O eugenismo social, pseudociência que visa a "melhoria da raça" (sic!) se manifesta de forma cruel em Santa Catarina e se concretiza na forma de lei estadual capaz de eliminar em todo o Estado a legislação de cotas raciais, sobretudo para ingresso nas universidades. Esse ovo da serpente que vem sendo chocado há tanto tempo agora ameaça se espalhar pelo restante do Brasil e já está presente até mesmo no Espírito Santo, meu Estado, onde há uma proposta legislativa na Assembleia objetivando o mesmo em Vitória e em todo o restante do Estado. O autor da excrescência, parlamentar do PL (claro!) defende a tese.
Para conseguir tal intento, não apenas o deputado capixaba, mas sobretudo políticos de Santa Catarina pretendem eliminar cotas por raça e gênero, mantendo apenas um critério social difuso para até mesmo concursos públicos. Há um reflexo imediato nesse projeto, se o termo pode ser usado: manter minorias fora de setores importantes da sociedade e concentrar as oportunidades nas mãos dos que hoje já detém o poder de influir diretamente no acesso à elite social brasileira. E por que isso nasce em Santa Catarina?
A foto que está na abertura desse texto denuncia catarinenses fazendo saudação nazista à bandeira brasileira durante manifestação política por lá. A segunda foto mostra a sede do poder catarinense em 1934 com a cruz nazista tremulando. O ovo da serpente é tão antigo que gerou o apelido de "Santa CataReich" para aquela unidade da Federação. É correto que grande parte dos catarinenses não a merecem, mas também que cresce a cada ano passado a ascenção de um novo nazifascismo não apenas lá, mas também no Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e outros lugares como aqui no meu Espírito Santo.
No último dia 10 de novembro a Assembleia Legislativa catarinense aprovou o fim das cotas raciais por lá. Mas não apenas isso. O laboratório social do Estado ataca com fascismo, racismo e eugenismo. A sede da Unidade Popular pelo Socialismo foi invadida pela PM e vandalizada. Trata-se de um orgão de esquerda política. Três prefeituras - Florianópolis, Balneário Caburiu e Chapecó - têm produzido uma política de internação compulsória de "saúde" contra populações em situação de rua, não para corrigir uma chaga social brasileira, mas para "limpar" as vias públicas dos mais necessitados. O turismo exige! É preciso dizer, tanto para quem concorda quanto para quem discorda: isso tudo é inconstitucional e no caso presente as ações estão sendo tomadas em parceria com empresas privadas de saúde, o que torna ainda mais grave a situação. Recentemente uma deputada socialista chegou a ser detida na Capital de Santa Catarina por autoridades nazifascistas locais e teve seu material de panfletagem destruído antes de ser liberada porque a detenção era flagrantemente ilegal.
Pode-se questionar a política de cotas. Claro que sim. Mas critérios de justiça social para sua eliminação só acontecerão quando o Brasil puder dar a todos os estudantes igual acesso a educação de qualidade antes do terceiro grau e também a todos os atores sociais, maiorias ou minorias, o mesmo tratamento legal e direito de acesso a progresso social em todos os setores da vida econômica nacional. Antes será necessário que esse dispositivo legal hoje existente continue mantido, para a garantia de igualdade de tratamento e oportunidades. Todos somos brasileiros!
O ovo da serpente remonta, nesse caso, até mesmo à Ação Integralista Brasileira (AIB), braço do nazismo no Brasil e que foi muito popular na primeira metade do Século XX. E isso aconteceu até o ingresso do Brasil na II Guerra Mundial, quando ela foi considerada ilegal. Mas nunca deixou de existir! A tragédia é que hoje ameace tomar corpo em diversos setores da vida brasileira na cauda de cometa de um fenômeno crescente no universo político mundial e que se sustenta em líderes internacionais como o presidente dos Estados Unidos "et caterva" e até mesmo seus iguais daqui das nossas terras como o genocida presidiário brasileiro e seguidores, como é exemplo atual o governador de Santa CataReich, digo, Catarina.

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