Lembro-me como se fosse hoje de quando o então presidente Jair Bolsonaro, induzido por conselhos de seu entorno falsamente religioso disse que faria um ministro do Supremo Tribunal Federal "terrivelmente evangélico". Ele agradaria dessa forma a amiga Damares Alves - aquela que viu Jesus no pé de goiaba -, a mulher com quem é casado, Michele Bolsonaro e todo o restante da troupe de puxa sacos mais próxima. E fez. Foi difícil entronizar André Mendonça no cargo porque ele sabidamente não tinha elevados saberes jurídicos, mas a luta estava colocada e, ao final, o agora ministro foi eleito para a glória de uma Michele que subriu ao seu pescoço comemorando a grande vitória obscurantista.
O resultado está aí!
Em biologia, autofagia é um processo natural de limpeza e reciclagem no qual as células do corpo se degradam e reaproveitam os seus próprios componentes danificados ou envelhecidos como nessa representação acima. Em sítese, imprestáveis. No reino das ações humanas, sobretudo no Brasil de hoje, esse conceito pode ser transferido até mesmo para o terreno da política e do último andar do Poder Judiciário onde está o "terrivelmente evangélico" Andre Mendonça. E ele tenta interferir nas eleições de daqui a um mês mais ainda do que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
As ações de Mendonça são claramente parciais. Determinou quebra de sigilos até mesmo de um colega de Tribunal, do filho do presidente da República, mas nada fez contra o filho do ex-presidente que o nomeou e que está coberto por denúncias as mais sérias possíves. E comprovadas. E ainda se deixa ver em jantares elegantes regados a champgne caros com essa figura, Flávio Bolsonaro, candidato à presidênca da República representando o pai presidiário e que age nas sombras, mesmo em prisão domiciliar. É interessante, mas essa gente fica dodói sempre que recebe voz de prisão!
O ministro Alexandre de Moraes tem explicações a dar. Muitas. Para todos os efeitos éticos não vai bastar a nulidade das acusações contra ele por terem sido levadas ao conhecimento público de forma ilegal. Será preciso a esse jurista explicar as ligações telefônicas feitas ao ex-banqueiro e hoje detento Daniel Vorcaro. Ou "irmão", como diz Flávio Bolsonaro. Ou "lindão", no falar de Nikolas Ferreira. E é difícil, senão quase impossível entender como esse personagem saído do mesmo esgoto que abrigava a extrema direita política brasileira conseguiu absorver em atos espúrios tanta gente da Capital da República. Atrevo-me a dizer que honestidade é atributo raro na Brasília dos dias de hoje.
André Mendonça teve ao menos dois encontros com Vorcaro. E secretos. Só que ele jura não ter tratado nada de ilegal. Só ouviu...tá bom! E ele tinha um instituto que recebeu CR$ 8,2 milhões em verba pública decorrente de 52 contratos celebrados com o Poder Público SEM LICITAÇÃO. Ou seja: deu o preço que bem entendeu e fez seu "trabalho". Esse é o mais novo santo do pau oco! A empresa dele e da qual se afastou ontem a toque de caixa se chama ITER e ministra cursos. 37 notas fiscais misteriosas dessa instituição precisam ser investigadas à exaustão. Afinal, trata-se de um "enviado de Deus".
É de suma importância que nesse país de passado e quase presente golpista o Poder Judiciario seja íntegro e poderoso. Ele garante a intocabilidade de nossas instituições, sobretudo civis. Se no rastro de cometa de escândalos como esse ele mergulhar numa crise de confiança por parte da população estaremos ao alcance de projetos de golpe de Estado. Isso já aconteceu muito no passado e até em janeiro de 2023. O STF precisa reagir e essa reação inicial cabe ao presidente Edson Fachin que nos passa seriedade. Ele tem que fazer uma autofagia dramátia de sua instituição, dando limites a seus pares. Uma faxina é necessária. Caso contrário o pior Congresso da história do Brasil vai querer fazer isso ele mesmo e os danos serão imensos para o restante do nosso país.






