29 de junho de 2026

Tigrinhos que matam

Existem alguns tigrinhos que matam. Que tomam todo o dinheiro dos incautos. Que levam à falência, dentre outras coisas. Ou à morte, como já aconteceu mais de uma vez no Brasil, uma delas com um cidadão que conseguiu torrar R$ 109 milhões em um único dia nos jogos online e depois tirou a própria vida ao ver que havia arruinado a si e a seus familiares. Os jogos online, todos eles e não apenas o Trigrinho, são um câncer que colocamos em nossas vidas com a ajuda do ex-presidente Michel Temer e do Congresso Nacional.

O pior de toda essa tragédia representada pelos jogos online, também chamados de BETS, é que eles são uma isca para os mais desesperados por dinheiro e que acreditam na hipótese de ficarem ricos jogando nesses cassinos virtuais. Não vão ficar. Pior do que isso, o mínimo que pode acontecer é irem à falência e levarem todos os entes queridos junto, o que certamente provocará a dissolição da célula familiar. Tive três experiências nesse campo e posso relatar como foram elas. Não é coisa bonita.

Na primeira eu estava em Vina Del Mar, no Chile, e fui jogar no Cassino Municipal, situado num prédio histórico numa região belíssima. É um prédio de 1930. No hotel fui instruído a levar somente o passaporte e uma nota de cem dólares. Nenhum cartão de crédito. Aceitei a opinião e essa foi minha sorte. Na entrada acabei "premiado" com um copão de uísque e um pratinho de sal com uns poucos amendois. Dá uma sede danada! Troquei minha nota de cem dólares e joguei na roleta e nas máquinhas de caça níqueis. Essas caçaram todos os meus últimos. Fiquei lá tempo suficiente ver pessoas gastando fortunas e uma senhora sair chorando, certamente pelas perdas. Lembro-me de que em função do ambiente, cheguei ao final a tentar pegar um cartão de crédito no bolso. Felizmente estavam no hotel. Fui embora apenas sem a minha única nota de cem dólares.

A outra experiência foi em Guarapari, no Hotel Coronado. Lá funcionava um cassino ilegal dirigido por um "banqueiro" de bicho famoso e que foi deputado estadual aqui no Espírito, quando da construção do prédio atual da ALES. Vi um leiloeiro do Rio de Janeiro que tinha voado para cá com todas as despesas pagas, perder uma verdadeira fortuna na roleta. Peguei meu amigo, que havia me levado para lá, e o retirei do lugar enquanto ele ainda tinha as calças. Pagou a dívida em cheque que o "banqueiro" depois devolveu com um "Porra, Fulano!" Esse "Fulano" era uma pessoa de certo destaque no Estado. 

Na terceira vez - não estou colocando por ordem de datas, pois não me recordo dos anos em que os fatos se deram - visitei com outro amigo o cassino que funcionava no Hotel Porto do Sol, em Jardim Camburi. Havia lá pelo menos uns quatro representantes do nosso desqualificado Congresso Nacional, de Brasília, e que haviam voado para cá com algumas "assessoras". Eram deputados e um senador que torraram fortunas do meu, do seu, do nosso dinheiro. Uma das "assessoras", mais rodada, virou-se para outra, bem jovem, e disse: "Largue disso, meu amor, você é nova e bonita". Ouviu da outra de volta: "Para que isso, colega? Somos passageiras do mesmo barco".

Todo mundo naquela época sabia que os dois cassinos funcionavam normalmente, embora tudo fosse ilegal. E quando digo todo mundo era quase todo mundo mesmo. Ao que me consta a Polícia não passava por lá e, creio, devia ser por fata de GPS... Hoje, via internet, milhares estão tendo as vidas destruídas, perdendo bens que foram adquiridos ao longo de décadas de trabalho duro e ainda não há uma reação mais dura por parte do Estado, pois a reação maior e contrária vem justamente do pior Congresso de todos os tempos, esse eleito por nós. Os parlamentares deveriam estar a postos lutando pelo Brasil da mesma forma como poucos lutam contra a escala 6X1, mas qual nada! Uma boa parcela deles está nos Estados Unidos vendo os jogos da Copa do Mundo como o nosso dinheiro suado.

Mesmo assim lutemos para derrotar as BETS. Todas elas. Já levaram, segundo cálculos sérios, cerca de R$ 3 bilhões só do Bolsa Família. É crueldade extrema! Pior de tudo: engordam o caixa das grandes empresas de Comunicação e de muita gente famosa, grande parte trabalhando em TV e que faz propaganda rasgada dessas "empresas". E a propaganda tenta passar a culpa por todos os danos às vítimas: "Jogue com responsabilidade!" Dá vontade de encerrar o artigo com um sonoro palavrão em caixa alta.

25 de junho de 2026

O significado da vida


É abribuída ao poeta e filósofo indiano Rabindranath Tagore a seguinte citação: "Aquele que planta árvores, sabendo que nunca se sentará à sua sombra, ao menos começou a compreender o significado da vida". O que tem de bom esse pensamento do homem da foto ao lado e que morreu aos 80 anos de idade em 1941? Ele disserta sobre altruísmo, legado e desapego, assuntos que não estão ou nunca estiveram ao alcance do entendimento de gente como o "bispo" Edir Macedo, o "banqueiro" Daniel Vorcaro e centenas ou milhares de outras pessoas que habitam o dia-a-dia do Brasil de hoje. Elas nunca pensam, por exemplo, em que legado deixarão aos seus descedentes. Ou será que viveram por isso?

Às vezes parece que sim, porque o presidiário Jair Messias Bolsonaro fez de seus quatro filhos clones seus. Sobretudo na falta de ética, na não existência de altruísmo em seus atos e em jamais terem se imaginado como sendo obrigados ao desapego em momento algum da vida. Essa é uma doença grave que atinge a humanidade de hoje, tanto no Brasil quanto em grande parte dos outros países como os Estados Unidos, por exemplo.

Por que o cidadão Donald Trump considera como vitórias suas ter ele pretensamente interferido nas eleições de oito países da América do Sul? E por que para ele é importante, aos 80 anos de idade, roubar - e esse é o termo exato! - as riquezas naturais de outros países também pretensamente para enriquecer sua nação? É mais correto pensar que ele deseja morrer deixando a seus descendentes séculos de vida mansa montada em milhões de dólares ou então poder suficiente para que estes multipliquem ainda mais seus bens. Vejam que o séquito dele em viagens é sempre formado pelos donos das maiores fortunas do mundo.

E Benjamin Netanyahu difere deste em quê? Somente talvez no tamanho da fortuna, posto que seu sonho maior é nunca ter que pagar pelos crimes praticados e que envolvem fraucatruas fiscais as mais soberbas existentes. Ora, para alcançar seus objetivos Netanyahu precisa das guerras que mantém a alto custo humano. Trump também necessita delas porque grande parte do apoio econômico de que dispõe para governar é dado a ele e a seu grupo MAGA pelos grandes fabricantes de armamentos dos Estados Unidos. Uma paranóia abastece a outra e as duas, juntas, patrocinam um genocídio imenso que, se não for detido, vai provocar ao menos a quase extinção dos palestinos de sobre a face da terra. Trata-se de um crime tão grande ou maior do que o gestado e promovido por Hitler e o nazismo.

Um drama tão imenso a humanidade não merece. E ainda mais porque se ele for transportado para o Brasil o nível dos personagens cai bem mais. Uma briga que está muito distante de ser de salão entre a senhora Michele Bolsonaro e os filhos do ex-presidente, certamente em torno do espólio político deste, agora ganha espaço no noticiário de rádios, jornais,

televisões e outros meios de comunicação, sobretudo redes sociais. São as entranhas da extrema direita política nacional sendo trazidas ao público em vez da discussão de planos de governo, busca de soluções de problemas e outros assuntos de interesse. A ex-primeira dama gravou um vídeo na noite de ontem (imagem ao lado) e no qual "denuncia" Flávio Bolsonaro de a estar desprezando, humilhando ou coisa parecida. O pano de fundo dessa comédia pastelão é a conquista de votos da extrema direita política através da chamada "pauta de costumes" e que se resume em tentar conquistar votos sobretudo do eleitorado menos dotado intelectualmente e das mulheres por intermédio de um projeto que visa, antes de mais nada, dividir o clã hoje fora do poder em dois.

É triste isso tudo. Ao longo de sua "carreira" política o atual presidiário Bolsonaro jamais demonstrou altruísmo e desapego em momento algum da vida para assim fazer de seus atos e de seu exemplo um legado aos que ainda o seguem. Na cauda de cometa de toda essa miséria exposta às outras pessoas, sobretudo no Brasil, os partidos políticos tradicionais vão aos poucos desaparecendo. E a vida em sociedade democrática tem que levar em conta o debate ideológico entre agremiações políticas porque é do confronto das ideias que nascem as sínteses novas. Mas como fazer isso 84 anos depois da morte de Tagore, no Brasil tão pouco conhecido, se a política pelo convencimento foi derrotada pela ignorância?

Aliás, os derrotados somos nós mesmos.            

23 de junho de 2026

São de Jesus!


A foto acima mostra um helicoptero decolando do heliponto situado no telhado do Templo de Salomão, o maior da Igreja Universal do Reino de Deus e que está localizado em São Paulo. Nunca foi explicado o que estava sendo feito e nem se houve investigações acerca das grandes malas colocadas na aeronave. Como não estávamos em dezembro, com toda certeza não se tratava de presentes de Papai Noel e a suspeita até hoje não desfeita é de que era mesmo dinheiro arrecadado nos cultos desse tal templo junto aos fieis. Na foto abaixo o "missionário" Edir Macedo, dono da denominação, oficia um culto fantasiado de rabino.

Hoje a Polícia Federal está fazendo a Operação Miragem, que visa apurar um esquema fraudulento vindo da gestão nacional do Banco Digimais, controlado pelo chamado "bispo" Macedo, o fundador da igreja. Não se trata de pouco: há indicios de que R$ 670.348.945,70 tenha sido desviados nos últimos tempos. E esse é o valor exato sequestrado em bens e valores ligados aos investigados.

Para chegar a tanto a PF, que é uma Polícia Judiciária, analisou relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil e estes revelaram graves irregularidades na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira. Surpresa? Nenhuma. Para chegar aos crimes basta seguir seu rastro. Ou o dos controladores.

Nos últimos tempos e no rastro da Teologia da Prosperidade nascida nos Estados Unidos, várias denomimações chamadas neopentecostais surgiram no Brasil. Edir Macedo é dono da maior de todas e da TV Record. O "missionário" R. R. Soares (Romildo Ribeiro Soares) detém o comando da Igreja Internacional do Reino de Deus; o "apóstolo" Valdomiro Santiago está à frente da Igreja Mundial do Poder de Deus; o "apóstolo" Hernandes e a "bispa" Sônia são fundadores da Igreja Renascer em Cristo; o "pastor" Silas Malafaia preside a Assembleia de Deus Vitória em Cristo. E essas são as maiores atualmente.

Faz alguns meses Malafaia, feroz defensor do ex-presidente e hoje presidiário Jair Bolsonaro, pediu isenção de impostos para adquirir um novo helicoptero caro para seus deslocamentos. Recentemente Macedo fez o mesmo e nesse caso para comprar um aparelho de R$ 35 milhões. A justificativa de ambos é a mesma: não se trata da aquisição de aeronaves para eles. Elas são de Jesus. Que, obviamente, as cede a seus discípulos para uso pessoal. E como aviões não podem constar sob o nome de Jesus, a posse tem que se bem terrena.

O neopentecostalismo é hoje uma das pragas do Brasil e até mesmo praticantes das igrejas tradicionais calculam o mal que ele faz. Uma das vertentes desse mal - isso além, é claro, da evasão de divisas vista no helicóptero - é o princípio da renúncia quase total ao pagamento de impostos, a maioria esmagadora deles, e que vem se direcionando a tudo o que diz respeito até nesmo indiretamente a cada uma delas.

Isso sem falarmos no controle quase absoluto dos "fieis" via uma lavagem cerebral diária e bem feita, o que faz de cada um deles um servo disposto a tudo por seus mestres ou líderes religosos que combinam até "milagres" em cultos realizados com regras teatrais. Não há limites para a submissão, e como a Teologia da Prosperidade prega a conquista do poder pelo voto (somente assim?), a submissão leva cada fiel a ser um eleitor perfeito e incondicional dos candidatos a cargos políticos principalmente da extrema direita. Por isso são frequentadores assíduos das congregações.

Michele Bolsonaro, da Igreja Batista Atitude, que o diga.

19 de junho de 2026

Decidir o que é certo!

  
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça foi o palestrante mais graúdo do fórum "Os Desafios da Advocacia no Século XXI" (foto acima) e não perdeu tempo: declarou que "o papel do bom juiz não é ser estrela". E continuou dizendo que seu grande desafio em qualquer processo é "entender o que é certo, decidir de modo certo e fazer isso pelo dever de fazer o certo". Foi delirantemente aplaudido pelos presentes à sede da OAB-RJ em março último. Ele, que mantém frequentes e intensas rusgas com o também ministro Alexandre de Moraes, hoje é o relator do Caso Master. Determinou quebra de sigilos totais da totalidade dos investigados no maior esquema de corrupção de todos os tempos no Brasil, menos no caso de Flávio Bolsonaro, o mais graúdo de todos os acusados. Entender o que é certo, decidir de modo certo e fazer isso pelo dever de fazer o certo nem sempre é fácil.

Ou oportuno...

André, desde seu sorteio para a relatoria do caso toma decisões todos os dias e está em todas as mídias. Vira e volta tem rusgas com outros ministro, sendo que na última vez foi com Gilmar Mendes. Deixar de ser estrela às vezes não é fácil nessas circnstâncias, claro. O Caso Master não é do interesse de ninguém e talvez porque envolva um número imenso de grandes próceres desta nossa República, e retiro do termo prócere aqui usado um de seus significados e que se refere à nobreza. Todos, indistintamente, fogem dele como o diabo da cruz e talvez porque Daniel Vorcaro tenha conseguido o feito antes nunca alcançado de ser o mafioso mais destacado da máfia brasileira capaz de atingir todos os três poderes. 

E ela age da maneira mais solerte e ampla possível. Vocês sabem que são Rosimara Renz e Henrique Carvalho? São um casal catarinense natural de Itapiranga que decidiu tratar uma criança de quatro anos, filha deles, com cannabis medicinal. Na Operação Menor Protetor eles tiveram aprendidos na fazenda onde moravam pés de maconha e óleos e equipamentos de trabalho que mostravam claramente o carater medicinal do uso da maconha.  Passaram o diabo no Estado governado por um fascista e com fascistas o representando no Congresso Nacional. As constantes convulsões da pequena menina estão controladas, mas os papais não poderão curtir essa vitória, condenados que foram dia 18 último a pena em regime fechado pelo juiz Victor Mattos. A pequena Zaia está livre da doença, ao menos por agora. E depois?

Não é só a corrupção que destrói o que o Brasil tem de melhor. A estupidez que o fanatismo bolsonarista move nos aniquila. E esse fanatismo capaz de levar pessoas a usarem celular na cabeça para falar com extra terrestres, rezar para pneus, acampar diante de quarteis e urrar pelas ruas é em grande parte apoiado ou patrocinado por essa mesma gente. Por esse mesmo modo de pensar hoje representado por Flávio Bolsonaro, um gangster de paletó e gravata que pensa subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado do pai presidiário devidamente anistiado da mesma forma que todos os demais condenados pelos crimes contra o Estado Democrático e de Direito e agora capazes de jurar de pés juntos que não errarão mais.

O Caso Master é a mais clamorosa obra de corrupção dos últimos anos e nascida durante o governo Bolsonaro, não importa se em São Paulo, Rio de Janeiro ou na Bahia. É plurinacional... O símbolo da cleptocracia que a extrema direita está arquitetando para o Brasil e que, se voltar ao poder, nossa democracia, esse incômodo jurídico criado pela Constituição de 1988, deixará de existir. Daí talvez, e é preciso lutar para que tal não aconteça, André Mendonça não precisará mais se preocupar em entender, decidir e fazer, até porque será a estrela maior. E Lula, que com todos os defeitos do mundo sempre esteve ao lado da democracia, não terá mais como importunar os "perseguidos" de hoje.

Pensar nisso é decidir o que é certo!  

17 de junho de 2026

A corrupção não é linda

 

Quem olha essa foto de dois homens unidos por um abraço nos alpes pode pensar que se trata de caso de amor. Diriam que o amor é lindo! Mas esse é um caso de amor ao dinheiro. E tão incondicional que envolve chantagem, ameaças de morte e outros crimes mais. Tanto que um dos envolvidos na história, o indivíduo conhecido como Sicário e que viveu como tal, morreu na Polícia Federal, tudo indica que por suicídio. Os dois "amigos" dessa foto são o banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, à esquerda e o senador também corrupto Ciro Nogueira, à direita. Ambos envolvidos numa grande trama de roubo de dinheiro público.

É incrível como a corrupção envolve o Brasil, sobretudo na política. No caso presente, esse do Banco Master, é grande o rol de pessoas que fazem parte direta ou indiretamente das falcatruas que estão sendo apuradas. Ciro foi ministro e até ontem, ao que se saiba, era homem de confiança do bolsonarismo raiz. Daniel Vorcaro roubou o que era possível para manter seu banco em operação. Para tanto, conseguiu envolver gente graúda no cenário da política nacional, como o senador citado, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, o do Senado, Davi Alcolumbre e grande entorno. É corrupção para mais de metro....

O incrível em tudo isso é que agora mesmo as TVs estão colocando no ar declaração do presidente da Câmara e na qual este diz que o assunto está sendo investigado e ele tem explicação para todos os seus atos. Está bom... Os demais estavam muito ocupados para falar. O certo é a gente ter a mais absoluta certeza de que nunca antes houve no Brasil caso de corrupção como esse. O dinheiro roubado envolveu mais de um banco e até mesmo o BRB, instituição pública de Brasília envolvida nessa faucatrua gigantesca.

Chegou-se ao cúmulo de quase gerar uma lei federal de aumento do montante do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para garantir esse seguro mais polpudo em benefício da corrupção e a desviar verba de fundos de aposentados no Rio de Janeiro para tapar os buracos de rombos em cofres de banco privado como o Master. Não há mais limites a essa gente sem princípios! E a corrupção não é linda como jamais foi!

Mas há, isso sim, meios e modos de a sangria de recursos ser estancada e os corruptos pagarem por seus crimes. O melhor caminho é hoje o Supremo Tribunal Federal se colocar acima das divergências pessoais entre ministros e agir apenas e tão somente com foco na legalidade e no combate à corrupção. Isso, mesmo que as investigações presentes e futuras venham a comprometer um ou mais de seus membros, o que não é impossível. O compromisso único de um ministro de STF deve ser a constitucinalidade, e ainda que tal leve ao sacrifício de um ou mais de seus membros. O Brasil não tolera mais a corrupção.

E ela é tão endêmica nos dias de hoje que se entranha por todos os segmentos da vida nacional. Não mora só em Brasília. Ora bolas, se lá os graúdos podem desviar recursos das mais diversas formas, por que não nos andarem inferiores?, pensa grande parcela dos corruptos de plantão. E assim eles agem sempre lutando por suas dinastias políticas e pela troca do endereço estadual por um federal porque lá a colheita é melhor até mesmo nas chamadas emendas parlamentares, essa invenção providencial para desviar verba pública.

11 de junho de 2026

A Copa do Extremismo

 

Quando o Brasil realizou aqui a Copa do Mundo de 2014, teve que se sujeitar, na assinatura dos termos de compromisso, a uma série de exigências por parte da FIFA que restringiram até mesmo sua independência como nação. Além de o país estar subordinado à Lei Geral da Copa, as mudanças decorrentes dessa situação chegaram a adequações estruturais e financeiras que envolveram até mesmo alterações temporárias na nossa legislação. Não tínhamos sequer soberania jurídica total, como ocorre em todas as demais situações. Era aceitar ou o Mundial seria transferido para outro país.

Mas isso faz 12 anos... Agora o governo de Donald Trump faz o que quer e submete as pessoas a constrangimentos inimagináveis na Copa de 2026, que desde hoje é realizada nos EUA, no México e no Canadá. A sequência de fotos acima mostra a delegação do Senegal sendo alvo de revistas totais mesmo na pista de taxi do aeroporto onde desembarcou, antes de chegar ao terminal aeroportuário. O que aconteceu com a delegação da Holanda, desembarcada quase na mesma hora, foi totalmnete diferente. Um árbitro somali escalado pela FIFA para atuar na Copa e que tinha até passaporte diplomático de seu país voltou do aeroporto, não admitido. E não foi aceito apenas e tão somente porque tinha aquela nacionalidade. Nada mais.

E a FIFA? Curva-se.

O que se passa com a delegação do Irã é ainda pior. Proibida de ingressar em território norte-americano, está hospeadada em Tijuana, no México, ao lado da fronteira. Vai ter que ingressar no país ianque para jogar e retornar imediatemente ao lugar de onde saiu. Não pode sequer pernoitar no quintal de Trump embora as normas da FIFA determinem o contrário. E os ingressos de seus torcedores foram simplesmente cancelados sem maiores explicações embora tenham sido adquiridos como mandam as regras, online.

Isso nunca aconteceu até hoje. Uma Copa do Mundo é uma competição esportiva e nada mais. Todos os países que se classificam nas diversas eliminatórias têm direito de tomar parte da disputa. Motivações políticas não podem interferir de forma alguma. Sempre foi assim até hoje com a entidade que dirige o futebol. Mas agora ela está sendo presidida por Gianni Infantino desde fevereiro de 2016 e com mandato até 2027. E esse presidente, que já criou um troféu da paz para Trump, é poodle desse personagem. Poodle domesticado!

A imensa maioria das reações do presidente dos EUA tem origem racista. A Somália fica na África, tem população negra, é pobre e os somalis já foram chamados de todos os epítetos de raça por parte do supremacista branco da Casa Branca. O Senegal, a mesma coisa. O árbitro que teve o ingresso nos Estados Unidos recusado poderia ser enviado para apitar os jogos a serem realizados no Canadá ou no México, mas nem isso Infantino faz. Hoje a gente está tendo uma festa de abertura da maior competição de futebol do mundo sem que os jogadores, atores maiores nesse espetáculo, sejam a atração principal. Ao contrário, esta está na Casa Branca, movida pelo ódio. Trata-se de um degenerado que um dia pagará por isso.

Ele promove a Copa do Extremismo patrocinada pela FIFA.     

7 de junho de 2026

Telecontos e o descaso

A série "Telecontos Capixabas", da TVE do Espírito Santo, foi uma experiência inédita, um programa pioneiro de adaptação literária em teledramaturgia realizado pela televisão capixaba. Viveu entre os anos de 1983 a 1986 e morreu da mesma forma como morrem no Estado dos capixabas a esmagadora maioria das iniciativas de divulgação de nossas formas culturais: por inanição financeira. Falo dela hoje porque fazem exatamente 40 anos que foi ao ar "O pênalti", adaptação de conto meu, um dos primeiros feitos e que tinha o futebol como foco.

Essa série, como dizem os que a acompanharam, representou um marco na cultura deste Estado e era incursão única no universo ficcional na nossa televisão. E é preciso notar que a iniciativa não foi das emissoras privadas ligadas a grandes redes nacionais, sempre com verbas graúdas,  mas sim de uma emissora de rede estatal ligada à TV Educativa. Como a TVE não tem um acervo guardado de sua história, a maior parte do que foi feito se perdeu. Acredita-se que tenham sido gravados 12 episódios no total, com autores capixabas diversos, mas nada disso está preservado. No meu caso fiquei com o poster do programa e uma cópia das filmagens inicialmente feita em fita cassete, mas depois transportada para um CD e que se encontra comigo até hoje.

A produção contava com episódios de 40 a 60 minutos divididos em blocos, tendo tido uma equipe de produção comandada pelo diretor geral Ricardo Conde, idealizada e dirigida por Antônio Carlos "Toninho" Neves, e a equipe de produção era formada por Gerusa Conti e composta exclusivamente de atores capixabas e contando com nomes como Vera Viana, Cristina Valadão e Denise Martins. Especificamente no caso de "O pênalti", dele participaram Valdete Dias Ferreira, Denise Martins e Duda Palhese na produção, além de Cláudio Mothé, Marcos Komká, Alvarito Mendes Filho, Emílio Cortes, Alcides Vasconcelos, Antônio Pepino, Jair Fonseca, Milton Neves, Lena Borges, Aluízio Mendes Franklin, Nelson Batista e Luiz Alberto de Oliveira atuando. Como se tratava de um conto sobre futebol, foi gravado no campo e com jogadores do 138 Unidos da Vale Futebol Clube e Esporte Clube Mariano. Cito esses nomes para que se tenha noção da dimensão que esse projeto tomou graças à garra e ao denodo daqueles que o fizeram.

Infelizmente esse registro dos 40 anos de "O pênalti" indo ao ar é quase um obituário. Quase todas as pessoas citadas por mim estão aposentadas e algumas delas, mortas. Mortos também estão os esforços por adaptar as obras de autores capixabas para transformar a literatura regional em produções televisivas. Tentei fazer a pauta da TVE durante algum tempo quando seu diretor geral era Orlando Bonfim Júnior, mas tive que abandonar o barco porque o clima de déjà vu me fez desistir. Já havia vivido isso e antes e ele prenuciava a volta de algo que recordava em mim o início da morte do jornalismo capixaba, que havia começado com a Rede Gazeta de Comunicação e hoje se acentua nela mesma.

A jornalista Mirian Bilich, que trabalhou durante anos na TVE na época áurea da emissora, diz que ela chegou a ter 14 produções locais na sua grade de programação, enviando seus melhores trabalhos à Fundação Padre Anchieta, de São Paulo, que os requeria. Era um jornalismo brilhante! Algumas direções políticas e politiqueiras fizeram com que o canal se reduzisse ao que é hoje: 0 programa local. E a TVE patina desde então. Resta a saudade do nosso "Telecontos Capixabas" e dessa tentativa de levar a produção literária de nosso Estado à televisão. Foi muito bom enquanto durou e para muita gente.