28 de setembro de 2026

Respeito religioso e Estado laico

 O que é laicidade de Estado? É o princípio político e jurídico que separa oficialmente o governo e as instituições religiosas. Isso não quer dizer que o Estado, nesse caso, renegue as religiões; em absoluto. Quer dizer que esse País, no caso o Brasil, não tem uma religião oficial e permite o exercício de todas elas por seus cidadãos, não privilegiando nenhum credo específico em detrimento dos demais. É esse princípio legal que garante aos brasileiros a paz religiosa que sempre imperou entre nós. E é por isso que a foto acima, de destruição de imagens católicas em  um templo, são totalmente inaceitáveis.

Há uma diferença imensa entre Estado laico como o nosso e Estado religioso ou ateu. Cito um exemplo no caso, Israel. Ele foi criado em 1948 para dar uma pátria aos judeus, pessoas que praticam a religião judaica. Mas nunca aceitou os praticantes de outros credos como cidadãos donos de direitos iguais. Os muçulmanos israelenses são pessoas de nível inferior, e isso se baseia em leis. Qualquer não judeu em Israel tem status menor. Hoje, com o governo sionista no poder, essa situação se agudiza. O Estado Judeu Sionista é genocida e se não for detido vai destruir os palestinos. Seus atuais governantes querem desconhecer a Palestina como Estado e os palestinos como povo. Isso é genocídio e está sendo visto não apenas em Gaza, mas também na Cisjordânia ocupada e fatiada ante a indiferença mundial.

É uma situação assim que queremos no Brasil? Quando o indivíduo Flávio Bolsonaro diz a seus apoiadores que sua primeira medida como presidente seria decretar que nosso País "é do Senhor Jesus", ele agride a Constituição e rompe com os princípios do Estado Laico. Ele por ventura sabe que para os judeus, sobretudo radicais, Jesus não passa de um "falso profeta"? E que apesar disso ele era judeu? Esse sujeito já viu cristão sendo hostilizado em Israel? Um conhecido meu teve o crucifixo cuspido por um pirralho de quipá em Jerusalém.

Destruir ou hostilizar uma imagem religiosa é um sacrilégio e um crime. No Brasil da extrema direita isso já foi feito diversas vezes contra confissões afrobrasileiras. Nossos noticiários mostraram ao vivo e a cores templos afro agredidos ou vandalizados. Num país que foi escravocrata durante séculos, que tornou escravos homens e mulheres trazidos à força para cá em navios negreiros, isso é inimaginável. Nosso País, é preciso lembrar, escravizou até mesmo os povos nativos chamados pelos invasores de "preguiçosos". Nessa mesma campanha política cujo primeiro turno terá votação domingo, o candidato do PL já citado aqui chegou a dizer num palanque que não queremos "índios fazendo uuuuu" pelas ruas. Isso mostra o desprezo que essa gente tem pela cultura dos outros.

Quando rapazola tive um amigo nissei e ia à casa dele às vezes. Tinha imenso respeito pelo fato de os pais do moço serem Mahayanas, adeptos do ramo do budismo mais praticado no Japão. Um dia o senhor Watanabe me pergntou qual era minha religião e eu disse que não tinha. Ele pensou um pouco e voltou a questionar: "Ateu?". À minha resposta afirmativa, ganhei um abraço e uma liçãode vida: "Fala isso, sim. Respeito tanto seu pensar quanto você o meu, Álvaro sam!". Num Estado laico onde ateus temem a rejeição, fui abraçado por uma pessoa que amava o Brasil, a liberdade que desfrutava aqui e o seu ídolo Sidarta Gautama.

Esse é o Brasil que nós construímos. Um País de respeito religioso e Estado laico. Não podemos permitir que a insensatez, a ignorância e a ignomínia tentem destruí-lo. Continuaremos sendo praticantes de todas as religiões ou de nenhuma delas, tanto faz. Continuaremos vivendo em comunhão uns com os outros. Aqueles que tentam destruir nossa paz através da negação da laicidade vão perder. Rezar para pneus, tentar manter contato com estraterrestres por celular e acampar diante de instalações militares para buscar uma forma de destruir o Estado Democrático e de Direito por meios violentos só os leva ao fracasso. Levou no passado mais recente e iria levar agora se não fosse detido como foi.    

24 de setembro de 2026

Jornalismo e crime organizado


No dia 02 de junho de 2002 o jornalista Tim Lopes foi sequestrado e morto a mando do traficante Elias Maluco na Vila Cruzeiro, Complexo do Alemão, Rio de Janeiro. Ele apurava matéria investigativa sobre o abuso de menores pelo tráfico de drogas, assunto muito importante até hoje, e uma microcâmera o denunciou. Foi torturado antes de ser executado selvagemente. A Rede Globo, empresa que o empregava, denunciou o fato e o noticiou durante muito tempo. Toda a imprensa brasileira fez isso e a internacional também.

Mas já faz 24 anos que essa morte se deu e é possível dizer que de lá para cá não surgiu outro Tim Lopes no jornalismo brasileiro. Sou capaz de afirmar que porque talvez isso não interesse tanto às empresas de Comunicação do Brasil, sobretudo aos grandes meios. Mas de lá para cá surgiram milhares de Elias Maluco no crime organizado de nosso País para substituir o de junho de 2002, porque este morreu em 22 de setembro de 2020 aos 54 anos na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, vitimado por "asfixia mecânica". E apareceram tantos outros porque isso interessa demais ao crime organizado, claro!

O jornalismo não é responsável pelo crescimento do crime no Brasil, nem direta nem indiretamente, mas as grandes empresas podem ser acusadas de terem se omitido no crescimento do número de criminosos ligados aos grandes grupos atuais pelo fato de nunca mais depois de Tim Lopes terem investido pesado na formação de grandes repórteres para a área investigativa. Nos tempos passados era imperativo ao profissional da especialidade ir além da notícia. Acrecesntar sempre algo ao fato, investigar, revelar. E para esse ramo do jornalismo a fonte, essa "entidade" muito comentada nos dias de hoje principalmente nos casos do Banco Master e suas ramificações, era vital para as maiores coberturas.

Pode-se dizer que cometo injustiça. Por exemplo, que o jornalismo de televisão investe na investigação de fatos ligados à política. Isso é real. Mas há uma diferença abissal entre o Tim Maia no campo, buscando a notícia onde ela brotava, e os profissionais de hoje, sentados em estúdios, celulares ou notebooks nas mãos telefonando para autoridades, na maioria esmagadora dos casos também estas em ambientes refrigerados. Existe hoje o "Profissão Repórtes Procura", no qual Caco Barcellos tenta lançar, digamos, revelações na Globo. Mas isso é pouco, com resultados de destaque que desconhecemos. Aqui no Espírito Santo o "Curso de Residência em Jornalismo" da Rede Gazeta serve apenas para que a empresa possa abastecer sua redação com mão de obra barata. A maioria dos profissionais tem atuação breve num dia-a-dia quase sempre subordinado à área comercial.

Matamos o jornalismo investigativo já faz mais duas décadas e o reultado é a queda da qualidade do noticiário de modo geral, tanto de jornal quanto de rádio e televisão. No Espírito Santo isso se mostra de forma até patética. Amaro Neto, um cidadão que busca a reeleição a deputado federal aparece no horário de propaganda eleitoral gratuita fazendo trejeitos de programas de baixo nível policial para conquistar votos. Só tem isso a mostrar, pois foi nesse terreno que hoje se mostra fértil nas TVs que ele apareceu.

No dia em que o presidente Lula falou na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU pelo Brasil, como ocorre todos os anos, o Jornal Nacional mostrou a fala, que para a imensa maioria das pessoas era muito importante - e era mesmo -, como matéria de segundo nível, após coberturas outras. Ora, se é uma posição política, tudo bem, mas isso deveria ser demonstrado de forma clara: "Não apoiamos esse candidato", por exemplo. Se não é ou se falta coragem para dizer isso, então a cobertura foi péssima e em momento algum tentou ir além do fato, o que na TV é ruim, pois se tratava de uma cobertura matutina.

Nos tempos de invasão do crime organizado em praticamente todos os setores da vida nacional, já que hoje eles têm representantes até mesmo no Congresso Brasileiro e um candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro, vinculado claramente a milícias e a diversas outras formas de cometimento de crimes, falta-nos um jornalismo local, estadual e nacional capaz, competente, ético, investigativo e desvinculado de coisa alguma que não seja a dignidade da informação. Os brasileiros a merecem.

21 de setembro de 2026

As bets e o bom combate

O crime das bets toma conta do Brasil já faz muito tempo e ninguém faz nada para combater esse mal. Foi um candidato à presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva, do PT, quem deu um grito e disse: "Eu vou acabar com as bets no Brasil". Todos os demais estão até agora calados, passando ao largo desse problema como se ele não existisse e por um único motivo: gente poderosa, dona de muito poder mesmo, ganha rios de dinheiro com isso e com o silêncio do entorno. E essa gente incomoda!

Chama-se ludopatia a doença do jogo. Aquela que faz uma pessoa perder tudo diante de uma tela tentando ficar rica nas apostas contra as bets. Não fica mesmo. Por que Las Vegas é uma cidade miliardária e poderosa no meio de um deserto do Estado de Nevada. nos Estados Unidos? Porque ela vive de depenar, literalmente tirar todas as penas dos iludidos que chegam lá com o sonho de ficaram milionários nas máquinas caça níqueis, no black jack, na roleta e nas outras maneiras que os donos das maiores casas de apostas do mundo têm para tirar dinheiro de incautos de manhã, à tarde, à noite e de madrugada.

Aqui no Brasil as bets viraram essa miragem desértica. E, por incrível que possa parecer somente um candidato à presidência tem no enfrentamento aos jogos que viraram uma febre maléfica, um câncer social inimaginável, projeto de campanha e de governo. Por quê? Que tipo de medos ou compromissos subterrâneos impedem os demais de abraçarem esse mesmo combate que é vivido pelo cadidato do PT? Porque nós, brasileiros, não podemos combater o bom combate para livrar o País da situação que vive hoje, com milhares de pessoas dignas endividadas, perdendo patrimônios de uma vida inteira, a saúde, a família a até mesmo recorrendo ao suicídio, o que não é raro, para jogar a cada dia mais.

As TVs ganham rios de dinheiro como as bets. E querem mais. Jogadores de futebol se jogam nessa escumalha, jornalistas comentaristas também. É grande a quantidade de pessoas que perdem o pudor para encher os bolsos de dinheiro tomado a esses doentes de ludopatia que a cada dia ficam em pior situação. E isso não é brincadeira: médicos dizem que essa doença se assemelha a um vício por droga por causa da dificuldade que as pessoas têm de deixar a tentação, sobretudo depois de afundarem no pântano de dívidas contraídas.

Já vi isso. Fui ao cassino de Vinã Del Mar, no Chile, quando passei por lá. Acompanhei um amigo a um cassino clandestino de um hotel de Guarapari e, em outro caso, do já não mais existente Hotel Porto do Sol, em Jardim Camburi, Vitória. Nos dois casos foi difícil tirar os amigos de lá. Todo mundo sabia onde os cassinos estavam, que eles operavam livremente mas a Polícia não aparecia lá. Faltavam os endereços? Talvez por coincidêcia é na jogatina que a máfia ganha mais dinheiro! Quase tanto quanto Vorcaro na corrupção.

Vamos combater as bets, essa nova forma de roubar dinheiro das pessoas até mesmo via salário mínimo e bolsa família, impunemente. As grandes redes de TV já não embolsaram o suficiente? Querem mais? Há poderosos tentando intimidar o candidato do PT? É muito estranho que diante de um quadro grave como esse somente um candidato se atire à luta. E os demais se dizem valentes... Lula dá seguidas entrevistas dizendo que combaterá as bets no Brasil depois de retornar dos Estados Unidos onde nesta terça-feira vai denunciar a intromissão do goveno de extrema direita de Donald Trump nas eleições brasileiras, no país que ele pretende ver como um "quintal" que quer conquistar a mais para seu império já decadente.

É preciso mais gente para combater o bom combate.  

17 de setembro de 2026

Supremo em Chamas

 
Em 08 de janeiro de 2023 a sala de julgamentos do Supremo Tribunal Federal foi quase totalmente destruída pela horda de vândalos que invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília. A foto acima mostra como foi feita a depredação durante aqueles atos. Dia 15 último, terça-feira, a reunião realizada lá para a discussão dos impasses surgidos depois de denúncias de proximidade e diálogos espúrios entre ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso, provocou mais estragos que todos os malfeitores juntos causaram ao STF.

Mas uma coisa precisa ser dita porque está sendo evitada por conveniência, omisssão ou crença equivocada na esmagadora maioria da considerações acerca desse malfadado fato: toda a crise que vivemos hoje, às vésperas das eleições mais importantes da história dessa República, foi provocada propositadamente pelo ministro André Mendonça para que o caos invadisse o pleito de 04 de outubro próximo. Ela é um movimento político da extrema direita brasileira e armada, como vingança contra o ministro Alexandre de Moraes, aquele que condenou Jair Bolsonaro à prisão. Só foi possível por este abriu seu flanco ao ataque.

Em 62a.C. um centurião romano de nome Clódio invadiu o salão de banho das mulheres na casa de Júlio César e onde a esposa deste, Pompéia, era banhada para a festa em honra à deusa Bona Dea. Ele estava disfarçado de mulher, mas foi flagrado. O imperador comunicou que iria se divorciar da esposa. Quando esta alegou que havia sido a vítima e era honesta, César respondeu: "À mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta".

Quando, depois de muitos anos de casado, Dilermando de Assis foi pego traindo sua então esposa Ana com outra mulher, no início do século passado, esta reagiu serenamente, anunciando sua separação dele em definitivo: "De todos os homens do mundo, você era o único que não tinha o direito de prevaricar. Por tudo o que eu passei!". Ela havia sido casada primeiro com o escritor Euclides da Cunha e teve filhos com ele. Apaixonou-se por Assis, bem mais jovem e isso provocou reação armada de Euclides, que foi morto pelo oponente, um militar campeão de tiros. Anos depois um dos filhos de Ana e Euclides foi tirar satisfações com Dilermando, sacou de uma arma e foi também morto por este em outro caso de legítima defesa.

Não importa quantas testemunhas Alexandre de Moraes consiga para provar que não teve ligação próxima com o banqueiro e criminoso Vorcaro. Ele era o prêmio, a cabeça que o bolsonarismo sonhava ter numa bandeja para se vingar da condenação do sentenciado Jair e seu desafeto a deu de presente aos oponentes. A Moraes não bastava ser honesto, ele tinha que parecer honesto e não parece mais. André Mendonça, Fux, Kássio e outros podem pedir desculpas por esse ou aquele escorregão, mas Alexandre, por tudo o que houve e por todos os episódios que protagonizou no STF, era o único que não tinha o direito de prevaricar.

Assim é a vida, fazer o quê?

Flávio Bolsonaro, filho de golpista e herdeiro do golpismo, amigo de milicianos, condecorador de assassinos, beneficiário de rachadinhas, lavador de dinheiro em loja de chocolates de grif, comprador de dezenas de imóveis em dinheiro vivo, inclusive sua mansão do Lago Sul, em Brasília e que faz política há anos sobretudo como deputado e senador com atuação absolutamente medíocre e sem um único projeto de realce que possa apontar, promete salvar o Brasil. De que? De quem?

Ele quer presidir o País e acusa o hoje presidente Lula de ser autor de corrupções que desgraçam nossa Nação. Quais? Não as cita e nem mostra ao menos evidências de autoria. Hoje, por exemplo, diz que seu alvo é quem sustentou e sustenta Alexandre de Moraes no STF. Esse ministro foi indicado por Michel Temer e o atual presidente tem relações de proximidade com ele, mas também com os demais ministros do STF e com o judiciário como um Poder da República. Em suas manifestações públicas, sempre respeitou a independência dos Três Poderes. Esse tipo de acusação não se sustenta como lema de campanha política honesta.

Hoje presisamos nos preocupar mais, isso sim, com as tentativas de interferência externa em nossas eleições partidas dos Estados Unidos com a ajuda de traidores da pátria como Alexandre Bolsonaro e com os danos que tais atos provocam até na economia brasileira manipulada por esse tal "mercado" incapaz de aceitar um presidente que tem como lema governar para aqueles que presisam e age para sabotar o governo em vez de ser capaz de criticar o que merece ser criticado e ajudar na correção de rotas com sugestões válidas.

César mandou Clódio para uma guarnição de fronteira onde ele terminou assassinado. Dilermando findou seus dias sem saber se Ana de Assis, a S'anninha, o havia perdoado pela traição. Nenhum dos dois cometeu "crimes" como os que se cometem hoje, por eexemplo, nas festas do Madame Satã, em São Paulo, ou nas "Festas dos Astronautas", em Nova Iorque. Lula não participa nem delas nem da composição desse Supremo em Chamas!.       

14 de setembro de 2026

Véspera da erupção

Hoje é véspera de erupção e o vulcão está em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, o STF. No final da manhã de amanhã ministros da mais importante corte de Justiça do País vão se reunir teoricamente para decidir se prospera ou não a acusação contra o ministro Alexandre de Moraes, que está sendo acusado pelo também ministro André Mendonça de ter conversado com o hoje detento Daniel Vorcaro sobre assuntos nada republicanos. E embora os fatos se deem a todo minuto e se atropelem enquanto são comentados via satélite por praticamente todos os canais de TV e outros meios de Comunicação, é impossível dizer agora o que vai acontecer na reunião. Ela deve ser aberta a todos e com os ódios supremos à flor da pele.

Será talvez a primeira vez que a política, mais precisamente a eleição do próximo presidente da República, será o tema desse encontro. Em 1889, quando um golpe de Estado derrubou a monarquia para criar a República no Brasil, o instante foi eternizado na obra de Benedito Calixto, que é mostrada acima, na abertura desse texto. Foi uma violência que mandou para o exílio o imperador decidido a não reagir para poupar o sangue brasileiro. E ao longo dos hoje 137 anos dessa nossa hoje forma de Governo, nunca antes a Suprema Corte havia sido tão invadida pelos calores políticos de uma democracia que vive de se esquecer de suas origens. Em 1887 o golpe de Estado se deu no Rio de Janeiro. Hoje ele é teoriaente distante.

Independente do que venha a ocorrer nessa reunião, ela arranha a democracia. Creio eu - e essa é uma opinião pessoal - que um Ministro do Supremo jamais deveria ser cruzado de uma corrente política. André Mendonça é. E também que ministros de uma Suprema Corte e seus parentes diretos devem estar distantes de quaisquer empreendimentos empresariais advocatícios que possam se aproximar da atuação do STF. Mais de um ministro faz isso. Também não se deve aceitar patrocínio para viagens internacionais em eventos patrocinados por empresas que possam vir a ser parte de processos, etc. Distância é preciso manter.

Enfim, são muitos os motivos que levam o Brasil a hoje parar diante de aparelhos de TV ou outros meios de comunicação para saber o que acontece em Brasília. Alguns ficarão apenas curiosos. Outros, preocupados. Alguns, pasmos. Haverá quem torcerá para um determinado resultado e até mesmo, impossível mas acontece, que o som das lagartas dos tanques de guerra cruzando a Praça dos Três Poderes interrompa os debates e restaure a ditadura militar. Se possível e por mais incrível que pareça, "com Bolsonaro no poder".

A primeira pesquisa feita depois das últimas denúncias tornadas públicas e que dipararam o elenco de aberturas de sigilo que inflam a reunião de amanhã mostram que o candidato Flávio Bolsonaro não foi atingido, ao menos por agora, pelo mar de denúncias que o mostram como corrupto, parte de acordos inacreditáveis de desvio de dinheiro público e mais uma carrada de comprovações claras e irrefutáveis de que ele é parte de um grande esquema de corrupção que varre o Brasil a partir do Poder Legislativo, está entranhado em todas as instâncias da vida nacional e esse candidato de sobrenome Bolsonaro não pode ser um porta voz da luta contra os desmandos da vida nacional porque é parte deles.

Tomara o Supremo Tribunal Federal possa atravessar essa tormenta na forma de erupção vulcânica intocado, mesmo tendo que atingir alguns de seus membros. Tomara a urbanidade e o respeito se sobreponham aos argumentos de ódio nesta que pode ser a suprema obra indireta de intervenção bolsonarista sobre a vida nacional em sua luta para voltar ao poder e transformar o Brasil em quintal dos Estados Unidos e outras desgraças mais. O resultado dessa reunião e da marcada para a próxima terça-feira pelo presidente Edson Fachin vão ser vitais para nossa saúde democrática. Muita gente torce pela paz e pelo cosenso, mas a extrema direita quer ver o caos em forma de crise mais forte do que nunca.

De uma coisa todos podem ter certeza: na hipótese (improvável?) de o candidato da hoje oposição vencer no segundo turno os jornalistas de todo o Brasil não vão precisar pergntar a vencedores e vencidos sobre a hipótese de um golpe de Estado, pois isso não vai ser necessário. Como não vem sendo nos debates de agora. Por que será?

11 de setembro de 2026

Um roteiro para o golpe

Jornalistas, sobretudo dos grandes meios de comunicação passaram a noite de ontem para hoje debruçados sobre documentos liberados ontem à noite pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Édson Fachin, que quebrou o sigilo de toda a papelada dos processos referentes ao Caso Master, uma falcatrua nascida com o governo de Jair Bolsonaro e que foi desmascarada e combatida a partir do governo atual, de Lula. O que se viu até agora é estarrecedor. Até altos funcionários do Banco Central estão envolvidos no roubo de dinheiro público que abasteceu inúmeros setores da corrupção brasileira, inclusive, via também emendas parlamentares, as falcatruas imensas praticadas pela família Bolsonaro.

Mas é triste ver que nesse cipoal de atos espúrios há ao menos ligações telefônicas que colocam o ministro do STF Alexandre de Moraes no epicentro do furacão. De todos os altos funcionários da Justiça, talvez ele fosse um dos únicos que não tinham o direito de prevaricar. Está certo que ainda não se manifestou em defesa, mas precisa fazer isso logo, rapido e com argumentos seguros e irrefutáveis como a lâmina de um bisturi que corta o mal pela raiz. Trata-se de uma questão de honra para ele.

Depois de tudo o que está sendo mostrado e com a certeza de que vem coisa muito pior ainda pela frente, fico com a certeza de que há um roteiro para o golpe de Estado dentro do Estado que se pretende para o Brasil a partir da candidatura de Flávio Bolsonaro. Os fatos se encadeiam. Sem acreditar em teorias da conspiração, vamos a eles: no Supremo Tribunal Federal a presidência se alterna por acordo quase regra. O presidente de hoje, Fachin, sabe que será sucedido pelo presidente de amanhã, Alexandre de Moraes. Opa, mas isso é um problema muito serio!

A extrema direita quer o poder de volta e o caminho é vencer a próxima eleição de qualquer maneira. Qualquer uma mesmo! Então, um Bolsonaro não poderá encontrar Alexandre de Moraes no comando da Suprema Corte para dificultar todos os projetos que incluem a submissão total do Poder Judiciário ao Executivo que já teria o controle do Legislativo. Era preciso encontrar alguém terrivelmente fiel ao projeto para criar o caos no STF. Foi fácil. O terrivelmente evangélico atropelou todas as normas e protocolos para fazer uma denúncia contra o também ministro desafeto declarado para com isso paralisar até mesmo os trabalhos judiciários às vésperas da eleição. Terrível será se o desafeto tiver mesmo os pés na lama.

A extrema direita e setores do neopentecostalismo espalhado por várias denominações religiosas brasileiras com raiz nos Estados Unidos, algumas das quais empresas multinacionais de exploração da crença das pessoas, são mestres nesse mister. Nas atividades políticas onde elas têm até bancada no Congresso Nacional, fazem união perfeita de extrema direita política nos dois picadeiros. Fecham questão em torno de seus projetos, interferem nos trabalhos e pressionam em todos os setores. De uma coisa não abrem mão: partidos políticos, bem como democracia são apenas incômodos para o grupo. Se pudessem terminariam com ambos, vilipendiando um e destruindo o outro.

Sim, André Mendonça talvez seja hoje a peça mais importante do tabuleiro golpista das eleições. Deu uma contribuição imensa ao projeto e ainda pode aumentar a crise abastecendo a fogueira com mais lenha. A menos que se tenha como combatê-lo abrindo também seu cofrinho de segredos. Em Brasília virgindade, mesmo no campo profissional, é atributo em vias de extinção. Encontrar algum é tão difícil como achar minhoca no asfalto.

Os próximos dias vão ser decisivos para nós. A mim parece que a democracia resiste às prostitutas de plantão. Não é mais como em 1964 e nem como em 2016, quando o fatídico 31 de março foi comemorado como mostra a foto que abre esse artigo. Mostra-se forte. Mas vai ser necessário atacar com mais força tudo o que há de retrógrado e criminoso na política brasileira. Não é difícil desnudá-la, mas a mim parece que mostrar a grande parcela dos eleitores a diferença entre alhos e bugalhos é o mais difícil num país onde o eleitorado é hoje, como sempre foi, presa fácil para espertalhões. E eles estão por aí atuando.

Em tempo: fazem hoje 25 anos que houve o atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Um quarto de século e os Estados Unidos continuam os mesmos...   

9 de setembro de 2026

O agente do golpe

Foi o ator José de Abreu quem fez uma verdade ser publicada como piada que está hoje na Internet: "O desejo era fechar o STF com um cabo e dois soldados. Arrumaram um pastor". Perfeito! Nada é mais correto!

O filho 03 de Jair Bolsonaro, Eduardo Bananinha, hoje nos Estados Unidos foi quem disse certa feita que era fácil dar um golpe de Estado no Brasil e bastavam para tanto um Jeep com um cabo e um soldado. Não deu para fazer assim. Mas digo com tanta convicção quanto a de que estou vivo na hora em que escrevo esse artigo do Blogdoalvaro: André Mendonça, o pastor terrivelmente evangélico e colocado lá pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para delírio da ex-primeira dama Michele Bolsonaro, é o agente do golpe levado ao STF. De início, calmo. Diria eu, calmo e calculista. Mas agora, no dia certo e no momento ideal ele provoca uma crise institucional sem precedentes e cai toda ela no colo do atual presidente Lula. Bolsonarista de carteirinha, isso era tudo o que André queria desde seus encontros regados a champagne com 01 como nessa foto acima tirada num evento, segundo foi identificado, de juristas conservadores (sic!). Um encontro bem a carater para os dois.

André Mendonça determinou o afastamento do diretor geral da Polícia Federal que não seguia sua cartilha, e de mais um assessor direto deste, no dia de ontem pela manhã. Foi esse o caos que se queria criar, armado, gestado e parido pelas entranhas da extrema direita. Agora, também pela manhã, o ministro Flávio Dino, da mesma forma em decisão liminar, reverteu o afastamento determinado ontem e foi claro ao escrever em sua decisão que o colega (sic!) Mendonça age em causa própria e se apropria de um poder decisório que, segundo a Constituição, é de competência exclusiva da presidência da República, no caso a de nomear ou afastar, dentre outras autoridades, o diretor geral da PF.

Ontem não se falou de outra coisa. Pela TV ouvi o comentarista Otávio Guedes, da Globo News, dizer que não há apenas uma Polícia Federal e os diretores que ontem colocaram seus cargos à disposição são da ala que apoia o diretor geral Andrei Rodrigues. Isso é verdade, e sem querer saber mais o que o jornalista citado, acrescento: a politização da Polícia Federal começou nos anos de chumbo da ditadura militar brasileira, quando a corporação foi colocada a serviço do regime até mesmo para ameaçar e prender ilegalmente. Isso aconteceu em muitos casos, em diversos lugares. Recordo-me como se fosse hoje: eu tomava cerveja no Bar do Yamaguchi - um jodoca que foi assassinado -, no bairro de Jardim da Penha onde morava e moro, quando em uma outra mesa onde estava um delegado da PF, este se jactava por ter esmurrado um seu professor de matemática, dentro da sala de aula, porque anos antes este havia dito ser de esquerda. Eram assim esses dias de medo e ilegalidades...

A extrema direita dos dias de hoje ainda tenta se sustentar no que sobrou desses anos de chumbo. Mas em mim fica a quase certeza de que os extremistas dos tempos da ditadura ainda existem, sim, mas já são minoria. A Polícia Federal de hoje é em maioria uma corporação honrada e que cumpre sua missão de segurança pública subordinada diretamente ao Ministério da Justiça que, por sua vez, está subordinado à presidência da República. Ela é de suma importância para o Estado Democrático e de Direito. Até passaportes são emitidos por ela.

Não creio que o agente do golpe hoje no STF possa fazer muita coisa amparado na PF. Mas se a função dele é a de interferir nas eleições de 04 de outubro para ajudar o candidato Flávio Bolsonaro e a extrema direita política brasileira, já está fazendo isso com extrema competência. Sabujos geralmente cumprem a missao para a qual foram treinados subterraneamente. É a hora da reação daqueles que defendem a democracia e o Estado de Direito. E sem que nos esqueçamos de algo também muito importante: o ministro Alexandre de Moraes deve explicações aos brasileiro que, como eu, eram fãs dele e têm tanto ódio e nojo da ditadura, como Ulisses Guimarães disse um dia, quanto de mafiosos como Daniel Vorcaro.

Todos pela democracia!