6 de abril de 2026

O sionismo travestido

A deputada Tábata Amaral, com ar de moça singela, acabou recentemente por mostrar as garras. Não pequenas, mas longas: ela é parte do movimento que desemboca no Congresso Nacional através do PL 1424/2026, alinhado a algumas normas internacionais capazes de limitar e criminalizar críticas ao Estado de Israel. Uma legislação que confunde sionismo com judaismo e tem o intuito de legitimar, como se possível fosse, os crimes de guerra hoje cometidos pelo Estado Sionista de Israel contra o povo palestino na Faixa de Gaza, na Cisjordânia ilegalmente ocupada e em outros lugares e situações.

Vamos explicar em breves palavras. O sionismo é um movimento político e ideológico surgido no final do século XIX que defende a criação de um estado nacional judeu na sua chamada "pátria ancestral", a Palestina. Isso remete os defensores desse princípio ao Monte Sião, elemento geográfico da região de Jerusalém e onde os judeus sionistas entendem que têm direito não apenas ao estado que lhes deu a ONU em 1948, mas também à expulsão de lá e todos os palestinos, que para eles não seriam parte do direito divino judaico.

Tábata e os brasileiros envolvidos nessa questão não são inocentes úteis. Na sua maior parte o grupo de pessoas faz parte do "sionismo cristão", um aleijão filosófico religioso e político constituído por imensa maioria de evangélicos combatidos pelas correntes tradicionais e que dão apoio incondicional a Israel na crença de que o retorno dos judeus à Terra Santa é o cumprimento de profecias bíblicas essenciais para a segunda vinda de Jesus à terra. E acrescento o seguinte: quem age em nome de Deus é capaz de tudo ou todas as coisas.

O sionismo, identificado na foto que abre esse artigo, não é unanimidade nem em Israel. A imagem deixa isso claro. Mas a vertente cristã do movimento encontrou terreno fértil no Brasil, como mostra a foto abaixo. E esse crescimento da anomalia judaica - sim, porque os judeus sequer são cristãos - é o que impulsiona por aqui as legiões de brasileiros vestidos com bandeiras de Isarel e dos Estados Unidos em manifestações públicas, todas elas ligadas à extrema direita política e agora adicionadas à campanha que vai desembocar nas eleições gerais de outubro, quando elegeremos o nosso próximo presidente da República.

Tábata não está agindo por conta própria. O movimento internacional pró Estado de Israel ocupa grande parte do mundo e se manifesta sobretudo nas esferas políticas dos países, pois é nelas que está o poder. Os legisladores brasileiros envolvidos com o PL 1424/2026 têm patrocínio dessas correntes, amplo apoio financeiro e, inclusive, acabam sendo diretamente responsáveis por violências cometidas no Brasil por "turistas israelenses", grande parte militares de folga, ou então por reações de setores do poder brasileiro cooptado por essa corrente como a Prefeitura do Rio de Janeiro, que no final da semana multou um estabelecimento que mostrava cartaz com restrições de atendimento lá de israelenses e norte americanos. Não há base legal para isso.

Há, sim, uma diferença imensa entre antissemitismo e antissionismo. O primeiro caso não se cultiva no Brasil. O segundo, sim, e porque esse pensamento, hoje vastamente difundido até mesmo entre as crianças de Israel, é o nazismo moderno. Em nada difere do hitlerismo que pretendeu eliminar todos os judeus. O sionismo de hoje tem intenção de fazer o mesmo com os palestinos, e já desenvolve o genocídio daquele povo todos os dias, por todos os meios.

A essência do movimento que hoje em terras brasileiras pretende tornar antissemitismo qualquer crítica que se queira fazer a Isarel esquece que naquele país os nazistas modernos criaram uma lei que permite a pena de morte aos palestinos, mas não aos outros cidadãos do país que cometam idêntico crime. Também faz vista grossa até de militares que praticam tido ao alvo contra crianças palestinas que, na visão deles, serão os "terroristas" do futuro. Isso além de inúmeras outras aberrações. O Brasil não pode embarcar nessa ação criminosa. Hoje mesmo o presidente dos Estados Unidos chamou os iranianos de "animais" e disse que suas forças armadas vão continuar a cometer crimes de guerra sem temer as leis internacionais.

Isso não é a civiliação, é a barbárie!

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