Dos idos de 1964 em diante, quando ainda não havia Power Points para serem manipulados e usados como "jornalismo" em campanhas políticas, fazia-se o jornalismo de qualidade. Hoje há. Agora a Globo News pode produzir uma excrescência como a reproduzida acima e mostrada no programa Estúdio I, de Andréa Sadi, faz poucos dias. É uma farsa, uma tosca montagem de imagens feita para direcionar a opinião pública contra o Governo Federal atual e seu partido e não aos verdadeiros responsáveis pelo escândalo do Banco Master e seus desdobramentos de esgoto político. A imagem fria, desprovida de decência e honradez, omite Tarcísio de Freitas, Cláudio Castro, Ibaneis Rocha, Flávio Bolsonaro et caterva e sobretudo Jair Bolsonaro como mandantes deste crime contra o patrimônio público.
A Globo, Ah, a Globo! Como ela teima em voltar!
Um Power Point real, que mostrasse a cara desse escândalo seria como o ao lado, jamais levado ao ar. São esses pecados contra o bom jornalismo, contra o exercício da verdade factual o que marca infelizmente a existência dessa que é a maior empresa de Comunicação do Brasil, ao menos em recursos e em número de profissionais reconhecidos nacional e internacionalmente. Mas é preciso retornar um pouco no tempo para pensarmos no que está sendo mostrado hoje à opinião pública manipulável deste País, sobretudo quando se aproximam as eleições mais importantes da história do Brasil moderno.Lembro-me de 1964 e das multidões nas ruas sendo levadas como gado para protestar contra o "comunismo" nas tais "Marchas da Família com Deus pela Liberdade". Nesses movimentos estavam estudantes e donas de casa que conheciam tanto de comunismo e de liberdade (sic!) quanto de aramaico. Por trás delas, segurando as cordinhas das apresentações de teatro de bonecos ficavam os manipuladores orquestrando a queda do governo João Goulart, que tinha tanto de comuna quanto de qualquer outra ideologia "estranha".
Goulart era um estanceiro que acabaria seus dias cuidando de gado no Uruguai. Seu pecado foi o de se expor demais e permitir que infiltrados como Cabo Anselmo se aproveitassem da luta pelas reformas de base para incendiar as camadas mais reacionárias das Forças Armadas contra o governo. Daí para o golpe e a deposição do presidente foi um pulo, mas que nos custou duas décadas e mais um ano de sofrimento nas mãos de uma ditadura cruel. Alguns tentaram evitar, mas não conseguiram fazer isso, infelizmente. E não é por reformas de base que continuamos a lutar hoje, décadas depois?
Ora, agora não há mais caldo de cultura para movimento igual. "Mas por que não tentar?", pensam os fascistas disfarçados das mais diversas formas e nos mais diferentes locais. E eles tentam. Como foi feito faz 62 anos, continuam se aproveitando da ignorância de imensa parcela da população para armar novo teatro de marionetes. É possível ver hoje hordas de pobres de direita (coitados!) defendendo a liberdade que conhecem, sim, e contra a ditadura que existiu no passado, não existe hoje mas, sonham muitos, deveria voltar a acontecer.
Além da mentira como arma de guerra, gente como Cláudio Castro (em renúncia), o tosco Romeu Zema (renunciado), Ibaneis Rocha, Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e outros menos votados correriam a abraçar militares golpistas caso eles fossem às ruas. Lula, o inimigo deles todos, não. Então é fácil entender a diferença, queira-se ou não colocar sobre os ombros do atual presidente os defeitos que puderem ser encontrados, pois o de golpista não lhe cabe. Cabe, isso sim, ao genocida inelegível, presidiário e que fica dodói sempre que lhe apertam os calcanhares onde reluz a tornozeleira eletrônica já tentada fraudar em ao menos uma oportunidade, pois de fraudes vive essa figura decrépita, seus parentes e entorno.
O tempo passou e a Operação Lava Jato mostrou ser uma imensa fraude na qual grande parte do Brasil acreditou. Chega, não é? Não chega, Valdo Cruz? Façam jornalismo, colegas. Trabalhei mais de duas década em redação de jornal na época da ditadura, vivendo sob o tacão de familiares reacionários e sempre, pela manhã à tarde e à noite, lutei contra o reacionarismo e denunciando notícias falsas. Inúmeros colegas dessa época ainda estão vivos e cito o nome da sindicalista Suzana Tatagiba Fundão apenas como exemplo, mas para significar ou representar todos os demais. O espaço é curto, felizmente, para tanta gente.
Vamos dizer "não!". Ter a coragem de falar que esse Power Point não deveríamos ter colocado no ar porque é mentiroso, agride a honra e a ética que devem permear sempre o exercício profissional honesto e do qual não nos afastamos nunca. Os interesses subalternos das grandes corporações de Comunicação jamais resistiram a um "não!" coletivo. Pensem nisso, pois ainda é tempo.

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