O pior de toda essa tragédia representada pelos jogos online, também chamados de BETS, é que eles são uma isca para os mais desesperados por dinheiro e que acreditam na hipótese de ficarem ricos jogando nesses cassinos virtuais. Não vão ficar. Pior do que isso, o mínimo que pode acontecer é irem à falência e levarem todos os entes queridos junto, o que certamente provocará a dissolição da célula familiar. Tive três experiências nesse campo e posso relatar como foram elas. Não é coisa bonita.
Na primeira eu estava em Vina Del Mar, no Chile, e fui jogar no Cassino Municipal, situado num prédio histórico numa região belíssima. É um prédio de 1930. No hotel fui instruído a levar somente o passaporte e uma nota de cem dólares. Nenhum cartão de crédito. Aceitei a opinião e essa foi minha sorte. Na entrada acabei "premiado" com um copão de uísque e um pratinho de sal com uns poucos amendois. Dá uma sede danada! Troquei minha nota de cem dólares e joguei na roleta e nas máquinhas de caça níqueis. Essas caçaram todos os meus últimos. Fiquei lá tempo suficiente ver pessoas gastando fortunas e uma senhora sair chorando, certamente pelas perdas. Lembro-me de que em função do ambiente, cheguei ao final a tentar pegar um cartão de crédito no bolso. Felizmente estavam no hotel. Fui embora apenas sem a minha única nota de cem dólares.
A outra experiência foi em Guarapari, no Hotel Coronado. Lá funcionava um cassino ilegal dirigido por um "banqueiro" de bicho famoso e que foi deputado estadual aqui no Espírito, quando da construção do prédio atual da ALES. Vi um leiloeiro do Rio de Janeiro que tinha voado para cá com todas as despesas pagas, perder uma verdadeira fortuna na roleta. Peguei meu amigo, que havia me levado para lá, e o retirei do lugar enquanto ele ainda tinha as calças. Pagou a dívida em cheque que o "banqueiro" depois devolveu com um "Porra, Fulano!" Esse "Fulano" era uma pessoa de certo destaque no Estado.
Na terceira vez - não estou colocando por ordem de datas, pois não me recordo dos anos em que os fatos se deram - visitei com outro amigo o cassino que funcionava no Hotel Porto do Sol, em Jardim Camburi. Havia lá pelo menos uns quatro representantes do nosso desqualificado Congresso Nacional, de Brasília, e que haviam voado para cá com algumas "assessoras". Eram deputados e um senador que torraram fortunas do meu, do seu, do nosso dinheiro. Uma das "assessoras", mais rodada, virou-se para outra, bem jovem, e disse: "Largue disso, meu amor, você é nova e bonita". Ouviu da outra de volta: "Para que isso, colega? Somos passageiras do mesmo barco".
Todo mundo naquela época sabia que os dois cassinos funcionavam normalmente, embora tudo fosse ilegal. E quando digo todo mundo era quase todo mundo mesmo. Ao que me consta a Polícia não passava por lá e, creio, devia ser por fata de GPS... Hoje, via internet, milhares estão tendo as vidas destruídas, perdendo bens que foram adquiridos ao longo de décadas de trabalho duro e ainda não há uma reação mais dura por parte do Estado, pois a reação maior e contrária vem justamente do pior Congresso de todos os tempos, esse eleito por nós. Os parlamentares deveriam estar a postos lutando pelo Brasil da mesma forma como poucos lutam contra a escala 6X1, mas qual nada! Uma boa parcela deles está nos Estados Unidos vendo os jogos da Copa do Mundo como o nosso dinheiro suado.
Mesmo assim lutemos para derrotar as BETS. Todas elas. Já levaram, segundo cálculos sérios, cerca de R$ 3 bilhões só do Bolsa Família. É crueldade extrema! Pior de tudo: engordam o caixa das grandes empresas de Comunicação e de muita gente famosa, grande parte trabalhando em TV e que faz propaganda rasgada dessas "empresas". E a propaganda tenta passar a culpa por todos os danos às vítimas: "Jogue com responsabilidade!" Dá vontade de encerrar o artigo com um sonoro palavrão em caixa alta.




