10 de outubro de 2024

A Constituição é soberana


"A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram!"

O brado de Ulisses Guimarães, no dia da promulgação da Constituição Cidadã de 1988 ainda ecoa pelo Congresso Nacional. Mesmo nesse Congresso de hoje, formado por uma imensa maioria de pessoas medíocres e comprometidas com o retrocesso político e institucional e que se apequena a cada dia mais quando tenta limitar poderes do Supremo Tribunal Federal (STF). No Estado Democrático e de Direito respeita-se as leis, não se tenta tirar atribuições do Judiciário. Para isso existe o caminho legal do Poder Legislativo, que não pode ser confundido com vinditas ou inconstitucionalidades.

O que a Comissão de Constituição e Justiça fez ontem ao avançar com a tentativa de castrar o Supremo Tribunal Federal foi uma indignidade e que não vai progredir porque, sendo inconstitucional, pode pura e simplesmente acabar ignorada ou derrubada pelo Poder Judiciário. A foto que abre esse artigo é da CCJ reunida ontem. A mesa está formada basicamente por "bolsonaristas raiz", seja lá o que isso queira dizer no terreno da extrema direita política brasileira. Nenhuma dessas pessoas esteve presente à luta pelo restabelecimento da democracia no Brasil depois de 21 anos de ditadura militar. Ou porque ainda não havia nascido, ou porque vestia cueiros ou porque fazia coro com a ilegalidade.

Recordo-me como se fosse hoje da luta pela volta da democracia ao Brasil, das reuniões secretas que fazíamos os membros do então Partidão em endereços que sempre mudavam para não dar pista, da filiação ao MDB, único partido político da oposição consentida e através do qual íamos aos poucos desgastando a ditadura juntamente com as demais forças politicas democráticas e que queriam o Brasil de volta à normalidade civil. Durante todo esse tempo Bolsonaro e seus sequazes viviam nas sombras do baixo clero, conspirando. Tudo o que eles sabem fazer é isso. Nunca trabalharam, nunca lutaram pelo Brasil de todos, pelo país renascido que temos desde o brado de Ulisses Guimarães no Congresso.

Meu país não é dos fascistas e nem se seus filhotes bastardos. O STF me representa.                   

4 de outubro de 2024

Gabinete do ódio capixaba

Ele começou a ser notado em Brasília quando do início do governo passado, aquele do inelegível genocida. Ocupava boa área do Palácio do Planalto e era, em teoria, dirigido por um dos rebentos deste, Carlos. Filho dileto da extrema direita, foi se reproduzindo aos borbotões. Faz cerca de um ano eu soube que já atuava, e muito, na Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) devidamente camuflado, mas operante. Agora o noticiário explodiu, bem às vésperas das eleições municipais. Por enquanto tem sido pouco divulgado, pois nossa imprensa sofre de "pruridos de consciência" sobretudo quando há verba publicitária em jogo.

Estou me referindo ao Gabinete do Ódio, essa espécie de artefato politico de amplo alcance destrutivo e especializado em divulgar notícias falsas, as tais fake news, solapar adversários, pressionar os mais fracos. impedir a divulgação de denúncias e criar uma realidade paralela onde vivem seus adeptos e para onde eles tentam cooptar incautos e mal intencionados ainda relutantes em participar desse tipo de jogo. Aqui como em Brasília e em outros lugares usam de violência, de ameaças e tentam meter medo. A PMV, desde o início do mandato do candidato "nota dez" faz isso. Primeiro, devagar. Depois com muita vontade. Congelou os salários dos servidores para fazer caixa e poder apresentar 'trabalho' às vésperas das eleições.

Eles têm tentáculos poderosos e buscam os mais sensíveis. Posso dizer, sem medo de errar, que por aqui estão conseguindo penetrar com sucesso em pelo menos um órgão cultural, a Academia Espírito-santense de Letras (AEL), para onde levam adeptos por intermédio de acadêmicos com visão politica de extrema direita ou  monarquista, e o intuito é de tomar a instituição, formar maioria, mesmo com medíocres. Usam o medo das pessoas e também suas vaidades para vencer eleições com fantoches ingressando para fazer número. Quando forem maioria já não precisarão mais dos fracos, medrosos ou muito idosos. Terão o prato e o queijo nas mãos. A  AEL sozinha vale uma crônica específica, mas a deixo para depois.

Se você ainda não escolheu um candidato para as eleições de domingo, tome cuidado. O menino "nota dez" usa dinheiro público para fazer campanha, atrai oportunistas em busca de mandato de vereador, oferece cargos comissionados àqueles que colaboram, pode dar de presente até secretarias municipais e cada "edil" eleito com a promessa de apoio incondicional terá direito a "X" lugares na PMV onde o loteamento do serviço público está com as inscrições abertas e vai ampliar o número de vagas se houver segundo turno.

Tudo é crime, mas como diz o grande chefe até hoje chamado de presidente pela gang, isso não vai dar em nada...
                

2 de outubro de 2024

A herança petista

A última pesquisa Genial/Quaest sobre o governo federal trás péssimas notícias para o presidente Lula: houve mais uma queda na sua avaliação perante a opinião pública e agora a popularidade presidencial roça os 50 por cento, o que indica a possibilidade de essa aprovação ficar aquém da metade da população brasileira. Um dos gráficos produzidos está acima.

São muitas as explicações para esse resultado e todas elas tocam na incapacidade de o governo se mostrar com mais segurança para a população. Os empregos estão em alta, uma das agências de classificação de risco aumentou a nota do país, os projetos de apoio à população, sobretudo a mais carente dão resultados e com muito menos do que isso governos passados conseguiram avaliação melhor. Então o que está havendo? Creio que o primeiro fator é a herança que o PT carrega dos muitos escândalos passados nos quais se envolveu ou foi envolvido. Coisas como o Petrolão e outros "grudaram" no governo. A condenação e prisão de Lula também, e embora ele tenha tido suas condenações canceladas, o nome de "ladrão" no qual ele é identificado não se sustenta por fatos e mesmo assim cola como um adesivo politico instantâneo.

Há pontos negativos ligados à política internacional, principalmente quando se fala em Nicolás Maduro. Trata-se de um ditador, a última eleição presidencial venezuelana foi fraudada, mas o presidente Lula não aceita isso. Suas muitas viagens internacionais, a esmagadora maioria delas de caráter necessário ao Brasil, às vezes passam a ideia de gastanças. A primeira dama tem uma presença em deslocamentos internacionais que excede o razoável.

Mas mesmo com tudo isso, trata-se de um ótimo governo. Focado nas camadas mais baixas da pirâmide social brasileira e na luta por dar ao Brasil uma situação econômica capaz de recuperar o pais da penúria em que ele foi deixado pelo presidente anterior, autor de vários crimes contra a economia nacional no seu afã de conquistar um segundo mandato a qualquer custo.

O governo atual tem que se divulgar mais e melhor. Mostrar resultados concretos. Contrapor narrativas da oposição com fatos palpáveis. Uma boa parcela dos meios de comunicação brasileiros são conservadores ou reacionários, mas é com eles que o governo precisa lidar. Ontem, hoje e amanhã.        

21 de setembro de 2024

Israel, estado terrorista!


Na ilustração acima e que abre esse artigo é possível ver com clareza o que aconteceu na Palestina de 14 de maio de 1948, dia em que a ONI criou oficialmente o Estado de Israel, até hoje. Antes de 1948 já se acreditava haver na região cerca de 650 mil judeus, muitos imigrantes sobreviventes da II Guerra Mundial. Havia o dobro em palestinos em um "estado nacional", se posso usar o termo, não reconhecido. Um lobby monumental pró judaico fez com que Israel surgisse já tomando mais da metade do território que seria, mas nunca foi, de dois estados. É que houve apenas uma recomendação nesse sentido, jamais acatada.

O retrato de hoje, com Beirute bombardeada pela força aérea do Estado Judeu, é apenas mais um passo dado pelos israelenses para tomar toda a região, eliminar os palestinos da face da terra e formar a "Grande Israel", como eles interpretam textos bíblicos do Antigo Testamento. Todas as guerras entre judeus e árabes do pós 48 foram provocadas pelos israelenses e suas políticas externas. O projeto de eliminação da Palestina e tomada de todo o território está em curso em seu estágio final, graças aos olhos cegos dos Estados Unidos, que não apenas apoiam esse movimento, mas abastecem Israel de armas dia e noite.

A Cisjordânia já é, na prática, um território israelense. Colonos violentos que ocupam terras com autorização oficial o fazem com direito de matar. São incontáveis os casos de palestinos que voltam para suas casas e descobrem que não as têm mais. Elas foram tomadas por famílias de judeus. Quando autoriza sempre a criação de mais colônias nos territórios ocupados o Estado Judeu avança em seu projeto expansionista. E o faz matando homens adultos, mulheres, crianças e idosos, indiscriminadamente. Os Estados Unidos estão vendo isso, a União Europeia também, mas o dinheiro e o poder politico falam mais alto.

O nazismo matava e ocupava novas terras de seu "espaço vital" por ódio aos judeus, então acusados por todos os males do mundo. Hoje Israel, que aprendeu na cartilha e a usa diariamente, faz o mesmo com ódio aos palestinos. Esse país é o novo nazismo travestido de democracia de extrema direita. O Hamas cometeu um erro crasso, criminoso, no ataque de outubro último. Mas como conviver com um agressor tomando tudo que é seu sem reagir? E sem cometer a mesma violência de que é vítima? A última "tática" israelense foi matar utilizando até mesmo aparelhos de transmissão de mensagens de uso civil. Não há mais regras nessa guerra e isso quer dizer caminho aberto para o genocídio.

Tomara ela não tenha uma escalada planetária. 

16 de setembro de 2024

Bandidos em campanha


Está certo que José Luís Datena errou ao agredir Pablo Marçal com uma cadeirada (foto), e está errado ele não ter dito em sua nota oficial de hoje que se arrependia do ato praticado ontem porque, afinal, o fato se deu num debate transmitido ao vivo pela TV para todo o Brasil. Mas é inevitável dizer que há marginais em campanhas eleitorais brasileiras e isso vem se tornando mais agudo ao longo dos tempos, como acontece agora nas eleições municipais. Marçal, um criminoso condenado, quer ser prefeito da maior cidade do Brasil. Não imagino nada pior.

Mas isso só acontece porque partidos políticos em busca de votos abrem caminho a esse tipo de gente. Pior: também porque as populações das cidades chegam a dar terreno a essas pessoas para que elas tentem cargos de relevância. Isso surgiu e cresceu no Brasil com o advento da campanha do ex-presidente inelegível e genocida que antecedeu o atual. Foi ele quem eliminou das disputas politicas os limites da decência e do bom senso. Os apoiadores desse Marçal são oriundos da ala mais extremista dessa extrema direita apoiadora do cidadão.

E parece que o mal é contagioso! Num dos seus atos de campanha o agredido com a cadeirada disse que o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, era toxicômano. Isso se deu porque um homônimo deste era ou é viciado em drogas e Boulos nada tem a ver o fato. O atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reagiu ontem a um questionamento do adversário com uma pergunta: "Você cheira?" Ele sabia o que estava fazendo e tinha o único propósito de agredir  moralmente seu opositor.

A solução para isso seria simples: fazer legislação dura e capaz de punir com muito rigor esse tipo de crime que envolve a agressão moral, equiparando-a à agressão física ou a tipificando logo abaixo desta. Mas isso passaria no Congresso, a quem cabe fazer e aprovar as leis? Não. A extrema direita brasileira, majoritariamente representada no Legislativo Federal, nasceu com o bolsonarismo, o representa e concorda com os bandidos de hoje.

Vai ser preciso muita luta para mudar esse quadro!         

15 de setembro de 2024

Passagem para a falência


Não conheço a pessoa, a não ser por raros cumprimentos, mas sei que está desesperado. O filho jovem viciou-se em jogos online e gasta tudo com o novo vício. O pai busca saída para a situação, mas é difícil e ele hoje tem que blindar casa, carro e esposa que é mãe do garoto para não permitir que o delírio de jogatina dele envolva toda a família. E essa é a realidade que está sendo de milhares de brasileiros, desde que a jogatina online e com o auxílio dos canais de TV passou a dominar a vida de todos.

Quem tornou legal essa nova febre brasileira foi o ex-presidente Michel Temer, que passou pelo Palácio do Planalto rapidamente. mas em tempo de fazer mal. De lá para a coisa só cresceu. Hoje termos como "Bet" e "Tigrinho", citando apenas dois, povoam o imaginário das pessoas. Na TV uma trupe de ex-jogadores, todos "comentaristas" de futebol vendem as diversas modalidades. Até o Brasileiro está no esquema. Tem de tudo, até alguns tipos nos quais o apostador participa do campeonato apostando. Geralmente para perder dinheiro.

Quando dei meus primeiros e únicos passos nessa área tudo era inocente. Fui um quase fanático pelo "Mário" (olhem o bigodinho na ilustração) e cheguei a ser craque em passar por todos os obstáculos até o fim do caminho. Mas era divertimento e não tinha aposta. O "Tigrinho", segundo quem é expert, pode tirar até a cueca dos apostadores. Isso tudo faz parte de um esquema criminoso que vai desde os influenciadores, na maioria dos casos picaretas que estão ou já estiveram na prisão por crimes diversos até os donos dos esquemas, encastelados no exterior. Eles são os que ganham o dinheiro. Na esmagadora maioria dos casos, os únicos que abocanham boladas.

Os nomes desses jogos de azar aumentam a cada dia. Cresce também o número daqueles que jogam fora o que têm na expectativa falsa de ficarem ricos. São incentivados em grande parte pelos nomes famosos dos vendedores de ilusão como o locutor Galvão Bueno, parte dos esquema e que termina sua participação com uma declaração que beira o cinismo: "Jogue com responsabilidade".

Isso tudo dá muito dinheiro. Tanto que as redes de TV brasileiras querem uma fatia do bolo e já driblam o espírito da lei para entrar em campo. Vamos nos lembrar que nos Estados Unidos, pátria maior da jogatina, foi a máfia que ela enriqueceu em primeiro lugar, e enriquece até hoje. Lá o jogo de cassinos tem regras duras, mas como os criminosos ainda o apoiam isso quer dizer que continua sendo muito bom. Provoca vício, miséria e mortes. Aqui no Brasil, onde as regras ou são muito frouxas ou não existem, o risco é inda mais agudo. Por enquanto os políticos ainda não entraram de cabeça no esquema. Quando e se isso acontecer, estaremos no mato sem cachorro.

Ainda vamos ver e noticiar muitos dramas provenientes dos "inocentes" jogos online, nossa mais recente passagem para a falência. Como não quero ser parte de nada disso, registro: "Tô fora!"                  

11 de setembro de 2024

A anistia não passa!


Fica aqui uma informação bem clara para as diversas quadrilhas de "bostonazistas" de plantão atualmente: uma anistia aos criminosos do 08 de janeiro do ano passado é só delírio. Não será pautada pelo Senado e, caso isso vem a acontecer e haja aprovação no Congresso, ela vai ser declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) imediatamente. Ponto final! Não há presos políticos no Brasil em decorrência da tentativa de golpe de Estado ocorrida naquele dia em Brasília. Há, sim, criminosos identificados, presos, processados. condenados e agora cumprindo pena em decorrência dos crimes cometidos.

O pior Congresso Nacional da história brasileira não trabalha. Conspira! E faz isso o tempo todo, basicamente usando redes sociais e tentando desestabilizar o governo eleito. Eles, os congressistas da oposição, não querem cumprir suas funções constitucionais em momento algum. Seu propósito é apenas e tão somente o de gerar tumulto e inviabilizar o governo, custe isso o preço que custar em prejuízos para o país. Incentivados por um genocida inelegível que identificam como "presidente" e que atua nas trevas de onde saiu como saudosista da ditadura militar, tentam todos os recursos para mudar a história do Brasil.

Agora o que querem? Votar um impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e uma anistia ampla. geral e irrestrita para todos os que tomaram Brasília, invadiram o Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal naquele início do ano passado com o intuito de derrubar o governo e reinstalar o antigo presidente na cadeira de mandatário máximo da República, cancelando sua inelegibilidade. Devastaram a Capital, quebraram tudo e não pouparam sequer obras de arte que, para essa gente, não valem nada.

Ontem, recebendo uma comitiva de deputados e senadores da oposição, aqueles que sempre tentam infelicitar a vida nacional, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (foto), foi claro: "...político que fica o tempo todo em redor da rede social, saia da rede social, vá trabalhar. Nada de agressão. As pessoas que acham que agredir ministro do Supremo, pedir impeachment de ministro do Supremo, que nunca houve inclusive na história do Brasil, que isso vai ser solução de problema, não. Dê lugar ao diálogo, dê lugar ao respeito que vai ser muito melhor".

Trocando em miúdos: vão trabalhar, vagabundos!                           

8 de setembro de 2024

Como si fuera...

Sílvio Almeida e Anielle Franco num evento no Planalto. Situação normal que ele interpretou mal. 

É incrível um intelectual brilhante como o ex-ministro Sílvio de Almeida, dono de trabalhos de grande relevância no terreno dos direitos humanos e igualdade racial se envolver como autor num escândalo da magnitude do que foi vivido em Brasília semana última. O estrago para ele é de tal dimensão que seria até uma questão de misericórdia o governo Lula deixá-lo em paz agora para lamber suas feridas e tentar ao menos manter o casamento. A ministra Anielle Franco poderia ter sido poupada de envolvimento no caso, já que foi vítima e, ao que parece, não a única. Assédio sexual como o praticado não pode ter perdão.

Mas esse escândalo não é único de Brasília, ao menos em gênero. Durante o governo de Fernando Collor de Mello a ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello e o da Justiça, Bernardo Cabral, tiveram um tórrido romance classificado pelo presidente da época como "nitroglicerina pura". Na festa de aniversário de 37 anos dela, os dois foram flagrados dançando, rostinhos colados e cantarolando "como se fuera esta noche. La última vez". E foi! Tiveram que se separar e ele até deixou o cargo para "preservar o casamento". Meses depois Zélia, prima do chefe do Executivo, fez o mesmo.

A diferença abissal entre os dois fatos é que no primeiro houve um romance real, consentido! No segundo, o de agora, um tresloucado ex-ministro achou que seria de bom tom colocar as mãos entre as pernas de mulheres sem o consentimento delas. Coisa maluca!

Quem poderia imaginar, antes de tal fato acontecer, que um professor, pesquisador e estudioso de tal envergadura se poria numa situação como essa, arrastando consigo ministra de área vizinha? Ninguém, creio. Nem outra vítima, a esposa do ministro e mãe de um filho de um ano. Sob todos os aspectos que se olhe, esse fato é extremamente lamentável. E difícil de ser explicado, embora o desmentido de Sílvio seja sua tentativa desesperada de sair do caso com danos controlados. Tentativa vã, creio.

Infelizmente isso aconteceu. Triste é vermos que, na calda de cometa desse drama, uma ex-ministra medíocre e que costuma ver Jesus no pé de goiaba tente tirar proveito da situação em beneficio próprio, rasteiro. Pobre Sílvio de Almeida, em que buraco você foi se meter! Talvez por burrice, talvez por não saber controlar seus impulsos, acabou entrando numa caverna escura "como di fuera esta noche. Lá última vez". E também foi, só que muito mais dolorosa. Será marca, cicatriz moral em sua vida pelo resto de seus dias depois de ter traumatizado mulheres que confiavam em você.       

1 de setembro de 2024

A minha, a sua, a nossa democracia

O episódio da suspensão das atividades do "X" no Brasil por iniciativa do Supremo Tribunal Federal vem gerando uma série imensa de comentários de "especialistas" em Direito e em "democracia" que chega a assustar. Não pela qualidade das opiniões, mas sim pela forma rasa e imoral como elas são emitidas, em todos os casos para atacar a decisão tomada pelo ministro Alexandre de Moraes. E tudo em nome da "liberdade de expressão"...

O que se defende? Que o Brasil aceite impassível que um multimilionário megalomaníaco faça o que bem entende, confundindo liberdade de expressão com liberdade de agressão? Que uma empresa estrangeira possa atuar no Brasil à revelia e acima das nossas leis, agindo para desestabilizar o Estado Democrático e de Direito e para permitir que mentiras virem verdades? Que o conceito de "democracia" seja de novo aviltado? Ora bolas...

Esse tal de Musk, um sul-africano naturalizado norte-americano joga um jogo perigoso em nome de seus interesses comerciais enquanto usa politicamente o "X" para favorecer Donald Trump nos Estados Unidos. E o candidato dele não tem o menor apreço pelo jogo democrático. Se pudesse, lançaria de lado vários dos princípios que sustentam o Estado nos EUA. Da mesma forma que ocorre aqui, onde um genocida inelegível bate palmas para ele enquanto sente saudades dos tempos da nossa ditadura militar, quando brasileiros eram presos ilegalmente, torturados e assassinados nos porões de organismos de repressão. Que democracia é essa? Mais ao sul, na Argentina, um idiota de nome Javier Milei recebe o dono do "X" olhando para ele como se tivesse pela frente um super star da música pop.

O pior já veio: a embaixada dos Estados Unidos mostrou-se preocupada com o ataque à liberdade de expressão no Brasil, o que poria em risco nosso regime democrático. Os EUA são o país que promoveu na América do Sul os principais golpes de Estado de um passado recente, promovendo a queda de presidentes legalmente eleitos no Brasil, no Chile, na Argentina e em outros lugares. A gente já se esqueceu disso? Somos débeis?

Não entendo de Direito, muito menos de Direito Constitucional que deve ser interpretado pelos ministros do STF. Mas a vida me ensinou a reconhecer os diversos tipos de patifes e oportunistas presentes na vida brasileira. Eles se travestem de defensores da liberdade sempre que a minha, a sua, a nossa democracia é atacada por forças estranhas a ela em tempos de crise. E argumentos não faltam a eles até porque esse tipo de recurso o indivíduo mal intencionado pode encontrar até nas camas dos prostíbulos de onde emergem.      

7 de agosto de 2024

A regra do jogo


Fui admirador do jornalista Cláudio Abramo 
(foto), que lamentavelmente morreu novo, do coração. Ele escreveu, dentre outras obras, o livro "A regra do jogo", que tenho comigo. Nele cita a história de uma vez em que um estudante perguntou-lhe qual era e é a ética do jornalista. Abramo respondeu dizendo ser filho de marceneiro. O pai sempre entregava o que prometia. Jacarandá? Então era essa madeira nobre mesmo. Outra? Então era aquela combinada. Nunca cometia qualquer tipo de deslize e era pautado na ética, na verdade. Essa ética do marceneiro e de outros é a mesma do jornalista, do médico, engenheiro, advogado, etc. De todos aqueles que honram a sua atividade. No caso do jornalista ele deve sempre ter em mente que lida com a verdade factual e não pode abdicar disso. Nunca!

Minha primeira razão para me afastar do governo federal que antecedeu o atual foi essa: o ex-presidente não tinha ética, honra, nada disso. Sobretudo, renunciava totalmente à verdade. E esse posicionamento, superior até mesmo ao meu compromisso político/ideológico, afastou-me de qualquer tentativa de aproximação com aquele genocida agora inelegível. Por isso, e para defender a regra do jogo, votei na oposição ao sujeitinho. E ele perdeu, felizmente.

Agora estamos diante de um fato grave que acontece na Venezuela e onde o atual presidente, o socialista (sic!) Nicolás Maduro, fraudou uma eleição e se recusa e deixar o poder para o eleito Edmundo González, o "poste" de María Corina Machado, a que vai mandar realmente. Quem é ela? Trata-se de uma das fundadoras do Fórum de Madrid, entidade de extrema direta que reúne pessoas como Javier Milei, Giorgia Meloni, Eduardo Bolsonaro, Bia Kics e outros. Filha do magnata Enrique Machado Zuloaga, morto ano passado, quer de volta o império siderúrgico familiar Sivensa e a privatização da PDVSA e de todo o restante das empresas públicas da Venezuela, bem como o fim das conquistas sociais dos governos anteriores. Quer à disposição de seus interesses os 303,8 bilhões de barris de petróleo das reservas do pais, cerca de 18 por cento de tudo o quanto existe no mundo. Só isso por enquanto...

Então por que defender a retirada do poder de  Nicolás Maduro para entregá-lo a tal pessoa?  Simples: a reeleição de Maduro foi um golpe, um jogo sujo, imundo. Uma fraude. E se hoje Corina Machado e seu poste têm a preferência dos venezuelanos, isso se deve à corrupção e aos desmandos do atual presidente. Essa candidata à qual se quer dar a presidência de fato da Venezuela é um bom negócio para seu país? Não, ela é muito ruim. Mas o "poste" ganhou as eleições da mesma forma como aconteceu com Lula, que sobreviveu a uma tentativa de golpe de estado concretizada no 08 de janeiro do ano passado.

Nem sempre é possível escolher o melhor. Mas sempre de deve respeitar a regra do jogo.

PS: creio com esse texto ter explicado a uma pessoa que respeito porque estou apoiando uma fascista.                    

4 de agosto de 2024

Campanha de saúde política


Quando estive no Chile pela última vez a presidente era  Michelle Bachelet. Nós, turistas, fizemos um city tour pela capital e subimos uma colina de onde se tinha bela paisagem de Santiago. O guia disse a certa altura que iria voltar antes de chegar ao topo porque ele não queria passar diante da residência do ex-ditador. Argumentei que Pinochet já não mandava nada, mas o rapaz simplesmente completou: "Não vamos passar por lá". E ponto final!

O que acontecia era simples: ainda havia no Chile milhares de viúvas da ditadura deles, todas saudosas dos tempos de prisões ilegais, torturas e assassinatos. Como aconteceu no Brasil... Tudo o que um guia de turismo não queria fazer era colocar em perigo as pessoas que estavam sendo levadas a passeios. Durante o tempo que se passou após isso, Bachelet governou para mostrar aos chilenos que democracia é muito melhor. Foi sucedida por um presidente de direita, mas que jogou com a regra do jogo. Depois veio Gabriel Boric, socialista moderno e capaz de entender que o antiamericanismo é hoje um cadáver insepulto na maioria dos países onde se elegeram presidentes de visão socialista. Como na Colômbia de Gustavo Petro, por exemplo.

Lula ainda não entendeu como se faz política internacional em 2024 e conversará muito com o chileno amanhã (vejam os dois juntos na foto). É teimoso como uma porta, mas talvez atenda a alguns conselhos sobre a insensatez de demorarmos a considerar a Venezuela como um feudo de Nicolás Maduro. Autocratas não são de direita nem de esquerda como muitos pensam; eles governam para si próprios e seu grupo político/familiar. Nesse ponto não há diferença entre Maduro e Bolsonaro além do fato de que na Venezuela as forças armadas foram todas compradas pelo Chefe de Estado enquanto aqui o ex-presidente não conseguiu ir além do Centrão. Ao menos nesse ponto estamos bem melhores...

Precisamos lançar uma campanha de interesse público: Maduro faz mal à saúde!

Se Boric conseguir ajudar ao menos um pouco talvez alguém consiga fazer Lula entender que se seu apoio cair muito mais por causa desse autocrata decrépito, não será apenas ele o derrotado. O projeto político do Brasil perderá junto porque abrirá caminho para a volta do inelegível genocida ou quem ele nomear seu sucessor. Há muitos extremistas de direita se candidatando a esse cargo e todo dia um discursa. Hoje foi o candidato a prefeito de São Paulo, aliado do governador carioca importado por lá. Em Minas um outro governador caipira e iletrado também sonha com a chance de se hospedar no Planalto. Oportunistas em busca de oportunidades não faltam.

Sonho para que o sol de Santiago, mesmo nesse inverno sul-americano, areje a cabeça do presidente brasileiro. Os tempos da "ditadura do proletariado" ainda presente na cabeça de muitos dirigentes do PT, já passaram. E pode haver um caminho de luz para todos nós, brasileiros, no horizonte de 2026. É só evitar o que faz mal â saúde política.

2 de agosto de 2024

O escárnio legal


Mais dois magistrados capixabas foram pegos pela Polícia Federal na "Operação Follow de Money" (ilustração) o que, literalmente, quer dizer "siga o dinheiro". Tudo bem, essa não é a primeira vez que isso acontece, deve haver mais muitos outros casos ainda não descobertos e, como em todas as vezes passadas, os magistrados criminosos bem como advogados e outros a eles ligados vão responder a processos. Mas há um escárnio legal nessa situação: o máximo que vai  acontecer aos dois juízes será uma aposentadoria com remuneração proporcional ao tempo de serviço. Isso é um prêmio, gente!

O Projeto de Lei Complementar 277/20 altera a Lei Orgânica da Magistratura (LOMN), torna magistrados ao alcance de todas as penas dos demais cidadãos e isso significa serem, ao final dos processos, além de condenados, exonerados a bem do serviço público sem direito a nada. Tanto corruptos quanto praticantes de faltas disciplinares graves. Então porque esse novo texto legal ainda não vigora, mesmo passado tanto tempo: por causa da inércia da ação do Poder Legislativo!

Ora, de onde vem essa inercia? Simples: desde o processo de redemocratização, em 1988, mais 500 parlamentares foram investigados, responderam ou respondem a ações penais no  Supremo Tribunal Federal (STF). Pasmem, mas destes somente 16 - eu estou dizendo dezesseis! - foram condenados no exercício do mandado por crimes de e outros delitos. Os demais são "perseguidos políticos". O Congresso em Foco, do Jornal O Globo, mostra que hoje tramitam no Supremo 358 processos contra 172 parlamentares: 141 deputados e 31 senadores, cerca de um terço do Congresso Nacional. E eles respondem a cerca de 60 tipos de crimes. Mais: apenas sete dos 28 partidos políticos nacionais têm ficha limpa. Não é uma beleza?

Eis, de forma muito resumida, porque o escárnio legal sobrevive e a ação legislativa é inerte!

Os magistrados que estão sendo punidos agora eram parte de um esquema de roubo de bens de pessoas mortas que deixavam dinheiro em contas bancárias, na maioria dos casos na forma de herança não reclamada. Não consigo imaginar patifaria maior do que essa! Isso é a meu ver inclusive maior do que a venda de sentenças, prática que vira e volta acaba sendo detectada e denunciada. E quando acontece um fato como esse, e como o de agora, os "punidos" vão viver de suas aposentadoras relativas num país onde esses casos são logo esquecidos pela opinião pública. E é um vidão, sem dúvida alguma, principalmente se eles conseguiram esconder no todo ou em parte o que roubaram ao logo da vida criminosa.

Dá vontade de vomitar!                         

31 de julho de 2024

Mude o foco, presidente!


"Não é a pornografia que é obscena...é a fome que é obscena! E enquanto nós não compreendermos isto, que não há o direito, não há nenhuma razão para que um único ser humano morra de fome, então todo o discurso sobre a moralidade pública é um discurso hipócrita"
(José Saramago, escritor)

Em dias como hoje não consigo reprimir em mim a vontade de atacar esse tema. Passei por uma praça do bairro onde moro em Vitória, Jardim da Penha, e vi uma cena inimaginável ao menos para mim: três moradores em situação de rua saiam de um lugar onde estavam e se dirigiam para debaixo de uma cobertura de marquise diante de uma farmácia de manipulação ao lado de outra, de rede nacional. Duas mulheres passavam aparentemente em direção a um supermercado uma delas comentou: "Que horror; onde estão as autoridades que não tiram essa gente daqui e jogam em outro lugar?"

Não é a  miséria que agride essa parcela da classe média brasileira, é o miserável!

Falo isso porque a fixação do presidente da República em não admitir que o seu colega da Venezuela é apenas e tão somente um ditador de aldeia barato alimenta o discurso daqueles que o estão vendo apenas como um demagogo e não como quem nasceu na  miséria, passou fome e da forma como pode e acredita quer lutar contra isso, mas não contra o miserável.

É a hora de acordar, presidente Lula! Coloque Nicolás Maduro quase podre no lugar onde ele deve ficar, abandone-o à própria sorte e siga tentando reduzir o nível da miséria brasileira usando para isso de todos os recursos possíveis e disponíveis. Aquelas madames de Jardim da Penha preferem o horror ao miserável do que ser engajadas na luta contra a fome. Fazem parte de um imenso contingente de brasileiros que apoiam um ex-presidente capaz de imitar falta de ar, de debochar de doentes por covid em rede nacional em vez de atacarem um dos problemas mais graves da vida nacional. O presidente brasileiro disse que preferia ouvir críticas a elogios baratos, mas parece que não anda lendo ou escutando nada.

E por fazer isso aumenta o contingente daqueles que, como também ouvi outro dia, acreditam que ele quer instituir o comunismo no Brasil em vez de ajudar a população. Mude o foco, Lula! Mude sua visão de América! Eu que também me sinto atingido pela fome horrorizo-me quando a vejo pela frente, mas não tenho caneta para mudar essa realidade.                          

25 de julho de 2024

Maduronaro


Todo ditador de aldeia é um projeto pronto e acabado!

Quando o presidente Lula recebeu Nicolas Maduro (na foto, cheio de medalhas) com todas as honras e todas as pompas em Brasília logo no início de seu mandato, estava cometendo um ato temerário naquele 29 de maio de 2023, na reunião da Unasul. Afora ele, poucas pessoas acreditavam que um democrata perseguido pelo "Império" e pelo anterior governo brasileiro estivesse recebendo tantas honrarias naquele dia. O gesto foi tão exagerado que até o presidente socialista do Chile, Gabriel Boric, protestou pelo fato de os demais presidentes terem sido recepcionados de maneira diferente e diplomaticamente inferior. O tempo passou e agora Lula, mesmo sendo teimoso como uma rocha, deve estar avaliando melhor seu engano.

Bolsonaro foi quem rompeu relações diplomáticas com a Venezuela e entregou a embaixada daquele país à representante de um "governo" títere. Durante seus quatro anos no Palácio do Planalto tratou os representantes de outros governos como amigos ou inimigos. "Aos amigos, os favores. Aos inimigos a lei", como disse Nicolau Maquiavel. E assim ele agiu embora, como creio, pouco tenha ouvido falar no florentino autor de "O Príncipe", sua principal obra de referência e escrita em 1512. No governo passado, o ex-presidente brasileiro tratava com desprezo todos os que discordavam dele. E os atacava de forma feroz.

Em sentido oposto, milhares de milhas ideologicamente distantes, Bolsonaro e Maduro são farinha do mesmo saco. Unidos formariam o Maduronaro!

Talvez Lula, que ao ser empossado presidente disse gostar de ouvir criticas em vez de elogios baratos, esteja considerando essas que chovem de todos os cantos hoje. É preciso dar ao projeto do ditador venezuelano a distância regulamentar e de segurança que se dá a todos aqueles defensores da cartilha do banho de sangue depois de eleições. A vida em democracia não pode ser como imaginava Augusto Pinochet, não pode incluir no projeto a tomada do Capitólio e nem uma invasão dos poderes da República em Brasília após uma eleição perdida. Um projeto de governo jamais deve ser emporcalhado por tão pouco.

No G20 o presidente do Brasil tem sido aplaudido de pé. A luta contra a fome é meritória e oportuna. Muitas das medidas econômicas tomadas por esse governo brasileiro são providenciais nos dias de hoje, mesmo dividindo o PT e desgastando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Universidades, vacinas e o triunfo da ciência sobre a imbecilidade, além de outras coisas, precisavam mesmo acontecer no nosso país. Então por que perder tempo com um projeto de ditador de aldeia sul-americano, se o nosso que ameaçava os horizontes brasileiros está, creio, definitivamente fora do jogo?

Vamos em frente! Ainda há muito por fazer. 

20 de julho de 2024

O AR-15 e a democracia

Não importa a ideologia que você tenha ou venha a ter um dia; quando ouvir falar em democracia jamais associe esse termo à extrema direita política que nos Estados Unidos é capitaneada por Donald Trump e no Brasil tem seguidores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Lembre-se: foi a esquerda política brasileira aliada a setores mais lúcidos da centro-direita quem desgastou e derrubou a ditadura militar 1964/1985. Os idólatras do Fuzil AR-15 odeiam democracias e tudo o que possa se ligar a elas. Mesmo quando um deles belisca a orelha do protofascista favorito à presidência do maior império do mundo.

O fuzil AR-15, hoje símbolo americano é um Colt. Segundo a Associação Nacional de Rifles dos Estados Unidos existem 20 milhões de modelos desta arma comprados legalmente por lá. Vira e volta um deles é usado em massacres que acontecem sempre em qualquer ponto do país. Em 2004, durante o governo George W. Bush foi derrubada lei que impedia a comercialização de armamento militar para uso civil. Em 2005 surgiu a Lei de Proteção ao Comércio Legal de Armas e assim a indústria armamentista deixou de ser responsável pelo uso irregular de fuzis ou outros tipos de armamento. De 2002 a 2012 a produção de "rifles" cresceu 160 por cento e se tornou acessível à grande maioria da população. E a lei de proteção não considera o AR arma militar porque ele só dispara um tiro a cada vez que o gatilho é pressionado (não se trata de metralhadora). Então acabou classificado como "fuzil esportivo moderno". Lá nos EUA qualquer um pode sair de uma loja com um deles debaixo do braço por preços que variam de 400 a dois mil dólares, dependendo do modelo e de adicionais como, por exemplo, tripé, mira telescópica (luneta), etc.

No discurso do band-aid Trump não tocou em democracia a não ser de passagem. Falou de tudo o mais, sobretudo na sua crença de um Estado de Direito relativizado e com armamento letal sendo vendido regularmente e mostrado no comércio sobre bandeiras dos EUA (foto). Ele evita falar que "povo armado não pode ser escravizado". Sabe que esse povo armado é seu exército particular e de todos os que lutam por uma sociedade de regras a cada dia mais frouxas e com uma Constituição em constante perigo de dissolução. Afinal, para o movimento extremista mundial liberdade é só um detalhe menor. Tanto que nenhum deles fazia parte da luta anti ditadura de direita política nem aqui a nem em outro país onde isso aconteceu nos tempos modernos.

No Brasil grande parte da população que hoje engrossa as fileiras da extrema direita não sabe onde está o fundo do poço. Mas ele é bem profundo. Se as forças democráticas não tiverem força e clareza para lutar contra essa praga neofascista, os inocentes uteis ou adesistas vão descobrir que o fundo fica bem lá embaixo, onde a vista não alcança. E de onde não vai dar para sair mais.         

18 de julho de 2024

O santo é de barro...


Uma das denúncias do governo Lula, quando iniciou a administração federal, envolvia duras críticas ao anterior, sobretudo e principalmente por causa dos tais sigilos de 100 anos impostos em contratos ou acordos celebrados até então. Muitos desses sigilos foram quebrados e chamados de meras blindagens de atos da administração pública que não poderiam ser explicadas de forma honesta. O que não faltou foram casos espúrios e que envolveram até mesmo, como se sabe hoje, o uso de um órgão federal como a ABIN para "arapongagem" contra adversários políticos ou até mesmo aliados. Mas agora o governo atual faz o mesmo, alegando que pedidos de explicações envolvendo a Âmbar Energia, empresa do grupo J&F envolveriam assuntos privados de pessoas como o ministro Alexandre Silveira.

É o mesmo argumento usado no passado bem recente pelo genocida inelegível.

Está tudo correto com os contratos firmados entre o governo e a empresa dos irmãos Batista? Ótimo, então basta abrir os dados a todos os interessados porque um negócio de R$ 19 bilhões no qual está presente dinheiro público é tudo menos assunto privado. O atual governo deve ou deveria saber que todos os olhos, ouvidos e línguas da extrema direita brasileira e adjacências estão voltados a ele. Mesmo sem como provar qualquer coisa todos os dias as tais redes sociais são inundadas de falas ou denúncias, irresponsáveis ou não, contra as autoridades federais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está sendo chamado de "Taxad" porque o acusam que aumentar a carga de impostos dos brasileiros, embora isso seja mentida. Aumentam os impostos dos ricos mas se reduzem os dos pobres e isso incomoda muito.

Lula deveria determinar que todos os dados envolvendo a negociação com a J&F, muito feliz ao fazer propaganda de seus negócios como mostra a imagem acima, fossem tornados públicos. Se aqui ou ali houver alguma coisa sobre A ou B que não seja de interesse público somente esse fato é vetado e explicado o veto. Mesmo assim haverá ataques, achaques, mas o governo terá tido o cuidado de mostrar todos os papéis, dados e fatos que envolvem o contrato. E também com a fala de Alexandre Silveira ou qualquer outro ministro. Tem que ser assim se tudo é licito e feito em razão do interesse público.

O atual governo, em razão dos fatos atuais, tem que ir devagar com o andor...                               

15 de julho de 2024

As vítimas da cultura das armas


Desde o primeiro registro até hoje são 16 os atentados contra presidentes ou candidatos à presidência dos Estados Unidos naquele país. O primeiro que morreu foi Abraham Lincoln, assassinado no Teatro Ford, em Washington, em 1865 (foto), mas já tinha havido atentados antes, desde 1835. Daí para cá foram mais 15 ocasiões distintas, sendo que em quatro outras oportunidades o presidente ou candidato perdeu a vida. Todos eles, sem exceção alguma, foram assassinados pela cultura das armas dos Estados Unidos.

Essa cultura do "uso arma para me defender" tem início com a famosa "conquista do Oeste" pelos colonos norte-americanos. Ocorre que lá havia moradores originários, as diversas nações indígenas. Então eles tinham que ser eliminados para a chegada dos brancos. E afora no episódio de Litle Big Horn, quando o general George Armstrong Custer foi morto e escalpelado por indígenas dos EUA, no mais todos, rigorosamente todos os grandes chefes índios acabaram exterminados. Recomendo a leitura do livro "Enterrem meu coração na curva do rio", do historiador Dee Brown.

Pois a cultura do uso indiscriminado de armas produziu a morte de Lincoln e também de James Garfield, William McKinley, John Kennedy e Robert Kennedy, este último candidato em campanha. Também houve atentados contra Andrew Jackson, Theodore Roosevelt, Franklin Delano Roosevelt, Harry Truman, George Wallace, Gerald Ford (duas vezes), Ronald W. Reegan, Bill Clinton, George W. Bush e agora Donald Trump. E não foram apenas esses as vítimas da cultura da violência norte-americana. Também terminou morto o Beatle John Lennon, que não fazia mal a ninguém, além de centenas de outros como estudantes eliminados dentro das escolas por psicopatas armados. Aliás, um em cada 20 cidadãos dos Estados Unidos possui fuzis como o usado por Crooker, um rapaz de 20 anos, para tentar matar Trump.

Uma sociedade que se arma para atirar em tudo e em todos monta o palco de seu próprio velório. O rapaz que tentou tirar a vida de Trump e foi morto em seguida certamente buscava notoriedade, como tantos outros o fizeram. As autoridades dos Estados Unidos não vão encontrar nenhum complô internacional depois das investigações desse caso. Vão achar, isso sim, um atestado de sua própria doença como povo e nação. Doença essa que Donald Trump, um ferrenho defensor do uso de armas, alimenta todos os dias e agora se voltou contra ele.        

13 de julho de 2024

Dora de Esmeraldo

Na foto, Esmeraldo assina o livro de posse como prefeito de Santos. Nunca chegou a exercer o cargo

Para quem não conhece, vou apresentar Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho. Mas pode chamar apenas de Esmeraldo Tarquínio que basta. Negro, crooner de prostíbulo do Cais do Porto de Santos, despachante aduaneiro, advogado, jornalista, vereador, deputado estadual e prefeito de Santos além de torcedor apaixonado do  Santos Futebol Clube, não conseguiu cumprir o último mandato porque o teve cassado pela ditadura militar que infelicitou o Brasil de 1964 a 1985. E por quê? Eleito prefeito, foi convidado para uma entrevista pela apresentadora Hebe Camargo, à época na TV Record de São Paulo, e esta perguntou a ele se era verdade que havia cantado em "grupo de zona". Ele disse que sim, pois havia nascido pobre, era negro e precisava ganhar dinheiro honestamente para se formar como advogado e viver a vida que queria, inclusive como politico, pois tinha muito a dar na qualidade de militante ativo do Partido Comunista Brasileiro, PCB ou Partidão.

Eram tempos duros da ditadura militar e no dia seguinte ele teve seu mandato cassado. Para justificar e violência, os generais de plantão disseram que, "por motivos de segurança nacional" daquele dia em diante balneários, estâncias hidrominerais e outros lugares afins teriam seus prefeitos escolhidos pelo governo e não mais pelo povo. Esmeraldo não se conformou, mas nada podia fazer. Triste, foi aos poucos sofrendo de depressão - doença então não diagnosticada - e no dia 10 de novembro de 1982 sucumbiu a um enfarte agudo do miocárdio. Tivesse suportado mais três anos, viveria para ver seu país livre da ditadura.

Conto essa pequena história porque ontem, em reunião politica na casa de um amigo, este que é fazendeiro de Linhares, reagiu a uma pergunta minha sobre como estava o bolsonarismo na sua região e disse que isso não existe. O que há são pessoas que lutam contra a corrupção e não toleram invasão de terras. Nada disso, amigo. Fosse assim e o criminoso que leva o nome do grupamento político atual de extrema direita não teria sido eleito presidente da República. E não estaria até hoje conspirando para dar golpe de Estado e destruir instituições civis reconstruídas com tanto esforço e mortes como a de Esmeraldo.

E ele não foi um caso único. Aqui no Espírito Santo, seu Flores, o crooner do Regional de Mestre Flores, não conseguia trabalhar como marceneiro depois do golpe de Estado de 64.  Para não morrer de fome e sustentar a família, passou a cantar na zona de meretrício de São Sebastião, conhecida como Carapeba. Fez isso durante muito tempo. Um de seus filhos, o jornalista Francisco Flores Rodrigues, o Chico Flores, hoje falecido, recordava-se com carinho e orgulho da luta do pai durante os anos de chumbo.

Não, querido amigo, seus vizinhos de fazendas nessa Linhares um pouco chegada à extrema direita não são patriotas que lutam contra a corrupção. Eles, ao contrário. dão seu apoio a militantes formais e informais de um pensamento político espúrio que prega a destruição da democracia e o assalto aos bens do País. Haja vista que o ex-presidente, seus filhos e demais membros da quadrilha fizeram uso do Estado Brasileiro, através da ABIN, para enriquecer e vasculhar a vida dos outros, além de se protegerem de investigações. Poucos de seus amigos, meu querido camarada, fazem isso inocentemente. A esmagadora maioria desses patriotas de araque sabem que conspiram. Sabem e pagam para ver... 

E só para terminar, na entrevista dada a Hebe, o prefeito Esmeraldo, primeiro negro eleito para aquele cargo na história santista, foi convidado a cantar. Pensou um pouco, mais um pouco e depois disse que faria isso porque "cantar não tira o respeito de ninguém", E então se levantou e emprestou seu vozeirão a uma das obras primas de Ary Barroso e Dorival Caymmi, para deleite de todos os espectadores. Ele cantou "Dora, rainha do frevo e e do maracatu". Ainda o vejo no palco na TV Record:

"Dora, rainha do frevo e do maracatu

Dora, rainha cafusa de um maracatu

Te conheci no Recife

Dos rios cortados de pontes", etc, etc, etc.                         

11 de julho de 2024

Arapongas & assemelhados


Quando estava no início de seu (des)governo, em 2018, o genocida inelegível Jair Bolsonaro, antecessor do atual presidente da República dizia que queria ter acesso a todo tipo de informação e isso vinha sendo dificultado a ele. Numa de suas arrogantes declarações disse, dentre outras coisas que "o meu sistema de informações pessoal é muito bom". Claro que se tratava de algo ilegal como pode ser visto hoje depois de o ministro Alexandre de  Moraes, do Supremo Tribunal Federal ter aberto o sigilo de uma investigação que descobriu arapongagem de muita gente, inclusive ministros, políticos e jornalistas. O criminoso que atuou no Palácio do Planalto durante quatro anos não respeitava ninguém. Rigorosamente ninguém! Nem lei alguma!

Só para especificar, o sistema mais usado no Brasil para monitorar ilegalmente uma pessoa é de origem israelense e adquirido pela ABIN - Agência Brasileira de (pouca) Inteligência - já faz algum tempo. Comprado à empresa Cognyte, anteriormente chamada de Verint, o First Mile é um software de monitoramento que permite o rastreamento de até 10 mil celulares por ano e foi largamente usado durante quase todo do governo bozista. Rastreia em tempo real e localiza todas as pessoas perseguidas. Logicamente isso só pode funcionar com autorização judicial que jamais foi solicitada ou obtida pelos espiões tupiniquins.

O chefe do tráfico ilegal de informações era e é o ex-delegado da Polícia Federal e atual candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Alexandre Ramagem (na imagem montada, está ao lado da sede da ABIN, em Brasília). Ele fazia e fez até hoje qualquer tipo de trabalho sujo pedido pelo "patrão". Conheceu o inelegível durante a campanha deste à presidência, tornaram-se amigos (ou seriam capangas?) e daí em diante o delegadinho só não virou diretor geral da Polícia Federal porque a Justiça não deixou.

Eis, sintetizada, a promiscuidade que era o governo federal anterior, isso só no campo da espionagem ilegal. Não estamos nem entrando no terreno das joias tomadas ao Estado, aquisição de imóveis com dinheiro vivo e outras coisas menores...  Estamos nos atendo apenas aos arapongas e assemelhados que ainda vivem à custa do poder, ao lado dele, alimentando-se de suas entranhas e atentando contra os poderes da República. Diariamente cidadãos acima de quaisquer suspeitas (alguns nem tanto...) têm suas vidas devassadas. 

 Cabe uma pergunta: quando esses chefões mafiosos vão ser presos?           

7 de julho de 2024

"Sic transit gloria mundi"


Hoje, 07/07/2024, é um dia especial. E especialmente perigoso. Na França os franceses estão decidindo o futuro da democracia daquele país numa eleição legislativa que tem como objetivo para as forças antifascistas impedir que as viúvas do nazifascismo cheguem a poder levadas pelo descontentamento popular para com a política tradicional. Essa mesma política que hoje reúne em Balneário Camboriú a fina flor do reacionarismo político nacional em torno de um fenômeno de massa que se intitula "bolsonarismo" para os brasileiros.

Isso me remete a uma figura consagrada do carnaval brasileiro, Clóvis Bornay. Foi museólogo, carnavalesco, criou o Baile de Gala do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e, considerado ícone do ramo, fazia do baile cenário perfeito para se mostrar ao mundo com fantasias grandiosas e cafonas. Mas todas, rigorosamente todas, caras. Assim foi uma, a considerada melhor de todas e chamada "Sic transit gloria mundi", ou "assim transitam as glorias do mundo", ou ainda "assim terminam as glorias do mundo". Mostrava cena de morte com lantejoulas e paetês, além de penas de bichos que alimentavam um ego gigantesco. As glórias do mundo, para Clóvis Bornay, terminaram aos 89 anos, em 2005.

Hoje algumas figuras que nos remetem a um dos períodos mais lúgubres da história mundial e que custou 40 milhões de vidas humanas tentam destruir o conceito de democracia em vigor na maioria das nações para reviver a extrema direita à custa da destruição de constituições nacionais. Na França tenta-se impedir que ela possa indicar um primeiro ministro. Em outros países está sendo feito o mesmo movimento, inclusive nos Estados Unidos com a figura patética de Donald Trump tentando sobreviver a uma carrada de processos referentes a crimes de todos os graus e tipos.

Aqui no Brasil também hoje cerca de quatro mil pessoas estão reunidas num balneário de luxo de Santa Catarina para, de maneira indisfarçada, conspirar. Tentar meios ilegais de devolver a um ex-presidente criminoso e indiciado o direito de concorrer a nova eleição presidencial, buscar mostrar aos outros que quem tentou destruir a democracia em 08 de janeiro do ano passado não é bandido de sim perseguido político e ainda organizar o Congresso Nacional para votar uma lei que anistie a todos, mesmo sendo ela inconstitucional e desde já condenada a ser assim declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Só como registro: Brasil tem hoje cerca de 530 grupos políticos de extrema direita em atividade, sobretudo no Sul, com ações maiores em Santa Catarina. 

A ojeriza à politica tradicional está por trás de todo esse movimento. Ele nasce do descontentamento da população para com partidos e políticos que só agem em benefício próprio e tentam capturar o Estado para seus clientelismos. E isso é feito, tanto aqui quanto em países com elevado grau de conhecimento porque a demagogia tem tentáculos longos e os demagogos conseguem capitalizar momentos de fraqueza das nações. Sabem no fundo que as glórias do mundo são efêmeras, mas também podem usar seu tempo para minar tudo aquilo no qual não acreditam e tentar dessa forma formar uma nova ordem mundial que talvez leve a humanidade à ruína. Tanto, faz, contanto possam ser eles os donos, ainda que por pouco tempo, de todas as glórias do mundo.