Blog do Álvaro
Blog de variedades. Um pouco de esporte, um pouco de política, um pouco de fofoca, um pouco de mais tudo o que surgir de interessante. Enfim, um pouco de jornalismo na vida de quem gosta de notícias e interpretação de fatos
25 de março de 2026
Seremos dignos de 2026?
23 de março de 2026
Façam jornalismo, colegas!
Dos idos de 1964 em diante, quando ainda não havia Power Points para serem manipulados e usados como "jornalismo" em campanhas políticas, fazia-se o jornalismo de qualidade. Hoje há. Agora a Globo News pode produzir uma excrescência como a reproduzida acima e mostrada no programa Estúdio I, de Andréa Sadi, faz poucos dias. É uma farsa, uma tosca montagem de imagens feita para direcionar a opinião pública contra o Governo Federal atual e seu partido e não aos verdadeiros responsáveis pelo escândalo do Banco Master e seus desdobramentos de esgoto político. A imagem fria, desprovida de decência e honradez, omite Tarcísio de Freitas, Cláudio Castro, Ibaneis Rocha, Flávio Bolsonaro et caterva e sobretudo Jair Bolsonaro como mandantes deste crime contra o patrimônio público.
A Globo, Ah, a Globo! Como ela teima em voltar!
Um Power Point real, que mostrasse a cara desse escândalo seria como o ao lado, jamais levado ao ar. São esses pecados contra o bom jornalismo, contra o exercício da verdade factual o que marca infelizmente a existência dessa que é a maior empresa de Comunicação do Brasil, ao menos em recursos e em número de profissionais reconhecidos nacional e internacionalmente. Mas é preciso retornar um pouco no tempo para pensarmos no que está sendo mostrado hoje à opinião pública manipulável deste País, sobretudo quando se aproximam as eleições mais importantes da história do Brasil moderno.Lembro-me de 1964 e das multidões nas ruas sendo levadas como gado para protestar contra o "comunismo" nas tais "Marchas da Família com Deus pela Liberdade". Nesses movimentos estavam estudantes e donas de casa que conheciam tanto de comunismo e de liberdade (sic!) quanto de aramaico. Por trás delas, segurando as cordinhas das apresentações de teatro de bonecos ficavam os manipuladores orquestrando a queda do governo João Goulart, que tinha tanto de comuna quanto de qualquer outra ideologia "estranha".
Goulart era um estanceiro que acabaria seus dias cuidando de gado no Uruguai. Seu pecado foi o de se expor demais e permitir que infiltrados como Cabo Anselmo se aproveitassem da luta pelas reformas de base para incendiar as camadas mais reacionárias das Forças Armadas contra o governo. Daí para o golpe e a deposição do presidente foi um pulo, mas que nos custou duas décadas e mais um ano de sofrimento nas mãos de uma ditadura cruel. Alguns tentaram evitar, mas não conseguiram fazer isso, infelizmente. E não é por reformas de base que continuamos a lutar hoje, décadas depois?
Ora, agora não há mais caldo de cultura para movimento igual. "Mas por que não tentar?", pensam os fascistas disfarçados das mais diversas formas e nos mais diferentes locais. E eles tentam. Como foi feito faz 62 anos, continuam se aproveitando da ignorância de imensa parcela da população para armar novo teatro de marionetes. É possível ver hoje hordas de pobres de direita (coitados!) defendendo a liberdade que conhecem, sim, e contra a ditadura que existiu no passado, não existe hoje mas, sonham muitos, deveria voltar a acontecer.
Além da mentira como arma de guerra, gente como Cláudio Castro (em renúncia), o tosco Romeu Zema (renunciado), Ibaneis Rocha, Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e outros menos votados correriam a abraçar militares golpistas caso eles fossem às ruas. Lula, o inimigo deles todos, não. Então é fácil entender a diferença, queira-se ou não colocar sobre os ombros do atual presidente os defeitos que puderem ser encontrados, pois o de golpista não lhe cabe. Cabe, isso sim, ao genocida inelegível, presidiário e que fica dodói sempre que lhe apertam os calcanhares onde reluz a tornozeleira eletrônica já tentada fraudar em ao menos uma oportunidade, pois de fraudes vive essa figura decrépita, seus parentes e entorno.
O tempo passou e a Operação Lava Jato mostrou ser uma imensa fraude na qual grande parte do Brasil acreditou. Chega, não é? Não chega, Valdo Cruz? Façam jornalismo, colegas. Trabalhei mais de duas década em redação de jornal na época da ditadura, vivendo sob o tacão de familiares reacionários e sempre, pela manhã à tarde e à noite, lutei contra o reacionarismo e denunciando notícias falsas. Inúmeros colegas dessa época ainda estão vivos e cito o nome da sindicalista Suzana Tatagiba Fundão apenas como exemplo, mas para significar ou representar todos os demais. O espaço é curto, felizmente, para tanta gente.
Vamos dizer "não!". Ter a coragem de falar que esse Power Point não deveríamos ter colocado no ar porque é mentiroso, agride a honra e a ética que devem permear sempre o exercício profissional honesto e do qual não nos afastamos nunca. Os interesses subalternos das grandes corporações de Comunicação jamais resistiram a um "não!" coletivo. Pensem nisso, pois ainda é tempo.
19 de março de 2026
Presidiário em campanha
16 de março de 2026
Caso de identidade
Um dia meu pai foi comprar munição para uma espingarda de caça dele numa loja de Campos dos Goytacazes porque iriam, ele e seu cunhado Antônio caçar marrecas nas barrancas do Rio Paraíba do Sul, perto de Atafona. Eu não iria com eles para não ver os bichos serem mortos e provoquei uma gargalhada geral na loja de armas ao questionar se lá eram vendidos "revólveres de mocinho". "Como são esses?", perguntou o comerciante. Expliquei: "Eles só ficam sem balas depois que os xerifes se escondem atrás das pedras. Os dos índios e dos bandidos nunca acertam o alvo e falham porque as balas mascam depois do segundo tiro..."
"Um batalha após a outra", o grande campeão do Oscar 2026 - seis estatuetas - é o retrato da cultura dos Estados Unidos. Um belo filme, com um Leonardo DiCaprio marcando presença (foto), mas apenas isso. Só que ele é a identidade do cinema daquele país. É a cara da cultura norte-americana e quem escolhe os campeões de qualidade em Hollywood são todos de lá. Identificam-se com os mocinhos de seus filmes. "O agente secreto", lindíssimo e com uma aula de interpretação de Wagner Moura é a cara do Brasil, um retrato de nossos valores, uma reconstituição de parte da história brasileira mais recente e seria mesmo muito difícil ficar com o maior de todos os prêmios nas terras de Tio Sam.
2025 foi ano de belos filmes. Como "Hamnet: A vida antes de Hamlet", que premiou Jessie Buckley como melhor atriz no papel de Anne Hathaway, a mulher do bardo William Shakespeare. Não poderia ter sido escolhida outra. "Valor Sentimental", mais uma bela obra, acabou premiado porque não poderia ficar de fora. "Marty Supreme" e "Pecadores", que não vi, também foram reconhecidos. Faltou premiar "Sonhos de trem", um drama humano belíssimo e que tinha um brasileiro como autor da fotografia. Enfim, não se pode exigir muito no mundo do cinema. Nem que a grandeza de "Foi apenas um acidente" terminasse reconhecida, isso para não termos que falar de todos, como também de "Frankenstein".
Como no ano passado com "Ainda Estou Aqui" o Brasil mostrou que estamos num momento mágico de nosso cinema, o que não seria possível num governo de extrema direita. Hoje mesmo muita gente minúscula comemorou o fato de "O Agente Secreto" não ter ganho ao menos um Oscar, mas todos sabemos que ele é o grande vencedor e vai ser lembrado como alguma de nossas melhores produções, como foi o caso de "Eles Não Usam Black Tie", que nada ganhou além de muito respeito por ter sido um enfrentamento à ditadura militar.
O Brasil é pródigo em bons atores e atrizes, diretores talentosos e autores com belas histórias. Uma delas foi "Marighela", de 2019, que marcou a estréia de Wagner Moura como diretor e contou com uma atuação maiúscula de Seu Jorge vivendo o personagem principal. Esse filme talvez nunca entrasse em circuito nacional se o hoje presidiário Bolsonaro ainda fosse presidente, porque todos os boicotes foram feitos para impedir a exibição desse trabalho. Não passa e não passará pelas cabeças das pesssoas muito pequenas, sobretudo ética e moralmente, que o cinema é antes de tudo uma expressão artística e não existe arte dissociada de seu caráter social, político e também ideológico.
Definitivamente, o Brasil leva jeito...
11 de março de 2026
A Justiça e o Estado de Direito
Devemos reconhecer: a extrema direita política brasileira não aceita o STF porque não se vê nele.
Ela foi apoiadora do golpe Estado de 1° de abril de 1964, guerreou pela manutenção deste e estava em campo oposto ao das forças democráticas que lutaram durante 21 anos pela volta da democracia representativa ao Brasil, em 1985. De lá para cá sempre tentou solapar as instituições civis brasileiras que se reconhecem ao olhar no espelho do Brasil de hoje. Por isso estava acampada diante de quartéis durante a tentativa de golpe de Estado de 08 de janeiro de 2023 e consegue ver no seu país de hoje uma ditadura. Mas muito diferente daquela que apoiara num passado recente, para prender ilegalmente, torturar e matar.
Hannah Arendt, filósofa alemã que marcou época no pensamento mundial com a criação do conceito de "banalidade do mal" ao escrever "Eichmann Em Jerusalém" e onde disseca a personalidade de Adolf Heichmann, disse certa feita que "a essência dos Direitos Humanos é direito a ter direitos". Ora, sempre que um regime ditatorial ocupa o poder em qualquer parte do mundo, a primeira coisa que ele faz é retirar dos cidadãos seus direitos mais elementares. Isso aconteceu no nazismo que a judia Arendt estudou tão bem através da personalidade de criminosos de guerra. Acontece ao longo dos tempos, como agora no Brasil quando os saudosos do nazifascismo tentam reviver os períodos mais sombrios da história brasileira.
O STF é alvo porque representa a democracia que só pode ser questionada pela maioria da população via eleições e/ou plesbicito. Como o extremismo de direita teme esse tipo de processo de consulta popular, tenta obter o poder através da força. Tem hoje no psicopata Donald Trump um aliado fundamental que usa o fascismo político como arma para conseguir ocupar corações e mentes. A direita brasileira vê nele um aliado e pode querer usá-lo como trampolim para que um novo Bolsonaro ocupe o poder. Mas esse sujeito, o ianque, vê apenas dinheiro diante de si. No nosso caso, principalmente minerais raros que pretende tomar, se preciso à força, usando o artifício de "narcoterrorismo" para tanto.
O Supremo não é perfeito. Composto por seres humanos, carrega em si os defeitos de todos nós, ainda mais porque alguns ministros têm tido pouco cuidado e permitido que interesses privados se confundam com o público prevalecente acima de tudo. Graças a isso tornam-se alvo do oportunismo político de quem não se vê nele. O momento brasileiro atual reflete isso: centenas de vigaristas de mandato investem contra os organismos superiores da Justiça para atacar. Dessa forma pretendem atingir todas as instâncias do poder constituído e abrir caminho para seu discurso eleitoral maquiado e diredionado a destruir o Estado de Direito.
A imprensa, dolosa e culposamente colabora com isso. Uma jornalista de O Globo, Malu Gaspar, tem se dedicado a acusar o STF. Não teria problema se ela não fosse uma lavajatista conhecida e que se deixou fotografar diante de um Sérgio Moro em pose de majestade quando ele ainda era respeitado. Sua blusa laranja na foto acima destaca-se no grupo e a coloca em situação de dúvida. A mesma que tenta jogar agora contra ministros do Supremo. Por isso, no exercício da denúncia o jornalista tem que ser homeopático nos offs e, ao mesmo tempo, abusar de fontes identificadas ou situações concretas, paupáveis. Malu, profissinal talvez digna, deveria saber disso e ter esse cuidado para não deixar a posição de pedra e se tornar vidraça.
Estamos em tempos difíceis. Enquanto no Brasil a maior corte de Justiça, da qual o país não pode abrir mão por tudo o que ela representa, é alvo de tiroteio intenso, uma parcela grande, imensa mesmo do espectro político nacional defende com unhas e dentes um recuo ao autoritarismo na calda de cometa do presidente norte-americano capaz de tudo para obter seus objetivos. Isso de novo nos remete a Anna Arendt no livro "As origens do totalitarismo". Ela defende que esse sistema, inédito no mundo até o início do século XX, não busca apenas controle político das sociedades, mas a dominação total do homem, do ser humano agora definitivamente destituído de esfera privada e capacidade de ação individual.
Seria isso o que queremos?
9 de março de 2026
O Fusca da Ana
Ninguém diria que a paranoía de extrema direita fascista do presidente norte-americano Donald Trump tiraria do túmulo da ditadura militar brasileira um cadáver político de 1969. Mas tirou! E isso aconteceu porque um senhor idoso foi detido no aeroporto internacional da Ciudad de Panama quando em trânsito para a Guatemala num voo da empresa aérea papamenha Copa Airlines. O jornalista Franklin Martins viajava para uma palestra em evento na Cidade da Guatemala e fazia escala no Panamá porque não existe voo direto entre o Brasil e a capital guatemalteca. Só por esse motivo. Detido, acabou devolvido ao Rio de Janeiro graças aos arquivos da inteligência (?) dos EUA e numa história que merece ser recontada.
Então um belo dia conversávamos sobre isso Nilo e eu na sala do editor chefe de A Gazeta e o irmão mais velho de Franklin (foto recente deste à esquerda), à época ministro de Estado, disse que seu mano jamais poderia pisar nos Estados Unidos por causa desse fato e já estava conformado porque havia vivido anos na Europa como exilado político. Então eu ri e disse ao Nilo: "A raiva deles é que seu irmão desmoralizou os Estados Unidos. Onde já se viu, em plena ditadura militar, em época de guerra fria um embaixador ianque ser sequestrado por militantes comunistas de Fusca? É muita desmoralização para o Tio Sam!"
7 de março de 2026
O Escudo Trump
Ontem mesmo, para não ser preciso usar muito a memória, Trump disse nos EUA que a ele não importa se o próximo governo do Irã será democrático ou não, contanto seja "bom" para os Estados Unidos, Israel e os países próximos. E também que deem a ele o direito de roubar petróleo da mesma forma como isso está sendo feito na Venezuela. Democracia jamais foi do interesse do presidente norte-americano. Aliás, isso é um estorvo. Tanto que seus maiores aliados do Oriente Médio são ditaduras duras, familiares e reacionárias. A Arábia Saudita, que como diz seu nome pertence à família Saud, é um exemplo claro.
Desde que assumiu a presidência há pouco mais de um ano Trump fez crescer de maneira exponencial sua fortuna. Em bilhões de dólares. E premiou os setores empresariais que o apoiaram e apoiam com recursos quase ilimitados, como é o caso da área de petróleo. Hoje saem navios lotados de óleo bruto da Venezuela para os Estados Unidos a fim de engordar as reservas estratégicas daquele país. O fluxo tende a aumentar muito, sobretudo agora que as relações diplomáticas foram reatadas oficialmente entre Washington e Caracas.
Pior para Cuba, o próximo alvo da sanha do odio trumpista. Ele diz quase todos os dias que o fim do país caribenho está próximo. Para isso conta com a ajuda incondicional de seu secretário de Estado, Marco Rubio, um filho de exilados cubanos anticastristas que dariam e dão tudo para verem a derrocada do regime político cubano. Mesmo à custa da miséria do povo que, em última análise, é formado por ascendentes dos Rubio.
Aliás, miséria dos povos pouco importa ao atual governo ianque. Nos primeiros momentos da guerra entre EUA e Israel contra o Irã uma escola de meninas foi borbardeada e mais de 180 pessoas morreram, dentre elas uma centena - acredita-se - dessas jovens garotas, algumas na pré-adolescência. Os Estados Unidos nada fazem para apurar responsabilidades. Está fora de cogitação um pedido formal de desculpas. Afinal, o que aquela garotada estava fazendo lá na casa dela enquanto os EUA lutavam por petróleo e pela manutenção do sionismo nazifascista de Benjamin Netanyahu? Elas morreram e pronto. Acabou!
A marca clara do atual governo dos Estados Unidos pode ser medida pelo fato de que em todos os lugares onde o país vai regociar a "paz" e há petróleo por perto, um dos mediadores é Jared Kushner, o marido da filha Ivanca, empresário, investidor bilionário e atual "diplomata" a serviço do sogro. Afinal de contas, tudo no atual governo, como a reunião de hoje num endereço privado, são negócios de família. Apenas grandes negócios.
Mesmo um ataque a Cuba para destruir o governo cubano e aquele país é uma oportunidade rara de negócios. Em Varadero, por exemplo, Trump, Kushner e o restante da gang podem expandir o balneário e fazer um resort - tipo a Gaza dos Sonhos! - onde irão magnatas norte-americanos quem sabe para jogar nos cassinos a serem construídos e operados pela mesma máfia que Fulgêncio Bstista mantinha lá antes de 1959, com as cubanas sendo as meretrizes a serviço da "elite" visitante. Afinal, é confortável ter um prostíbulo tão perto de casa!
Business is business!








