4 de fevereiro de 2026

O silêncio protege o crime

 

O silêncio sempre protegeu a desfaçatez no Brasil. Hoje, como antes e provavelmente como será amanhã, o Congresso Nacional usa a arma - ou seria um artifício? - do silêncio para ocultar suas intenções que quase nunca são claras. Assim foi aprovado um aumento para os servidores do Legislativo que em muito ultrapassa o razoável. E o das pessoas "comuns". Assim pode ser sepultada a ideia de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master, cujas consequências podem nos atingir a todos. Tudo foi decidido sem que o brasileiro comum soubesse de nada. Em poucos minutos... Até quando irá isso?

Os parlamentares, sobretudo federais, se revoltam sempre que parte da população se insurge contra o que acontece e grita esse slogam: "Congresso inimigo do povo", o da foto acima. Mas ele reflete o pensamento de grande parcela da sociedade. Hoje mesmo, pela manhã, vi de passagem uma entrevista de um deputado federal do Espírito Santo, Evair de Melo, e no qual ele dizia que o aumento dos servidores do Legislativo só passou porque a oposição "é minoria". O quê? Como? E o máximo que a apresentadora da TV Gazeta fez foi dizer que Melo havia sido o único capixaba que tinha aceitado dar entrevista. É o critério? Trabalhei lá por 27 anos e sei como a empresa funciona, sobretudo depois da morte de Cariê Lindenberg e de jornalistas de coragem saíarem de lá. Antônio Carlos Leite, Kaká, foi o último deles.

Antes de tudo isso acontecer, na cerimônia do início do ano legislativo na qual houve até tiro de canhão, o presidente da Câmara defendeu as emendas parlamentares, hoje uma forma descarada de desvio de dinheiro público. Até aqui no Espírito Santo há uma delas em tramitação e na qual a Academia Espírito-santense de Letras (AEL) pretende receber um total de R$ 1,8 milhão para uma obra incialmente orçada em cerca de R$ 400 mil. Há uma omissão imensa em torno do assunto e ninguém se ruboriza ao comentá-lo - até porque o silêncio cerca tudo - nem de vergonha nem de raiva. Encaminhei esse caso ao MP estadual.

O silêncio protege o crime. Hoje e como sempre aconteceu. A esperança é a de que os brasileiros acordem. Todos eles, como é o caso do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que deve explicações a todos nós por seus atos incomuns como relator do caso do Banco Master. Mas essa é a esperança menor. A maior diz respeito às eleições que se aproximam. Ou o brasileiro aprende minimamente a votar em outubro ou o Brasil vai enfrentar tempos ainda mais difíceis, muito danosos, nos próximos quatro anos.

O senador Flávio Bolsonaro articula ser presidente da República com o apoio do presidiário-pai que manipula política menor de dentro da penitenciária. Só no Brasil isso acontece! Esses cidadãos, bem como toda a extrema direita brasileira, jamais falam de educação, saúde, transporte, geração de empregos, mobilidade urbana, segurança pública feita dentro das leis, sanemento básico, nada disso. Só atacam, sabotam, mentem de forma descarada e usam as redes sociais para gerar o ódio e a interteza. O golpismo não morreu. Ele está vivo e à espreita!