2 de março de 2026

Teatro do absurdo

A paz só é possível, em quaisquer circunstâncias imagináveis, se as partes em conflito a estiverem buscando. Ela não surge do nada e se na mesa de negociações é colocada apenas a submissão absoluta de uma delas em relação à outra ou às outras, a possibilidade de um acordo se torna quase igual a zero. Isso antecedeu o ataque dos Estados Unidos e de Israel em Irã. Os EUA e o governo israelense sempre tiveram a intenção de atacar aquele país. Desde o início.

Donald Trump joga sujo em relação à política internacional e tem em relação a Benjamin Netanyahu uma submissão difícil de ser entendida. Faz com que ele enfrente até seu núcleo duro de apoio político conhecido como Maga para atender aos interesses do sionismo governante na Israel de hoje, jamais parando de fornecer armas ao aliado incondiconal. Aliás, incondicional sempre, porque foi assim com praticamente todos os presidentes norte-americanos desde a fundação do estado judeu de 1948 para cá.

As negociações de Omã em busca da paz foram apenas um teatro do absurdo que antecedeu a hora certa do ataque ao Irã. Enquanto Steve Witkoff, o enviado dos EUA para assuntos externos e Jared Kushner, o genro do presidente, representavam seu país em Omã diante do ministro das relações exteriores daquele país, Badr Albusaidi, americanos e israelenses monitoravam Teerã. Quando uma reunião de cúpula foi convocada porque os iranianos acreditavam que as negociações seguiriam, o ataque veio. Sem comunicado algum. Sem declaração de guerra. Sem que as hostilidades fossem alertadas antes ao Congresso, como manda a Constituição dos Estados Unidos. Sem que o israelense comum soubesse de coisa alguma, a não ser por um seco comunicado de Netanyahu e pelas sirenes de ataque aéreo.

Donald Trump jamais se preocupou com democracia. Aliás, ele acabaria com a dos EUA caso pudesse. Seus maiores aliados no Oriente Médio são ditaduras como a da Arábia Saudita, onde o chefe de Estado mandou matar um cidadão de seu país - um jornalista - em Istambul e sumir com o corpo. Era um opositor e ele não aceita opositores.

Da mesma forma como esse presidente ianque é amigo dos ditadores que o abraçam, faz vista grossa para as armas nucleares de Israel, hoje capazes de destruir muito mais do que essa da foto acima, lançada pelos EUA contra Hiroshima em 06 de agosto de 1945, três dias antes de os japoneses decidirem que a II Guerra Mundial teria de acabar. Ele também não se importa com teocracias e atacou o Irã não por esse motivo porque teocratas amigos abundam no Oriente Médio. Os sauditas são uns deles. Além disso, esse país rico em petróleo e em favores para com os aliados tem forças armadas poderosas fornecidas pelos americanos.

Israel cultiva inimizades e comete genocídio no Oriente Médio sob as asas de seu protetor da América do Norte. Não fosse assim, já teria buscado a paz com os vizinhos para viver com eles nas fronterias determinadas pela ONU em 1948. O apoio incondicional norte-americano alimenta o expansionismo sionista e também seu militarismo e o enfrentamento aos demais países. Enquanto isso não terminar teremos um quadro de instabilidade política extrema naquela região e um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento com consequências inimagináveis. E ele ainda não explodiu. Está latente.

Até lá talvez os palestinos sejam exterminados.