19 de agosto de 2026

Efeito rebote jurídico


Os jornalistas profissionais lutaram por muitos anos pela regulamentação da profissão de jornalista e finalmente, em fins da década de 1960 e início da de 1970 houve esse reconhecimento. Mas por pouco tempo. Em 2009 o Supremo Tribunal Federal, (na foto a sede deste sendo lavada) na cauda de cometa de uma campanha que tinha à frente os maiores conglomerados da área no Brasil e sob o falso argumento de defender o direito à livre manifestação do pensamento, 
foi derrubada a obrigatoriedade do diploma de curso superior e do registro ministerial para o exercício da atividade. Votação fácil, por 8 a 1, e que tornou minha profissão um pântano a ser habitado por qualquer tipo de gente, sobretudo e principalmente por aqueles que tinham projetos escusos em mente.
O que conteceu então? Milhares de pessoas obtiveram registro profissional como jornalistas. Os sindicatos de classe, que haviam se fortalecido desde a regulamentação, acabaram vítimas daquele caudal de novos "profissionais" que pretendiam usar o registro em benefício próprio ou de grupelhos, sobretudo políticos. E estes picaretas sem formação intelectual alguma, sem conhecimento da profissão ou ética para seu exercício fizeram do jornalismo um quintal. Só para resumir, durante o governo do presidiário Jair Bolsonaro qualquer coisa perto de 50 jornais ou outros tipos de informativos, a maioria online, foram criados Brasil afora. Entidades estranhas à profissão também. Já citei o caso da AJEB, Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil, que usa o termo desta profissão para benefício próprio. Na seccional do Espírito Santo a diretoria é composta pela fina flor da extrema direita política local.
Tinha que acontecer: um belo dia o imenso número de energúmenos invasores de uma atividade profissional que preza pela dignidade atacou o mesmo STF que a deslegitimou. Foi o efeito rebote jurídico. Em vez do médico, que se caracteriza pelo retorno ou piora intensa de sintomas originais pelo não uso de remédios de um tratamento, veio o ataque solerte contra a instituição defensora da nossa Constituição por parte das quadrilhas que não a respeitam e usam a proteção ao sigilo da fonte como forma de ataque e encobrimento de crimes. De uma hora para a outra viu-se que o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511.961 de 2009 se constituiu em um erro monumental. Regulamentado como deve ser o jornalismo não fere o direito à informação. Muito pelo contrário, ele o protege afastando de seu meio aqueles não profissionais e os que usam ou usariam do exercício da atividade um meio para cometimento de crimes e ataques à democracia.
Agora mesmo um dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que vem sofrendo ataques sobre ataques por suas atividades na corte, teve que falar do assunto e, citando o caso dos antigos rábulas da advocacia, dizer que é chegada a hora de o exercício da atividade jornalística ser reinterpretado para que ele volte a contar com a proteção das leis, mesmo que isso contrarie interesses, confessos ou não, dos grandes donos das redes de Comunicação. Se tal acontecer vai ser muito mais difícil a gente desonesta ameaçar pessoas como o também ministro do STF Flávio Dino. 
E também é chegada a hora de a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e entidades regionais se manifestarem a esse respeito e reiniciarem a luta pela regulamentação da nossa profissão. É possível vencermos mais essa batalha para depois começarmos a pensar no que fazer com as inúmeras quadrilhas hoje presentes em nosso meio. O livre exercício do pensamento, da livre manifestação de opiniões, estará sempre preservado. Afinal, ser jornalista vai depender do Diploma de Comunicação Social - Jornalismo, da mesma forma que ser advogado depende da obtenção de um diploma em Direito e aprovação da prova da OAB. É bastante frequentar os bancos das escolas de terceiro grau e se formar. Nada mais além da dignidade pessoal e da vocação para uma atividade que exige esforço.

18 de agosto de 2026

Os estrupícios

 

Quando eu era pequeno as pessoas tinham o hábito de chamar os menos favorecidos intelectualmente de estrupícios. Na linguagem popular esse termo pode identificar confusão, barulho, problema ou gente chata, atrapalhada e ignorante. Como é o caso do deputado federal Nikolas Ferreira, autor de vários disparates linguísticos, dono de uma ignorância monumental e a ponto de dar declaração conceituando Brasília como uma cidade feia em comparação com o Capitólio, nos Estados Unidos ou o prédio do Congresso espanhol. É como comparar alhos com bugalhos, sem querar desmerecer os exemplos citados por ele.

O prédio dos EUA teve pedra fundamental lançada em 18 de setembro de 1793. Foi ocupado inicialmente em 1800 e passou por diversas reformas e ampliações, sendo a última em 1962. Ele foi erguido em estilo neoclássico tentando lembrar as antigas democracias de Roma e da Grécia e nas quais o país pretendia se espelhar. Mas de que maneira explicar isso a um indivíduo como aquele?

Brasília, que mostro na foto acima, do Eixo Monumental, é talvez a obra maior de Oscar Niemayer, um arquiteto que foi referência no mundo todo. Ele e Lúcio Costa, o calculista que trabalhou na obra, fizeram a cidade em estilo modernista inaugurada em 1960, concebida na primeira metade da década de 1950 e cuja obra foi iniciada em 1955. Não é possível comparar as duas coisas sem que se tome como parâmetro maior o espaço de tempo e a proposta embutida em cada uma delas. Esse indivíduo de baixíssima estatura intelectual e que conseguiu mais de 1,5 milhão de votos ao ser eleito, também não deve gostar do Palácio Tancredo Neves, a obra que parece suspensa no ar como por mágica e que faz parte da Cidade Adminstrativa de Belo Horizonte (foto abaixo).


O projeto é do mesmo Niemeyer e está localizado no Estado que elegeu esse  estrupício para nos representar no Congresso Nacional. O Brasil é terra de grandes arquitetos. O autor das duas obras citadas é considerado o maior deles, mas isso é questão de gosto. Um outro, autor do Museu dos Coches, de Lisboa, uma construção belíssima e também modernista, Paulo Mendes da Rocha, projetou o Cais das Artes em Vitória, projeto magnífico e que a pouca visão de futuro dos administradores públicos de meu Estado ainda não permitiu que fosse concluída apesar de tantos anos de trabalho.

Hoje estamos diante de uma situação crítica. Vamos eleger um presidente da República numa época em que a maior potência militar do planeta, governada por um psicopata corrupto - o mais corrupto de toda a história norte-americana -, tenta impor seu pensamento político a outras nações e ataca o Brasil por não querer ser quintal do país governado por ele, como vem acontecendo com outros estados sul-americanos. O candidato preferido por esse estrupício estrangeiro e filho do ex-presidente brasileiro condenado pela Justiça, é também intelectualmente um pobre diabo que teve o desplante e o descaramento de fazer uma foto sua mostrada logo abaixo, com recursos de IA e na qual ele aparece usando sunga branca, com faixa presidencial atravessada no peito e se mostrando como uma espécie de super-homem deficiente mental ao lado de uma piscina e com lata de algum líquido na mão esquerda. Um indivúduo assim não pode ocupar o Palácio do Planalto em hipótese alguma.

Quando digo que estamos diante de um momento crítico quero falar que o Brasil corre o risco de ser diminuído conceitual e intelectualmente no concerto das nações por conta desse tipo de gente que nos representa. E isso nem é culpa direta deles porque foram eleitos pelos mesmos brasileiros que vão entregar o Poder Executivo ao próximo presidente dentro de muito pouco tempo. É uma situação grave e que precisa ser vista com o olhar de quem planeja seu próprio futuro. Infelizmente temos uma sociedade onde ainda pontifica certa espécie de conservadorismo político que beira o reacionarismo, às vezes o ultrapassando, e na qual as pessoas entregam seu voto àqueles que lhes conseguem transmitir verdade, mesmo a partir de mensagens falsas, patriotismo entreguista e promessas vagas, abstratas e cheias de preconceito contra o adversário chamado de inimigo.

"Deus, pátria e família" era o slogan do fascismo de Benito Mussolini. Aqui no Brasil a ele foi acrescentado um "liberdade" na qual os fascistas não acreditam a não ser se ela significar o apoio total, inquestionável, a todos os seus dogmas e "verdades" que são propagados de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. E eles ainda pregam que nosso país está sendo destruído ao mesmo tempo em que acumulam fortunas imensas que não podem ser explicadas como sendo fruto de seu trabalho. Até Michele Bolsonaro declarou 4,4 milhões em bens sabe-se lá vindos de onde, para concorrer a um mandato de senadora.

Aliás, sabemos todos de onde veio esse dinheiro! E por sabermos precisamos eleger a pessoa certa em outubro. Chega de extrema direita no Brasil!

14 de agosto de 2026

A fonte só é sagrada como verdade

Trabalhei cerca de 30 anos em imprensa diária e para nós, ontem e hoje, a fonte de informação era e é sagrada. Mas esse sagrado está ligado à verdade e ao ético porque o jornalista lida com fatos, deles não se afasta e graças a eles mantém a sociedade informada sobre o que interessa a ela. Se a fonte falha, se ela compromete a verdade dos fatos, se tenta fazer do jornalista um meio para alcançar objetivos ilícitos, tem que ser denunciada. Tem que ser exposta e, nesse caso, deve ser alvo de retaliação legal. Simples assim!

Um fato ocorrido recentemente está gerando desconforto e atrai comentários simplistas que pretendem fazer do sigilo da fonte um escudo. Não é. Nunca foi. A pessoa que tentou agredir ou ameaçar um ministro do Supremo Tribunal Federal e foi exposta mesmo sendo fonte jornalística é um criminoso comum. Apenas isso. Sua exposição não compromete o princípio da intocabilidade da fonte jornalística de forma alguma, nem no plano legal. A ninguém é dado o direito de se escudar nesse princípio para usos pouco claros.

Só tive como fonte de informação pessoas da minha estrita confiança e enquanto trabalhei em jornal. E com um compromisso: se ela fosse desonesta seria denunciada. 

Vamos recuar no tempo. Demorei muitos anos para obter meu registro de jornalista profissional porque comecei quando esse direito sem curso superior estava extinto. Só quando o curso de Comunicação Social foi criado na UFES pude fazê-lo. Cumpri a exigência legal e me tornei Jornalista Profissional. Mas essa regulamentação não agradava ao empresariado e ao extremismo político de direita. Alegando princípios de livre acesso à informação, um grande movimento foi criado para derrubar a regulamentação da minha profissão e isso foi conseguido. Eram épocas de ditadura e esse discurso distópico acabou pegando. Do dia da destruiçao da regulamentação de minha profissão em diante qualquer um passou a ter direito de obter registro como jornalista. Era o que se pretendia!

Se quero ser médico devo fazer Medicina. Se tenho o sonho de advogar, preciso cursar Direito. O mesmo se meu interesse é por Engenharia e assim por diante. Então, se quero ser jornalista preciso fazer Comunicação Social, Jornalismo. Estou habilitado e isso nada teve a ver com o direito à livre manifestação do pensamento. Mas esse princípio foi pervertido durante a ditadura militar e daí para a frente muitos picaretas ingressaram na minha profissão. Os exemplos são gritantes... Mesmo com o tempo passando nós nunca mais tivemos forças para mudar o rumo das coisas, pois as grandes corporações do setor são contrárias a uma nova regulamentação e dominam o Congresso Nacional. Um Congresso fácil de ser dominado pelo medo e outras formas de pressão ($).

Vou citar um exemplo próximo: existe no Brasil, dentre outras, uma tal Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Rede nacional e usa o termo "Jornalistas" mesmo sendo habitada por raríssimos profisionais do jornalismo diario de jornal, rádio, TV e outros meios. O termo "jornalismo" atrai muita gente. Na AJEB há pessoas dignas, mas também outras que querem atuar mal na comunicação. A extrema direita política usa essa profissão para penetrar nela com o intuito de usar seus recursos em benefício próprio e contra a democracia brasileira. Vou citar um único exemplo: a rede Jovem Pan conta com profissonais dignos - não poucos -, mas também uma vasta trupe que atua para tentar destruir nosso ainda frágil arcabouço democrático. Vive de fake news. E luta todos os dias, sem parar.

Antes de nós nos arvorarmos em defender quem não merece defesa é preciso analisar o que está havendo. Como as coisas se passam e se passaram para não fazermos da legislação que protege o sigilo da fonte um coito de bandidos. Ora bolas; se é tão importante a defesa do jornalismo, então é hora de tirarmos das gavetas os projetos de regulamentar novamente a minha profissão. Ela merece esse respeito perdido durante a ditadura sob o manto falso de uma "liberdade de informação" que em nada serve ao interesse público. 

12 de agosto de 2026

Os bucaneiros modernos

 

"O domínio nunca mais vai ser questionado", diz Donald Trump via seus assessores diretos sobre o projeto de os Estados Unidos dominarem toda a América. Isso segundo eles pretendem.

Uma postagem ameaçadora do embaixador norte-americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera - ele está no Panamá, onde há o canal vita para os Estados Unidos justamente porque é um extremista belicista -, detalhou essa semana qual é o projeto dos Estados Unidos sob Trump para reviver a Doutrina Monroe, que no século XIX pregava "a América para os americanos", na época em que Washington passou a desenvolver sua política de expansionismo e controle total sobre os demais países das três américas.  Hoje o governo dos EUA se mostra agressivo com esse projeto e o objetivo claro é combater a influência da China no Ocidente. O objetivo principal sempre, e em todos os casos, foi econômico. 

Uma análise rápida disso nos mostra que se trata de um movimento claro de esperneio. Os Estados Unidos de hoje são uma potência em grande declínio, com uma dívida interna astronômica, gastando fortunas com a megalomania de seu presidente por guerras e tendo pela frente o crescimento chinês que promete tomar-lhe a dianteira em breve como maior potência mundial. Isso é inadmissível para os atuais detentores do poder norte-americano.

Aqui no Brasil, depois de uma fala infeliz de nosso Ministro da Defesa que chegou a propor "abrir os portões" para os ianques no caso de um ataque, houve uma espécie de pequena histeria nacional. Bobagem. Dificilmente os Estados Unidos, mesmo governados por um psicopata, invadiriam militarmente o Brasil. Isso seria muito arriscado para eles e encontraira forte resistência lá mesmo. Além disso muitos se esquecem de que Trump corre grande risco de perder a maioria nas duas câmaras legislativas federais de seu país em novembro próximo, o que lhe tolheria muito o poder de decidir. Sem este ele seria um "pato manco", como dizem os americanos do Norte. E ao alcance de impeachment.

Mas Trump vai pressionar, ameaçar, espernear, será sempre apoiado pelos políticos do Maga como Marco Rubio, o embaixador no Panamá, o escolhido para o Brasil, Daniel Perez, e mais alguns de sua trupe. Ele vai usar de ameaças - o que sabe fazer muito bem - nos momentos em que não estiver dormindo durante discursos ou escondido dentro de caminhões de galeys aéreas em vôos próximos de países que ele mesmo tornou hostis por suas políticas inconsequentes e irresponsáveis. Esse é o presidente dos EUA!

Ao Brasil cabe esperar. A concordância em debater as tarifas na OMC, por parte dos EUA, parece jogo de cena para ganhar tempo e não ser acusado de jamais negociar. Ao término dos prazos de negociação, ao menos no pé em que as coisas estão hoje, tudo indica que o absurdo das cifras cobradas agora tende a ser mantido. Mas negociar vale a pena. Sempre valeu porque a nós também interessa o ganho de gempo. Mesmo com o governo iniciando as providêncas para retaliar as tarifas na mesma medida, se necessário.  

Resta uma coisa incômoda: Daniel Perez, o embaixador que pretende ser entronizado no cargo em Brasília, é um mísero projeto de golpista, sem experiência diplomática alguma e escolhido para vir ao Brasil apenas e tão somente para se intrometer em política interna brasileira, sobretudo se o presidente Lula for reeleito, como mais um vetor de instabilidade institucional. Vai ser tipo um Javier Milei com imunidade parlamentar. O Brasil pode e deve negar o agrément a ele e pedir outra pessoa aos EUA. O consul norte-americano em São Paulo, que conspira a olhos vistos, não merece continuar com visto consular.

Soberania é princípio ao qual não se renuncia. Mesmo ao enfentrar bucaneiros modernos que, a exemplo dos do passado, não abrem mão da rapina,  

9 de agosto de 2026

Saudades de Batista

Ah! Quantas saudades eles sentem de Fulgêncio Batista! Da época áurea deste, quando Cuba era um prostíbulo dos Estados Unidos e mafiosos tomavam conta da ilha caribenha, sobretudo e principalmente dos cassinos dirigidos por gente como o mafioso Meyer Lansky, que teve a maior fatia do negócio para explorá-lo e dividir os lucros com o "presidente" Batista. Isso aconteceu nas décadas de 1940 e 1950, mas os familiares de Marco Rubio e Daniel Perez (foto acima depondo no Senado), prósperos cubanos daqueles tempos, eram em sua maioria aliados do governo de então e amigos do ditador que reinou durante anos em Havana até ser expulso de lá com sua trupe pela revolução de libertação nacional comandada por Fidel Castro Ru.

Lansky não explorava o jogo, a prostituição e as drogas em Cuba sozinho. Junto com ele atuaram com grande desembaraço outros mafiosos da época como Santo Trafficante Jr. (que nome lindo!), Lucky Luciano e Charles "The Blade" Tourine. Era só um pulinho o voo de Miami até a Capital cubana onde todas as portas estavam abertas para os representantes do crime organizado dos Estados Unidos. Havia na época uma "licença" de 25 mil dólares por cassino a ser paga ao chefe de Estado cubano. Além disso uma percentagem fixa de 10 a 20 por cento dos lucros anuais obtidos com hotéis, cassinos e redes de prostituição, além das drogas, para obter a proteção governamental. E os "empresários" dos Estados Unidos ainda tinham que lidar com a ganância de Fulgêncio (segunda foto), sempre interessado em aumentar os seus lucros e sua participação nos negócios escusos. Afinal o país era dele, não era? Não foi sempre assim?

Sair correndo de lá em 1° de janeiro de 1959 - alguns fugiram antes disso - quando aquele bando de barbudos tomou a Capital de Cuba, foi um desconforto muito grande. As tropas do Movimento 26 de Julho que tinham à frente, além de Fidel, um argentino também de barba grande, Ernesto Guevara de La Serna, o "Che", que se tornaria responsável pelo julgamento e condenação dos que haviam infelicitado seu país por tantas décadas. Balas de fuzil havia em grande quantidade por lá e os criminosos foram condenados a serem mortos por fuzilamento contra uma parede enorme, um "paredon" de Havana. Os Rubio, os Perez e muitos outros não podem perdoar isso. Não mesmo!

Por isso Marco Rubio, o Secretário de Estado de Donald Trump nomeou seu amigo Daniel Perez para ser embaixador dos Estados Unidos no Brasil. O nomeado e ainda não dono do "agrément" quer logo vir para cá. Ao Senado ele declarou estar preocupado com a liberdade de expressão no Brasil e com a lisura das eleições - essas não são funções de embaixadas! - , preocupações que passam muito ao largo da agenda dos Estados Unidos nas terras de aliados tradicionais como a Arabia Saudita, por exemplo. E de outros também como é o caso do sionismo genocida hoje reinante em Isarel e onde os EUA fazem vista grossa para o genocídio palestino, além de abastecerem o regime político local criminoso com todo o tipo de armas capazes de eliminar de sobre a face da terra os palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia ocupada. Essa última que os sionistas julgam ser parte da Grande Israel e que vem sendo tomada a seus povos originários dia após dia diante do silêncio cúmplice da comunidade das nações.

A mim ocorre que Trump é refém de Rubio e do "Maga", movimento de extrema direita fascista que hoje garante apoio a esse presidente. Ele não pode abrir mão disso para não ser deposto por impeachment. Rubio e Perez são próceres dessa denominação. E ocorre também que o presidente Lula está errado quando chama de "amigo" o chefe de Estado dos EUA. A embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti corre riscos ficando lá sem seu visto diplomático. O "amigo" de Lula pode mandar que ela seja expulsa ou presa como imigrante ilegal. Por aqui o cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, que transformou seu consulado em centro de difusão de mensagens golpistas e facilidades aos amigos, continua com o visto dele. Por quê? A reciprocidade é boa e está prevista na nossa Constituição. Foi aprovada pelo nosso Congresso!

O presidente Lula deve ter cuidado com os saudosos de Bastista. Eles matam. Aprenderam com Mayer Lansky.

NOTA DO TITULAR DA COLUNA: Esse artigo comemora os 20 anos do blogdoalvaro@blogspot.com.   

5 de agosto de 2026

O golpe sempre esteve em curso

 
Heráclito Fontoura Sobral Pinto (1893-1991) foi um dos maiores juristas do Brasil e certamente o mais sábio. É dele esse pensamento: "Os militares tendo proclamado a República, julgaram-se donos da República. E nunca aceitaram não serem donos da República". Sobral Pinto ganhou relevância no Brasil ao defender Luiz Carlos Prestes, líder comunista, durante a ditadura Vargas. Ele era católico fervoroso, homem com pensamento político de direita e não tolerava ditaduras ou prisões ilegais, comuns no seu país ontem e hoje.

Para esse jurista morto faz 35 anos, nossa República tem um "pecado original" por ter nascido de um ato de força das Forças Armadas e não de uma construção democrática com a participação da população. Em consequência disso os militares sempre acreditaram ter a tutela permanente sobre o Estado. Resultado em golpes só após o império: proclamação da República, congresso dissolvido em 1891, Revolução de 1930, decretação do Estado Novo, golpe civil/militar de 1964. Além desses, várias aquarteladas marcaram a história recente do Brasil, durante diversos períodos. Juscelino Kubstcheck foi quem mais sofreu com eles e que começaram com a reação à sua posse (como no caso de Lula). Posteriormente vieram a Revolta de Jacareacanga e a Revolta de Aragarças. Ele não foi deposto por muito pouco.

Hoje mesmo o Clube Militar, congregação de militares de pijama sediado no Rio de Janeiro emite nota praticamente conclamando a população brasileira a derrubar o atual governo. E faz isso porque os militares da ativa se negam a nova aventura golpista. Recentemente fizeram um jantar na sua sede carioca com a presença de um "convidado ilustre": Flávio Bolsonaro, que foi acompanhado do advogado Ives Gandra Martins, conhecido militante extremista (junção das duas fotos acima). No Clube Militar só entra gente "do ramo".

O golpe de Estado sempre esteve em curso no Brasil, mesmo nos momentos de calmaria que ocorrem ao longo dos tempos. Basta vermos a outra foto abaixo e que mostra três dos maiores jornais brasileiros estampando a mesma manchete, com todas as letras iguais, em 31 de julho último. Quem como eu trabalhou uma vida quase inteira em imprensa diária sabe que essa "coincidência" é impossível. Os jornais, grandes como a Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, os médios e os pequenos  jamais compartilham suas manchetes e principais matérias, mesmo quando é óbvio o assunto mais importante do dia. Três manchetes saírem exatamente iguais só acontece quando há um conluio entre as direções das empresas. Elas são ligadas ao grande capital, ao "mercado" e não suportam o Governo Lula. Hoje fariam e fazem tudo para impedir o quarto mandato desse presidente. Sobretudo com a ajuda providencial dos Estados Unidos.

Aliás, o governo neofascista de Donald Trump, contando com a ajuda sempre "cordial" da Argentina de Javier Milei e de Israel de Benjamin Netanyahu não esconde mais de ninguém que já interfere no processo eleitoral brasileiro de todas as formas. Autoridades brasileiras  tiveram vistos cancelados e não podem ingressar nos Estados Unidos, tarifas chantagistas tentam sufocar nossa economia, dois funcionários do Departamento de Estado que viriam ao Brasil trabalhar contra o sistema eleitoral tiveram o visto negado por nós e o embaixador norte-americano indicado por Trump depois de 19 meses de governo - e porque isso era conveniente aos planos de intervenção - ainda não teve seu "agrément" (pedido de concordância) concedido. Para retaliar, os EUA retiraram o visto de nossa embaixadora.

Nunca antes as relações entre Brasil e Estados Unidos e Argentina, que já têm mais de dois séculos, estiveram tão agredidas. A pressão e a chantagem são claras e fortes. E isso é mais um motivo para o Brasil não ceder, mesmo quando a gente sabe que nossas Forças Armadas e parcela da população são lacaias dos ianques e de seus interesses. Ontem mesmo, lendo matérias de Internet, fiquei estupefato. Alguém perguntou a um cidadão o que ele faria se os EUA invadissem o Brasil. Resposta: "não sou de soltar foguetes, mas acho que faria isso". Um povo sem dignidade está destinado a ser lacaio de interesses estranhos aos seus. O governo Trump já está saqueando abertamente as riquezas da Venezuela, condenando o povo cubano à fome e armando o governo sionista de Israel para completar o genocídio palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. É preciso ao Brasil mostrar que não faz parte desse projeto criminoso da extrema direita política de controlar o mundo.

Ainda que isso nos custe muito caro!       

30 de julho de 2026

"We can do it"

Já se vão muitos anos e, se bem me lembro, foi a revista "Realidade", antecessora de "Veja", quem conseguiu imagens de um silo nuclear de algum lugar dos Estados Unidos. A gente podia ver na foto o controle da instalação, a ogiva do míssil e, na parede ao fundo, grandes, os dizeres bem mostrados: "We can do it". Sim, eles sempre puderam fazer isso, mas desde o fim da guerra fria contra a hoje inexistente União Soviética, o botão que dispara míseis nucleares capazes de destruir totalmente o mundo parecia esquecido nas paredes dos silos que ainda existem. Mas agora um homem laranja, um homem bomba chamado Donald Trump (foto acima), pode reacender o estopim da guerra nuclear. Ele tem medo da China. Muito medo. Como todo psicopata medroso, um dia acaba perdendo o controle. Eis o risco.

Os Estados Unidos são um império decadente e sabem disso. A China, um enorme país ascendente, e os Estados Unidos também sabem disso. A paranóia de Trump vê os chineses como aqueles que vão sepultar o sonho americano de dominar o mundo e esse presidente usa a ameaça e o medo como armas contra essa quase perda de status mundial. Ontem ele propôs um tal "Pacto de Sobrevivência Ocidental" como forma de evitar o seguinte: "Eles vão invadir a Europa! Estão invadindo a Europa...é uma invasão total! E o Reino Unido é o suspeito número um!. Quem se juntar ao Pacto fecha fronteiras, deporta em massa, defende sua cultura. Quem não...fica sozinho diante da invasão. E o primeiro que deve assinar é o Reino Unido...ou afunda!". Silêncio sepulcral no Salão Oval da Casa Branca.

O projeto do presidente dos EUA começa pelo domínio da América Latina. Aqui ele já tem uma presidente fantoche subjugada na Venezuela e uma figura patética ecoando seus brados a partir de Buenos Aires. Esse personagem, Javier Milei, vocifera contra a China esquecendo-se de que seu País, o maior devedor do FMI nos dias atuais, recebeu um polpudo cheque do governo chinês para poder sobreviver. Sem apoio internacional e boa coexistência com o Brasil, sucumbe. Os argentinos sabem disso e tentam alertá-lo, mas ele não quer ouvir. Prefere cumprir ordens de seu mentor maior sem olhar para as consequências. Hoje a Argentina tem hordas de sem teto pelas ruas, pessoas que entram em filas de açougues para comprar carne de burro e mais de 20 mil empresas falidas na cauda de cometa das loucuras mileianas que buscam sabe-se lá o que dos anseios presidenciais.

Para completar o caldo de cultura de mais uma loucura nacional, os argentinos acordaram hoje sabendo que por obra e graça de Milei, daqui para a frente qualquer estrangeiro que falar mal daquele país e de qualquer coisa a ele ralacionado vai ser imediatamente expulso de lá. Milhares de brasileiros moram, trabalham e sobretudo estudam em terras argentinas.   

Em um discurso no Estado do Michigan, faz poucos dias, o presidente ianque chamou de comunista (que falta de imaginação...) uma pessoa que o interrompeu chamando-o de "protetor de pedófilo" durante um discurso que fazia parte das comemorações pelos 250 anos da Independência de seu país. O manifestante foi retirado do local. Esse périplo trumpista faz parte da campanha dele para as eleições de meio de mandato, quando corre o risco de perder maioria em pelo menos uma das duas casas legislativas norte-americanas e, mais do que isso, de se tornar um "pato manco" se derrotado na Câmara e no Senado.

Em meio a tantas incertezas, à necessidade de apoiar quase incondicionalmente Benjamin Netanyahu, de encontrar um meio de encerrar a guerra no Irã e que foi iniciada por ele, de impedir a vitória da Rússia na Ucrânia e de conseguir com o Congresso mais dinheiro para gastar com armas, esse eterno candidato a fazer do Prêmio Nobel da Paz uma piada de mau gosto no plano internacional, dá voltas em torno de si mesmo tentanto encontrar o caminho que jamais construiu pois na sua vida toda ele só fez destruir. E para quem não sabe para onde deve ir ao vai, qualquer caminho serve. 

Mostra disso é o fato de que em seu governo não existe diplomacia. Tudo o que se refere a política externa é feito por um genro e um amigo, estes sim de sua inteira confiança. Eis Donald Trump! Eis o homem que pode tirar da poeira dos tempos de guerra fria as imagens dos silos nucleares dos Estados Unidos, como esse da foto ao lado, e que dormitavam em suas camas/sepulturas até a chegada desses novos tempos de distopia mundial.

Tempos capazes de gerar pesadelos como o da criação desse tal Pacto de Sobrevivência e que na verdade é a tentativa final do império decadente de manter hegemonia mundial e, mais do que isso, de rapinar riquezas naturais de países que ainda se curvam ante o imperialismo ocidental como é feito hoje de forma descarada sobretudo na Venezuela, um Estado outrora soberano e que foi sequestrado num ato de pirataria incapaz de encontrar respalto algum na legislação internacional que é seguida e respeitada pela maioria das nações exceto Estados Unidos, Isarel e outros poucos e que não pretendem modificar, mas sim subverter a ordem mundial para a criação de um sistema no qual o termo liberdade vai estar intimamente ligado somente ao apoio total, incondicional, ao que a extrema direita entender como correto.

We can't do it!