O que é laicidade de Estado? É o princípio político e jurídico que separa oficialmente o governo e as instituições religiosas. Isso não quer dizer que o Estado, nesse caso, renegue as religiões; em absoluto. Quer dizer que esse País, no caso o Brasil, não tem uma religião oficial e permite o exercício de todas elas por seus cidadãos, não privilegiando nenhum credo específico em detrimento dos demais. É esse princípio legal que garante aos brasileiros a paz religiosa que sempre imperou entre nós. E é por isso que a foto acima, de destruição de imagens católicas em um templo, são totalmente inaceitáveis.
Há uma diferença imensa entre Estado laico como o nosso e Estado religioso ou ateu. Cito um exemplo no caso, Israel. Ele foi criado em 1948 para dar uma pátria aos judeus, pessoas que praticam a religião judaica. Mas nunca aceitou os praticantes de outros credos como cidadãos donos de direitos iguais. Os muçulmanos israelenses são pessoas de nível inferior, e isso se baseia em leis. Qualquer não judeu em Israel tem status menor. Hoje, com o governo sionista no poder, essa situação se agudiza. O Estado Judeu Sionista é genocida e se não for detido vai destruir os palestinos. Seus atuais governantes querem desconhecer a Palestina como Estado e os palestinos como povo. Isso é genocídio e está sendo visto não apenas em Gaza, mas também na Cisjordânia ocupada e fatiada ante a indiferença mundial.
É uma situação assim que queremos no Brasil? Quando o indivíduo Flávio Bolsonaro diz a seus apoiadores que sua primeira medida como presidente seria decretar que nosso País "é do Senhor Jesus", ele agride a Constituição e rompe com os princípios do Estado Laico. Ele por ventura sabe que para os judeus, sobretudo radicais, Jesus não passa de um "falso profeta"? E que apesar disso ele era judeu? Esse sujeito já viu cristão sendo hostilizado em Israel? Um conhecido meu teve o crucifixo cuspido por um pirralho de quipá em Jerusalém.
Destruir ou hostilizar uma imagem religiosa é um sacrilégio e um crime. No Brasil da extrema direita isso já foi feito diversas vezes contra confissões afrobrasileiras. Nossos noticiários mostraram ao vivo e a cores templos afro agredidos ou vandalizados. Num país que foi escravocrata durante séculos, que tornou escravos homens e mulheres trazidos à força para cá em navios negreiros, isso é inimaginável. Nosso País, é preciso lembrar, escravizou até mesmo os povos nativos chamados pelos invasores de "preguiçosos". Nessa mesma campanha política cujo primeiro turno terá votação domingo, o candidato do PL já citado aqui chegou a dizer num palanque que não queremos "índios fazendo uuuuu" pelas ruas. Isso mostra o desprezo que essa gente tem pela cultura dos outros.
Quando rapazola tive um amigo nissei e ia à casa dele às vezes. Tinha imenso respeito pelo fato de os pais do moço serem Mahayanas, adeptos do ramo do budismo mais praticado no Japão. Um dia o senhor Watanabe me pergntou qual era minha religião e eu disse que não tinha. Ele pensou um pouco e voltou a questionar: "Ateu?". À minha resposta afirmativa, ganhei um abraço e uma liçãode vida: "Fala isso, sim. Respeito tanto seu pensar quanto você o meu, Álvaro sam!". Num Estado laico onde ateus temem a rejeição, fui abraçado por uma pessoa que amava o Brasil, a liberdade que desfrutava aqui e o seu ídolo Sidarta Gautama.
Esse é o Brasil que nós construímos. Um País de respeito religioso e Estado laico. Não podemos permitir que a insensatez, a ignorância e a ignomínia tentem destruí-lo. Continuaremos sendo praticantes de todas as religiões ou de nenhuma delas, tanto faz. Continuaremos vivendo em comunhão uns com os outros. Aqueles que tentam destruir nossa paz através da negação da laicidade vão perder. Rezar para pneus, tentar manter contato com estraterrestres por celular e acampar diante de instalações militares para buscar uma forma de destruir o Estado Democrático e de Direito por meios violentos só os leva ao fracasso. Levou no passado mais recente e iria levar agora se não fosse detido como foi.



