12 de maio de 2026

Sem anistia para golpista

A imagem fotográfica feita através do vidro quebrado de uma das janelas do Palácio do Planalto em 08 de janeiro de 2023 (foto) deveria ser suficiente para convencer qualquer pessoa sensata de que golpistas não podem ser anistiados. Se as penas impostas aos criminosos daquele dia foram pesadas demais, isso é um caso a ser avaliado. Mas membros do Parlamento pretenderem reagir à sustação da votação da dosimetria retirando do esgoto a tal Lei da Anistia é de uma insensatez que beira a loucura e porque até os porteiros do Supremo Tribunal Federal sabem que essa anomalia será dada como inconstitucional.

Vamos analisar a questão por dois atores menores. Um deles, o deputado federal Sóstenes Cavalcanti é pastor, teólogo (assim se apresenta) e membro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, a corrente liderada pelo também dito pastor Silas Malafaia. Não é preciso dizer mais nada. Ele acha "inevitável" a votação da tal anistia e sabe que ela será considerada inconstitucional pelo STF. Sua posição é apenas a aposta no caos institucional.

A outra figura é o senador catatinense Esperidião Amin, 78 anos (Cavalcanti tem 51), um egresso da velha Arena, colaborador da ditadura militar brasileira, saudoso dela e que sempre se aproveitou de posições de extrema direita para renovar mandatos. Hoje no PP, ele jura que quer aprovar a anistia para "pacificar" o Brasil (sic!). Comunga da ideia de que os presos e condenados, sobretudo o ex-presidente Jair Bolsonaro são vítimas de perseguição política implacável e por isso precisam ser anistiados para retornar à vida pública.

A tudo isso se soma a figura de Flávio Nantes Bolsonaro, o "filho pródigo" feito candidato pelo papai presidiário. Vai tentar a presidência da República com as bandeiras de submissão total às políticas dos Estados Unidos, torpedeamento da legislação trabalhista, asfixia da Saúde, tutela da Educação por parte de sua corrente de pensamento e, se possível, privatização do maior número possível de entidades educacionais, o que vai desde educação técnica até as universidades e, como se ainda não bastasse, a privatização de nossas maiores empresas públicas como são os casos da Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e a Petrobrás. Essa última é a cereja do bolo da extrema direita brasileira!

Não é por outro motivo que Flávio foi homenageado em eventos do agronegócio brasileiro recentemente. Os empresários do setor sabem que nunca tiveram tanto dinheiro à sua disposição através do Plano safra e outras sinecuras como ocorre agora no governo Lula. Então por que isso? Simples: porque a eles não interessam apenas as benesses do Estado, mas sim o controle total sobre a economia agrícola e pecuária do Brasil, num governo que poderia privatizar até o Palácio do Planalto caso isso fosse possível ou viável.

Não haverá mais ganho real sobre as correções dos vencimentos, principalmente de quem recebe através da Previdência Social, como é o caso do salário mínimo. Benefício de prestação continuada? Esqueçam. A conta vai cair de novo sobre as camadas mais subalternas da população e é quase certo que, em caso de naufrágio das propostas econômicas de um improvável governo Bolsonaro 2, novamente vejamos filas em frente aos açougues para a disputa de ossos de animais abatidos para o consumo. Os pobres emprenhados pelo canto das sereias extremistas de direita vão ver com quantos paus se faz uma canoa.

E como tragédia pouca é bobagem, o ministro Nunes Marques assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral hoje convidando à solenidade de sua posse dois presos: os ex-presidentes Jair Bolsonaro e Fernando Collor de Mello. É um cartão de visitas como não poderia ser nenhum outro. E mostra explícita sobre de que forma pensam não apenas ele, mas também o ministro André Mendonça. Por que então termos receio de qualquer coisa dar errado e um novo quadro sombrio surgir no horizonte? Se acontecer um "imprevisto", bastará levar a cabo outro projeto de anistia e eles estarão pacificando o Brasil.

Com a paz dos cemitérios!

10 de maio de 2026

A bandeira Ypê

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão do governo encarregado de zelar pela confiabilidade dos produtos colocados à disposição da população, identificou em alguns detergentes da marca Ypê a presença da bactéria Pseudomonas aeroginosa, sobretudo alguns lotes específicos de lava-roupas líquido. O fabricante, a Química Amparo anunciou o recohimento cauteloso e voluntário dos lotes contaminados, o que é procedimento normal. Isso deveria encerrar tudo, mas veio o inacreditável.

Como o fabricante é um conhecido empresário bolsonarista, os seguidores dessa corrente "ideológica" viram na iniciativa um ataque à empresa Amparo. E, a começar pela ex-primeira dama Michele Bolsonaro, iniciaram campanha em favor do consumo da marca, mesmo o dos lotes com contaminação, identificados nas gôndolas dos supermercados com o "1" fechando a numeração. E muitos adotaram esse comportamento claramente irresponsável pedindo a compra dos detergentes. A Anvisa, por sua vez, passou a apenas não recomendar esse uso condenado por medida de precaução.

É o Samba do Crioulo Doido versão eleições presidenciais!

Hoje mesmo o candidato Flávio Bolsonaro foi fazer propaganda eleitoral em Florianópolis, o que é ilegal antes de iniciado o processo de campanha oficial, e vestindo uma camisa onde se lia: "O PIX é do Bolsonaro. O Master é do Lula". Trata-se de uma inverdade deslavada, mas de que importa? E em seus discursos naquela cidade e diante do governador Jorginho Melo proclamou que vai reduzir a maioridade penal para 14 anos e endurecer o combate à corrupção, no que foi seguido pelo senador e ex-juiz Sérgio Moro. Ele só não explicou seus vínculos com o senador Ciro Nogueira e os casos de rachadinhas, compra de imóveis em dinheiro vivo, conluio com milicianos e outros casos de corrupção mais. Todos comprovados! 

Estamos às vésperas de uma campanha ileitoral na qual a verdade será assassinada e sepultada todos os dias, sobretudo nos palanques onde estiverem candidatos da oposição ao governo. E tudo será feito sem o menor pundonor, sem a menor cerimônia. Sérgio Moro, que deixou o governo Bolsonaro onde era ministrao por não aceitar nomeações para a pasta de Justiça de pessoas sem qualifificão moral suficiente, agora vê em Flávio o indivíduo capaz de acabar com toda a corrupção que assola o Brasil e sobre a qual ele e seus iguais acusadores não possuem a menor sombra de prova concreta. E ele era juiz!!!!!

Não será bom o samba desafinado que se avizinha na campanha presidencial. Hoje mesmo os comícios fora de hora, todos eles ilegais, mostraram que não vai haver limite para os ataques, inclusive à democracia. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes votou a ser achincalhado por ter suspendido a dosimetria das penas do criminosos de 2023 porque há recursos pendentes e ainda não julgados. E isso era necessário nesse momento.

Michele Bolosnaro podia beber um vidro de detergente para provar seu amor pela marca do empresário bolsonarista do coração. Isso, sim. seria uma bandeira para quem não tem nenhuma.