27 de outubro de 2010

"Manifesto em defesa da democracia"


Há poucos dias, em 22 de setembro, um grupo de notáveis, daqueles homens que costumam honrar os países onde vivem, divulgou o "Manifesto em defesa da democracia". Assinado por pessoas como Hélio Bicudo, Dom Paulo Evaristo Arns, Ferreira Gullar, Miguel Reali Jr., José Carlos Dias, Henry Sobel e outros. Eles alertavam para o risco que corremos de aviltar a democracia representativa, substituindo-a por uma espécie de ditadura sindical onde os poderes da República seriam sufocados pelo Executivo.
Hélio Bicudo, jurista reconhecido internacionalmente e um dos fundadores do PT, gravou um pronunciamento no qual alerta para esse risco. Para o descaso com que são tratadas as instituições brasileiras e a falta de compostura do Presidente atual no momento em que se escolhe seu sucessor e ele usa a máquina do Estado em favor de um candidato, contra outro. Quando quer sufocar o Poder Legislativo. Quando lamenta ter que acatar ordens judiciais. Quando não respeita as leis em vigor em seu país.
Sabiamente, Hélio Bicudo destacou, logo de início: "Em uma democracia nenhum dos poderes é soberano. Soberana é a Constituição." Claro, é ela que dá corpo e alma ao Estado Democrático. Ela se corporifica pelo respeito que enseja e corporifica, em consequência, o respeito às instituições por ela representadas. Todos crescemos com isso!
Durante 21 anos, de 1964 a 1985, um grande número de brasileiros lutou contra um regime político autoritário, assassino e que estuprou a Constituição. A luta, desenvolvida por pessoas dos mais diversos credos políticos, tinha por objetivo devolver aos brasileiros um país que não fosse capaz de calar à força seus cidadãos. Isso uniu a todos naquela época! Gente que ia da direita à esquerda do espectro político nacional, sem distinção de renda, credo, cor, nada.
O que estamos vendo hoje no Brasil é a criação lenta mas gradual de um arremedo de democracia; um estado autoritário de organização sindical, pretensamente voltado para os pobres, mas que enriquece apenas seus parentes e apaniguados. Realiza esse "projeto" faz quase oito anos, desavergonhadamente. É preciso acordar para isso. É preciso notar que os escândalos não são meros acontecimentos imprevistos, mas uma prática de governo. É necessário ver para onde vamos. E não estamos indo para onde queremos.

14 de outubro de 2010

As eleições do aborto e da irresponsabilidade


Existem momentos nas campanhas políticas nos quais elas deixam definitivamente o terreno do sério, da discussão de programas, princípios e metas, e invade a região da falta de decência. A reta final da campanha presidencial de 2010 chegou a esse ponto no momento em que líderes de diversas facções religiosas transformaram palanques em púlpitos para discutir o aborto com os dois candidatos que decidem o segundo turno em 31 de outubro.
Um assunto dessa magnitude jamais poderia ter sido colocado à frente das discussões de campanha. E principalmente com interesses religiosos à frente, num estado laico. O aborto no Brasil é algo tão grave, tão pungente e de saúde pública, que tende a ser tão ou mais urgente que o combate ao crack. As demagogias baratas e promessas de campanha, ainda mais as que contrariam declarações públicas dadas anteriormente, não resolvem. Agridem o assunto.
O Brasil prevê a interrupção da gravidez em três casos: gestação decorrente de estupro, que comprovadamente pode levar a gestante à morte e de feto anencéfalo. Neste último caso com autorização judicial. E muitos magistrados colocam suas crenças, seus dogmas, à frente das decisões sem considerar que as grávidas são outras pessoas. Os danos mentais serão delas.
Simplesmente descriminalizar o aborto, todas as demais formas de interrupção irresponsável da gravidez, ainda mais em instalações do Sistema Único de Saúde, constitui insensatez. Crime.
Mas discutir esse problema - que envolve a morte de milhares de mulheres todos os anos em clínicas clandestinas num Brasil onde o nível de informação das camadas mais subalternas da sociedade é mínimo e a saúde pública, um caos - numa véspera de eleição em palanques improvisados e diante de atores fora do contexto é tão grave, tão hediondo e desonesto quanto as fotos de fetos mutilados que pastores pouco sérios carregam nas pastas e notebooks para impressionar seus "rebanhos" de incautos.
Ao mesmo tempo, não é possível deixar de dizer que as diversas correntes religiosas têm que encontrar uma saída para a imensa contradição contra a qual seus discursos esbarram: ao mesmo tempo em que levam a discussão sobre o aborto aos extremos, demonizam as soluções de contracepção. Já ouvi de lideres religiosos que usar caminha é pecado e não evita a AIDS. Outros estendem essa proibição a todos os métodos anticoncepcionais. E sabemos todos nós que eles devem ser usados, sim, sobretudo e principalmente por casais monogâmicos que não desejam mais filhos por não ter meios de criá-los com dignidade.
Fazer isso é melhor do que trazer ao mundo mais miseráveis. Ou então buscar a morte nas "fábricas de anjinhos" que ocupam quase todas as periferias brasileiras. Demagogias de época de eleição, documentos-compromisso assinados em troca de votos, promessas feitas na esperança de conquistar o poder para pagar depois com cargos, nada disso resolve problemas graves. Muito pior: sequer consegue escondê-los. Só a miséria somada à ignorância das populações podem fazer com que essas aberrações continuem existindo.

6 de outubro de 2010

De Cacareco a Tiririca



Dos 130 milhões de eleitores brasileiros, 54% são analfabetos, analfabetos funcionais ou não terminaram o ensino fundamental. E a esmagadora maioria deles ama Lula e acha Tiririca o máximo. Daí porque este último obteve 1,3 milhão de votos na eleição de domingo como deputado federal pelo Estado de São Paulo.
Fosse o Judiciário brasileiro mais ágil, mais vigilante e sequer o registro da candidatura do palhaço seria aceita. Afinal, um membro do Poder Legislativo tem que saber ler, escrever e ter conhecimentos que permitam a ele exercer minimamente suas funções. Mas o palhaço está eleito e agora um processo de cassação de seu registro será algo constrangedor para ele que não escolheu sua falta de cultura formal. Só escolheu - ou escolheram por ele - usar um discurso errado, de deboche, para captar votos numa campanha política onde nada mais tinha a dizer.
Temos, portanto, qualquer coisa em torno de 71,5 milhões de eleitores situados entre aqueles que, como Tiririca, também não sabem o que faz um deputado federal. Ou um vereador. Ou um deputado estadual. Ou um senador. Ou um prefeito, um governador ou o presidente que eles idolatram. Aliás, no caso deste, sabem que conta piadas sobre futebol e paga Bolsa Família.
Por todos esses motivos, surpreendeu aos jornalistas do The Guardian, da Inglaterra, a eleição de nosso palhaço gaiato foi classificada por eles como deprimente ou coisa parecida. Mas não surpreendeu a nós, brasileiros. Lembro-me de que quando era criança e morava em São Paulo, os eleitores daquele Estado elegeram Cacareco vereador. Mas ele não tomou posse talvez principalmente por excesso de peso, como se pode ver pela foto ao lado.
É que Cacareco era um rinoceronte do Jardim Zoológico de São Paulo e recebeu imensa votação - naquela época escrita sobre cédulas de papel - como protesto contra a falta de seriedade política existente no Brasil. Estávamos na década de 1960. De lá para cá pouca coisa mudou no que tange a isso. O rinoceronte já morreu faz muitos anos e Tiririca hoje é o retrato não de um Brasil que protesta, mas do outro que não entende para que servem os parlamentares.
Um Brasil que se vê em Tiririca. Que se identifica com ele. E que cultua o seu presidente Lula até mesmo em altares nordestinos em frente aos quais o povo reza todos os dias, nas salas de casa, como se fosse ele um novo Padrinho Cícero Romão Batista versão século XXI. E isso pode ser visto em matérias jornalísticas sérias e focadas nas eleições de domingo, dia 03 de outubro de 2010. Cerca de 50 anos depois de Cacareco.
Isso o The Guardian não sabe ainda.

1 de outubro de 2010

Meu Congresso pocotó (4)


A última das constatações relativas ao que o brasileiro pensa das funções legislativas levantadas por uma pesquisa Época/Ibope é talvez tão grave quanto as demais: parte substancial da população imagina ser função do Poder Legislativo e de seus membros conseguir empregos para os eleitores e promover ações de lazer, além de eventos sociais, para os cidadãos.
No Espírito Santo, o Poder Legislativo estadual foi mais longe: desde o início da legislatura que se encerra agora, em 2010, ficou decidido pelos parlamentares que quem trabalha em campanha política, o cidadão conhecido como "cabo eleitoral" tem emprego garantido na Assembleia Legislativa em cargos comissionados (CC) se o candidato dele for eleito. E os cabos eleitorais lutam muito por isso... Para não serem todos contratados pelos gabinetes dos deputados que ajudaram, há nomeações cruzadas e também outras para os diversos setores do Legislativo onde podem ser nomeados os CCs. E esses cargos são muitos! Inúmeros! Quase incontáveis! Há uma quantidade enorme deles prevista no organograma da instituição.
Isso é feito em outros lugares. Político promove festa, quadrilha (no bom sentido) junina, aniversários, casamentos, deslocamentos (inclusive para votar) e mais uma infinidade de coisas, sem economizar. Da mesma forma como se dá com a prática da Assembleia do Espírito Santo, tudo é pago com dinheiro público. Os impostos do capixaba sustentam os cabos eleitorais.
Portanto, quando o cidadão comum responde a uma pesquisa afirmando o que foi afirmado, ele imagina ser correto o que vê todos os dias. O que é prática comum, embora ilegal, aética e imoral. Mas, na visão do político, tem alguns "méritos": ele não precisa lutar tanto para conseguir verba de campanha já que é você, leitor, quem vai pagar a conta e, além disso, sobra dinheiro ao final da peleja. E com esse dinheiro pode-se construir fantásticas Casas da Dinda!
Em público, a maioria dos parlamentares diz combater tais situações e querer diminuir o inacreditável número de CCs no Legislativo. Mas em público. Depois, quando estão trancados nos gabinetes eles simplesmente nomeiam. E muito. Todos os dias!

29 de setembro de 2010

Meu Congresso pocotó (3)


Relembrando a pesquisa Época/Ibope, uma das tristes convicções do brasileiro é a de que seria uma função e/ou obrigação parlamentar "ajudar os aliados de campanha em negócios com o Governo". Não sei o que me deu na cabeça, mas ilustro esse texto com uma foto da ex-ministra Dilma Roussef candidamente de braço dado com seu cria e sucessora Erenice Guerra, em cerimônia oficial.
Ajudar os aliados de campanha, no Brasil, significa dar a eles contratos vultosos com os governos municipal, estadual ou federal. Fazer com que vençam licitações fraudadas. Permitir que cumpram atividades públicas em contratações de emergências. Distribuir cargos comissionados entre seus parentes e amigos. Ministérios só a eles mesmos, porque merecem! E outras coisas mais. Erenice Guerra, a cria/sucessora de Dilma Roussef, aprendeu toda essa lição. Mãe e esposa extremada, brindou os filhos e o marido com os mais descarados atos de tráfico de influência de que se tem notícia no passado mais recente do Brasil.
Mas bem recente mesmo, porque se a gente for recuar no tempo vai dar de cara com o Mensalão. E aí não há comparativo que resista!
Ajudar aliados de campanha é prática que só pode ser combatida com leis duras, com julgamentos inflexíveis por parte do Judiciário e financiamento público de campanha. Caso contrário, os vícios vão continuar. E as grandes empresas encarregadas de obras públicas gigantescas continuarão sendo sempre as mesmas. Os preços por elas cobrados jamais terão como parâmetro os preços de mercado, praticados junto à iniciativa privada.
Da mesma forma, sempre que certos presidentes da República prometerem que vão acabar com a miséria, podem acreditar nele, leitores. Depois de quatro anos vocês não vão encontrar um único parente de primeiro grau deles precisando trabalhar para viver. Porque, convenhamos, fazer isso no Brasil todo, acabar com a miséria geral, fica meio difícil.
Desculpem-me, mas parece que fui irônico. Ou então cínico. Dá no mesmo nesse caso.

28 de setembro de 2010

Meu Congresso pocotó (2)


No texto que coloquei no ar ontem, ficou para ser esmiuçada uma das constatações da pesquisa Época/Ibope, na qual ela revela o que alguns brasileiros já sabiam: parte de nós julga ser atribuição parlamentar realizar obras - seja lá o que isso signifique -em municípios, estados ou União.
Uma das muletas onde esse conceito se sustenta é uma das excrescências do sistema político brasileiro: as verbas para emendas individuais. Os vereadores, deputados (estaduais ou federais), bem como senadores, podem usar parte do dinheiro arrecadado pelo Estado para utilizar como bem entenderem. Podem fazer obras de utilidade pública, sim. E alguns o fazem. Mas também podem calçar a rua onde moram, alargar a estrada que leva à fazenda daquele que sustenta suas campanhas, construir uma quadra de bocha na região onde mora e, além de mais uma infinidade de coisas absurdas, dar dinheiro para a congregação religiosa onde construiu seu curral eleitoral.
Esse ponto eu destaco, por ser uma das maiores aberrações de nosso sistema político. O Brasil é Estado laico. Isso significa dizer que dá liberdade religiosa a todos mas não reconhece religião alguma como sua. Como oficial. Mas temos "bancada evangélica" em praticamente todos os níveis. Desde os municípios, passando pelos estados e pela União. Essas bancadas se unem, sustentam igrejas ou seitas, são sustentadas por elas e têm até mesmo programa político de conquista do poder de Estado.
Todos os anos os parlamentares que representam essas congregações religiosas e têm lá seus currais eleitorais, pegam substancial parcela da verba parlamentar de emendas individuais e mandam para elas. Quando não mandam tudo. Geralmente para ONG's de fachada que representam as congregações (igrejas ou seitas) sob algum tipo de falso manto assistencial.
Essa prática mantém o curral eleitoral, sustenta-o e eterniza a renovação dos mandatos. Em grande parte dos casos, os parlamentares dessas bancadas penetram mais fundo na estrutura de poder, corrompendo-se a corrompendo os gestores públicos. O escândalo do Mensalão, para citarmos um só exemplo, tinha um forte componente de participação desse tipo de político.
Repito: o Estado é laico. Dinheiro público foi feito para ser usado pelo Poder Executivo para suprir as necessidades da população nas mais diversas áreas e não para saciar a fome de votos de falsos profetas de algumas seitas religiosas. Meu dinheiro de imposto, por exemplo, ganho com muito suor, não poderia servir a essa causa malandra e injusta.
Se é intenção do Poder Judiciário, pois a campanha nacional do TSE assim o prega, combater a compra de votos, então atenção para as bancadas evangélicas. Elas compram votos e renovam mandatos dessa forma. E isso não é reza, não. É crime mesmo!

Só a título de esclarecimento, eis as diversas definições de laico segundo o dicionário Houaiss: "que ou aquele que não pertence ao clero ou a uma ordem religiosa; leigo - que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos (grifo meu) - que é independente em face do clero e da Igreja, e, em setindo mais amplo, de toda confissão religiosa - relativo ao mundo profano ou à vida civil".

27 de setembro de 2010

Meu Congresso pocotó (1)


Várias reportagens têm sido escritas sobre as eleições brasileiras de domingo, 03 de outubro, e muitas delas dizem respeito às figuras bizarras que concorrem e devem ser eleitas, inclusive com farta votação. É o caso, por exemplo, do palhaço Tiririca, que deve alcançar qualquer coisa próxima de 1 milhão de votos para deputado federal em São Paulo. Isso quando há indícios fortes de que ele é analfabeto, o que a lei proíbe a quem deseja concorrer a cargo eletivo.
Tiririca tem dois bordões: no primeiro ele pede para votarem nele porque pior não fica. No segundo, afirma não saber o que faz um deputado federal, mas promete contar quando chegar a Brasília. Seu filho Éverson repete um bordão que tem muito de verdade: "Vote no deputado vestido de palhaço, muito melhor do que esses palhaços vestidos de deputado".
Tiririca é como a música Eguinha Pocotó: um produto gaiato feito para o Brasil gaiato, para se aproveitar da desinformação e eleger deputado à custa não do voto de protesto, mas da identificação com o eleitor de baixa ou nenhuma escolaridade com alguém que é a imagem dele e de sua falta de valores. Como é o caso de Tiririca.
A revista Época número 645 foi às bancas com o resultado de uma elucidativa pesquisa do Ibope:
1º - grande parcela da população brasileira acha que é dever do parlamentar realizar obras para a população;
2º - também seria seu dever ajudar os aliados de campanha em negócios com o Governo;
3º - e, finalmente, auxiliar seus eleitores a conseguir empregos e promover eventos sociais e de lazer para a população.
É dessa desinformação que nascem não apenas os Tiririca da vida, mas cresce também de forma desenfreada a corrupção no Brasil. Nas crenças dos eleitores estão contidos os principais vícios da política brasileira, que vão desde a danosa prática das emendas individuais, passando pelo tráfico de influência que favorece apaniguados, indo até o empreguismo que usa dinheiro público para favorecer aliados ou cabos eleitorais e até o uso de verba pública até para pagamento de festas juninas etc. Isso sem falar de outros, ainda mais graves.
A pesquisa Época/Ibope mostra nosso Brasil Triririca. Nosso congresso Pocotó, - vejam que simpática a imagem dele acima - saído da música brega criada para repetir quase sem parar o refrão mais pobre que existe. Mas que faz sucesso. Explicavelmente.

24 de setembro de 2010

A foto verdadeira


Não dá para saber se o cartaz ao lado é verídico ou se alguém usou algum truque para colocá-los nas mãos dessas pessoas que desfilam pelas ruas de Nova Iorque. Mas uma coisa ele é: verdadeiro. É a cara do Brasil de hoje. Pronta e acabada!
O filme "Lula, o filho do Brasil" quer nos representar no Oscar. O público era contra, pesquisas foram feitas nesse sentido, mas instituições que vivem às custas das generosas tetas brasileiras o escolheram à revelia de tudo. Não vi esse filme ainda. Não vou ver. Em todos os comentários honestos sobre ele dizem os analistas que ele é ruim. Pior do que isso, trata-se de obra de ficção. Ficção só vejo se for boa. Faça o mesmo, leitor.
As eleições brasileira são a comprovação de que o Brasil que se limpa com jornal vence as disputas das urnas. E não é de hoje. Esse mesmo Brasil lotou as salas de cinemas para ver a ficção que tenta disputar o Oscar de filme estrangeiro. E vence as eleições com a ajuda daqueles que se locupletam com dinheiro público. Inclusive para fazer filmes medíocres.
Não tenho nem nunca tive preconceito contra pobres. Nas minhas convicções, eles nem deveriam existir porque o mundo gera riquezas suficientes para impedir a existência de miséria em todos os lugares. Mas ela existe porque os países são geridos demagógica e desonestamente. Inclusive e principalmente o Brasil, apesar dos desmentidos oficiais.
Por isso pouco importa se a foto que ilustra esse texto é ou não uma montagem. Ela reflete o que somos e o que acontece nas eleições gerais. Inclusive a que destina alguém ao mais alto cargo executivo do País. Lamentável e desgraçadamente!

14 de setembro de 2010

Na sala contígua


Ironicamente, coube a uma ex-ministra do governo Lula, Marina Silva, dizer a plenos pulmões, depois do estouro da crise envolvendo a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, que o escândalo está muito próximo ao presidente. Mais propriamente na sala contígua.
Aliás, como sempre esteve. E isso desde a época em que o ex-guerrilheiro José Dirceu trocou sua biografia de guerreiro pela de...vejamos...lobista. Não é isso o que ele diz ser? E desde que outros escândalos surgissem, como o do Mensalão, o mais tristemente célebre da relação completa. E em rigorosamente todas as ocasiões a informação dada pelo governo foi a mesma: Lula não sabia de nada. Desconhecia o que se passava na sala ao lado. Parede com parede.
Hoje, a retórica do presidente é a de ataque às legendas políticas que fazem oposição a ele. De uma deles desejou a extinção pura e simples. O que era bem mais fácil de ser conseguido durante a ditadura militar que ele disse combater e graças à qual ganhou dinheiro de indenização.
As crises SEMPRE estiveram perigosamente próximas ao presidente. Tão próximas e tão frequentes são que a gente às vezes se pergunta se é crível que ele não saiba de nada e seja surpreendido sempre. E que acredite em suas explicações, todas elas colocando a culpa nos políticos que se opõem a seu partido e forma de governar.
Diz-se nos meios políticos, e já faz muito tempo, que o presidente tem teflon, que nada cola nele. Talvez seja por isso que Marina Silva, sua ex-ministra, tenha sido a primeira a, publicamente, dizer o que todos sabemos: da sala contígua a gente conhece tudo o que se passa. Ouve as conversas, vê o movimento, nota olhares, sinais, visitas não programadas, saídas inesperadas e até mesmo odores. A corrupção às vezes tem cheiro. E ele não é nada bom!
E o presidente não tem porque ostentar o sorriso que sempre ostentou. Quem sabe, cinicamente. Com certeza, crendo no "efeito teflon". Essa mesma crença que o leva a atropelar as leis, a agir como se fosse dono do mundo e a falar pelos cotovelos, agredindo o bom senso e a língua de sua pátria, para depois pedir comedimento aos outros.
Aliás, e mesmo correndo o risco de ser chamado de preconceituoso - o que não sou - vou recordar aqui algo dito por um amigo certa feita. Ele estava zangado com determinado comportamento impróprio de certa pessoa, comportamento totalmente destoante do comum, do chamado normal, e sua avó disse: "A ignorância é atrevida, meu neto."

8 de setembro de 2010

O país dos feriadões


O governo capixaba relutou mas, finalmente, decretou ponto facultativo na segunda-feira dia 06 de setembro. No Brasil as pessoas vibram com os feriados que ocorrem nas terças ou quintas-feiras. É que sempre foi muito fácil não trabalhar com o dinheiro dos outros.
Por que os feriadões são decretados? Porque o dinheiro público não é um bem pessoal dos governantes. Não sai diretamente do bolso deles. Não é contabilizado por seus empregados e a arrecadação não depende das portas abertas de suas empresas. O dinheiro é do contribuinte. De quem paga impostos. Inclusive eles!
Na economia brasileira, onde cerca de 50 milhões de pessoas vivem na informalidade e o Estado é um gastador compulsivo e irresponsável, ninguém se detém um segundo sequer para avaliar como os feriadões são ruins para todos nós. Inclusive para o funcionalismo público.
No Brasil dá status de segurança ser servidor público. Porque o servidor tem estabilidade e não há o perigo de que se cobre dele ao menos meritocracia. Eficiência, responsabilidade, progresso profissional. Vai daí, os concursos público levam às milhares de empresas públicas brasileiras, Executivo, Legislativo e Judiciário, nossos jovens mais bem formados. Mais talentosos. Mais inteligentes. E que em breve estarão trabalhando apenas a partir das 09 horas, lutando por feriadões, buscando aumentar suas vantagens pessoais e diminuindo a produtividade bem como abandonando a atualização dos conhecimentos profissionais. Isso é um crime contra eles mesmos, mas nem sequer eles o enxergam. Brasileiro quer levar vantagem, como se diz.
Infelizmente o pior não é constatar um fato dessa natureza. O problema maior é não ver a luz no fim do túnel e não encontrar quem lute para acabar com práticas abusivas que lesam a todos, indistintamente, como uma praga endêmica de lavoura.
O pior é notar, e com indisfarçável mal estar, que até mesmo governadores e outros membros do Poder Executivo, às vezes filhos de empresários da iniciativa privada se esquecem de que seus pais, quando atuavam, não decretavam, feriadões. O dinheiro era deles!

27 de agosto de 2010

O gato e quem comeu o rato


Sigilos bancários, sobretudo de pessoas ligadas ao PSDB, adversário histórico do governo Lula, foram violados com o uso da senha de uma servidora da Receita Federal. E o governo tomou uma providência "enérgica": mandou essa mesma Receita Federal investigar o fato.
Mandaram o gato descobrir quem comeu o rato!
Ou nós somos uma democracia no pleno uso desse conceito, ou teremos de admitir que corremos o risco de nos tornarmos uma república sindicalista onde as leis, ou seja, o Estado de Direito, é um mero assessório para ser usado nos momentos em que interessar aos donos do poder. Nos demais, que seja colocado de lado em favor de interesse corporativos.
Todos sabemos que o governo Lula jamais teve um projeto de governo. Teve, tem e terá um projeto de poder. Assim se explica a candidatura Dilma Roussef. Mas o grosso da população não sabe disso. Não tem conhecimento desse fato. E isso sobretudo e principalmente porque milhões temem o prestígio pessoal de Lula. E aí se incluem os meios de Comunicação. Eles têm conhecimento de todos os desmandos, de todos os movimentos de bastidores, da maioria das ilegalidades cometidas nos últimos anos no âmbito do Governo Federal e isso poderia ser explicado didaticamente a todos. Mas eles preferem o silêncio ou a denúncia tênue, esporádica e medrosa do que se passa no Brasil de hoje. Todos os dias a todas as horas.
Dessa forma, uma imensa parcela da população, ignorante e desinformada, continuará sem saber o que se passa em seu país. Nesse Brasil de cerca de 20 milhões de analfabetos e mais cerca de 30 milhões de analfabetos funcionais. Estou falando de qualquer coisa em torno dos 50 milhões de pessoas às quais interessa ao Estado brasileiro que continuem assim. Bem como aos que vivem do Bolsa Família e de benesses diretas e indiretas do poder. Pelo menos até depois das eleições, sejam elas de primeiro, segundo turno ou prorrogação, se for criada.
E até lá o gato vai continuar investigando quem comeu o rato.

25 de agosto de 2010

A comida farta e o "santo sovaco"


Falta pouco - ainda bem - para as eleições. E falta pouco para que os brasileiros escolham quem vai passar os próximos quatro anos como hóspede do Palácio do Planalto. Isso num país onde o povo vota de acordo com o estômago e seguindo imagens de TV que mostram falsos messias induzindo a população a colocar seus representantes no Congresso Nacional.
Às vezes fico pasmo: todo dia na TV um cidadão aparece para dizer a milhões de pessoas que seu suor é milagroso. E milhões de pessoas acreditam nos poderes celestiais daquele "santo sovaco". Pior do que isso: milhares sobem ao palco para prestar depoimentos. Dizer que CC cura até câncer.
E não é tudo. O presidente da República está promulgando um Decreto Lei que, segundo ele, vai permitir a todos os brasileiros comerem com dignidade. Aqui neste país onde vivem 37 milhões de pessoas que vez ou outra dormem na rua, 5,8 milhões de famílias que não possuem lares, 13 milhões de brasileiros que não conhecem banheiros, 30 por cento da população constituída por analfabetos funcionais e a maioria dos jovens com formação média que não encontra trabalho.
Quem é o maior artista de todos: o cidadão do "sovaco mágico" ou o presidente da República?
Um Decreto Lei não vai fazer com que todos tenham alimentação digna. Mas retirar todos os impostos de sobre os itens da cesta básica ajudaria, e muito. Agora, convenhamos, isso é difícil de fazer porque o custo Brasil sobe todos os dias, todas as horas, e sabemos os motivos. A figura que ilustra esse texto, mais acima, mostra bem o tamanho da goela que ele tem.
Que pena, meus amigos. Quem define eleição no nosso Brasil ainda é aquele cidadão que entra na fila do Bolsa Família imaginando-o dádiva divina em vez de demagogia barata. Sem saber que se esse tal "programa de transfertência de renda" tivesse mesmo o intuito de (tentar) acabar com a miséria, seria uma ponte entre o desemprego e a falta de um ofício e o aprendizado desse ofício para o encontro do trabalho desejado. E não um meio de vida por esmola.

13 de agosto de 2010

O fundo do poço e a promiscuidade política


Tramita no Congresso Nacional, na Ilha da Fantasia de Brasília, um projeto de lei que pretende eximir de desconto tudo o que ultrapassar o teto da Previdência Privada para os aposentados do serviço público federal. Ou seja; se essa irresponsabilidade passar, até mesmo aposentados que ganham acima de R$ 25 mil reais mensais, o que excede o teto do serviço público, pagarão a Previdência em apenas R$ 3.418,15, o teto da Previdência Privada.
Chamar tal fato de irresponsabilidade é simples: hoje, da forma como estão, as aposentadorias do serviço público federal custam aos cofres do Governo um deficit anual de cerca de R$ 50 bilhões. Um rombo muito superior ao da Previdência Privada e que crescerá terrivelmente se o tal projeto de lei for aprovado, como vários meios de Comunicação estão denunciando (ilustração abaixo, à direita). E o pior é que isso pode acontecer, numa Belíndia onde os poucos milhares residentes da Bélgica são sustentados pelos muitos milhões sobreviventes da Índia.
Não vou perder aqui meu tempo para explicar como decisões destas já comprometem e vão comprometer ainda mais a capacidade de investimentos do Estado, além de aumentar a injustiça social brasileira. Basta dizer que, paralelamente a isso, também foi para o Congresso um, digamos, "pleito" do Supremo Tribunal Federal, que pretende passar de pouco mais de R$ 24 mil para mais de R$ 30 mil os vencimentos dos ministros daquela corte. O que gerará um aumento em cascata para todo o Judiciário, em todo o Brasil. E criar novo teto do serviço público. Depois a ser pleiteado também por membros do Executivo e do Legislativo. Não obrigatoriamente nessa mesma ordem.
Por que essas coisas acontecem?
Porque no Brasil há dois poderes efetivos: o Executivo e o Judiciário. Gravitando em torno deles vem o Legislativo, que vive de favores, de favorecimentos às vezes ilícitos e que se reúne para defender alguns privilégios, criar outros e explicar todos.
Em Brasília, uma grande parcela dos parlamentares responde a processos. Há casos de quem responda por pedofilia, embora isso seja incrível. Numa situação assim, qual vai ser o deputado federal ou o senador capaz de negar um "pedido" do Judiciário? Todos eles são aprovados sem serem ao menos discutidos. E danem-se as contas públicas!
O "trabalho" do legislativo municipal, em milhares de municípios, é marcado por troca de favores entre os vereadores e as prefeituras. Para obter a aprovação de projetos, prefeitos empregam apaniguados dos parlamentares. Em Vitória, capital capixaba, é chamada de "parceria" a promiscuidade existente entre Legislativo e Executivo. Cada vereador tem direito a "X" cargos comissionados municipais e, em troca disso, o prefeito aprova o que quiser. O que bem entender. Nem sequer custos são discutidos.
No plano estadual, o apoio dos deputados aos governos envolve também e principalmente a obtenção de favores. No Espírito Santo chegou-se a mais do que isso: os deputados decidiram entre eles nomear para cargos comissionados todos aqueles que trabalharem diretamente nas campanhas políticas vitoriosas. Ou seja: cabo eleitoral de deputado capixaba é pago com dinheiro público. Isso aconteceu nas últimas eleições e vai acontecer nessas próximas. Basta esperar e conferir o que estou dizendo.
Finalmente, em Brasília disputa-se ministérios e cargos de segundo e terceiro escalão todos os dias, a todas as horas. O Presidente da República é hoje amigo fiel e fidalgal de pessoas que chamou em desonestas no passado. De ladras. Tenta justificar isso como sendo um dever de Estado em nome da governabilidade (sic!). E nem é preciso tentar esconder a promiscuidade: as negociações (negociatas?) são feitas às claras e as concessões de cargos saem no Diário Oficial da União quase todo santo dia.
Até onde vai isso, não se sabe. Mas um dia o fundo do poço será alcançado. Desse poço por onde escorre diariamente a dignidade nacional. E floresce todo tipo de promiscuidade!

5 de agosto de 2010

"Onde a coruja dorme"


Ver o sol nascer? Muita gente não gosta. Não quer. Não sabem o que estão perdendo, estes. Muita gente não consegue levantar da cama. Ora, basta um empurrãozinho. Bem de leve. Faço isso - pular cedo da cama - pelo menos quatro vezes por semana, sem levar empurrão algum. Um amigo um dia me chamou de "pássaro madrugador". Aceito o apelido. De bom grado.
E, caminhando na praia, encontrei um igual. Em Vitória, capital do Espírito Santo, a melhor praia é a de Camburi. Corta a zona norte da cidade, mostra parte de Vila Velha e o complexo siderúrgico de Tubarão (na foto, é ele que está ao fundo). É bonito andar ao longo do calçadão curtindo a paisagem e vendo o sol ir brotando sonolento pelos lados de Leste, aos poucos ganhando força, jogando luz sobre a noite, tornando-a lusco-fusco e virando dia. Nenhuma guerra impede isso. Cura qualquer mal humor!
Nesse final de madrugada de 05 de agosto de 2010, sai "armado". Nos ombros a máquina fotográfica. Amadora, é claro. E num trecho da praia, onde praticamente ela não falta, estava lá a coruja buraqueira, minha companheira madrugadora, em pé exatamente na junção entre uma das traves verticais e a trave horizontal de um dos gols de um dos campinhos de futebol de areia.
Na gíria, no linguajar da crônica esportiva futebolística, costuma-se dizer que quando uma bola entra justamente num ângulo desses, ela entra "onde a coruja dorme".
Fui conferir. Sem flash para não assustar o bicho, sem recurso algum que não fosse a lente, cheguei bem próximo da trave e, na hora em que ia apertar o obturador da máquina, dois olhos imensos me focaram. Mas ela não ligou. Posou para a foto candidamente, deu-me as costas e ficou olhando a paisagem, curtindo o nascer do sol lindo de fim de inverno. Pelo menos essa coruja não dorme onde a bola entra no gol nos lances mais bonitos.
Quem disse que o nascer do sol é só dos humanos? Nem só estes acordam cedo!
Em tempo: basta dar um clique de mouse para ver a foto grande. Com um segundo clique ela fica imensa. Acho que vale a pena ver.

3 de agosto de 2010

Os ladrões de águas


Não se assuste, caro leitor, com a foto ao lado: veja televisão, ouça rádio e leia jornais brasileiros e você concluirá o mesmo que eu: trata-se de um perigoso terrorista palestino de cinco anos de idade morto - e poderia ser de outro modo? - pelo zelo e justiça das forças armadas de Israel.
É isso mesmo: nos meios de Comunicação ocidentais, um palestino lançando paus, pedras ou foguetes de fundo de quintal contra tropas ou civis de Israel é um terrorista. Já uma das maiores forças armadas do mundo, quando ataca civis e mata crianças, está se defendendo. É o "direito de defesa". O do estilingue contra o tanque. O do míssil balístico contra a catapulta.
Se você viu televisão por esses dias e acompanhou as imagens do menino palestino que lutava contra soldados de Israel para impedir que seu pai, um pobre que tentava regar algumas plantas nas áridas terras onde vive, fosse preso por tropas israelenses e levado a uma prisão. Bondosas tropas, pois não jogaram uma bomba sobre aquele terrorista júnior.
O homem foi preso porque "roubava água" de um assentamento israelense. Ou seja, para que os cidadãos de Israel bebam, é preciso que as plantas morram. E morram também os palestino. Assim, os terroristas juniores não viverão para se tornar terroristas adultos. Ficarão pelo meio do caminho como o outro garoto, na foto do outro lado, logo abaixo, morto e carregado pelo pai palestino.
Quem é dono da água? De um bem que jorra do chão para todos aqueles que dele precisam e podem fazer uso? Em um país como o Brasil, tão desigual, a água que nasce no campo atravessa as fazendas e é igualmente usada - na maioria dos lugares - por todos aqueles que vivem ao longo de seu caminho. Não há dono da água. Ela é de todos.
Um dia desses, um velho caçador de nazistas dava entrevista à GloboNews e dizia que Israel é criticado por aqueles que não respeitam os direitos humanos. E porque ele é, no Oriente Média, o país que mais faz isso. Pior do que ouvir, foi notar que, aparentemente, o homem não estava alcoolizado. Falava lúcido. Horrorosamente são.
Ele, provavelmente, havia se esquecido de 1982. Na ocasião, os israelenses invadiram o Líbano. Tomaram militarmente o país para "manter a paz". Um belo dia, vendo que cristãos libaneses iriam atacar dois acampamentos de refugiados palestinos, retiraram-se. Durante algum tempo, uma caçada a civis desarmados acabou com mais de mil homens, mulheres, muitos deles mulheres e crianças, mortos em Sabra e Chatilla. Foi o "holocausto" palestino patrocinado por Israel. Uma lição aprendida entre 1939 e 1945 e que a extrema direita israelense, sempre no poder, usa sempre que pode, sionista que é, para reprimir e massacrar os "inferiores". Esse grupo de fanáticos, sempre ávido para acusar alguém ou milhões de pessoas de anti-semitas, distila o ódio e distribui a violência por onde passa!
Mahamoud Ahmadinejad, líder do teocrático Irã, amigo do presidente Lula, tem um pouco do louco e do lúcido que habita aquelas terras onde nasceu a humanidade. Tanto do louco que nega o óbvio, os massacres nazistas da II Guerra Mundial, quanto do lúcido que á saciado todos os dias de sua fome e, principalmente, sede. Porque todas as vezes que Israel, dono de cerca de 300 bombas atômicas, prende um homem que "roubava água", Admadinejad toma da fonte da intolerância, do racismo, o líquido que usa para convencer aqueles que o acham no direito de ter ao menos uma bomba.
Por mais perigoso que isso seja!

29 de julho de 2010

Um bom negócio



Segundo números oficiais, a cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, tem agora, no final de julho de 2010, nada menos que 1.512 semáforos para trânsito urbano. Nada mal para uma cidade apenas de porte médio e que faz parte de uma região metropolitana de grande porte. Agora, o município da Serra - parte dessa região metropolitana - vai instalar mais 70 equipamentos em sua área interna. E esse número vem crescendo também em outros municípios limítrofes à capital capixaba, como são os casos de Vila Velha, Cariacica, Viana e Guarapari, o que fecha a área da chamada de metrópole.
Sempre que vejo isso, reservo-me o direito de perguntar: entupir a cidade de semáforos é um bom negócio? E uso essa pergunta com sentido claro: bom negócio em termos de dinheiro?
Não sei o que ocorre na cidade dos leitores, mas é possivelmente um bom negócio também reformar praças e outros equipamentos públicos do gênero. As prefeituras fazem isso sempre que querem ou podem. Não param de fazer. E as praças e outros espaços públicos de descanso e lazer são sempre construídos com materiais capazes de sobreviver a no máximo uma administração. Quatro míseros aninhos. E por conveniência.
Isso também acontece com obras privadas. É muito difícil fazer com que as prefeituras, em muitos casos, façam com que sejam compridas as regras de códigos de obras, ambientais e outros. Agora mesmo, na cidade de Vitória, um empresário do ramo de bares e restaurantes está montando um estabelecimento num dos bairros residenciais da cidade. Totalmente irregular. Mas a PMV alega que o empreendimento do cidadão vai dar segurança 24 horas aos moradores do entorno. Mas isso não seria uma função do Estado?
Alguém sabe me dizer que motivos lícitos existem por trás de decisões - ou omissões - tão claras e tão distantes das normas que as prefeituras deveriam fazer cumprir, mesmo sob pressão? Porque a perspectiva dos ilícitos, essa tenho em mente.
Todos os especialistas ouvidos por jornais, rádios e TVs são unânimes em dizer que a Grande Vitória, essa tal região metropolitana da qual já falei, tem semáforos em demasia, alguns dos quais caros e até mesmo com emissão de luzes a LED. Sobretudo e principalmente a cidade de Vitória. Mas as prefeituras, em época de eleições importantes, continuam colocando mais e mais equipamentos em locais às vezes menos de 50 metros distantes um do outro. A ponto de fazer com que as pessoas passem por cinco ou seis deles em um quilômetro, como mostram as duas fotos do artigo, ambas da capital do Espírito Santo.
Deve ser mesmo um bom negócio!

27 de julho de 2010

A segurança particular e seus motivos


Dois assuntos que estão sendo muito comentados ultimamente se fundem na realidade do Brasil de hoje: primeiro, a morte do filho mais novo da atriz Cissa Guimarães, atropelado no Rio de Janeiro. Depois, a constatação através de números, de que as empresas de vigilância privada já possuem contingente que excede em número as polícias civil e militar brasileiras somadas.
O que significa isso?
Isso mostra um Estado ausente, omisso, incapaz, campeão mundial de arrecadação de impostos e ao mesmo tempo incompetente até a raiz. E isso para dizer o mínimo.
O túnel onde o Rafael, filho de Cissa, foi morto, estava fechado para reparos mas ninguém o reparava. O rapaz entrou lá junto a amigos para andar de skate - o que é errado - ao mesmo tempo em que outros rapazes aparentemente faziam um racha de automóvel. A Polícia Militar apareceu depois. Para pedir propina, ameaçar e tentar maquiar o local do acidente.
Esse é o motivo também por trás dos gastos brasileiros com segurança particular. Como o Estado nunca está presente, cabe ao cidadão pagar pela segurança própria, de seus filhos e suas residências. Isso depois de ele já pagar por educação, saúde e outros itens, muitos deles garantidos na Constituição como sendo direitos inalienáveis de todos nós.
Eis o Brasil. O país de um presidente gaiato, falastrão, que geralmente só abre a boca para falar bobagens e que aumenta impostos a cada dia, a cada mês, a cada ano enquanto os brasileiros gastam cada vez mais a cada dia, a cada mês, a cada ano, até para se manterem vivos.
E isso quando conseguem.

19 de julho de 2010

Corrupção e material de construção


Ontem - 18/07/2010 - houve uma eleição no pequeno município de Apiacá, sul do Espírito Santo. Um prefeito foi cassado e houve novo pleito. Tudo correu às mil maravilhas segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Espírito Santo, desembargador Pedro Vals Feu Rosa. Ele vem comandando uma campanha no Estado que tem por objetivo que haja eleições limpas no final do ano, sobretudo com a erradicação da compra de votos.
Na véspera, esteve no 2º Simpósio de Inverno da Sociedade Capixaba de Oftalmologia, na paradisíaca Pedra Azul, para que houvesse mais uma assinatura do protocolo de intenções do Programa de Ética e Transparência Eleitoral (Prete), uma espécie de carta-compromisso pela lisura da atividade política - que já foi assinada por mais de 400 entidades civis do Espírito Santo -. Em seu breve pronunciamento quando dessa ocasião, disse publicamente algo que, só por esse motivo, reproduzo aqui:
Numa das andanças dele pelo interior, descobriu que num determinado município de parca expressão e população, cerca de R$ 1,5 milhão havia sido distribuído por um político a moradores locais. A justificativa foi de que não se tratava de suborno nem oferta de dinheiro por parte de político, mas que os munícipes haviam decidido reformar suas casas. Isso corresponde a dizer que, em um mesmo dia e hora, toda a população da cidade havia resolvido, conjuntamente, refazer suas moradias. Com "dinheiro próprio" e acabando com o estoque de material de construção do município. Não teria sobrado um prego sequer. A Polícia, claro, foi colocada a par da questão e está cuidando dela.
Nós temos, mesmo, que dar cabo à corrupção política no Brasil. Ela vem descendo desde Brasília, onde é uma instituição "venerável" e venerada, passa pelos Estados, ocupa os três poderes da República, e acaba com o material de construção de pequenos municípios brasileiros. Como esse do Espírito Santo, onde ela foi detectada pelo presidente do TRE.
Isso é uma praga. E pragas devem ser erradicadas. Ou com a ajuda da Polícia, como está acontecendo na região do R$ 1,5 milhão distribuídos para a compra de voto, ou com o gesto dessa imagem que encerra o texto: o cidadão dizendo "NÃO" à compra de votos.

7 de julho de 2010

Pobres "Marias Chuteiras". Pobre futebol!

Faz não muito tempo, estive no sepultamento de um ex-jogador de futebol na Grande Vitória. Lá, revi ex-jogadores, amigos do morto e meus, que não via lá se vão muitos anos. Todos já com os cabelos grisalhos, muitos deles avôs, estavam novamente unidos em torno das despedidas a um velho companheiro. Homens que foram desportistas, sonharam com a riqueza e a glória, mas conseguiram apenas carreiras comuns depois de passada a época de futebol. Nenhum era ou é desonesto, até onde se saiba. São todas pessoas dignas.
Sou jornalista, convivi com jogadores, treinadores e dirigentes, durante três décadas. Amei e amo o futebol. Erra quem pensa que esse é um meio sujo ou mais sujo que qualquer outro. É um ambiente de sonhos, de vida profissional breve, mas habitado por uma imensa maioria de pessoas honestas. Sincera e verdadeiramente.
Causa horror imaginar a situação que vivemos hoje. A moça cuja foto ilustra este texto era uma das chamadas "Maria Chuteira". Moças que se envolvem com atletas poucos sérios, metem-se em orgias e engravidam desses homens porque eles têm dinheiro. Eliza Samudio foi provavelmente morta em circunstâncias de extrema crueldade, quem sabe - há grandes suspeitas quanto a isso - por iniciativa, ordem ou orientação de um ídolo do Flamengo. Ou com a ajuda dele: Bruno não passaria de um criminoso nesse caso. Os dados que vão sendo conhecidos aos poucos deixam isso muito claro. E claro também fica que em todas as profissões humanas pode haver criminosos ou crimes. Não apenas no futebol, claro, atividade como qualquer outra.
Tenho pena de "Marias Chuteiras". E de jogador que vive de orgia em orgia, até mesmo porque essa não é a vida de desportistas ou que desportistas devam levar. O episódio de Eliza Samudio deveria nos fazer pensar. E rever valores. Definitivamente, clubes de futebol são entidades que formam ídolos, atletas em cujas biografias crianças se espelham, e é lamentável, é inconcebível que alguns deles abriguem sob contrato indivíduos capazes de cometer crimes covardes ou que se deixam fotografar, armados, ao lado de bandidos perigosos. Isso precisa ser revisto.
Meu texto não é uma crítica ao Flamengo. É um pedido geral de revisão de valores.

Apoio é imprescindível

Em grande parte dos casos, jogadores de futebol são oriundos da base da pirâmide social. Eles começam suas vidas em favelas ou periferias. Quando têm talento, é comum darem um salto social imenso em muito pouco tempo. É é terrível, pois poucos têm conhecimentos ou estrutura emocional para assimilar coisa do gênero. E os clubes, sobretudo os grandes, que detêm os contratos desses jogadores, não possuem departamentos para dar-lhes acompanhamento social, psicológico, econômico. Nada. Basta que joguem e pronto.
Mas essa realidade precisaria mudar. Ao longo dos tempos, muitos craques promissores jogaram as carreiras fora por falta de orientação, pela ausência de mão amiga. Porque não tiveram aconselhamento. Eles nasceram nas favelas, cresceram nas favelas, ficaram ricos, famosos, mas o futebol acabou e alguns voltaram aos locais de origem.
Vamos mudar a realidade atual. Deveria haver, e também por parte de ex-jogadores que ficaram famosos e hoje têm vidas estáveis, continuando vinculados ao futebol, um cuidado maior para com jovens como Neimar do Santos, por exemplo - o moço dessa foto -, que não parece ir pelo melhor caminho. Isso seria uma forma de eles serem protegidos e de também serem protegidas as instituições, que se ferem com episódios graves. O caso Bruno poderia jamais ter acontecido.
Sabemos que esse acontecimento, sobretudo pela violência, talvez seja único. Mas o consumo de drogas e o uso de doping infelizmente não são raros no futebol. E, nesse caso, atingem também e em larga escala os jogadores que não obtiveram sucesso ou estão no final da carreira, sem mais perspectivas para o futuro. Aqueles que não sentem mais os tradicionais tapinhas nas costas, tão comuns enquanto jogavam e eram paparicados.
Vamos pensar bem nisso?
Que pensem sobre isso Júnior, hoje comentarista de TV; Zico, agora dirigente, e muitos outros como Casagrande, Falcão e outros. Eles têm potencial para ajudar. Amar o futebol é proteger seus ídolos. Eles são de vidro. Quando quebram, seus cacos atingem a juventude e as crianças que têm neles um espelho para a vida futura.

2 de julho de 2010

Chega de "Era Dunga"


Em nome de tudo, rigorosamente tudo o que existe de mais sagrado no mundo, a "Era Dunga" tem que acabar. Nosso futebol não merece isso.
Durante três anos e meio esse cidadão treinou a Seleção Brasileira. E Seleção não é lugar para ninguém iniciar carreira de treinador. Fez um time à sua imagem e convicções. Uma equipe apenas forte, mas defensiva. Que jogava no erro do adversário e na possibilidade de não errar, como se isso fosse possível. Vencemos a Copa das Confederações porque as principais seleções investiram pouco nela. Vencemos a Copa América porque a Argentina vinha muito mal. E as Eliminatórias pelo mesmo motivo. Poucas pessoas se atreviam a ver que o time do treinador era dirigido despótica e incompetentemente por um grosseirão ignorante. E ainda obrigado a atuar como não gostava e não acreditava. À força, sob pressão, à custa do medo.
Ninguém vence dessa forma. Não eternamente. Um dia perde e às vezes o destino faz com que a derrota surja justamente no momento em que não deve surgir. E isso machuca a todos nós. Agora que o Brasil está fora da Copa do Mundo, tudo o que aconteceu ao longo desses três anos e meio vai surgir. E vai nos colocar diante de um quadro que se assemelha à época da ditadura militar no Brasil, que vivi e considerava sepultada.
Também é preciso acabar com a era Ricardo Teixeira. Precisamos substituir os viciados - para dizer o mínimo - dirigentes do futebol brasileiro por outros, por gente nova, comprometida com o futuro e distante da falta de seriedade que marca boa parte do futebol mundial.
Chega: vamos, definitivamente, dar adeus à Era Dunga. À época em que esse moço da foto foi uma espécie de rei sem trono, de gênio sem talento, líder sem liderança, entendido que não entende, no futebol do Brasil.
Uma fraude, enfim!