"A liberdade de eleições permite que
você escolha o molho com o qual
será devorado" (Eduardo Galeano)
Blog de variedades. Um pouco de esporte, um pouco de política, um pouco de fofoca, um pouco de mais tudo o que surgir de interessante. Enfim, um pouco de jornalismo na vida de quem gosta de notícias e interpretação de fatos
"A liberdade de eleições permite que
você escolha o molho com o qual
será devorado" (Eduardo Galeano)
O que é um autocrata? A definição mais aceita diz que esse personagem é um governante, líder que detém poder absoluto, inquestionável, centralizado e exerce sua autoridade sem freios legais, à margem da democracia representativa. Nos regimes em que governantes detêm esse poder despótico temos as autocracias. Isso hoje acontece, por exemplo, na Hungria de Viktor Mihály Orbán, o primeiro ministro. E em outros lugares menos votados, como é o caso do país/prisão El Salvador do caricato Nayib Bukele. Trump se imaginava alguma coisa parecida com isso, mas descobriu que ao menos por enquanto, não é.
Tem seguidores fieis. Como o presidente da Argentina, Javier Milei, que o segue para onde ele mandar porque obtém vantagens pecuniárias assim. O narcocapitalismo é uma forma pouco disfarçada de apoio incondicional às classes dominantes de um país, bem como aos delírios do mentor norte-americano. Na definição clássica da nomenclatura de Milei, ele se encaixa mais no lugar onde instituições legais estão corrompidas pelo poder e pela riqueza do tráfico ilegal de drogas, cartéis controladores da política e da economia, etc. Mas essa definição não cabe na que ele próprio dá ao seu governo que não sabe como conceituar.
Hoje temos no Brasil um quadro no qual a extrema direita política se apresenta com um senador filho de ex-presidente preso sendo candidato à presidência da República e indicado por este mesmo pai presidiário. Talvez em nenhum outro país do mundo um condenado a mais de 27 anos de prisão em processos com carradas de provas contra si possa atuar abertamente em conspiração contra o Estado Democrático e de Direito reclamando de barulho de ar refrigerado, ventilador e demais confortos que nenhum outro preso tem, e ainda ocupando espaço de mais de 70 metros quadrados, maior do que qualquer imóvel do programa Minha Casa Minha Vida criado para aqueles que não têm onde morar sem terem cometido crimes.
É irônico, mas o séquito do ex-presidente preso é fã incondicional de Trump, Orbán, Bukele, Milei e quem mais aparecer no espectro político que tenta ressurgir das cinzas da II Guerra Mundial, como é o caso também de Benjamin Netanyahu, o primeiro ministro de Israel - estado títere - hoje procurado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia (TPI) por crimes de guerra cometidos contra o povo palestino. Só que em terras brasileiras, o tal filho candidato a presidente se apresenta como "moderado", politicamente centrista e "apoiador" da ciência, saúde, educação pública de qualidade e do SUS, além de todas as demais bandeiras que puderem dar votos a ele, mesmo com a existência de montanhas de entrevistas e ações recentes e passadas nas quais ele e seus próximos pregaram e fizeram o inverso. Basta conferir.
O maior inimigo dos justos de hoje não são os autocratas e as autocracias, mas sim as quadrilhas de extrema direita política que, no Brasil, querem de volta o poder. Precisam perder!
Antes que alguém acuse esse artigo de antissemita, é preciso dizer duas coisas. Primeiro, que ele é antissionista. Segundo, que o Brasil é signatário de acordos internacionais contra criminosos de guerra e não pode tolerar a presença deles em nosso território. Da mesma forma que Benjamim Netanyahu, os soldados que assassinam palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia ocupada ou em quaisquer outros lugares têm que ser presos e entregues ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para serem julgados, preferencialmente em Haia, na Holanda.
Há registros de que chega a cinco mil o número de militares isreelenses em folga que escolhem o litoral da Bahia para o descanso de depois do serviço militar. Ou, melhor dizendo, depois da matança de palestinos que pode incluir mulheres, idosos e crianças. E eles não têm sido incomodados a não ser pela juíza que fez um voltar às pressas para Tel Aviv ou então o outro que ajudou a roubar a bandeira palestina destinada a ser queimada e só a devolveu porque a Polícia foi chamada e determinou essa revolução.
Eles são mal educados. Moradores locais reclamam que sujam as praias e não as limpam, tratam mal as pessoas, recusam-se a falar em qualquer outro idioma que não seja o hebraico e o inglês e importunam mulheres. Com a ajuda do tal garçon, tiraram a bandeira da Palestina das mãos da turista brasileira para a queimar em seguida. Não o fizeram por pouco. Mas a Polícia que impediu a destruição do objeto também nada fez contra eles.
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| A Grande Israel marcada em vermelho |
Recentemente Netanyahu declarou que os judeus são o povo escolhido por Deus para viver na terra. E com esse salvo conduto o governo do país ocupa a cada dia mais territórios estrangeiros à força para criar a Grande Israel bíblica. Ontem mesmo, cúmulo dos cúmulos, Donald Trump dirigiu a 1ª reunião de seu Conselho da Paz, um convescote de medíocres formado por grande maioria de Estados inexpressivos e líderes neofascistas. Lá ele determinou aos outros membros o que cada um deveria falar no tempo de dois minutos e ocupou parte de seu tempo, o que só ele define como será, para ameaçar o Irã de guerra. Quanta paz!
O Brasil não pode silenciar. Nem pecar por omissão, e hoje não basta se recusar a fazer parte desse conselho espúrio. Também é preciso mostrar aos sodados com sangue nas mãos que Morro de São Paulo ou outros lugares de nosso país não são a Casa de Mãe Joana.
Em 1976, quando iniciou sua tragetória vitoriosa no carnaval carioca sob a competência do carnavalesco Joãosinho Trinta, a Escola de Samba Beija Flor de Nilópolis desfilou com o tema "Sonhar com rei dá leão", uma clara alusão à jogatina do bicho. Ganhou com méritos e a Globo não fez editorial sobre a contravenção presente em praticamente todas as escolas de samba. E nem se recusou a receber o dinheiro da Liesa e outros patrocinadores pela cobertura exclusiva. Em 1993, quando uma sentença histórica da juíza Denise Frossard condenou 14 dos principais "banqueiros" a seis anos de prisão por formação de quadrilha, a presença deles no samba do Rio de Janeiro ficou de fora do puritanismo da emissora e em nenhum momento foi prometido que seria ou contravenção ou ela na cobertura do carnaval.
As exclusividades de coberturas jornalísticas de grandes eventos são danosas. Além de essa prática impedir a concorrência pelo talento, também permite que a detentora do privilégio adquirido com dinheiro de patrocinadores possa decidir sobre o que deve e o que não deve ser mostrado, nem sempre usando para tanto critério de moralidade. Na maioria das vezes isso é determinado por interesses meramente pecuniários ou de pressão do poder econômico. Ou também por imposição de conveniências dos patrocinadores.
No desfile de ontem pela Marquês de Sapucaí, a escola de Niterói mostrou alegorias que remetiam ao ex-presidente Jair Bolsonaro como palhaço ou presidiário (foto). Até os ladrilhos portugueses de Copacabana sabem que o mercado de capitais odeia o governo Lula, tudo o que cheira a esquerda política, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ensino ou saúde públicos, Gás do Povo e outras das muitas iniciativas públicas atuais.
E também que o grande capital nacional é não apenas aliado desse setor que comanda a economia, mas igualmente ligado a ele. Então, muitas decisões tomadas pelos grupos de comunicação são subordinados a esses interesses e às vezes de forma muito pouco disfarçada. Chega a ser descarada. Tomemos como exemplo o Espírito Santo onde o carnaval, além de ser feito sete dias antes da hora, ainda é entregue com exclusividade a uma empresa, no caso a Rede Gazeta. E não é coincidência o fato de ela ser filiada à Globo... Mas é preciso esclarecer que as exclusividades a que me refiro nos remetem apenas às empresas privadas de comunicação, já que as públicas podem transmitir caso queiram.
Desde Getúlio Vargas o carnaval sempre teve uma pitada política forte. Por sinal, todas as manifestações públicas humanas são de conteúdo político. Em 1950 a música "Retrato do velho", de Haroldo Lobo e Marino Pinto e cantada por Francisco Alves, o "Rei da Voz", pedia a volta de Vargas ao poder. Faz um certo sucesso até hoje. E não houve reação por parte de setores da oposição política no sentido de ela ser proibida por censura.
Quer a gente goste, quer não goste, Luiz Inácio Lula da Silva é o personagem de maior estatura popular da política brasileira em todos os tempos. Vencer seu nome e grupo tem que ser tentado pelo meio do voto. As reações hoje registradas visando a iniciativas judiciais para impedí-lo de concorrer levam o odor fétido de golpe e se parecem com o ocorrido durante a "Lava Jato", essa manipulação judicial que asfaltou o caminho da extrema direita política em direção ao Palácio do Planalto quando Jair Bolsonaro foi eleito. O então juiz Sérgio Moro sequer teve pudores ao largar a carreira para ser ministro da Justiça do grupo que havia descaradamente ajudado a chegar ao poder da República com suas sentenças.
A política do Brasil vive agora uma fase intelectual e eticamente paupérrima. Basta olharmos para a fauna que tenta por todos os meios inviabilizar o governo federal e alcançar o poder por qualquer artifício, inclusive e principalmente pelo golpe, para chegarmos a essa conclusão. Os vírus golpista disfarçado em artifícios jurídicos dos mais diversos feitios nunca nos deixou. Ao contrário! E é difícil acreditar que as mentes mais informadas da Rede Globo e adjacências não saibam disso. Claro que sabem. A hora, nessa segunda-feira de canaval, é a de dançar: "Pega o retrado do velho Lula/bota no mesmo lugar/ o retrado do velhinho/faz a gente trabalhar". Que tentem tirá-lo de lá pelo voto!
Fazer política não foi crime ontem, não há de ser hoje. O crime está na Faria Lima onde o dinheiro trafega diuturnamente por meios subterrâneos.
Houve uma época no Brasil em que a Polícia Federal causou danos. Isso durante a ditadura, quando virou um canal de repressão política a serviço do regime militar. Órgãos ligados à Polícia Civil - o DOPS - , Exército - DOI-Codi, Marinha - Cenimar - e Aeronáutica - CISA - atuaram quase que em conjunto com empresas que ajudavam com recursos e pessoas que os abasteciam de informações, sendo os "dedos duros" formadores do sistema de violência do Estado responsável por milhares de prisões ilegais, torturas e centenas de assassinatos ocorridos entre 1964 e 1985. Eram tempos que não podiam e não podem ser comparados com os de hoje, quando a PF é apenas, como deve ser, uma polícia judiciária (foto).
Talvez graças a isso ela seja tão criticada extra oficialmente por alguns membros do Supremo Tribunal Federal (STF) porque atua no caso do Banco Master e desdobramentos. Para quem tem algo a esconder um aparato policial que age dentro das leis com competência e estrutura científica é um risco potencial...
Na PF, durante a ditadura, passei uma noite inteira sentado em um banco esperando o delegado "voltar do jantar". No dia seguinte, quando ele apareceu por lá, disse de forma grosseira: "O que você está fazendo aqui?". Respondi que havia sido convocado para comparecer desde a noite anterior e ele completou: "Convocado? Quem convoca é Zagalo. Eu trago vagabundo até aqui debaixo de porrada. Suma e não torre mais meu saco." Sumi, mas não parei de encher o saco.
O que os governos de extrema direita do Brasil e do restante dos países mais se dedicam a fazer é redefinir o papel dos organismos de segurança em benefício de seus projetos. De seus propósitos. Vejamos o que ocorre agora mesmo nos Estados Unidos com o ICE e a gente vai entender melhor esse funcionamento. O presidente psicopata Donald Trump precisa agir desde os intestinos de seu país para poder colocar em prática o projeto de dominação global. Ainda tem que minar a estrutura das instituições civis norte-americanas para ampliar seu poder de fogo em casa. É esse o projeto que agora tenta convencer a todos da "fragilidade" do sistema de voto dos Estados Unidos. Fazendo isso ele pode se perpetuar no poder controlando as eleições. Foi o que Bolsonaro tentou aqui, correto?
Por isso tomei a PF como mote. Ontem mesmo o STF começou a julgar um caso que pode redefinir os limites da Lei da Anistia de 1979 em relação aos crimes cometidos durante a ditadura militar. O que se analisa é a possibilidade de responsabilização penal de agentes do Estado acusados de ocultação de cadáver porque esse delito, segundo o Ministério Público Federal (MPF) se prolonga no tempo enquanto o paradeiro da vítima permanecer desconhecido. O julgamento vai até o dia 24, terça-feira após o carnaval.
O caso foi levantado a partir de fato ligado à Guerrilha do Araguaia, ocorrida entre 1972 e 1974, quando combatentes desapareceram, sendo que em alguns casos eles tiveram seus corpos jogados sobre a floresta amazônica para jamais serem encontrados. Há um caso de uma guerrilheira grávida vitimada dessa forma. O julgamento vai dizer se a Lei da Anistia alcança atos de ocultação de cadáveres praticada durante nossa útima ditadura e mantidos depois de 1979. Há ainda hoje uma sensação de impunidade que vai muito além do "apartamento" de três quartos onde um genocida inelegível "passa mal" todos os dias em crises de soluço que provocam a insônia da extrema direita.
Aqui em Vitória, durante o período que foi de 1964 a 1985 conta-se que um certo general comandante da então Polícia Federal recebia todas as tardes de sua mulher uma embalagem com bolo e refrigerante. Era o lanche da tarde e graças a ele esse personagem ficou conhecido como "general festinha". Mas o que ele fazia não era engraçado como o apelido. Em "Ainda estou aqui", filme multipremiado, contamos a história de Rubens Paiva, retirado de casa para "prestar depoimento" e nunca mais encontrado. Vladimir Herzog compareceu expontaneamente e acabou morto nas dependências do II Exército, em São Paulo. São apeas dois casos e aos quais se somam inúmeros outros, como o do operário Manoel Fiel Filho.
É isso o que ninguém quer ver esquecido ou impune.
Nos tempos atuais o que vale é a fake news. A mentira plantada. Por exemplo: o que significa essa foto acima? Pode ser, como é, uma simples conversa entre um presidente e um ministro do Supremo Tribunal Federal por ele indicado sobre qualquer assunto banal. Todos estão relaxados e apenas o ministro cobre a boca. Mas pode também ser transformada em um flagrante de concluio entre ditadores que pretendem prender os "patriotas" e que vira notícia na revista Oeste, no site Brasil Paralelo ou em qualquer outro endereço de quadrilha de extrema direita apoiadora incondicional do golpismo instalado na vida brasileira. Depende!
A política do desrespeito ao teto de pagamentos do funcionalismo é norma nos altos escalões, como as emendas parlamentares, que se tornaram uma forma pouco disfarçada de corrupção em desvios ilegais de dinheiro público. Quando isso acontece nos poderes Executivo e Legislativo o fato causa apenas espanto, mas pode-se compreender nos tempos atuais. Sobretudo no Legislativo onde temos a pior representação de nossa história. Mas é motivo de pasmo e desespero descobrir que a prática é assimilada pelo Poder Judiciário encarregado de zelar pelo que é legal ou ilegal em todos os setores da vida nacional.
Atualmente os ganhos "extra teto" já somam R$ 11 bilhões e segundo o jornal O Globo de hoje já há 60 penduricalhos do gênero no Brasil. Está sendo criada no serviço público uma casta de privilegiados que se situa acima da imensa maioria e pode viver vida de luxos inimagináveis num país de restrições orçamentárias como o Brasil. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende que o presidente Lula vete a decisão do Congresso. Muitas entidades representativas - do funcionalismo ou não - corroboram essa posição. A maioria da população também.
Mas o Brasil é "governado" pela pequena minoria que pode pedir impeachment do presidente, ministros do STF, tem o poder de paralisar o Congresso Nacional, aprovar pautas bomba, gerar fake news nas redes sociais, conspirar abertamente no exterior e inviabilizar o funcionamento do Estado. Representam a vida de nababo desses poucos.
Nesse dilema o governo está. Nessa encruzilhada se encontra.
O brasileiro deveria dizer que basta. Que o império das leis deve ser respeitado, preservado, tornado bússola mostrando o Norte a todos, sobretudo e principalmente àqueles que detém o poder de decidir. Mas como, se uma parcela grande da sociedade apóia a destruição do Estado Democrático e de Direito devolvido ao Brasil não por eles, os conspiradores, mas pelos outros, que lutaram durante 21 anos contra a ditadura real brasileira, aquela que estuprou os valores nacionais, prendeu ilegalmente, torturou e matou milhares?
Essa é a decisão que precisa ser tomada. Vetar ou não vetar? O veto é uma questão de dignidade e Justiça, mas pode abrir um fosso na governança do Estado e as hienas estão prontas para se aproveitar disso, inclusive investindo contra o minstro Flávio Dino, hoje uma referência de dignidade e respeito para o Judiciário Brasileiro. E se tal acontecer o Poder que julga vai fechar questão monoliticamente em torno da defesa dele? O desenho atual do Brasil e do que se faz, em público ou escondido, leva à supeita de que não.
Paulinho e Dantinho, como eram chamados, desceram em poucos dias das colunas sociais para as páginas de Polícia dos jornais. E eu, Editor de Esportes, tive que passar a frequentar o Departamento Médico Legal e as salas de delegados para colher informações capazes de abastecer a Agência Folhas Interior-Estados, que recebia os informes dos correspondentes, no meu caso enviados via Agência Central dos Correios, no Centro. Tudo por Telex! Agarrava-me ao amigo Paulo Maia, Secretário de Redação do jornal para me ajudar na confecção dos noticiários. O Paulinho de A Gazeta, um dos maiores amigos que tive no jornalismo, fazia noticiário policial com a facilidade de quem toma um copo d´água.
Era preciso ir aos fatos. Presenciei Paulinho Helal sendo colocado no "cofre" de um carro da Polícia, no dia de sua prisão. Ao ver onde teria de entrar ele olhou para os policiais e pediu: "Aí não, pega mal!" Mas foi lá assim mesmo. Estive no DML várias vezes e aquilo cheirava a carne em decomposição desde longa distância. Acompanhei a retirada do corpo da menina das "matas do Hospital Infantil", mas a um distância regulamentar. Protocolar. Naquele lugar, na subida da rampa que ainda hoje leva ao HI, dois prédios grandes de apartamentos substituem o antigo matagal onde os criminosos esconderam o corpo da garota morta.
Pouca gente sabe, mas o Franciscano funcionava como prostítulo, fornecendo as "meninas". E para gente graúda! Um familiar meu um dia me perguntou se eu gostaria de conhecer o lugar "na horizontal". Declinei do convite. São coisas de Vitória, mas até hoje uma das mais importantes avenidas da cidade mantém o nome de um antigo dono de puteiro!
Era lá que Dantinho Michelini, encontrado morto e decapitado num sítio de sua propriedade em Guarapari, levava os amigos como Paulinho Helal para as farras. Era a casinha do papai! Foi para lá que ele teria levado a menina Araceli após sequestrar para drogar e matar juntamente com o companheiro desse crime. Consta que, muito cheios de cocaína, os dois teriam acabado de assassinar a menina devorando partes de seu corpo com mordidas. O corpo teria sido colocado no freezer do bar junto do cervejas e outras bebidas.
Tratava-se de uma garota de 8 anos, mas muito desenvolvida, perto de completar 9. E bem bonita. Isso pode ter atraído a dupla de assassinos que a encontrou ou recebeu drogas como "encomenda" da mãe dela diante do Bar Oásis depois que ela saiu da Escola São Pedro, na Praia do Suá, onde estudava. Uma escola que não existe mais e que foi roteiro para o crime. Fui lá duas vezes em busca de informações para noticiário. Ninguém falava nada!
Muita coisa que envolveu a morte da menina Araceli ficou encoberta. A Polícia embaralhou os fatos porque, afinal de contas, os acusados eram gente poderosa. Ficaram dúvidas. Dona Lola Sancres Crespo, a mãe da menina, fazia dela um "avião" para entregar drogas vindas da Bolívia, de onde era? A mulher enlouqueceu com o crime. Um dia invadiu o jornal A Gazeta de exemplar em punho aos gritos de "minha filha está viva", e para esfregá-lo na cara de um "jornalista qualquer essa 'mierda' da jornal". Fez isso no rosto de um funcionário do Departamento Financeiro, coitado, que não entendeu nada de nada.
Minha avó Almerinda, que morava na Rua Francisco Araújo, atrás do Palácio Anchieta, nunca mais foi ao Magazin. Aquilo virou loja de criminoso! E aos poucos o noticiário sobre o assunto foi arrefecendo depois de confirmada a morte da menina e o esgotamento do interesse público sobre o assunto. Era o que as duas famílias queriam. Paulinho e Dantinho passaram pouco tempo presos. A culpa da dupla jamais foi provada sem questionamentos. Em pouco tempo o Magazin entrou em decadência e fechou. O prédio do Franciscano foi derrubado e nunca mais se falou nele. Hoje o "Caso Araceli" é uma lembrança distante e mantida principalmente por causa de dois livros escritos sobre assunto.
O corpo de Dantinho, encontrado queimado e decapitado no sítio semi-abandonado de Guarapari teria movido mundos e fundos na década de 1970, se voltássemos no tempo. Afinal, a Agência Folhas Interior-Estados, que era quem me pagava, não representava apenas a Folha de S. Paulo, mas sim os então sete jornais do grupo empresarial da poderosa e apoiadora da ditadura família Frias, um dos quais era Notícias Populares, que cheirava a sangue e para onde foram mandadas e publicadas quase todas as matérias que fiz. Mundo cão!
O silêncio sempre protegeu a desfaçatez no Brasil. Hoje, como antes e provavelmente como será amanhã, o Congresso Nacional usa a arma - ou seria um artifício? - do silêncio para ocultar suas intenções que quase nunca são claras. Assim foi aprovado um aumento para os servidores do Legislativo que em muito ultrapassa o razoável. E o das pessoas "comuns". Assim deve ser sepultada a ideia de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master, cujas consequências podem nos atingir a todos. Tudo foi decidido sem que o brasileiro comum soubesse de nada. Em poucos minutos... Até quando irá isso?
Os parlamentares, sobretudo federais, se revoltam sempre que parte da população se insurge contra o que acontece e grita esse slogam: "Congresso inimigo do povo", o da foto acima. Mas ele reflete o pensamento de grande parcela da sociedade. Hoje mesmo, pela manhã, vi de passagem uma entrevista de um deputado federal do Espírito Santo, Evair de Melo, e no qual ele dizia que o aumento dos servidores do Legislativo só passou porque a oposição "é minoria". O quê? Como? E o máximo que a apresentadora da TV Gazeta fez foi dizer que Melo havia sido o único capixaba que tinha aceitado dar entrevista. É o critério? Trabalhei lá por 27 anos e sei como a empresa funciona, sobretudo depois da morte de Cariê Lindenberg e de jornalistas de coragem saíarem de lá. Antônio Carlos Leite, Kaká, foi o último deles.
Antes de tudo isso acontecer, na cerimônia do início do ano legislativo na qual houve até tiro de canhão, o presidente da Câmara defendeu as emendas parlamentares, hoje uma forma descarada de desvio de dinheiro público. Até aqui no Espírito Santo há uma delas em tramitação e na qual a Academia Espírito-santense de Letras (AEL) pretende receber um total de R$ 1,8 milhão para uma obra incialmente orçada em cerca de R$ 400 mil. Há uma omissão imensa em torno do assunto e ninguém se ruboriza ao comentá-lo - até porque o silêncio cerca tudo - nem de vergonha nem de raiva. Encaminhei esse caso ao MP estadual.
O silêncio protege o crime. Hoje e como sempre aconteceu. A esperança é a de que os brasileiros acordem. Todos eles, como é o caso do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que deve explicações a todos nós por seus atos incomuns como relator do caso do Banco Master. Mas essa é a esperança menor. A maior diz respeito às eleições que se aproximam. Ou o brasileiro aprende minimamente a votar em outubro ou o Brasil vai enfrentar tempos ainda mais difíceis, muito danosos, nos próximos quatro anos.
O senador Flávio Bolsonaro articula ser presidente da República com o apoio do presidiário-pai que manipula política menor de dentro da penitenciária. Só no Brasil isso acontece! Esses cidadãos, bem como toda a extrema direita brasileira, jamais falam de educação, saúde, transporte, geração de empregos, mobilidade urbana, segurança pública feita dentro das leis, sanemento básico, nada disso. Só atacam, sabotam, mentem de forma descarada e usam as redes sociais para gerar o ódio e a interteza. O golpismo não morreu. Ele está vivo e à espreita!