Mas é triste ver que nesse cipoal de atos espúrios há ao menos ligações telefônicas que colocam o ministro do STF Alexandre de Moraes no epicentro do furacão. De todos os altos funconários da Justiça, talvez ele fosse um dos únicos que não tinham o direito de prevaricar. Está certo que ainda não se manifestou em defesa, mas precisa fazer isso logo, rapido e com argumentos seguros e irrefutáveis como a lâmina de um bisturi que corta o mal pela raiz. Trata-se de uma questão de honra para ele.
Depois de tudo o que está sendo mostrado e com a certeza de que vem coisa muito pior ainda pela frente, fico com a certeza de que há um roteiro para o golpe de Estado dentro do Estado que se pretende para o Brasil a partir da candidatura de Flávio Bolsonaro. Os fatos se encadeiam. Sem acreditar em teorias da conspiração, vamos a eles: no Supremo Tribunal Federal a presidência de alterna por acordo quase regra. O presidente de hoje, Fachin, sabe que será sucedido pelo presidente de amanhã, Alexandre de Moraes. Opa, mas isso é um problema muito serio!
A extrema direita quer o poder de volta e o caminho é vencer a próxima eleição de qualquer maneira. Qualquer uma mesmo! Então, um Bolsonaro não poderá encontrar Alexandre de Moraes no comando da Suprema Corte para dificultar todos os projetos que incluem a submissão total do Poder Judiciário ao Executivo que já teria o controle do Legislativo. Era preciso encontrar alguém terrivelmente fiel ao projeto para criar o caos no STF. Foi fácil. O terrivelmente evangélico atropelou todas as normas e protocolos para fazer uma denúncia contra o também ministro desafeto declarado para com isso paralisar até mesmo os trabalhos judiciários às vésperas da eleição. Terrível será se o desafeto tiver mesmo os pés na lama.
A extrema direita e setores do neopestecostalismo espalhado por várias denominações religiosas brasileiras com raiz nos Estados Unidos, algumas das quais empresas multinacionais de exploração da crença das pessoas, são mestres nesse mister. Nas atividades políticas onde elas têm até bancada no Congresso Nacional, fazem união perfeita de extrema direita política nos dois picadeiros. Fecham questão em torno de seus projetos, interferem nos trabalhos e pressionam em todos os setores. De uma coisa não abrem mão: partidos políticos, bem como democracia são apenas incômodos para o grupo. Se pudessem terminariam com ambos, vilipendiando um e destruindo o outro.
Sim, André Mendonça talvez seja hoje a peça mais importante do tabuleiro golpista das eleições. Deu uma contribuição imensa ao projeto e ainda pode aumentar a crise abastecendo a fogueira com mais lenha. A menos que se tenha como combatê-lo abrindo também seu cofrinho de segredos. Em Brasília virgindade, mesmo no campo profissional, é atributo em vias de extinção. Encontrar algum é tão difícil como achar minhoca no asfalto.
Os próximos dias vão ser decisivos para nós. A mim parece que a democracia resiste às prostitutas de plantão. Não é mais como em 1964 e nem como em 2016, quando o fatídico 31 de março foi comemorado como mostra a foto que abre esse artigo. Mostra-se forte. Mas vai ser necessário atacar com mais força tudo o que há de retrógrado e criminoso na política brasileira. Não é difícil desnudá-la, mas a mim parece que mostrar a grande parcela dos eleitores a diferença entre alhos e bugalhos é o mais difícil num país onde o eleitorado é hoje, como sempre foi, presa fácil para espertalhões. E eles estão por aí atuando.
Em tempo: fazem hoje 25 anos que houve o atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Um quarto de século e os Estados Unidos continuam os mesmos...






