar os olhos para a extrema direita. Essa mulher, Michele, sobre quem os corredores do Poder Legislativo de Brasília conta histórias, é seu pombo correio. 

Dentre as grandes obras mais recentes de Flávio está uma ida a Wasshington onde teve um encontro relâmpago com o presidente dos Estados Unidos e seu Secretário de Estado. Conseguiu tornar terroristas duas facções brasileiras criminosas que são no máximo mafiosas, com todas as consequências maléficas que isso pode ter para nossa economia e soberania, agora necessitando ser defendida contra a rapina ianque. Era a vingança que o clã queria e confessada pelo outro gangster, Eduardo! Um dos argumentos usados por eles para torpedearem até mesmo nosso PIX, que tanto bem faz aos brasileiros, foi o de que os membros do PV e PCC o usam para cometetimento de crimes diversos.

Só que essa forma de transferência de dinheiro é aberta a todos os brasileiros de graça, para desespero do Master Card, Visa e outros meios de pagamento tarifados. Criminosos por criminsosos, os Bolsonaro tanbém usam o PIX. Aliás, eles dizem igualmente que o presidiário Jair foi o seu criador. É mentira mas, como falam eles, e daí? O que importa ser mentira? Precisamos contê-los, fazendo isso por meios legais e eleitorais e impedir que um gangster confesso suba a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027. Essa tarefa urge.