Devemos reconhecer: a extrema direita política brasileira não aceita o STF porque não se vê nele.
Ela foi apoiadora do golpe Estado de 1° de abril de 1964, guerreou pela manutenção deste e estava em campo oposto ao das forças democráticas que lutaram durante 21 anos pela volta da democracia representativa ao Brasil, em 1985. De lá para cá sempre tentou solapar as instituições civis brasileiras que se reconhecem ao olhar no espelho do Brasil de hoje. Por isso estava acampada diante de quartéis durante a tentativa de golpe de Estado de 08 de janeiro de 2023 e consegue ver no seu país de hoje uma ditadura. Mas muito diferente daquela que apoiara num passado recente, para prender ilegalmente, torturar e matar.
Hannah Arendt, filósofa alemã que marcou época no pensamento mundial com a criação do conceito de "banalidade do mal" ao escrever "Eichmann Em Jerusalém" e onde disseca a personalidade de Adolf Heichmann, disse certa feita que "a essência dos Direitos Humanos é direito a ter direitos". Ora, sempre que um regime ditatorial ocupa o poder em qualquer parte do mundo, a primeira coisa que ele faz é retirar dos cidadãos seus direitos mais elementares. Isso aconteceu no nazismo que a judia Arendt estudou tão bem através da personalidade de criminosos de guerra. Acontece ao longo dos tempos, como agora no Brasil quando os saudosos do nazifascismo tentam reviver os períodos mais sombrios da história brasileira.
O STF é alvo porque representa a democracia que só pode ser questionada pela maioria da população via eleições e/ou plesbicito. Como o extremismo de direita teme esse tipo de processo de consulta popular, tenta obter o poder através da força. Tem hoje no psicopata Donald Trump um aliado fundamental que usa o fascismo político como arma para conseguir ocupar corações e mentes. A direita brasileira vê nele um aliado e pode querer usá-lo como trampolim para que um novo Bolsonaro ocupe o poder. Mas esse sujeito, o ianque, vê apenas dinheiro diante de si. No nosso caso, principalmente minerais raros que pretende tomar, se preciso à força, usando o artifício de "narcoterrorismo" para tanto.
O Supremo não é perfeito. Composto por seres humanos, carrega em si os defeitos de todos nós, ainda mais porque alguns ministros têm tido pouco cuidado e permitido que interesses privados se confundam com o público prevalecente acima de tudo. Graças a isso tornam-se alvo do oportunismo político de quem não se vê nele. O momento brasileiro atual reflete isso: centenas de vigaristas de mandato investem contra os organismos superiores da Justiça para atacar. Dessa forma pretendem atingir todas as instâncias do poder constituído e abrir caminho para seu discurso eleitoral maquiado e diredionado a destruir o Estado de Direito.
A imprensa, dolosa e culposamente colabora com isso. Uma jornalista de O Globo, Malu Gaspar, tem se dedicado a acusar o STF. Não teria problema se ela não fosse uma lavajatista conhecida e que se deixou fotografar diante de um Sérgio Moro em pose de majestade quando ele ainda era respeitado. Sua blusa laranja na foto acima destaca-se no grupo e a coloca em situação de dúvida. A mesma que tenta jogar agora contra ministros do Supremo. Por isso, no exercício da denúncia o jornalista tem que ser homeopático nos offs e, ao mesmo tempo, abusar de fontes identificadas ou situações concretas, paupáveis. Malu, profissinal talvez digna, deveria saber disso e ter esse cuidado para não deixar a posição de pedra e se tornar vidraça.
Estamos em tempos difíceis. Enquanto no Brasil a maior corte de Justiça, da qual o país não pode abrir mão por tudo o que ela representa, é alvo de tiroteio intenso, uma parcela grande, imensa mesmo do espectro político nacional defende com unhas e dentes um recuo ao autoritarismo na calda de cometa do presidente norte-americano capaz de tudo para obter seus objetivos. Isso de novo nos remete a Anna Arendt no livro "As origens do totalitarismo". Ela defende que esse sistema, inédito no mundo até o início do século XX, não busca apenas controle político das sociedades, mas a dominação total do homem, do ser humano agora definitivamente destituído de esfera privada e capacidade de ação individual.
Seria isso o que queremos?








