Conto uma história, a minha: sou jornalista profissional e durante 27 anos trabalhei no Jornal A Gazeta antes de ele ser destruído por administrações catastróficas e seguidas. Começaram com a importação de São Paulo de profissionais voltados ao lucro e trazidos para cá por Plínio Marchini, misto de jornalista e publicitário (isso nunca dá certo!), amigo do poder e dos cifrões. Com a morte do jornalista Paulo Eduardo Torre ele trouxe para Vitória profissionais de São Paulo e que dirigiriam a antiga empresa da rua General Osório depois do afastamento de Cariê Lindenberg e sua substituição por Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Neto, o Café, que nunca, jamais entendeu nadinha de jornalismo.
Paulo Torre marcou o fim de uma era de A Gazeta dirigida por jornalistas competentes, cada um à sua época, como Cláudio Bueno Rocha, Rogério Medeiros, Jackson Lima, Marien Calixree, Nilo Martins e Antônio Carlos Leite, estes antes de o citado na abertura do parágrafo. Depois deles e com a escalação de Café, a empresa da agora Rua Chafic Murad ou Cariê Lidenberg, despencou. E ladeira abaixo ela terminou por extinguir o jornal impresso. Um atestado de óbito. E por que deu errado com os paulistas?
Jornal é produto essencialmente regional, com raízes onde nasceu, cresceu e se tornou referência de qualidade e credibilidade. Então ou quem o dirige incorpora os valores cuturais do lugar onde está, mesmo tendo nascido lua, ou mata sua galihha dos ovos de ouro. Foi o que aconteceu com aquela gente escondida em hotel e com saudades de São Paulo.
Mas eu queria chegar ao ponto de agora: durante boa parte desses 27 anos fui Editor de Esportes de A Gazeta, isso de 1972 a 1998. E esporte tem todos os dias... O resultado foi que o vagabundo aqui tinha um domingo de folga por mês, folgava alguns sábados e, ao longo dos muitos anos essa escala de trabalho cruel torpedeou seu casamento, o relacionamento com as filhas e até mesmo a tranquilidade pessoal. Fazer o que, se foi minha escolha e de todos os demais jornalistas faziam escala 6X1 sem questionar nada, sobretudo na época da ditadura? Muitos morreram precocemente, do coração, como foi o caso de Paulo Torre.
Sim, o esporte continua todos os dias, mas com o fim dessa escala os empresários de comunicação terão de investir em mais profissionais, reformular as escalas de trabalho, fazer empresas mais humanas e voltadas às pessoas e redefinir alguns conceitos. Isso é possível, as soluções existem e agora serão implementadas. Perder dinheiro e desfazer seus negócios eles não vão. E assim como na comunicação, os empresários dos demais setores farão o mesmo. Inclusive os do tal agro, que combatem o governo atual, o "comunismo" de cada esquina da vida, mas não deixam de viver principalmente de dinheiro público com suas existências de nababos apaixonados pelas generosas tetas da "viuva"!
No Congresso, os à venda já foram comprados e fizeram o discurso do empresariado. Do mercado! Em alguns meios de comunicação ainda resistentes à ideia de menos jornalistas morrerem do coração, planos estão sendo refeitos. Com muita má vontade, mas estão. Eles tentaram de tudo para evitar o fim da escala 6X1, mas vão morrer na praia. Isso porque a pressão popular, quando coloca em risco as reeleições sobretudo das dinastias parlamentares, faz com que estas fiquem mais "maleáveis". O pior já passou, mas ainda é preciso estar atento e forte. Não podemos temer a morte. Senão ela chega.
Acreditem no vagaundo que quase se matou de tanto trabalhar: a escala 6X1 vai acabar.






