O Estado é responsável pelas pessoas que mantém sob custódia, e isso não é de hoje. O cidadão de nome extenso Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo simbólico apelido de "Sicário" (foto), se suicidou na prisão quando estava sob custódia da Polícia Federal, em Belo Horizonte e logo após ser preso.
No mínimo ou miseravelmente ele não foi custodiado como deveria e permitiu-se que encontrasse meios de se matar por enforcamento dentro de uma cela da PF. Isso se foi mesmo suicídio, se foi ele quem tomou a decisão e se acabou sendo bem atendido no Hospital João XXIII, para onde foi levado e constatou-se morte cerebral durante o atendimento. Por sinal, os aparelhos que o mantém vivo ainda não foram desligados.
Sicário significa indivíduo contratado para matar alguém. Um assassino de aluguel. Um pistoleiro. Jagunço, em outras palavras. Há vários nomes na língua portuguesa, com mais de uma origem, para dizer o que é esse personagem. Fácil então concluir que quem carrega nome como esse não pode ser pessoa de respeito. Do bem. Tanto que hoje mesmo sua prisão, suicídio e morte em um hospital já geraram memes como esse abaixo e que o mostra sendo colocado numa ambulância ao ser levado da PF para atendimento de emergência.
O caso do Banco Master Ruboriza. Não apenas pela amplitude, mas também pelos personagens que envolve. De cara consta que as autoridades já encontraram nos celulares de Daniel Vorcaro - são inúmeros - gente como os parlamentares Marcelo Álvaro (PL-MG), Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), Hugo Motta (Repubicanos-PB), Arthur Lyra (PP-AL), Nikolas Ferreira (PL-MG), Diego Coronel (PSD-BA), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), João Carlos Bacelar (PL-BA), Altineu Cortes (PL-RJ), Doutor Luizinho (PP-RJ), Fausto Pinato (PP-SP), Márcio Marinho (Republicanos-BA), Flávia Arruda (PL-DF), Rodrigo Maia (PSD-RJ), Lucas Gonzales (Novo-MG), Vinícius Poit (Novo-SP), Bilac Pinto (União Brasil-MG) e Fábio Mididieri (governador de SE-PSD). Nikolas Ferreira voou 12 vezes no avião de Daniel Vorcaro durante a campanha presidencial em 2022, mas não sabia quem era ele. E esse escândalo tem origem no bolsonarismo à época da gestão de Jair Bolsonaro na Presidência da República.
Mais: o senhor Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil durante a gestão Bolsonaro estava e está à frente de toda a permissividade que levou ao escândalo do Caso Master. Ainda não foi responsabilizado por isso. Somente Daniel Vorcaro e sua proximidade maior, onde se situam até mesmo pessoas ligadas ao Banco Central do Brasil estão presas. Vorcaro, inclusive, era chefe de quadrilha e chegou a ameaçar de morte várias pessoas como é o caso do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.
Isso tudo fede. E o Brasil tem um longo histórico de pessoas que dasaparecem por serem arquivos ambulantes. Esse "Sicário" não é o primeiro e, ao que parece, não será o último a morrer pouco antes de uma delação premiada. Durante a ditadura militar isso aconteceu muito com conotações políticas, mas hoje continua ocorrendo sempre que alguém sabe demais contra gente poderosa e não pode ou não deve falar.
É preciso também que se olhe para outro fator: após o vazamento da informação de que 18 deputados da direita, incluindo Nikolas Fereira e Arthur Lira constam do WhatsApp de Daniel Vorcaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu não priorizar a CPI do Banco Master. Quem tem a consciência pesada tem medo...rsrsrs.
Presumo que era de bom tom que o "Sicário" se calasse.








