Blog de variedades. Um pouco de esporte, um pouco de política, um pouco de fofoca, um pouco de mais tudo o que surgir de interessante. Enfim, um pouco de jornalismo na vida de quem gosta de notícias e interpretação de fatos
30 de abril de 2026
De militâncias e militantes
25 de abril de 2026
Ensaio sobre a estupidez
"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta" (Albert Einstein)
Einstein era judeu numa Alemanha que se nazificava. Em 1933, considerado "inimigo número 1" do Reich alemão, renunciou à cidadania de seu país, imigrou para os Estados Unidos e pode continuar a estudar e produzir ciência física até morrer. Em Berlim sua casa foi transformada em sede da Juventude Hitlerista, forma encontrada então para os nazistas combaterem a "física judaica degenerada" daquele desertor que pelo resto de sua vida lecionou no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton.
Ele teve mais sorte do que Dietrich Bonhoeffer (foto), que acabou sendo preso pela polícia política nazista e levado ao cárcere. Lá, seria executado pela forca na madrugada de 09 de abril de 1945, poucos dias antes de a Alemanha ser libertada do jugo nazifascista pelos exércitos aliados. Hitler não queria que seus maiores inimigos sobrevivessem à sua derrota já certa.
Mas quem era esse inimigo terrível? Um revolucionário comunista? Um "terrorista selvagem" como são chamados hoje os inimigos das atuais extremas direitas? Um membro de movimentos de insurgência anti-Israel? Um guerrilheiro treinado para tomar o poder? Não, nada disso. Era um teólogo e filósofo, além de pastor luterano, membro ativo de uma das vertentes do protestantismo. Mas cometeu o "erro" de não aceitar a ditadura alemã e lutar contra ela. Foi preso e morto. Só que antes escreveu, e muito, sobre a estupidez humana.
Ele disse, em tradução livre: "A estupidez é um inimigo mais perigoso que a maldade. Contra a maldade você pode lutar, resistir, denunciar, pode prender, porque a maldade tem uma lógica, quer algo, e como quer algo é possível se antecipar a ela. Mas contra a estupidez não há defesa porque a pessoa estúpida - e aqui vem algo importante - não é alguém com pouca inteligência, é alguém que renunciou a usar seu pensamento próprio, alguém que entregou sua capacidade de pensar a um líder, a um grupo, a um slogan, a uma ideologia barata, e depois que isso ocorre ninguém pode convencê-la com a lógica, não pode recorrer à sua razão porque ela já não tem a razão própria, mas sim a de outros que a dominam".
Por isso Hitler dominou pessoas cultas como médicos, engenheiros, professores, técnicos os mais variados, porque esses indivíduos, quando chegam ao poder, quando o ocupam muitas vezes sem imaginar que um dia chegariam a tanto, agem como autômatos e são incapazes de raciocinar por si próprias. Foi por esse motivo que no nazismo gente comum cometeu as maiores atrocidades possíveis e imagináveis. Crimes dos quais sobretudo a Alemanha hoje se envergonha. Conheci um médico, coitado, que um dia foi cogitado para ser secretário municipal de saúde de Cariacida. Ele não precisava disso, mas embriagou-se pela possibilidade e viveu aquilo como um sonho. E quem era o prefeito de então? Um homem culto, probo, de carreira respeitada? Não, não era. Era Cabo Camata, um criminoso sem princípios que depois escolheu outro medico por indicação de partido político a ele ligado.
Por isso existe Donald Trump hoje. Por isso o nazifascismo gerou Benjamin Netanyahu, um fiel executor da herança de Hitler. Ele e seus ajudantes abjuram os ditadores passados, mas são iguais a eles em quase tudo. Aqueles fizeram dos judeus os inimigos a serem aniqulados. Os sionistas atuais fazem o mesmo com os árabes e sobretudo os palestinos. Essa turba controlada e subjugada pela ideologia da extrema direita precisa ter um inimigo comum como bandeira, alguém a ser aniquilado. Uma etnia ou ideologia.
Pensemos nisso hoje, às vésperas de uma eleição decisiva no Brasil. Jair Bolsonaro, que é em tudo e por tudo filhote daqueles que desprezam os princípios constitucionais das nações, "elegeu" seu rebento mais velho, o "moderado" para tentar a presidência da República e buscar mais uma vez no golpe de Estado, no estupro da nossa democracia e na violação de todos os princípios legais que regem essa Nação um meio de chegar ao poder para torná-lo absoluto e passar por cima até mesmo do Supremo Tribunal Federal, como Trump deseja fazer nos EUA. Ainda dá para reagir. Que esse ensaio sobre a estupidez sirva para acordar a todos nós enquanto ainda é tempo.
Bonhoeffer disse que a única maneira de enfrentar os estúpidos é com coragem. Ele tinha razão!
23 de abril de 2026
O fanfarrão que estica a corda
Adolf Hitler fazia o mesmo com seu fotografo pessoal, durante os anos 1930 na Alemanha. Com todos os recursos da época, Heinrich Hoffmann usava longas sessões de fotografia nas quais o ditador alemão ensaiava várias poses que seriam depois mostradas em seus discursos diante de platéias imensas, geralmente em áreas abertas. Era o que se podia fazer então. Na foto vertical o leitor pode ter uma noção do que era o show hitlerista.
Mas notem bem esse ponto em comum entre ambos: suas aparições nunca deixavam (ou deixam, no caso atual) de ser ensaiadas. São parte de um espetáculo que visa mostrar força, poder, transmitir medo e em última análise matar também. O ditador alemão chegou ao ponto de não precisar mais dar satisfações a ninguém no age de seu poder, antes do declínio. Trump ainda tem que aceitar as regras do jogo democrático, mas as odeia. Se pudesse, destruiria todas elas. No fundo ainda vive essa esperança, mas sabe que precisa agir com cuidado e sempre cercado por párias incapazes de questionar uma única de suas ordens. Nesse ponto, como Hitler fazia.
Há um ponto não comum agora separando o ditador alemão de seu protótipo norte-americano: o primeiro jogou tudo numa aposta na qual ele sabia que ganharia o mundo caso vencesse ou seria morto se perdesse. Perdeu! Trump, não. Sabe que os freios e contrapesos da Constituição dos Estados Unidos não podem ser superados com facilidade e sente medo. Muito medo de ser derrotado e perder até a liberdade.
Agora, sobretudo e principalmente em relação às eleições de meio de mandato, quando pode perder a maioria no Congresso de seu país e virar um "pato manco", usa de toda a força possível de ser reunida para governar. Mas que ninguém se iluda: o protótipo de ditador dos Estados Unidos vai fazer o diabo para driblar a sorte, as leis de seu país e continuar ao comando do projeto de poder total. Não desistirá fácil. A extrema direita estará ao seu lado esticando a corda, ameaçando, fazendo todo tipo de fanfarronices e tentando manter o astro de televisão como chefe da Casa Branca. Ele tem ainda muito tempo pela frente para fazer ameaças ao planeta inteiro e colocar o rabo entre as pernas dizendo que venceu em todas as vezes em que tudo der errado. Seu medo maior é ouvir um "você está demitido" do povo norte-americano em novembro, como fazia na TV com os calouros.
É irônico, mas de Brasília uma sua cópia tupiniquuim estará o tempo todo diante das TVs olhando o infinito para aprender e passar as aulas ao 01 que sonha com o Palácio do Planalto onde quer entregar depois seu País a Tio Sam. Vocês o acham moderado, democrata? Não se iludam, o projeto dele de governo prevê corroer e destruir a democracia brasileira começando pela economia e as relações de trabalho, esfacelando o salário mínimo, os aposentados, o direito do povo à aposentadoria e quem sabe à greve também. Torçam para não acontecer.
Mas torçam votando em outubro!
17 de abril de 2026
O lawfare como arma
As pessoas mais lúcidas vão concordar com essa minha afirmação: tudo o que o Brasil não precisava nos dias de hoje era viver uma crise de grandes proporções envolvendo os poderes da República. Sobretudo e principalmente Legislativo e Judiciário. Então, uma pergunta que cabe fazer é essa: o que deu na cabeça do senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, mas gaúcho de nascimento, para que ele trouxesse a público um parecer tão tresloucado de CPI do crime organizado como o que leu em plenário? É certo que a peça foi rejeitada, mas o estrago já estava feito. E que estrago!
Estamos vivendo uma fase dura do trato político no Brasil, onde o lawfare se transformou de método de trabalho para arma de combate. Essa, digamos técnica, consiste no uso estratégico e deturpado da lei e procedimentos jurídicos para perseguir e deslegitimar, podendo chegar a prejudicar ou aniquilar um oponente, seja ele político - a prática mais comum entre nós - econômico ou militar. Por aqui ele é usado dia e noite pela extrema direita política nos embates que são realizados, sobretudo nessas pré campanhas próximas às eleições.
O emedebista Alesandro era tido e havido como político equilibrado, de bom ou até fino trato. Ao longo de sua atuação no Senado, chegou a concordar em mais de 70 por cento com as propostas que vinham do atual Governo. Ficou difícil de ser entendido o fato de ele, da noite para o dia, ter elaborado um parecer sobre crime organizado no qual pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como participantes dessa mesma organização, além do procurador geral da República. Estranho, muito estranho: no relatório elaborado não constava um único nome de membro da classe política. E temos hoje no Brasil o pior e mais corrupto Poder Legislativo de todos os tempos.
Poucas coisas podem servir melhor ao País do que as comissões parlamentares de inquérito, pois elas têm o poder de levantar dados, investigar fatos e trazer à luz os problemas mais candentes do Brasil. Mas quando se transformam em armas a serem usadas contra o Estado, tornam-se mais letais que o crime organizado pretensamente combatido. E isso acontece sempre que a balança da Justiça é puxada para baixo por mãos indevidas, movidas por interesses inconfessados e em épocas nas quais é fácil produzir uma crise institucional.
Teremos pela frente eleições nas quais o jogo sujo vai ser colocado na ordem do dia. O lawfare já está sendo usado até mesmo por quem não sabe o que é isso. Tanto que o candidato a presidente Flávio Bolsonaro usou como propaganda de campanha imagens de penúria e venda de ossos ocorrida nos anos de governo de seu pai, veiculadas pelo programa Fantástico e que podem ser, como estão sendo, desmascaradas facilmente. Ou seja: não se usa do menor pudor nem resquícios sequer de honra para tentar obter votos. Vale tudo. E se num quadro como esse até relatórios senadoriais podem ser produzidos e usados com objetivos pouco claros, estaremos diante de uma situação para lá de anômala.
Ontem o senador Alessandro Vieira esticou ainda mais a corda dizendo ter absoluta certeza de que a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal vai chegar. Talvez, senador, talvez. Os tribunais, da mesma forma que as demais organizações, são ocupados por seres humanos e estes carregam consigo seus méritos e defeitos. No Poder Legislativo atual esses segundos abundam graças ao baixo nível de grande parte de seus ocupantes. Vai daí, é bem mais provável que venhamos a ver legisladores de algemas. Mas isso não é o ideal.
O bom é que ao longo do dia de hoje, por iniciativa do ministro Luiz Fachin, está sendo colocada água nessa fervura. É o melhor caminho.
8 de abril de 2026
A Justiça precisa ser mudada
No Brasil a Justiça não tem o direito de falhar. Se ela perder o respeito do homem comum, do cidadão que acredita nos valores da cidadania, rapidamente se tornará pasto para os abutres.
Sempre que os meios de Comunicação mostram matérias depreciativas dos conceitos de Justiça, aqueles que pregam o fim do Estado Democrático e de Direito vibram. São eles os artífices dos golpes de Estado, os incentivadores das negações de nossos nortes como sociedade e dos tumultos como meio de chegar ao poder e mantê-lo contra todos os preceitos constitucionais hoje em vigor e cujo conjunto de valores é intenção dessa turba destruir. A história recente do Brasil mostra isso com abundantes cores nos mais diversos episódios e não apenas nos do tristemente conhecido 08 de janeiro de 2023.
Nos últimos dias têm abundado as matérias que mostram comportamentos erráticos de ministros do Supremo Tribunal Federal. Não apenas no tocante à vida ligada às suas atividades enquanto juízes na Suprema Corte, mas também nas decisões que visam proteger uns aos outros e a todos através de outras que resgardam os interesses dos poderosos. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é um exemplo disso. Dificilmente se chega a ele e também raramente os grandes meios de Comunicação o tratam da mesma forma que os demais, sobretudo os ligados ao governo federal atual. Esse ex-presidente de BC tem muito a explicar, e não apenas sobre o escândalo do Banco Master e seus filhotes.
No Brasil é triste ver o Supremo envolvido em episódios pouco claros. Ele foi um dos principais responsáveis pela intocabilidade de nossa Constituição e pela manutenção do Estado Democrático e de Direito depois dos episódios que culminaram com o 08 de janeiro de 2023. Então, ver um ministro que tem esposa recebendo milhões por serviços de advocacia prestados a gente sem honra, outro desfrutando os prazeres de resorts seus e da família, mais um com filho recém formado em Direito ganhando um dinheirão, também mais um discursando publicamente para deixar entender que não será estrela, isso quando seu discurso é a antesala dessa situação, e mais outros restringindo o acesso e a divulgação de investigações ao cidadão comum é de fazer corar. Principalmente quem sente vergonha!
Na internet, um dia desses alguém postou pergunta sobre saudade da ditadura militar brasileira. Foi assustador ver a quantidade de pessoas falando sobre como era bom andar nas ruas naquela época (sic!), que os militares só mataram bandidos, deixaram a tarefa pela metade, não tiveram coragem para impedir a posse do atual presidente, precisam voltar mesmo sem eleições e outras coisas mais. Em parte isso é fruto de ignorância, mas no maior percentual dos discursos é principalmente resultado do reacionarismo que marca a sociedade brasileira. E esse aleijão moral nacional só pode ser transposto e tornado passado sem volta com educação e exemplo. Esse exemplo, excelentíssimos senhores ministros dos tribunais superiores, precisa vir obrigatoriamente de cima. Caso contrário o brasileiro comum, esse que está chegando agora aos bancos escolares não vai aprender que somos uma sociedade culturalmente múltipla, mas focada em valores éticos e morais que devem ser defendidos contra intempéries e agressões externas.
Justiça não é um poder seletivo ou medroso e por isso ele deve tardar o mínimo possível para não falhar justamente para aqueles que mais precisam dele. E estes estão na base da pirâmide social e não nos píncaros onde moram ministros e o poder de decisão que na maioria das vezes não olha para baixo. Por isso o intelectual Rui Barbosa, um conservador como grande parte dos brasileiros, pedia que houvesse sentimento de Justiça entre seus iguais. Dessa forma é transferida confiança e respeito a todos os inquilinos das leis que regem o País.
Ouvindo diariamente as falas dos políticos sabemos o que todos pensam e também em que limite ideológico estão aqueles para os quais tudo o que temos em matéria de cultura legal pode ser pura e simplesmente destruído. Eis o perigo: eles não querem substituir os dez ministros que hoje compõem a corte maior da Justiça, mas sim esta, que para esse grande grupo é apenas e tão somente um incômodo. Por isso precisamos refazer rapidamente a estrutura do poder reinante. Ele é necessário, mas seus vícios e defeitos podem destruí-lo e a nós também.
6 de abril de 2026
O sionismo travestido
Vamos explicar em breves palavras. O sionismo é um movimento político e ideológico surgido no final do século XIX que defende a criação de um estado nacional judeu na sua chamada "pátria ancestral", a Palestina. Isso remete os defensores desse princípio ao Monte Sião, elemento geográfico da região de Jerusalém e onde os judeus sionistas entendem que têm direito não apenas ao estado que lhes deu a ONU em 1948, mas também à expulsão de lá e todos os palestinos, que para eles não seriam parte do direito divino judaico.
Tábata e os brasileiros envolvidos nessa questão não são inocentes úteis. Na sua maior parte o grupo de pessoas faz parte do "sionismo cristão", um aleijão filosófico religioso e político constituído por imensa maioria de evangélicos combatidos pelas correntes tradicionais e que dão apoio incondicional a Israel na crença de que o retorno dos judeus à Terra Santa é o cumprimento de profecias bíblicas essenciais para a segunda vinda de Jesus à terra. E acrescento o seguinte: quem age em nome de Deus é capaz de tudo ou todas as coisas.
O sionismo, identificado na foto que abre esse artigo, não é unanimidade nem em Israel. A imagem deixa isso claro. Mas a vertente cristã do movimento encontrou terreno fértil no Brasil, como mostra a foto abaixo. E esse crescimento da anomalia judaica - sim, porque os judeus sequer são cristãos - é o que impulsiona por aqui as legiões de brasileiros vestidos com bandeiras de Isarel e dos Estados Unidos em manifestações públicas, todas elas ligadas à extrema direita política e agora adicionadas à campanha que vai desembocar nas eleições gerais de outubro, quando elegeremos o nosso próximo presidente da República.
Tábata não está agindo por conta própria. O movimento internacional pró Estado de Israel ocupa grande parte do mundo e se manifesta sobretudo nas esferas políticas dos países, pois é nelas que está o poder. Os legisladores brasileiros envolvidos com o PL 1424/2026 têm patrocínio dessas correntes, amplo apoio financeiro e, inclusive, acabam sendo diretamente responsáveis por violências cometidas no Brasil por "turistas israelenses", grande parte militares de folga, ou então por reações de setores do poder brasileiro cooptado por essa corrente como a Prefeitura do Rio de Janeiro, que no final da semana multou um estabelecimento que mostrava cartaz com restrições de atendimento lá de israelenses e norte americanos. Não há base legal para isso.
Há, sim, uma diferença imensa entre antissemitismo e antissionismo. O primeiro caso não se cultiva no Brasil. O segundo, sim, e porque esse pensamento, hoje vastamente difundido até mesmo entre as crianças de Israel, é o nazismo moderno. Em nada difere do hitlerismo que pretendeu eliminar todos os judeus. O sionismo de hoje tem intenção de fazer o mesmo com os palestinos, e já desenvolve o genocídio daquele povo todos os dias, por todos os meios.
A essência do movimento que hoje em terras brasileiras pretende tornar antissemitismo qualquer crítica que se queira fazer a Isarel esquece que naquele país os nazistas modernos criaram uma lei que permite a pena de morte aos palestinos, mas não aos outros cidadãos do país que cometam idêntico crime. Também faz vista grossa até de militares que praticam tido ao alvo contra crianças palestinas que, na visão deles, serão os "terroristas" do futuro. Isso além de inúmeras outras aberrações. O Brasil não pode embarcar nessa ação criminosa. Hoje mesmo o presidente dos Estados Unidos chamou os iranianos de "animais" e disse que suas forças armadas vão continuar a cometer crimes de guerra sem temer as leis internacionais.
Isso não é a civiliação, é a barbárie!
1 de abril de 2026
Estado de Direito, o inimigo
"O Estado de Direito é um sistema onde governantes e cidadãos estão sujeitos a leis claras, públicas e iguais, garantindo que ninguém esteja acima da lei. Fundamenta-se na legalidade, proteção de direitos fundamentais, separação de poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário) e segurança jurídica, limitando o poder contra arbítrios". Essa definição é dada pelo Ministério Público Federal do Brasil e identifica o maior inimigo que hoje tem esse sistema aqui, ali, em todos os lugares: a extrema direita que se manifesta com força até nos Estados Unidos,quer acabar com ela e substituí-la por autocracias atuando acima do escopo legal.
Hoje já existe mesmo nos Estados Unidos uma reação grande ao fascista presidente Donald Trump, mas talvez ela seja atropelada pelo esquema ditatorial que ele montou para se proteger e manter o poder. Há também a proximidade das tais "eleições de meio de mandato", que nos EUA acenam com a possibilidade de esse mandatário perder a maioria pequena que hoje ostenta na Câmara e no Senado. Mas ele vai usar de todos os meios para impedir isso, principalmente os subterrâneos e que podem torpedear a democracia de lá. Não temos hoje a menor dúvida quanto isso. Aliás, movimentos nesse sentido já estão sendo virlumbrados e figuras como Steve Bannon, o fascista mor, já foram arregimentados.
Mas o Brasil não ficará distante disso e aí é que entram Flávio Bolsonaro, o papai presidiário e o restante da trupe. Eles conspiram pela manhã, à tarde e à noite e até agora nada foi feito para impedí-los. Neste último final de semana mesmo, no Texas, Flávio e Eduardo, o irmão mais novo, prometeram entregar as riquezas minerais brasileiras aos Estados Unidos, pediram claramente intervenção daquele país no nosso e até agora nada foi feito para que sejam responsabilizados por esse crime. Não somos todos discípulos das leis?
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| Juscelino (D) na famosa foto "Me dá um dinheiro aì" |
Sim, esse ex-presidente brasileiro chegou a anistiar todos os golpistas após se eleger presidente em 1955. Caiado está certo nisso. Mas ele omite em seu discurso que os anistiados fizeram duas tentativas de golpe de Estado, em Aragarças e Hacareacanga e formaram fileiras para derrubar João Goulart em 1964. Eram os mesmos golpistas perdoados! O governador de Goiás sabe disso, omite porque seu discurso é apenas um oportunismo político que visa eleição. E deixa o ovo da serpente outra vez chocando...
Juscelino, por sinal, jamais se livrou de piadas durante seus tempos de poder. Nem mesmo o jeito macio daquele presidente e a forma cordial como tratava todo mundo conseguiram evitar que ele fosse vítima de piadas, como uma célebre foto dele em pé diante do Secretario de Estado dos EUA, John Foster Dulles, num evento de Estado oficial e na qual este aparece como se estivesse manipulando notas de dinheiro. A fotografia foi publicada em diversos meios de Comunicação com o título "Me dá um dinheiro aí", nome de música da época.
Não consta da biografia de Ronaldo Caiado nenhum caso de golpismo. Isso e verdade, mas para tudo há uma primeira vez. Esse candidato unha e carne com o bolsonarismo até a semana passada, faz de seu projeto um caminho de acordo subterrâneo com os setores golpistas da vida nacional, e que pode ter preço alto para a democracia brasileira. Afinal, não vamos nos esquecer de que ele busca entregar aos EUA as jazidas de minerais estratégicos de Goiás, agindo à revelia das leis e do Governo Federal. Não deixa de ser um golpismo...
E isso tudo nos remete às definições de Estado de Direito da abertura do texto. Em muitos aspectos conscientemente - como no caso dos Bolsonaro - e também por conveniência político eleitoral - como é o de Caiado - nós temos pela frente uma clara e inequívoca tentativa de obstrução do Estado Democrático, muitas vezes com discursos facciosos e que visam ao menos permitir que o Brasil seja a cada dia mais dependente dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, ceda a esse a maioria de nossas riquezas ainda não exploradas, bem como a essência da soberania nacional conquistada ao longo dos séculos. Mas não queremos ser colomizados outra vez. Não aceitamos esse tipo de subserviência.
Isso não pacifica o País. Isso é a paz dos cemitérios!
29 de março de 2026
CPMI ou circo?
Uma CPMI ou CPI, instrumentos importantes que o Poder Legislativo tem para investigar fatos ligados à vida pública nacional, deveriam ser tratados com a maior seriedade possível e jamais se tornar circos para que deputados federais e senadores alimentassem suas campanhas políticas, geralmente com mentiras deslavadas. E isso aconteceu, infelizmente, com a CPMI do INSS, morta e sepultada na madrugada de ontem, sábado.
A foto que ilustra esse artigo mostra o que falarei. Todos, desde aquele que usa o microfone para seu discurso aos demais parlamentares do entorno, são bolsonaristas de raiz. Os dois das extremidades da foto, Magno Malta e Evair de Melo, foram eleitos pelos capixabas e representam a fina flor do reacionarismo político brasileiro. O presidente da Comissão, ao microfone, é Carlos Viana, do Podemos, um bolsonarista confesso. O autor do relatório recusado, Alfredo Gaspar, do PL, ingressou nesse partido para apoiar o ex-presidente.
Mesmo no pior parlamento federal da história brasileira, esse que ocupa Brasília hoje, existem muitos parlamentares capazes de compor uma CPI/CPMI apenas e tão somente para fazer inquérito, levantar fatos, ouvir pessoas, encontrar provas de maus feitos e elaborar um relatório final digno e honesto para ser votado, aprovado e enviado aos canais competentes. E eles podem e devem apoiar "A" ou "B". Mas o que foi feito na pantomina encerrada na madrugada de ontem não passou de uma burla, uma fraude cafajeste que gerou um aleijão pseudo-jurídico de mais de quatro mil páginas devidamente jogado no lixo depois de ter sido recusado por 19 votos a 12. E jogado também no lixo da história.
Pior do que isso: é praxe no Congresso que quando um relatório termina recusado pela maioria - o que não vem sendo tão raro! - pode o outro lado apresentar um segundo documento com suas propostas. Mas esse foi rechaçado de pronto por Carlos Viana, que na foto justifica a decisão comemorada pela claque ao lado com gritos de "Fora, PT". Não era uma CPMI, mas um palanque eleitoral tosco, mal montado e filmado para grupos de rede social dos "representantes do povo" presentes à festa da madrugada.
O Poder Legislativo se apequena com esses episódios. No caso do INSS, é claro, límpido e comprovado que os danos aos aposentados começaram a ser cometidos em 2019, quando o presidente da República era o hoje presidiário inelegível Jair Bolsonaro. Mas a oposição do Congresso queria "investigar" o caso somente a partir de 2022, quando o presidente Lula ocupou o Palácio da Alvorada. Isso é manobra torpe, desonesta. E segundo todos os que acompanham as coisas do poder em Brasília não há prova sólida alguma vinculando o filho do presidente ao roubo dos aposentados. Tudo não passa de manobra eleitoral.
Estamos, sim, às vésperas da eleição mais importante de nossa história republicana. E ela vai ser suja do começo ao final. Tanto que o pimpolho 01 de Bolsonaro já foi aos Estados Unidos discursar no Texas durante o Conservative Political Action Conference (CPAC) e defendeu sua candidatura à presidência dizendo que o Brasil vai ser o "campo de batalha" na disputa pelos minerais críticos e que os EUA devem usar isso para reduzir a dependência da China em terras raras. É entrevista confessa de quem já defendeu, juntamente com o irmão Eduardo, uma intervenção armada ianque em nosso país. Isso é crime, da mesma forma que o é fazer acordo de exploração mineral com os EUA sem passar pelo Governo Federal, como faz o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tentanto atropelar as leis em vigor.
Não se trata de apoiar ou não atos do Governo Federal. Hoje estamos diante de uma situação-limite e na qual ou defendemos o Estado Democrático e de Direito contra aqueles que pretendem destruí-lo para não perder nova eleição presidencial, se isso acontecer, ou então nos rendemos a quem nos quer como quintal de uma potência estrangeira para roubar recursos naturais à cara dura, como está sendo feito hoje mesmo na Venezuela.
O picadeiro já está armado no Congresso.
25 de março de 2026
Seremos dignos de 2026?
23 de março de 2026
Façam jornalismo, colegas!
Dos idos de 1964 em diante, quando ainda não havia Power Points para serem manipulados e usados como "jornalismo" em campanhas políticas, fazia-se o jornalismo de qualidade. Hoje há. Agora a Globo News pode produzir uma excrescência como a reproduzida acima e mostrada no programa Estúdio I, de Andréa Sadi, faz poucos dias. É uma farsa, uma tosca montagem de imagens feita para direcionar a opinião pública contra o Governo Federal atual e seu partido e não aos verdadeiros responsáveis pelo escândalo do Banco Master e seus desdobramentos de esgoto político. A imagem fria, desprovida de decência e honradez, omite Tarcísio de Freitas, Cláudio Castro, Ibaneis Rocha, Flávio Bolsonaro et caterva e sobretudo Jair Bolsonaro como mandantes deste crime contra o patrimônio público.
A Globo, Ah, a Globo! Como ela teima em voltar!
Um Power Point real, que mostrasse a cara desse escândalo seria como o ao lado, jamais levado ao ar. São esses pecados contra o bom jornalismo, contra o exercício da verdade factual o que marca infelizmente a existência dessa que é a maior empresa de Comunicação do Brasil, ao menos em recursos e em número de profissionais reconhecidos nacional e internacionalmente. Mas é preciso retornar um pouco no tempo para pensarmos no que está sendo mostrado hoje à opinião pública manipulável deste País, sobretudo quando se aproximam as eleições mais importantes da história do Brasil moderno.Lembro-me de 1964 e das multidões nas ruas sendo levadas como gado para protestar contra o "comunismo" nas tais "Marchas da Família com Deus pela Liberdade". Nesses movimentos estavam estudantes e donas de casa que conheciam tanto de comunismo e de liberdade (sic!) quanto de aramaico. Por trás delas, segurando as cordinhas das apresentações de teatro de bonecos ficavam os manipuladores orquestrando a queda do governo João Goulart, que tinha tanto de comuna quanto de qualquer outra ideologia "estranha".
Goulart era um estanceiro que acabaria seus dias cuidando de gado no Uruguai. Seu pecado foi o de se expor demais e permitir que infiltrados como Cabo Anselmo se aproveitassem da luta pelas reformas de base para incendiar as camadas mais reacionárias das Forças Armadas contra o governo. Daí para o golpe e a deposição do presidente foi um pulo, mas que nos custou duas décadas e mais um ano de sofrimento nas mãos de uma ditadura cruel. Alguns tentaram evitar, mas não conseguiram fazer isso, infelizmente. E não é por reformas de base que continuamos a lutar hoje, décadas depois?
Ora, agora não há mais caldo de cultura para movimento igual. "Mas por que não tentar?", pensam os fascistas disfarçados das mais diversas formas e nos mais diferentes locais. E eles tentam. Como foi feito faz 62 anos, continuam se aproveitando da ignorância de imensa parcela da população para armar novo teatro de marionetes. É possível ver hoje hordas de pobres de direita (coitados!) defendendo a liberdade que conhecem, sim, e contra a ditadura que existiu no passado, não existe hoje mas, sonham muitos, deveria voltar a acontecer.
Além da mentira como arma de guerra, gente como Cláudio Castro (em renúncia), o tosco Romeu Zema (renunciado), Ibaneis Rocha, Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e outros menos votados correriam a abraçar militares golpistas caso eles fossem às ruas. Lula, o inimigo deles todos, não. Então é fácil entender a diferença, queira-se ou não colocar sobre os ombros do atual presidente os defeitos que puderem ser encontrados, pois o de golpista não lhe cabe. Cabe, isso sim, ao genocida inelegível, presidiário e que fica dodói sempre que lhe apertam os calcanhares onde reluz a tornozeleira eletrônica já tentada fraudar em ao menos uma oportunidade, pois de fraudes vive essa figura decrépita, seus parentes e entorno.
O tempo passou e a Operação Lava Jato mostrou ser uma imensa fraude na qual grande parte do Brasil acreditou. Chega, não é? Não chega, Valdo Cruz? Façam jornalismo, colegas. Trabalhei mais de duas década em redação de jornal na época da ditadura, vivendo sob o tacão de familiares reacionários e sempre, pela manhã à tarde e à noite, lutei contra o reacionarismo e denunciando notícias falsas. Inúmeros colegas dessa época ainda estão vivos e cito o nome da sindicalista Suzana Tatagiba Fundão apenas como exemplo, mas para significar ou representar todos os demais. O espaço é curto, felizmente, para tanta gente.
Vamos dizer "não!". Ter a coragem de falar que esse Power Point não deveríamos ter colocado no ar porque é mentiroso, agride a honra e a ética que devem permear sempre o exercício profissional honesto e do qual não nos afastamos nunca. Os interesses subalternos das grandes corporações de Comunicação jamais resistiram a um "não!" coletivo. Pensem nisso, pois ainda é tempo.
19 de março de 2026
Presidiário em campanha
16 de março de 2026
Caso de identidade
Um dia meu pai foi comprar munição para uma espingarda de caça dele numa loja de Campos dos Goytacazes porque iriam, ele e seu cunhado Antônio caçar marrecas nas barrancas do Rio Paraíba do Sul, perto de Atafona. Eu não iria com eles para não ver os bichos serem mortos e provoquei uma gargalhada geral na loja de armas ao questionar se lá eram vendidos "revólveres de mocinho". "Como são esses?", perguntou o comerciante. Expliquei: "Eles só ficam sem balas depois que os xerifes se escondem atrás das pedras. Os dos índios e dos bandidos nunca acertam o alvo e falham porque as balas mascam depois do segundo tiro..."
"Um batalha após a outra", o grande campeão do Oscar 2026 - seis estatuetas - é o retrato da cultura dos Estados Unidos. Um belo filme, com um Leonardo DiCaprio marcando presença (foto), mas apenas isso. Só que ele é a identidade do cinema daquele país. É a cara da cultura norte-americana e quem escolhe os campeões de qualidade em Hollywood são todos de lá. Identificam-se com os mocinhos de seus filmes. "O agente secreto", lindíssimo e com uma aula de interpretação de Wagner Moura é a cara do Brasil, um retrato de nossos valores, uma reconstituição de parte da história brasileira mais recente e seria mesmo muito difícil ficar com o maior de todos os prêmios nas terras de Tio Sam.
2025 foi ano de belos filmes. Como "Hamnet: A vida antes de Hamlet", que premiou Jessie Buckley como melhor atriz no papel de Anne Hathaway, a mulher do bardo William Shakespeare. Não poderia ter sido escolhida outra. "Valor Sentimental", mais uma bela obra, acabou premiado porque não poderia ficar de fora. "Marty Supreme" e "Pecadores", que não vi, também foram reconhecidos. Faltou premiar "Sonhos de trem", um drama humano belíssimo e que tinha um brasileiro como autor da fotografia. Enfim, não se pode exigir muito no mundo do cinema. Nem que a grandeza de "Foi apenas um acidente" terminasse reconhecida, isso para não termos que falar de todos, como também de "Frankenstein".
Como no ano passado com "Ainda Estou Aqui" o Brasil mostrou que estamos num momento mágico de nosso cinema, o que não seria possível num governo de extrema direita. Hoje mesmo muita gente minúscula comemorou o fato de "O Agente Secreto" não ter ganho ao menos um Oscar, mas todos sabemos que ele é o grande vencedor e vai ser lembrado como alguma de nossas melhores produções, como foi o caso de "Eles Não Usam Black Tie", que nada ganhou além de muito respeito por ter sido um enfrentamento à ditadura militar.
O Brasil é pródigo em bons atores e atrizes, diretores talentosos e autores com belas histórias. Uma delas foi "Marighela", de 2019, que marcou a estréia de Wagner Moura como diretor e contou com uma atuação maiúscula de Seu Jorge vivendo o personagem principal. Esse filme talvez nunca entrasse em circuito nacional se o hoje presidiário Bolsonaro ainda fosse presidente, porque todos os boicotes foram feitos para impedir a exibição desse trabalho. Não passa e não passará pelas cabeças das pesssoas muito pequenas, sobretudo ética e moralmente, que o cinema é antes de tudo uma expressão artística e não existe arte dissociada de seu caráter social, político e também ideológico.
Definitivamente, o Brasil leva jeito...
11 de março de 2026
A Justiça e o Estado de Direito
Devemos reconhecer: a extrema direita política brasileira não aceita o STF porque não se vê nele.
Ela foi apoiadora do golpe Estado de 1° de abril de 1964, guerreou pela manutenção deste e estava em campo oposto ao das forças democráticas que lutaram durante 21 anos pela volta da democracia representativa ao Brasil, em 1985. De lá para cá sempre tentou solapar as instituições civis brasileiras que se reconhecem ao olhar no espelho do Brasil de hoje. Por isso estava acampada diante de quartéis durante a tentativa de golpe de Estado de 08 de janeiro de 2023 e consegue ver no seu país de hoje uma ditadura. Mas muito diferente daquela que apoiara num passado recente, para prender ilegalmente, torturar e matar.
Hannah Arendt, filósofa alemã que marcou época no pensamento mundial com a criação do conceito de "banalidade do mal" ao escrever "Eichmann Em Jerusalém" e onde disseca a personalidade de Adolf Heichmann, disse certa feita que "a essência dos Direitos Humanos é direito a ter direitos". Ora, sempre que um regime ditatorial ocupa o poder em qualquer parte do mundo, a primeira coisa que ele faz é retirar dos cidadãos seus direitos mais elementares. Isso aconteceu no nazismo que a judia Arendt estudou tão bem através da personalidade de criminosos de guerra. Acontece ao longo dos tempos, como agora no Brasil quando os saudosos do nazifascismo tentam reviver os períodos mais sombrios da história brasileira.
O STF é alvo porque representa a democracia que só pode ser questionada pela maioria da população via eleições e/ou plesbicito. Como o extremismo de direita teme esse tipo de processo de consulta popular, tenta obter o poder através da força. Tem hoje no psicopata Donald Trump um aliado fundamental que usa o fascismo político como arma para conseguir ocupar corações e mentes. A direita brasileira vê nele um aliado e pode querer usá-lo como trampolim para que um novo Bolsonaro ocupe o poder. Mas esse sujeito, o ianque, vê apenas dinheiro diante de si. No nosso caso, principalmente minerais raros que pretende tomar, se preciso à força, usando o artifício de "narcoterrorismo" para tanto.
O Supremo não é perfeito. Composto por seres humanos, carrega em si os defeitos de todos nós, ainda mais porque alguns ministros têm tido pouco cuidado e permitido que interesses privados se confundam com o público prevalecente acima de tudo. Graças a isso tornam-se alvo do oportunismo político de quem não se vê nele. O momento brasileiro atual reflete isso: centenas de vigaristas de mandato investem contra os organismos superiores da Justiça para atacar. Dessa forma pretendem atingir todas as instâncias do poder constituído e abrir caminho para seu discurso eleitoral maquiado e diredionado a destruir o Estado de Direito.
A imprensa, dolosa e culposamente colabora com isso. Uma jornalista de O Globo, Malu Gaspar, tem se dedicado a acusar o STF. Não teria problema se ela não fosse uma lavajatista conhecida e que se deixou fotografar diante de um Sérgio Moro em pose de majestade quando ele ainda era respeitado. Sua blusa laranja na foto acima destaca-se no grupo e a coloca em situação de dúvida. A mesma que tenta jogar agora contra ministros do Supremo. Por isso, no exercício da denúncia o jornalista tem que ser homeopático nos offs e, ao mesmo tempo, abusar de fontes identificadas ou situações concretas, paupáveis. Malu, profissinal talvez digna, deveria saber disso e ter esse cuidado para não deixar a posição de pedra e se tornar vidraça.
Estamos em tempos difíceis. Enquanto no Brasil a maior corte de Justiça, da qual o país não pode abrir mão por tudo o que ela representa, é alvo de tiroteio intenso, uma parcela grande, imensa mesmo do espectro político nacional defende com unhas e dentes um recuo ao autoritarismo na calda de cometa do presidente norte-americano capaz de tudo para obter seus objetivos. Isso de novo nos remete a Anna Arendt no livro "As origens do totalitarismo". Ela defende que esse sistema, inédito no mundo até o início do século XX, não busca apenas controle político das sociedades, mas a dominação total do homem, do ser humano agora definitivamente destituído de esfera privada e capacidade de ação individual.
Seria isso o que queremos?
9 de março de 2026
O Fusca da Ana
Ninguém diria que a paranoía de extrema direita fascista do presidente norte-americano Donald Trump tiraria do túmulo da ditadura militar brasileira um cadáver político de 1969. Mas tirou! E isso aconteceu porque um senhor idoso foi detido no aeroporto internacional da Ciudad de Panama quando em trânsito para a Guatemala num voo da empresa aérea papamenha Copa Airlines. O jornalista Franklin Martins viajava para uma palestra em evento na Cidade da Guatemala e fazia escala no Panamá porque não existe voo direto entre o Brasil e a capital guatemalteca. Só por esse motivo. Detido, acabou devolvido ao Rio de Janeiro graças aos arquivos da inteligência (?) dos EUA e numa história que merece ser recontada.
Então um belo dia conversávamos sobre isso Nilo e eu na sala do editor chefe de A Gazeta e o irmão mais velho de Franklin (foto recente deste à esquerda), à época ministro de Estado, disse que seu mano jamais poderia pisar nos Estados Unidos por causa desse fato e já estava conformado porque havia vivido anos na Europa como exilado político. Então eu ri e disse ao Nilo: "A raiva deles é que seu irmão desmoralizou os Estados Unidos. Onde já se viu, em plena ditadura militar, em época de guerra fria um embaixador ianque ser sequestrado por militantes comunistas de Fusca? É muita desmoralização para o Tio Sam!"
7 de março de 2026
O Escudo Trump
Ontem mesmo, para não ser preciso usar muito a memória, Trump disse nos EUA que a ele não importa se o próximo governo do Irã será democrático ou não, contanto seja "bom" para os Estados Unidos, Israel e os países próximos. E também que deem a ele o direito de roubar petróleo da mesma forma como isso está sendo feito na Venezuela. Democracia jamais foi do interesse do presidente norte-americano. Aliás, isso é um estorvo. Tanto que seus maiores aliados do Oriente Médio são ditaduras duras, familiares e reacionárias. A Arábia Saudita, que como diz seu nome pertence à família Saud, é um exemplo claro.
Desde que assumiu a presidência há pouco mais de um ano Trump fez crescer de maneira exponencial sua fortuna. Em bilhões de dólares. E premiou os setores empresariais que o apoiaram e apoiam com recursos quase ilimitados, como é o caso da área de petróleo. Hoje saem navios lotados de óleo bruto da Venezuela para os Estados Unidos a fim de engordar as reservas estratégicas daquele país. O fluxo tende a aumentar muito, sobretudo agora que as relações diplomáticas foram reatadas oficialmente entre Washington e Caracas.
Pior para Cuba, o próximo alvo da sanha do odio trumpista. Ele diz quase todos os dias que o fim do país caribenho está próximo. Para isso conta com a ajuda incondicional de seu secretário de Estado, Marco Rubio, um filho de exilados cubanos anticastristas que dariam e dão tudo para verem a derrocada do regime político cubano. Mesmo à custa da miséria do povo que, em última análise, é formado por ascendentes dos Rubio.
Aliás, miséria dos povos pouco importa ao atual governo ianque. Nos primeiros momentos da guerra entre EUA e Israel contra o Irã uma escola de meninas foi borbardeada e mais de 180 pessoas morreram, dentre elas uma centena - acredita-se - dessas jovens garotas, algumas na pré-adolescência. Os Estados Unidos nada fazem para apurar responsabilidades. Está fora de cogitação um pedido formal de desculpas. Afinal, o que aquela garotada estava fazendo lá na casa dela enquanto os EUA lutavam por petróleo e pela manutenção do sionismo nazifascista de Benjamin Netanyahu? Elas morreram e pronto. Acabou!
A marca clara do atual governo dos Estados Unidos pode ser medida pelo fato de que em todos os lugares onde o país vai regociar a "paz" e há petróleo por perto, um dos mediadores é Jared Kushner, o marido da filha Ivanca, empresário, investidor bilionário e atual "diplomata" a serviço do sogro. Afinal de contas, tudo no atual governo, como a reunião de hoje num endereço privado, são negócios de família. Apenas grandes negócios.
Mesmo um ataque a Cuba para destruir o governo cubano e aquele país é uma oportunidade rara de negócios. Em Varadero, por exemplo, Trump, Kushner e o restante da gang podem expandir o balneário e fazer um resort - tipo a Gaza dos Sonhos! - onde irão magnatas norte-americanos quem sabe para jogar nos cassinos a serem construídos e operados pela mesma máfia que Fulgêncio Bstista mantinha lá antes de 1959, com as cubanas sendo as meretrizes a serviço da "elite" visitante. Afinal, é confortável ter um prostíbulo tão perto de casa!
Business is business!
5 de março de 2026
Suicídio ou "suicídio"?
O Estado é responsável pelas pessoas que mantém sob custódia, e isso não é de hoje. O cidadão de nome extenso Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo simbólico apelido de "Sicário" (foto), se suicidou na prisão quando estava sob custódia da Polícia Federal, em Belo Horizonte e logo após ser preso.
No mínimo ou miseravelmente ele não foi custodiado como deveria e permitiu-se que encontrasse meios de se matar por enforcamento dentro de uma cela da PF. Isso se foi mesmo suicídio, se foi ele quem tomou a decisão e se acabou sendo bem atendido no Hospital João XXIII, para onde foi levado e constatou-se morte cerebral durante o atendimento. Por sinal, os aparelhos que o mantém vivo ainda não foram desligados.
Sicário significa indivíduo contratado para matar alguém. Um assassino de aluguel. Um pistoleiro. Jagunço, em outras palavras. Há vários nomes na língua portuguesa, com mais de uma origem, para dizer o que é esse personagem. Fácil então concluir que quem carrega nome como esse não pode ser pessoa de respeito. Do bem. Tanto que hoje mesmo sua prisão, suicídio e morte em um hospital já geraram memes como esse abaixo e que o mostra sendo colocado numa ambulância ao ser levado da PF para atendimento de emergência.
O caso do Banco Master Ruboriza. Não apenas pela amplitude, mas também pelos personagens que envolve. De cara consta que as autoridades já encontraram nos celulares de Daniel Vorcaro - são inúmeros - gente como os parlamentares Marcelo Álvaro (PL-MG), Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), Hugo Motta (Repubicanos-PB), Arthur Lyra (PP-AL), Nikolas Ferreira (PL-MG), Diego Coronel (PSD-BA), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), João Carlos Bacelar (PL-BA), Altineu Cortes (PL-RJ), Doutor Luizinho (PP-RJ), Fausto Pinato (PP-SP), Márcio Marinho (Republicanos-BA), Flávia Arruda (PL-DF), Rodrigo Maia (PSD-RJ), Lucas Gonzales (Novo-MG), Vinícius Poit (Novo-SP), Bilac Pinto (União Brasil-MG) e Fábio Mididieri (governador de SE-PSD). Nikolas Ferreira voou 12 vezes no avião de Daniel Vorcaro durante a campanha presidencial em 2022, mas não sabia quem era ele. E esse escândalo tem origem no bolsonarismo à época da gestão de Jair Bolsonaro na Presidência da República.
Mais: o senhor Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil durante a gestão Bolsonaro estava e está à frente de toda a permissividade que levou ao escândalo do Caso Master. Ainda não foi responsabilizado por isso. Somente Daniel Vorcaro e sua proximidade maior, onde se situam até mesmo pessoas ligadas ao Banco Central do Brasil estão presas. Vorcaro, inclusive, era chefe de quadrilha e chegou a ameaçar de morte várias pessoas como é o caso do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.
Isso tudo fede. E o Brasil tem um longo histórico de pessoas que dasaparecem por serem arquivos ambulantes. Esse "Sicário" não é o primeiro e, ao que parece, não será o último a morrer pouco antes de uma delação premiada. Durante a ditadura militar isso aconteceu muito com conotações políticas, mas hoje continua ocorrendo sempre que alguém sabe demais contra gente poderosa e não pode ou não deve falar.
É preciso também que se olhe para outro fator: após o vazamento da informação de que 18 deputados da direita, incluindo Nikolas Fereira e Arthur Lira constam do WhatsApp de Daniel Vorcaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu não priorizar a CPI do Banco Master. Quem tem a consciência pesada tem medo...rsrsrs.
Presumo que era de bom tom que o "Sicário" se calasse.
2 de março de 2026
Teatro do absurdo
Donald Trump joga sujo em relação à política internacional e tem em relação a Benjamin Netanyahu uma submissão difícil de ser entendida. Faz com que ele enfrente até seu núcleo duro de apoio político conhecido como Maga para atender aos interesses do sionismo governante na Israel de hoje, jamais parando de fornecer armas ao aliado incondiconal. Aliás, incondicional sempre, porque foi assim com praticamente todos os presidentes norte-americanos desde a fundação do estado judeu de 1948 para cá.
As negociações de Omã em busca da paz foram apenas um teatro do absurdo que antecedeu a hora certa do ataque ao Irã. Enquanto Steve Witkoff, o enviado dos EUA para assuntos externos e Jared Kushner, o genro do presidente, representavam seu país em Omã diante do ministro das relações exteriores daquele país, Badr Albusaidi, americanos e israelenses monitoravam Teerã. Quando uma reunião de cúpula foi convocada porque os iranianos acreditavam que as negociações seguiriam, o ataque veio. Sem comunicado algum. Sem declaração de guerra. Sem que as hostilidades fossem alertadas antes ao Congresso, como manda a Constituição dos Estados Unidos. Sem que o israelense comum soubesse de coisa alguma, a não ser por um seco comunicado de Netanyahu e pelas sirenes de ataque aéreo.
Donald Trump jamais se preocupou com democracia. Aliás, ele acabaria com a dos EUA caso pudesse. Seus maiores aliados no Oriente Médio são ditaduras como a da Arábia Saudita, onde o chefe de Estado mandou matar um cidadão de seu país - um jornalista - em Istambul e sumir com o corpo. Era um opositor e ele não aceita opositores.
Da mesma forma como esse presidente ianque é amigo dos ditadores que o abraçam, faz vista grossa para as armas nucleares de Israel, hoje capazes de destruir muito mais do que essa da foto acima, lançada pelos EUA contra Hiroshima em 06 de agosto de 1945, três dias antes de os japoneses decidirem que a II Guerra Mundial teria de acabar. Ele também não se importa com teocracias e atacou o Irã não por esse motivo porque teocratas amigos abundam no Oriente Médio. Os sauditas são uns deles. Além disso, esse país rico em petróleo e em favores para com os aliados tem forças armadas poderosas fornecidas pelos americanos.
Israel cultiva inimizades e comete genocídio no Oriente Médio sob as asas de seu protetor da América do Norte. Não fosse assim, já teria buscado a paz com os vizinhos para viver com eles nas fronterias determinadas pela ONU em 1948. O apoio incondicional norte-americano alimenta o expansionismo sionista e também seu militarismo e o enfrentamento aos demais países. Enquanto isso não terminar teremos um quadro de instabilidade política extrema naquela região e um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento com consequências inimagináveis. E ele ainda não explodiu. Está latente.
Até lá talvez os palestinos sejam exterminados.



















