Esse que está publicado aí acima é o meme mais gentil que encontrei referente ao "debate" de ontem à noite na Band TV entre o presidente Lula (PT) e o candidato Flávio Bolsonaro, do PL. E foi ele próprio, o candidato, quem se colocou nessa situação ao ficar andando de um lado para o outro durante o tempo todo da transmissão de televisão, sempre atrás do presidente e com o claro intuito de atrair para si as atenções daqueles que acompanhavam o programa. Uma tática, como devo dizer, bem no estilo de Donald Trump e que consiste em atacar sempre, de maneira torpe e não responder a praticamente nada que incomode.
Flávio Bolsonaro não é mais do que um gangster da política atual. Atua nas sombras, envolvido com crimes e criminosos e representando o que de pior a extrema direita política brasileira gerou nos últmos anos. Ele estar à frente das rachadinhas e da compra de sua mansão em Brasília é o mínimo. Também tomou ao jogador Richarlison uma propriedade na Ilha Comprida, Rio de Janeiro, "na mão grande", como explicou o atleta. A questão é tão insólita e estranha quanto qualquer outra história envolvendo a família Bolsonaro. Além disso são públicas e notórias as ligações desse 01 com milícias e outros gêneros de crime organizado, o que inclui até mesmo condecoraçoes dadas a criminosos condenados.
No debade de ontem à noite ele jogou por terra qualquer expectativa de que houvesse um confronto de ideias naquele ambiente. Desde o início levou a discussão para o terreno das agressões pessoais e passou o tempo todo chamando o adversário de mentiroso e acusando o governo atual de estar envolvido em corrupção. Mas em momento algum especificou a que caso ou casos de corrupção se referia. Essa é uma tática solerte, mas que em muitas situações dá resultado: jogar sobre o adversário as acusações que normalmente pesam contra quem acusa, repeti-las à exaustão e ao menos gerar dúvida razoável entre os espectadores. E isso ele fez. Estava bem treinado e o presidente chegou a se retrair, talvez de susto, no início.
Nem mesmo as tais "considerações finais" puderam ser feitas com calma porque a claque ficou histérica e isso levou a de Lula ao mesmo comportamento. Os dois jornalistas escalados pra mediar o debate devem ter saído de lá com a cabeça quente, da mesma forma que os telespectadores. Agora teremos outro episódio como esse na sexta-feira que vem, desta feita promovido pela Rede Globo. Ao menos o formato deve ser mudado. 48 horas antes da eleição não temos a esperança de ver outro Flávio, mais civilizado, no palco do combate, já que confronto de ideias dificilmente poderemos ver com esse personagem em cena.
Vejam com a questão é complicada. O candidato não explica coisa alguma, acusa de forma calhorda, promete reduzir despesas ao extremo sem dizer de onde o dinheiro vai "encolher" ao mesmo tempo em que garante manter projetos sociais do atual governo com custo elevado e, pior de tudo, recusa-se de forma definitiva a dizer o que foi feito com os R$ 134 milhões dados a ele pelo "banqueiro" Daniel Vorcaro ao mesmo tempo em que toma para si acusações levianas feitas por uma suposta amiga do filho do presidente, arrota outra acusação falsa de tomada de dinheiro desse mesmo Vorcaro para a feitura de um filme da vida de Lula que jamais existiu - fatos já negados -, transita entre essas acusações levianas com a desenvoltura de um porco no chiqueiro e insufla sua claque o tempo todo com o intuito gerar a cada vez mais confusão e desconforto. Conseguiu!
Houve um momento que deve ser destacado: o presidente Lula sugeriu a abertura total de contas dele e de Flávio Bolsonaro para o Brasil saber quem é corrupto. Ou então se ambos são. Ele, claro, desconversou. Pode alguém como Flávio Bolsonaro governar o Brasil? Poder pode porque a Constituição permite, mas não deveria. Se num debate feito com o objetivo convencer eleitores indecisos sobre qual dos dois candidatos é o ideal para exercer a presidência da República do Brasil ele já impede de forma desonesta que ideias e projetos sejam apresentados, estamos diante da expectativa do caos. O que iria ser, caso Flávio se eleja, o Ministério da Prosperidade? Que atribuições teria? Que tipo de especialidades seriam entregues a ele? Quem seria o ministro? Um adepto de Olavo de Carvalho, um ideólogo de Donald Trump ou um general da ativa especializado em estatística?
Domingo dia 25 o Brasil vai decidir se teremos futuro ou não.







