27 de março de 2016

Quem realmente destrói a democracia

Conversei muito com um amigo ontem, sábado. Ele é funcionário concursado da Petrobras e está, da mesma forma que milhares de outros empregados da estatal, preocupado. Aqui no Espírito Santo as demissões estão acontecendo, inclusive entre os concursados. Setores estão sendo ou vão ser fechados e muita gente terá de aceitar transferências - para Macaé, por exemplo - para fugir ao cepo. "Destruíram a credibilidade da minha empresa - disse ele -. Ninguém mais negocia com a Petrobras. Ninguém mais acredita em que a gente consiga se recuperar. A não ser, claro, com dinheiro do governo. E isso significa dizer com dinheiro do contribuinte brasileiro. Como eu e você".

Eis aí um ataque à democracia. Perpetrado desde 2003 pelos governantes que chegaram ao poder como representantes do PT e promoveram nesse País o mais assalto da história. O butim foi tão grande que uma única Lava Jato não será capaz de mensura-lo com exatidão.
Sigo pelas redes sociais as manifestações daqueles que ainda defendem o governo. Em momento algum tocam na casca da ferida. Apenas divulgam que Aécio Neves foi acusado disso ou daquilo, que Míriam Dutra acusa FHC de ter pago pensão de alimentos com dinheiro de procedência duvidosa. Tenho saudades, como muitos, dos "escândalos" passados. De presidente ao lado de mulher sem calcinha em camarote de desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro. Eram coisas de seminaristas rebeldes diante do que acontece agora num Brasil tomados pelas prostitutas do poder.
Há, sim, base legal para o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a pior da história brasileira. As chamadas "pedaladas fiscais" foram criminosas e envolveram instituições financeiras públicas. Também há casos comprovados de obstrução da Justiça. E ainda nem se falou do que já há mais do que indícios acumulados, da entrada de dinheiro sujo na campanha presidencial de 2014. Os mantras dos defensores da Rousseff, "não vai ter golpe" e "não passarão" têm apelos paupérrimos. No caso do primeiro, se houver impeachment dentro da lei isso não será golpe. E traçar algum paralelo entre o Brasil de hoje e episódios da Guerra Civil Espanhola é caso de camisa de força.
Os que defendem o roubo, o escárnio e a destruição da economia brasileira, tentando jogar pás de cal sobre o monte de estrume já revelado, esses sim atentam contra a democracia. Além de não reconhecerem que o atual governo patrocinou e patrocina o maior assalto aos bens públicos da história brasileira, ainda tentam abafar os escândalos evocando fatos passados e acusações contra alguns dos que lutam contra o governo. Por que o PT chama Eduardo Cunha de criminoso? Porque ele está do lado de lá. Se estivesse de braços dados com Dilma e Lula seria um anjo injustiçado.
Senhores apoiadores do PT e dos governos que se sucederam desde 2003, os senhores destruíram a Petrobras. Não será necessário mais nada para que esse País amaldiçoe o dia em que vocês se elegeram, tomaram o poder e consideraram o Brasil como um feudo de seus interesses mesquinhos.      

22 de março de 2016

Das fantasias restam as máscaras.


No carnaval as pessoas se vestem com fantasias. Homens podem usar roupas de mulheres, de Superman, etc. E as mulheres também. Nos desfiles de escola de samba, então, o céu é o limite. No caso dos militantes do PT, o carnaval começa em 1º de janeiro e termina em 31 de dezembro. Todos fantasiados, eles passam o ano inteiro travestidos do que não são. Agora a moda é usar a roupa de "defensor do estado democrático de direito". A maioria não sabe o que é isso. Mas não importa.
O agravamento da crise institucional brasileira fez com que cada um deles, juntamente com militantes do PCdoB, CUT e outras organizações, passassem a bradar de manhã, à tarde e à noite o mantra escolhido para esses tempos: "Não vai ter golpe!". Claro que não. O impeachment é previsto na Constituição e só possível seguidos todos os ritos legais. O que está sendo feito. Mas como "estado democrático de direito", essa coisa desconhecida, pode ser interpretada a bel prazer, a palavra "golpe", que significa uma ruptura da normalidade constitucional pela força, se torna também uma palavra fantasiosa na boca de cada um deles e do agrado dos que ainda detêm o poder.
A situação conseguiu inflamar até o presidente boliviano Evo Morales, que ameaçou ir à Unasul denunciar o "golpe" no Brasil. E invadir nosso País. Não sei se ele bebe tanto quanto Lula, mas que deve beber um bocado, deve. E eu ainda pensava que Morales fosse um índio bom...
Lula, no desespero, perdeu o rumo. Agora ele cultiva a mentira como uma planta preciosa. Brada contra as instituições como se todas as leis pudessem e tivessem de ser mudadas para salvar o seu pescoço e os dos que estão no seu entorno. Urra que nunca houve roubos no país da alma viva mais honesta que existe. Xinga, é jocoso, faz ameaças, tenta confrontar os poderes da República e age como agia um determinado personagem da história que infelicitou a Alemanha. A receita é a mesma. Ele deve ter se inspirado nesse torpe indivíduo. Afinal, politicamente não é nada.
O governo brasileiro vive hoje sua fase de esperneio. De busca por um escaler. À medida em que o castelo de cartas desmorona, mas ele grita, mais urra. Mais acusa, ataca, ameaça.
Já faz um bom tempo que a senhora Dilma Rousseff não tem condições de governar o Brasil. Agora, depois dos últimos episódios, nem éticas ou morais. Lula, após de ser um dos políticos de maior prestígio da história brasileira, vai acabar como um pobre diabo desonesto. Provavelmente condenado. Não poderá reclamar; foi ele quem escolheu seu caminho. Da fantasia original do Chefe de Estado resta a máscara. E ela aos poucos desaba junto à de Dilma et caterva.
São escolhas, fazer o quê?      

15 de março de 2016

Chega. Ministério não é coito de bandido!

Quem viveu até ingressar no que tecnicamente se chama de terceira idade, já viu de quase tudo no Brasil, Mas ministério servir de coito de bandido é inédito! Nunca imaginei que a degradação ética e moral de nossa política, em todos os níveis, fosse chegar a esse rés do chão de fronteira com o vaso sanitário. Se nada for feito o nosso País, coitado, estará acabado.
Conversei hoje durante meia hora com uma pessoa conhecida que chegava de giro pelos Estados Unidos e alguns países da Europa. Notícias do Brasil no exterior, de uns tempos para cá, somente sobre escândalos. Os norte-americanos e europeus não conseguem entender como um País se atolada tanto no lodaçal da corrupção e do comportamento hipócrita, amoral, irresponsável.
O ex-presidente Lula faz exigências para assumir um ministério. Quer a mudança radical da política econômica do Brasil falido para torna-lo de todo inviável. O PT não consegue enxergar a necessidade de mudanças estruturais que devem passar, obrigatoriamente, por um freio nas tais "políticas sociais" que na verdade sempre foram, são e serão, se nada for feito, um enorme sistema de captação de apoio popular via sobretudo e principalmente o Bolsa Família. E pouca gente tem coragem cívica de dizer que esse programa pode até ter pendor para a inclusão social, mas existe apenas e tão somente para tirar votos dos pobres por intermédio de mentiras e demagogia.
A Operação Lava Jato já conta com toneladas de provas de corrupção contra os governos que se sucedem no poder desde 2003. Agora vem a delação premiada do senador Delcídio do Amaral, um político da alta cúpula do poder desmascarado quando tentava dar fuga a um preso acusado de ter roubado milhões de reais (ou dólares) da Petrobras.
O ex-presidente que se pretende proteger escondia em cofres do Banco do Brasil e em outros lugares uma enormidade de presentes riquíssimos ganhos durante seus governos - que pela lei pertencem à União - e, pasmem, peças que faziam parte dos acervos dos palácios do Planalto, Alvorada e Granja do Torto. Não há limites para esse homem e seus familiares.
É triste, é muito triste ver no que o Brasil está se transformando. Ainda mais porque ainda existe uma parcela da população, felizmente minoritária, que apoia esse ex-presidente e seus asseclas.
A esperança é que o Brasil que pensa tenha visto com atenção as manifestações do último domingo. E que sobretudo o Judiciário entenda que basta, que chega de tanta patifaria. Ou então esse governo defunto só vai acabar depois de matar nosso País também.

10 de março de 2016

O ovo da jararaca

Promiscuidade.
Eis o termo correto para classificar como se processam as relações entre os poderes Executivo e Legislativo desde talvez os tempos de Império. E também porque Luís Inácio Lula da Silva foi o único dentre todos os presidentes brasileiros a elevar essa falta de pudor, de ética, de moral e honestidade em política de governo e de Estado. Ele, muito mais do que todos os demais, não separa em nada o público do privado. Ao contrário, faz do público um privado seu, particular.
Em 2010 mesmo várias emissoras de TV, jornais e internet mostraram o desfilar de veículos de mudança tirando dos palácios do Planalto, Alvorada e da Granja do Torno a mudança da família Lula da Silva. Na época cheguei a me perguntar se aquela mudança não envolveria itens inúmeros que não pertenceriam à família do ex-presidente, mesmo se a gente se lembrar que ele foi sempre muito presenteado enquanto esteve no poder e usou sua aura de quase santidade.
Escrevi algumas cartas de sugestão de pauta para grandes meios de Comunicação dizendo que aquilo deveria ser investigado, mas fui solenemente ignorado. Quem teria coragem para atacar Lula com 87 por cento de aprovação popular ao fim do segundo mandato? A mudança saiu...e sumiu.
No Brasil os agentes públicos sempre tiveram vocação para se apropriar ou aproveitar de bens públicos. Grandes empresas dependiam e dependem de verbas públicas. Como as de Comunicação, por exemplo. O império da Globo foi construído à custa do apoio incondicional à ditadura militar. A Rede Gazeta saiu de um jornaleco para se tornar o que é da mesma forma. E ainda hoje empresas de Comunicação usam de pressão para obter publicidade oficial. Em troca de alguns silêncios.
Quando Lula assumiu a presidência ele já conhecia todo o jogo. O esquema. Havia estado no Congresso. Havia se relacionado com políticos e empresários de diversos tipos. Havia testemunhado acordos espúrios os mais variados em diversas ocasiões. Já no Palácio do Planalto, resolveu que não apenas o PT tinha um programa de poder (e não de governo) como também que todos os frutos diretos ou indiretos de sua administração seriam dele. Seriam "privatizados".
Por isso vieram o mensalão e o petrolão que são no fundo a mesma coisa. Lula não teve escrúpulos para mandar comprar, no Congresso, todos aqueles que poderiam ser cooptados por dinheiro para concretizar a política de poder do PT. O Congresso, é claro, fez o mesmo em sentido inverso.
E como era necessário perpetuar os governos petistas, tudo o que podia ser controlado na esfera pública o foi. Daí as mais de 150 mil nomeações que começaram em 2003 e crescem até hoje, o que torna impossível sanear as contas públicas. Ao menos impossível a esse governo.
O que vai acontecer daqui para a frente? Difícil imaginar. Mas Lula continuará a ser o mesmo. Quando ele ocupou a presidência, o ovo da serpente já estava pronto para eclodir. Ocupou-se dele. Portanto, se intitular jararaca não é surpresa. É isso mesmo o que ele julga ser.            

8 de março de 2016

A IURL e meu pecado mortal

A Polícia Federal no Instituto Lula. Coisa de fascistas segundo o PT 
- Presidente, não deixe os feridos pelo caminho!
Esse conselho foi dado ao presidente Lula e à presidente Dilma Rousseff pelo então líder do PT no Senado, Delcídio do Amaral. Ele sabia o que estava falando. Já começavam a espoucar denúncias contra os dois governos e várias pessoas a eles ligadas poderiam vir a ser presas. Lula e Dilma ouviram e nada fizeram. Delcídio é hoje o ferido deixado pelo caminho que pode derrubar o governo. O que ele sabe de Lula e Dilma, em sua totalidade, equivale ao poder de uma bomba atômica.
A Igreja Universal do Reino de Lula (IURL), essa seita que chamei de PT no parágrafo anterior, havia transformado o Brasil numa imensa negociata e da qual participavam os poderes Executivo e Legislativo com tanta sofreguidão que o butim poderia ser equiparado a uma bacanal com dinheiro público. Quase as empresas de vestuário tiveram que lançar a cueca porta-cédulas.
Aos dois poderes, no entanto, parecia que o Brasil continuaria sendo como antes: uma ilha da fantasia onde, em Brasília, viviam aqueles que jamais seriam atingidos diretamente por processos de roubo de dinheiro público, estelionato, formação de quadrilha e outros mais. A Penitenciária da Papuda estava lotada, sim, mas de batedores de carteira e ladrões de galinhas.
O que Delcídio queria dizer exatamente com "não deixar os feridos pelo caminho" quando recomendou isso aos dois ex-presidentes? Queria sugerir operações urgentes de salvamento tipo aquela que ele mesmo tentou montar para o caolho Nestor Cerveró? Ou então, calmamente, tinha dito que o melhor seria calar os que poderiam falar demais, como pode ter sido feito com o prefeito Celso Daniel? Afinal, o filho de Cerveró já se mudou para a Espanha.
Nós estamos vivendo tempos rudes. Tempos bicudos. E a Igreja Universal do Reino de Lula (IURL ou PT, como queiram) conta com o fato de que seus fieis ouvem apenas as versões do líder e não acreditam em mais nada. Tentem convencer um petista de que houve no Brasil o maior assalto de nossa história. Você será chamado de "golpista" e "fascista". Fui chamado desses dois nomes hoje mesmo por causa do comentário postado nesse blog há 48 horas. Logo eu, um velho militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e que emprestou seus melhores esforços na luta que travamos (quase) todos para derrubar a ditadura militar que amordaçou o Brasil por 21 anos.
Aos olhos  dos militantes da seita, meu único pecado, o de ter ódio de ladrões de dinheiro público e de traidores de suas causas, é pecado mortal. Quem sabe, literalmente.      

6 de março de 2016

Igreja Universal do Reino de Lula

A Igreja Universal do Reino de Lula (IURL), nome pelo qual vai ser chamado o partido político falecido e que atendia pelo nome de PT, é uma seita da verdade absoluta. A alma viva mais honesta desse mundo quer que todos os seus seguidores da seita político/teológica acreditem que o "governo do povo" está sendo alvo de uma campanha sórdida da direita fascista e cheia de ódio.
E avisa (foto): a jararaca não foi atingida na cabeça e, portanto, continua muito viva. O impacto foi no rabo e só não se sabe ainda - pois não foi dito - se não ardeu, ardeu pouco ou ardeu muito.
Que o PT ao longo dos últimos anos tenha se tornado uma seita na qual os militantes devem acreditar em tudo - sem exceção - o que seu mestre mandar, não resta dúvida. Ontem mesmo, durante o Sabalogos, reunião semanal realizada aos sábado e onde se discute literatura e outros assuntos em Vitória, falávamos sobre isso. Como podem essas pessoas acreditarem que a Operação Lava Jato é um artifício político contra o PT e que todos os presos até agora são divinas figuras seguidoras de seu líder supremo e inconteste? Algumas dessas pessoas são professores(as) doutores(as) de Universidade Federal. Não se trata de carentes intelectuais. Ficaram loucos? Cegos, surdos e mudos? Não conseguem sequer ver as toneladas de provas existentes nos processos?
Será possível ninguém entender que um ex-presidente República, alvo de tantas acusações não pode reagir tresloucadamente e mandar enfiar os processos a que responde no r... da Justiça em um telefonema para a presidente da República levado ao ar pela TV? Mesmo tendo sido esta presidente um poste criado por ele para perpetuar seu grupo no poder indefinidamente?
Estamos, gente, diante da maior crise política da história do Brasil. Talvez maior do que a que levou ao suicídio de Getúlio Vargas. É uma crise de corrupção, de falta de moral, de falta de ética, de falta de pudor, de falta de vergonha na cara, de falta de respeito ao povo brasileiro. E o mundo todo nos vê como um País de insanos. Quem vai mais aplicar dinheiro aqui? Investir nessa pocilga?
Nós que amamos o Brasil, nosso torrão Natal, precisamos exigir que isso tenha um fim. E que termine por meios legais, por decisão da Justiça ou do Congresso Nacional e não, como pedem alguns, através da quebra da normalidade democrática e do estupro da Constituição do Brasil.
É preciso entender que a nós cabe defender esse País amado por nós, tão rico e tão bonito. Os estupradores da honra nacional são aqueles que estão hoje no poder.    

16 de fevereiro de 2016

O governo da mosquita

O governo brasileiro havia prometido para 12 desse mês o anúncio do ajuste fiscal necessário ao equilíbrio das contas públicas. Mas transferiu para março. Por que o governo fez isso? Simples: nós não possuímos mais a estrutura de poder necessária a todo Estado e que leva esse nome. Temos apenas um arremedo de governo e que todos os dias sente muito, muito medo.
Ajuste fiscal ou ajuste das contas públicas, como a gente preferir, significa cortar gastos. Muitos gastos no mastodôntico Estado brasileiro. Mas como fazer isso? Se a presidente mandar demitir os mais de 100 mil burocratas contratados pelo governo a partir de 2003 para dar emprego a petistas e seus apaniguados, ganha o ódio do partido que teoricamente a apoia. Se demitir ao mesmo tempo os indicados por todos os políticos que gravitam em torno dela à cata de favores em troca de apoiar isso ou aquilo, perde o que ainda lhe resta de apoio no Parlamento. Ora, ela está sofrendo um processo de impeachment e o preço de cada voto é alto. Não podemos nos esquecer que salvo exceções o Legislativo do Brasil é um poder à venda. E seu preço se inflaciona com as crises.
Dilma pode até mesmo acreditar na existência de mosquitas e não de mosquitos fêmeas, mas sabe que o Brasil mergulha politicamente num poço muito mais profundo do que o cavado pelos insetos transmissores de doenças e que habitam entre nós faz anos, graças à incompetência e irresponsabilidade dos governantes. Incluindo ela e seu antecessor.
Dilma hoje se pendura em Lula da mesma forma que ele nela. Dois pacientes terminais de um governo em coma profundo, eles precisam preservar os amigos que ainda não foram presos. Não para conseguir novos sítios ou apartamentos triplex, mas sim para sobreviver. Hoje, acreditar que o dia de amanhã pode não ser pior do que o de hoje já é um consolo. Dos grandes. Mas eles acreditam sem segurança alguma pois seus pés afundam a cada momento mais nas areias movediças de Brasília.
Por isso a insistência com a CPMF. Sem transferir a responsabilidade pelo ajuste fiscal para o povo já cansado de tantos impostos e desse governo corrupto, como obter um saldo de 0,5% do PIB para fingir que o Estado está sendo reformado e se tornando eficiente?
O Estado, se compreendido como representado por esse governo, repito, está quase morto. Resta pouco para fechar os olhos, o coração deixar de bater e ser declarada a sua morte encefálica. Ora, um governo que não mata nem mosquitos, que vive manietado, serve para que finalidade? Talvez apenas para que saibamos haver uma mosquita dando expediente (ainda) no Palácio do Planalto.  
   

2 de fevereiro de 2016

Os microcéfalos

Os microcéfalos de Brasília encontraram mais quatro modos de onerar a vida já insuportável do povo brasileiro: sobem os impostos sobre sorvete, chocolate, ração e fumo. De tudo isso seria justificável o último. Afinal, fumar faz mal à saúde. No mais, estamos diante de mais um assalto ao bolso do cidadão que não roubou dinheiro público, não deu pedaladas fiscais e não inflou a máquina pública em acordos espúrios para nos deixar onde estamos hoje.
O gigantesco Estado não serve ao País. Serve a interesses pequenos, corporativos, desonestos, não apenas de dar espaço a filiados, apaniguados, mas também à manutenção a qualquer custo do mandato da presidente Dilma Rousseff. Ela será capaz de tudo. Rigorosamente tudo, como já fez em 2014 para vencer as eleições destruindo a economia e maquiando contas públicas, para se manter no poder. Mesmo sem contar hoje com o mais importante: poder.
Sabe-se, e até os pisos do Palácio do Planalto gritam isso, que é preciso cortas cargos comissionados ao osso. É necessário reduzir a 16 ou 18 os ministérios. E é vital, além disso, eliminar privilégios os mais diversos que insistem em se eternizar pelo Brasil afora, nos três Poderes e em áreas sensíveis como as grandes empresas públicas, até mesmo a quase falida Petrobras.
O que a microcefalia governamental nos oferece: mais linhas de crédito com garantia no FGTS. Ou seja, mais endividamento para o cidadão que não tem como gastar pois não vai ganhar para pagar. Estamos nos aproximando dos 10 milhões de desempregados, o cidadão comum brasileiro desce escada abaixo da classe média A para a B, da B para a C, da C para a D, da D para a E e assim por diante. O cume da montanha vira uma agulha enquanto a base da pirâmide social se alarga. As cidades estão lotadas de mendigos, o crime cresce, as filas por postos de trabalho não têm mais fim e o governo continua se intitulando "de esquerda" e representante "dos pobres".
Ao mesmo tempo, Lula grita que o sítio de Atibaia não é dele e que ele nada tem a ver com o apartamento de três andares no Guarujá. E que não existe no Brasil - quiçá no mundo - alma viva mais honesta do que ele.  Pior de tudo: tem gente que acredita e divulga como se fosse verdade absoluta, uma espécie de mantra, a nota do Instituto Lula denunciando uma "farsa" contra o chefe.
Dilma não tem o que a sacie: ela quer a CPMF de qualquer forma. Mesmo sabendo que a redução do tamanho do Estado representaria duas, três CPMFs, ela insiste. É preciso manter privilégios. É vital que os cargos dos membros do Congressos continuem intocados. Afinal, serão eles quem julgará o processo de impeachment e ela se diz ilibada. A alma viva mais ilibada do País.
Estamos num beco sem saída. Mosquito é pinto. Os microcéfalos de Brasília valem pela dengue, pela chikungunia, pela zika e pelo que mais possa vir a aparecer em termos de praga.
Brasília é nossa principal praga hoje.    

29 de janeiro de 2016

A chacota da CPMF

Reunir empresários e, dentre outras coisas, pedir a volta da CPMF, é uma grande chacota. Tipo fala de "vento estocado" e sobre ovos de mosquito. Ainda mais em tempos como esse, quando o Brasil está à deriva deriva e todos tememos o que virá nos meses futuros no campo da economia e da política.
Falar de CPMF e de liberação indiscriminada de empréstimos tendo como garantia bancária o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço é querer aplicar à população o mesmo receituário que esse governo usa desde 2003 quando o presidente era outro: acreditar que o gasto faz com que os setores econômicos comercial e industrial se recuperem. Claro, agindo assim o governo não precisa conter gastos, isso sim a raiz de todos os nossos problemas dos dias atuais. Mas já temos 1,5 milhão de desempregados e o número só cresce. Os que se socorrerem em empréstimos bancários consignados nos próximos meses ainda terão FGTS menor quando ficarem desempregados.
O mastodôntico Estado continua quase intocado. Com mais de três dezenas de ministérios e cerca de 150 mil cargos comissionados onde se acotovelam os apaniguados do governo. A presidente sabe que o controle de gastos começa com a redução do tamanho do setor público, mas nem toca no assunto. Manter essas milhares de pessoas gastando dinheiro do contribuinte é vital. De como todos os privilégios da casta de cargos do setor público. Caso contrário ela perde o que ainda lhe resta de apoio, sobretudo no Poder Legislativo. Então a solução é fazer crescer a arrecadação criando ou aumento impostos e impondo à população uma sequência interminável de castigos.
Todos os economistas ouvidos desde ontem por jornais, rádios, TVs e outros - afora, claro, os do governo - são unânimes em dizer que o que foi anunciado diante dos empresários aumenta em vez de diminuir nossas aflições. Mas de nada adianta. Os compromissos espúrios do governo só terão fim com o fim dele mesmo. De outra forma, não. Dilma tentará sobreviver acreditando estar certa enquanto todos os brasileiros que a criticam marcham com o passo trocado.
É uma infelicidade viver num País assim. Mas esse é o nosso País, o lugar onde nascemos, onde crescemos, estudamos e pagamos os nossos impostos que foram impiedosamente roubados nos últimos 13 anos. Temos o direito de permanecer aqui. E exigir a troca de comando.
Dos males o menor.

16 de janeiro de 2016

Esperneiem, senhores advogados!

Marcelo Odebrecht chega à prisão em Curitiba 
"A Operação Lava Jato é pior que a ditadura" - Um dos trechos constantes do documento levado a público por advogados defensores dos acusados dessa operação, grande parte dos quais já condenados ou então aguardando julgamento. Muitos ainda presos preventivamente.
É compreensível que a Operação Lava Jato, por sua amplitude e pela repercussão que está tendo junto à sociedade brasileira, cause desespero entre advogados famosos, contratados a custos que variam de R$ 3 a R$ 5 milhões para defender os acusados. É compreensível que eles se unam e tentem desacreditar o esforço da Justiça para punir os ladrões de dinheiro público, notadamente aqueles mais ricos e que sempre se consideraram acima de todas as leis.
Mas não é compreensível que o documento gerado por esse descontentamento faça uso até de assinaturas falsificadas. Ora, se o advogado usa dos mesmos artifícios daquele que defende, o que os distingue? O acusados já tem direito a ampla defesa, o que é justo. O advogado pode encampar as mentiras que ele - seu cliente - pretende sustentar, o que também é permitido apesar dos riscos. Mas invadir a área criminosa, onde apenas o acusado, sobretudo o já condenado, deveria habitar, é querer residir com ele no crime. Nesse momento a prática advocatícia está prostituída.
Sei não ser fácil desacreditar a Operação Lava Jato. O corpo da sociedade a apoia. E entrega a ela esse apoio para deixar claro com isso que nós, brasileiros, não suportamos mais viver num País assaltado em grande parte por aqueles que deveriam defende-lo. Até mesmo as pessoas de menor informação já reclamam do que se passa. Se os advogados autores do documento levado a público ainda não sabem, os pobres, anteparo desses governos dos últimos 13 anos, já começa a tirar-lhe o apoio. Eles não entendem muito de leis, de julgamentos, mas sentem cheiro ruim no ar.
Precisamos defender nossa democracia. E fazer isso hoje no Brasil significa patrocinar um expurgo. Retirar da vida pública e de circulação tantos criminosos de colarinho branco quantos seja possível identificar, prender, julgar e condenar. Caso contrário os condenados seremos nós.
Durante 21 anos vivemos sob um regime ditatorial que estuprou a Constituição, prendeu ilegalmente, torturou e matou brasileiros. Não queremos viver de novo esse pesadelo. Mas tampouco podemos permitir que a impunidade leve algumas pessoas a considerar aqueles tempos melhores. Esperneiem, senhores advogados! Usem até de artifícios ilegais. A Justiça julgará também seus atos. O Brasil vai continuar defendendo o Estado de Direito e a Democracia.
Chega de ladrões de dinheiro público impunes nesse País.  

3 de janeiro de 2016

A Saúde no "governo dos pobres" (sic!).

Pacientes se acotovelam em corredor de hospital público
Constituição Federal: seção II da Saúde Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Esse assunto vai do artigo 196 ao 200 de nossa Constituição. Chamada de Carta Magna e à qual todos os governos devem se submeter a qualquer preço, sob quaisquer condições.
Principalmente no "governo dos pobres" (sic!).
Falo sobre isso porque sexta-feira a AS - Agência Nacional de Saúde Suplementar - aumentou ainda mais o rol de tratamentos, próteses, etc., que os planos de saúde são obrigados a oferecer aos seus clientes (?). Ao mesmo tempo, não se toca nos procedimentos que o Estado é obrigado a oferecer ao cidadão sem condições de ter plano de saúde, via SUS - Sistema Único de Saúde. E o oferecido é quase nada.
E esse é o "governo dos pobres" (sic!).
Paralelamente a isso tudo, governadores foram a Brasília pedir (no caso de um governo Federal que não governa, exigir) que os planos de saúde sejam obrigados a ressarcir o SUS toda vez que um cidadão fizer uso do Sistema Único tendo plano de saúde. Ora, esse cidadão paga obrigatoriamente, via contribuição ao INSS, a manutenção do SUS e sua aposentadoria merreca. Se ele paga e os planos de saúde vão ter que pagar também, uma parcela da sociedade vai sustentar o Estado duas vezes. O que não é novidade, pois bitributação é norma nesse País.
E estamos  "governo dos pobres" (sic!).
É claro que um aumento de procedimentos imposto aos planos de saúde aumentarão seu custo. E como o aumento de ganhos do cidadão comum não acompanhará esse crescente de gastos, mais pessoas deixarão de pagar os planos privados. Fazendo com que cresçam ainda mais os escândalos da saúde pública, tipo o que se vê na foto que ilustra esse texto.
E isso é o "governo dos pobres" (sic!).
O governo Federal alega que não tem dinheiro. Claro, roubaram quase tudo! Inflaram o tamanho do Estado para dar vaga a todos os companheiros e apaniguados que formam a base de sustentação de um projeto que está no poder desde 2003 e que não é um projeto de governo e sim de Estado. Para que ele seja mantido, cargos são distribuídos a pessoas que sabidamente vão usa-los para roubos e salários, diretos ou indiretos, crescem a olhos vistos todos os dias, todas as horas. Não pode mesmo sobrar dinheiro para o SUS. Aliás, por que ele se chama Sistema Único de Saúde num País onde o que sustenta boa parte da população nessa área são os planos privados?
Simples: porque estamos  "governo dos pobres" (sic!). 
 

1 de janeiro de 2016

O placebo e o remédio

Tradição de congraçamento em quase todas as partes do mundo, a passagem do ano foi comemorada no Brasil quase da mesma forma que sempre. As pessoas foram às ruas, se abraçaram efusivamente e se desejaram felicidades umas às outras. Hoje estão acordando de volta à realidade, embora desejar felicidades seja muito bom. Na caminhada de ida e volta até onde tomei meu café da manhã, passei por três pequenos grupos de mendigos dormindo em calçadas e praça. Eles aumentam a cada dia que passa e onde os vi, no bairro de Jardim da Penha, em Vitória, quase não havia disso antes.
É uma unanimidade entre os que estudam economia dizer que a crise do Brasil é grave e deve se agudizar. Isso apesar de nas redes sociais ela ser apresentada como uma simples "marolinha" por pessoas às vezes cultas e que usam até imagens das filas de automóveis em busca de refúgio para o feriadão como fossem elas provas do contrário. Mas não são. Todos necessitamos de descanso.
O Brasil tem 113 mil apaniguados de âmbito federal, contratados como cargo comissionado e que inflam as folhas de pagamentos do Estado. Em nível estadual e municipal ocorre a mesma coisa. O paquidérmico Brasil estatal não corta gastos por que não quer. Ou então para manter comprado, no bolso do colete, o fiapo de apoio que possui no Congresso Nacional para evitar o impeachment.
Não há reformas por falta de vontade política. E nem vai haver. Falta ao governo decisão, coragem, competência e autoridade moral para agir de forma independente. Aliás, nem governo ele é mais, desde que a crise atual tirou o comando do País do Executivo e o passou ao Legislativo e ao Judiciário. Hoje, mais a esse terceiro Poder do que ao segundo. Trocas de ministros são meras trocas de nomes ou de apoios. E como tudo é trocado pelo critério de "porteira fechada", o roubo não cessa.
Dilma Rousseff é um erro crasso. Um embuste. Não tem como presidir um País. Foi-lhe dado um cargo para o qual ela não nasceu e agora todo o Brasil paga um preço alto por isso.
Estamos no interregno entre o início de um ano e o carnaval. Até a quarta-feira de cinzas tudo vai andar a passos de cágado nesse País. É da tradição, tanto a de tempos de bonança quanto a de tempos duros como o que vivemos. E estamos às portas da maior crise de todos esses tempos. Que vai se refletir em novos rebaixamentos por parte de agências de risco, aumento desmesurado do desemprego, queda da produção industrial, do volume comercial e outros danos correlatos como, por exemplo, o prosseguimento das investigações de casos graves de corrupção.
Enquanto vemos isso, aumenta nas redes sociais a quantidade de textos de extremistas de direita pedindo a volta dos militares, replicando falas de múmias de há muito colocadas em seus sarcófagos e de arautos de soluções que são a repetição de antigos erros. O termo "comunista" é usado para se referir a esse governo, como se ele fosse isso, quando é apenas um convescote de ladrões. Ou, como disse o ministro Gilmar Mendes, do STF, um grupo de ladrões de sindicatos que se tornou um sindicato de ladrões. Vem mais crise pela frente. Coisa muito pior do que vivemos até agora.
As festas de final de ano e o carnaval são nosso placebo. Depois chega hora do remédio.

23 de dezembro de 2015

Dilma, a "ilibada"

Ouvi atônito o discurso da presidente Dilma Rousseff e no qual ela se proclama pessoa ilibada. O texto está na fofo/ilustração desse artigo. O que é uma pessoa de conduta ilibada? Trata-se de um ser "não tocado; sem manchas; puro; incorrupto". Tudo o que a chefe do Executivo não é.
A compra da Refinaria de Pasadena, que custou prejuízo monumental à Petrobras, foi concretizada com a assinatura dela. A "economia criativa" desenvolvida para levar pessoas, empresas e até mesmo governos a imaginarem que o Brasil atravessava época de bonança no ano passado durante a campanha eleitoral que a reelegeu, foi levada a cabo pelo ministro da Fazenda dela, Guido Mantega, com o intuito de enganar, de ludibriar, de vender a ideia de que estávamos em um País com contas em dia mas que, à época, já naufragava como um Titanic com piloto incompetente. Pessoas ilibadas não permitem disso.
Finalmente, e só para não nos estendermos demais, as "´pedaladas" fiscais representaram dinheiro tomado a instituições financeiras governamentais, sem condição de ser devolvido em seguida, e serviram para abastecer os programas sociais que, em 2014, salvaram o governo de uma derrota eleitoral. Mais uma vez por meio de enganações. Só que nesse caso ficou claramente configurado que a Presidente cometeu crime de responsabilidade. E pode-se ser alvo de impeachment por tais crimes. Isso está previsto na Constituição que, mão colocada acima, Dilma prometeu honrar e respeitar,
Fiquei atônito várias vezes e não apenas uma. Também ao ver um senador contrariar a negativa de aceitação das contas da presidente referentes a 2014 porque, segundo ele, a Lei de Responsabilidade Fiscal não permite que ninguém governe. Um senador prega o desrespeito às leis. Pasmem.
Fiz essa abertura só para chegar ao ponto que considero fulcral para esse meu último artigo do Blog do Álvaro em 2015: se Dilma e o atual governo continuarem, forem até 2018, tenho convicção pessoal - e milhares de outras pessoas também - de que o Brasil estará falido ao final da etapa,
A presidente não deseja reforma alguma. Seu atual ministro da Fazenda é um dos autores da "nova matriz econômica" que nos está levando à bancarrota. Segundo dezenas de análises de gente da maior respeitabilidade na área econômica, corremos o risco de ter toda uma década perdida, de 2011 a 2020 caso o Brasil não mude. Caso a farra com dinheiro público não cesse. A Operação Lava Jato, sozinha, não vai nos salvar. Para que o Brasil se reencontre com seu futuro, com todas as suas potencialidades, é preciso que os incompetentes que o governam saiam. E que a corrupção seja combatida sem trégua.
O impeachment não é apenas um instrumento legal que agora pode depor uma presidente. Ele é a salvação desse País que nós amamos e eles, ao que parece, não.            

16 de dezembro de 2015

O governo do caos

A agência de investimentos Fitch rebaixou a nota do Brasil. Estamos no último degrau antes de deixar o grau de investimento para ingressar nos patamares especulativos. Isso significa que em breve perderemos muitos investimentos internacionais, sobretudo de ricos fundos. Já havíamos tido nossa nota rebaixada pela agência Standard & Poor's. Agora só falta a última delas, a Moody's.
Vende-se a ideia de que isso ocorre por
irresponsabilidade do Congresso. Unicamente. Não é verdade, embora o Congresso seja irresponsável, sim. Na verdade, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que fez um périplo pelo Legislativo logo depois desse rebaixamento sabe muito bem que nosso País só tem tido resultados pífios na economia por não reduzir o chamado "Custo Brasil".
Temos um Estado mastodôntico e um governo que aposta no caos. Prometeu reduzir os ministérios e seus custos e fez uma simples maquiagem. Prometeu demitir três mil dos 15 mil apaniguados mais próximos do poder e ocupantes de cargos comissionados e não mandou ninguém embora. Prometeu outras ações de redução de despesas e nada fez. O Brasil acumula déficits por não conseguir arrecadar o que gasta. Essa ciranda suicida foi inaugurada no governo de Lula e segue até hoje. Joaquim Levy a conhece não tem força para combatê-la. Ao contrário, insiste em tomar medidas de aumentos de impostos mesmo sabendo que já não suportamos mais isso. Ora, então vá para casa!
Desde que Lula assumiu o poder após as eleições de 2002, o tamanho do Estado inflou. Era preciso dar cargos a todos os companheiros e aos amigos da "base aliada". E haja cargos! Os que não havia foram criados. Salários cresceram fora de controle. E deu-se então a ciranda dos roubos. Chegou-se ao cúmulo de quebrar a Petrobras, o que era considerado impossível.
Não vou falar sobre os escândalos seguidos. Eles estão todos o dias nos jornais e TVs. Nos envergonham, fazem o Brasil virar motivo de chacota internacional e o resultado final é esse. Nossa maior crise financeira de todos os tempos é também reflexo da maior crise ética. Nunca antes na história desse País tanta gente desqualificada frequentou Brasília, viveu lá, deu ordens e roubou.
Nunca antes!
Dona de apenas nove por cento de aprovação, a presidente que aprovou a compra da refinaria de Pasadena, que fez vista grossa - no mínimo - à dilapidação da Petrobras e cometeu várias ilegalidades conhecidas como "pedaladas fiscais" para vencer as eleições do ano passado, não tem condições de prosseguir governando. Ela destruirá o Brasil antes de chegarmos a 2018.
Sim, fomos nós que a elegemos. Isso é correto. Mas a Constituição, Carta Magna desse Brasil assaltado, nos dá também o direito de tomar o poder das mãos dela. Façamos isso enquanto é tempo.

15 de dezembro de 2015

Catilinárias candangas

Cicero ataca Catilina no Senado Romano. Igual ao Brasil
Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem o temor do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes! - 
Marcus Tullius Cicero.
Você, caro leitor, pode substituir o nome Catilina citado nesse discurso pelo Tribuno Cicero em 63 Antes de Cristo por Eduardo Cunha. Por Lula. Por Collor. Por Renan Calheiros. Ou então por tantas outras figuras menores que desonram hoje nosso País devastado por roubos, por escândalos, por repercussões negativas em todo mundo. Nosso País vivendo sua mais profunda crise econômica de toda a história, sua crise moral e ética mais aguda, e ainda correndo o risco de ver tudo isso se agravar com o chegar do ano novo e, talvez um rebaixamento por parte das agências de classificação de risco. Ou que poderá nos deixar ao rés do chão. Literalmente.
E vivemos isso enquanto as únicas ações do governo são as tentativas de aumentos de tributos. Enquanto ele maquia a verdade e anuncia mas não cumpre as promessas de reduzir o custo do Estado pois, sabemos todos nós, esse custo embute milhares de cargos públicos preenchidos por petistas, apaniguados do PT, do PMDB e de outros "partidos aliados" como o PR.
Não temos mais governo. Na prática, enquanto se discute o impeachment de Dilma Rousseff em Brasília e do Oiapoque ao Chui, nada mais acontece nesse País além do agravamento das diversas crises, pois a Chefe de Estado, que comete crimes de responsabilidade um atrás do outro para manter o mínimo de poder, se agarra ao Palácio do Planalto como um mendigo a um prato de comida.
Hoje a Polícia Federal cumpre mais 53 mandados judiciais determinados pelo Supremo Tribunal Federal. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, terceiro personagem na ocupação da presidência em caso de impedimentos da Presidente e de seu Vice, teve suas casas invadidas para a busca de provas do cometimento de crimes os mais variados. Sobretudo envolvendo dinheiro público.
Oh tempos, oh costumes!     

13 de dezembro de 2015

O ovo da serpente

18 de janeiro de 2002, Juquitiba, São Paulo. Se você não o conhece, eis o ovo da serpente.
Nós todos, os omisso, estivemos durante anos ajudando a fazer crescer uma grande Máfia. Vou usar

o "M" maiúsculo apenas e tão somente para mostrar o tamanho desse cancro mole da vida do povo brasileiro. Dessa peste que se transformou em poder e que desde 2003 nós somos obrigados a suportar. Graças ao voto não pensado. Inclusive ao meu, dado em 2002.
Celso Daniel não acreditava em "la legge del capo". Deu no que deu. Em Juquitiba.
Você vai ver duas fotos ilustrando esse texto  Na primeira está o corpo de Celso Daniel logo depois de encontrado. Depois vem a de seu velório. Nessa estão figuras notórias. Olhe bem e você vai encontrar nela, na foto, de "Il capo di tutti capi". Aquele que nunca sabe de nada. Olhando bem nessa segunda foto você vai encontrar também um líder guerrilheiro. Aquele que conseguiu prostituir um sonho. Ele está ao lado do caixão. Pesaroso! Contrito! Grande filho da puta consolando a viúva!
Acreditem nos esforços que estão sendo feitos para que isso tudo acabe. Ou então para que o crime organizado - uma das únicas coisas bem organizadas desse País - peca força. Ele se entranhou em todos os cantos, em todas as esquinas da vida nacional. Sempre existiu, sim. Mas se repente se tornou uma politica de Estado. Daquelas que ganham força e que continuam, se reproduzem e não sentem medo de nada. Nem da Operação Lava Jato ou de qualquer outra.
Hoje, a maioria dos grandes empresários de construção civil estão presos. Curitiba, a bela capital dos paranaenses, virou pouso final de um jato negro da Polícia Federal que, vira e volta, leva gente para lá. Gente suja de roupa bonita, quase sempre vestida de seda e outros tecidos nobres. E que precisa depois trocar essa roupinha por uma farda diferente, renunciando ao luxo e ao conforto.
Sim, porque no Brasil grande parte desse luxo, desse conforto, foi adquirido por meios ilícitos. Por roubo de dinheiro público. Do nosso dinheiro. Esse mesmo que hoje condena milhões de brasileiros à vida indigna, à fome, à mendicância. Hoje mesmo, voltando do supermercado, passei por quatro pessoas, talvez uma família inteira, dormindo na calçada aqui no bairro de Jardim da Penha, em Vitória. São sem teto, sem comida, sem dignidade, sem horizontes. Sem futuro, enfim.
São aqueles que acreditaram no governo do povo para o povo.
Os que sonharam enquanto o ovo da serpente era chocado e Celso Daniel terminava assassinado por ter decidido começar a denunciar. Ele teria evitado, se vivo ficasse. até mesmo a Operação Lava Jato. Mas foi assassinado.    

11 de dezembro de 2015

Vidas secas, bolsos cheios

Animais em um trecho da obra. Milhões já foram roubados 
As vidas continuam secas, mas muitos bolsos estão cheios de dinheiro.
Sinhá Vitória é personagem de Graciliano Ramos no livro "Vidas Secas". Pois foi chamando-a de Vidas Secas - Sinhá Vitória que a Polícia Federal deflagrou hoje nova operação de investigações envolvendo 32 personagens em diversos estados, para encontrar provas do desvio de até agora R$ 200 milhões em obras da Transposição do Rio São Francisco. Tem prisão (quatro), condução coercitiva (quatro), além de 24 mandados de busca e apreensão.
O novo esquema de corrupção com dinheiro público envolve gente bandida de Pernambuco (o trecho sob suspeita vai do agreste daquele Estado à Paraíba), Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Brasília. Por enquanto... E o esquema de desvio de dinheiro dos nossos impostos, endêmico nesse País, envolve o descobrimento de um esquema que ainda estava encoberto, mas com personagens velhos, conhecidos sobretudo da Operação Lava Jato.
Como sempre, os arrecadadores são doleiros e atravessadores como Alberto Youssef e Adir Assad. As empresas envolvidas, os mesmos consórcios já identificados em outros esquemas e que têm diretores presos em Curitiba nessa que é a maior investigação sobre corrupção de todos os tempos.
Não creio que o total roubado seja de apenas R$ 200 milhões. Deve ser muito mais. Muito mais mesmo. Afinal, o que está sendo investigado até agora são somente dois de 14 trechos dessa obra megalomaníaca, defendida por Lula e seus sequazes, com já anos de atraso, paralisada em muitos de seus trechos e que infla o custo final a cada dia que passa.
Um dia desses foi dito no exterior que o Brasil tem superfaturamento em praticamente todas as obras públicas aqui realizadas. Deve ser verdade. O costume de roubar dinheiro público através de contratos que vão desde a esfera municipal à Federal é antigo. E se alimenta a cada dia do fato de que é fácil roubar e difícil recuperar o que foi roubado. Ou será que era?
Ontem li textos escritos por gente culta, ao menos por um professor universitário, dizendo que a Operação Lava Jato é um engodo para atingir o governo do PT. Parece delírio. Isso é a defesa intransigente e irracional de um partido que não se está tentando criminalizar coisa alguma. Ele próprio é parte integrante de crimes nunca antes vistos na história desse país. Como diz um imbecil.
Por que perguntei: "Ou será que era?". Porque domar esse monstro, feri-lo de morte e começar a limpeza do Brasil passa pelo esforço que essa Operação Lava Jato desenvolve hoje.
Ela e mais outras.

10 de dezembro de 2015

Nunca antes na história...

Dilma discursa para sua plateia. Ali ela se sente muito bem
Candidamente, com a sinceridade dos culpados, a presidente Dilma Rousseff disse ontem, perante uma plateia organizada a caráter para que ela fosse aplaudida, que está sendo alvo de um processo de impeachment por ter usado dinheiro público, não para si, mas para investir no programa Minha Casa Minha Vida. E olhava para as pessoas como que dizendo: para melhorar as vidas de vocês!
Quanta bondade!
O único inconveniente é que a lei proíbe. E a lei chama a isso de crime de responsabilidade.
Dilma Rousseff cometeu o que ela chama com desprezo de "pedaladas fiscais" durante a campanha de 2014. Ou seja: ela tomou dinheiro de instituições bancárias sobre as quais o Governo Federal exerce controle - Caixa, Banco do Brasil e outros - para, com o incremento de obras do Minha Casa Minha Vida e com a distribuição de pagamentos ao Bolsa Família, conseguir ganhar as eleições. Não era a preocupação para com os pobres o motivo desses atos. Eram votos a serem conquistados das pessoas menos esclarecidas, aquelas que votam com o estômago ou com a concretização de velhos sonhos. O governo que destruiu horizontes, que apagou a luz no fim do túnel, sabe como poucos qual é a fórmula ideal para manter currais eleitorais. Nem velhos caciques políticos eram tão bons nisso.
Além do mais, e hoje ela tem certa dificuldade de falar no assunto, as contas públicas foram maquiadas com a colaboração de Guido Mantega, o Ministro da Fazenda de então. Tentava-se passar aos demais cidadãos e ao exterior a imagem falsa de um Brasil que tinha controle sobre suas contas e que estaria, portanto, com boa saúde no terreno financeiro. Tudo falso, Tudo golpe de eleição. Tanto que hoje estamos às vésperas de novo rebaixamento pelas agências internacionais de classificação de risco. Vamos perder o "grau de investimento". Nossas vidas ficarão ainda mais difíceis.
Além do mais, a presidente continuou a usar dinheiro público de forma ilegal - na prática, como se tivesse pegando empréstimos bancários - mesmo esse ano, em 2015. Ou seja: nem mesmo a recusa de suas contas pelo Tribunal de Contas da União fez com que Dilma sustasse as práticas desonestas.
E ela discursa. Fala a claques montadas com essa finalidade que tudo o que fez foi para os pobres. Para os programas sociais. Para dar comida a quem não tem e teto àqueles que não o possuem.
Nunca antes na história desse País um governo foi tão cínico! Tão cretino!    

9 de dezembro de 2015

Congresso que não nos representa

Era de se prever que o Supremo Tribunal Federal reagiria a qualquer possibilidade de normas legais/constitucionais serem desrespeitadas pelo Congresso. Ele reagiu na figura do Ministro Edson Fachin (foto), como poderia ter feito isso por qualquer outro de seus membros. Se a regra do jogo é voto aberto - aliás, como deveria ser em quaisquer circunstâncias -, não se justifica que a eleição de membros da Comissão Especial de impeachment que vai levar seu relatório a plenário seja feita numa cabine fechada. Nós, os que elegemos esses representantes, queremos conhecer suas posições.
E o que se viu ontem na Câmara dos Deputados foi lamentável. Não adianta à gente querer se consolar dizendo que na Coréia isso já aconteceu, no Japão também e talvez em Tanganica. Até deputado dando cabeçada no outro as câmeras surpreenderam ontem durante os tumultos que definiram a comissão hoje sob apreciação judicial. Isso afora empurrões, tapas, xingamentos, quebra de urnas e outras coisas lamentáveis - para dizer o mínimo. E as imagens correm o mundo todo.
Sabe-se que o julgamento de um impeachment é mais político do que jurídico. Mesmo assim ele tem que se juridicamente construído. A presidente realmente cometeu crime de responsabilidade usando dinheiro público para pagar programas sociais de forma ilegal. Pior: fez isso às vésperas de uma eleição, para influenciar o resultado das urnas. Maquiou a situação lamentável de nossa economia também às vésperas da eleição. E repetiu "pedaladas" esse ano, mesmo depois de saber que o Tribunal de Contas da União poderia recusar suas contas. Não podemos ser democracia de fachada!
Mas ainda assim precisamos respeitar a regra do jogo e sobretudo a Constituição Federal. Ela nos foi dada em 1988, depois de muita luta contra a ditadura militar e impõe regras para impeachments. Esse ritual, que é legal, tem que ser respeitado. De pouco importa que idiotas o chamem de golpe. Até mesmo porque o partido do governo atual foi favorável à instalação de processos de impeachments anteriores a esse e em nenhum momento, nos casos passados, chamou o procedimento de golpista.
Temos um Congresso que não nos representa, apesar de contar com muitos membros dignos. O presidente do Senado está sendo investigado por ilegalidades várias e o da Câmara pode ser cassado de uma hora para a outra por receber propinas e manter conta bancária na Suíça. Acresce a isso o fato de que o Governo Federal desde 2003 nos envergonha, quer seja por seu primeiro chefe de Estado, quer seja pela atual. Os escândalos são tantos e tão grandes que o Brasil virou chacota no exterior.
Infelizmente e diante de tudo isso, o drama que se estende de Mariana a Regência é coisa pouca!  

8 de dezembro de 2015

"Verba volant, scripta manent"

O texto que faz título a esse artigo abre a carta do vice-presidente da República, Michel Temer, endereçada ontem à presidente Dilma Rousseff. É um texto em latim que, em tradução livre, quer dizer: "As palavras voam; os escritos permanecem". Temer queria que sua carta permanecesse e, não por outro motivo, a fez cair nas mãos de todos os jornalistas de Brasília. E do mundo...
Podia dar certo? Não entre o político de carreira e a gerentona 
Não pode existir rompimento mais claro, mais cristalino. De hoje em diante Dilma não poderá mais se referir a Temer como "meu vice-presidente". E nem Temer ao governo como "meu governo". E as consequências desse rompimento poderão significar muito para essa "criação" de Lula.
A gente planta, a gente colhe.
Dilma Rousseff ficou famosa, mesmo antes de ser presidente, pelas broncas desqualificantes que dava em seus subordinados. Algumas pessoas chegavam a chorar. Na presidência, continuou no mesmo tom, levantando a voz e esmurrando a mesa para muitos de seus ministros. Não era uma presidente; era uma gerentona daquelas bem sem educação. Sem classe.
Não recebia políticos. tratava-os com extrema rudeza, com desprezo, com desdém. E os políticos sentiam isso, dos mais pulhas aos honestos. Dilma, muito mais do que Lula, diferenciava "nós" e "eles". E mesmo "nós" éramos tratados à distância. Com muita distância.
É que Dilma não foi atriz política. Não iniciou a carreira pelas urnas nos cargos municipais ou estaduais. Ela foi guindada à presidência por um presidente que queria dela apenas a imagem de um rito de passagem, embora sem saber o que quer dizer isso. Lula queria, desde o dia em que deixou o Palácio do Planalto, voltar para lá em 2018. Continua querendo e vai tentar. Se não for preso até lá.
O impeachment de Dilma, que tem razões jurídicas claras, jamais teria sido pedido se a presidente jogasse o jogo político e tivesse trânsito no Congresso, sobretudo entre as reservas morais que há lá. Mas não, ela não fazia isso. Era muito superior para descer tantos degraus! E agora, Dilma?
Jogo jogado, cartas na mesa, ela terá que salvar o mandato dando aos mãos a quem despreza, cortejando os "inferiores", fazendo acordos com o baixo clero - mesmo para negar depois ter feito isso - e ainda aceitando toda a ajuda que Lula quiser dar a ela.
Para salvar o mandato, Dilma vai ter que descer do trono e sentar-lhe à mesa até com a ralé política. Vai implorar que essa a salve. E implorar sem ter a certeza de que será atendida.