15 de outubro de 2026

O fascismo e a prosperidade

 
Flávio Bolsonaro diz que se vencer a eleição de 25 deste mês vai criar o "Ministério da Prosperidade" e ficar sempre, o tempo todo de seu mandato que ele pretende aumentar para cinco anos, "junto ao povo brasileiro". Isso não é novidade na história moderna e vou contar a vocês como surgiu o "Carro do Povo" lançado há quase um século na Alemanha e cujo chefe de Estado, Adolf Hitler queria o amor incondicional de sua população.

Quando esse futuro ditador assumiu o poder na Alemanha, em 1933, seu país tinha um dos menores índices de motorização da Europa e ele queria mudar isso. Radicalmente. Inspirando-se em um modelo de produção em massa que havia sido criado por Henry Ford nos Estados Unidos, tocou o projeto de construir as "autobahns", rede de estradas alemãs tambem chamadas de "autobahnen" ou "Bundesautobahn". Mas pretendia mais: precisava de um carro para o povo chamar de seu e que custasse no máximo 1.000 Marcos do Reich, preço de uma moto na época. Ele entregou o projeto a Ferdinand Porsche - nome que nos remete até hoje a bons automóveis - e fez mais uma série de exigências que não vêem ao caso no nosso artigo. O carro foi lançado depois de idas e vindas - foto do lançamento - e se tornou, com o passar dos tempos, no icônico Fusca que os brasileiros amaram a partir de 1959. Cada um de nós tem ao menos uma história com eles.

Só para nos "alegrar", o projeto também se chamou KdF-Wagen (Kraft durch Freude ou "Força pela Alegria"). Que coisa bonitinha! Em 1959 ele passou a ser montado no Brasil, em São Paulo. As autobahns alemãs existem até hoje e lá elas não têm limite de velocidade em certos trechos onde "se recomenda" não passar dos 130 quilômetro por hora. Aqui isso ia fazer um sucesso incapaz de ser imaginado pelos mais prudentes. 

A prosperidade e a alegria sempre foram fixações do fascismo ou da extrema direita política, como vocês preferirem chamar sem que a gente entre em considerações acadêmicas. Esse projeto esconde o totalitarismo, as ditaduras civis e militares e os governos que pretendem se eternizar no poder. Hitler destruiu a democracia da Alemanha, tentou conquistar o mundo, gerou a II Guerra Mundial, os campos de concentração ou extermínio e sua guerra foi responsável por cerca de 40 milhões de mortos totais, a maioria deles civis e não só na Europa.

Por trás de uma aparência quase gentil, Flávio Bolsonaro, o 01 esconde um projeto extremista de poder e que começou com a ascensão do pai, o militar frustrado que tentou um golpe de Estado em 08 de janeiro de 2023 para não deixar a presidência a seu sucessor. Agora o clã quer voltar ao poder do Brasil, o último país da América do Sul que tem importância continental e ainda não se rendeu aos planos do novo fascismo que aqui em nosso continente é representado por Donald Trump, comandante do esquema mundial e encastelado na Casa Branca, onde elabora planos planetários. Mirabolantes.

Esse Flávio não tem compromisso algum com a democracia. Da mesma forma que Tarcísio de Freitas em São Paulo, Sérgio Moro no Paraná, Jorginho Melo em Santa Catarina e agora Luciano Zucco no Rio Grande do Sul. Cuidado, capixabas, com Lorenzo Pazolini aqui no Espírito Santo. Ele é um dos tentáculos desse polvo de proporções gigantescas...

Por tudo o que foi dito e ainda muito mais, é preciso preservar o Brasil. Já há fazendeiros querendo invadir terras de povos naturais, incêndios florestais e destruição de centros de estudos e pequisas em Universidades Federais. Tudo o que representa o progresso no Brasil e no restante do mundo eles odeiam. Acredito piamente na capacidade que temos de vencer a eleição de 25 de outubro, colocando para fora do poder de Estado do Brasil esse projeto que não chamo de tupiniquim em respeito aos nossos lindos povos originários.

Vamos lutar contra isso. Chorar o leite derramado vai ser muito pior. 

13 de outubro de 2026

O Estado fraturado

Às vésperas de um segundo turno de eleição presidencial nós, os brasileiros, independente de corrente política assumida, vivemos em um Estado fraturado. Com fratura exposta. Dividido quase literalmete ao meio e em um clima de quase guerra civil e que deveria ter no Poder Judiciário um elemento pacificador. Mas não esse o nosso caso.

A cisão dos últimos tempos levou à polarização social que representa o afastamento das posições em direção a dois extremos ideológicos - esquerda e direita - que enfraquecem as posições moderadas e, sobretudo, o Centro. E estou me referindo à direita ideológica, situada anos luz de distância da extrema direita em ascenção no mundo e no Brasil e também ao Centrão, o aleijão político oportunista quase próximo do assalto a mão armada.

Os últimos eventos envolvendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e seu presidente, o ministro Kassio Nunes Marques, são o retrato do que ocorre nas cortes superiores de Justiça à vésperas dessa eleição. Escolhido pelo ex-presidente hoje condenado e mantido em prisão domiciliar já faz um bom tempo, Jair Bolsonaro, vê este comandar a extrema direita de seu endereço no Jardim Botânico de Brasília. Até as paredes sabem que nem uma única pedra é movimentada nesses tempos turvos sem seu conhecimento e aprovação.

Hoje o filho candidato a presidente recebeu autorização de visita e disse ter encontrado o pai feliz com o resultado do primeiro turno. Ele sabe disso desde o dia da contagem dos votos. Sabe também que passos seu espectro político deve dar daqui para a frente e que ordens diretas passar aos aliados, inclusive Kassio e André Mendonça.

O leitor acredita que Jair é um doente necessitando de tantos cuidados? Creio que não. Informa-se diariamente pela TV, internet e embora tenha restrição de acesso a seu próprio celular, o da esposa está livre e solto. Condenado a 27 anos e três meses de prisão, esse ex-presidente não passou um único dia trancafiado. É um caso único entre os presos brasileiros. Prova viva de que tentar golpe de Estado no Brasil é um ótimo negócio. Basta viajar para os Estados Unidos, se fazer de vítima e comandar o circo da extrema direita.

O Governo Lula seria totalmente inocente nesse espetáculo de baixa qualidade se não tivesse sido indiretamente envolvido nele graças ao fato de os tentáculos de Daniel Vorcaro terem atingido o Supremo Tribunal Federal. Mas não sua administração, apesar dos esforços de parte da chamada "Grande Imprensa" em conseguir isso via seu filho Lulinha. Ao menos se trata de um coadjuvante que não sabe manter distância protocolar da arena dos lobos.

O Estado fraturado não vai sair incólume desse processo. E embora a imensa maioria da bandidagem atual esteja encastelada no PL e proximidades, o jogo político de baixo escalão faz com que a lama de Brasília atinja a todos quase indistintamente. Kassio Nunes Marques, dono de vínculos com o escândalo Master, precisa de uma vitória bolsonarista para se manter quase incólume no submundo da extrema direita. Tem envidado esforços nesse sentido. Hoje, com o clima quase irrespirável do Brasil, já não é possível cravar que as eleições ocorram sem sangue derramado. Fogo em patrimônio público já há. 

8 de outubro de 2026

Crime de Responsabildade, a vingança

Desde o final da noite de domingo último o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se apoderou das narrativas eleitorais como se já fosse o novo presidente da República. Mas seu receituário de projetos seria apenas estranho se partisse de um político de viés democrático. Em se tratando do filho de um golpista amante da ditadura militar 1964/85, fã do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra e que tentou concluir um golpe de Estado no Brasil em janeiro de 2023 os discursos aparentemente inocentes têm o odor fétido dos esgotos de onde saiu a extrema direita política brasileira nos últimos tempos.

"Reformar a Constituição"? "Redemocratizar o Brasil"? De onde esse indivíduo tirou esses termos sem sentido no Brasil de hoje? Nosso país é uma democracia que provavelmente serve de modelo a muitas outras pelo mundo afora. Menos para quem quer ter o Judiciário no bolso da calça. Esse Flávio não tem noção do que fala ou seu linguajar vem diretamente do condomínio onde mora seu pai, o condenado por atos antidemocráticos? Vamos conferir!

Já se falou que a conquista de maioria absoluta no Senado serviria para que diversos próceres da República, notadamente membros do Supremo Tribunal Federal possam vir a sofrer impeachment acusados de "crime de responsabilidade". O que vem a ser isso? Trata-se de uma "infração político-administrativa que pode vir a ser cometida por por agentes políticos quando esses atentam contra a Constituição e o funcionamento regular das instituições democráticas". Na prática tem que haver um delito comprovado e praticado pelo alvo para que ele seja processado e afastado do cargo. Só que quando se trata de vingança política, de vindita, qualquer bom escritório de advocacia monta um caso e o envia ao Senado. A "Comissão de Constituição e Justiça" montada a caráter para representar não o Direito, mas o Governo, faz o resto. Com incrível facilidade, como sempre.

Os termos jurídicos que classificam o "crime de responsabilidade" são vagos, genéricos e qualquer grupo de espertalhões pode usar expedientes os mais variados para fazer pedidos de teor de impeachment. Dentro e fora do Congresso. Durante os últimos anos uma centena ou mais de solicitações do gênero dormitaram nas gavetas dos presidentes da Câmara e do Senado, que não as levaram adiante. Agora, ao que parece, a estrema direita encastelada no PL quer  tornar esse sonho realidade. Fazer da farinha de trigo um pão doce recheado. Usar o "crime de responsabilidade" como uma vingança contra os que ocuparam o poder de Estado no último mandato em lugar de Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, o filho mais velho e seguidor do pai, tenta usar máscara parecida com as dos atores de uma série vitoriosa de TV (FOTO) para se esconder ou camuflar um projeto antes de chegar ao poder, se chegar, para então estar em condições de impor as vontades do grupo que representa. Já está montando até seu ministério (SIC!). Mas não consegue passar honestidade no que faz. O enredo é conhecido demais, o elenco, muito fraco e um dark horse em Brasília não sairia inteiro do papel. Principamente nos dias de hoje, quando sabidamente o papai Jair mais uma vez não poderá contar com a ajuda das Forças Armadas, pois seu grupo de apoio fascista a cada dia mingua mais. Que pena para ele!

Hoje é quinta-feira, véspera do reinício da propaganda eleitoral gratuita e do dia em que os novos projetos vão ser mostrados pelo presidente candidato à reeleição.Talvez ele mostre nesse horário eleitoral em que falcatruas seu adversário se envolveu nos últimos tempos, pois boa parte delas não foi denunciada pela grande imprensa, chamada por ela mesma de "imprensa profissional". E são delitos - podem ser chamados assim - comprovados. Será que o brasileiro de hoje conviverá facilmente com crimes que envolvem conchavos com milicianos, uso de uma imensidão de dinheiro fácil e apoios parlamentares que passam de um lado para o outro ao sabor dos ventos de campanha. Isso está longe do ideal.

Hoje, nessas vésperas, o TSE julga se os votos dados ao candidato Garotinho no Rio de Janeiro são nulos ou não. E se Deltan Dallagnol, no Paraná, pode ser senador mesmo estando inelegível e envolvido numa imensa série de escândalos que envolvem também o governador eleito pelos paranaenses Sérgio Moro. Os julgamentos atuais do TSE e do STF, nesses tampos bicudos me remetem a um aforismo apócrifo que diz há séculos: "aos amigos os favores; aos inimigos os rigores da lei". Isso já foi atribuído a Nicolau Maquiavel e a Getúlio Vargas. Ambos são inocentes no caso citado...

Talvez não haja inocentes na política brasileira daqui para a frente. Vamos torcer ao mesmo por um desfecho sem que tribunais superiores sejam provocados. E sem que o candidato da oposição fale em jogar dentro das "quatro linhas". Isso é sinônimo de golpe, hoje e sempre!

6 de outubro de 2026

Luto? Não, luta!

 

Vamos cometer um erro se tentarmos inverter o resultado da eleição de domingo - e isso vai acontecer, creiam todos! - tentando infantilizar ou imbecilizar o eleitor brasileiro. Ele vai se sentir agredido! Uma vez, falando sobre a onda fascista na Alemanha, William Reich disse: "As massas não foram enganadas, elas desejam o fascismo". Em abril de 1945 se viram diante do grande erro praticado, mas então já era tarde. Uma imensa maioria dos brasileiros que hoje apostam na extrema direita não tem a exata noção do que está fazendo e houve o canto das sereias. Mas a melhor forma de acordá-los é com a razão, embora eu acredite que nada pode levar a isso quem reza diante de pneu, por exemplo.

Uma vez mostrei a imagem de um punho cerrado e erguido para uma pessoa cética. Esse aí da foto e de uma pessoa negra. Ela me perguntou porque eu gostava desses símbolos "do comunismo". Expliquei que o simbolismo remonta à antiga Assíria como sinal de desafio diante da violência. Atravessou os tempos significando resistência, força, solidariedade e unidade. Hoje é amplamente usado contra racismo, sexismo e opressão, tendo sido muito utilizado, claro, por movimentos de esquerda política. Só para ilustrar, a civilização Assíria existiu por cerca de 19 séculos até ser extinta por colapso por volta do século VII a.C.

Hoje os que desejam a vitória do candidato Lula nessa eleição não estão de luto. Se estivessem já teriam perdido. Eles estão em estado de luta, isso sim. E cabe ao movimento antifascista mostrar aos demais brasileiros que eles devem abandonar a bandeira do atraso que só na II Grande Guerra levou à morte 60 milhões de pessoas e então abraçar a aposta no futuro. Cerca de 33 milhões de brasileiros não votaram domingo. Eles precisam estar presentes às cabines de votação no II turno. Os demais, também. E cabe sobretudo à campanha de reeleição mostrar a esses brasileiros e aos demais tudo o que será perdido com a volta da extrema direita ao poder. A começar pelos programas sociais. Todos eles.

Sempre pergunto às pessoas se elas usam o Farmácia Popular. Eu uso! O Bolsa Família. Não uso porque seria uma desonestidade! O Minha Casa, Minha Vida. Já moro em casa própria! E mais uma infinidade de outros benefícios como o Desenrola, por exemplo. Não estou endividado! Tudo isso vai ser perdido ou reduzido a quase nada. As Universidades Federais, pobres delas. Os Institutos Federais também. As verbas da Educação serão retiradas do MEC para o ensino público ser sucateado e não haver a obrigação legal de o Estado investir no setor. Se você quiser estudar, vire-se nas escolas particulares, as privadas e caras. Durante o governo anterior foi amplamente dito que universidade é para os ricos!

Com todos os seus defeitos, Lula é um homem que nasceu na pobreza e veio para a cidade grande de pau de arara. Ele trabalhou duro como torneiro mecânico, perdeu um dedo em acidente de trabalho e vive com foco no social por destino. Era um líder sindical. Seu adversário jamais deu um dia de trabalho duro. Viveu de expedientes, golpes, rachadinhas e apoio a criminosos como assasinos de aluguel e milicianos. Na extensa ficha corrida de sua familícia constam dezenas de compras de imóveis em dinheiro vivo. Ultimamente também desonestidades envolvendo filmes, Banco Master e farras com uísque e prostitutas.

Foram as redes sociais que impulsionaram Flávio e seus seguidores. Somente um deles, Nikolas Ferreira, teve quase 3,2 milhões de votos impulsionados por carradas de mentiras "vendidas" em redes sociais. Conseguiu ser feito seguidor, ídolo, por uma imensa legião de fãs que acreditam nele. Recentemente - e isso está gravado - esse sujeito disse que as pessoas acreditam em tudo o que diz porque são burras. Por isso não são de esquerda, para não terem de estudar. Ele faz renascer em nós o pensamento monumental de nosso eterno Ziraldo: "No Brasil, homem público é o masculino de mulher pública".

Luto? Não, luta!

5 de outubro de 2026

O vulcão

 

Quem foram as pessoas que colocaram seus dedos na tecla "confirma" das urnas eletrônicas, como na foto acima, e conseguiram, como se diria no futebol, dar um "drible de corpo" em todos os institutos de pesquisa do Brasil nas eleições de ontem? Mais importante ainda: por que cerca de 33 milhões de brasileiros não foram às urnas para participar da escolha do novo presidente, senadores, deputados federais e estaduais, além de governadores deste país? Pior: a soma das abstenções com votos nulos e brancos chega a 24,63 por cento do eleitorado no 1° turno. Talvez a resposta a essas duas perguntas seja mais importante do que avaliarmos agora como se deu a vitória da extrema direita nas eleições brasileiras.

Afinal, um vulcão  entrou ontem em erupção por aqui. 

É fato afirmar uma coisa: estamos diante do risco de sermos governados por um plantel miliciano-evangélico nos próximos quatro anos graças a denominações neo pentecostais que invadem a vida pública no rastro de cometa dos princípios da "Teologia do Domínio" importada dos Estados Unidos de alguns anos para cá. E de vermos crescer no Brasil a política por familiares. Magno Malta não conseguiu eleger sua filha, a inexpressiva Maguinha, mas Jair Bolsonaro tem quase toda a família hoje em cargos públicos eletivos. Carlos agora vai para Brasília juntamente com Jair Renan, o filho mais novo. O suplente de Michele é seu irmão e o da amiga do coração, Damares Alves, o próprio filho. Todos serão diplomados durante férias que elas terão ao longo dos oito anos de mandato. Que beleza!

Outra coisa que surpreende são as votações de Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, ambos do PL de Minas Gerais e São Paulo, respectivamente, que somaram mais de três milhões de votos. Eles são a fina flor do reacionarismo político nacional. A extrema direita raiz! A estes soma-se pelo menos Eduarda Campopiano, de Praia Grande, deputada estadual mais votada em São Paulo. A moça - ela é jovem, com 23 anos - agradeceu aos colonizadores pelo fato de o Brasil existir e associou os indígenas - que ela chama de índios - ao canibalismo. Essas pessoas foram eleitas pelos brasileiros e possuem mandatos legais, lícitos.

E quem é o eleitor brasileiro? Tenho um hábito simples e que é o de perguntar a pessoas com as quais converso qual é a diferença entre deputado federal e senador em termos de suas atribuições de mandato. Quase ninguém sabe nada, nem mesmo parlamentares eleitos. E é uma coisa simples: deputados representam o povo que os elegeu enquanto senadores são representantes dos Estados aos quais estão ligados e a seus interesses regionais no plano federal. Não, atingir o Supremo Tribunal Federal não figura como principal atividade senatorial. Ele, o senador, é membro de uma casa revisora e deve avaliar e discutir, além de modificar, se for o caso, os projetos que já passaram pela Câmara Federal. A ele cabe ver se esses textos interessam a seus estados, àqueles pelos quais foram eleitos.

Mas a Constituição também delega a eles o direito de processar, de julgar autoridades como o Presidente da República, ministros de Estado e também do STF em "crimes de responsabilidade" que podem levar até a impeachment. E aqui está o projeto da vida de vários deles. Razão pela qual fizeram campanha e foram eleitos no Brasil desses tempos polarizados.

Como vai ser, então, o segundo turno das eleições deste ano? O vencedor do primeiro turno é um gangster miliciano, praticante de rachadinhas, membro de uma família que compra às dezenas imóveis vários, condecorador de criminosos e que nada faz na política. Ao menos nada fez até hoje. Seu adversário, Lula, é conhecido como o presidente que mais se volta a projetos sociais, vindo que é de uma família nordestina muito pobre e que chegou a São Paulo de Pau de Arara. Tem mutos defeitos, mas é dono da maior, da mais vasta e bonita carreira política da história de nosso país. Todos os que falaram, desde ontem até agora sobre o resultado do primeiro turno das eleições dizem que o principal defeito da campanha de Lula reside na comunicação. Se são todos, eles não podem estar errados. Então, esse é o ponto! Mas o PT, partido do candidato, também precisa se abrir mais no plano das alianças.

Assusta ver na internet postagens como a que publicamos acima e de autoria de Paulo Motoryn. Esse mesmo texto, um pouco modificado também foi levado ao ar com o desenho de um fradinho do nosso imortal Henfil. Você viveu os idos de 1964? Passou pelo que houve depois daquilo? Se não é esse seu caso, leia um pouco sobre o assunto. Estude a história recente do Brasil e saiba porque nós não podemos aceitar retroceder 72 anos na vida nacional. Seria muito doloroso, seria trágico passar por novos 21 anos de ditadura militar. A ditadura que os Bolsonaro tanto admiram a ponto de elogiarem até os torturadores nossos mais cruéis, como é o caso do miserável Carlos Alberto Brilhante Ustra. Não, a gente não merece.  

2 de outubro de 2026

Insegurança globística

Agora pela manhã é unânime em veículos do Sistema Globo um discurso preparado: a insegurança jurídica (sic!) provocada por decisões judiciais monocráticas de ontem fizeram a Rede Globo cancelar o debate que seria o filé mignon da cobertura das eleições de domingo. O palco já estava armado (foto acima), o púlpito vazio de Lula, colocado devidamente no seu lugar e até o lugarzinho de última hora, garantido para Romeu Zema e seu um por cento de preferência popular estava lá. Mas a emisorra estrelada cancelou tudo. A festa não ficou como ela queria e não havia tempo hábil para mudar cenário tão cafona.

Falar de insegurança jurídica é fácil quando as sentenças são desfavoráveis a nós e não há tempo para recorrer. E de decisões monocráticas também. O presidente Lula recorreu contra o fato de que iriam todos os adversários, representantes da direita e extrema direita política, se voltar ao púlpito vazio para perguntas capciosas. Renan Santos também recorreu para pedir seu lugar de candidato com maior percentual de votos que ao menos um dos escolhidos para ter púlpito. Finalmente, Flávio Bolsonaro desistiu porque não queria "adversários" que levantassem o podres dele no debate. Então a Globo desistiu porque àquela altura, num podcast, Lula já arregimentava 1,5 milhão de espectadores à sua fala.

Todo mundo tem o direito de não gostar, protestar, espernear e xingar. Só que para os jornalistas da Rede Globo é ao menos insensato falar que os tribunais superiores estão fragilizando a democracia do Brasil com as decisões de ontem. Há três anos e pouco menos de oito meses estivemos dentro do turbilhão de um quase golpe de Estado provocado pelo governo que antecedeu o atual. Hoje embaixada e consulados dos Estados Unidos foram fechados "por medida de segurança" em diversos pontos do Brasil. Diversas denúncias sérias contra Flávio Bolsonaro estão sendo omitidas pelo Sistema Globo e demais veículos de nossa "grande imprensa" e que envolvem até prostitutas em festas com Daniel Vorcaro. A hora deveria ser a de dosar ao máximo o teor "revolucionário" do choro incontido.

É preciso medir as consequências: quando um veículo que tem a penetração da Rede Globo, num momento como o de agora, fala em democracia frágil, deve saber o que pode estar pavimentando. Quando esse mesmo veículo diz que os tribunais superiores, ao emitirem decisões monocráticas sobre um caso urgente - não havia como fazer diferente - estão fortalecendo a possibilidade de o Brasil eleger o Senado com discurso de atingir em cheio o Judiciario, deve saber o que vai representar para o Brasil um poder senatorial formado por nomes da extrema direita tirando poder da Justiça. Assim nascem as ditaduras.

Mesmo os não formados em Direito, como é meu caso, sabem que a Justiça age quando provocada. Tem que agir. É obrigada a fazer isso. No caso de ontem, havia lacunas nas decisões acerca desse último debate que não tinham ainda sido dadas a público. E brechas através das quais bons advogados podem com facilidade produzir textos legais pedindo mudanças de última hora. Tudo isso deveria estar previsto, caso contrário a inclusão de Romeu Zema no debate não teria sido aceita sem questionamentos no início da noite do evento. O vendaval só surgiu quando Flávio Bolsonaro, aquele contra quem as maiores denúncias não foram divulgadas, fugiu de cena ao ver Renan Santos entrando na festa.

Muitas perguntas podem ser feitas mesmo depois de a insegurança globística ter implodido o evento da noite de gala. Por exemplo: por que a Rede Globo sempre tem direito ao último e mais importante debate das eleições? Por que os candidatos aceitam as regras impostas pela emisora? Será que os Estados Unidos, via Departamento de Estado, fizeram algum tipo de pressão via Lei Magnitsky para a Globo - ela tem muitos milhões aplicados por lá - abdicar de sua "imparcialidade" nessas eleições? O que será que será que ainda não foi dito?        

Cautela, Rede Gloro, isso e caldo de galinha não vão fazer mal a você.           

28 de setembro de 2026

Respeito religioso e Estado laico

 O que é laicidade de Estado? É o princípio político e jurídico que separa oficialmente o governo e as instituições religiosas. Isso não quer dizer que o Estado, nesse caso, renegue as religiões; em absoluto. Quer dizer que esse País, no caso o Brasil, não tem uma religião oficial e permite o exercício de todas elas por seus cidadãos, não privilegiando nenhum credo específico em detrimento dos demais. É esse princípio legal que garante aos brasileiros a paz religiosa que sempre imperou entre nós. E é por isso que a foto acima, de destruição de imagens católicas em  um templo, são totalmente inaceitáveis.

Há uma diferença imensa entre Estado laico como o nosso e Estado religioso ou ateu. Cito um exemplo no caso, Israel. Ele foi criado em 1948 para dar uma pátria aos judeus, pessoas que praticam a religião judaica. Mas nunca aceitou os praticantes de outros credos como cidadãos donos de direitos iguais. Os muçulmanos israelenses são pessoas de nível inferior, e isso se baseia em leis. Qualquer não judeu em Israel tem status menor. Hoje, com o governo sionista no poder, essa situação se agudiza. O Estado Judeu Sionista é genocida e se não for detido vai destruir os palestinos. Seus atuais governantes querem desconhecer a Palestina como Estado e os palestinos como povo. Isso é genocídio e está sendo visto não apenas em Gaza, mas também na Cisjordânia ocupada e fatiada ante a indiferença mundial.

É uma situação assim que queremos no Brasil? Quando o indivíduo Flávio Bolsonaro diz a seus apoiadores que sua primeira medida como presidente seria decretar que nosso País "é do Senhor Jesus", ele agride a Constituição e rompe com os princípios do Estado Laico. Ele por ventura sabe que para os judeus, sobretudo radicais, Jesus não passa de um "falso profeta"? E que apesar disso ele era judeu? Esse sujeito já viu cristão sendo hostilizado em Israel? Um conhecido meu teve o crucifixo cuspido por um pirralho de quipá em Jerusalém.

Destruir ou hostilizar uma imagem religiosa é um sacrilégio e um crime. No Brasil da extrema direita isso já foi feito diversas vezes contra confissões afrobrasileiras. Nossos noticiários mostraram ao vivo e a cores templos afro agredidos ou vandalizados. Num país que foi escravocrata durante séculos, que tornou escravos homens e mulheres trazidos à força para cá em navios negreiros, isso é inimaginável. Nosso País, é preciso lembrar, escravizou até mesmo os povos nativos chamados pelos invasores de "preguiçosos". Nessa mesma campanha política cujo primeiro turno terá votação domingo, o candidato do PL já citado aqui chegou a dizer num palanque que não queremos "índios fazendo uuuuu" pelas ruas. Isso mostra o desprezo que essa gente tem pela cultura dos outros.

Quando rapazola tive um amigo nissei e ia à casa dele às vezes. Tinha imenso respeito pelo fato de os pais do moço serem Mahayanas, adeptos do ramo do budismo mais praticado no Japão. Um dia o senhor Watanabe me pergntou qual era minha religião e eu disse que não tinha. Ele pensou um pouco e voltou a questionar: "Ateu?". À minha resposta afirmativa, ganhei um abraço e uma liçãode vida: "Fala isso, sim. Respeito tanto seu pensar quanto você o meu, Álvaro sam!". Num Estado laico onde ateus temem a rejeição, fui abraçado por uma pessoa que amava o Brasil, a liberdade que desfrutava aqui e o seu ídolo Sidarta Gautama.

Esse é o Brasil que nós construímos. Um País de respeito religioso e Estado laico. Não podemos permitir que a insensatez, a ignorância e a ignomínia tentem destruí-lo. Continuaremos sendo praticantes de todas as religiões ou de nenhuma delas, tanto faz. Continuaremos vivendo em comunhão uns com os outros. Aqueles que tentam destruir nossa paz através da negação da laicidade vão perder. Rezar para pneus, tentar manter contato com estraterrestres por celular e acampar diante de instalações militares para buscar uma forma de destruir o Estado Democrático e de Direito por meios violentos só os leva ao fracasso. Levou no passado mais recente e iria levar agora se não fosse detido como foi.