19 de março de 2026

Presidiário em campanha

Quantos presos no Brasil podem dispor de mais de 70 metros quadrados para usufruir deles durante sua estada na prisão (veja na foto)? Quantos têm assistência médica total 24 horas? Quantos recebem todo santo dia a comidinha especial feita em casa? Quantos dispõem de ambulância à porta para encaminhamento ao hospital no caso de necessidade? Quantos podem fazer seguidos pedidos de prisão domiciliar humanitária quase todo dia depois de terem tentado romper tornozeleira eletrônica e passado uma vida inteira debochando de direitos humanos até atentarem contra o Estado Democrático e de Direito num arrebatamento insano de tentativa de golpe de Estado? Ao que parace, só uma pessoa da Papudinha.

Jair Bolsonaro quer voltar à casa que ocupa num condomínio de Brasília para transformá-la mais uma vez num comitê eleitoral. Comitê de campanha. Mas ele é preso condenado a 27 anos e três meses de prisão em processos nos quais teve ampla oportunidade de defesa. O que uma pessoa assim perde? Ela tem cassado seu direito à liberdade caso a pena defina a privação desse direito, não pode assumir cargo público, pode ser obrigada a reparar danos causados pelos crimes e, nesse seu caso, principalmente fica sem os direitos políticos, não pode votar e nem ser votado. Esqueceram de dizer isso a esse preso?

O ex-presidente do Brasil jamais aceitou sua situação. Mesmo com uma carrada de provas contra ele, proclama aos quatro ventos uma inocência tão real quanto a Branca de Neve. Esse discurso é o oficial, usado por todo seu entorno e alimenta o bolsonarismo raiz, aquele formado por gente sem capacidade cognitiva quase nenhuma e capaz de, dentre outras coisas, acreditar que o Brasil é hoje governado por uma espécie de clone do presidente Lula, já morto desde sabe-se lá quando e substituido no comando do País por "n" pessoas.

A República brasileira começou em 1889 por um golpe de Estado. Ao longo de quase 137 anos, coexistiu com uma série de aquarteladas e golpes que se sucederam sem que a sociedade fosse capaz de se proteger contra o mal. De se vacinar... Na última vez, tivemos 21 anos de ruptura do Estado Democrático e de Direito, o que aconteceu entre 1964 e 1985. O presidente hoje preso é um saudoso dessa ditadura, apoiador daqueles que foram seus inspiradores, devoto de torturadores como Brilhante Ustra e autor de uma série quase interminável de disparates como "eu não sou coveiro", "e daí?, todo mundo vai morrer um dia" e outros mais como o inacreditável "não te estupro porque você não merece!"

Agora que ele mais uma vez apresenta problemas de saúde (?), uma parcela considerável da sociedade, grandes meios de Comunicação à frente, defendem que seja removido do apartamento da Papudinha - sim, aquilo não é uma cela! - para o conforto da casa de dois andares onde passava os dias com tudo pago pelo PL e outros meios de manutenção, dos quais os menos usados eram suas aposentadorias obtidas na bacia das almas. E sobretudo para voltar a conspirar com desenvoltura. Bolsonaro não tem correção: é golpista, seus filhos também, uma boa parcela dos que o seguem são inimigos declarados da democracia e estamos correndo um risco de, refiro-me sobretudo ao Supremo Tribunal Federal, entregar novos meios e modos de alimentar essa serpente em direção ao caos que ela representa.

"Cria cuervos y te sacarán los ojos"

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