11 de setembro de 2026

Um roteiro para o golpe

Jornalistas, sobretudo dos grandes meios de comunicação passaram a noite de ontem para hoje debruçados sobre documentos liberados ontem à noite pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Édson Fachin, que quebrou o sigilo de documentos dos processos referentes ao Caso Master, uma falcatrua nascida com o governo de Jair Bolsonaro e que foi desmascarada e combatida a partir do governo atual, de Lula. O que se viu até agora é estarrecedor. Até altos funcionários do Banco Central estão envolvidos no roubo de dinheiro público que abasteceu inúmeros setores da corrupção brasileira, inclusive, via também emendas parlamentares, as falcatruas imensas praticadas pela família Bolsonaro.

Mas é triste ver que nesse cipoal de atos espúrios há ao menos ligações telefônicas que colocam o ministro do STF Alexandre de Moraes no epicentro do furacão. De todos os altos funconários da Justiça, talvez ele fosse um dos únicos que não tinham o direito de prevaricar. Está certo que ainda não se manifestou em defesa, mas precisa fazer isso logo, rapido e com argumentos seguros e irrefutáveis como a lâmina de um bisturi que corta o mal pela raiz. Trata-se de uma questão de honra para ele.

Depois de tudo o que está sendo mostrado e com a certeza de que vem coisa muito pior ainda pela frente, fico com a certeza de que há um roteiro para o golpe de Estado dentro do Estado que se pretende para o Brasil a partir da candidatura de Flávio Bolsonaro. Os fatos se encadeiam. Sem acreditar em teorias da conspiração, vamos a eles: no Supremo Tribunal Federal a presidência de alterna por acordo quase regra. O presidente de hoje, Fachin, sabe que será sucedido pelo presidente de amanhã, Alexandre de Moraes. Opa, mas isso é um problema muito serio!

A extrema direita quer o poder de volta e o caminho é vencer a próxima eleição de qualquer maneira. Qualquer uma mesmo! Então, um Bolsonaro não poderá encontrar Alexandre de Moraes no comando da Suprema Corte para dificultar todos os projetos que incluem a submissão total do Poder Judiciário ao Executivo que já teria o controle do Legislativo. Era preciso encontrar alguém terrivelmente fiel ao projeto para criar o caos no STF. Foi fácil. O terrivelmente evangélico atropelou todas as normas e protocolos para fazer uma denúncia contra o também ministro desafeto declarado para com isso paralisar até mesmo os trabalhos judiciários às vésperas da eleição. Terrível será se o desafeto tiver mesmo os pés na lama.

A extrema direita e setores do neopestecostalismo espalhado por várias denominações religiosas brasileiras com raiz nos Estados Unidos, algumas das quais empresas multinacionais de exploração da crença das pessoas, são mestres nesse mister. Nas atividades políticas onde elas têm até bancada no Congresso Nacional, fazem união perfeita de extrema direita política nos dois picadeiros. Fecham questão em torno de seus projetos, interferem nos trabalhos e pressionam em todos os setores. De uma coisa não abrem mão: partidos políticos, bem como democracia são apenas incômodos para o grupo. Se pudessem terminariam com ambos, vilipendiando um e destruindo o outro.

Sim, André Mendonça talvez seja hoje a peça mais importante do tabuleiro golpista das eleições. Deu uma contribuição imensa ao projeto e ainda pode aumentar a crise abastecendo a fogueira com mais lenha. A menos que se tenha como combatê-lo abrindo também seu cofrinho de segredos. Em Brasília virgindade, mesmo no campo profissional, é atributo em vias de extinção. Encontrar algum é tão difícil como achar minhoca no asfalto.

Os próximos dias vão ser decisivos para nós. A mim parece que a democracia resiste às prostitutas de plantão. Não é mais como em 1964 e nem como em 2016, quando o fatídico 31 de março foi comemorado como mostra a foto que abre esse artigo. Mostra-se forte. Mas vai ser necessário atacar com mais força tudo o que há de retrógrado e criminoso na política brasileira. Não é difícil desnudá-la, mas a mim parece que mostrar a grande parcela dos eleitores a diferença entre alhos e bugalhos é o mais difícil num país onde o eleitorado é hoje, como sempre foi, presa fácil para espertalhões. E eles estão por aí atuando.

Em tempo: fazem hoje 25 anos que houve o atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Um quarto de século e os Estados Unidos continuam os mesmos...   

9 de setembro de 2026

O agente do golpe

Foi o ator José de Abreu quem fez uma verdade ser publicada como piada que está hoje na Internet: "O desejo era fechar o STF com um cabo e dois soldados. Arrumaram um pastor". Perfeito! Nada é mais correto!

O filho 03 de Jair Bolsonaro, Eduardo Bananinha, hoje nos Estados Unidos foi quem disse certa feita que era fácil dar um golpe de Estado no Brasil e bastavam para tanto um Jeep com um cabo e um soldado. Não deu para fazer assim. Mas digo com tanta convicção quanto a de que estou vivo na hora em que escrevo esse artigo do Blogdoalvaro: André Mendonça, o pastor terrivelmente evangélico e colocado lá pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para delírio da ex-primeira dama Michele Bolsonaro, é o agente do golpe levado ao STF. De início, calmo. Diria eu, calmo e calculista. Mas agora, no dia certo e no momento ideal ele provoca uma crise institucional sem precedentes e cai toda ela no colo do atual presidente Lula. Bolsonarista de carteirinha, isso era tudo o que André queria desde seus encontros regados a champagne com 01 como nessa foto acima tirada num evento, segundo foi identificado, de juristas conservadores (sic!). Um encontro bem a carater para os dois.

André Mendonça determinou o afastamento do diretor geral da Polícia Federal que não seguia sua cartilha, e de mais um assessor direto deste, no dia de ontem pela manhã. Foi esse o caos que se queria criar, armado, gestado e parido pelas entranhas da extrema direita. Agora, também pela manhã, o ministro Flávio Dino, da mesma forma em decisão liminar, reverteu o afastamento determinado ontem e foi claro ao escrever em sua decisão que o colega (sic!) Mendonça age em causa própria e se apropria de um poder decisório que, segundo a Constituição, é de competência exclusiva da presidência da República, no caso a de nomear ou afastar, dentre outras autoridades, o diretor geral da PF.

Ontem não se falou de outra coisa. Pela TV ouvi o comentarista Otávio Guedes, da Globo News, dizer que não há apenas uma Polícia Federal e os diretores que ontem colocaram seus cargos à disposição são da ala que apoia o diretor geral Andrei Rodrigues. Isso é verdade, e sem querer saber mais o que o jornalista citado, acrescento: a politização da Polícia Federal começou nos anos de chumbo da ditadura militar brasileira, quando a corporação foi colocada a serviço do regime até mesmo para ameaçar e prender ilegalmente. Isso aconteceu em muitos casos, em diversos lugares. Recordo-me como se fosse hoje: eu tomava cerveja no Bar do Yamaguchi - um jodoca que foi assassinado -, no bairro de Jardim da Penha onde morava e moro, quando em uma outra mesa onde estava um delegado da PF, este se jactava por ter esmurrado um seu professor de matemática, dentro da sala de aula, porque anos antes este havia dito ser de esquerda. Eram assim esses dias de medo e ilegalidades...

A extrema direita dos dias de hoje ainda tenta se sustentar no que sobrou desses anos de chumbo. Mas em mim fica a quase certeza de que os extremistas dos tempos da ditadura ainda existem, sim, mas já são minoria. A Polícia Federal de hoje é em maioria uma corporação honrada e que cumpre sua missão de segurança pública subordinada diretamente ao Ministério da Justiça que, por sua vez, está subordinado à presidência da República. Ela é de suma importância para o Estado Democrático e de Direito. Até passaportes são emitidos por ela.

Não creio que o agente do golpe hoje no STF possa fazer muita coisa amparado na PF. Mas se a função dele é a de interferir nas eleições de 04 de outubro para ajudar o candidato Flávio Bolsonaro e a extrema direita política brasileira, já está fazendo isso com extrema competência. Sabujos geralmente cumprem a missao para a qual foram treinados subterraneamente. É a hora da reação daqueles que defendem a democracia e o Estado de Direito. E sem que nos esqueçamos de algo também muito importante: o ministro Alexandre de Moraes deve explicações aos brasileiro que, como eu, eram fãs dele e têm tanto ódio e nojo da ditadura, como Ulisses Guimarães disse um dia, quanto de mafiosos como Daniel Vorcaro.

Todos pela democracia!

7 de setembro de 2026

Os excluídos que gritem!

Essa segunda-feira sendo marcada pelo Grito dos Excluídos. E esse é o 32º ano seguido em que milhares de pessoas vão às ruas para participar do protesto, hoje justamente no dia em que se comemora mais um ano da declaração de Independência do Brasil. Por que excluídos?

Vou fazer uma coisa que não deveria. Meu pai era o homem classe média alta típico do Brasil. Eu o amava e discordava respeitosamente dele, tanto que escondi durante muito tempo o fato de que militava no PCB, ou Partidão, desde o início de minha idade adulta. Ele viveu a época da fundaçao do PT e do começo da luta de Lula pelo poder em nome dos trabalhadores que representava. Ouvi de papai: "Absurdo um torneiro mecânico comunista querendo ser presidete. Nunca haverá de ser". Ele viveu também para ver esse operário eleito pela primeira vez e para saber que tinha um filho comunista. Só fez um comentário certa feita: "Vão prender esse comuna!". Eu então disse: "Pai, palavra de quem conhece: o torneiro mecânico não é comuna."

Nunca deixei de amar e repeitar meu pai um tanto ao quanto reacionário. E nem ele deixou de amar o filho que não o havia seguido. Um dia, pouco tempo antes de sua morte, despedi-me dele sala de televisão onde ficava quase o dia todo, dei-lhe um beijo na testa e ao sair ouvi quando disse falando alto, mas para si mesmo: "Esse cara me faz um bem..." Fui embora chorando e nunca comentei isso com ele.

O Grito dos Excluídos é o protesto daqueles que sempre foram abandonados pela direita e extrema direita política do Brasil. Geralmente estão abaixo dos torneiros mecânicos da industria automobilística e de outros setores do trabalho da base da pirâmide social brasileira. Onde ficam os sem lar, os moradores em situação de rua ou os que vivem de biscates aceitando fazer de tudo às vezes por um prato de comida. Ou então por um cachimbo de crack, pois isso os ajuda a não ver a realidade diante de seus olhos.

Hoje, no 7 de setembro, há desfiles pelo Brasil todo. Em São Paulo o governador trocou as homenagens oficiais por uma ida à Avenida Paulista onde vai usar o Dia da Pátria para apoiar a candidatura de um tal 01 com ficha corrida das mais gordas. No Rio de Janeiro também se vai deturpar o sentido desse dia, transpondo-o para as eleições que vão ser realizadas dentro de menos de um mês no país todo. O presidente da República, Lula, respeitou a data celebrando-a ao lado de autoridades militares, protocolarmente. Coisas de torneiro mecânico de passado democrata!

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, não deixou passar a oportunidade de voltar a atacar seu igual (sic!) Alexandre de Moraes, colocando no ar vídeo no qual ele fala aos "irmãos e irmãs". Aos evangélicos, claro. Dispensou da mensagem todos os demais brasileiros que pensam diferente e aos quais deve satisfações. No seu conceito de justiça divina ela deve escolher aqueles que pensam como os das diversas nomeações neopentecostais atuais, muitas delas defendendo abertamente chegar ao poder da República.

Há espaço para mais mais injustiças e golpismos nos próximos dias. O Grito dos Excluídos e Excluídas chegou até às telas das grandes emissoras de TV no dia de hoje, mas elas, embora não confessem, têm horror a esse torneiro mecânico presidente. Ele não representa os interesses do Mercado, esse grande sindicato informal de multimilionários ávido por ter a cada dia mais dinheiro e inimigo confesso do fim da escala 6X1 e de qualquer outra reivindicação trabalhista que venha a tocar, mesmo de raspão, em seus sagrados interesses e privilégios.

Para eles e a maioria hoje é o dia da olhar para o quadro de Pedro Américo e no qual Pedro, o futuro imperador, está no alto de um belo cavalo, espada apontada para o firmamento e assim imortalizado enquanto os demais vibram com o momento. Dane-se se ele estava com diarréia, havia ido ao mato várias vezes para se aliviar e a montaria era uma mula, bicho que se dava melhor com as trilhas esburacadas e lamacentas de então. A versão é muito melhor do que a história real, mesmo para o príncipe que herdou um reino imenso como presente do pai e antes que algum aventureiro pudesse lançar mão dele.  

Os excluídos que gritem. Hoje e sempre!          

4 de setembro de 2026

Autofagia dramática


Lembro-me como se fosse hoje de quando o então presidente Jair Bolsonaro, induzido por conselhos de seu entorno falsamente religioso disse que faria um ministro do Supremo Tribunal Federal "terrivelmente evangélico". Ele agradaria dessa forma a amiga Damares Alves - aquela que viu Jesus no pé de goiaba -, a mulher com quem é casado, Michele Bolsonaro e todo o restante da troupe de puxa sacos mais próxima. E fez. Foi difícil entronizar André Mendonça no cargo porque ele sabidamente não tinha elevados saberes jurídicos, mas a luta estava colocada e, ao final, o agora ministro foi eleito para a glória de uma Michele que subriu ao seu pescoço comemorando a grande vitória obscurantista.

O resultado está aí!

Em biologia, autofagia é um processo natural de limpeza e reciclagem no qual as células do corpo se degradam e reaproveitam os seus próprios componentes danificados ou envelhecidos como nessa representação acima. Em sítese, imprestáveis. No reino das ações humanas, sobretudo no Brasil de hoje, esse conceito pode ser transferido até mesmo para o terreno da política e do último andar do Poder Judiciário onde está o "terrivelmente evangélico" Andre Mendonça. E ele tenta interferir nas eleições de daqui a um mês mais ainda do que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As ações de Mendonça são claramente parciais. Determinou quebra de sigilos até mesmo de um colega de Tribunal, do filho do presidente da República, mas nada fez contra o filho do ex-presidente que o nomeou e que está coberto por denúncias as mais sérias possíves. E comprovadas. E ainda se deixa ver em jantares elegantes regados a champgne caros com essa figura, Flávio Bolsonaro, candidato à presidênca da República representando o pai presidiário e que age nas sombras, mesmo em prisão domiciliar. É interessante, mas essa gente fica dodói sempre que recebe voz de prisão!

O ministro Alexandre de Moraes tem explicações a dar. Muitas. Para todos os efeitos éticos não vai bastar a nulidade das acusações contra ele por terem sido levadas ao conhecimento público de forma ilegal. Será preciso a esse jurista explicar as ligações telefônicas feitas ao ex-banqueiro e hoje detento Daniel Vorcaro. Ou "irmão", como diz Flávio Bolsonaro. Ou "lindão", no falar de Nikolas Ferreira. E é difícil, senão quase impossível entender como esse personagem saído do mesmo esgoto que abrigava a extrema direita política brasileira conseguiu absorver em atos espúrios tanta gente da Capital da República. Atrevo-me a dizer que honestidade é atributo raro na Brasília dos dias de hoje.

André Mendonça teve ao menos dois encontros com Vorcaro. E secretos. Só que ele jura não ter tratado nada de ilegal. Só ouviu...tá bom! E ele tinha um instituto que recebeu CR$ 8,2 milhões em verba pública decorrente de 52 contratos celebrados com o Poder Público SEM LICITAÇÃO. Ou seja: deu o preço que bem entendeu e fez seu "trabalho". Esse é o mais novo santo do pau oco! A empresa dele e da qual se afastou ontem a toque de caixa se chama ITER e ministra cursos. 37 notas fiscais misteriosas dessa instituição precisam ser investigadas à exaustão. Afinal, trata-se de um "enviado de Deus".

É de suma importância que nesse país de passado e quase presente golpista o Poder Judiciario seja íntegro e poderoso. Ele garante a intocabilidade de nossas instituições, sobretudo civis. Se no rastro de cometa de escândalos como esse ele mergulhar numa crise de confiança por parte da população estaremos ao alcance de projetos de golpe de Estado. Isso já aconteceu muito no passado e até em janeiro de 2023. O STF precisa reagir e essa reação inicial cabe ao presidente Edson Fachin que nos passa seriedade. Ele tem que fazer uma autofagia dramátia de sua instituição, dando limites a seus pares. Uma faxina é necessária. Caso contrário o pior Congresso da história do Brasil vai querer fazer isso ele mesmo e os danos serão imensos para o restante do nosso país.

2 de setembro de 2026

Protesto contra a farsa


"a história ocorre duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa"

Esse texto é de Karl Marx, contido na monumental obra "O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte". Ele se referia à Revolução Francesa e a uma comparação entre entre os papéis de Napoleão Bonaparte (Napoleão I) e Luís Bonaparte, o Napoleão III. Este último tentou ser do mesmo porte do primeiro pelo fato de ser seu sobrinho e chegar ao poder pelo voto. Mas não, ele era só uma farsa que foi desmontada ao longo dos tempos. Capturado em batalha, deposto, foi morrer no exílio abandonado pelos franceses.

Nós vivemos época de farsas. Como a que pretende fazer colar nas pessoas a ideia de que, não houve tentativa de golpe de Estado no Brasil durante o governo do presidiário Jair Bolsonaro. Ele tentou golpear a democracia do Brasil desde que entrou no Palácio do Planalto eleito pelo voto popular. Buscou fazer isso via Estado de Sítio, Estado de Defesa e o que mais houvesse para ser tentado na nossa Constituição ou fora dela. Ele não aceitava, como não aceitou nunca, o fato de não ter sido reeleito. Tentou a farsa com o golpe.

Agora ela surge num outro viéz. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, feito membro do STF por Bolsonaro e por ser "terrivelmente evangélico" quer pagar o favor. Atropela todos os ditames jurídicos, todos os limites para tentar atingir o colega (sic!) Alexandre de Moraes. Mostrou áudios deste em contato com o banqueiro desonesto Daniel Vorcaro e em diálogos ao menos suspeitos. Mas que devem e têm que ser explicados aos brasileiros. Só que ele também tem escontros secretos com o mesmo personagem e no seu caso alega não haver nada de errado. Claro que não. O errado é sempre aquele que a gente quer atingir, quer destruir. Quer retirar do nosso caminho.

Relator de processo, invadiu as contas e documentos privados de muita gente, sobretudo do filho do atual presidente da República. Sim, indiretamente isso atinge o presidente. Mas nada fez contra o candidato Flávio Bolsonaro, com quem toma espumantes nos restaurantes de luxo de  Brasília, esse sim envolvido em casos claros de corrupção capazes de fazer corar muita gente. Dois pesos, duas medidas. Terrivelmente parcial!

A ideia do golpe de Estado nunca se afastou totalmente da nossa história e do nosso dia-a-dia. Está presente em praticamente todos os atos praticados pela extrema direita política desse país. Mas, sinceramente, não esperava dar de cara com ela no salão de julgamentos do Supremo, esse mesmo que foi destruído pelo golpistas em janeiro de 2023 (foto). Mas eis que, para ao menos pasmo, ele surge prostituído no ambiente reformado.

Os organismos formados pelas pessoas são todos constituídos por homens e mulheres que levam consigo para todos os cargos que ocupam a totalidade de seus defeitos e virtudes. Mas por que essa miseravel decisão de logo no Supremo Tribunal Federal eles darem voz sobretudo e principalmente aos seus piores defeitos? Aos mais mesquinhos? E não há motivo para isso. Leva-se uma vida inteira para construir a honra e poucos instantes para jogá-la na lama. Pior de tudo é que a democracia que muitos desejam enlamear depende da honrabilidade do Poder Judiciário para se manter de pé.

 Mirem-se, senhores no exemplo de Carmen Lúcia!

E protestem contra todo tipo de farsa e farsantes.     

19 de agosto de 2026

Efeito rebote jurídico


Os jornalistas profissionais lutaram por muitos anos pela regulamentação da profissão de jornalista e finalmente, em fins da década de 1960 e início da de 1970 houve esse reconhecimento. Mas por pouco tempo. Em 2009 o Supremo Tribunal Federal, (na foto a sede deste sendo lavada) na cauda de cometa de uma campanha que tinha à frente os maiores conglomerados da área no Brasil e sob o falso argumento de defender o direito à livre manifestação do pensamento, 
foi derrubada a obrigatoriedade do diploma de curso superior e do registro ministerial para o exercício da atividade. Votação fácil, por 8 a 1, e que tornou minha profissão um pântano a ser habitado por qualquer tipo de gente, sobretudo e principalmente por aqueles que tinham projetos escusos em mente.
O que conteceu então? Milhares de pessoas obtiveram registro profissional como jornalistas. Os sindicatos de classe, que haviam se fortalecido desde a regulamentação, acabaram vítimas daquele caudal de novos "profissionais" que pretendiam usar o registro em benefício próprio ou de grupelhos, sobretudo políticos. E estes picaretas sem formação intelectual alguma, sem conhecimento da profissão ou ética para seu exercício fizeram do jornalismo um quintal. Só para resumir, durante o governo do presidiário Jair Bolsonaro qualquer coisa perto de 50 jornais ou outros tipos de informativos, a maioria online, foram criados Brasil afora. Entidades estranhas à profissão também. Já citei o caso da AJEB, Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil, que usa o termo desta profissão para benefício próprio. Na seccional do Espírito Santo a diretoria é composta pela fina flor da extrema direita política local.
Tinha que acontecer: um belo dia o imenso número de energúmenos invasores de uma atividade profissional que preza pela dignidade atacou o mesmo STF que a deslegitimou. Foi o efeito rebote jurídico. Em vez do médico, que se caracteriza pelo retorno ou piora intensa de sintomas originais pelo não uso de remédios de um tratamento, veio o ataque solerte contra a instituição defensora da nossa Constituição por parte das quadrilhas que não a respeitam e usam a proteção ao sigilo da fonte como forma de ataque e encobrimento de crimes. De uma hora para a outra viu-se que o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511.961 de 2009 se constituiu em um erro monumental. Regulamentado como deve ser o jornalismo não fere o direito à informação. Muito pelo contrário, ele o protege afastando de seu meio aqueles não profissionais e os que usam ou usariam do exercício da atividade um meio para cometimento de crimes e ataques à democracia.
Agora mesmo um dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que vem sofrendo ataques sobre ataques por suas atividades na corte, teve que falar do assunto e, citando o caso dos antigos rábulas da advocacia, dizer que é chegada a hora de o exercício da atividade jornalística ser reinterpretado para que ele volte a contar com a proteção das leis, mesmo que isso contrarie interesses, confessos ou não, dos grandes donos das redes de Comunicação. Se tal acontecer vai ser muito mais difícil a gente desonesta ameaçar pessoas como o também ministro do STF Flávio Dino. 
E também é chegada a hora de a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e entidades regionais se manifestarem a esse respeito e reiniciarem a luta pela regulamentação da nossa profissão. É possível vencermos mais essa batalha para depois começarmos a pensar no que fazer com as inúmeras quadrilhas hoje presentes em nosso meio. O livre exercício do pensamento, da livre manifestação de opiniões, estará sempre preservado. Afinal, ser jornalista vai depender do Diploma de Comunicação Social - Jornalismo, da mesma forma que ser advogado depende da obtenção de um diploma em Direito e aprovação da prova da OAB. É bastante frequentar os bancos das escolas de terceiro grau e se formar. Nada mais além da dignidade pessoal e da vocação para uma atividade que exige esforço.

18 de agosto de 2026

Os estrupícios

 

Quando eu era pequeno as pessoas tinham o hábito de chamar os menos favorecidos intelectualmente de estrupícios. Na linguagem popular esse termo pode identificar confusão, barulho, problema ou gente chata, atrapalhada e ignorante. Como é o caso do deputado federal Nikolas Ferreira, autor de vários disparates linguísticos, dono de uma ignorância monumental e a ponto de dar declaração conceituando Brasília como uma cidade feia em comparação com o Capitólio, nos Estados Unidos ou o prédio do Congresso espanhol. É como comparar alhos com bugalhos, sem querar desmerecer os exemplos citados por ele.

O prédio dos EUA teve pedra fundamental lançada em 18 de setembro de 1793. Foi ocupado inicialmente em 1800 e passou por diversas reformas e ampliações, sendo a última em 1962. Ele foi erguido em estilo neoclássico tentando lembrar as antigas democracias de Roma e da Grécia e nas quais o país pretendia se espelhar. Mas de que maneira explicar isso a um indivíduo como aquele?

Brasília, que mostro na foto acima, do Eixo Monumental, é talvez a obra maior de Oscar Niemayer, um arquiteto que foi referência no mundo todo. Ele e Lúcio Costa, o calculista que trabalhou na obra, fizeram a cidade em estilo modernista inaugurada em 1960, concebida na primeira metade da década de 1950 e cuja obra foi iniciada em 1955. Não é possível comparar as duas coisas sem que se tome como parâmetro maior o espaço de tempo e a proposta embutida em cada uma delas. Esse indivíduo de baixíssima estatura intelectual e que conseguiu mais de 1,5 milhão de votos ao ser eleito, também não deve gostar do Palácio Tancredo Neves, a obra que parece suspensa no ar como por mágica e que faz parte da Cidade Adminstrativa de Belo Horizonte (foto abaixo).


O projeto é do mesmo Niemeyer e está localizado no Estado que elegeu esse  estrupício para nos representar no Congresso Nacional. O Brasil é terra de grandes arquitetos. O autor das duas obras citadas é considerado o maior deles, mas isso é questão de gosto. Um outro, autor do Museu dos Coches, de Lisboa, uma construção belíssima e também modernista, Paulo Mendes da Rocha, projetou o Cais das Artes em Vitória, projeto magnífico e que a pouca visão de futuro dos administradores públicos de meu Estado ainda não permitiu que fosse concluída apesar de tantos anos de trabalho.

Hoje estamos diante de uma situação crítica. Vamos eleger um presidente da República numa época em que a maior potência militar do planeta, governada por um psicopata corrupto - o mais corrupto de toda a história norte-americana -, tenta impor seu pensamento político a outras nações e ataca o Brasil por não querer ser quintal do país governado por ele, como vem acontecendo com outros estados sul-americanos. O candidato preferido por esse estrupício estrangeiro e filho do ex-presidente brasileiro condenado pela Justiça, é também intelectualmente um pobre diabo que teve o desplante e o descaramento de fazer uma foto sua mostrada logo abaixo, com recursos de IA e na qual ele aparece usando sunga branca, com faixa presidencial atravessada no peito e se mostrando como uma espécie de super-homem deficiente mental ao lado de uma piscina e com lata de algum líquido na mão esquerda. Um indivúduo assim não pode ocupar o Palácio do Planalto em hipótese alguma.

Quando digo que estamos diante de um momento crítico quero falar que o Brasil corre o risco de ser diminuído conceitual e intelectualmente no concerto das nações por conta desse tipo de gente que nos representa. E isso nem é culpa direta deles porque foram eleitos pelos mesmos brasileiros que vão entregar o Poder Executivo ao próximo presidente dentro de muito pouco tempo. É uma situação grave e que precisa ser vista com o olhar de quem planeja seu próprio futuro. Infelizmente temos uma sociedade onde ainda pontifica certa espécie de conservadorismo político que beira o reacionarismo, às vezes o ultrapassando, e na qual as pessoas entregam seu voto àqueles que lhes conseguem transmitir verdade, mesmo a partir de mensagens falsas, patriotismo entreguista e promessas vagas, abstratas e cheias de preconceito contra o adversário chamado de inimigo.

"Deus, pátria e família" era o slogan do fascismo de Benito Mussolini. Aqui no Brasil a ele foi acrescentado um "liberdade" na qual os fascistas não acreditam a não ser se ela significar o apoio total, inquestionável, a todos os seus dogmas e "verdades" que são propagados de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. E eles ainda pregam que nosso país está sendo destruído ao mesmo tempo em que acumulam fortunas imensas que não podem ser explicadas como sendo fruto de seu trabalho. Até Michele Bolsonaro declarou 4,4 milhões em bens sabe-se lá vindos de onde, para concorrer a um mandato de senadora.

Aliás, sabemos todos de onde veio esse dinheiro! E por sabermos precisamos eleger a pessoa certa em outubro. Chega de extrema direita no Brasil!