"O domínio nunca mais vai ser questionado", diz Donald Trump via seus assessores diretos sobre o projeto de os Estados Unidos dominarem toda a América. Isso segundo eles pretendem.
Uma postagem ameaçadora do embaixador norte-americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera - ele está no Panamá, onde há o canal vita para os Estados Unidos justamente porque é um extremista belicista -, detalhou essa semana qual é o projeto dos Estados Unidos sob Trump para reviver a Doutrina Monroe, que no século XIX pregava "a América para os americanos", na época em que Washington passou a desenvolver sua política de expansionismo e controle total sobre os demais países das três américas. Hoje o governo dos EUA se mostra agressivo com esse projeto e o objetivo claro é combater a influência da China no Ocidente. O objetivo principal sempre, e em todos os casos, foi econômico.
Uma análise rápida disso nos mostra que se trata de um movimento claro de esperneio. Os Estados Unidos de hoje são uma potência em grande declínio, com uma dívida interna astronômica, gastando fortunas com a megalomania de seu presidente por guerras e tendo pela frente o crescimento chinês que promete tomar-lhe a dianteira em breve como maior potência mundial. Isso é inadmissível para os atuais detentores do poder norte-americano.
Aqui no Brasil, depois de uma fala infeliz de nosso Ministro da Defesa que chegou a propor "abrir os portões" para os ianques no caso de um ataque, houve uma espécie de pequena histeria nacional. Bobagem. Dificilmente os Estados Unidos, mesmo governados por um psicopata, invadiriam militarmente o Brasil. Isso seria muito arriscado para eles e encontraira forte resistência lá mesmo. Além disso muitos se esquecem de que Trump corre grande risco de perder a maioria nas duas câmaras legislativas federais de seu país em novembro próximo, o que lhe tolheria muito o poder de decidir. Sem este ele seria um "pato manco", como dizem os americanos do Norte. E ao alcance de impeachment.
Mas Trump vai pressionar, ameaçar, espernear, será sempre apoiado pelos políticos do Maga como Marco Rubio, o embaixador no Panamá, o escolhido para o Brasil, Daniel Perez, e mais alguns de sua trupe. Ele vai usar de ameaças - o que sabe fazer muito bem - nos momentos em que não estiver dormindo durante discursos ou escondido dentro de caminhões de galeys aéreas em vôos próximos de países que ele mesmo tornou hostis por suas políticas inconsequentes e irresponsáveis. Esse é o presidente dos EUA!
Ao Brasil cabe esperar. A concordância em debater as tarifas na OMC, por parte dos EUA, parece jogo de cena para ganhar tempo e não ser acusado de jamais negociar. Ao término dos prazos de negociação, ao menos no pé em que as coisas estão hoje, tudo indica que o absurdo das cifras cobradas agora tende a ser mantido. Mas negociar vale a pena. Sempre valeu porque a nós também interessa o ganho de gempo.
Resta uma coisa incômoda: Daniel Perez, o embaixador que pretende ser entronizado no cargo em Brasília, é um mísero projeto de golpista, sem experiência diplomática nenhuma e escolhido para vir ao Brasil apenas e tão somente para se intrometer em política interna brasileira, sobretudo se o presidente Lula for reeleito, como vetor de instabilidade institucional. Vai ser tipo um Javier Milei com imunidade parlamentar. O Brasil pode e deve negar o agrément a ele e pedir outra pessoa aos EUA. O consul norte-americano em São Paulo, que conspira a olhos vistos, não merece continuar com visto consular.
Soberania é princípio ao qual não se renuncia. Mesmo ao enfentrar bucaneiros modernos que, a exemplo dos do passado, não abrem mão da rapina,





