Quando a gente é jovem faz qualquer tipo de loucura para satisfazer uma vontade. E nós fomos em quatro de São Paulo, onde eu morava com meus pais até Assunção para ver Paraguai 0 X 3 Brasil no dia 17 de agosto de 1969. Eram as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, no México, onde fomos campeões. Num venerando DKW Vemag seminovo de um dos quatro, com seu antigo motor de dois tempos, saímos de São Paulo para Assunção via Foz do Iguaçu. Fizemos só a parada de Foz para chegar logo. A gente não acreditava que o motor suportasse o embalo, mas ele aguentou heroicamente ida e volta. Justificou o apelido de "padre", pois motor de dois tempos não troca o óleo.
Era um jogo duro e a gente corria o risco de apanhar, pois tínhamos levado uma faixa com os dizeres "Avante, putada!" que não agradou os paraguaios no Estádio Puerto Sajonia, hoje Defensores Del Chaco e que fica perto da Avenida Colón, onde nos hospedamos. Aos 25 minutos do segundo tempo Mendonza, zagueiro, marcou contra e Jairzinho e Edu fizeram os dois gols restantes no final do jogo. Saímos corridos do estádio que era menor do que o mostrado nessa foto, feita no ano passado. Mas era um alçapão já bem grandinho!
No dia seguinte a gente ia voltar ao Brasil, mas decidimos tomar um uísque no hotel. Quando botei a bebida na boca, cuspi. Era álcool puro! Até no hotel a bebida era falsa e não adiantou reclamar. Mas no dia seguinte acordei antes dos outros, tomei o café da manhã e esperei pelo resto do pessoal na porta do hotel. Então vi uma senhora já idosa que rebocava uma criança de uns 12, 13 anos. Menina asustada. Ela apontou para a guria e me perguntou:
- Dez dólares?
Entrei correndo pelo hotel adentro, pagamos a conta e só contei a história aos amigos já no carro. Paramos para comemorar em Foz do Iguaçu, longe da raiva paraguaia. Esse é o Paraguai. Consta que melhorou muito nos últimos 47 anos, mas nem tanto assim. Governado pela extrema direita amiga de Donald Trump é um país à venda, como queriam ver o Brasil aqui os descendentes e admiradores de Jair Bolsonaro, o presidiário.
A quebra do Ueno Bank, esperança de alguns brasileiros, era algo previsível. Tanto que viver no Paraguai foi recomendado pelo "Véio da Havan" recentemente. Cerca de 270 mil brasileiros mudaram-se para lá, Assunção principalmente, uma cidade bem arborizada e quase toda plana, mas cheia de gangs, sobretudo no terreno político. Há paralelos fáceis de serem feitos entre Ueno e Master, pois os Vorcaro de lá são parecidos com os daqui. E os governantes de lá são amigos dos Bolsonaro que pensam quase igual a eles e também queriam vender o Brasil aos Estados Unidos como Santiago Penã fez lá. Agora vai dar trabalho desfazer os acordos celebrados e que envolvem abrir todas as portas do país aos ianques para uma base militar e roubo de energia elétrica da Itaipu Binacional.
A Suíça, gente, é um país modelo da Europa e que tem Berna como capital. É caríssima e dela só conheço Zurique, mesmo assim muito rapidamente. O Paraguai é o Paraguai e pronto. Sobretudo agora com a extrema direita no poder. Aqui, lá, nos Estados Unidos, em todos os lugares essa corrente política saudosa dos movimentos nazi-fascistas europeus é formada sobretudo e principalmente por delinquentes.
Eu não moraria lá. É uma Suíça tão falsa quanto o uísque do hotel.












