30 de julho de 2026

"We can do it"

Já se vão muitos anos e, se bem me lembro, foi a revista "Realidade", antecessora de "Veja", quem conseguiu imagens de um silo nuclear de algum lugar dos Estados Unidos. A gente podia ver na foto o controle da instalação, a ogiva do míssil e, na parede ao fundo, grandes, os dizeres bem mostrados: "We can do it". Sim, eles sempre puderam fazer isso, mas desde o fim da guerra fria contra a hoje inexistente União Soviética, o botão que dispara míseis nucleares capazes de destruir totalmente o mundo parecia esquecido nas paredes dos silos que ainda existem. Mas agora um homem laranja, um homem bomba chamado Donald Trump (foto acima), pode reacender o estopim da guerra nuclear. Ele tem medo da China. Muito medo. Como todo psicopata medroso, um dia acaba perdendo o controle. Eis o risco.

Os Estados Unidos são um império decadente e sabem disso. A China, um enorme país ascendente, e os Estados Unidos também sabem disso. A paranóia de Trump vê os chineses como aqueles que vão sepultar o sonho americano de dominar o mundo e esse presidente usa a ameaça e o medo como armas contra essa quase perda de status mundial. Ontem ele propôs um tal "Pacto de Sobrevivência Ocidental" como forma de evitar o seguinte: "Eles vão invadir a Europa! Estão invadindo a Europa...é uma invasão total! E o Reino Unido é o suspeito número um!. Quem se juntar ao Pacto fecha fronteiras, deporta em massa, defende sua cultura. Quem não...fica sozinho diante da invasão. E o primeiro que deve assinar é o Reino Unido...ou afunda!". Silêncio sepulcral no Salão Oval da Casa Branca.

O projeto do presidente dos EUA começa pelo domínio da América Latina. Aqui ele já tem uma presidente fantoche subjugada na Venezuela e uma figura patética ecoando seus brados a partir de Buenos Aires. Esse personagem, Javier Milei, vocifera contra a China esquecendo-se de que seu País, o maior devedor do FMI nos dias atuais, recebeu um polpudo cheque do governo chinês para poder sobreviver. Sem apoio internacional e boa coexistência com o Brasil, sucumbe. Os argentinos sabem disso e tentam alertá-lo, mas ele não quer ouvir. Prefere cumprir ordens de seu mentor maior sem olhar para as consequências. Hoje a Argentina tem hordas de sem teto pelas ruas, pessoas que entram em filas de açougues para comprar carne de burro e mais de 20 mil empresas falidas na cauda de cometa das loucuras mileianas que buscam sabe-se lá o que dos anseios presidenciais.

Para completar o caldo de cultura de mais uma loucura nacional, os argentinos acordaram hoje sabendo que por obra e graça de Milei, daqui para a frente qualquer estrangeiro que falar mal daquele país e de qualquer coisa a ele ralacionado vai ser imediatamente expulso de lá. Milhares de brasileiros moram, trabalham e sobretudo estudam em terras argentinas.   

Em um discurso no Estado do Michigan, faz poucos dias, o presidente ianque chamou de comunista (que falta de imaginação...) uma pessoa que o interrompeu chamando-o de "protetor de pedófilo" durante um discurso que fazia parte das comemorações pelos 250 anos da Independência de seu país. O manifestante foi retirado do local. Esse périplo trumpista faz parte da campanha dele para as eleições de meio de mandato, quando corre o risco de perder maioria em pelo menos uma das duas casas legislativas norte-americanas e, mais do que isso, de se tornar um "pato manco" se derrotado na Câmara e no Senado.

Em meio a tantas incertezas, à necessidade de apoiar quase incondicionalmente Benjamin Netanyahu, de encontrar um meio de encerrar a guerra no Irã e que foi iniciada por ele, de impedir a vitória da Rússia na Ucrânia e de conseguir com o Congresso mais dinheiro para gastar com armas, esse eterno candidato a fazer do Prêmio Nobel da Paz uma piada de mau gosto no plano internacional, dá voltas em torno de si mesmo tentanto encontrar o caminho que jamais construiu pois na sua vida toda ele só fez destruir. E para quem não sabe para onde deve ir ao vai, qualquer caminho serve. 

Mostra disso é o fato de que em seu governo não existe diplomacia. Tudo o que se refere a política externa é feito por um genro e um amigo, estes sim de sua inteira confiança. Eis Donald Trump! Eis o homem que pode tirar da poeira dos tempos de guerra fria as imagens dos silos nucleares dos Estados Unidos, como esse da foto ao lado, e que dormitavam em suas camas/sepulturas até a chegada desses novos tempos de distopia mundial.

Tempos capazes de gerar pesadelos como o da criação desse tal Pacto de Sobrevivência e que na verdade é a tentativa final do império decadente de manter hegemonia mundial e, mais do que isso, de rapinar riquezas naturais de países que ainda se curvam ante o imperialismo ocidental como é feito hoje de forma descarada sobretudo na Venezuela, um Estado outrora soberano e que foi sequestrado num ato de pirataria incapaz de encontrar respalto algum na legislação internacional que é seguida e respeitada pela maioria das nações exceto Estados Unidos, Isarel e outros poucos e que não pretendem modificar, mas sim subverter a ordem mundial para a criação de um sistema no qual o termo liberdade vai estar intimamente ligado somente ao apoio total, incondicional, ao que a extrema direita entender como correto.

We can't do it!      

                     
 

28 de julho de 2026

Fantoche de fraldão

Quando eu era criança, gostava de ver teatro de bonecos. Havia no clube, na escola e mesmo nos treatros que apresentavam peças infantis. Os bonecos eram fantoches manipulados por artistas que ficavam escondidos na parte de trás daqueles pequenos palcos fazendo a festa acontecer. Muito divertido! Uma vez, no clube do qual meus pais eram sócios, o chefe de uma daquelas companhias explicou para todos que no início era difícil manipular os bonecos. Mas depois, com a experiência e o domínio cênico, "nossos bonequinhos fazem o que a gente quer. E ainda ficamos olhando a performance deles". Javier Milei é o fantoche de Donald Trump. E, ao que se conta e se viu em São Paulo (foto do boneco), usa fraldão.

O problema dele é não saber o que deve diferenciar um presidente da República, mesmo em atividade privada, de um exibicionista de botequim. Não disseram ao sujeito que um presidente jamais deve se referir a outro, sobretudo na casa deste, como "presidiário" representando um candidato a presidente cujo pai cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, dentre outras coisas. E nem chamar um ministro de uma Suprema Corte de "lixo careca" quando ele não seria capaz de dizer isso de um membro de seu Judiciário. Mas como fazer esse tipinho qualquer entender tal espécie de coisa se ele é capaz de fazer inúmeros discursos em sua terra e sempre terminando a fala com um sonoro "carajo"?

Milei veio ao Brasil em atividade privada sem comunicar seu deslocamento ao Governo Federal de nosso país. Mas ele não sabe o que é protocolo... Também usou jato oficial do governo argentino e diplomatas seus numa atividade totalmente irregular. Mas foi recepcionado pelo candidato à presidência Flávio Bolsonaro e pelo governador de São Paulo Tarcísio de Freitas que sabiam ser tudo isso estranho e ainda assim permitiram e incentivaram a performance mileiana com tapete azul na entrada do Palácio dos Bandeirantes em substituição ao tradicional tapete vermelho. Talvez Freitas não saiba, mas essa cor é usada oficialmente há séculos por significar poder, nobreza e honra e não o comunismo.

Seria essa palhaçada apenas mais uma aberração sem sentido de Javier Milei se os desdobramentos não pudessem ir muito além disso. Mas podem. O Mercosul vive hoje um excelente momento de crescimento de atividades econômicas entre países sul-americanos que podem vir a ser afetadas por essa patacoada. A União Europeia e os asiáticos esperam seriedade de seus parceiros e não esse tipo de coisa. Além do mais o intercâmbio econômico entre Brasil e Argentina é muito grande, importante para os brasileiros e quase vital aos argentinos. Não deve e não pode ser afetado por atos irresponsáveis cometidos por um chefe de estado incapaz de compreender onde está, quais devem ser seus limites e suas responsabilidades.

Ao longo de dois séculos Brasil e Argentina enfrentaram momentos difíceis, mas nunca, nem nas épocas das ditaduras chegou-se a esse ponto. Jamais um argentino ou um brasileiro, na Casa Rosada ou no Palácio do Planalto, xingou o outro. O ponto (de não retorno?) é alcançado agora e graças à interferência nefasta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e de seu secretário de Estado, Marco Rubio, que precisavam de mais um fantoche sul-americano para continuar a obra de tentar tornar toda a América Latina um quintal dos Estados Unidos e por onde a extrema direita possa desfilar sua ira incontida na busca de rapina. Na Venezuela já está sendo roubado o todo o petróleo possível no ato de pirataria confesso mais absurdo de que se tem notícia. No Brasil há muito mais a pilhar.

Por enquanto chamamos de volta o embaixador em Buenos Aires. Se a crise escalar por obra e graça de Milei, usando fraldão ou não, desgraçadamente vai ser preciso ir mais adiante. Pelo bem de nossos países isso não pode e não deve acontecer. Tomara a reação contrária sobretudo entre os argentinos possa frear o ímpeto desse fantoche circense.

26 de julho de 2026

Universos paralelos

Acompanhar o noticiário político dos últimos dias tem sido um exercício de paciência, sobretudo e principalmente para com a análise dos universos paralelos de alguns candidatos à presidência da República. Ronaldo Caiado se confirmou hoje falando da excelência de seu trabalho em Goiás, mas se esquecendo de que é um dos pais da UDR, a União Democrática Ruralista, que caçou os membros do MST em seu Estado representando unicamente os interesses do grande latifúndio do qual ele orgulhosamente faz parte e impedindo a reforma agrária. E nunca nutriu interesse algum por pobres e deserdados. Problema de memória, claro.

Flávio Bolsonaro, ontem, fez parte de um espetáculo chulo de desrespeito ao Brasil, permitindo que o desqualificado presidente argentino Javier Milei agredisse nosso país em solo brasileiro, dentre outras coisas chamando um ministro do Supremo Tribunal Federal de "lixo careca" e o presidente de "presidiário". É inconcebível isso acontecer em evento oficial e de política interna brasileira entre dois países que mantêm relações diplomáticas, são vizinhos e possuem um longo histórico de relações comerciais e de amizade. Ainda mais com o convidado recebendo a mais alta condecoração do governo paulista para cometer tal desatino de baixo nível. O Itamarati já respondeu convocando a Brasília seu embaixador em Buenos Aires. 

Esses episódios não foram capazes de impedir o presidente Lula de dar longa entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post (foto da capa) e na qual ele explicou o cerne da posição do Brasil diante do tarifaço do governo Trump às importações brasileiras. Pela primeira vez na história, tarifas de importação são usadas como armas contra nações amigas. No caso específico da América do Sul, a não ser que se trate de um estado vassalo, capaz de dizer "sim" a todas exigências dos EUA, como mostra a imagem abaixo, de uma das declarações do presidente brasileiro ao jornal norte-americano.

Teremos daqui para a frente uma das campanhas políticas mais agressivas e mentirosas de todos os tempos no Brasil, e isso graças ao fato de que o presidente atual se candidatou à reeleição naquela que será sua última campanha política de uma longa vida de atividades, sobretudo executivas. Ele já é alvo preferencial de todos os demais candidatos e tanto seu nome quanto a sigla partidária à qual pertence devem se tornar motivo de agressões as mais variadas. Um dos temas será tentar colar nele e em seu partido a pecha de estarem a serviço do crime organizado e da corrupção, o que não encontra respaldo na realidade dos fatos. E fatos são fatos. Não se deve agredí-los.

A raiz desse tipo de fenômeno, se é possível chamar por esse nome, está  a Casa Branca onde o atual presidente desrespeita todo mundo, bombardeia países, mata cidadãos inocentes e tenta desqualificar instituições caras à civilização como é o caso do Tribunal Penal Internacional, a ponto de o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarar claramente ter pedido ao Secretário de Estado Marco Rubio para que os EUA rompam com o TPI, que nem ele nem seu país reconhecem. Netanyahu, sempre fica bem explicar, é um criminoso internacional sionista, massacrador de palestinos e outras nacionalidades, defensor da "Grande Israel" e que sente prazer em ver morrerem os "inferiores". Como fez Hitler...

Seu ídolo Trump, que defende para si o Prêmio Nobel da Paz (supremo deboche!), já brincou até de ser candidato a novo mandato presidencial, embora sabendo que tal coisa é expressamente proibida pela Constituição de seu país. Mas esse tipo de código legal sempre foi um impecílho para os projetos de gente como ele, o presidente de El Salvador, o da Argentina e tantos outros mais espalhados pelo mundo afora e que talvez se julguem acima do bem e do mal. Principalmente do bem. Esse presidente ianque, capaz de rir da morte dos outros e debochar do roubo das riquezas naturais de Venezuela, deve se inspirar em um compatriota seu, já morto e que era autor de pensamento digno de ser registrado no fechamento desse artigo:  "Você consegue muito mais com uma palavra amável e um revólver do que somente com uma palavra amável" (Al Capone). 

23 de julho de 2026

A arte de jogar sujo

É coisa de família jogar sujo e contra a democracia o que os Bolsonaros fazem insistentemente no Brasil. Da mesma forma é do estilo de Donald Trump fazer o mesmo nos Estados Unidos. Os dois sentem cheiro de derrota nas eleições que se aproximam e agem como é de praxe para a extrema direita política no mundo todo, tentando desacreditar suas democracias. Mais: agem de modo a buscar atingir as instituições de seus países para justificar uma derrota depois com o discurso de que resultados foram fraudados. Na foto acima, Flávio Bolsonaro fala a diplomatas colocando em dúvida as urnas eletrônicas do Brasil e repete a receita de seu pai, derrotado nas eleições de 2022.  Fórmula vencida!
Um advogado judeu que viveu o início do nazismo na Alemanha, Ernst Fraekel escreveu o livro "O Estado Dual" e no qual ele explica como o nazifascismo funciona e não é eliminando o direito, mas sim o utilizando como instrumento de poder. Na Alemanha havia o Estado Normativo e dentro do qual contratos, empresas e burocracias continuavam a funcionar normalmente. Do outro havia o Estado de Prerrogativas onde o poder agia sem limite algum, com violência, supendendo direitos e perseguindo inimigos. Essa é a combinação ideal para a corrente política e sua receita para parecer democrática.
Portanto, o fascismo moderno não chega destruindo eleições, agredindo abertamente institituições seculares, mas sim esvaziando tudo o que existe por dentro delas. A tirania moderna não prega a derrocada das democracias, mas sim as mantendo com tribunais e tudo o mais. Mas as corrói por dentro. Isso permite a ela se legitimar perante grande parte das sociedades com uma aura de normalidade, de democracia. Por isso às vezes a gente ouve que durante a ditatura militar brasileira somente aqueles que eram cooptados pelo extremismo adversário pagavam o preço. Eram os que contestavam o regime.
Foi Benito Mussolini, ditador da Itália, quem criou o lema "Deus, Pátria, Família" para efeito de convencimento. Aqui no Brasil a extrema direita, via Jair Bolsonaro, acrescentou um "Liberdade" para se aproximar mais do conservadorismo. Mas essa liberdade só lhes serve enquanto submissa, enquanto apoiadora do regime político. Saiu de suas fronteiras, deixa de existir. Na verdade é uma farsa. O mesmo acontece com as instituições.
É difícil saber se Flávio Bolsonaro tem arcabouço intelectual para agir como age por convicção ou se é manipulado como em um teatro de bonecos. Mas sabemos todos tratar-se de um gangster capaz de tudo pelo poder. De uma coisa ele e seus próximos entendem sobremaneira: da arte de jogar sujo como fazem manipulando fatos através da mentira.
Esse é o risco maior. Ontem eu estava no cinema vendo "A Odisséia" e através das crenças e mitos da antiguidade é possível ver como são perigosos os cantos das sereias. Às vezes é preciso que a gente se amarre aos mastros de nossas convicções para não nos deixarmos levar por elas e nos atirarmos ao mar. Milhões não conseguem fazer isso.
Estamos próximos das eleições mais importantes do Século XXI e é preciso pensar nisso. Saber o que queremos para nós. Tanto aqui quanto nos Estados Unidos o canto das sereias pode nos levar ao encontro do novo nazifascismo travestido de democracia. O dano que isso vai provocar é inimaginável, caso tenha sucesso. Mas devemos apostar que as sereias serão desnudadas e colocadas de lado por uma parcela majoritária das sociedades. Tomara!   

17 de julho de 2026

Reciprocidade, sim!

Sim, é preciso usar nossa Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos pela primeira vez na história, e fazendo agora. Não é mais possível a nosso país ver com passividade a sequência de atos atentatórios à soberania nacional brasileira praticados desde a posse na Casa Branca do atual presidente Donald Trump (foto) e seu séquito de extremistas políticos de direita, dentre os quais se destaca o Secretário de Estado Marco Rubio. É preciso dar um basta a isso tudo, mesmo mantendo as negociações atuais.

O que acontece é que estamos sendo vítimas de uma tentativa clara de interferência político/ideológica nas eleições de outubro próximo, ao mesmo tempo em que o governo dos EUA protegem sua economia e tentam privilegiar políticas e empresas norte-americanas no Brasil sob a camuflagem de acusações comerciais diversas. E falsas.

Basicamente os Estados Unidos querem três coisas do Brasil: o PIX sendo equiparado às bandeiras americanas do Visa e do Mastercard, a abertura de nosso mercado ao etanol deles e moratória de quatro anos para tributos e multas de plataformas digitais. É o principal. Nada disso se pode negociar. O PIX é sistema público e para pessoas físicas não há cobrança de tarifas na maoiria dos casos. Tarifas existem só para pessoas jurídicas ou em transações com fins comerciais. Além disso, elas são pequenas.

Equiparar esse sistema nosso aos cartões bancários dos EUA para eles competirem em pé de igualdade só seria possível com a cobrançs de tarifas iguais às deles, pois seu sistema é privado e não faz transferências sem custo. Então essa equiparação anularia o caráter social que levou à criaçao do nosso sistema e que hoje beneficia milhões de brasileiros.

Deixar o etanol dos EUA entrar aqui como eles desejam poderia matar todo o esforço de manutenção do Programa Pró Alcool, criado para incentivar os veículos bicombustíveis nacionais. Finalmente, moratória de multas e de tributos para plataformas digitais somente as manteria ao largo das leis brasileiras que elas insistem em desconhecer, obrigando sempre a nossa Justiça a intervir para fazer com que cumpram a legislação. Nada disso é aceitável.

O Secretário de Estado mente quando fala que o Brasil age de má fé nas negociações. Isso não é verdade. Foram mais de 30 reuniões para tratar do problema, sem resultado algum de caráter técnico. E tal situação decorre do fato de que o lado técnico não importa, mas somente tentar pressionar politicamente o Brasil. Temos um déficit comercial de 7,5 bilhões de dólares no comércio com os Estados Unidos e tal fato sequer foi colocado na mesa.

As demais alegações igualmente são insustentáveis. Dizer, por exemplo, que o atual governo incentiva o desmatamento ilegal e o trabalho escravo é agredir a verdade. Tudo o que o atual governo fez ao longo dos anos foi lutar pela redução do desmatamento e o combate a outras práticas criminosas, como é o caso do garimpo ilegal que era largamente aprovado pelo governo anterior e gerava até mesmo uma grnade série de homicídios. Indígenas chegaram a morrer de fome nas reservas abandonadas pelo Estado durante quatro anos seguidos.

Ontem o vice-presidente Geraldo Alkmin e ministros do governo deram entrevista coletiva ao final do dia e explicaram todos os pontos da questão (segunda foto). Nada ficou sem ser focalizado. Portanto, cabe ao Brasil esperar pela concretização das ameaças dos Estados Unidos para tomar medidas de reciprocidade que nada serão além da defesa de nossos interesses sobretudo comerciais. E também cabe encaminhar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), órgão necessário em situações esdrúxulas como essa. A defesa intransigente dos interesses nacionais está acima de tudo hoje e sempre.

Também ontem à noite, em Washington, o presidente Trump falou longamente sobre as eleições de 2020 e disse - sem provas, sempre - que a China interferiu no pleito norte-americano. Ele pretende, com uma ordem executiva, interferir nas eleições de meio de mandato de seu país. Para a extrema direita não basta querer fazer outros países vassalos seus porque é preciso também destruir sua própria democracia interna. Portanto, é preciso estar atento e forte porque o golpismo sobrevive a cada esquina e a América do Sul foi eleita para ser seu quintal. Reciprocidade, sim!      

15 de julho de 2026

O Congresso Tiririca

O presidente do PL, Waldemar da Costa Neto, em entrevista longa dada ontem à Globo News explicou (sic!) como funcionam as emendas parlamentares do Brasil que já alcançam R$ 50 bilhões anuais e tendem a aumentar ainda mais tal é a voracidade dos políticos sobre o orçamento da União: o deputado Tiricica (foto) não tem como usar tudo a que tem direito por não possuir votos junto a prefeitos. Só possui "votos de opinião" e então Waldemar, presidente do PL, envia aos prefeitos que só ele sabe quem são o dinheiro do meu, do seu, do nosso imposto para que Tiririca possa usar tudo em benefício próprio ou de terceiros para ser gasto sabe-se lá como. E presidentes de partidos não podem destinar emendas.       
 A figura de linguagem "voto de opinião", mais uma criação da anomalia política brasileira ligada às emendas, está lançada. E Tiririca é um retrato aproximado do que é o Congresso Nacional de hoje: está ao final de seu terceiro mandato, com mais de 15 anos de Câmara e raras são as pessoas que conhecem iniciativas suas. Há registros: isenção pedágios para materiais de circo, isenção de taxa de Enem para doadores de sangue e isenção de contas de água e luz para circos. Que maraviha! Tiririca, claro é (ou foi) de circo.
Aos 61 anos de idade sabe que pode não se reeleger e não deve querer voltar ao picadeiro. Usa então emendas parlamentares via presidente de partido para tentar obter votos. Isso sedimenta uma nova anomalia na política brasileira: a perpetuação de políticos ou seus descendentes nesses cargos públicos, repetindo mandatos quase indefinidamente, o que impede a renovação do exercício dessa atividade no Brasil. E o orçamento da União é hoje usado largamente não apenas para que prefeitos e governadores possam se manter nos cargos ou fazer sucessores, mas também para que não detentores de mandatos utilizem essas verbas públicas à larga.
Ontem Waldemar do PL deu entrevista como se estivesse fazendo alguma coisa absolutamente normal ao usar tal dinheiro tal qual fosse operador dele. E falou com a convicção de que vai seguir em frente mesmo com a reação do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que pretende frear isso. E precisa fazê-lo porque para a classe política, como dizia um antigo programa de TV já faz muitos anos fora do ar, "O Céu é o Limite". Eles vão seguir em frente sequestrando o orçamento até que um poder maior os detenha ou então que o eleitor se canse disso. Que o eleitor diga "basta", "chega", "não pode mais". Mas até lá a farra continua, pois outra forma de o orçamento ser secreto já foi encontrada.
Faço aqui então uma sugestão: ontem o Congresso aprovou a Pauta Bomba, que vai destinar uma boa montanha de dinheiro a agentes de saúde e outros para que estes tenham aposentadoria especial por causa da natureza perigosa de seu trabalho. Mas não há de onde esse montante ser retirado para cobrir o rombo do orçamento. Ou será que há? Basta que seja retirado do total das emendas parlamentares e não do INSS, já com deficit grande. Ora, se nossos deputados e senadores gostam de fazer bondades, que as façam com o "seu"dinheiro. E não vão comprometer nem a metade da bolada de todos os anos.

9 de julho de 2026

O agro e o saque do Estado

Quem acompanha os noticiários que falam sobre o chamado agronegócio do Brasil sabe que os grandes latifundiáros nacionais saqueiam o Estado já faz um bom tempo. Eles realizam encontros como a Conforto Experience, em Nova Crixás (GO) a feira Show Safra, em Lucas do Rio Verde (MT) ou em mega fazendas. Vão a essas "reuniões de trabalho" em dezenas de aviões executivos (foto acima) e lamentam as safra que dão pouco lucro.

Então decidem assaltar o Estado com a tomada de dinheiro público via Plano Safra. E a chamada bancada ruralista pressiona o Congresso - agora por intermédio do Senado - para aumentar a cada ano o repasse de dinheiro a esses enpresários. Uma bolada imensa. A coisa funciona assim: investem apenas dinheiro do contribuinte e só pagam os emprestímos se lucrarem muito. Jamais investem seus lucros, que só viram luxos como aviões executivos.

Os lucros são privados. Os prejuízos, públicos.

Agora mesmo discute-se o próximo Plano Safra, que vai atender aos novos plantios. O governo imaginava dar ao setor uma ajuda extra subsidiada para aqueles que tiveram prejuízos imensos contabilizados por causa das enchentes que atormentaram o sul do Brasil recentemente. Mas todos querem o mesmo: dinheiro do contribuinte para quase literalmente não pagarem. E só o agro tem isso. Para os outros setores investimento é risco assumido.

Eles foram ao Congresso, à sua base parlamentar, para pressionar por uma nova pauta bomba que vai custar cerca de R$ 80 bilhões aos cofres públicos sem que haja fonte de receita definida para a cobertura dessa montanha de dinheiro fácil. Ou seja, eles ficarão ainda mais ricos à custa do contribuinte, sobretudo dos que ganham pouco. E a bancada ruralista já está de braços dados com o presidente do Senado, David Alcolumbre, que usa seu poder de Presidente do Congresso para prejudicar o Brasil em tudo e por tudo. Ele não gosta do epítero, mas é o comandante em chefe do Congresso Inimigo do Povo.

Aliás, há um aleijão legislativo vigorando no Brasil de hoje. O Congresso Nacional não é mais formado por partidos políticos, que são a base da democracia representativa, mas por frentes de interesses empresariais diversos. São as bancadas! Além da ruralista, há a da bala, a evangélica ou da bíblia e outras menos votadas. Recebem o apelido de Frentes Parlamentares e todas têm interesses defendidos por centenas de lobistas que lá estão todos os dias. Estes também são chamados de profissionais de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) o consultores em advocacy. Nome charmoso?

Atualmente se arregimentaram tanto que o PL do Lobby (2014/22) já está na Comissão de Constituição e Justiça pronto para virar lei por obra e graça da proposta de um deputado do PT. Ou seja, essas pessoas que servem como intermediárias do grande capital para defender a eles e sempre que possível passarem ao largo do interesse público agora serão profissão de profissão definida por lei. E terão mais facilidade para chegar até gente como Alcolumbre para confiscar o dinheiro do Orçamento da União da forma mais leviana possível. Como o Orçamento secreto e as milhares de emendas parlamentares através das quais nossos suados impostos são desviados para os esgotos do país.

Os argumentos? Todos eles carregam no PIX!