Coube ao senador governista Rogério Marinho explicar porque o nome de Messias foi rejeitado. Segundo ele, por ser mais um caso de "militância" do presidente Lula. Mas Marinho é filiado ao PL, o partido dos militantes do bolsonarismo no Legislativo Federal. Não reúne todos porque vários estão espalhados taticamente por legendas como Novo, Republicanos, União, PSD e outros por onde navega a fina flor do reacionarismo político brasileiro. Ora, o que é então essa militância "denunciada" agora por esse senador potiguar?
A militância é a dedicação total, quase exclusiva a uma causa, ideologia ou outro tipo de atuação política visando a mudança da sociedade. Em um ponto a gente tem que ser justo: a oposição visa mudar a sociedade. Mas de que forma? No caso específico dos militantes de Bolsonaro, quer a volta do Estado ao que era antes do governo atual, com todos os seus defeitos. E vai continuar tentando fazer isso por todos os meios possíveis e imagináveis, como houve ontem. Nesse caso, com a participação do presidente da casa, Davi Alcolumbre, um filiado ao União Brasil. Sim, eles precisam se espalhar por diversos partidos...
Se houver necessidade de outra tentativa de golpe, por que não?
O Congresso Nacional de hoje é o pior de todos os tempos. Age visando lucros, quase exclusivamente. A indicação de um ministro do Supremo Tribunal Federal é prerrogativa da Presidência da República e o nome enviado deve ser de alguém com notório saber jurídico e reputação ilibada. Só caberia ao Senado julgar isso. Mas, a começar pelo presidente Alcolumbre, ele se julga no direito de ter um candidato todo seu, de se recusar a receber em gabinete o indicado pelo presidente e também de manobrar nos bastidores para eleger "A", prejudicar "B" e ultrapassar não apenas os limites de seu poder, mas também os da decência.
Durante o governo anterior o ministro André Mendonça sofreu resistências, mas foi aprovado. Os mesmos parlamentares que hoje acusam o governo de militância, militavam em seu nome. A mulher do então presidente, Michele Bolsonaro, comemorou de maneira efusiva a aceitação daquele ministro por ser ele evangélico, e essa não era uma de suas atribuições. Aliás, não é a de ninguém. Atualmente as nomeaçoes, aprovações de leis e tudo o mais passam obrigatoriamente por "bancadas". Existem várias e agora há até mesmo a das bets, e da qual já participam 12 parlamentares, seis deputados federais e seis senadores. Esse câncer de nossa política tende a se espalhar, sem um remédio eficaz que o combata.
E hoje, na ressaca dessa decisão esdrúxula do Senado, identifico um risco: o presidente Lula nomeou algumas pessoas para cargos importantes atendendo a anseios sobretudo de bancadas como a evangélica, e ainda liberou mais verbas para criminosas emendas parlamentares. Se os políticos entenderem que essas indicações de ministros das cortes superiores de Justiça podem ser doravante um bom negócio em termos pecuniários ou de blindagem, aí então, além de termos de dizer adeus definitivamente aos critérios de saber jurídico e vida ilibada, teremos que atender a exigências ainda a sair dos esgotos da política nacional, tipo: "E aquele meu processo, como vai ficar depois?"

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