23 de abril de 2026

O fanfarrão que estica a corda

Tem gente que ocupa boa parte de seu tempo para estudar o gestual de Donald Trump. As poses sentado diante de interlocutores com o corpo todo à frente na poltrona, quase saindo dela enquanto seus auxiliares ficam compenetrados atrás, o punho fechado demonstrando força como nessa foto acima, os braços para o alto como em comemoração ou então com uma dancinha ridícula. Finalmente, para evitar nos alongarmos muito, o dedo apontado geralmente em direção a algum jornalista como quem diz um "fala você agora!". Tudo isso foi estudado ao longo dos muitos anos passados como animador de auditório nos programas de TV que fazia nos EUA. Tudo rigorosamente tudo, meticulosamente estudado.

Adolf  Hitler fazia o mesmo com seu fotografo pessoal, durante os anos 1930  na Alemanha. Com todos os recursos da época, Heinrich Hoffmann usava longas sessões de fotografia nas quais o ditador alemão ensaiava várias poses que seriam depois mostradas em seus discursos diante de platéias imensas, geralmente em áreas abertas. Era o que se podia fazer então. Na foto vertical o leitor pode ter uma noção do que era o show hitlerista.


Mas notem bem esse ponto em comum entre ambos: suas aparições nunca deixavam (ou deixam, no caso atual) de ser ensaiadas. São parte de um espetáculo que visa mostrar força, poder, transmitir medo e em última análise matar também. O ditador alemão chegou ao ponto de não precisar mais dar satisfações a ninguém no age de seu poder, antes do declínio. Trump ainda tem que aceitar as regras do jogo democrático, mas as odeia. Se pudesse, destruiria todas elas. No fundo ainda vive essa esperança, mas sabe que precisa agir com cuidado e sempre cercado por párias incapazes de questionar uma única de suas ordens. Nesse ponto, como Hitler fazia.

Há um ponto não comum agora separando o ditador alemão de seu protótipo norte-americano: o primeiro jogou tudo numa aposta na qual ele sabia que ganharia o mundo caso vencesse ou seria morto se perdesse. Perdeu! Trump, não. Sabe que os freios e contrapesos da Constituição dos Estados Unidos não podem ser superados com facilidade e sente medo. Muito medo de ser derrotado e perder até a liberdade.

Agora, sobretudo e principalmente em relação às eleições de meio de mandato, quando pode perder a maioria no Congresso de seu país e virar um "pato manco", usa de toda a força possível de ser reunida para governar. Mas que ninguém se iluda: o protótipo de ditador dos Estados Unidos vai fazer o diabo para driblar a sorte, as leis de seu país e continuar ao comando do projeto de poder total. Não desistirá fácil. A extrema direita estará ao seu lado esticando a corda, ameaçando, fazendo todo tipo de fanfarronices e tentando manter o astro de televisão como chefe da Casa Branca. Ele tem ainda muito tempo pela frente para fazer ameaças ao planeta inteiro e colocar o rabo entre as pernas dizendo que venceu em todas as vezes em que tudo der errado. Seu medo maior é ouvir um "você está demitido" do povo norte-americano em novembro, como fazia na TV com os calouros.  

É irônico, mas de Brasília uma sua cópia tupiniquuim estará o tempo todo diante das TVs olhando o infinito para aprender e passar as aulas ao 01 que sonha com o Palácio do Planalto onde quer entregar depois seu País a Tio Sam. Vocês o acham moderado, democrata?  Não se iludam, o projeto dele de governo prevê corroer e destruir a democracia brasileira começando pela economia e as relações de trabalho, esfacelando o salário mínimo, os aposentados, o direito do povo à aposentadoria e quem sabe à greve também. Torçam para não acontecer.

Mas torçam votando em outubro! 

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