Se o jogador tem a oportunidade de cobrar um pênalti faltando dois minutos para o término do tempo de acréscimo de uma partida decisiva e até então perdida por 2 a 0, manda a inteligência que ele pegue a bola, defina a cobrança e bata logo. Se fizer o gol deve correr em direção onde a bola entrou, pegar, levar também correndo para o meio de campo e esperar ansioso que o árbitro reinicie a partida. Se seu time tiver a chance de empatar e provocar uma prorogação será em um único lance. Não mais do que isso.
O Brasil perdia por 2 a 0 da Noruega domingo nos Estados Unidos e precisava ganhar para chegar às quartas-de-final da competição. O técnico Ancelotti colocou Neymar no time quando o placar ainda estava em 0 a 0 e perdeu uma das suas marcações altas porque o atacante que entrou não marca ninguém. E jogou para ver Haaland fazer 2 a 0 para sua equipe, jogando sem quem pudesse marcá-lo com eficiência. Ele geralmente só precisa de uma bola para decidir um jogo e nós lhe demos duas. Demos mais: demos a indignidade e falta de ética de um jogador em fim de carreira que não sabe perder e, em vez de cobrar logo o pênalti, ficou provocando o goleiro adversário que reagiu rindo dele (foto). Afinal, não iria sujar a linda vitória de sua equipe lutando contra uma figura patética como Neymar.
Haaland (dizem que a pronúncia é Hôlan) recentemente usou quase oitocentos mil dólares de dinheiro ganho jogando futebol para comprar um livro de mais de 500 anos, extremamente raro e que conta parte da história do então reino norueguês hoje monarquia constitucional com democracia parlamentar. Em seguida doou o exemplar à bilioteca pública da região onde nasceu. Deu aos moradores de seu país, sobretudo estudantes, a oportunidade de lerem a história norueguesa contada por quem participou dela no passado. Isso reforça o nacionalismo saudável e endereça a garotada ao amor pela leitura.
E Neymar? Consta que ele comprou um relógio de cerca de um milhão de dólares, pensa em trocar seu avião por outro maior e também comprar um novo iate. Recentemente foi pergundado a ele se lia autores brasileiros. Resposta: "Não porque são todos comunistas". Pela parte que me toca, muito obrigado. Neymar saiu de campo dando vexame e chutando um adversário depois da derrota. Os noruegueses saíram orgulhosos pela vitória e em momento algum fizeram pouco de seu adversário que, por sinal, admiram.
Não é impossível ao Brasil voltar a trilhar os caminhos das vitórias no mundo do futebol. E nos demais também. Mas antes disso alguns jogadores terão que se tornar homens de verdade. Somente depois vai ser possível voltar a revelar craques como fazíamos no passado, na época em que nosso futebol chegava aos mundiais como favorito. Deixamos isso para trás na cauda de cometa de uma infinidade de erros, casos de corrupção, malversação de dinheiro público e outras coisas mais. A solução, hoje, é ver a Copa do Mundo dos Estados Unidos à distância e sem nos deixarmos contaminar pelos arroubos trumpistas que fazem do futebol uma panacéia. Ele também é um atraso para o esporte e o mundo.
Faltam quatro anos para um novo sonho de Copa do Mundo. Resta esperar com a certeza de que há muito por fazer. E então fazer tudo.

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