19 de julho de 2010

Corrupção e material de construção


Ontem - 18/07/2010 - houve uma eleição no pequeno município de Apiacá, sul do Espírito Santo. Um prefeito foi cassado e houve novo pleito. Tudo correu às mil maravilhas segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Espírito Santo, desembargador Pedro Vals Feu Rosa. Ele vem comandando uma campanha no Estado que tem por objetivo que haja eleições limpas no final do ano, sobretudo com a erradicação da compra de votos.
Na véspera, esteve no 2º Simpósio de Inverno da Sociedade Capixaba de Oftalmologia, na paradisíaca Pedra Azul, para que houvesse mais uma assinatura do protocolo de intenções do Programa de Ética e Transparência Eleitoral (Prete), uma espécie de carta-compromisso pela lisura da atividade política - que já foi assinada por mais de 400 entidades civis do Espírito Santo -. Em seu breve pronunciamento quando dessa ocasião, disse publicamente algo que, só por esse motivo, reproduzo aqui:
Numa das andanças dele pelo interior, descobriu que num determinado município de parca expressão e população, cerca de R$ 1,5 milhão havia sido distribuído por um político a moradores locais. A justificativa foi de que não se tratava de suborno nem oferta de dinheiro por parte de político, mas que os munícipes haviam decidido reformar suas casas. Isso corresponde a dizer que, em um mesmo dia e hora, toda a população da cidade havia resolvido, conjuntamente, refazer suas moradias. Com "dinheiro próprio" e acabando com o estoque de material de construção do município. Não teria sobrado um prego sequer. A Polícia, claro, foi colocada a par da questão e está cuidando dela.
Nós temos, mesmo, que dar cabo à corrupção política no Brasil. Ela vem descendo desde Brasília, onde é uma instituição "venerável" e venerada, passa pelos Estados, ocupa os três poderes da República, e acaba com o material de construção de pequenos municípios brasileiros. Como esse do Espírito Santo, onde ela foi detectada pelo presidente do TRE.
Isso é uma praga. E pragas devem ser erradicadas. Ou com a ajuda da Polícia, como está acontecendo na região do R$ 1,5 milhão distribuídos para a compra de voto, ou com o gesto dessa imagem que encerra o texto: o cidadão dizendo "NÃO" à compra de votos.

7 de julho de 2010

Pobres "Marias Chuteiras". Pobre futebol!

Faz não muito tempo, estive no sepultamento de um ex-jogador de futebol na Grande Vitória. Lá, revi ex-jogadores, amigos do morto e meus, que não via lá se vão muitos anos. Todos já com os cabelos grisalhos, muitos deles avôs, estavam novamente unidos em torno das despedidas a um velho companheiro. Homens que foram desportistas, sonharam com a riqueza e a glória, mas conseguiram apenas carreiras comuns depois de passada a época de futebol. Nenhum era ou é desonesto, até onde se saiba. São todas pessoas dignas.
Sou jornalista, convivi com jogadores, treinadores e dirigentes, durante três décadas. Amei e amo o futebol. Erra quem pensa que esse é um meio sujo ou mais sujo que qualquer outro. É um ambiente de sonhos, de vida profissional breve, mas habitado por uma imensa maioria de pessoas honestas. Sincera e verdadeiramente.
Causa horror imaginar a situação que vivemos hoje. A moça cuja foto ilustra este texto era uma das chamadas "Maria Chuteira". Moças que se envolvem com atletas poucos sérios, metem-se em orgias e engravidam desses homens porque eles têm dinheiro. Eliza Samudio foi provavelmente morta em circunstâncias de extrema crueldade, quem sabe - há grandes suspeitas quanto a isso - por iniciativa, ordem ou orientação de um ídolo do Flamengo. Ou com a ajuda dele: Bruno não passaria de um criminoso nesse caso. Os dados que vão sendo conhecidos aos poucos deixam isso muito claro. E claro também fica que em todas as profissões humanas pode haver criminosos ou crimes. Não apenas no futebol, claro, atividade como qualquer outra.
Tenho pena de "Marias Chuteiras". E de jogador que vive de orgia em orgia, até mesmo porque essa não é a vida de desportistas ou que desportistas devam levar. O episódio de Eliza Samudio deveria nos fazer pensar. E rever valores. Definitivamente, clubes de futebol são entidades que formam ídolos, atletas em cujas biografias crianças se espelham, e é lamentável, é inconcebível que alguns deles abriguem sob contrato indivíduos capazes de cometer crimes covardes ou que se deixam fotografar, armados, ao lado de bandidos perigosos. Isso precisa ser revisto.
Meu texto não é uma crítica ao Flamengo. É um pedido geral de revisão de valores.

Apoio é imprescindível

Em grande parte dos casos, jogadores de futebol são oriundos da base da pirâmide social. Eles começam suas vidas em favelas ou periferias. Quando têm talento, é comum darem um salto social imenso em muito pouco tempo. É é terrível, pois poucos têm conhecimentos ou estrutura emocional para assimilar coisa do gênero. E os clubes, sobretudo os grandes, que detêm os contratos desses jogadores, não possuem departamentos para dar-lhes acompanhamento social, psicológico, econômico. Nada. Basta que joguem e pronto.
Mas essa realidade precisaria mudar. Ao longo dos tempos, muitos craques promissores jogaram as carreiras fora por falta de orientação, pela ausência de mão amiga. Porque não tiveram aconselhamento. Eles nasceram nas favelas, cresceram nas favelas, ficaram ricos, famosos, mas o futebol acabou e alguns voltaram aos locais de origem.
Vamos mudar a realidade atual. Deveria haver, e também por parte de ex-jogadores que ficaram famosos e hoje têm vidas estáveis, continuando vinculados ao futebol, um cuidado maior para com jovens como Neimar do Santos, por exemplo - o moço dessa foto -, que não parece ir pelo melhor caminho. Isso seria uma forma de eles serem protegidos e de também serem protegidas as instituições, que se ferem com episódios graves. O caso Bruno poderia jamais ter acontecido.
Sabemos que esse acontecimento, sobretudo pela violência, talvez seja único. Mas o consumo de drogas e o uso de doping infelizmente não são raros no futebol. E, nesse caso, atingem também e em larga escala os jogadores que não obtiveram sucesso ou estão no final da carreira, sem mais perspectivas para o futuro. Aqueles que não sentem mais os tradicionais tapinhas nas costas, tão comuns enquanto jogavam e eram paparicados.
Vamos pensar bem nisso?
Que pensem sobre isso Júnior, hoje comentarista de TV; Zico, agora dirigente, e muitos outros como Casagrande, Falcão e outros. Eles têm potencial para ajudar. Amar o futebol é proteger seus ídolos. Eles são de vidro. Quando quebram, seus cacos atingem a juventude e as crianças que têm neles um espelho para a vida futura.

2 de julho de 2010

Chega de "Era Dunga"


Em nome de tudo, rigorosamente tudo o que existe de mais sagrado no mundo, a "Era Dunga" tem que acabar. Nosso futebol não merece isso.
Durante três anos e meio esse cidadão treinou a Seleção Brasileira. E Seleção não é lugar para ninguém iniciar carreira de treinador. Fez um time à sua imagem e convicções. Uma equipe apenas forte, mas defensiva. Que jogava no erro do adversário e na possibilidade de não errar, como se isso fosse possível. Vencemos a Copa das Confederações porque as principais seleções investiram pouco nela. Vencemos a Copa América porque a Argentina vinha muito mal. E as Eliminatórias pelo mesmo motivo. Poucas pessoas se atreviam a ver que o time do treinador era dirigido despótica e incompetentemente por um grosseirão ignorante. E ainda obrigado a atuar como não gostava e não acreditava. À força, sob pressão, à custa do medo.
Ninguém vence dessa forma. Não eternamente. Um dia perde e às vezes o destino faz com que a derrota surja justamente no momento em que não deve surgir. E isso machuca a todos nós. Agora que o Brasil está fora da Copa do Mundo, tudo o que aconteceu ao longo desses três anos e meio vai surgir. E vai nos colocar diante de um quadro que se assemelha à época da ditadura militar no Brasil, que vivi e considerava sepultada.
Também é preciso acabar com a era Ricardo Teixeira. Precisamos substituir os viciados - para dizer o mínimo - dirigentes do futebol brasileiro por outros, por gente nova, comprometida com o futuro e distante da falta de seriedade que marca boa parte do futebol mundial.
Chega: vamos, definitivamente, dar adeus à Era Dunga. À época em que esse moço da foto foi uma espécie de rei sem trono, de gênio sem talento, líder sem liderança, entendido que não entende, no futebol do Brasil.
Uma fraude, enfim!

17 de junho de 2010

2014, a Copa do Mundo da Corrupção


Desde que o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014, criou-se a estranha discussão acerca das cidades que sediarão os jogos, bem como uma imensa lista de exigências que atingiram sobretudo e principalmente o estádio do Morumbi, em São Paulo. E ele tem as mesmas virtudes e os mesmos defeitos dos demais grandes estádios brasileiros. Mesmo tentando disfarçar, a CBF demonstra não querer jogos lá. É contra, e pronto! Não permite discussão.
O clube paulista já apresentou três ou quatro projetos de adaptação do estádio às novas exigências - como o da imagem que ilustra esse texto, à esquerda - e a cada divulgação surgem pedidos novos. Até que o inevitável aconteceu: o Morumbi não vai sediar jogos da Copa do Mundo. A CBF anunciou a decisão tomada, segundo se diz, em Zurique.
O que há por trás de tudo isso?
Muitos jornalistas e profissionais de áreas outras, mas todos independentes, alertam para um fato: a CBF simplesmente não quer o Morumbi na Copa de 2014. Existem interesses pecuniários ancorados em uma grande construtora/empreiteira de obras públicas brasileira, com contratos em praticamente todas as áreas do serviço público, para que uma arena gigantesca e milionária seja erguida em Pirituba, região da Grande São Paulo. Teria estádio, estacionamento, área de eventos diversos, inclusive musicais, lojas e outros. Mas teria, principalmente durante as obras, grandes chances de faturamento para aqueles que dela tomassem parte, inclusive em superfaturamento de obras, pagamento de comissões e outros.
A Copa do Mundo, faz anos, tornou-se um espetáculo bilionário. Hoje em dia as emissoras de TV e fabricantes de materiais esportivos, além de outros como empresas de bebidas e setores de serviços, abastecem a Fifa com bilhões de dólares (ou euros, se for o caso). E vale tudo para aumentar esse faturamento, essa ganância desmesurada por dinheiro. O céu é o limite!
Mas até onde vai isso? Nós sabemos que, no Brasil, superfaturamentos, caixas dois, pagamentos de propinas e outros, são comuns. E os discursos de última hora ou de conveniência não escondem que altas autoridades do País estão envolvidas nisso agora e sempre. Vamos nos relembrar dos escândalos mais recentes? Ocuparia muito espaço...
Mas há se ter respeito para com o esporte. Denunciar o que está por trás das exigências feitas ao Morumbi e a possibilidade de que dinheiro público seja desviado numa Copa do Mundo da Corrupção é um dever de todos nós. Ainda mais porque ela vai ser jogada aqui.
A Copa da África do Sul está sendo realizada, mas todos os orçamentos foram estourados. Houve lá uma festa com dinheiro do contribuinte, sobretudo do pobre. É um dever de cada brasileiro consciente lutar para que isso não se repita.

25 de maio de 2010

O país da felicidade


Um estudo sério publicado há não muito tempo mostra que o país mais feliz do mundo é a Dinamarca. Mas como pode ser o mais feliz do mundo um país que cobra de cada um de seus cidadãos imposto de renda que oscila de 50 a 70 por cento?
Essa felicidade deriva primeiro do fato de que não há miséria na Dinamarca. Todos têm trabalho, um horizonte na vida. O estudo é obrigatório e gratuito durante os dez primeiros anos da vida das pessoas e as universidades também. E o sistema médico/hospitalar igualmente não custa um único centavo ao cidadão, que pode escolher médicos especialistas. Até o final da vida. Para completar, todos os dinamarqueses, depois dos 65 anos, recebem uma pensão do Estado. Para sobreviver com dignidade. E ainda o incentivo para continuar trabalhando. Para a saúde mental.
Esse é o verdadeiro - e possível - estado social!
Nós, brasileiros, pagamos cerca de 40 por cento do que ganhamos em impostos. Não temos sistema educacional que preste, o SUS é uma indecência e a aposentadoria dos que são contribuintes da iniciativa privada, idem. Tudo em nosso país se corporifica em impostos. Agora mesmo todo o trecho da BR-101 que corta o Estado do Espírito Santo vai ser privatizado. Custará cerca de R$ 30,00 cruzar menos de 500 quilômetros de Sul a Norte do pequeno Estado. E vamos continuar pagando a CIDE, um imposto para a conservação de estradas.
Que pena, não estamos entre os primeiros em felicidade. Mas resta um consolo: somos campeões mundiais da demagogia. Do Oiapoque ao Chuí, abundam no Brasil aqueles que se esmeram na arte de enganar o próximo, se perpetuar no poder e fazer desse poder uma redoma onde eles possam se esconder das consequências de seus atos. Esse é o Brasil. O da foto é a Dinamarca.

13 de maio de 2010

Para purgarmos nossos pecados


Vinha resistindo, faz algum tempo, à tentação de escrever sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal de negar o direito de revisão da Lei da Anistia, que nos tornou a todos vítimas eternas dos torturadores que se serviram do Brasil durante o regime militar.
Não que o Brasil de hoje, 25 anos distante de 1985, quando a ditadura efetivamente terminou no País, quisesse um revide contra os que subjugaram essa Nação por 21 anos. Não era isso. Talvez o que a maior parte efetivamente quisesse e ainda queira seja o respeito. O de famílias saberem onde estão os cadáveres de seus entes queridos. De ter acesso a informações sobre como eles morreram. E a de poder divulgar oficialmente os nomes dos que os mataram.
A primeira foto que ilustra esse texto, acima à esquerda, mostra o jornalista Vladimir Herzog morto numa cela militar de São Paulo. Morto por tortura. Assassinado. E seus assassinos não foram até hoje identificados. Não falo de processados.
Os que mataram durante o regime militar por não aceitá-lo tiveram suas identidades reveladas. Inclusive os que não mataram ninguém, mas apenas se opunham à ditadura. Inclusive aqueles que não aderiram à luta armada, mas sabotaram o regime com publicações proibidas, por exemplo. E elas foram feitas aos milhares.
Os que assaltaram bancos e sequestraram pessoas também foram expostos. Inclusive estão sendo denunciados hoje aqueles que continuam assaltando o Estado, montados na máquina administrativo/política, como parte do Poder Executivo. Esses são acusados todos os dias e as denúncias, na maior parte dos casos, procedem. São tristes, portanto.
A Lei da Anistia não foi um pacto nacional, não. Não foi um acordo para passar a borracha sobre o passado, absolutamente. Ela foi aprovada pelo Congresso Nacional por 206 votos da Arena contra 201 do MDB. E até hoje a forma como foi promulgada incomoda muito a muita gente por esse Brasil afora. Muita gente digna - que não matou na ditadura e não rouba hoje, não vivendo encastelada no aparelho do Estado, como se ele fosse uma iniciativa privada sua - se sente mal.
Sabem que motivo me levou a iniciar esse texto com a foto de Vlado Herzog morto? Porque foi a Justiça quem, depois de considerar todo o caso, sentenciou claramente que o Estado era o assassino do Vladimir. Ninguém usou de subterfúgio. O Magistrado não teve medo. E estávamos em plena vigência da ditadura militar. Sob um regime de exceção, que ameaçava e, em casos mais sérios, cumpria as ameaças.
Estávamos na época em que o general Geisel disse a dois jornalistas: "Acho que a tortura, em certos casos, torna-se necessária para obter confissões". E era o presidente da República! Era o inquilino do Palácio do Planalto que, em determinadas ocasiões solenes, colocava no peito de torturadores a Medalha do Pacificador. Que terrível ironia: nossos pacificadores eram os donos da paz dos cemitérios!
Forçar o Estado a reconhecer que prendeu ilegalmente, torturou e matou durante um tempo em que ele não era legitimamente dono do poder não é revanche. Não é ação de ódio ou vingança. É um direito dos povos. É um poder que cada nação deve ter e exercer para que todos possamos purgar, juntos, os nossos pecados.
Não, o Brasil não quer processar, condenar e prender seus torturadores, até porque muitos deles já morreram. Mas temos o direito de conhecê-los. Para que não aconteça mais.

12 de maio de 2010

O problema real


Vira e volta e os meios de comunicação brasileiros investem contra a criação ou revitalização de empresas estatais por parte do Governo Federal. Agora é a vez da ressuscitada Telebrás, que retorna como responsável pela banda larga na internet brasileira, com a promessa governamental de que esse serviço seja duplicado até 2014.
É estéril a discussão sobre se as empresas privadas seriam mais eficientes do que as públicas. Resta discutir como elas são dirigidas. Todos os dias instituições privadas vão à falência no Brasil, vitimadas que são por má gerência empresarial. Já as públicas, essas sangram anos e anos sem fechar a ferida. Sangram dinheiro público.
A revista Época que circulou no final de semana (nº 625) mostra em reportagem de capa que o Governo Lula, de 2003 para cá, contratou cerca de 20 mil pessoas para postos de confiança nos chamados cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS), aparelhando a máquinas estatal sobretudo e principalmente com gente ligada a partidos da base aliada. E também dando cargo de confiança e destaque a incontáveis sindicalistas. Estes, ocupam postos da maior importância em instituições como a Previ, Funcef e Petros. Ricos fundos de pensões.
Devem ser raros - e a gente pode afirmar isso sem medo de errar - os que foram contratados por competência. Quase todos são apaniguados.
O problema não é a empresa, se pública ou privada. O problema é quem a dirige e o fato de ela ser usada como moeda de troca política, mesmo sendo sustentada por dinheiro público. E isso, certamente, vai acontecer também com a Telebrás.
O problema real, conclui-se, é a falta de respeito para com as instituições públicas. Bem gerenciadas, elas poderiam prestar grandes serviços.

30 de abril de 2010

A paz das autoridades

Criminosos ligaram para o vice-presidente da República, José de Alencar, essa valorosa figura da foto, e simularam o sequestro de uma de suas (dele) filha. O vice chegou a pensar que quem gritava ao telefone era mesmo a filha. Ficou desesperado até constatar que tudo não passava de um golpe. Os vagabundos queriam tomar o dinheiro dele.
Caso o leitor queira, pode acessar, neste meu Blog, o artigo "Reféns do terror", postado em 29 de janeiro de 2009. Vai ver que passei por isso. Também de madrugada, também a mulher gritava ao telefone uma frase "pai, fui assaltada, pai". Eu fiquei desesperado porque, como somente notaria depois e como o vice-presidente só se apercebeu também quando as coisas se passaram, vozes aos gritos são todas quase iguais. E na nossa mente quem se esgoela é nossa filha mesmo. As coisas se processam assim.
No meu caso, a filha não chegou em casa porque estava em São Paulo e eu em Vitória, onde moro. Somente depois de desligar o telefone foi que olhei para o bina e vi que a ligação DDD 021 vinha do Rio de Janeiro e não de São Paulo, onde o DDD é 011. Mas as coincidências entre os dois casos vão terminar daqui a mais algumas linhas.
No meu caso e no do vice-presidente, a Polícia disse que essas ligações vêm sempre de presídios. São fascínoras, com cúmplices fora da cadeia, quem arquiteta isso. Tempo eles têm, de sobra. E o golpe rende dinheiro. E traumas para o resto das vidas das vítimas.
Acabaram-se as coincidências.
No caso do vice-presidente José de Alencar, 24 horas depois os criminosos estavam presos. No meu caso, ou são os mesmos ou eles estão soltos até agora. No meu caso, volto a dizer, ouvi da autoridade policial que não era possível fazer nada porque os telefonemas eram dados da cadeia.
Pombas, da cadeia onde estão os criminosos e a Polícia. E ela, no meu caso, volto a insistir, não podia fazer nada. Isso foi-me dito de maneira clara.
Tenho em meu Blog, além do artigo sobre o falso sequestro, outros com o tema dos telefonemas falsos que nos torturam. "Cuidado com telefonemas falsos" e "Vamos denunciar telefonemas falsos" nos remetem a esse tema. E há outros artigos. Quando isso vai parar? Sou capaz de arriscar: no dia em que não deixarem mais o vice-presidente dormir.
No Brasil as coisas só andam assim. Polícia rápida, eficiente e bandido na cadeia só quando a paz das autoridades é atingida. Até lá, é vida que segue!

16 de abril de 2010

Construções de si mesmos


O governo Lula elogia os Estados Unidos mas não o afaga. Age como a cobra, que morde e assopra. Cercado por antigos militantes de partidos clandestinos, o presidente apoia regimes como o de Cuba, Coréia do Norte, Irã, Venezuela, Bolívia e outros. Mas elogia o livre investimento, defende a economia de mercado e o capitalismo "não selvagem", seja lá isso o que for e o que o leitor puder entender.
Não se trata de um governo pragmático, como pode parecer à primeira vista. É um governo aproveitador mesmo. Inculto, arrogante e debochado. E, juro, não estou sendo preconceituoso.
Em época de eleições, o presidente não pode se afastar de seu sustentáculo gerencial. E por isso mantém apoio a regimes políticos considerados hoje como fora de moda. Mas também deve evitar ao máximo contrariar princípios e crenças da esmagadora maioria da classe média - as classes pobres não entendem nada disso - e, assim, deve louvar a cada momento a propriedade privada e o sagrado direito de ir a vir.
Seriam contradições de um governo sem carteira de identidade político-ideológica? Não, claro que não. Isso é a essência de presidente que se sustenta no PT, partido que não é partido, que aglutina todas as correntes existentes de (pseudo)esquerda e, desde 2003, renunciou à ética em nome da contituidade no poder. Se possível, em nome da perpetuação do poder.
O ministro Carlos Ayres Brito, ao multar o presidente, disse com sapiência e propriedade que os chefes de Executivos não são eleitos para fazer seus sucessores. Eles são eleitos para governar, para colocar em prática um projeto de governo. Essa é a essência da democracia representativa, que exige alternância de poder. De homens e de ideias.
Mas como explicar isso a Lula? Se falta ao atual governo sobretudo um norte definido e uma ética consagrada, tudo é possível. Dele espera-se qualquer coisa.
E, esperamos nós, quem sabe essa tal democracia representativa seja capaz de sobreviver a ele. E a outros que não governam para governar, mas sim para se perpetuar no poder, até mesmo se for necessário que isso se faça através de outros. De construções de si mesmos.
Em síntese, um governo pode ser o que quiser. De esquerda, de centro ou de direita. Contanto tenha estofo para tanto e apoio popular para se sustentar onde está. O que ele não pode ser é aético e de vocação continuísta. E disso estamos cheios.

7 de abril de 2010

Os pais (e mães) das tragédias

Há algumas décadas, quando o Aeroclube do Espírito Santo foi construído em Barra do Jucu, Vila Velha, não havia nada em seu entorno, ao lado direito no sentido de Guarapari da Rodovia do Sol. Nos anos que se seguiram, incentivadas por políticos inescrupulosos, milhares de pessoas ocuparam uma região ao sul, onde hoje se situa um bairro miserável denominado Grande Terra Vermelha. Lá convivem, na miséria, quase absoluta ou não, os diversos tipos de marginalidade. Inclusive, é claro, o tráfico de drogas.
Assim como lá, as ocupações irregulares de terras públicas foram incentivadas, na Grande Vitória, a região metropolitana do Espírito Santo, várias ocupações irregulares em áreas de risco, sobretudo nas encostas de morros. E é nesses lugares que ocorrem as tragédias, sobretudo quando chuvas fora do normal atingem os grandes centros urbanos.
Foi isso o que aconteceu nesse início de abril de 2010 no Rio de Janeiro. A quase totalidade dos muitos mortos pelas tempestades foram vítimas de desmoronamentos de encostas. Eram miseráveis que lá, como aqui, construíram suas habitações em laterais de morros, incentivadas pela omissão ou pela corrupção de políticos inescrupulosos. Um crime que se origina em todos os níveis: vem desde a presidência da República até o poder público municipal.
É certo que chuvas torrenciais, o poder de escoamento de água das cidades não suporta. Não há galeria pluvial que aguente. É correto também afirmar que a falta de educação cívica do brasileiro - e aqui nesse ponto todos são igualmente culpados, desde o mais pobre ao mais rico - colabora com isso. Mas é inegável e irrefutável dizer que a classe política é o pai e a mãe dessas mazelas capazes de se repetirem sempre.
Enquanto o exercício do poder político, em todas as suas esferas, for entendido e exercido apenas como um meio de manutenção desse mesmo poder, custo o que custar, doa a quem doer, renuncie-se ao que for necessário renunciar, as consequências doerão mais nas vidas dos miseráveis. E os políticos, por conta da desinformação, da boa fé e ignorância da esmagadora maioria da população, sobreviverão graças a atos e acordos espúrios.
É sempre assim: sobrevive o mais forte. Ainda que não tenha ética, nem vergonha na cara.






30 de março de 2010

O julgamento do inexplicável


Quando a menina Isabella Oliveira Nardoni, essa belezinha aí ao lado, foi morta, em fins de março de 2008, passei alguns dias diante da TV vendo o noticiário e torcendo para que a Polícia conseguisse localizar o tal ladrão que, segundo o pai da criança, invadiu o apartamento dele e a matou por porradas, esganadura e a jogando pela janela do sexto andar do edifício.
A Polícia nada encontrou. Ladrão que não rouba não existe. Imaginei então que o matador seria um pedófilo. Não era, não existia também. A menina não sofreu nenhum tipo de abuso sexual. Só mesmo porradas, a esganadura e foi jogada pela janela.
No julgamento do pai e da madrasta, acusados de responsáveis pela morte, ambos novamente reiteraram que são inocentes. E seu advogado disse que não há provas no processo que os liguem à morte. Só há provas mostrando que a menina de cinco anos morreu mesmo porque levou porradas, sofreu esganadura e foi jogada pela janela.
Quem mais poderia ter matado Isabella? Os meio-irmãos pequenos, menores que ela, um deles bebê? Claro que não. Talvez a gente jamais entenda como um pai relativamente culto e a madrasta idem conseguem cometer um crime bárbaro daqueles. Se a gente fechar os olhos, parece algo nascido de filme de terror absurdo. Parece mentira.
Mas não foi nada disso. Aconteceu mesmo, na maior cidade do Brasil, quando uma garotinha de cinco anos foi passar o final de semana na casa do pai, para matar as saudades dele, dos meio-irmãos e da madrasta. Sem que nada pudesse, possa ou um dia vá poder explicar porque o crime aconteceu. Nem as sentenças dadas ao final do julgamento dos dois, às vésperas da passagem dos dois anos da morte da "Isa", serve de consolo.
Não há consolo para o inexplicável.

11 de março de 2010

A cara do Brasil


A sequência quase interminável de besteiras ditas diariamente pelo presidente Lula alimenta os meios de Comunicação do que eles mais gostam: polêmica. Digo isso de cadeira por ser jornalista profissional e por ter militado por quase três décadas em jornal diário.
Mas não é só isso: a legião de repórteres e outros profissionais de Comunicação que o procuram deliciam-se também com o seu despreparado intelectual. É esse pauperismo de ensino formal e falta de conhecimentos autodidatas que faz com que ele seja capaz de dar as mais desbaratadas declarações o que, invariavelmente, leva a constrangimentos. E a boas risadas.
O exemplo de comparar presos políticos cubanos com criminosos comuns das penitenciárias de São Paulo é um caso exemplar. De deixar pasmos a todos. E Lula viveu, notem bem, a ditadura militar brasileira. Se ele quer defender o regime cubano, e isso é possível, basta citar o bloqueio econômico dos Estados Unidos àquele país, as masmorras de Guantânamo e o fato de que Cuba era um prostíbulo dos EUA à época de Fulgêncio Batista para completar dizendo que uma situação assim sempre vai gerar regimes fechados. Sobretudo, fechados a contestações. Mas, para Lula, para seu QI e sua irresistível tentação de improvisar, isso são detalhes.
Apesar do apoio popular no Brasil a esse presidente - movido sobretudo a estômago cheio - e do estonteante e até certo ponto inexplicável respeito recebido por ele no exterior, o dignatário máximo brasileiro é uma figura caricata. Talvez a mais caricata de todas, desde a época da proclamação da República.
Lula prova de forma cabal que um país com ensino formal deficiente e legiões de pobres ignorantes, é capaz de eleger qualquer um. Sobretudo quem tem a sua cara.

12 de fevereiro de 2010

"Democratas" e "Progressistas"

Podemos falar o que quisermos dos Estados Unidos, e certamente o intitulado "capitalismo selvagem" vive lá mesmo. Mas uma coisa é preciso reconhecer: a estabilidade e o poder das instituições civis deles começa nas agremiações partidárias. Elas são firmes, fortes - reacionárias, é certo - e respeitadas. Ninguém lá está acima de seu partido.
Aqui ocorre o inverso. Troca-se de partido ao vai da valsa. As legendas podem ser alugadas e, quando isso não ocorre, acabam dirigidas por caciques políticos, a maioria dos quais tem apenas um interesse: jamais perder uma eleição. José Sarney talvez seja o exemplo mais candente dessa, digamos, "peculiaridade" de nossa política.
Mas a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, trouxe à tona um outro lado, talvez o mais torpe, de nossa realidade política: temos um partido que responde pelo nome de Democratas, ou DEM, caso alguém prefira, e reúne sobretudo e principalmente as viúvas da época da ditadura militar que se instalou no Brasil entre 1964 e 1985.
Aliás, esse grupo se divide em dois partidos. O outro, descendente direto da Arena, sustentáculo do regime militar, hoje se chama Partido Progressista. Não é engraçado?
Não, não é engraçado. O governador José Roberto Arruda governa com todos os vícios e defeitos aprendidos ao longo de sua "carreira". Como ele, muitos dos demais membros das duas agremiações. Seria gozado se não fosse tão trágico, termos um Democratas dessa estirpe na política brasileira. E um Progressista...
É preciso acordar, é preciso questionar. Na sua primeira noite na prisão o governador Arruda comeu pizza. Sintomático? Talvez, mas também é trágico.
Em tempo: esses dois partidos não são a única anomalia da política brasileira. Na esquerda, no PT e outros, também sobrevivem muitos canalhas. Em tempos de eleições é necessário pensar nisso. Viver com isso em mente.

9 de fevereiro de 2010

Sobre caixas pretas


O reinício dos trabalhos de busca pelas caixas pretas do Air Bus A-330 da Air France, aquele acidentado em meados do ano passado (foto), vai trazer à tona uma pergunta: não seria mais lógico se o conteúdo desses dados eletrônicos ficasse também nas torres de controle dos aeroportos de origem ou destino - preferencialmente - dos voos, em vez de nos gravadores dos equipamentos?
Explico: vivemos a época da transmissão de dados por satélite. As caixas pretas podem gravar dados em seus gravadores e, ao mesmo tempo, fazer a transmissão para uma das torres de controle envolvidas nos voos. Uma vez que eles terminem, basta que tudo seja automaticamente apagado. E não há acesso público a dado algum. Se houver acidente, tudo o é que necessário para ajudar na elucidação dos fatos estará à mão caso os gravadores dos aviões se percam ou fiquem muito danificados.
Claro; isso tem um custo elevado. Claro; isso vai exigir mais sistemas de transmissão e recepção de dados em aviões e, sobretudo, aeroportos. Claro; vai expor tripulantes e aeronaves caso não haja um sistema de bloqueio de transmissões quando for desnecessário que se tenha acesso a elas. Mas, claro também, será mais fácil elucidar fatos.
Claro, por último, tais soluções não são encontradas por restrições feitas por diversos países, a maioria delas ligadas a questões de segurança. Aviões podem conter equipamentos sigilosos. Conversas entre tripulantes muitas vezes tocam em assuntos delicados. Leis, dependendo da procedência, protegem a privacidade. E todos sabemos que rackers invadem até computadores do Pentágono, de modo que não deve ser lá muito difícil interceptar transmissões aviões/torres de controle.
De qualquer forma, a segurança de voo, a melhoria dos aviões comerciais e as vidas humanas envolvidas têm uma importância bem maior. Mesmo depois do 11 de setembro, mesmo depois do crescimento de movimentos violentos mundo afora.
O acidente da Air France já poderia ter sido explicado se os muitos obstáculos legais tivessem sido contornados. O que confortaria - talvez - as famílias e evitaria fatos futuros iguais ou parecidos. Certamente!

25 de janeiro de 2010

A demagogia e a tragédia

Não há nada pior, mais dantesco, mais insensível do que um governo se aproveitar de uma tragédia das proporções da do Haiti para fazer demagogia e tentar vender imagens falsas, nacional e internacionalmente.
O Brasil quer destinar mais de R$ 130 milhões ao Haiti especificamente para a construção de dez hospitais, que pelos projetos anunciados, seriam identificados por uma sigla que os chamam de unidades de pronto atendimento ou coisa parecida.
O Haiti precisa de ajuda. Muita. E o Brasil o está ajudando há quase seis anos, de modo brilhante. Após o terremoto, essa ajuda se intensificou. No que nos toca, estamos fazendo o possível. Mas pergunto: há uma única e miserável justificativa ética e moral, para um governo que ao longo de sete anos não construiu hospital algum aqui, de repente fazer dez lá?
Ao contrário, meus caros, a situação da saúde no Brasil é caótica. Em Sinop, no Mato Grosso, há um hospital (foto ao lado) construído há anos e até agora sem funcionar porque não há lá equipamentos necessários à realização, sequer, de uma sutura. E milhares de brasileiros morrem sem atendimento médico na região todos os dias. Esse, creiam, é apenas um exemplo!
O programa Saúde da Família só tem contado com recursos estaduais e municipais pelo Brasil afora. O Governo Federal não vem entrando com nada. Isso ocorre no Espírito Santo, onde estou e as carências são enormes. Nós estamos órfãos de pai e mãe, inclusive da tal Mãe do PAC, e ainda queremos construir dez hospitais em outro país, por motivos meramente eleitoreiros. É um absurdo. O mundo todo, unido, pode fazer tudo pelo Haiti, bastando haver vontade política e coordenação. E vai fazer, acredito. Nosso governo deveria ter como meta principal prover seu povo, sua população. Mas pouco faz em áreas como saúde e educação, para ficarmos em apenas dois exemplos. Ao contrário, concentra-se única e exclusivamente em demagogias.
É preciso ver isso. É necessário refletir sobre isso. É a hora de os brasileiros lutarem para que nossos recursos sirvam aos outros depois de nos servirem em nossas necesidades.
EM TEMPO: àqueles brasileiros e brasileiras chorosos, ávidos por adotar crianças haitianas, lembro o seguinte: não há meios legais de isso ser feito agora, pois os procedimentos legais estão emperrados naquele país. Crianças não são brinquedos e precisam ser tratadas com uma dose maior de comprometimento, programação. E temos, aqui no Brasil, milhares de pequenos, nossas crianças jogadas nas ruas, à mingua, ou em centros de triagens e favelas, sem serem adotadas por ninguém. Crianças sem passado, sem presente e sem futuro.
Claro, se não forem arregimentadas pelo tráfico. E ele "adota". Pensem nisso!

22 de janeiro de 2010

Os políticos e os púlpitos


A proximidade das eleições gerais brasileiras, que vão definir até mesmo o próximo presidente da República, desnuda um dos maiores problemas brasileiros: somos um Estado laico, mas onde inúmeras igrejas - na verdade, seitas - são usadas rasgadamente para cabalar votos.
Um dos melhores negócios que existem hoje é criar uma igreja. De preferência, pentecostal. E para isso bastam poucas providências legais. Essas instituições surgem com a velocidade das formigas. Depois, é preciso que elas "adotem" um ou mais políticos. E cabalem votos para ele(s) em troca de favores como, por exemplo, uma gorda parcela anual de sua verba de "emendas parlamentares". Outras de nossas aberrações republicanas.
Se enviar o dinheiro diretamente para a seita não for possível, basta a ela criar uma ONG. Uma instituição ligada à "célula mãe" e com aparência de ser benemerente. Nem precisa ser: basta parecer. E ter a capacidade de arrecadar muito dinheiro. De emendas e dízimos.
É assim que proliferam no Brasil "confissões" que estão sendo processadas, em alguns casos criminalmente. Muitas têm problemas com a Justiça. No caso de uma, seus donos foram presos e processados nos Estados Unidos. Mas todas são muito ricas.
Um Estado Laico não poderia permitir isso. "Bancada evangélica" é coisa própria de país onde os partidos não têm a menor importância. Coisa de país onde as agremiações partidárias, que deveriam ser referências na vida política, tornam-se apenas instrumentos nas mãos de caciques políticos, muitos dos quais se escudam nos púlpitos de seitas sem escrúpulos para se aproveitar da boa fé das pessoas e se perpetuar renovando mandatos.
Sim, porque o alvo de todas essas falsas religiões são as pessoas incultas, as pessoas sem informações, as que estão fragilizadas socialmente, perderam empregos, famílias ou se destroçaram em acidentes ou por causa de doenças. São elas que "pastores" e donos de outras denominações arregimentam. E são elas, também, que sustentam os maus políticos no poder.
Em nome de quem? De quem mesmo?




8 de janeiro de 2010

Turista em apuros


Não sou de colocar piada em site. Mas essa, para um início de ano, começa concorrendo à melhor de 2010. Vamos a ela:
Um alemão, procurando orientação sobre o caminho, faz sinal para um carro ao lado de outros veículos, este com um casal de brasileiros dentro.
O alemão pergunta:
- Entschuldigung, koennen sie Deustsch sprechen?
Os dois brasileiros ficam mudos.
- Excusez-moi, parlez vous français?
Os dois continuam a olhar para ele impavidos e serenos.
- Prego, signori. Parlate italiano?
Nada por parte dos brasileiros.
- Hablan ustedes español?
Nenhuma reposta.
- Please, do you speak english?
Nada. Angustiado o alemão desiste e vai embora.
Dona Marisa vira-se para Lula e diz:
- Talvez devêssemos aprender uma língua estrangeira...
- Mas para que, companheira? - pergunta Lula - Aquele idiota sabia cinco e adiantou alguma coisa?
Realmente: não adianta!

7 de dezembro de 2009

Só no papel


"No Brasil, homem público é o masculino de mulher pública".
Quem disse isso foi nosso grande Ziraldo, num momento de grande inspiração. E os políticos brasileiros fazem questão absoluta de confirmar essa verdade todos os dias, a todas as horas. Quem acompanha os escândalos de Brasília sabe disso.
O cipoal de desonestidades revelado no governo do Distrito Federal é a prova mais incontestável de que não vamos mudar a triste realidade brasileira enquanto não houver por aqui um elenco de leis capaz de retirar da vida pública os marginais que hoje a frequentam. Mas conseguir isso de que forma, se são eles que votam as leis.
Por todos esses motivos, não há como questionar o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, quando ele legisla, juntamente com seus pares, fazendo o trabalho que seria do Legislativo. E ele deve fazer isso mesmo. O Brasil é a única democracia representativa com apenas dois poderes: o Executivo e o Judiciário. O terceiro só existe no papel. No papel higiênico.

27 de novembro de 2009

Vamos denunciar telefonemas falsos! (2)


Tenho postado matérias de denúncias sobre telefonemas falsos. A maioria desses números pertence a marginais e são usados até mesmo para falsos sequestros. Mas às vezes ocorrem surpresas, como o e-mail recebido hoje de um leitor. Leiam-no:
"Boa tarde a todos!!! Recebi uma ligação do telefone (085) 3255-0202 e joguei no Google para ver se era de alguma empresa operadora e pra minha surpresa veio um monte de comentários falando de trote, golpe. Estou surpreso e preocupado. Tenho acesso a consulta detalhada e com esse tel. (085) 3255-0202 consta abaixo:
Documento 3300018001574
Proprietário TELEMAR NORTE LESTE S/A
Endereço BORGES DE MELO, 1677 - Ceará
E com o CNPJ ref. ao num. de tel:
CNPJ 3300018001574
Razão Social TELEMAR NORTE LESTE S/A
Situação da empresa: ATIVA
Nome de fantasia: OI
Município: RJ - Rio de Janeiro"
Note o leitor que o número e o nome se repetem nos itens acima "Documento", "CNPJ", "Proprietário" e "Razão Social". Pode-se deduzir que as telefônicas estão monitorando números ou agindo por outros motivos. Seja lá o que for, estão agindo de forma ilegal e irresponsável, pois ligam de madrugada, atrapalham o sono das pessoas e invadem nossas privacidades.
Vamos continuar denunciando. Quem tiver mais dados, passe.
E se você quiser saber de onde veio um determinado telefonema, é possível que o endereço eletrônico da ABR Telecom possa ajudar. Basta seguir o link.

12 de novembro de 2009

A política como meio


As notícias de que o Ministério Público federal vai mover ação judicial no sentido de garantir a fidelidade partidária e a de que o STF vetou a posse de quase 8 mil suplentes de vereadores antes de 2012, são muito boas. Elas representam um combate efetivo à prostituição eleitoral brasileira. Uma chaga que nos persegue já há muitos anos, sempre ganhando força.
Os políticos consideram a fidelidade partidária uma "camisa de força". Por certo, é. Afinal, para eles, o partido é um meio, não um fim. É o meio que encontram de satisfazer seus projetos pessoais e se manter no cenário político nacional sem o menor compromisso para com a causa pública. Muito pelo contrário. E sem o menor compromisso, também, para com projetos nacionais, planos de governo, ideologias ou quaisquer outros sentidos éticos dessa atividade.
A política brasileira - a regra tem exceções, felizmente - não tem ética. Não como ela é conceituada na maioria das atividades. Ao contrário, sua "ética" particular é a sobrevivência. É o próximo mandato. Por isso, por esse objetivo, qualquer coisa vale. O presidente Lula mesmo disse, recentemente, que se Judas vivesse hoje e fizesse política, Jesus teria de fazer acordo com ele. O presidente tentou mostrar porque faz esse tipo de conchavo para sobreviver e ajudar seu grupo de apoio. Mas foi econômico. Faria acordo com o diabo também, se necessário.
No Brasil, é preciso resgatar os partidos políticos. Dar-lhes dignidade. Fazer com que eles sejam uma representação política acima dos cidadãos. Sem isso nosso Poder Legislativo, em todos os três níveis, vai continuar mostrando como identidade uma triste constatação de que realmente vale a pena não investir em educação.
Um povo sem informações básicas vota em qualquer um.