5 de outubro de 2026

O vulcão

 

Quem foram as pessoas que colocaram seus dedos na tecla "confirma" das urnas eletrônicas, como na foto acima, e conseguiram, como se diria no futebol, dar um "drible de corpo" em todos os institutos de pesquisa do Brasil nas eleições de ontem? Mais importante ainda: por que cerca de 33 milhões de brasileiros não foram às urnas para participar da escolha do novo presidente, senadores, deputados federais e estaduais, além de governadores deste país? Pior: a soma das abstenções com votos nulos e brancos chega a 24,63 por cento do eleitorado no 1° turno. Talvez a resposta a essas duas perguntas seja mais importante do que avaliarmos agora como se deu a vitória da extrema direita nas eleições brasileiras.

Afinal, um vulcão  entrou ontem em erupção por aqui. 

É fato afirmar uma coisa: estamos diante do risco de sermos governados por um plantel miliciano-evangélico nos próximos quatro anos graças a denominações neo pentecostais que invadem a vida pública no rastro de cometa dos princípios da "Teologia do Domínio" importada dos Estados Unidos de alguns anos para cá. E de vermos crescer no Brasil a política por familiares. Magno Malta não conseguiu eleger sua filha, a inexpressiva Maguinha, mas Jair Bolsonaro tem quase toda a família hoje em cargos públicos eletivos. Carlos agora vai para Brasília juntamente com Jair Renan, o filho mais novo. O suplente de Michele é seu irmão e o da amiga do coração, Damares Alves, o próprio filho. Todos serão diplomados durante férias que elas terão ao longo dos oito anos de mandato. Que beleza!

Outra coisa que surpreende são as votações de Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, ambos do PL de Minas Gerais e São Paulo, respectivamente, que somaram mais de três milhões de votos. Eles são a fina flor do reacionarismo político nacional. A extrema direita raiz! A estes soma-se pelo menos Eduarda Campopiano, de Praia Grande, deputada estadual mais votada em São Paulo. A moça - ela é jovem, com 23 anos - agradeceu aos colonizadores pelo fato de o Brasil existir e associou os indígenas - que ela chama de índios - ao canibalismo. Essas pessoas foram eleitas pelos brasileiros e possuem mandatos legais, lícitos.

E quem é o eleitor brasileiro? Tenho um hábito simples e que é o de perguntar a pessoas com as quais converso qual é a diferença entre deputado federal e senador em termos de suas atribuições de mandato. Quase ninguém sabe nada, nem mesmo parlamentares eleitos. E é uma coisa simples: deputados representam o povo que os elegeu enquanto senadores são representantes dos Estados aos quais estão ligados e a seus interesses regionais no plano federal. Não, atingir o Supremo Tribunal Federal não figura como principal atividade senatorial. Ele, o senador, é membro de uma casa revisora e deve avaliar e discutir, além de modificar, se for o caso, os projetos que já passaram pela Câmara Federal. A ele cabe ver se esses textos interessam a seus estados, àqueles pelos quais foram eleitos.

Mas a Constituição também delega a eles o direito de processar, de julgar autoridades como o Presidente da República, ministros de Estado e também do STF em "crimes de responsabilidade" que podem levar até a impeachment. E aqui está o projeto da vida de vários deles. Razão pela qual fizeram campanha e foram eleitos no Brasil desses tempos polarizados.

Como vai ser, então, o segundo turno das eleições deste ano? O vencedor do primeiro turno é um gangster miliciano, praticante de rachadinhas, membro de uma família que compra às dezenas imóveis vários, condecorador de criminosos e que nada faz na política. Ao menos nada fez até hoje. Seu adversário, Lula, é conhecido como o presidente que mais se volta a projetos sociais, vindo que é de uma família nordestina muito pobre e que chegou a São Paulo de Pau de Arara. Tem mutos defeitos, mas é dono da maior, da mais vasta e bonita carreira política da história de nosso país. Todos os que falaram, desde ontem até agora sobre o resultado do primeiro turno das eleições dizem que o principal defeito da campanha de Lula reside na comunicação. Se são todos, eles não podem estar errados. Então, esse é o ponto! Mas o PT, partido do candidato, também precisa se abrir mais no plano das alianças.

Assusta ver na internet postagens como a que publicamos acima e de autoria de Paulo Motoryn. Esse mesmo texto, um pouco modificado também foi levado ao ar com o desenho de um fradinho do nosso imortal Henfil. Você viveu os idos de 1964? Passou pelo que houve depois daquilo? Se não é esse seu caso, leia um pouco sobre o assunto. Estude a história recente do Brasil e saiba porque nós não podemos aceitar retroceder 72 anos na vida nacional. Seria muito doloroso, seria trágico passar por novos 21 anos de ditadura militar. A ditadura que os Bolsonaro tanto admiram a ponto de elogiarem até os torturadores nossos mais cruéis, como é o caso do miserável Carlos Alberto Brilhante Ustra. Não, a gente não merece.  

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