15 de julho de 2026

O Congresso Tiririca

O presidente do PL, Waldemar da Costa Neto, em entrevista longa dada ontem à Globo News explicou (sic!) como funcionam as emendas parlamentares do Brasil que já alcançam R$ 50 bilhões anuais e tendem a aumentar ainda mais tal é a voracidade dos políticos sobre o orçamento da União: o deputado Tiricica (foto) não tem como usar tudo a que tem direito por não possuir votos junto a prefeitos. Só possui "votos de opinião" e então Waldemar, presidente do PL, envia aos prefeitos que só ele sabe quem são o dinheiro do meu, do seu, do nosso imposto para que Tiririca possa usar tudo em benefício próprio ou de terceiros para ser gasto sabe-se lá como. E presidentes de partidos não podem destinar emendas.       
 A figura de linguagem "voto de opinião", mais uma criação da anomalia política brasileira ligada às emendas, está lançada. E Tiririca é um retrato aproximado do que é o Congresso Nacional de hoje: está ao final de seu terceiro mandato, com mais de 15 anos de Câmara e raras são as pessoas que conhecem iniciativas suas. Há registros: isenção pedágios para materiais de circo, isenção de taxa de Enem para doadores de sangue e isenção de contas de água e luz para circos. Que maraviha! Tiririca, claro é (ou foi) de circo.
Aos 61 anos de idade sabe que pode não se reeleger e não deve querer voltar ao picadeiro. Usa então emendas parlamentares via presidente de partido para tentar obter votos. Isso sedimenta uma nova anomalia na política brasileira: a perpetuação de políticos ou seus descendentes nesses cargos públicos, repetindo mandatos quase indefinidamente, o que impede a renovação do exercício dessa atividade no Brasil. E o orçamento da União é hoje usado largamente não apenas para que prefeitos e governadores possam se manter nos cargos ou fazer sucessores, mas também para que não detentores de mandatos utilizem essas verbas públicas à larga.
Ontem Waldemar do PL deu entrevista como se estivesse fazendo alguma coisa absolutamente normal ao usar tal dinheiro tal qual fosse operador dele. E falou com a convicção de que vai seguir em frente mesmo com a reação do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que pretende frear isso. E precisa fazê-lo porque para a classe política, como dizia um antigo programa de TV já faz muitos anos fora do ar, "O Céu é o Limite". Eles vão seguir em frente sequestrando o orçamento até que um poder maior os detenha ou então que o eleitor se canse disso. Que o eleitor diga "basta", "chega", "não pode mais". Mas até lá a farra continua, pois outra forma de o orçamento ser secreto já foi encontrada.
Faço aqui então uma sugestão: ontem o Congresso aprovou a Pauta Bomba, que vai destinar uma boa montanha de dinheiro a agentes de saúde e outros para que estes tenham aposentadoria especial por causa da natureza perigosa de seu trabalho. Mas não há de onde esse montante ser retirado para cobrir o rombo do orçamento. Ou será que há? Basta que seja retirado do total das emendas parlamentares e não do INSS, já com deficit grande. Ora, se nossos deputados e senadores gostam de fazer bondades, que as façam com o "seu"dinheiro. E não vão comprometer nem a metade da bolada de todos os anos.

9 de julho de 2026

O agro e o saque do Estado

Quem acompanha os noticiários que falam sobre o chamado agronegócio do Brasil sabe que os grandes latifundiáros nacionais saqueiam o Estado já faz um bom tempo. Eles realizam encontros como a Conforto Experience, em Nova Crixás (GO) a feira Show Safra, em Lucas do Rio Verde (MT) ou em mega fazendas. Vão a essas "reuniões de trabalho" em dezenas de aviões executivos (foto acima) e lamentam as safra que dão pouco lucro.

Então decidem assaltar o Estado com a tomada de dinheiro público via Plano Safra. E a chamada bancada ruralista pressiona o Congresso - agora por intermédio do Senado - para aumentar a cada ano o repasse de dinheiro a esses enpresários. Uma bolada imensa. A coisa funciona assim: investem apenas dinheiro do contribuinte e só pagam os emprestímos se lucrarem muito. Jamais investem seus lucros, que só viram luxos como aviões executivos.

Os lucros são privados. Os prejuízos, públicos.

Agora mesmo discute-se o próximo Plano Safra, que vai atender aos novos plantios. O governo imaginava dar ao setor uma ajuda extra subsidiada para aqueles que tiveram prejuízos imensos contabilizados por causa das enchentes que atormentaram o sul do Brasil recentemente. Mas todos querem o mesmo: dinheiro do contribuinte para quase literalmente não pagarem. E só o agro tem isso. Para os outros setores investimento é risco assumido.

Eles foram ao Congresso, à sua base parlamentar, para pressionar por uma nova pauta bomba que vai custar cerca de R$ 80 bilhões aos cofres públicos sem que haja fonte de receita definida para a cobertura dessa montanha de dinheiro fácil. Ou seja, eles ficarão ainda mais ricos à custa do contribuinte, sobretudo dos que ganham pouco. E a bancada ruralista já está de braços dados com o presidente do Senado, David Alcolumbre, que usa seu poder de Presidente do Congresso para prejudicar o Brasil em tudo e por tudo. Ele não gosta do epítero, mas é o comandante em chefe do Congresso Inimigo do Povo.

Aliás, há um aleijão legislativo vigorando no Brasil de hoje. O Congresso Nacional não é mais formado por partidos políticos, que são a base da democracia representativa, mas por frentes de interesses empresariais diversos. São as bancadas! Além da ruralista, há a da bala, a evangélica ou da bíblia e outras menos votadas. Recebem o apelido de Frentes Parlamentares e todas têm interesses defendidos por centenas de lobistas que lá estão todos os dias. Estes também são chamados de profissionais de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) o consultores em advocacy. Nome charmoso?

Atualmente se arregimentaram tanto que o PL do Lobby (2014/22) já está na Comissão de Constituição e Justiça pronto para virar lei por obra e graça da proposta de um deputado do PT. Ou seja, essas pessoas que servem como intermediárias do grande capital para defender a eles e sempre que possível passarem ao largo do interesse público agora serão profissão de profissão definida por lei. E terão mais facilidade para chegar até gente como Alcolumbre para confiscar o dinheiro do Orçamento da União da forma mais leviana possível. Como o Orçamento secreto e as milhares de emendas parlamentares através das quais nossos suados impostos são desviados para os esgotos do país.

Os argumentos? Todos eles carregam no PIX!             

 

7 de julho de 2026

A derrota da ética

Se o jogador tem a oportunidade de cobrar um pênalti faltando dois minutos para o término do tempo de acréscimo de uma partida decisiva e até então perdida por 2 a 0, manda a inteligência que ele pegue a bola, defina a cobrança e bata logo. Se fizer o gol deve correr em direção onde a bola entrou, pegar, levar também correndo para o meio de campo e esperar ansioso que o árbitro reinicie a partida. Se seu time tiver a chance de empatar e provocar uma prorogação será em um único lance. Não mais do que isso.

O Brasil perdia por 2 a 0 da Noruega domingo nos Estados Unidos e precisava ganhar para chegar às quartas-de-final da competição. O técnico Ancelotti colocou Neymar no time quando o placar ainda estava em 0 a 0 e perdeu uma das suas marcações altas porque o atacante que entrou não marca ninguém. E jogou para ver Haaland fazer 2 a 0 para sua equipe, jogando sem quem pudesse marcá-lo com eficiência. Ele geralmente só precisa de uma bola para decidir um jogo e nós lhe demos duas. Demos mais: demos a indignidade e falta de ética de um jogador em fim de carreira que não sabe perder e, em vez de cobrar logo o pênalti, ficou provocando o goleiro adversário que reagiu rindo dele (foto). Afinal, não iria sujar a linda vitória de sua equipe lutando contra uma figura patética como Neymar.

Haaland (dizem que a pronúncia é Hôlan) recentemente usou quase oitocentos mil dólares de dinheiro ganho jogando futebol para comprar um livro de mais de 500 anos, extremamente raro e que conta parte da história do então reino norueguês hoje monarquia constitucional com democracia parlamentar. Em seguida doou o exemplar à bilioteca pública da região onde nasceu. Deu aos moradores de seu país, sobretudo estudantes, a oportunidade de lerem a história norueguesa contada por quem participou dela no passado. Isso reforça o nacionalismo saudável e endereça a garotada ao amor pela leitura.

E Neymar? Consta que ele comprou um relógio de cerca de um milhão de dólares, pensa em trocar seu avião por outro maior e também comprar um novo iate. Recentemente foi pergundado a ele se lia autores brasileiros. Resposta: "Não porque são todos comunistas". Pela parte que me toca, muito obrigado. Neymar saiu de campo dando vexame e chutando um adversário depois da derrota. Os noruegueses saíram orgulhosos pela vitória  e em momento algum fizeram pouco de seu adversário que, por sinal, admiram.

Não é impossível ao Brasil voltar a trilhar os caminhos das vitórias no mundo do futebol. E nos demais também. Mas antes disso alguns jogadores terão que se tornar homens de verdade. Somente depois vai ser possível voltar a revelar craques como fazíamos no passado, na época em que nosso futebol chegava aos mundiais como favorito. Deixamos isso para trás na cauda de cometa de uma infinidade de erros, casos de corrupção, malversação de dinheiro público e outras coisas mais. A solução, hoje, é ver a Copa do Mundo dos Estados Unidos à distância e sem nos deixarmos contaminar pelos arroubos trumpistas que fazem do futebol uma panacéia. Ele também é um  atraso para o esporte e o mundo.

Faltam quatro anos para um novo sonho de Copa do Mundo. Resta esperar com a certeza de que há muito por fazer. E então fazer tudo.      

2 de julho de 2026

Associação inevitável

Quando a gente fala do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, geralmente tem a intenção de associar o nome e a figura dele a uma foto como essa ao lado, que o mostra com cara de idiota e abraçado a uma bandeira de seu país. Mas isso está longe da realidade. Montado na maior e mais mortífera máquina de guerra do mundo moderno, o  cruel fascista norte-americano tem o poder de destruir o mundo. Só não o faz porque isso significaria derrotar também seu projeto de poder absoluto e voltado ao grande capital internacional. Tanto sangue derramado seria ruim até mesmo para os negócios...

Somente depois que entrou na presidência dos EUA Trump viu suas empresas faturarem mais de 2,2 bilhões de dólares, o que representa cerca de estratosféricos R$ 11 bilhões. Principalmente em criptomoedas facilitadas pelos atos que pratica na Casa Branca. Está muito distante dos presidentes anteriores a ele que, chegando ao poder, procuraram se fastar ao máximo do mundo dos negócios. O com cara de doido, não. A presidência para ele é negócio privado. E precisa ser muito lucrativo, coisa de família.

E é privado também o fato de que governa para os amigos, contanto estejam estes associados à sua maneira de pensar. Agora mesmo, quando a Suprema Corte do seu país recusou-se a permitir que ele tirasse cidadania de pessoas nascidas lá, qual foi a reação? Vai tentar lutar para mudar a Constituição. Afinal, se ela não existe para servir a ele, não serve para existir como está. E é assim com todos os projetos modernos de ditadores da atual extrema direita mundial. Nós nos lembramos sempre de Bolsonaro, não é?

No que tange ao Brasil o presidente ianque tem dois objetivos: ajudar a nossa extrema direita política a voltar ao poder e derrotar o PIX, uma invenção brasileira apoiada e engrandecida pelo atual governo, mas que contraria interesses de bandeiras de crédito como VISA e Mater Card. Onde já se viu isso? Trump sabe que não vai tocar no PIX com Lula no poder, mas sabe que fará do Brasil seu quintal se um Bolsonaro ou um primata tipo Romeu Zema chegar ao Planalto. Daí a escolha é simples, rápida e rasteira.

O Brasil não pode ceder e ainda é preciso que os brasileiros que amam sua bandeira nacional promovam uma campanha para que Flávio Bolsonaro, seu irmao Eduardo e todo o restante da quadrilha que tenta vender o Brasil a uma potência estrangeira sejam responsabilizados na Justiça por isso. Num outro país, o que inclui os Estados Unidos, estariam todos presos. Mas os EUA de hoje, além de apoiar esse tipo de gente, ainda permite que seu território se torne coito de bandidos. Depende de para quem esses bandidos torcem...

Trump não está pensando em combater o terrorismo, mas sim quem contraria seus interesses. Nem em defender a democracia porque, se fosse assim, não seria parceiro da Arábia Saudita e de El Salvador, antros de ditaduras de extrema violência. Seu objetivo é fazer da América do Sul um potentado norte-americano, com todos os governos sendo de direita ou extrema direita e, sobretudo, dóceis a ele e a seus projetos. Atualmente quem está atrapalhando é o Brasil - o maior país sul-americano - e o México, vizinho dele. Agora Trump vai tentar parar os dois, intervir em eleições e atacar a economia desses indóceis.

É preciso os brasileiros decidirem para onde querem ir. Se pretendem ter um país soberano devem lutar por essa soberania, pois atacar a economia brasileira também atinge a dos EUA. Mas se querem ser quintal de uma potência estrangeira, vendo o saque de sua economia como está sendo feito com o petróleo da Venezuela, basta fazer isso nas urnas. Quem tem honra, dignidade e vergonha na cara não vai traçar um caminho como esse. Aliás, quem tem honra, dignidade   vergonha na cara não promove guerras familiares de baixo nível disputando espólio político de presidiário condenado por ser culpado de tentativa de golpe de Estado como acontece agora, e a céu aberto, nas entranhas do esgoto bolsonarista de Brasília. 

29 de junho de 2026

Tigrinhos que matam

Existem alguns tigrinhos que matam. Que tomam todo o dinheiro dos incautos. Que levam à falência, dentre outras coisas. Ou à morte, como já aconteceu mais de uma vez no Brasil, uma delas com um cidadão que conseguiu torrar R$ 109 milhões em um único dia nos jogos online e depois tirou a própria vida ao ver que havia arruinado a si e a seus familiares. Os jogos online, todos eles e não apenas o Trigrinho, são um câncer que colocamos em nossas vidas com a ajuda do ex-presidente Michel Temer e do Congresso Nacional.

O pior de toda essa tragédia representada pelos jogos online, também chamados de BETS, é que eles são uma isca para os mais desesperados por dinheiro e que acreditam na hipótese de ficarem ricos jogando nesses cassinos virtuais. Não vão ficar. Pior do que isso, o mínimo que pode acontecer é irem à falência e levarem todos os entes queridos junto, o que certamente provocará a dissolição da célula familiar. Tive três experiências nesse campo e posso relatar como foram elas. Não é coisa bonita.

Na primeira eu estava em Vina Del Mar, no Chile, e fui jogar no Cassino Municipal, situado num prédio histórico numa região belíssima. É um prédio de 1930. No hotel fui instruído a levar somente o passaporte e uma nota de cem dólares. Nenhum cartão de crédito. Aceitei a opinião e essa foi minha sorte. Na entrada acabei "premiado" com um copão de uísque e um pratinho de sal com uns poucos amendois. Dá uma sede danada! Troquei minha nota de cem dólares e joguei na roleta e nas máquinhas de caça níqueis. Essas caçaram todos os meus últimos. Fiquei lá tempo suficiente ver pessoas gastando fortunas e uma senhora sair chorando, certamente pelas perdas. Lembro-me de que em função do ambiente, cheguei ao final a tentar pegar um cartão de crédito no bolso. Felizmente estavam no hotel. Fui embora apenas sem a minha única nota de cem dólares.

A outra experiência foi em Guarapari, no Hotel Coronado. Lá funcionava um cassino ilegal dirigido por um "banqueiro" de bicho famoso e que foi deputado estadual aqui no Espírito, quando da construção do prédio atual da ALES. Vi um leiloeiro do Rio de Janeiro que tinha voado para cá com todas as despesas pagas, perder uma verdadeira fortuna na roleta. Peguei meu amigo, que havia me levado para lá, e o retirei do lugar enquanto ele ainda tinha as calças. Pagou a dívida em cheque que o "banqueiro" depois devolveu com um "Porra, Fulano!" Esse "Fulano" era uma pessoa de certo destaque no Estado. 

Na terceira vez - não estou colocando por ordem de datas, pois não me recordo dos anos em que os fatos se deram - visitei com outro amigo o cassino que funcionava no Hotel Porto do Sol, em Jardim Camburi. Havia lá pelo menos uns quatro representantes do nosso desqualificado Congresso Nacional, de Brasília, e que haviam voado para cá com algumas "assessoras". Eram deputados e um senador que torraram fortunas do meu, do seu, do nosso dinheiro. Uma das "assessoras", mais rodada, virou-se para outra, bem jovem, e disse: "Largue disso, meu amor, você é nova e bonita". Ouviu da outra de volta: "Para que isso, colega? Somos passageiras do mesmo barco".

Todo mundo naquela época sabia que os dois cassinos funcionavam normalmente, embora tudo fosse ilegal. E quando digo todo mundo era quase todo mundo mesmo. Ao que me consta a Polícia não passava por lá e, creio, devia ser por fata de GPS... Hoje, via internet, milhares estão tendo as vidas destruídas, perdendo bens que foram adquiridos ao longo de décadas de trabalho duro e ainda não há uma reação mais dura por parte do Estado, pois a reação maior e contrária vem justamente do pior Congresso de todos os tempos, esse eleito por nós. Os parlamentares deveriam estar a postos lutando pelo Brasil da mesma forma como poucos lutam contra a escala 6X1, mas qual nada! Uma boa parcela deles está nos Estados Unidos vendo os jogos da Copa do Mundo como o nosso dinheiro suado.

Mesmo assim lutemos para derrotar as BETS. Todas elas. Já levaram, segundo cálculos sérios, cerca de R$ 3 bilhões só do Bolsa Família. É crueldade extrema! Pior de tudo: engordam o caixa das grandes empresas de Comunicação e de muita gente famosa, grande parte trabalhando em TV e que faz propaganda rasgada dessas "empresas". E a propaganda tenta passar a culpa por todos os danos às vítimas: "Jogue com responsabilidade!" Dá vontade de encerrar o artigo com um sonoro palavrão em caixa alta.

25 de junho de 2026

O significado da vida


É abribuída ao poeta e filósofo indiano Rabindranath Tagore a seguinte citação: "Aquele que planta árvores, sabendo que nunca se sentará à sua sombra, ao menos começou a compreender o significado da vida". O que tem de bom esse pensamento do homem da foto ao lado e que morreu aos 80 anos de idade em 1941? Ele disserta sobre altruísmo, legado e desapego, assuntos que não estão ou nunca estiveram ao alcance do entendimento de gente como o "bispo" Edir Macedo, o "banqueiro" Daniel Vorcaro e centenas ou milhares de outras pessoas que habitam o dia-a-dia do Brasil de hoje. Elas nunca pensam, por exemplo, em que legado deixarão aos seus descedentes. Ou será que viveram por isso?

Às vezes parece que sim, porque o presidiário Jair Messias Bolsonaro fez de seus quatro filhos clones seus. Sobretudo na falta de ética, na não existência de altruísmo em seus atos e em jamais terem se imaginado como sendo obrigados ao desapego em momento algum da vida. Essa é uma doença grave que atinge a humanidade de hoje, tanto no Brasil quanto em grande parte dos outros países como os Estados Unidos, por exemplo.

Por que o cidadão Donald Trump considera como vitórias suas ter ele pretensamente interferido nas eleições de oito países da América do Sul? E por que para ele é importante, aos 80 anos de idade, roubar - e esse é o termo exato! - as riquezas naturais de outros países também pretensamente para enriquecer sua nação? É mais correto pensar que ele deseja morrer deixando a seus descendentes séculos de vida mansa montada em milhões de dólares ou então poder suficiente para que estes multipliquem ainda mais seus bens. Vejam que o séquito dele em viagens é sempre formado pelos donos das maiores fortunas do mundo.

E Benjamin Netanyahu difere deste em quê? Somente talvez no tamanho da fortuna, posto que seu sonho maior é nunca ter que pagar pelos crimes praticados e que envolvem fraucatruas fiscais as mais soberbas existentes. Ora, para alcançar seus objetivos Netanyahu precisa das guerras que mantém a alto custo humano. Trump também necessita delas porque grande parte do apoio econômico de que dispõe para governar é dado a ele e a seu grupo MAGA pelos grandes fabricantes de armamentos dos Estados Unidos. Uma paranóia abastece a outra e as duas, juntas, patrocinam um genocídio imenso que, se não for detido, vai provocar ao menos a quase extinção dos palestinos de sobre a face da terra. Trata-se de um crime tão grande ou maior do que o gestado e promovido por Hitler e o nazismo.

Um drama tão imenso a humanidade não merece. E ainda mais porque se ele for transportado para o Brasil o nível dos personagens cai bem mais. Uma briga que está muito distante de ser de salão entre a senhora Michele Bolsonaro e os filhos do ex-presidente, certamente em torno do espólio político deste, agora ganha espaço no noticiário de rádios, jornais,

televisões e outros meios de comunicação, sobretudo redes sociais. São as entranhas da extrema direita política nacional sendo trazidas ao público em vez da discussão de planos de governo, busca de soluções de problemas e outros assuntos de interesse. A ex-primeira dama gravou um vídeo na noite de ontem (imagem ao lado) e no qual "denuncia" Flávio Bolsonaro de a estar desprezando, humilhando ou coisa parecida. O pano de fundo dessa comédia pastelão é a conquista de votos da extrema direita política através da chamada "pauta de costumes" e que se resume em tentar conquistar votos sobretudo do eleitorado menos dotado intelectualmente e das mulheres por intermédio de um projeto que visa, antes de mais nada, dividir o clã hoje fora do poder em dois.

É triste isso tudo. Ao longo de sua "carreira" política o atual presidiário Bolsonaro jamais demonstrou altruísmo e desapego em momento algum da vida para assim fazer de seus atos e de seu exemplo um legado aos que ainda o seguem. Na cauda de cometa de toda essa miséria exposta às outras pessoas, sobretudo no Brasil, os partidos políticos tradicionais vão aos poucos desaparecendo. E a vida em sociedade democrática tem que levar em conta o debate ideológico entre agremiações políticas porque é do confronto das ideias que nascem as sínteses novas. Mas como fazer isso 84 anos depois da morte de Tagore, no Brasil tão pouco conhecido, se a política pelo convencimento foi derrotada pela ignorância?

Aliás, os derrotados somos nós mesmos.            

23 de junho de 2026

São de Jesus!


A foto acima mostra um helicoptero decolando do heliponto situado no telhado do Templo de Salomão, o maior da Igreja Universal do Reino de Deus e que está localizado em São Paulo. Nunca foi explicado o que estava sendo feito e nem se houve investigações acerca das grandes malas colocadas na aeronave. Como não estávamos em dezembro, com toda certeza não se tratava de presentes de Papai Noel e a suspeita até hoje não desfeita é de que era mesmo dinheiro arrecadado nos cultos desse tal templo junto aos fieis. Na foto abaixo o "missionário" Edir Macedo, dono da denominação, oficia um culto fantasiado de rabino.

Hoje a Polícia Federal está fazendo a Operação Miragem, que visa apurar um esquema fraudulento vindo da gestão nacional do Banco Digimais, controlado pelo chamado "bispo" Macedo, o fundador da igreja. Não se trata de pouco: há indicios de que R$ 670.348.945,70 tenha sido desviados nos últimos tempos. E esse é o valor exato sequestrado em bens e valores ligados aos investigados.

Para chegar a tanto a PF, que é uma Polícia Judiciária, analisou relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil e estes revelaram graves irregularidades na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira. Surpresa? Nenhuma. Para chegar aos crimes basta seguir seu rastro. Ou o dos controladores.

Nos últimos tempos e no rastro da Teologia da Prosperidade nascida nos Estados Unidos, várias denomimações chamadas neopentecostais surgiram no Brasil. Edir Macedo é dono da maior de todas e da TV Record. O "missionário" R. R. Soares (Romildo Ribeiro Soares) detém o comando da Igreja Internacional do Reino de Deus; o "apóstolo" Valdomiro Santiago está à frente da Igreja Mundial do Poder de Deus; o "apóstolo" Hernandes e a "bispa" Sônia são fundadores da Igreja Renascer em Cristo; o "pastor" Silas Malafaia preside a Assembleia de Deus Vitória em Cristo. E essas são as maiores atualmente.

Faz alguns meses Malafaia, feroz defensor do ex-presidente e hoje presidiário Jair Bolsonaro, pediu isenção de impostos para adquirir um novo helicoptero caro para seus deslocamentos. Recentemente Macedo fez o mesmo e nesse caso para comprar um aparelho de R$ 35 milhões. A justificativa de ambos é a mesma: não se trata da aquisição de aeronaves para eles. Elas são de Jesus. Que, obviamente, as cede a seus discípulos para uso pessoal. E como aviões não podem constar sob o nome de Jesus, a posse tem que se bem terrena.

O neopentecostalismo é hoje uma das pragas do Brasil e até mesmo praticantes das igrejas tradicionais calculam o mal que ele faz. Uma das vertentes desse mal - isso além, é claro, da evasão de divisas vista no helicóptero - é o princípio da renúncia quase total ao pagamento de impostos, a maioria esmagadora deles, e que vem se direcionando a tudo o que diz respeito até nesmo indiretamente a cada uma delas.

Isso sem falarmos no controle quase absoluto dos "fieis" via uma lavagem cerebral diária e bem feita, o que faz de cada um deles um servo disposto a tudo por seus mestres ou líderes religosos que combinam até "milagres" em cultos realizados com regras teatrais. Não há limites para a submissão, e como a Teologia da Prosperidade prega a conquista do poder pelo voto (somente assim?), a submissão leva cada fiel a ser um eleitor perfeito e incondicional dos candidatos a cargos políticos principalmente da extrema direita. Por isso são frequentadores assíduos das congregações.

Michele Bolsonaro, da Igreja Batista Atitude, que o diga.