Já se falou que a conquista de maioria absoluta no Senado serviria para que diversos próceres da República, notadamente membros do Supremo Tribunal Federal possam vir a sofrer impeachment acusados de "crime de responsabilidade". O que vem a ser isso? Trata-se de uma "infração político-administrativa que pode vir a ser cometida por por agentes políticos quando esses atentam contra a Constituição e o funcionamento regular das instituições democráticas". Na prática tem que haver um delito comprovado e praticado pelo alvo para que ele seja processado e afastado do cargo. Só que quando se trata de vingança política, de vindita, qualquer bom escritório de advocacia monta um caso e o envia ao Senado. A "Comissão de Constituição e Justiça" montada a caráter para representar não o Direito, mas o Governo, faz o resto. Com incrível facilidade, como sempre.
Os termos jurídicos que classificam o "crime de responsabilidade" são vagos, genéricos e qualquer grupo de espertalhões pode usar expedientes os mais variados para fazer pedidos de teor de impeachment. Dentro e fora do Congresso. Durante os últimos anos uma centena ou mais de solicitações do gênero dormitaram nas gavetas dos presidentes da Câmara e do Senado, que não as levaram adiante. Agora, ao que parece, a estrema direita encastelada no PL quer tornar esse sonho realidade. Fazer da farinha de trigo um pão doce recheado. Usar o "crime de responsabilidade" como uma vingança contra os que ocuparam o poder de Estado no último mandato em lugar de Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, o filho mais velho e seguidor do pai, tenta usar máscara parecida com as dos atores de uma série vitoriosa de TV (FOTO) para se esconder ou camuflar um projeto antes de chegar ao poder, se chegar, para então estar em condições de impor as vontades do grupo que representa. Já está montando até seu ministério (SIC!). Mas não consegue passar honestidade no que faz. O enredo é conhecido demais, o elenco, muito fraco e um dark horse em Brasília não sairia inteiro do papel. Principamente nos dias de hoje, quando sabidamente o papai Jair mais uma vez não poderá contar com a ajuda das Forças Armadas, pois seu grupo de apoio fascista a cada dia mingua mais. Que pena para ele!
Hoje é quinta-feira, véspera do reinício da propaganda eleitoral gratuita e do dia em que os novos projetos vão ser mostrados pelo presidente candidato à reeleição.Talvez ele mostre nesse horário eleitoral em que falcatruas seu adversário se envolveu nos últimos tempos, pois boa parte delas não foi denunciada pela grande imprensa, chamada por ela mesma de "imprensa profissional". E são delitos - podem ser chamados assim - comprovados. Será que o brasileiro de hoje conviverá facilmente com crimes que envolvem conchavos com milicianos, uso de uma imensidão de dinheiro fácil e apoios parlamentares que passam de um lado para o outro ao sabor dos ventos de campanha. Isso está longe do ideal.
Hoje, nessas vésperas, o TSE julga se os votos dados ao candidato Garotinho no Rio de Janeiro são nulos ou não. E se Deltan Dallagnol, no Paraná, pode ser senador mesmo estando inelegível e envolvido numa imensa série de escândalos que envolvem também o governador eleito pelos paranaenses Sérgio Moro. Os julgamentos atuais do TSE e do STF, nesses tampos bicudos me remetem a um aforismo apócrifo que diz há séculos: "aos amigos os favores; aos inimigos os rigores da lei". Isso já foi atribuído a Nicolau Maquiavel e a Getúlio Vargas. Ambos são inocentes no caso citado...
Talvez não haja inocentes na política brasileira daqui para a frente. Vamos torcer ao mesmo por um desfecho sem que tribunais superiores sejam provocados. E sem que o candidato da oposição fale em jogar dentro das "quatro linhas". Isso é sinônimo de golpe, hoje e sempre!





