5 de fevereiro de 2026

O crime sem castigo

Eu estava começando a vida como jornalista no jornal A Gazeta, Rua General Osório, 127, Centro e, como havia morado em São Paulo, conhecendo jornalistas de lá, recebi a incumbência de cobrir como correspondente free lancer o "Caso Araceli" para a Folha de S. Paulo. O fato marcou a vida no Estado e no Brasil de 1973 em diante. Era uma coisa escabrosa, que tornou o crime assunto único na maioria das rodas de conversa. Sobretudo porque um dos acusados pela morte da menina Araceli Cabrera Crespo, 8 anos de idade (foto acima), Paulo Constanteen Helal, era filho do dono da Magazin Lojas Helal, a mais famosa loja de departamentos de Vitória nos anos 1960/70, situada ao lado da Praça Oito de Setembro. Ele e Dante Brito Michelini eram amigos e frequentavam o Franciscano, a mistura de bar, hotel e prostíbulo situado no início da Avenida Dante Michelini e que até hoje ostenta o nome da família.

Paulinho e Dantinho, como eram chamados, desceram em poucos dias das colunas sociais para as páginas de Polícia dos jornais. E eu, Editor de Esportes, tive que passar a frequentar o Departamento Médico Legal e as salas de delegados para colher informações capazes de abastecer a Agência Folhas Interior-Estados, que recebia os informes dos correspondentes, no meu caso enviados via Agência Central dos Correios, no Centro. Tudo por Telex! Agarrava-me ao amigo Paulo Maia, Secretário de Redação do jornal para me ajudar na confecção dos noticiários. O Paulinho de A Gazeta, um dos maiores amigos que tive no jornalismo, fazia noticiário policial com a facilidade de quem toma um copo d´água.

Era preciso ir aos fatos. Presenciei Paulinho Helal sendo colocado no "cofre" de um carro da Polícia, no dia de sua prisão. Ao ver onde teria de entrar ele olhou para os policiais e pediu: "Aí não, pega mal!" Mas foi lá assim mesmo. Estive no DML várias vezes e aquilo cheirava a carne em decomposição desde longa distância. Acompanhei a retirada do corpo da menina das "matas do Hospital Infantil", mas a um distância regulamentar. Protocolar. Naquele lugar, na subida da rampa que ainda hoje leva ao HI, dois prédios grandes de apartamentos substituem o antigo matagal onde os criminosos esconderam o corpo da garota morta.

Pouca gente sabe, mas o Franciscano funcionava como prostítulo, fornecendo as "meninas". E para gente graúda! Um familiar meu um dia me perguntou se eu gostaria de conhecer o lugar "na horizontal". Declinei do convite. São coisas de Vitória, mas até hoje uma das mais importantes avenidas da cidade mantém o nome de um antigo dono de puteiro!

Era lá que Dantinho Michelini, encontrado morto e decapitado num sítio de sua propriedade em Guarapari, levava os amigos como Paulinho Helal para as farras. Era a casinha do papai! Foi para lá que ele teria levado a menina Araceli após sequestrar para drogar e matar juntamente com o companheiro desse crime. Consta que, muito cheios de cocaína, os dois teriam acabado de assassinar a menina devorando partes de seu corpo com mordidas. O corpo teria sido colocado no freezer do bar junto do cervejas e outras bebidas. 

Tratava-se de uma garota de 8 anos, mas muito desenvolvida, perto de completar 9. E bem bonita. Isso pode ter atraído a dupla de assassinos que a encontrou ou recebeu drogas como "encomenda" da mãe dela diante do Bar Oásis depois que ela saiu da Escola São Pedro, na Praia do Suá, onde estudava. Uma escola que não existe mais e que foi roteiro para o crime. Fui lá duas vezes em busca de informações para noticiário. Ninguém falava nada!    

Muita coisa que envolveu a morte da menina Araceli ficou encoberta. A Polícia embaralhou os fatos porque, afinal de contas, os acusados eram gente poderosa. Ficaram dúvidas. Dona Lola Sancres Crespo, a mãe da menina, fazia dela um "avião" para entregar drogas vindas da Bolívia, de onde era? A mulher enlouqueceu com o crime. Um dia invadiu o jornal A Gazeta de exemplar em punho aos gritos de "minha filha está viva", e para esfregá-lo na cara de um "jornalista qualquer essa 'mierda' da jornal". Fez isso no rosto de um funcionário do Departamento Financeiro, coitado, que não entendeu nada de nada.

Minha avó Almerinda, que morava na Rua Francisco Araújo, atrás do Palácio Anchieta, nunca mais foi ao Magazin. Aquilo virou loja de criminoso! E aos poucos o noticiário sobre o assunto foi arrefecendo depois de confirmada a morte da menina e o esgotamento do interesse público sobre o assunto. Era o que as duas famílias queriam. Paulinho e Dantinho passaram pouco tempo presos. A culpa da dupla jamais foi provada sem questionamentos. Em pouco tempo o Magazin entrou em decadência e fechou. O prédio do Franciscano foi derrubado e nunca mais se falou nele. Hoje o "Caso Araceli" é uma lembrança distante e mantida principalmente por causa de dois livros escritos sobre assunto.

O corpo de Dantinho, encontrado queimado e decapitado no sítio semi-abandonado de Guarapari teria movido mundos e fundos na década de 1970, se voltássemos no tempo. Afinal, a Agência Folhas Interior-Estados, que era quem me pagava, não representava apenas a Folha de S. Paulo, mas sim os então sete jornais do grupo empresarial da poderosa e apoiadora da ditadura família Frias, um dos quais era Notícias Populares, que cheirava a sangue e para onde foram mandadas e publicadas quase todas as matérias que fiz. Mundo cão!   

4 de fevereiro de 2026

O silêncio protege o crime

 

O silêncio sempre protegeu a desfaçatez no Brasil. Hoje, como antes e provavelmente como será amanhã, o Congresso Nacional usa a arma - ou seria um artifício? - do silêncio para ocultar suas intenções que quase nunca são claras. Assim foi aprovado um aumento para os servidores do Legislativo que em muito ultrapassa o razoável. E o das pessoas "comuns". Assim deve ser sepultada a ideia de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master, cujas consequências podem nos atingir a todos. Tudo foi decidido sem que o brasileiro comum soubesse de nada. Em poucos minutos... Até quando irá isso?

Os parlamentares, sobretudo federais, se revoltam sempre que parte da população se insurge contra o que acontece e grita esse slogam: "Congresso inimigo do povo", o da foto acima. Mas ele reflete o pensamento de grande parcela da sociedade. Hoje mesmo, pela manhã, vi de passagem uma entrevista de um deputado federal do Espírito Santo, Evair de Melo, e no qual ele dizia que o aumento dos servidores do Legislativo só passou porque a oposição "é minoria". O quê? Como? E o máximo que a apresentadora da TV Gazeta fez foi dizer que Melo havia sido o único capixaba que tinha aceitado dar entrevista. É o critério? Trabalhei lá por 27 anos e sei como a empresa funciona, sobretudo depois da morte de Cariê Lindenberg e de jornalistas de coragem saíarem de lá. Antônio Carlos Leite, Kaká, foi o último deles.

Antes de tudo isso acontecer, na cerimônia do início do ano legislativo na qual houve até tiro de canhão, o presidente da Câmara defendeu as emendas parlamentares, hoje uma forma descarada de desvio de dinheiro público. Até aqui no Espírito Santo há uma delas em tramitação e na qual a Academia Espírito-santense de Letras (AEL) pretende receber um total de R$ 1,8 milhão para uma obra incialmente orçada em cerca de R$ 400 mil. Há uma omissão imensa em torno do assunto e ninguém se ruboriza ao comentá-lo - até porque o silêncio cerca tudo - nem de vergonha nem de raiva. Encaminhei esse caso ao MP estadual.

O silêncio protege o crime. Hoje e como sempre aconteceu. A esperança é a de que os brasileiros acordem. Todos eles, como é o caso do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que deve explicações a todos nós por seus atos incomuns como relator do caso do Banco Master. Mas essa é a esperança menor. A maior diz respeito às eleições que se aproximam. Ou o brasileiro aprende minimamente a votar em outubro ou o Brasil vai enfrentar tempos ainda mais difíceis, muito danosos, nos próximos quatro anos.

O senador Flávio Bolsonaro articula ser presidente da República com o apoio do presidiário-pai que manipula política menor de dentro da penitenciária. Só no Brasil isso acontece! Esses cidadãos, bem como toda a extrema direita brasileira, jamais falam de educação, saúde, transporte, geração de empregos, mobilidade urbana, segurança pública feita dentro das leis, sanemento básico, nada disso. Só atacam, sabotam, mentem de forma descarada e usam as redes sociais para gerar o ódio e a interteza. O golpismo não morreu. Ele está vivo e à espreita!   

27 de janeiro de 2026

Tempos cruéis e os insensatos

"Chegou a época dos predadores", diz Giuliano Da Empoli sobre os tempos mais recentes, esses que se vive depois do retorno de Donald Trump à Casa Branca. Hoje, para os novos fascistas não existe mais multilateralismo, organizações supranacionais - como a ONU -, nada disso. Vale a lei do mais forte, a daquele que pode enviar uma determinação da Casa Branca ao mar e destinar a determinado território do mundo um dos porta-aviões nucleares que os Estados Unidos possuem. Para o professor da Universidade Autônoma de Barcelona, Steven Forti, lembrado num brilhante artigo intitulado "Novo Mapa Geopolítico", de autoria de nosso Frei Beto, foi inaugurada uma nova era. Volta à cena o mundo de ontem.

Por si só esse fato deveria ser motivo para reflexões, discussões sérias e busca de saídas que permitam ao mundo outrora chamado "livre" continuar sua trajetória num planeta terra onde as leis internacionais e as fronteiras entre países não são mais respeitadas todos os dias. Mas não. Somos obrigados a ver diariamente, ao vivo e a cores pela TV, um imbecil de nome Nikolas Ferreira, cercado por muitos outros de igual falta de nível, desfilar por rodovia à frente de uma espécie de passeata sem sentido e que termina em Brasília onde uma chuva torrencial quase provoca tragédia quando uma descarga elétrica atinge a nau dos insensatos (foto).

Criança, morando em São Paulo, recordo-me de um dia em que a garotada foi chamada para assistir a uma palestra de autoridades sobre clima. Havia ameaça de chuva forte em terras paulistas e lá esses riscos devem ser levados a sério. No Ipê Clube fomos orientados a, durante tempestade, nos afastarmos de postes, outras elevadações, cercas ou proteções de metal, enfim, qualquer objeto que pudesse atrair as desgargas elétricas conhecidas como raios. Nunca me esqueci daquilo. Mas não os idiotas que Nikolas capitaneava. E o tempo rugiu!

Nem de longe esse rugido se compara ao que estamos vivendo no plano internacional. Mas preocupa ver cerca de 18 mil pessoas - segundo estimativas - reunidas debaixo de temporal para protestar contra a prisão de um ex-presidente criminoso que tentou dar um golpe de Estado e buscando mais uma vez fazerem acampamentos de protesto, agora em frente à penitenciária de Brasília, onde está o energúmeno. Felizmente foram contidos.

Felizmente também ontem o presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ficou cerca de 50 minutos ao telefone com Trump. Diplomaticamente, falando de Palestina, Venezuela e talvez de outros assuntos. Diplomaticamente, debatendo um com psicopata sobre política internacional e, ao final disso, marcando um encontro entre ambos a Casa Branca. Vai dar resultado? Talvez não porque as razões subterrâneas e subalternas que movem a política internacional atual são difíceis de serem removidas. Mas essa - o diálogo e a tentativa de convencimento - é a única forma civilizada de isso ser tentado.

Ao mesmo tempo em que esse diálogo acontecia, numa região da Papuda cercada de restrições e atividade policial, o deputado movia sua nau dos insensatos. Eles nunca falam de saúde - e os feridos pelos raio foram atendidos pelo SUS -, educação, meio ambiente, infraestrutura, segurança pública - sem assassinatos -, pleno emperego, nada disso. Querem anistia para tentar o golpe outra vez. Perseguem a continuação desses tempos cruéis em todo o mundo porque aqui podem levar seus projetos (sic!) ao gado que os apoia e buscar um meio de voltar ao poder para mais uma vez usá-lo em benefício das elites que os sustentam.

É o que sabem fazer.            

23 de janeiro de 2026

O terror americano

Segundo foi noticiado, esse garotinho da foto acima, cinco anos de idade, filho de equatorianos, saia da escola e tencionava ir para casa. Foi detido por agentes do ICE, a polícia nazista anti-imigração dos Estados Unidos e levado para um Centro de Detenção no Texas. E notem que ele foi preso em Minnesota, bem longe. E não foi o único. No mesmo dia mais três crianças foram detidas por serem parentes de imigrantes, embora seus pais, como é o caso do genitor do gatotinho, estejam nos EUA vivendo legalmente.

Ontem mesmo a ONU reagiu a isso. O Alto Comissário para Direitos Humanos, Volker Türk, chamou a atuação contra imigrantes de "desumanização" e pediu que o governo Trump "respeite a dignidade humana e o direito ao devido processo legal", denunciando a forma desumanizadora e o tratamento indigno dado pelos órgãos policiais e imigrantes e refugiados. Foi mais além: "Indivíduos estão sendo vigiados e detidos, às vezes violentamente, inclusive em hospitais, igrejas, mesquitas, tribunais, escolas e até mesmo em suas próprias casas, sob meras suspeitas de serem imigrantes indocumentados. Crianças estão perdendo aulas e consultas pediátricas às vezes por medo de nunca mais voltarem a ver seus pais". Esse é o sonho americano tornado pesadelo!

O menino da foto havia completado cinco anos. No rosto dele estão visíveis o susto e o desespero. Hoje está numa prisão, nome que se dá a esses Centros de Detenção. Com medo, deve estar procurando a mãe e o pai, sem entender o que aconteceu a eles. Esse trauma o menino vai carregar pelo resto da vida, e isso se sobreviver porque até hoje 36 pessoas foram mortas pelo ICE, em todos os casos com violência. Um cubano refugiado e que estava morando nos EUA foi assassinado por asfixia. "Estava sendo contido", diz o ICE.

O sonho americano acabou já faz muito tempo. Hoje o que existe é o terror. Quem chega lá para viver e trabalhar, além de não conseguir legalizar sua situação ainda tem que realizar trabalhos braçais para permanecer naquele país, e com medo de o ICE bater à porta de repente. Há casos de pessoas que comparecem à Justiça para legalizar a situação e são presas ao saírem dos tribunais. Ninguém tem sossego mais e os imigrantes evitam até mesmo falar em inglês para não serem traídos pelo sotaque. É um risco!

O lugar de a gente morar é na nossa casa. Aqui, mesmo com todas as falhas, o Brasil oferece tratamento pelo SUS, Bolsa Família, ingresso em universidades públicas - o que estão tentando impedir em Santa Catarina - Minha Casa Minha Vida e diversos outros programas que têm por foco oferecer dignidade ao cidadão mais pobre. O Equador não é o fim do mundo e o nascido lá deveria permenecer no país para construir uma nação capaz de abrigar a todos. Isso se presta também a outros países, mesmo os reconhecidamente pobres. Ou então governados por déspotas como é o caso de El Salvador.

A gente vive com a certeza de que esses tempos hão de passar. Em um futuro bem próxmo terminará o mandato de Trump nos EUA e a paciência dos salvadorenhos em El Salvador. No mundo que se aproxima não haverá mais lugar para extremismos de direita, para nazifascismo disfarçado de democracia e nem nada parecido com isso. O quadro de hoje, mostrado no Furum de Davos onde o presidente ianque apresentou ao mundo seu mais novo delírio, será reescrito em breve. Espero viver para ver isso acontecer.   

20 de janeiro de 2026

Uma ONU para Trump? Chega!

 


Imagino que deva estar sendo muito difícil para o atual governo brasileiro responder ao "convite" dos Estados Unidos de fazer parte do tal Conselho da Paz que, na verdade, é a destruição da ONU pelo presidente Donald Trump e sua substituição por um fantoche sob sua única e exclusiva guarda e em atendimento a projetos dele em sociedade com o sionismo de Israel. É uma ONU só de Trump! Na prática, a paz defendida por esse mandatário psicopata pode ser vista na foto acima:  pouco sobrou da Faixa de Gaza depois de iniciado o genocídio do povo palestino sob o comando de Benjamin Netanyahu.

Como esse homem vê Gaza? Da mesma forma como a Venezuela: uma oportunidade de negócios. Grande negócios! O líder dos EUA, colocado na Casa Branca pela segunda vez, jamais em toda a sua vida se importou com democracia, liberdades individuais, direitos humanos ou meio ambiente. Dane-se tudo isso. Não fosse assim e ele não estaria lado a lado com o chefe de Estado da Arábia Saudita que controla seu país com punhos de ferro e mandou matar, esquartejar e desaparecer com o corpo de um jornalista seu opositor.

A Arábia Saudita é boa para os negócios! Da Venezuela Trump quer logo de saída 50 mihões de barris de petróleo. Mas vai querer muito mais. De Gaza ele já disse mais de uma vez sonhar com um resort de luxo onde seu genro saberá usufruir das chances de mais enriquecimento. E não é preciso ser inteligente para perceber que não haverá lugar para os palestimos nesse éden do futuro. Os que sobreviverem ao massacre serão expulsos de lá, não importando para onde.

Já Cuba, Trump pretende destruir porque ela representa um símbolo de resistência. Faz seis décadas sobrevive ao bloqueio dos Estados Unidos sob os mais diversos governos deles e com muita pressão em todos os sentidos. E isso na costa americana! O topete loiro não aceita tal coisa e, por saber o que terá pela frente, o presidente cubano Dias Canel já foi obrigado a colocar seu país em estado de guerra. Uma nação que nunca representou perigo militar para os ianques!

A Groenlândia é outro caso de psicopatia clara. Ele quer porque quer anexar a ilha aos Estados Unidos. Em linguagem clara, pretende tomar à força e contra o desejo de seus habitantes um Estado associado ao Reino da Dinamarca. Para quê? Pelo petróleo que existe lá, pelos minerais estratégicos e outras riquezas. China e Rússia jamais invadiram a ilha e não parecem dispostos a isso. Ao menos nenhum movimento é feito nesse sentido. A China, por sinal, não participa de guerras desde sua consolidação como Estado.

Vejam como as coisas se agravam: sob o comando do ministro fascista de segurança Itamar Ben-Gvir, Israel demoliu ontem a sede da Agência da ONU para Refugiados Palestinos em Jerusalém Oriental, substituindo a bandeira do órgão por uma de seu país. A presidência rotativa pertence ao Brasil. Em Paris, uma juíza francesa que atuava no caso Marine Le Pen foi ameaçada por emissários dos EUA de ser incluída na Lei Magnistsky caso não reduzisse a pressão sobre a acusada. O presidente dos EUA usou mais uma vez sua ridícula rede social para atacar os europeus, fazer ameaças envolvendo a Groenlândia e usar uma foto da Venezuela e outra do Canadá como possessões dos Estados Unidos.

É hora de dizer chega! O mundo tem que enfrentar esse Hitler do Século XXI. 

19 de janeiro de 2026

Conselho de que paz?

 
Em mais uma demonstração de que vive fora da realidade, o presidente dos Estados Unidos anunciou um tal de Conselho da Paz e para este convidou várias personalidades mundiais que ocupam cargos de comando em diversas regiões, dentre as quais o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. O convite foi entregue à embaixada brasileira em Washington, encaminhada ao Itamarati e este pediu informações complementares aos EUA antes de uma resposta oficial. Mas isso é um cilada e não devemos participar dela de forma alguma. De que paz estamos falando? Será por acaso da paz dos cemitérios?

O Conselho é genérico e não diz especificamente que cuidará da causa dos palestinos, o povo que está sendo masssacrado pelo sionismo internacional como mostra a foto acima. Os membros terão mandato de três anos a menos que doem um bilhão de dólares para a "causa". E só o presidente dos Estados Unidos terá direito de veto! Essa anomalia diplomática exclui os palestinos do grupo decisório e, pior de tudo, faz de conta que a ONU não existe. O Brasil, é sempre bom lembrar, defende o multilateralismo e a Organização das Nações Unidas. Por trás dessa mais nova criação de Trump está o desejo de ele dominar o mundo.

É bom lembrar que a ONU surgiu das cinzas da II Guerra Mundial substitundo a Liga das Nações, a primeira organização intergovernamental criada para promover a cooperação e alcançar a paz internacional, isso em 1919, e que deixou de existir por não ter sido capaz de evitar a II Grande Guerra. Mas essa segunda organização vem sendo desrespeitada em todos os sentidos e sofre de males como o poder de veto que até hoje é mantido como privilégio dos vencedores do conflito provocado pelo nazifascismo e encerrado faz 80 anos. E é o renascimento desse pensamento político racista que mais uma vez nos assombra.   

Trump age sem pensar no fato de que dentro de três anos não será mais presidente. Provavelmente voltará a comparecer a audiências na Justiça de seu país como réu. Vive num mundo onde pode invadir países, sequestrar presidentes dos quais não gosta, considerar uma outra nação como um estado norte-americano e, pior do que isso, determinar que todos aqueles que discordam dele têm que pagar tarifas aos EUA. Quer porque quer ser dono da Groenlândia, a maior ilha do mundo e que vivia em paz até ele ser eleito. Trump é uma anomalia como ser humano e um psicopata perigoso ao comando da maior máquina de guerra dos tempos atuais. Mas, também, de um império em decadência.

É o fato de ele saber que os tempos áureos ianques passaram que o faz querer usar da força como argumento. E tentar dobrar todos à sua vontade. A Europa cometeu um erro ao se deixar levar pelas asas dos Estados Unidos, sob as quais aceitou ficar considerando a OTAN como uma salvaguarda sem restrições ao "expansionismo soviético". Não era e não é. A dissolução da União Soviética poderia ter servido para que esse órgão perdesse importância e um realinhamento fosse tentado. Não foi. A distância continuou mantida em relação aos russos e o resultado é esse.

Nas últimas décadas depois do final da II Guerra Mundial, em 1945, os EUA fracassaram em todos os conflitos nos quais se envolveram ou provocaram. O exemplo mais candente ainda é a guerra do Vietnã, mas há outros. Em todos os casos, além de serem militarmente derrotadas, as forças armadas norte-americanas deixaram um rastro de destruição atrás de si e nações em frangalhos. O caso do Iraque salta aos olhos. De forma indecentemente mentirosa os ianques invadiram o país alegando que este possuía armas de destruição em massa. Arrasaram tudo, uma das regiões mais antigas da cultura humana, e fizeram com que os danos de sua passagem perdurassem até os dias atuais em quase toda a região.

Trump talvez seja mais nefasto ao planeta do que Hitler. Possivelmente guarda mais ódio em seu microcérebro do que Netanyahu. E deve deixar como herança sua um imenso rastro de destruição quando sair do poder ou este o abandonar. Tem que ser detido e, ao que parece, isso vai caber aos próprios norte-americanos. De nossa parte seria oportuno não pisar no pântano. Mas essa decisão cabe a Lula e ele deve estar considerando muitos fatores.

16 de janeiro de 2026

O "imperador" e a "presidente"

 

Se algum dia alguém me pedir uma imagem perfeita, pronta e acabada da indignidade humana, eu mando a essa pessoa a foto aí acima. Foi tirada ontem na Casa Branca durante o almoço que o "imperador" Trump ofereceu à "presidente" Maria Corina. Juntos e quase colados estavam o psicopata e a capacho, num encontro para o qual ela sequer foi recebida pelo chefe de Estado na entrada principal. Ingressou na Casa Branca por um acesso lateral e nem lá foi esperada à porta, como manda o protocolo ao menos da boa educação.

Maria Corina é parte da estrutura do golpe que levou à deposição por prisão e sequestro do presidente Nicolás Maduro, e isso é de conhecimento geral. Foi um golpe de Estado magnificamente bem organizado e os Estados Unidos são professores doutores no assunto. Surpreendentemente, boa parcela do regime venezuelano fez parte da trama por participação ou omissão. Para nossa sorte o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje ocupante de um "apartamento" na Papudinha, não fez o curso. Deixou de aprender o básico da matéria.

Quem estuda isso com interesse, vê que há "coincidências" grandes entre o atual presidente dos EUA e o antigo ditador nazista Adolf Hitler, morto em 1945. No caso deste, ele começou sua busca por "espaço vital" ou "Lebensraum" com a tomada da Renânia, que os alemães estavam probidos de ocupar por causa do Tratado de Versalhes, ao final da Primeira Guerra Mundial. Depois anexou a Áustria, recebido quase com tapete vermelho, os sudetos, que eram parte da Tchecslováquia, Boêmia e Morávia. Somente quando foi invadida a Polônia os europeus acordaram e Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha.

Trump chama suas pretensões de "segurança nacional", o mesmo axioma que ditaduras como a do Brasil usaram no passado. Atacou a Venezuela para tirar um ditador de lá quando na verdade queria e quer o petróleo; chegou a chamar o primeiro ministro canadense de "governador" porque imagina aquele país como o 51º estado norte-americano e agora volta seus olhos para a Groenlândia, que já se disse disposto a atacar militarmente para evitar que ela seja "ocupada" por Rússia e China. Talvez os contrapesos existentes nos tempos modernos freiem esse indivíduo. Senão teremos uma terceira gerra mundial às nossas portas. Como outros presidentes americanos, esse também tem fixação por Cuba. Freud explica? 

Existem poucas diferenças entre Hitler e Trump além do bigodinho do primeiro e a cabeleira loura do segundo. Na raiz dos pensamentos de ambos está a beligerância, a mentira e a falta de qualquer tipo de decência. Tanto que o presidente norte-americano se acha digno do Prêmio Nobel da Paz e pretende continuar a lutar por ele. Pior de tudo, tem chance de conseguir isso pois, afinal de contas, é tratado como líder mundial apesar dos pesares. Isso faz parte de uma farsa, espécie de teatro do absurdo que resiste aos tempos e se retroalimenta graças à passividade com que o mundo acompanha as loucuras trumpistas atuais.

E ao que tudo indica o narcisismo maligno, transtorno de personalidade antissocial e declínio cognitivo de Trump, todos já diagnosticados por estudiosos que o têm como foco, atingiram mais pessoas de sua proximidade. A última, a porta voz Caroline Leavitt deu um show pitiático contra um jornalista credenciado na Casa Branca que a questionou sobre o assssinato de uma americana pelo ICE. Chamou o homem de esquerdista, falso profissional e, dentre outras coisas, disse que ele não poderia continuar ali.

Sempre a mesma receita.