Amanhã é o dia de Natal, data sagrada para todos os cristãos. E também sagrada para nós nos lembrarmos de que o Brasil instituiu, desde o desgoverno do presidiário Jair Bolsonaro, o maior sistema de desvio de dinheiro dos impostos que os brasileiros pagam, na forma das famigeradas emendas parlamentares. Antes elas eram pequenas (sic!) e garantiam aos políticos o abastecimento de seus currais eleitorais com dinheiro público para direcionar as campanhas de reeleição. Mas desde a administração passada, quando o ex-presidente abriu as porteiras para o Congresso não deixar passar uma das dezenas de ações de impeachment que lá tramitavam, isso se tornou a pior forma de corrupção já nascida no Brasil. Trata-se do sequestro do orçamento federal para a farra dos políticos.
Agora mesmo o Congresso aprovou o orçamento de 2026. E as emendas, que já eram de R$ 50 bilhões, uma cifra antes inimaginável, agora chegam a R$ 61 bilhões. É ano de eleição! E para que essa dinheirama entre na conta dos deputados e senadores foram cortados programas sociais: R$ 436 milhões do Pé de Meia; R$ 300 milhões do Vale Gás; R$ 391 milhões no Seguro Desemprego; R$ 200 milhões de Abono Salarial. Dinheiro que abastece a base da pirâmide social e não o topo onde fica a chamada "República da Faria Lima" que interfere nas decisões dos governos ou então molha as mãos dos políticos que definem os orçamentos de todos os anos pensando tão somente em seu bem estar e na renovação dos mandatos.
E não pensem que isso só atinge coisas distantes. Aqui mesmo no Espírito Santo a Academia Espírito-santense de Letras chegou a orçar em R$ 400 mil a reforma de sua sede do Centro de Vitória faz cerca de cinco anos. De repente e com a intervenção de um presidente recém eleito surgiu do nada uma emenda parlamentar de R$ 1,8 milhão que tem como patrono o misto de secretário da Saúde e deputado estadual Tyago Hoffmann. Como vai ser usada essa dinheirama? Para onde vão quase R$ dois milhões de dinheiro dos impostos do cidadão? Ninguém explica!
Tirar meio bilhão da educação é condenar as universidades públicas a passarem mais um ano de penúria. E isso também está sendo feito, além de todos os demais cortes listados acima. Mas o "mercado" não está preocupado com nada. Nem ex-professores a ex-professoras das univesidades federais que agora podem fechar os olhos a esses desmandos, comparecendo dia sim, outro também às assembleias legislativas para receber diplomas e medalhas confeccionados também com o dinheiro do contribuinte para comemorar sua "des)honra ao mérito".
Falta vergonha ao brasileiro que participa desse tipo de falcatrua, na maioria das vezes arrastando para ela instituições centenárias brasileiras que passam a ser cúmplices de crimes contra o erário. Ou então fazendo vista grossa para um roubo que tira dinheiro de programas sociais vitais num país como o Brasil. E não falta ao crime organizado no qual se transformou o Legislativo brasileiro - felizmente com muitas exceções! - a audácia de dentro, de um ano, querer ainda mais dinheiro porque a goela é imensa.
Feliz Natal a todos!

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