27 de maio de 2026

Sim, eu sou um vagabundo!

Sim, a exemplo dos professores e outros profissionais citados pela escória da extrema direita política que luta contra o fim da escala 6X1 do trabalho no Brasil, eu também sou um vagabundo. Afinal, ao contrário dos políticos de Brasília arregimentados à custa de muito dinheiro empresarial para votar contra a proposta da redução dessa carga horária e que continuam a trabalhar em Brasíla às terças, quartas e quintas-feiras ganhando muitas vezes mais do que os trabalhadores de outras atividades, sobretudo os celetistas, quero escala de  trabalho 5X2. E luto por isso para toda a gente, pois já passou a hora de acontecer.

Conto uma história, a minha: sou jornalista profissional e durante 27 anos trabalhei no Jornal A Gazeta antes de ele ser destruído por administrações catastróficas e seguidas. Começaram com a importação de São Paulo de profissionais voltados ao lucro e trazidos para cá por Plínio Marchini, misto de jornalista e publicitário (isso nunca dá certo!), amigo do poder e dos cifrões. Com a morte do jornalista Paulo Eduardo Torre ele trouxe para Vitória profissionais de São Paulo e que dirigiriam a antiga empresa da rua General Osório depois do afastamento de Cariê Lindenberg e sua substituição por Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Neto, o Café, que nunca, jamais entendeu nadinha de jornalismo.

Paulo Torre marcou o fim de uma era de A Gazeta dirigida por jornalistas competentes, cada um à sua época, como Cláudio Bueno Rocha, Rogério Medeiros, Jackson Lima, Marien Calixree, Nilo Martins e Antônio Carlos Leite, estes antes de o citado na abertura do parágrafo. Depois deles e com a escalação de Café, a empresa da agora Rua Chafic Murad ou Cariê Lidenberg, despencou. E ladeira abaixo ela terminou por extinguir o jornal impresso. Um atestado de óbito. E por que deu errado com os paulistas?

Jornal é produto essencialmente regional, com raízes onde nasceu, cresceu e se tornou referência de qualidade e credibilidade. Então ou quem o dirige incorpora os valores cuturais do lugar onde está, mesmo tendo nascido lua, ou mata sua galihha dos ovos de ouro. Foi o que aconteceu com aquela gente escondida em hotel e com saudades de São Paulo.

Mas eu queria chegar ao ponto de agora: durante boa parte desses 27 anos fui Editor de Esportes de A Gazeta, isso de 1972 a 1998. E esporte tem todos os dias... O resultado foi que o vagabundo aqui tinha um domingo de folga por mês, folgava alguns sábados e, ao longo dos muitos anos essa escala de trabalho cruel torpedeou seu casamento, o relacionamento com as filhas e até mesmo a tranquilidade pessoal. Fazer o que, se foi minha escolha e de todos os demais jornalistas faziam escala 6X1 sem questionar nada, sobretudo na época da ditadura? Muitos morreram precocemente, do coração, como foi o caso de Paulo Torre.

Sim, o esporte continua todos os dias, mas com o fim dessa escala os empresários de comunicação terão de investir em mais profissionais, reformular as escalas de trabalho, fazer empresas mais humanas e voltadas às pessoas e redefinir alguns conceitos. Isso é possível, as soluções existem e agora serão implementadas. Perder dinheiro e desfazer seus negócios eles não vão. E assim como na comunicação, os empresários dos demais setores farão o mesmo. Inclusive os do tal agro, que combatem o governo atual, o "comunismo" de cada esquina da vida, mas não deixam de viver principalmente de dinheiro público com suas existências de nababos apaixonados pelas generosas tetas da "viuva"!

No Congresso, os à venda já foram comprados e fizeram o discurso do empresariado. Do mercado! Em alguns meios de comunicação ainda resistentes à ideia de menos jornalistas morrerem do coração, planos estão sendo refeitos. Com muita má vontade, mas estão. Eles tentaram de tudo para evitar o fim da escala 6X1, mas vão morrer na praia. Isso porque a pressão popular, quando coloca em risco as reeleições sobretudo das dinastias parlamentares, faz com que estas fiquem mais "maleáveis". O pior já passou, mas ainda é preciso estar atento e forte. Não podemos temer a morte. Senão ela chega.

Acreditem no vagaundo que quase se matou de tanto trabalhar: a escala 6X1 vai acabar.

22 de maio de 2026

As madrugadas do Congresso

Nas madrugadas de Brasília os ratos saem dos esgotos. Nas madrugadas do Congresso eles, os políticos, se reúnem quando a maioria das pessoas estão dormindo e votam contra os interesses da população que os elegeu. Assim foi com o Projeto de Lei (PL) da Dosimetria na Câmara dos Deputados, concluída a toque de caixa às 2h26m da madrugada. Também se estenderam noite adentro as pautas polêmicas e inconstitucionais como a que flexibilizou recentemente o licenciamento ambiental ou a manutenção do mandato da então deputada Carla Zambelli, hoje presa na Itália. Nas madrugadas alguns perdem a vergonha!

Quando as madrugadas precisam ser ainda mais "discretas", pode-se usar a votação simbólica, pois assim os votos individuais não poderão ser computados com os nomes dos votantes, o que seria impossível com o voto nominal. E a votação secreta só pode ser usada - ao menos teoricamente - nas eleições em geral, como para presidente e demais membros da Mesa Diretora. Isso também é um sistema de proteção! Muitas vezes os senhores deputados ou senadores querem manter secretos seus votos contra o interesse público. Afinal, se já existe até mesmo orçamento secreto com o uso do meu, do seu, do nosso dinheiro, por que não haveria também essa forma de eu me esconder no anonimato na hora de votar?

Mas às vezes é diferente. Usa-se o dia claro, com a luz do sol no exterior dos prédios do Congresso para votar contra o povo marcando posição em direção a determimados grupamentos políticos. Como a extrema direita. Ou os evangélicos neopentecostais. Ou a bancada da bala. Ou os ruralistas. Ou quem quer que interesse a determinado político surgir como apoiador. Afinal, partido político hoje é só um incômodo! Foi assim, por exemplo, numa das votações referentes ao fim da escala de trabalho 6X1, quando quatro parlamentares capixabas, Amaro Neto (PP), da Vitória (PP), Evair de Mello (Republicanos) e Messias Donato (União Brasil) engrossaram o coro daqueles que se uniram à parcela mesquinha do patronato para tentar barrar ou descaracterizar totalmente esse projeto de lei.

O argumento é o de que a adoção da escala 5X2 e a semana laboral de 36 horas vai prejudicar a economia, provocar desemprego e outras coisas mais. Foi assim quando começou a ser discutido o fim da escravidão e a adoção do 13º salário, por exemplo. Em todos, rigorosamente todos os casos o patronato tenta defender seus privilégios e o poder de manter o trabalhador na cangalha para melhor manobrá-lo nas rédeas curtas. E um dos argumentos de quem é contrário à nova escala é o de que o empregado deve "negociar" com o patrão. A negociação geralmente é rápida: "Ou você aceita isso ou está demitido!"

Aqui no Brasil mesmo, uma parcela do patronato já usa a escala 5X2. Em grande parte dos países essa forma de labor está consagrada. E em todos os casos sabe-se que um regime de trabalho capaz de permitir ao empregado mais descanso e convívio familiar aumenta a produtividade e o interesse pela ascenção profissional. Impactos iniciais de uma decisão como essa, e em pequenos setores da economia, logo serão absorvidos. Sempre foi assim.

Mesmo o "mercado", essa reunião de multimilionários que comandam  economia e interferem em tudo na vida econômica do País, vai acabar se adaptando. Os donos do dinheiro nem mesmo estão interessados no que é constitucional ou não. Como a maioria dos políticos. Esse grupo poderoso reage, chama para um almoço, exerce pressão até mesmo sobre o Banco Central, compra parlamentares ou outros à venda em Brasília, mas sempre capitula quando a derrota é certa. São alguns dos camaleões do dia-a-dia nacional.

Nas madrugadas de Brasília os ratos saem dos esgotos. Nas madrugadas de Brasília os políticos se reúnem durante o sono da imensa maioria das pessoas comuns. Nos dias de sol (ou chuva, não importa) esses mesmos políticos enviam mensagens não cifradas aos seus grupos de interesse. Mas em outubro, no dia de sol ou chuva das eleições gerais vai ser a hora de a população responder a eles. É preciso não esquecer ao menos os quatro nomes citados aqui.       


  

18 de maio de 2026

O "gangsternaro"

Ao que parece não há limites para a gang dos Bolsonaro no Brasil de hoje. Um esquema de gangsterismo que pode ser chamado, sem que a gente tenha o menor medo de errar, de "gangsternaro", a união entre essas duas palavras, está em curso tendo o tal filme Dark Horse como pano de fundo. A investigação desse caso que, como era imevitável envolve emendas parlamentares, foi entregue ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino e ele vai ter muito trabalho cavar o lodaçal onde se esconde o esquema que a extrema direita do Brasil quer usar para ver se volta ao poder de nossa República.

Nunca houve nada mais fétido do que o mar de lama onde está metida toda a família Bolsonaro e seu entorno criminoso. Até mesmo um filme que pretende contar a história do ex-presidente, indivíduo hoje condenado a mais de 27 anos de prisão, está sendo usado para roubar ou lavar dinheiro privado e público via Banco Master, com Daniel Vorcaro e emendas parlamentares que a fina flor do extremismo de direita da política nacional envia para os diversos endereços ligados aos esquemas criminosos bolsonaristas para inflar as contas bancárias e outros tipos de aplicações financeiras que esses gangsters movimentam. O filme em si, que deve ser um horror em termos de mediocridade e informações falsas, não deve ter consumido sequer uma pequena fração do numerário arrecadado e que pode ser visto na arte acima, feita a partir das investigações de The Intercept Brasil.

O esquema é de ruborizar até gente como Fernandinho Beira Mar! Vamos aos fatos: contratos revelam que a Go Up, responsável pelo filme  dos Bolsonaro, pode ser uma empresa laranja porque tem endereço onde funciona a emissora Jovem Pan (êpa!). As sedes estão registradas no mesmo endereço (ôpa!). O fundo que administrou o dinheiro de Vorcaro comprou a casa no mesmo lugar onde vive o conhecido Bananinha em nome de terceiros! Os 134 milhões que o "banqueiro" Vorcaro deu aos Bolsonaro é muito mais do que o triplo do gasto em produções como "Ainda estou aqui" (custou R$ 45 milhões), "O agente secreto" (R$ 28 milhões), Chatô, o rei do Brasil" (R$ 25/30 milhões) e "Tropa de elite 2" (R$ 25 milhões), para ficarmos só nesses exemplos. Isso é assalto a mão armada!

Embora esse Dark Horse esteja sendo annciado como uma superprodução de Hollyhood, os atores são gente terceira linha, ninguém conhece os produtores e até hoje não foi noticiado nada sobre esse filmeco por lá. Atores que atuaram como figurantes no Brasil alegam que não foram pagos ou receberam migalhas por seus trabalhos. Já houve denúncia a órgãos de classe dos atores por aqui. Nenhuma reclamação foi atendida, sobretudo por Carlos Bolsonaro. É o fim da picada!

E só para terminar, hoje foi denunciado no Legislativo que o presidente da Câmara, Hugo Motta, pediu um dinheirão ao dono do Banco Master para seu pai. Davi Alcolumbre não quer CPMI porque sabe que ela o alcança no Acre e a muita gente de Brasília. Por lá, pela extrema direita política brasileira, só não usou dinheiro sujo desse escâdalo quem não teve oportunidade. Por isso o PL hoje se reúne com Flávio Bolsonaro para discutir a questão. Consta que o preso Jair Bolsonaro já determinou que o filho vá até o fim na campanha política pela presidência da República, pois perder é melhor do que não concorrer. O nome da quadrilha tem que continuar nas mídias para manter o gado arregimentado.

Quem tiver estômago deve ver até o fim o filme real!

15 de maio de 2026

Política e crime organizado


Hoje a Polícia Federal ocupou a porta do prédio onde mora o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, logo às seis horas da manhã (foto). Bem cedinho! Era mais uma ação contra o crime organizado que, não por coincidência, opera junto a nove dentre dez membros da extrema direita política do Brasil. E quem é esse político visado? Ele tem cara de bandido, fala de bandido, jeito de bandido e postura de bandido. Portanto, fica difícil acreditar que seja uma pessoa honesta. Felizmente não pode se candidatar mais ao Senado.

Infelizmente, e é preciso reconhecer isso, hoje o crime organizado e a política andam de mãos dadas. Juntinhos como marido e mulher apaixonados, tamanha é a quantidade de criminosos habitando o Parlamento do Brasil desde a esfera municipal à federal. Conheci pessoalmente, pois lidava com jornalismo e esporte, o bicheiro José Carlos Gratz. Ele era dirigente do Rio Branco além de deputado estadual. E filiado ao PFL (Partido da Frente Liberal) e, depois de cassado, tentou retornar à vida legislativa pelo PSL (Partido da Frente Liberal). Perto dos políticos de hoje era quase um seminarista... Caiu porque teve um acesso fonético dos mais sérios e reagiu a uma ordem judicial com um grito de "Eu tenho e força!" Não tinha e foi parar na prisão apesar de todo o seu ar de moço bom.

No Rio de Janeiro, TODOS os governadores eleitos nos últimos 30 anos acabaram sendo presos. Posso destacar Luiz Fernando Pezão (2014-2018), Sérgio Cabral (2007-2014), Rosinha Garotinho (2003-2007), Athony Garotinho (1999-2002) e Wilson Witzel (eleito em 2018 e cassado). Para não nos cansarmos, paro por aqui. Witzel é autor da célebre declaração de que iria dar "um tiro no coco" de todos os criminosos de seu Estado. Menos no dele, claro. Cláudio Castro, que renunciou para não ser também cassado e mesmo assim está sem direitos políticos, indiretamente matou 122 pessoas, sendo cinco delas policiais e numa mega operação policial na favela da Rocinha, em 2005. Chamou a operação de "sucesso" e os mortos de "opositores nautralizados". Alguns eram inocentes, gente digna e favelada.

Não é só isso. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o deputado TH Jóias está preso. O mesmo acontece com o ex-presidente da mesma ALERJ, Rodrigo Bacellar. Esse último é acusado de vazar informações sigilosas de uma operação policial a TH, o suspeito de integrar o Comando Vermelho. E para quem acusa a esquerda política de envolvimento com o crime, nenhum deles era ou é filiado a partidos desse espectro.

Aqui no Espírito Santo alguns deputados são declaradamente de extrema direita. Um deles, o Capitão Assumção (assim mesmo se escreve) chegou a ser preso. É filiado, e até aí surpresa nenhuma, ao Partido Liberal (PL), a sigla que reúne mais nazifascistas por metro quadrado da história da política do Brasil, dentre os quais o ex-presidente e presidiário Jair Messias Bolsonaro. Muitos outros criminosos também. Gente que, no Legislativo Federal, se "destaca" por xingamentos, ofensas, ocupação de mesas da presidência, controle sobre comissões importantes como a CCJ e para blindar a quadrilha de punições.

Pior de tudo: ainda não há uma luz ao final do túnel. Ontem mesmo o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro foi surpreendido pedindo dinheiro ao preso Daniel Vorcaro para a conclusão do filme "Dark Horse", um termo que em inglês pode ser tradzido como "o azarão", e que pretende contar a hstória, obviamente falsa, de seu pai como um herói para ele. Tudo nessa história de filme é suspeito. Não apenas a narrativa deve ficar a anos luz de distancia da realidade, mas também a trajetória do dinheiro produto de ações criminosas tem tudo para ser, como diz esse candidato, totalmente sigilosa. Em "confidencialidade".

E a culpa nem é so deles; nós os elegemos!

12 de maio de 2026

Sem anistia para golpista

A imagem fotográfica feita através do vidro quebrado de uma das janelas do Palácio do Planalto em 08 de janeiro de 2023 (foto) deveria ser suficiente para convencer qualquer pessoa sensata de que golpistas não podem ser anistiados. Se as penas impostas aos criminosos daquele dia foram pesadas demais, isso é um caso a ser avaliado. Mas membros do Parlamento pretenderem reagir à sustação da votação da dosimetria retirando do esgoto a tal Lei da Anistia é de uma insensatez que beira a loucura e porque até os porteiros do Supremo Tribunal Federal sabem que essa anomalia será dada como inconstitucional.

Vamos analisar a questão por dois atores menores. Um deles, o deputado federal Sóstenes Cavalcanti é pastor, teólogo (assim se apresenta) e membro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, a corrente liderada pelo também dito pastor Silas Malafaia. Não é preciso dizer mais nada. Ele acha "inevitável" a votação da tal anistia e sabe que ela será considerada inconstitucional pelo STF. Sua posição é apenas a aposta no caos institucional.

A outra figura é o senador catatinense Esperidião Amin, 78 anos (Cavalcanti tem 51), um egresso da velha Arena, colaborador da ditadura militar brasileira, saudoso dela e que sempre se aproveitou de posições de extrema direita para renovar mandatos. Hoje no PP, ele jura que quer aprovar a anistia para "pacificar" o Brasil (sic!). Comunga da ideia de que os presos e condenados, sobretudo o ex-presidente Jair Bolsonaro são vítimas de perseguição política implacável e por isso precisam ser anistiados para retornar à vida pública.

A tudo isso se soma a figura de Flávio Nantes Bolsonaro, o "filho pródigo" feito candidato pelo papai presidiário. Vai tentar a presidência da República com as bandeiras de submissão total às políticas dos Estados Unidos, torpedeamento da legislação trabalhista, asfixia da Saúde, tutela da Educação por parte de sua corrente de pensamento e, se possível, privatização do maior número possível de entidades educacionais, o que vai desde educação técnica até as universidades e, como se ainda não bastasse, a privatização de nossas maiores empresas públicas como são os casos da Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e a Petrobrás. Essa última é a cereja do bolo da extrema direita brasileira!

Não é por outro motivo que Flávio foi homenageado em eventos do agronegócio brasileiro recentemente. Os empresários do setor sabem que nunca tiveram tanto dinheiro à sua disposição através do Plano safra e outras sinecuras como ocorre agora no governo Lula. Então por que isso? Simples: porque a eles não interessam apenas as benesses do Estado, mas sim o controle total sobre a economia agrícola e pecuária do Brasil, num governo que poderia privatizar até o Palácio do Planalto caso isso fosse possível ou viável.

Não haverá mais ganho real sobre as correções dos vencimentos, principalmente de quem recebe através da Previdência Social, como é o caso do salário mínimo. Benefício de prestação continuada? Esqueçam. A conta vai cair de novo sobre as camadas mais subalternas da população e é quase certo que, em caso de naufrágio das propostas econômicas de um improvável governo Bolsonaro 2, novamente vejamos filas em frente aos açougues para a disputa de ossos de animais abatidos para o consumo. Os pobres emprenhados pelo canto das sereias extremistas de direita vão ver com quantos paus se faz uma canoa.

E como tragédia pouca é bobagem, o ministro Nunes Marques assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral hoje convidando à solenidade de sua posse dois presos: os ex-presidentes Jair Bolsonaro e Fernando Collor de Mello. É um cartão de visitas como não poderia ser nenhum outro. E mostra explícita sobre de que forma pensam não apenas ele, mas também o ministro André Mendonça. Por que então termos receio de qualquer coisa dar errado e um novo quadro sombrio surgir no horizonte? Se acontecer um "imprevisto", bastará levar a cabo outro projeto de anistia e eles estarão pacificando o Brasil.

Com a paz dos cemitérios!

10 de maio de 2026

A bandeira Ypê

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão do governo encarregado de zelar pela confiabilidade dos produtos colocados à disposição da população, identificou em alguns detergentes da marca Ypê a presença da bactéria Pseudomonas aeroginosa, sobretudo alguns lotes específicos de lava-roupas líquido. O fabricante, a Química Amparo anunciou o recohimento cauteloso e voluntário dos lotes contaminados, o que é procedimento normal. Isso deveria encerrar tudo, mas veio o inacreditável.

Como o fabricante é um conhecido empresário bolsonarista, os seguidores dessa corrente "ideológica" viram na iniciativa um ataque à empresa Amparo. E, a começar pela ex-primeira dama Michele Bolsonaro, iniciaram campanha em favor do consumo da marca, mesmo o dos lotes com contaminação, identificados nas gôndolas dos supermercados com o "1" fechando a numeração. E muitos adotaram esse comportamento claramente irresponsável pedindo a compra dos detergentes. A Anvisa, por sua vez, passou a apenas não recomendar esse uso condenado por medida de precaução.

É o Samba do Crioulo Doido versão eleições presidenciais!

Hoje mesmo o candidato Flávio Bolsonaro foi fazer propaganda eleitoral em Florianópolis, o que é ilegal antes de iniciado o processo de campanha oficial, e vestindo uma camisa onde se lia: "O PIX é do Bolsonaro. O Master é do Lula". Trata-se de uma inverdade deslavada, mas de que importa? E em seus discursos naquela cidade e diante do governador Jorginho Melo proclamou que vai reduzir a maioridade penal para 14 anos e endurecer o combate à corrupção, no que foi seguido pelo senador e ex-juiz Sérgio Moro. Ele só não explicou seus vínculos com o senador Ciro Nogueira e os casos de rachadinhas, compra de imóveis em dinheiro vivo, conluio com milicianos e outros casos de corrupção mais. Todos comprovados! 

Estamos às vésperas de uma campanha ileitoral na qual a verdade será assassinada e sepultada todos os dias, sobretudo nos palanques onde estiverem candidatos da oposição ao governo. E tudo será feito sem o menor pundonor, sem a menor cerimônia. Sérgio Moro, que deixou o governo Bolsonaro onde era ministrao por não aceitar nomeações para a pasta de Justiça de pessoas sem qualifificão moral suficiente, agora vê em Flávio o indivíduo capaz de acabar com toda a corrupção que assola o Brasil e sobre a qual ele e seus iguais acusadores não possuem a menor sombra de prova concreta. E ele era juiz!!!!!

Não será bom o samba desafinado que se avizinha na campanha presidencial. Hoje mesmo os comícios fora de hora, todos eles ilegais, mostraram que não vai haver limite para os ataques, inclusive à democracia. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes votou a ser achincalhado por ter suspendido a dosimetria das penas do criminosos de 2023 porque há recursos pendentes e ainda não julgados. E isso era necessário nesse momento.

Michele Bolosnaro podia beber um vidro de detergente para provar seu amor pela marca do empresário bolsonarista do coração. Isso, sim. seria uma bandeira para quem não tem nenhuma.

30 de abril de 2026

De militâncias e militantes

O plenário do Senado estava superlotado ontem à noite (foto) para a votação da recusa, por parte dos senadores, da indicaçação do jurista Jorge Messias a ministro do Supremo Tribunal Federal. Ao final, para júbilo daqueles que entendem o exercício da política como embate sem limites, a indicação do presidente ao cargo foi rejeitada, coisa que não acontecia desde o final do Século XIX, durante o governo Floriano Peixoto. O placar, o presidente do Senado anunciou à boca pequena antes de ele ser colocado para todos ("vai perder por oito"). Estava encerrada a comédia na qual se transformou o exercício político no Brasil.

Coube ao senador governista Rogério Marinho explicar porque o nome de Messias foi rejeitado. Segundo ele, por ser mais um caso de "militância" do presidente Lula. Mas Marinho é filiado ao PL, o partido dos militantes do bolsonarismo no Legislativo Federal. Não reúne todos porque vários estão espalhados taticamente por legendas como Novo, Republicanos, União, PSD e outros por onde navega a fina flor do reacionarismo político brasileiro. Ora, o que é então essa militância "denunciada" agora por esse senador potiguar?

A militância é a dedicação total, quase exclusiva a uma causa, ideologia ou outro tipo de atuação política visando a mudança da sociedade. Em um ponto a gente tem que ser justo: a oposição visa mudar a sociedade. Mas de que forma? No caso específico dos militantes de Bolsonaro, quer a volta do Estado ao que era antes do governo atual, com todos os seus defeitos. E vai continuar tentando fazer isso por todos os meios possíveis e imagináveis, como houve ontem. Nesse caso, com a participação do presidente da casa, Davi Alcolumbre, um filiado ao União Brasil. Sim, eles precisam se espalhar por diversos partidos...

Se houver necessidade de outra tentativa de golpe, por que não?

O Congresso Nacional de hoje é o pior de todos os tempos. Age visando lucros, quase exclusivamente. A indicação de um ministro do Supremo Tribunal Federal é prerrogativa da Presidência da República e o nome enviado deve ser de alguém com notório saber jurídico e reputação ilibada. Só caberia ao Senado julgar isso. Mas, a começar pelo presidente Alcolumbre, ele se julga no direito de ter um candidato todo seu, de se recusar a receber em gabinete o indicado pelo presidente e também de manobrar nos bastidores para eleger "A", prejudicar "B" e ultrapassar não apenas os limites de seu poder, mas também os da decência.

Durante o governo anterior o ministro André Mendonça sofreu resistências, mas foi aprovado. Os mesmos parlamentares que hoje acusam o governo de militância, militavam em seu nome. A mulher do então presidente, Michele Bolsonaro, comemorou de maneira efusiva a aceitação daquele ministro por ser ele evangélico, e essa não era uma de suas atribuições. Aliás, não é a de ninguém. Atualmente as nomeaçoes, aprovações de leis e tudo o mais passam obrigatoriamente por "bancadas". Existem várias e agora há até mesmo a das bets, e da qual já participam 12 parlamentares, seis deputados federais e seis senadores. Esse câncer de nossa política tende a se espalhar, sem um remédio eficaz que o combata.

E hoje, na ressaca dessa decisão esdrúxula do Senado, identifico um risco: o presidente Lula nomeou algumas pessoas para cargos importantes atendendo a anseios sobretudo de bancadas como a evangélica, e ainda liberou mais verbas para criminosas emendas parlamentares. Se os políticos entenderem que essas indicações de ministros das cortes superiores de Justiça podem ser doravante um bom negócio em termos pecuniários ou de blindagem, aí então, além de termos de dizer adeus definitivamente aos critérios de saber jurídico e vida ilibada, teremos que atender a exigências ainda a sair dos esgotos da política nacional, tipo: "E aquele meu processo, como vai ficar depois?"