"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta" (Albert Einstein)
Einstein era judeu numa Alemanha que se nazificava. Em 1933, considerado "inimigo número 1" do Reich alemão, renunciou à cidadania de seu país, imigrou para os Estados Unidos e pode continuar a estudar e produzir ciência física até morrer. Em Berlim sua casa foi transformada em sede da Juventude Hitlerista, forma encontrada então para os nazistas combaterem a "física judaica degenerada" daquele desertor que pelo resto de sua vida lecionou no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton.
Ele teve mais sorte do que Dietrich Bonhoeffer (foto), que acabou sendo preso pela polícia política nazista e levado ao cárcere. Lá, seria executado pela forca na madrugada de 09 de abril de 1945, poucos dias antes de a Alemanha ser libertada do jugo nazifascista pelos exércitos aliados. Hitler não queria que seus maiores inimigos sobrevivessem à sua derrota já certa.
Mas quem era esse inimigo terrível? Um revolucionário comunista? Um "terrorista selvagem" como são chamados hoje os inimigos das atuais extremas direitas? Um membro de movimentos de insurgência anti-Israel? Um guerrilheiro treinado para tomar o poder? Não, nada disso. Era um teólogo e filósofo, além de pastor luterano, membro ativo de uma das vertentes do protestantismo. Mas cometeu o "erro" de não aceitar a ditadura alemã e lutar contra ela. Foi preso e morto. Só que antes escreveu, e muito, sobre a estupidez humana.
Ele disse, em tradução livre: "A estupidez é um inimigo mais perigoso que a maldade. Contra a maldade você pode lutar, resistir, denunciar, pode prender, porque a maldade tem uma lógica, quer algo, e como quer algo é possível se antecipar a ela. Mas contra a estupidez não há defesa porque a pessoa estúpida - e aqui vem algo importante - não é alguém com pouca inteligência, é alguém que renunciou a usar seu pensamento próprio, alguém que entregou sua capacidade de pensar a um líder, a um grupo, a um slogan, a uma ideologia barata, e depois que isso ocorre ninguém pode convencê-la com a lógica, não pode recorrer à sua razão porque ela já não tem a razão própria, mas sim a de outros que a dominam".
Por isso Hitler dominou pessoas cultas como médicos, engenheiros, professores, técnicos os mais variados, porque esses indivíduos, quando chegam ao poder, quando o ocupam muitas vezes sem imaginar que um dia chegariam a tanto, agem como autômatos e são incapazes de raciocinar por si próprias. Foi por esse motivo que no nazismo gente comum cometeu as maiores atrocidades possíveis e imagináveis. Crimes dos quais sobretudo a Alemanha hoje se envergonha. Conheci um médico, coitado, que um dia foi cogitado para ser secretário municipal de saúde de Cariacida. Ele não precisava disso, mas embriagou-se pela possibilidade e viveu aquilo como um sonho. E quem era o prefeito de então? Um homem culto, probo, de carreira respeitada? Não, não era. Era Cabo Camata, um criminoso sem princípios que depois escolheu outro medico por indicação de partido político a ele ligado.
Por isso existe Donald Trump hoje. Por isso o nazifascismo gerou Benjamin Netanyahu, um fiel executor da herança de Hitler. Ele e seus ajudantes abjuram os ditadores passados, mas são iguais a eles em quase tudo. Aqueles fizeram dos judeus os inimigos a serem aniqulados. Os sionistas atuais fazem o mesmo com os árabes e sobretudo os palestinos. Essa turba controlada e subjugada pela ideologia da extrema direita precisa ter um inimigo comum como bandeira, alguém a ser aniquilado. Uma etnia ou ideologia.
Pensemos nisso hoje, às vésperas de uma eleição decisiva no Brasil. Jair Bolsonaro, que é em tudo e por tudo filhote daqueles que desprezam os princípios constitucionais das nações, "elegeu" seu rebento mais velho, o "moderado" para tentar a presidência da República e buscar mais uma vez no golpe de Estado, no estupro da nossa democracia e na violação de todos os princípios legais que regem essa Nação um meio de chegar ao poder para torná-lo absoluto e passar por cima até mesmo do Supremo Tribunal Federal, como Trump deseja fazer nos EUA. Ainda dá para reagir. Que esse ensaio sobre a estupidez sirva para acordar a todos nós enquanto ainda é tempo.
Bonhoeffer disse que a única maneira de enfrentar os estúpidos é com coragem. Ele tinha razão!







