21 de setembro de 2026

As bets e o bom combate

O crime das bets toma conta do Brasil já faz muito tempo e ninguém faz nada para combater esse mal. Foi um candidato à presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva, do PT, quem deu um grito e disse: "Eu vou acabar com as bets no Brasil". Todos os demais estão até agora calados, passando ao largo desse problema como se ele não existisse e por um único motivo: gente poderosa, dona de muito poder mesmo, ganha rios de dinheiro com isso e com o silêncio do entorno. E essa gente incomoda!

Chama-se ludopatia a doença do jogo. Aquela que faz uma pessoa perder tudo diante de uma tela tentando ficar rica nas apostas contra as bets. Não fica mesmo. Por que Las Vegas é uma cidade miliardária e poderosa no meio de um deserto do Estado de Nevada. nos Estados Unidos? Porque ela vive de depenar, literalmente tirar todas as penas dos iludidos que chegam lá com o sonho de ficaram milionários nas máquinas caça níqueis, no black jack, na roleta e nas outras maneiras que os donos das maiores casas de apostas do mundo têm para tirar dinheiro de incautos de manhã, à tarde, à noite e de madrugada.

Aqui no Brasil as bets viraram essa miragem desértica. E, por incrível que possa parecer somente um candidato à presidência tem no enfrentamento aos jogos que viraram uma febre maléfica, um câncer social inimaginável, projeto de campanha e de governo. Por quê? Que tipo de medos ou compromissos subterrâneos impedem os demais de abraçarem esse mesmo combate que é vivido pelo cadidato do PT? Porque nós, brasileiros, não podemos combater o bom combate para livrar o País da situação que vive hoje, com milhares de pessoas dignas endividadas, perdendo patrimônios de uma vida inteira, a saúde, a família a até mesmo recorrendo ao suicídio, o que não é raro, para jogar a cada dia mais.

As TVs ganham rios de dinheiro como as bets. E querem mais. Jogadores de futebol se jogam nessa escumalha, jornalistas comentaristas também. É grande a quantidade de pessoas que perdem o pudor para encher os bolsos de dinheiro tomado a esses doentes de ludopatia que a cada dia ficam em pior situação. E isso não é brincadeira: médicos dizem que essa doença se assemelha a um vício por droga por causa da dificuldade que as pessoas têm de deixar a tentação, sobretudo depois de afundarem no pântano de dívidas contraídas.

Já vi isso. Fui ao cassino de Vinã Del Mar, no Chile, quando passei por lá. Acompanhei um amigo a um cassino clandestino de um hotel de Guarapari e, em outro caso, do já não mais existente Hotel Porto do Sol, em Jardim Camburi, Vitória. Nos dois casos foi difícil tirar os amigos de lá. Todo mundo sabia onde os cassinos estavam, que eles operavam livremente mas a Polícia não aparecia lá. Faltavam os endereços? Talvez por coincidêcia é na jogatina que a máfia ganha mais dinheiro! Quase tanto quanto Vorcaro na corrupção.

Vamos combater as bets, essa nova forma de roubar dinheiro das pessoas até mesmo via salário mínimo e bolsa família, impunemente. As grandes redes de TV já não embolsaram o suficiente? Querem mais? Há poderosos tentando intimidar o candidato do PT? É muito estranho que diante de um quadro grave como esse somente um candidato se atire à luta. E os demais se dizem valentes... Lula dá seguidas entrevistas dizendo que combaterá as bets no Brasil depois de retornar dos Estados Unidos onde nesta terça-feira vai denunciar a intromissão do goveno de extrema direita de Donald Trump nas eleições brasileiras, no país que ele pretende ver como um "quintal" que quer conquistar a mais para seu império já decadente.

É preciso mais gente para combater o bom combate.  

17 de setembro de 2026

Supremo em Chamas

 
Em 08 de janeiro de 2023 a sala de julgamentos do Supremo Tribunal Federal foi quase totalmente destruída pela horda de vândalos que invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília. A foto acima mostra como foi feita a depredação durante aqueles atos. Dia 15 último, terça-feira, a reunião realizada lá para a discussão dos impasses surgidos depois de denúncias de proximidade e diálogos espúrios entre ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso, provocou mais estragos que todos os malfeitores juntos causaram ao STF.

Mas uma coisa precisa ser dita porque está sendo evitada por conveniência, omisssão ou crença equivocada na esmagadora maioria da considerações acerca desse malfadado fato: toda a crise que vivemos hoje, às vésperas das eleições mais importantes da história dessa República, foi provocada propositadamente pelo ministro André Mendonça para que o caos invadisse o pleito de 04 de outubro próximo. Ela é um movimento político da extrema direita brasileira e armada, como vingança contra o ministro Alexandre de Moraes, aquele que condenou Jair Bolsonaro à prisão. Só foi possível por este abriu seu flanco ao ataque.

Em 62a.C. um centurião romano de nome Clódio invadiu o salão de banho das mulheres na casa de Júlio César e onde a esposa deste, Pompéia, era banhada para a festa em honra à deusa Bona Dea. Ele estava disfarçado de mulher, mas foi flagrado. O imperador comunicou que iria se divorciar da esposa. Quando esta alegou que havia sido a vítima e era honesta, César respondeu: "À mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta".

Quando, depois de muitos anos de casado, Dilermando de Assis foi pego traindo sua então esposa Ana com outra mulher, no início do século passado, esta reagiu serenamente, anunciando sua separação dele em definitivo: "De todos os homens do mundo, você era o único que não tinha o direito de prevaricar. Por tudo o que eu passei!". Ela havia sido casada primeiro com o escritor Euclides da Cunha e teve filhos com ele. Apaixonou-se por Assis, bem mais jovem e isso provocou reação armada de Euclides, que foi morto pelo oponente, um militar campeão de tiros. Anos depois um dos filhos de Ana e Euclides foi tirar satisfações com Dilermando, sacou de uma arma e foi também morto por este em outro caso de legítima defesa.

Não importa quantas testemunhas Alexandre de Moraes consiga para provar que não teve ligação próxima com o banqueiro e criminoso Vorcaro. Ele era o prêmio, a cabeça que o bolsonarismo sonhava ter numa bandeja para se vingar da condenação do sentenciado Jair e seu desafeto a deu de presente aos oponentes. A Moraes não bastava ser honesto, ele tinha que parecer honesto e não parece mais. André Mendonça, Fux, Kássio e outros podem pedir desculpas por esse ou aquele escorregão, mas Alexandre, por tudo o que houve e por todos os episódios que protagonizou no STF, era o único que não tinha o direito de prevaricar.

Assim é a vida, fazer o quê?

Flávio Bolsonaro, filho de golpista e herdeiro do golpismo, amigo de milicianos, condecorador de assassinos, beneficiário de rachadinhas, lavador de dinheiro em loja de chocolates de grif, comprador de dezenas de imóveis em dinheiro vivo, inclusive sua mansão do Lago Sul, em Brasília e que faz política há anos sobretudo como deputado e senador com atuação absolutamente medíocre e sem um único projeto de realce que possa apontar, promete salvar o Brasil. De que? De quem?

Ele quer presidir o País e acusa o hoje presidente Lula de ser autor de corrupções que desgraçam nossa Nação. Quais? Não as cita e nem mostra ao menos evidências de autoria. Hoje, por exemplo, diz que seu alvo é quem sustentou e sustenta Alexandre de Moraes no STF. Esse ministro foi indicado por Michel Temer e o atual presidente tem relações de proximidade com ele, mas também com os demais ministros do STF e com o judiciário como um Poder da República. Em suas manifestações públicas, sempre respeitou a independência dos Três Poderes. Esse tipo de acusação não se sustenta como lema de campanha política honesta.

Hoje presisamos nos preocupar mais, isso sim, com as tentativas de interferência externa em nossas eleições partidas dos Estados Unidos com a ajuda de traidores da pátria como Alexandre Bolsonaro e com os danos que tais atos provocam até na economia brasileira manipulada por esse tal "mercado" incapaz de aceitar um presidente que tem como lema governar para aqueles que presisam e age para sabotar o governo em vez de ser capaz de criticar o que merece ser criticado e ajudar na correção de rotas com sugestões válidas.

César mandou Clódio para uma guarnição de fronteira onde ele terminou assassinado. Dilermando findou seus dias sem saber se Ana de Assis, a S'anninha, o havia perdoado pela traição. Nenhum dos dois cometeu "crimes" como os que se cometem hoje, por eexemplo, nas festas do Madame Satã, em São Paulo, ou nas "Festas dos Astronautas", em Nova Iorque. Lula não participa nem delas nem da composição desse Supremo em Chamas!.       

14 de setembro de 2026

Véspera da erupção

Hoje é véspera de erupção e o vulcão está em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, o STF. No final da manhã de amanhã ministros da mais importante corte de Justiça do País vão se reunir teoricamente para decidir se prospera ou não a acusação contra o ministro Alexandre de Moraes, que está sendo acusado pelo também ministro André Mendonça de ter conversado com o hoje detento Daniel Vorcaro sobre assuntos nada republicanos. E embora os fatos se deem a todo minuto e se atropelem enquanto são comentados via satélite por praticamente todos os canais de TV e outros meios de Comunicação, é impossível dizer agora o que vai acontecer na reunião. Ela deve ser aberta a todos e com os ódios supremos à flor da pele.

Será talvez a primeira vez que a política, mais precisamente a eleição do próximo presidente da República, será o tema desse encontro. Em 1889, quando um golpe de Estado derrubou a monarquia para criar a República no Brasil, o instante foi eternizado na obra de Benedito Calixto, que é mostrada acima, na abertura desse texto. Foi uma violência que mandou para o exílio o imperador decidido a não reagir para poupar o sangue brasileiro. E ao longo dos hoje 137 anos dessa nossa hoje forma de Governo, nunca antes a Suprema Corte havia sido tão invadida pelos calores políticos de uma democracia que vive de se esquecer de suas origens. Em 1887 o golpe de Estado se deu no Rio de Janeiro. Hoje ele é teoriaente distante.

Independente do que venha a ocorrer nessa reunião, ela arranha a democracia. Creio eu - e essa é uma opinião pessoal - que um Ministro do Supremo jamais deveria ser cruzado de uma corrente política. André Mendonça é. E também que ministros de uma Suprema Corte e seus parentes diretos devem estar distantes de quaisquer empreendimentos empresariais advocatícios que possam se aproximar da atuação do STF. Mais de um ministro faz isso. Também não se deve aceitar patrocínio para viagens internacionais em eventos patrocinados por empresas que possam vir a ser parte de processos, etc. Distância é preciso manter.

Enfim, são muitos os motivos que levam o Brasil a hoje parar diante de aparelhos de TV ou outros meios de comunicação para saber o que acontece em Brasília. Alguns ficarão apenas curiosos. Outros, preocupados. Alguns, pasmos. Haverá quem torcerá para um determinado resultado e até mesmo, impossível mas acontece, que o som das lagartas dos tanques de guerra cruzando a Praça dos Três Poderes interrompa os debates e restaure a ditadura militar. Se possível e por mais incrível que pareça, "com Bolsonaro no poder".

A primeira pesquisa feita depois das últimas denúncias tornadas públicas e que dipararam o elenco de aberturas de sigilo que inflam a reunião de amanhã mostram que o candidato Flávio Bolsonaro não foi atingido, ao menos por agora, pelo mar de denúncias que o mostram como corrupto, parte de acordos inacreditáveis de desvio de dinheiro público e mais uma carrada de comprovações claras e irrefutáveis de que ele é parte de um grande esquema de corrupção que varre o Brasil a partir do Poder Legislativo, está entranhado em todas as instâncias da vida nacional e esse candidato de sobrenome Bolsonaro não pode ser um porta voz da luta contra os desmandos da vida nacional porque é parte deles.

Tomara o Supremo Tribunal Federal possa atravessar essa tormenta na forma de erupção vulcânica intocado, mesmo tendo que atingir alguns de seus membros. Tomara a urbanidade e o respeito se sobreponham aos argumentos de ódio nesta que pode ser a suprema obra indireta de intervenção bolsonarista sobre a vida nacional em sua luta para voltar ao poder e transformar o Brasil em quintal dos Estados Unidos e outras desgraças mais. O resultado dessa reunião e da marcada para a próxima terça-feira pelo presidente Edson Fachin vão ser vitais para nossa saúde democrática. Muita gente torce pela paz e pelo cosenso, mas a extrema direita quer ver o caos em forma de crise mais forte do que nunca.

De uma coisa todos podem ter certeza: na hipótese (improvável?) de o candidato da hoje oposição vencer no segundo turno os jornalistas de todo o Brasil não vão precisar pergntar a vencedores e vencidos sobre a hipótese de um golpe de Estado, pois isso não vai ser necessário. Como não vem sendo nos debates de agora. Por que será?

11 de setembro de 2026

Um roteiro para o golpe

Jornalistas, sobretudo dos grandes meios de comunicação passaram a noite de ontem para hoje debruçados sobre documentos liberados ontem à noite pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Édson Fachin, que quebrou o sigilo de toda a papelada dos processos referentes ao Caso Master, uma falcatrua nascida com o governo de Jair Bolsonaro e que foi desmascarada e combatida a partir do governo atual, de Lula. O que se viu até agora é estarrecedor. Até altos funcionários do Banco Central estão envolvidos no roubo de dinheiro público que abasteceu inúmeros setores da corrupção brasileira, inclusive, via também emendas parlamentares, as falcatruas imensas praticadas pela família Bolsonaro.

Mas é triste ver que nesse cipoal de atos espúrios há ao menos ligações telefônicas que colocam o ministro do STF Alexandre de Moraes no epicentro do furacão. De todos os altos funcionários da Justiça, talvez ele fosse um dos únicos que não tinham o direito de prevaricar. Está certo que ainda não se manifestou em defesa, mas precisa fazer isso logo, rapido e com argumentos seguros e irrefutáveis como a lâmina de um bisturi que corta o mal pela raiz. Trata-se de uma questão de honra para ele.

Depois de tudo o que está sendo mostrado e com a certeza de que vem coisa muito pior ainda pela frente, fico com a certeza de que há um roteiro para o golpe de Estado dentro do Estado que se pretende para o Brasil a partir da candidatura de Flávio Bolsonaro. Os fatos se encadeiam. Sem acreditar em teorias da conspiração, vamos a eles: no Supremo Tribunal Federal a presidência se alterna por acordo quase regra. O presidente de hoje, Fachin, sabe que será sucedido pelo presidente de amanhã, Alexandre de Moraes. Opa, mas isso é um problema muito serio!

A extrema direita quer o poder de volta e o caminho é vencer a próxima eleição de qualquer maneira. Qualquer uma mesmo! Então, um Bolsonaro não poderá encontrar Alexandre de Moraes no comando da Suprema Corte para dificultar todos os projetos que incluem a submissão total do Poder Judiciário ao Executivo que já teria o controle do Legislativo. Era preciso encontrar alguém terrivelmente fiel ao projeto para criar o caos no STF. Foi fácil. O terrivelmente evangélico atropelou todas as normas e protocolos para fazer uma denúncia contra o também ministro desafeto declarado para com isso paralisar até mesmo os trabalhos judiciários às vésperas da eleição. Terrível será se o desafeto tiver mesmo os pés na lama.

A extrema direita e setores do neopentecostalismo espalhado por várias denominações religiosas brasileiras com raiz nos Estados Unidos, algumas das quais empresas multinacionais de exploração da crença das pessoas, são mestres nesse mister. Nas atividades políticas onde elas têm até bancada no Congresso Nacional, fazem união perfeita de extrema direita política nos dois picadeiros. Fecham questão em torno de seus projetos, interferem nos trabalhos e pressionam em todos os setores. De uma coisa não abrem mão: partidos políticos, bem como democracia são apenas incômodos para o grupo. Se pudessem terminariam com ambos, vilipendiando um e destruindo o outro.

Sim, André Mendonça talvez seja hoje a peça mais importante do tabuleiro golpista das eleições. Deu uma contribuição imensa ao projeto e ainda pode aumentar a crise abastecendo a fogueira com mais lenha. A menos que se tenha como combatê-lo abrindo também seu cofrinho de segredos. Em Brasília virgindade, mesmo no campo profissional, é atributo em vias de extinção. Encontrar algum é tão difícil como achar minhoca no asfalto.

Os próximos dias vão ser decisivos para nós. A mim parece que a democracia resiste às prostitutas de plantão. Não é mais como em 1964 e nem como em 2016, quando o fatídico 31 de março foi comemorado como mostra a foto que abre esse artigo. Mostra-se forte. Mas vai ser necessário atacar com mais força tudo o que há de retrógrado e criminoso na política brasileira. Não é difícil desnudá-la, mas a mim parece que mostrar a grande parcela dos eleitores a diferença entre alhos e bugalhos é o mais difícil num país onde o eleitorado é hoje, como sempre foi, presa fácil para espertalhões. E eles estão por aí atuando.

Em tempo: fazem hoje 25 anos que houve o atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Um quarto de século e os Estados Unidos continuam os mesmos...   

9 de setembro de 2026

O agente do golpe

Foi o ator José de Abreu quem fez uma verdade ser publicada como piada que está hoje na Internet: "O desejo era fechar o STF com um cabo e dois soldados. Arrumaram um pastor". Perfeito! Nada é mais correto!

O filho 03 de Jair Bolsonaro, Eduardo Bananinha, hoje nos Estados Unidos foi quem disse certa feita que era fácil dar um golpe de Estado no Brasil e bastavam para tanto um Jeep com um cabo e um soldado. Não deu para fazer assim. Mas digo com tanta convicção quanto a de que estou vivo na hora em que escrevo esse artigo do Blogdoalvaro: André Mendonça, o pastor terrivelmente evangélico e colocado lá pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para delírio da ex-primeira dama Michele Bolsonaro, é o agente do golpe levado ao STF. De início, calmo. Diria eu, calmo e calculista. Mas agora, no dia certo e no momento ideal ele provoca uma crise institucional sem precedentes e cai toda ela no colo do atual presidente Lula. Bolsonarista de carteirinha, isso era tudo o que André queria desde seus encontros regados a champagne com 01 como nessa foto acima tirada num evento, segundo foi identificado, de juristas conservadores (sic!). Um encontro bem a carater para os dois.

André Mendonça determinou o afastamento do diretor geral da Polícia Federal que não seguia sua cartilha, e de mais um assessor direto deste, no dia de ontem pela manhã. Foi esse o caos que se queria criar, armado, gestado e parido pelas entranhas da extrema direita. Agora, também pela manhã, o ministro Flávio Dino, da mesma forma em decisão liminar, reverteu o afastamento determinado ontem e foi claro ao escrever em sua decisão que o colega (sic!) Mendonça age em causa própria e se apropria de um poder decisório que, segundo a Constituição, é de competência exclusiva da presidência da República, no caso a de nomear ou afastar, dentre outras autoridades, o diretor geral da PF.

Ontem não se falou de outra coisa. Pela TV ouvi o comentarista Otávio Guedes, da Globo News, dizer que não há apenas uma Polícia Federal e os diretores que ontem colocaram seus cargos à disposição são da ala que apoia o diretor geral Andrei Rodrigues. Isso é verdade, e sem querer saber mais o que o jornalista citado, acrescento: a politização da Polícia Federal começou nos anos de chumbo da ditadura militar brasileira, quando a corporação foi colocada a serviço do regime até mesmo para ameaçar e prender ilegalmente. Isso aconteceu em muitos casos, em diversos lugares. Recordo-me como se fosse hoje: eu tomava cerveja no Bar do Yamaguchi - um jodoca que foi assassinado -, no bairro de Jardim da Penha onde morava e moro, quando em uma outra mesa onde estava um delegado da PF, este se jactava por ter esmurrado um seu professor de matemática, dentro da sala de aula, porque anos antes este havia dito ser de esquerda. Eram assim esses dias de medo e ilegalidades...

A extrema direita dos dias de hoje ainda tenta se sustentar no que sobrou desses anos de chumbo. Mas em mim fica a quase certeza de que os extremistas dos tempos da ditadura ainda existem, sim, mas já são minoria. A Polícia Federal de hoje é em maioria uma corporação honrada e que cumpre sua missão de segurança pública subordinada diretamente ao Ministério da Justiça que, por sua vez, está subordinado à presidência da República. Ela é de suma importância para o Estado Democrático e de Direito. Até passaportes são emitidos por ela.

Não creio que o agente do golpe hoje no STF possa fazer muita coisa amparado na PF. Mas se a função dele é a de interferir nas eleições de 04 de outubro para ajudar o candidato Flávio Bolsonaro e a extrema direita política brasileira, já está fazendo isso com extrema competência. Sabujos geralmente cumprem a missao para a qual foram treinados subterraneamente. É a hora da reação daqueles que defendem a democracia e o Estado de Direito. E sem que nos esqueçamos de algo também muito importante: o ministro Alexandre de Moraes deve explicações aos brasileiro que, como eu, eram fãs dele e têm tanto ódio e nojo da ditadura, como Ulisses Guimarães disse um dia, quanto de mafiosos como Daniel Vorcaro.

Todos pela democracia!

7 de setembro de 2026

Os excluídos que gritem!

Essa segunda-feira sendo marcada pelo Grito dos Excluídos. E esse é o 32º ano seguido em que milhares de pessoas vão às ruas para participar do protesto, hoje justamente no dia em que se comemora mais um ano da declaração de Independência do Brasil. Por que excluídos?

Vou fazer uma coisa que não deveria. Meu pai era o homem classe média alta típico do Brasil. Eu o amava e discordava respeitosamente dele, tanto que escondi durante muito tempo o fato de que militava no PCB, ou Partidão, desde o início de minha idade adulta. Ele viveu a época da fundaçao do PT e do começo da luta de Lula pelo poder em nome dos trabalhadores que representava. Ouvi de papai: "Absurdo um torneiro mecânico comunista querendo ser presidete. Nunca haverá de ser". Ele viveu também para ver esse operário eleito pela primeira vez e para saber que tinha um filho comunista. Só fez um comentário certa feita: "Vão prender esse comuna!". Eu então disse: "Pai, palavra de quem conhece: o torneiro mecânico não é comuna."

Nunca deixei de amar e repeitar meu pai um tanto ao quanto reacionário. E nem ele deixou de amar o filho que não o havia seguido. Um dia, pouco tempo antes de sua morte, despedi-me dele sala de televisão onde ficava quase o dia todo, dei-lhe um beijo na testa e ao sair ouvi quando disse falando alto, mas para si mesmo: "Esse cara me faz um bem..." Fui embora chorando e nunca comentei isso com ele.

O Grito dos Excluídos é o protesto daqueles que sempre foram abandonados pela direita e extrema direita política do Brasil. Geralmente estão abaixo dos torneiros mecânicos da industria automobilística e de outros setores do trabalho da base da pirâmide social brasileira. Onde ficam os sem lar, os moradores em situação de rua ou os que vivem de biscates aceitando fazer de tudo às vezes por um prato de comida. Ou então por um cachimbo de crack, pois isso os ajuda a não ver a realidade diante de seus olhos.

Hoje, no 7 de setembro, há desfiles pelo Brasil todo. Em São Paulo o governador trocou as homenagens oficiais por uma ida à Avenida Paulista onde vai usar o Dia da Pátria para apoiar a candidatura de um tal 01 com ficha corrida das mais gordas. No Rio de Janeiro também se vai deturpar o sentido desse dia, transpondo-o para as eleições que vão ser realizadas dentro de menos de um mês no país todo. O presidente da República, Lula, respeitou a data celebrando-a ao lado de autoridades militares, protocolarmente. Coisas de torneiro mecânico de passado democrata!

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, não deixou passar a oportunidade de voltar a atacar seu igual (sic!) Alexandre de Moraes, colocando no ar vídeo no qual ele fala aos "irmãos e irmãs". Aos evangélicos, claro. Dispensou da mensagem todos os demais brasileiros que pensam diferente e aos quais deve satisfações. No seu conceito de justiça divina ela deve escolher aqueles que pensam como os das diversas nomeações neopentecostais atuais, muitas delas defendendo abertamente chegar ao poder da República.

Há espaço para mais mais injustiças e golpismos nos próximos dias. O Grito dos Excluídos e Excluídas chegou até às telas das grandes emissoras de TV no dia de hoje, mas elas, embora não confessem, têm horror a esse torneiro mecânico presidente. Ele não representa os interesses do Mercado, esse grande sindicato informal de multimilionários ávido por ter a cada dia mais dinheiro e inimigo confesso do fim da escala 6X1 e de qualquer outra reivindicação trabalhista que venha a tocar, mesmo de raspão, em seus sagrados interesses e privilégios.

Para eles e a maioria hoje é o dia da olhar para o quadro de Pedro Américo e no qual Pedro, o futuro imperador, está no alto de um belo cavalo, espada apontada para o firmamento e assim imortalizado enquanto os demais vibram com o momento. Dane-se se ele estava com diarréia, havia ido ao mato várias vezes para se aliviar e a montaria era uma mula, bicho que se dava melhor com as trilhas esburacadas e lamacentas de então. A versão é muito melhor do que a história real, mesmo para o príncipe que herdou um reino imenso como presente do pai e antes que algum aventureiro pudesse lançar mão dele.  

Os excluídos que gritem. Hoje e sempre!          

4 de setembro de 2026

Autofagia dramática


Lembro-me como se fosse hoje de quando o então presidente Jair Bolsonaro, induzido por conselhos de seu entorno falsamente religioso disse que faria um ministro do Supremo Tribunal Federal "terrivelmente evangélico". Ele agradaria dessa forma a amiga Damares Alves - aquela que viu Jesus no pé de goiaba -, a mulher com quem é casado, Michele Bolsonaro e todo o restante da troupe de puxa sacos mais próxima. E fez. Foi difícil entronizar André Mendonça no cargo porque ele sabidamente não tinha elevados saberes jurídicos, mas a luta estava colocada e, ao final, o agora ministro foi eleito para a glória de uma Michele que subriu ao seu pescoço comemorando a grande vitória obscurantista.

O resultado está aí!

Em biologia, autofagia é um processo natural de limpeza e reciclagem no qual as células do corpo se degradam e reaproveitam os seus próprios componentes danificados ou envelhecidos como nessa representação acima. Em sítese, imprestáveis. No reino das ações humanas, sobretudo no Brasil de hoje, esse conceito pode ser transferido até mesmo para o terreno da política e do último andar do Poder Judiciário onde está o "terrivelmente evangélico" Andre Mendonça. E ele tenta interferir nas eleições de daqui a um mês mais ainda do que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As ações de Mendonça são claramente parciais. Determinou quebra de sigilos até mesmo de um colega de Tribunal, do filho do presidente da República, mas nada fez contra o filho do ex-presidente que o nomeou e que está coberto por denúncias as mais sérias possíves. E comprovadas. E ainda se deixa ver em jantares elegantes regados a champgne caros com essa figura, Flávio Bolsonaro, candidato à presidênca da República representando o pai presidiário e que age nas sombras, mesmo em prisão domiciliar. É interessante, mas essa gente fica dodói sempre que recebe voz de prisão!

O ministro Alexandre de Moraes tem explicações a dar. Muitas. Para todos os efeitos éticos não vai bastar a nulidade das acusações contra ele por terem sido levadas ao conhecimento público de forma ilegal. Será preciso a esse jurista explicar as ligações telefônicas feitas ao ex-banqueiro e hoje detento Daniel Vorcaro. Ou "irmão", como diz Flávio Bolsonaro. Ou "lindão", no falar de Nikolas Ferreira. E é difícil, senão quase impossível entender como esse personagem saído do mesmo esgoto que abrigava a extrema direita política brasileira conseguiu absorver em atos espúrios tanta gente da Capital da República. Atrevo-me a dizer que honestidade é atributo raro na Brasília dos dias de hoje.

André Mendonça teve ao menos dois encontros com Vorcaro. E secretos. Só que ele jura não ter tratado nada de ilegal. Só ouviu...tá bom! E ele tinha um instituto que recebeu CR$ 8,2 milhões em verba pública decorrente de 52 contratos celebrados com o Poder Público SEM LICITAÇÃO. Ou seja: deu o preço que bem entendeu e fez seu "trabalho". Esse é o mais novo santo do pau oco! A empresa dele e da qual se afastou ontem a toque de caixa se chama ITER e ministra cursos. 37 notas fiscais misteriosas dessa instituição precisam ser investigadas à exaustão. Afinal, trata-se de um "enviado de Deus".

É de suma importância que nesse país de passado e quase presente golpista o Poder Judiciario seja íntegro e poderoso. Ele garante a intocabilidade de nossas instituições, sobretudo civis. Se no rastro de cometa de escândalos como esse ele mergulhar numa crise de confiança por parte da população estaremos ao alcance de projetos de golpe de Estado. Isso já aconteceu muito no passado e até em janeiro de 2023. O STF precisa reagir e essa reação inicial cabe ao presidente Edson Fachin que nos passa seriedade. Ele tem que fazer uma autofagia dramátia de sua instituição, dando limites a seus pares. Uma faxina é necessária. Caso contrário o pior Congresso da história do Brasil vai querer fazer isso ele mesmo e os danos serão imensos para o restante do nosso país.

2 de setembro de 2026

Protesto contra a farsa


"a história ocorre duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa"

Esse texto é de Karl Marx, contido na monumental obra "O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte". Ele se referia à Revolução Francesa e a uma comparação entre entre os papéis de Napoleão Bonaparte (Napoleão I) e Luís Bonaparte, o Napoleão III. Este último tentou ser do mesmo porte do primeiro pelo fato de ser seu sobrinho e chegar ao poder pelo voto. Mas não, ele era só uma farsa que foi desmontada ao longo dos tempos. Capturado em batalha, deposto, foi morrer no exílio abandonado pelos franceses.

Nós vivemos época de farsas. Como a que pretende fazer colar nas pessoas a ideia de que, não houve tentativa de golpe de Estado no Brasil durante o governo do presidiário Jair Bolsonaro. Ele tentou golpear a democracia do Brasil desde que entrou no Palácio do Planalto eleito pelo voto popular. Buscou fazer isso via Estado de Sítio, Estado de Defesa e o que mais houvesse para ser tentado na nossa Constituição ou fora dela. Ele não aceitava, como não aceitou nunca, o fato de não ter sido reeleito. Tentou a farsa com o golpe.

Agora ela surge num outro viéz. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, feito membro do STF por Bolsonaro e por ser "terrivelmente evangélico" quer pagar o favor. Atropela todos os ditames jurídicos, todos os limites para tentar atingir o colega (sic!) Alexandre de Moraes. Mostrou áudios deste em contato com o banqueiro desonesto Daniel Vorcaro e em diálogos ao menos suspeitos. Mas que devem e têm que ser explicados aos brasileiros. Só que ele também tem escontros secretos com o mesmo personagem e no seu caso alega não haver nada de errado. Claro que não. O errado é sempre aquele que a gente quer atingir, quer destruir. Quer retirar do nosso caminho.

Relator de processo, invadiu as contas e documentos privados de muita gente, sobretudo do filho do atual presidente da República. Sim, indiretamente isso atinge o presidente. Mas nada fez contra o candidato Flávio Bolsonaro, com quem toma espumantes nos restaurantes de luxo de  Brasília, esse sim envolvido em casos claros de corrupção capazes de fazer corar muita gente. Dois pesos, duas medidas. Terrivelmente parcial!

A ideia do golpe de Estado nunca se afastou totalmente da nossa história e do nosso dia-a-dia. Está presente em praticamente todos os atos praticados pela extrema direita política desse país. Mas, sinceramente, não esperava dar de cara com ela no salão de julgamentos do Supremo, esse mesmo que foi destruído pelo golpistas em janeiro de 2023 (foto). Mas eis que, para ao menos pasmo, ele surge prostituído no ambiente reformado.

Os organismos formados pelas pessoas são todos constituídos por homens e mulheres que levam consigo para todos os cargos que ocupam a totalidade de seus defeitos e virtudes. Mas por que essa miseravel decisão de logo no Supremo Tribunal Federal eles darem voz sobretudo e principalmente aos seus piores defeitos? Aos mais mesquinhos? E não há motivo para isso. Leva-se uma vida inteira para construir a honra e poucos instantes para jogá-la na lama. Pior de tudo é que a democracia que muitos desejam enlamear depende da honrabilidade do Poder Judiciário para se manter de pé.

 Mirem-se, senhores no exemplo de Carmen Lúcia!

E protestem contra todo tipo de farsa e farsantes.     

19 de agosto de 2026

Efeito rebote jurídico


Os jornalistas profissionais lutaram por muitos anos pela regulamentação da profissão de jornalista e finalmente, em fins da década de 1960 e início da de 1970 houve esse reconhecimento. Mas por pouco tempo. Em 2009 o Supremo Tribunal Federal, (na foto a sede deste sendo lavada) na cauda de cometa de uma campanha que tinha à frente os maiores conglomerados da área no Brasil e sob o falso argumento de defender o direito à livre manifestação do pensamento, 
foi derrubada a obrigatoriedade do diploma de curso superior e do registro ministerial para o exercício da atividade. Votação fácil, por 8 a 1, e que tornou minha profissão um pântano a ser habitado por qualquer tipo de gente, sobretudo e principalmente por aqueles que tinham projetos escusos em mente.
O que conteceu então? Milhares de pessoas obtiveram registro profissional como jornalistas. Os sindicatos de classe, que haviam se fortalecido desde a regulamentação, acabaram vítimas daquele caudal de novos "profissionais" que pretendiam usar o registro em benefício próprio ou de grupelhos, sobretudo políticos. E estes picaretas sem formação intelectual alguma, sem conhecimento da profissão ou ética para seu exercício fizeram do jornalismo um quintal. Só para resumir, durante o governo do presidiário Jair Bolsonaro qualquer coisa perto de 50 jornais ou outros tipos de informativos, a maioria online, foram criados Brasil afora. Entidades estranhas à profissão também. Já citei o caso da AJEB, Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil, que usa o termo desta profissão para benefício próprio. Na seccional do Espírito Santo a diretoria é composta pela fina flor da extrema direita política local.
Tinha que acontecer: um belo dia o imenso número de energúmenos invasores de uma atividade profissional que preza pela dignidade atacou o mesmo STF que a deslegitimou. Foi o efeito rebote jurídico. Em vez do médico, que se caracteriza pelo retorno ou piora intensa de sintomas originais pelo não uso de remédios de um tratamento, veio o ataque solerte contra a instituição defensora da nossa Constituição por parte das quadrilhas que não a respeitam e usam a proteção ao sigilo da fonte como forma de ataque e encobrimento de crimes. De uma hora para a outra viu-se que o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511.961 de 2009 se constituiu em um erro monumental. Regulamentado como deve ser o jornalismo não fere o direito à informação. Muito pelo contrário, ele o protege afastando de seu meio aqueles não profissionais e os que usam ou usariam do exercício da atividade um meio para cometimento de crimes e ataques à democracia.
Agora mesmo um dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que vem sofrendo ataques sobre ataques por suas atividades na corte, teve que falar do assunto e, citando o caso dos antigos rábulas da advocacia, dizer que é chegada a hora de o exercício da atividade jornalística ser reinterpretado para que ele volte a contar com a proteção das leis, mesmo que isso contrarie interesses, confessos ou não, dos grandes donos das redes de Comunicação. Se tal acontecer vai ser muito mais difícil a gente desonesta ameaçar pessoas como o também ministro do STF Flávio Dino. 
E também é chegada a hora de a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e entidades regionais se manifestarem a esse respeito e reiniciarem a luta pela regulamentação da nossa profissão. É possível vencermos mais essa batalha para depois começarmos a pensar no que fazer com as inúmeras quadrilhas hoje presentes em nosso meio. O livre exercício do pensamento, da livre manifestação de opiniões, estará sempre preservado. Afinal, ser jornalista vai depender do Diploma de Comunicação Social - Jornalismo, da mesma forma que ser advogado depende da obtenção de um diploma em Direito e aprovação da prova da OAB. É bastante frequentar os bancos das escolas de terceiro grau e se formar. Nada mais além da dignidade pessoal e da vocação para uma atividade que exige esforço.

18 de agosto de 2026

Os estrupícios

 

Quando eu era pequeno as pessoas tinham o hábito de chamar os menos favorecidos intelectualmente de estrupícios. Na linguagem popular esse termo pode identificar confusão, barulho, problema ou gente chata, atrapalhada e ignorante. Como é o caso do deputado federal Nikolas Ferreira, autor de vários disparates linguísticos, dono de uma ignorância monumental e a ponto de dar declaração conceituando Brasília como uma cidade feia em comparação com o Capitólio, nos Estados Unidos ou o prédio do Congresso espanhol. É como comparar alhos com bugalhos, sem querar desmerecer os exemplos citados por ele.

O prédio dos EUA teve pedra fundamental lançada em 18 de setembro de 1793. Foi ocupado inicialmente em 1800 e passou por diversas reformas e ampliações, sendo a última em 1962. Ele foi erguido em estilo neoclássico tentando lembrar as antigas democracias de Roma e da Grécia e nas quais o país pretendia se espelhar. Mas de que maneira explicar isso a um indivíduo como aquele?

Brasília, que mostro na foto acima, do Eixo Monumental, é talvez a obra maior de Oscar Niemayer, um arquiteto que foi referência no mundo todo. Ele e Lúcio Costa, o calculista que trabalhou na obra, fizeram a cidade em estilo modernista inaugurada em 1960, concebida na primeira metade da década de 1950 e cuja obra foi iniciada em 1955. Não é possível comparar as duas coisas sem que se tome como parâmetro maior o espaço de tempo e a proposta embutida em cada uma delas. Esse indivíduo de baixíssima estatura intelectual e que conseguiu mais de 1,5 milhão de votos ao ser eleito, também não deve gostar do Palácio Tancredo Neves, a obra que parece suspensa no ar como por mágica e que faz parte da Cidade Adminstrativa de Belo Horizonte (foto abaixo).


O projeto é do mesmo Niemeyer e está localizado no Estado que elegeu esse  estrupício para nos representar no Congresso Nacional. O Brasil é terra de grandes arquitetos. O autor das duas obras citadas é considerado o maior deles, mas isso é questão de gosto. Um outro, autor do Museu dos Coches, de Lisboa, uma construção belíssima e também modernista, Paulo Mendes da Rocha, projetou o Cais das Artes em Vitória, projeto magnífico e que a pouca visão de futuro dos administradores públicos de meu Estado ainda não permitiu que fosse concluída apesar de tantos anos de trabalho.

Hoje estamos diante de uma situação crítica. Vamos eleger um presidente da República numa época em que a maior potência militar do planeta, governada por um psicopata corrupto - o mais corrupto de toda a história norte-americana -, tenta impor seu pensamento político a outras nações e ataca o Brasil por não querer ser quintal do país governado por ele, como vem acontecendo com outros estados sul-americanos. O candidato preferido por esse estrupício estrangeiro e filho do ex-presidente brasileiro condenado pela Justiça, é também intelectualmente um pobre diabo que teve o desplante e o descaramento de fazer uma foto sua mostrada logo abaixo, com recursos de IA e na qual ele aparece usando sunga branca, com faixa presidencial atravessada no peito e se mostrando como uma espécie de super-homem deficiente mental ao lado de uma piscina e com lata de algum líquido na mão esquerda. Um indivúduo assim não pode ocupar o Palácio do Planalto em hipótese alguma.

Quando digo que estamos diante de um momento crítico quero falar que o Brasil corre o risco de ser diminuído conceitual e intelectualmente no concerto das nações por conta desse tipo de gente que nos representa. E isso nem é culpa direta deles porque foram eleitos pelos mesmos brasileiros que vão entregar o Poder Executivo ao próximo presidente dentro de muito pouco tempo. É uma situação grave e que precisa ser vista com o olhar de quem planeja seu próprio futuro. Infelizmente temos uma sociedade onde ainda pontifica certa espécie de conservadorismo político que beira o reacionarismo, às vezes o ultrapassando, e na qual as pessoas entregam seu voto àqueles que lhes conseguem transmitir verdade, mesmo a partir de mensagens falsas, patriotismo entreguista e promessas vagas, abstratas e cheias de preconceito contra o adversário chamado de inimigo.

"Deus, pátria e família" era o slogan do fascismo de Benito Mussolini. Aqui no Brasil a ele foi acrescentado um "liberdade" na qual os fascistas não acreditam a não ser se ela significar o apoio total, inquestionável, a todos os seus dogmas e "verdades" que são propagados de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. E eles ainda pregam que nosso país está sendo destruído ao mesmo tempo em que acumulam fortunas imensas que não podem ser explicadas como sendo fruto de seu trabalho. Até Michele Bolsonaro declarou 4,4 milhões em bens sabe-se lá vindos de onde, para concorrer a um mandato de senadora.

Aliás, sabemos todos de onde veio esse dinheiro! E por sabermos precisamos eleger a pessoa certa em outubro. Chega de extrema direita no Brasil!

14 de agosto de 2026

A fonte só é sagrada como verdade

Trabalhei cerca de 30 anos em imprensa diária e para nós, ontem e hoje, a fonte de informação era e é sagrada. Mas esse sagrado está ligado à verdade e ao ético porque o jornalista lida com fatos, deles não se afasta e graças a eles mantém a sociedade informada sobre o que interessa a ela. Se a fonte falha, se ela compromete a verdade dos fatos, se tenta fazer do jornalista um meio para alcançar objetivos ilícitos, tem que ser denunciada. Tem que ser exposta e, nesse caso, deve ser alvo de retaliação legal. Simples assim!

Um fato ocorrido recentemente está gerando desconforto e atrai comentários simplistas que pretendem fazer do sigilo da fonte um escudo. Não é. Nunca foi. A pessoa que tentou agredir ou ameaçar um ministro do Supremo Tribunal Federal e foi exposta mesmo sendo fonte jornalística é um criminoso comum. Apenas isso. Sua exposição não compromete o princípio da intocabilidade da fonte jornalística de forma alguma, nem no plano legal. A ninguém é dado o direito de se escudar nesse princípio para usos pouco claros.

Só tive como fonte de informação pessoas da minha estrita confiança e enquanto trabalhei em jornal. E com um compromisso: se ela fosse desonesta seria denunciada. 

Vamos recuar no tempo. Demorei muitos anos para obter meu registro de jornalista profissional porque comecei quando esse direito sem curso superior estava extinto. Só quando o curso de Comunicação Social foi criado na UFES pude fazê-lo. Cumpri a exigência legal e me tornei Jornalista Profissional. Mas essa regulamentação não agradava ao empresariado e ao extremismo político de direita. Alegando princípios de livre acesso à informação, um grande movimento foi criado para derrubar a regulamentação da minha profissão e isso foi conseguido. Eram épocas de ditadura e esse discurso distópico acabou pegando. Do dia da destruiçao da regulamentação de minha profissão em diante qualquer um passou a ter direito de obter registro como jornalista. Era o que se pretendia!

Se quero ser médico devo fazer Medicina. Se tenho o sonho de advogar, preciso cursar Direito. O mesmo se meu interesse é por Engenharia e assim por diante. Então, se quero ser jornalista preciso fazer Comunicação Social, Jornalismo. Estou habilitado e isso nada teve a ver com o direito à livre manifestação do pensamento. Mas esse princípio foi pervertido durante a ditadura militar e daí para a frente muitos picaretas ingressaram na minha profissão. Os exemplos são gritantes... Mesmo com o tempo passando nós nunca mais tivemos forças para mudar o rumo das coisas, pois as grandes corporações do setor são contrárias a uma nova regulamentação e dominam o Congresso Nacional. Um Congresso fácil de ser dominado pelo medo e outras formas de pressão ($).

Vou citar um exemplo próximo: existe no Brasil, dentre outras, uma tal Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Rede nacional e usa o termo "Jornalistas" mesmo sendo habitada por raríssimos profisionais do jornalismo diario de jornal, rádio, TV e outros meios. O termo "jornalismo" atrai muita gente. Na AJEB há pessoas dignas, mas também outras que querem atuar mal na comunicação. A extrema direita política usa essa profissão para penetrar nela com o intuito de usar seus recursos em benefício próprio e contra a democracia brasileira. Vou citar um único exemplo: a rede Jovem Pan conta com profissonais dignos - não poucos -, mas também uma vasta trupe que atua para tentar destruir nosso ainda frágil arcabouço democrático. Vive de fake news. E luta todos os dias, sem parar.

Antes de nós nos arvorarmos em defender quem não merece defesa é preciso analisar o que está havendo. Como as coisas se passam e se passaram para não fazermos da legislação que protege o sigilo da fonte um coito de bandidos. Ora bolas; se é tão importante a defesa do jornalismo, então é hora de tirarmos das gavetas os projetos de regulamentar novamente a minha profissão. Ela merece esse respeito perdido durante a ditadura sob o manto falso de uma "liberdade de informação" que em nada serve ao interesse público. 

12 de agosto de 2026

Os bucaneiros modernos

 

"O domínio nunca mais vai ser questionado", diz Donald Trump via seus assessores diretos sobre o projeto de os Estados Unidos dominarem toda a América. Isso segundo eles pretendem.

Uma postagem ameaçadora do embaixador norte-americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera - ele está no Panamá, onde há o canal vita para os Estados Unidos justamente porque é um extremista belicista -, detalhou essa semana qual é o projeto dos Estados Unidos sob Trump para reviver a Doutrina Monroe, que no século XIX pregava "a América para os americanos", na época em que Washington passou a desenvolver sua política de expansionismo e controle total sobre os demais países das três américas.  Hoje o governo dos EUA se mostra agressivo com esse projeto e o objetivo claro é combater a influência da China no Ocidente. O objetivo principal sempre, e em todos os casos, foi econômico. 

Uma análise rápida disso nos mostra que se trata de um movimento claro de esperneio. Os Estados Unidos de hoje são uma potência em grande declínio, com uma dívida interna astronômica, gastando fortunas com a megalomania de seu presidente por guerras e tendo pela frente o crescimento chinês que promete tomar-lhe a dianteira em breve como maior potência mundial. Isso é inadmissível para os atuais detentores do poder norte-americano.

Aqui no Brasil, depois de uma fala infeliz de nosso Ministro da Defesa que chegou a propor "abrir os portões" para os ianques no caso de um ataque, houve uma espécie de pequena histeria nacional. Bobagem. Dificilmente os Estados Unidos, mesmo governados por um psicopata, invadiriam militarmente o Brasil. Isso seria muito arriscado para eles e encontraira forte resistência lá mesmo. Além disso muitos se esquecem de que Trump corre grande risco de perder a maioria nas duas câmaras legislativas federais de seu país em novembro próximo, o que lhe tolheria muito o poder de decidir. Sem este ele seria um "pato manco", como dizem os americanos do Norte. E ao alcance de impeachment.

Mas Trump vai pressionar, ameaçar, espernear, será sempre apoiado pelos políticos do Maga como Marco Rubio, o embaixador no Panamá, o escolhido para o Brasil, Daniel Perez, e mais alguns de sua trupe. Ele vai usar de ameaças - o que sabe fazer muito bem - nos momentos em que não estiver dormindo durante discursos ou escondido dentro de caminhões de galeys aéreas em vôos próximos de países que ele mesmo tornou hostis por suas políticas inconsequentes e irresponsáveis. Esse é o presidente dos EUA!

Ao Brasil cabe esperar. A concordância em debater as tarifas na OMC, por parte dos EUA, parece jogo de cena para ganhar tempo e não ser acusado de jamais negociar. Ao término dos prazos de negociação, ao menos no pé em que as coisas estão hoje, tudo indica que o absurdo das cifras cobradas agora tende a ser mantido. Mas negociar vale a pena. Sempre valeu porque a nós também interessa o ganho de gempo. Mesmo com o governo iniciando as providêncas para retaliar as tarifas na mesma medida, se necessário.  

Resta uma coisa incômoda: Daniel Perez, o embaixador que pretende ser entronizado no cargo em Brasília, é um mísero projeto de golpista, sem experiência diplomática alguma e escolhido para vir ao Brasil apenas e tão somente para se intrometer em política interna brasileira, sobretudo se o presidente Lula for reeleito, como mais um vetor de instabilidade institucional. Vai ser tipo um Javier Milei com imunidade parlamentar. O Brasil pode e deve negar o agrément a ele e pedir outra pessoa aos EUA. O consul norte-americano em São Paulo, que conspira a olhos vistos, não merece continuar com visto consular.

Soberania é princípio ao qual não se renuncia. Mesmo ao enfentrar bucaneiros modernos que, a exemplo dos do passado, não abrem mão da rapina,  

9 de agosto de 2026

Saudades de Batista

Ah! Quantas saudades eles sentem de Fulgêncio Batista! Da época áurea deste, quando Cuba era um prostíbulo dos Estados Unidos e mafiosos tomavam conta da ilha caribenha, sobretudo e principalmente dos cassinos dirigidos por gente como o mafioso Meyer Lansky, que teve a maior fatia do negócio para explorá-lo e dividir os lucros com o "presidente" Batista. Isso aconteceu nas décadas de 1940 e 1950, mas os familiares de Marco Rubio e Daniel Perez (foto acima depondo no Senado), prósperos cubanos daqueles tempos, eram em sua maioria aliados do governo de então e amigos do ditador que reinou durante anos em Havana até ser expulso de lá com sua trupe pela revolução de libertação nacional comandada por Fidel Castro Ru.

Lansky não explorava o jogo, a prostituição e as drogas em Cuba sozinho. Junto com ele atuaram com grande desembaraço outros mafiosos da época como Santo Trafficante Jr. (que nome lindo!), Lucky Luciano e Charles "The Blade" Tourine. Era só um pulinho o voo de Miami até a Capital cubana onde todas as portas estavam abertas para os representantes do crime organizado dos Estados Unidos. Havia na época uma "licença" de 25 mil dólares por cassino a ser paga ao chefe de Estado cubano. Além disso uma percentagem fixa de 10 a 20 por cento dos lucros anuais obtidos com hotéis, cassinos e redes de prostituição, além das drogas, para obter a proteção governamental. E os "empresários" dos Estados Unidos ainda tinham que lidar com a ganância de Fulgêncio (segunda foto), sempre interessado em aumentar os seus lucros e sua participação nos negócios escusos. Afinal o país era dele, não era? Não foi sempre assim?

Sair correndo de lá em 1° de janeiro de 1959 - alguns fugiram antes disso - quando aquele bando de barbudos tomou a Capital de Cuba, foi um desconforto muito grande. As tropas do Movimento 26 de Julho que tinham à frente, além de Fidel, um argentino também de barba grande, Ernesto Guevara de La Serna, o "Che", que se tornaria responsável pelo julgamento e condenação dos que haviam infelicitado seu país por tantas décadas. Balas de fuzil havia em grande quantidade por lá e os criminosos foram condenados a serem mortos por fuzilamento contra uma parede enorme, um "paredon" de Havana. Os Rubio, os Perez e muitos outros não podem perdoar isso. Não mesmo!

Por isso Marco Rubio, o Secretário de Estado de Donald Trump nomeou seu amigo Daniel Perez para ser embaixador dos Estados Unidos no Brasil. O nomeado e ainda não dono do "agrément" quer logo vir para cá. Ao Senado ele declarou estar preocupado com a liberdade de expressão no Brasil e com a lisura das eleições - essas não são funções de embaixadas! - , preocupações que passam muito ao largo da agenda dos Estados Unidos nas terras de aliados tradicionais como a Arabia Saudita, por exemplo. E de outros também como é o caso do sionismo genocida hoje reinante em Isarel e onde os EUA fazem vista grossa para o genocídio palestino, além de abastecerem o regime político local criminoso com todo o tipo de armas capazes de eliminar de sobre a face da terra os palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia ocupada. Essa última que os sionistas julgam ser parte da Grande Israel e que vem sendo tomada a seus povos originários dia após dia diante do silêncio cúmplice da comunidade das nações.

A mim ocorre que Trump é refém de Rubio e do "Maga", movimento de extrema direita fascista que hoje garante apoio a esse presidente. Ele não pode abrir mão disso para não ser deposto por impeachment. Rubio e Perez são próceres dessa denominação. E ocorre também que o presidente Lula está errado quando chama de "amigo" o chefe de Estado dos EUA. A embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti corre riscos ficando lá sem seu visto diplomático. O "amigo" de Lula pode mandar que ela seja expulsa ou presa como imigrante ilegal. Por aqui o cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, que transformou seu consulado em centro de difusão de mensagens golpistas e facilidades aos amigos, continua com o visto dele. Por quê? A reciprocidade é boa e está prevista na nossa Constituição. Foi aprovada pelo nosso Congresso!

O presidente Lula deve ter cuidado com os saudosos de Bastista. Eles matam. Aprenderam com Mayer Lansky.

NOTA DO TITULAR DA COLUNA: Esse artigo comemora os 20 anos do blogdoalvaro@blogspot.com.   

5 de agosto de 2026

O golpe sempre esteve em curso

 
Heráclito Fontoura Sobral Pinto (1893-1991) foi um dos maiores juristas do Brasil e certamente o mais sábio. É dele esse pensamento: "Os militares tendo proclamado a República, julgaram-se donos da República. E nunca aceitaram não serem donos da República". Sobral Pinto ganhou relevância no Brasil ao defender Luiz Carlos Prestes, líder comunista, durante a ditadura Vargas. Ele era católico fervoroso, homem com pensamento político de direita e não tolerava ditaduras ou prisões ilegais, comuns no seu país ontem e hoje.

Para esse jurista morto faz 35 anos, nossa República tem um "pecado original" por ter nascido de um ato de força das Forças Armadas e não de uma construção democrática com a participação da população. Em consequência disso os militares sempre acreditaram ter a tutela permanente sobre o Estado. Resultado em golpes só após o império: proclamação da República, congresso dissolvido em 1891, Revolução de 1930, decretação do Estado Novo, golpe civil/militar de 1964. Além desses, várias aquarteladas marcaram a história recente do Brasil, durante diversos períodos. Juscelino Kubstcheck foi quem mais sofreu com eles e que começaram com a reação à sua posse (como no caso de Lula). Posteriormente vieram a Revolta de Jacareacanga e a Revolta de Aragarças. Ele não foi deposto por muito pouco.

Hoje mesmo o Clube Militar, congregação de militares de pijama sediado no Rio de Janeiro emite nota praticamente conclamando a população brasileira a derrubar o atual governo. E faz isso porque os militares da ativa se negam a nova aventura golpista. Recentemente fizeram um jantar na sua sede carioca com a presença de um "convidado ilustre": Flávio Bolsonaro, que foi acompanhado do advogado Ives Gandra Martins, conhecido militante extremista (junção das duas fotos acima). No Clube Militar só entra gente "do ramo".

O golpe de Estado sempre esteve em curso no Brasil, mesmo nos momentos de calmaria que ocorrem ao longo dos tempos. Basta vermos a outra foto abaixo e que mostra três dos maiores jornais brasileiros estampando a mesma manchete, com todas as letras iguais, em 31 de julho último. Quem como eu trabalhou uma vida quase inteira em imprensa diária sabe que essa "coincidência" é impossível. Os jornais, grandes como a Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, os médios e os pequenos  jamais compartilham suas manchetes e principais matérias, mesmo quando é óbvio o assunto mais importante do dia. Três manchetes saírem exatamente iguais só acontece quando há um conluio entre as direções das empresas. Elas são ligadas ao grande capital, ao "mercado" e não suportam o Governo Lula. Hoje fariam e fazem tudo para impedir o quarto mandato desse presidente. Sobretudo com a ajuda providencial dos Estados Unidos.

Aliás, o governo neofascista de Donald Trump, contando com a ajuda sempre "cordial" da Argentina de Javier Milei e de Israel de Benjamin Netanyahu não esconde mais de ninguém que já interfere no processo eleitoral brasileiro de todas as formas. Autoridades brasileiras  tiveram vistos cancelados e não podem ingressar nos Estados Unidos, tarifas chantagistas tentam sufocar nossa economia, dois funcionários do Departamento de Estado que viriam ao Brasil trabalhar contra o sistema eleitoral tiveram o visto negado por nós e o embaixador norte-americano indicado por Trump depois de 19 meses de governo - e porque isso era conveniente aos planos de intervenção - ainda não teve seu "agrément" (pedido de concordância) concedido. Para retaliar, os EUA retiraram o visto de nossa embaixadora.

Nunca antes as relações entre Brasil e Estados Unidos e Argentina, que já têm mais de dois séculos, estiveram tão agredidas. A pressão e a chantagem são claras e fortes. E isso é mais um motivo para o Brasil não ceder, mesmo quando a gente sabe que nossas Forças Armadas e parcela da população são lacaias dos ianques e de seus interesses. Ontem mesmo, lendo matérias de Internet, fiquei estupefato. Alguém perguntou a um cidadão o que ele faria se os EUA invadissem o Brasil. Resposta: "não sou de soltar foguetes, mas acho que faria isso". Um povo sem dignidade está destinado a ser lacaio de interesses estranhos aos seus. O governo Trump já está saqueando abertamente as riquezas da Venezuela, condenando o povo cubano à fome e armando o governo sionista de Israel para completar o genocídio palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. É preciso ao Brasil mostrar que não faz parte desse projeto criminoso da extrema direita política de controlar o mundo.

Ainda que isso nos custe muito caro!       

30 de julho de 2026

"We can do it"

Já se vão muitos anos e, se bem me lembro, foi a revista "Realidade", antecessora de "Veja", quem conseguiu imagens de um silo nuclear de algum lugar dos Estados Unidos. A gente podia ver na foto o controle da instalação, a ogiva do míssil e, na parede ao fundo, grandes, os dizeres bem mostrados: "We can do it". Sim, eles sempre puderam fazer isso, mas desde o fim da guerra fria contra a hoje inexistente União Soviética, o botão que dispara míseis nucleares capazes de destruir totalmente o mundo parecia esquecido nas paredes dos silos que ainda existem. Mas agora um homem laranja, um homem bomba chamado Donald Trump (foto acima), pode reacender o estopim da guerra nuclear. Ele tem medo da China. Muito medo. Como todo psicopata medroso, um dia acaba perdendo o controle. Eis o risco.

Os Estados Unidos são um império decadente e sabem disso. A China, um enorme país ascendente, e os Estados Unidos também sabem disso. A paranóia de Trump vê os chineses como aqueles que vão sepultar o sonho americano de dominar o mundo e esse presidente usa a ameaça e o medo como armas contra essa quase perda de status mundial. Ontem ele propôs um tal "Pacto de Sobrevivência Ocidental" como forma de evitar o seguinte: "Eles vão invadir a Europa! Estão invadindo a Europa...é uma invasão total! E o Reino Unido é o suspeito número um!. Quem se juntar ao Pacto fecha fronteiras, deporta em massa, defende sua cultura. Quem não...fica sozinho diante da invasão. E o primeiro que deve assinar é o Reino Unido...ou afunda!". Silêncio sepulcral no Salão Oval da Casa Branca.

O projeto do presidente dos EUA começa pelo domínio da América Latina. Aqui ele já tem uma presidente fantoche subjugada na Venezuela e uma figura patética ecoando seus brados a partir de Buenos Aires. Esse personagem, Javier Milei, vocifera contra a China esquecendo-se de que seu País, o maior devedor do FMI nos dias atuais, recebeu um polpudo cheque do governo chinês para poder sobreviver. Sem apoio internacional e boa coexistência com o Brasil, sucumbe. Os argentinos sabem disso e tentam alertá-lo, mas ele não quer ouvir. Prefere cumprir ordens de seu mentor maior sem olhar para as consequências. Hoje a Argentina tem hordas de sem teto pelas ruas, pessoas que entram em filas de açougues para comprar carne de burro e mais de 20 mil empresas falidas na cauda de cometa das loucuras mileianas que buscam sabe-se lá o que dos anseios presidenciais.

Para completar o caldo de cultura de mais uma loucura nacional, os argentinos acordaram hoje sabendo que por obra e graça de Milei, daqui para a frente qualquer estrangeiro que falar mal daquele país e de qualquer coisa a ele ralacionado vai ser imediatamente expulso de lá. Milhares de brasileiros moram, trabalham e sobretudo estudam em terras argentinas.   

Em um discurso no Estado do Michigan, faz poucos dias, o presidente ianque chamou de comunista (que falta de imaginação...) uma pessoa que o interrompeu chamando-o de "protetor de pedófilo" durante um discurso que fazia parte das comemorações pelos 250 anos da Independência de seu país. O manifestante foi retirado do local. Esse périplo trumpista faz parte da campanha dele para as eleições de meio de mandato, quando corre o risco de perder maioria em pelo menos uma das duas casas legislativas norte-americanas e, mais do que isso, de se tornar um "pato manco" se derrotado na Câmara e no Senado.

Em meio a tantas incertezas, à necessidade de apoiar quase incondicionalmente Benjamin Netanyahu, de encontrar um meio de encerrar a guerra no Irã e que foi iniciada por ele, de impedir a vitória da Rússia na Ucrânia e de conseguir com o Congresso mais dinheiro para gastar com armas, esse eterno candidato a fazer do Prêmio Nobel da Paz uma piada de mau gosto no plano internacional, dá voltas em torno de si mesmo tentanto encontrar o caminho que jamais construiu pois na sua vida toda ele só fez destruir. E para quem não sabe para onde deve ir ao vai, qualquer caminho serve. 

Mostra disso é o fato de que em seu governo não existe diplomacia. Tudo o que se refere a política externa é feito por um genro e um amigo, estes sim de sua inteira confiança. Eis Donald Trump! Eis o homem que pode tirar da poeira dos tempos de guerra fria as imagens dos silos nucleares dos Estados Unidos, como esse da foto ao lado, e que dormitavam em suas camas/sepulturas até a chegada desses novos tempos de distopia mundial.

Tempos capazes de gerar pesadelos como o da criação desse tal Pacto de Sobrevivência e que na verdade é a tentativa final do império decadente de manter hegemonia mundial e, mais do que isso, de rapinar riquezas naturais de países que ainda se curvam ante o imperialismo ocidental como é feito hoje de forma descarada sobretudo na Venezuela, um Estado outrora soberano e que foi sequestrado num ato de pirataria incapaz de encontrar respalto algum na legislação internacional que é seguida e respeitada pela maioria das nações exceto Estados Unidos, Isarel e outros poucos e que não pretendem modificar, mas sim subverter a ordem mundial para a criação de um sistema no qual o termo liberdade vai estar intimamente ligado somente ao apoio total, incondicional, ao que a extrema direita entender como correto.

We can't do it!      

                     
 

28 de julho de 2026

Fantoche de fraldão

Quando eu era criança, gostava de ver teatro de bonecos. Havia no clube, na escola e mesmo nos treatros que apresentavam peças infantis. Os bonecos eram fantoches manipulados por artistas que ficavam escondidos na parte de trás daqueles pequenos palcos fazendo a festa acontecer. Muito divertido! Uma vez, no clube do qual meus pais eram sócios, o chefe de uma daquelas companhias explicou para todos que no início era difícil manipular os bonecos. Mas depois, com a experiência e o domínio cênico, "nossos bonequinhos fazem o que a gente quer. E ainda ficamos olhando a performance deles". Javier Milei é o fantoche de Donald Trump. E, ao que se conta e se viu em São Paulo (foto do boneco), usa fraldão.

O problema dele é não saber o que deve diferenciar um presidente da República, mesmo em atividade privada, de um exibicionista de botequim. Não disseram ao sujeito que um presidente jamais deve se referir a outro, sobretudo na casa deste, como "presidiário" representando um candidato a presidente cujo pai cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, dentre outras coisas. E nem chamar um ministro de uma Suprema Corte de "lixo careca" quando ele não seria capaz de dizer isso de um membro de seu Judiciário. Mas como fazer esse tipinho qualquer entender tal espécie de coisa se ele é capaz de fazer inúmeros discursos em sua terra e sempre terminando a fala com um sonoro "carajo"?

Milei veio ao Brasil em atividade privada sem comunicar seu deslocamento ao Governo Federal de nosso país. Mas ele não sabe o que é protocolo... Também usou jato oficial do governo argentino e diplomatas seus numa atividade totalmente irregular. Mas foi recepcionado pelo candidato à presidência Flávio Bolsonaro e pelo governador de São Paulo Tarcísio de Freitas que sabiam ser tudo isso estranho e ainda assim permitiram e incentivaram a performance mileiana com tapete azul na entrada do Palácio dos Bandeirantes em substituição ao tradicional tapete vermelho. Talvez Freitas não saiba, mas essa cor é usada oficialmente há séculos por significar poder, nobreza e honra e não o comunismo.

Seria essa palhaçada apenas mais uma aberração sem sentido de Javier Milei se os desdobramentos não pudessem ir muito além disso. Mas podem. O Mercosul vive hoje um excelente momento de crescimento de atividades econômicas entre países sul-americanos que podem vir a ser afetadas por essa patacoada. A União Europeia e os asiáticos esperam seriedade de seus parceiros e não esse tipo de coisa. Além do mais o intercâmbio econômico entre Brasil e Argentina é muito grande, importante para os brasileiros e quase vital aos argentinos. Não deve e não pode ser afetado por atos irresponsáveis cometidos por um chefe de estado incapaz de compreender onde está, quais devem ser seus limites e suas responsabilidades.

Ao longo de dois séculos Brasil e Argentina enfrentaram momentos difíceis, mas nunca, nem nas épocas das ditaduras chegou-se a esse ponto. Jamais um argentino ou um brasileiro, na Casa Rosada ou no Palácio do Planalto, xingou o outro. O ponto (de não retorno?) é alcançado agora e graças à interferência nefasta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e de seu secretário de Estado, Marco Rubio, que precisavam de mais um fantoche sul-americano para continuar a obra de tentar tornar toda a América Latina um quintal dos Estados Unidos e por onde a extrema direita possa desfilar sua ira incontida na busca de rapina. Na Venezuela já está sendo roubado o todo o petróleo possível no ato de pirataria confesso mais absurdo de que se tem notícia. No Brasil há muito mais a pilhar.

Por enquanto chamamos de volta o embaixador em Buenos Aires. Se a crise escalar por obra e graça de Milei, usando fraldão ou não, desgraçadamente vai ser preciso ir mais adiante. Pelo bem de nossos países isso não pode e não deve acontecer. Tomara a reação contrária sobretudo entre os argentinos possa frear o ímpeto desse fantoche circense.

26 de julho de 2026

Universos paralelos

Acompanhar o noticiário político dos últimos dias tem sido um exercício de paciência, sobretudo e principalmente para com a análise dos universos paralelos de alguns candidatos à presidência da República. Ronaldo Caiado se confirmou hoje falando da excelência de seu trabalho em Goiás, mas se esquecendo de que é um dos pais da UDR, a União Democrática Ruralista, que caçou os membros do MST em seu Estado representando unicamente os interesses do grande latifúndio do qual ele orgulhosamente faz parte e impedindo a reforma agrária. E nunca nutriu interesse algum por pobres e deserdados. Problema de memória, claro.

Flávio Bolsonaro, ontem, fez parte de um espetáculo chulo de desrespeito ao Brasil, permitindo que o desqualificado presidente argentino Javier Milei agredisse nosso país em solo brasileiro, dentre outras coisas chamando um ministro do Supremo Tribunal Federal de "lixo careca" e o presidente de "presidiário". É inconcebível isso acontecer em evento oficial e de política interna brasileira entre dois países que mantêm relações diplomáticas, são vizinhos e possuem um longo histórico de relações comerciais e de amizade. Ainda mais com o convidado recebendo a mais alta condecoração do governo paulista para cometer tal desatino de baixo nível. O Itamarati já respondeu convocando a Brasília seu embaixador em Buenos Aires. 

Esses episódios não foram capazes de impedir o presidente Lula de dar longa entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post (foto da capa) e na qual ele explicou o cerne da posição do Brasil diante do tarifaço do governo Trump às importações brasileiras. Pela primeira vez na história, tarifas de importação são usadas como armas contra nações amigas. No caso específico da América do Sul, a não ser que se trate de um estado vassalo, capaz de dizer "sim" a todas exigências dos EUA, como mostra a imagem abaixo, de uma das declarações do presidente brasileiro ao jornal norte-americano.

Teremos daqui para a frente uma das campanhas políticas mais agressivas e mentirosas de todos os tempos no Brasil, e isso graças ao fato de que o presidente atual se candidatou à reeleição naquela que será sua última campanha política de uma longa vida de atividades, sobretudo executivas. Ele já é alvo preferencial de todos os demais candidatos e tanto seu nome quanto a sigla partidária à qual pertence devem se tornar motivo de agressões as mais variadas. Um dos temas será tentar colar nele e em seu partido a pecha de estarem a serviço do crime organizado e da corrupção, o que não encontra respaldo na realidade dos fatos. E fatos são fatos. Não se deve agredí-los.

A raiz desse tipo de fenômeno, se é possível chamar por esse nome, está  a Casa Branca onde o atual presidente desrespeita todo mundo, bombardeia países, mata cidadãos inocentes e tenta desqualificar instituições caras à civilização como é o caso do Tribunal Penal Internacional, a ponto de o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarar claramente ter pedido ao Secretário de Estado Marco Rubio para que os EUA rompam com o TPI, que nem ele nem seu país reconhecem. Netanyahu, sempre fica bem explicar, é um criminoso internacional sionista, massacrador de palestinos e outras nacionalidades, defensor da "Grande Israel" e que sente prazer em ver morrerem os "inferiores". Como fez Hitler...

Seu ídolo Trump, que defende para si o Prêmio Nobel da Paz (supremo deboche!), já brincou até de ser candidato a novo mandato presidencial, embora sabendo que tal coisa é expressamente proibida pela Constituição de seu país. Mas esse tipo de código legal sempre foi um impecílho para os projetos de gente como ele, o presidente de El Salvador, o da Argentina e tantos outros mais espalhados pelo mundo afora e que talvez se julguem acima do bem e do mal. Principalmente do bem. Esse presidente ianque, capaz de rir da morte dos outros e debochar do roubo das riquezas naturais de Venezuela, deve se inspirar em um compatriota seu, já morto e que era autor de pensamento digno de ser registrado no fechamento desse artigo:  "Você consegue muito mais com uma palavra amável e um revólver do que somente com uma palavra amável" (Al Capone).