Falar de insegurança jurídica é fácil quando as sentenças são desfavoráveis a nós e não há tempo para recorrer. E de decisões monocráticas também. O presidente Lula recorreu contra o fato de que iriam todos os adversários, representantes da direita e extrema direita política, se voltar ao púlpito vazio para perguntas capciosas. Renan Santos também recorreu para pedir seu lugar de candidato com maior percentual de votos que ao menos um dos escolhidos para ter púlpito. Finalmente, Flávio Bolsonaro desistiu porque não queria "adversários" que levantassem o podres dele no debate. Então a Globo desistiu porque àquela altura, num podcast, Lula já arregimentava 1,5 milhão de espectadores à sua fala.
Todo mundo tem o direito de não gostar, protestar, espernear e xingar. Só que para os jornalistas da Rede Globo é ao menos insensato falar que os tribunais superiores estão fragilizando a democracia do Brasil com as decisões de ontem. Há três anos e pouco menos de oito meses estivemos dentro do turbilhão de um quase golpe de Estado provocado pelo governo que antecedeu o atual. Hoje embaixada e consulados dos Estados Unidos foram fechados "por medida de segurança" em diversos pontos do Brasil. Diversas denúncias sérias contra Flávio Bolsonaro estão sendo omitidas pelo Sistema Globo e demais veículos de nossa "grande imprensa" e que envolvem até prostitutas em festas com Daniel Vorcaro. A hora deveria ser a de dosar ao máximo o teor "revolucionário" do choro incontido.
É preciso medir as consequências: quando um veículo que tem a penetração da Rede Globo, num momento como o de agora, fala em democracia frágil, deve saber o que pode estar pavimentando. Quando esse mesmo veículo diz que os tribunais superiores, ao emitirem decisões monocráticas sobre um caso urgente - não havia como fazer diferente - estão fortalecendo a possibilidade de o Brasil eleger o Senado com discurso de atingir em cheio o Judiciario, deve saber o que vai representar para o Brasil um poder senatorial formado por nomes da extrema direita tirando poder da Justiça. Assim nascem as ditaduras.
Mesmo os não formados em Direito, como é meu caso, sabem que a Justiça age quando provocada. Tem que agir. É obrigada a fazer isso. No caso de ontem, havia lacunas nas decisões acerca desse último debate que não tinham ainda sido dadas a público. E brechas através das quais bons advogados podem com facilidade produzir textos legais pedindo mudanças de última hora. Tudo isso deveria estar previsto, caso contrário a inclusão de Romeu Zema no debate não teria sido aceita sem questionamentos no início da noite do evento. O vendaval só surgiu quando Flávio Bolsonaro, aquele contra quem as maiores denúncias não foram divulgadas, fugiu de cena ao ver Renan Santos entrando na festa.
Muitas perguntas podem ser feitas mesmo depois de a insegurança globística ter implodido o evento da noite de gala. Por exemplo: por que a Rede Globo sempre tem direito ao último e mais importante debate das eleições? Por que os candidatos aceitam as regras impostas pela emisora? Será que os Estados Unidos, via Departamento de Estado, fizeram algum tipo de pressão via Lei Magnitsky para a Globo - ela tem muitos milhões aplicados por lá - abdicar de sua "imparcialidade" nessas eleições? O que será que será que ainda não foi dito?
Cautela, Rede Gloro, isso e caldo de galinha não vão fazer mal a você.




