27 de junho de 2024

O hábito do cachimbo


Quando um general boliviano, golpista e canalha, tentou derrubar o presidente de seu país ontem num movimento que não deu certo, várias vivandeiras brasileiras correram a comemorar o fato de uma democracia constitucional estar sendo agredida, golpeada. E são sempre os mesmos! O primeiro a se manifestar foi o deputado federal Ricardo Salles (imagem acima), aquele que foi gravado falando para o genocida inelegível em passar a boiada, isso numa reunião ministerial do desgoverno passado. Depois veio o restante do rebotalho, gente como Bia Kicis, Carla Zambeli e outr(a)os menos votad(a)os.

Vamos esclarecer uma coisa de uma vez por todas: pregar, defender ou participar de golpe de Estado, seja aqui ou no exterior, é crime previsto pela Constituição do Brasil. Dispõe o artigo 359- M: "Tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído: Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos, além da pena correspondente à violência". No caso presente os canalhas patrícios estavam pedindo essa situação na Bolívia, um país com passado de golpes e aquarteladas e que tenta sobreviver há alguns anos apoiado em sua constituição. Hoje, com sucesso.

Já ontem, pouco antes de começar a ser noticiado o fato ocorrido naquele país sul-americano, estava eu comendo alguma coisa em um bar/restaurante perto de casa e quatro homens em uma das mesas vizinhas criticavam o presidente da nossa República por ele ainda estar no poder. Um deles, com a concordância dos demais, disse que isso só acontecia porque "eles" compraram o STF e as Forças Armadas. Não perdi meu tempo para perguntar quem eram "eles", mas assusta o fato de que pessoas possam conspirar em público, abertamente, como se isso não fosse crime, mas mera liberdade de expressão. E como se o presidente atual, da mesma forma que anteriores, não tenha sido eleito ao amparo das leis e da Constituição Cidadã.

Desgosta profundamente ver o Brasil reduzido a isso, mesmo apenas em parte. Essa parcela da população, reacionária ao extremo e apoiadora de uma extrema direita que não conhece ciência política, emergiu do esgoto do país com o advento do bolsonarismo, vive de lembranças dele e dificilmente deixará de tentar protagonizar absurdos como o que vivemos no dia 08 de janeiro de 2023. Olhem bem para as fotos de Ricardo Salles e sua quadrilha e constarem que eles todos têm a boca torta. Com algum esforço vocês vão ver. Esse é o fruto do hábito do cachimbo...

Em tempo: chamar uma pessoa de melancia significa dizer que ela é verde por fora (como militares) e vermelha por dentro (do gênero comunista).  E melancia em espanhol é sandía.                  

23 de junho de 2024

A última das guerras


Quanto mais se fala em guerra, sobretudo em Terceira Guerra Mundial, aquela que seria a última delas, mais me vem à mente a imagem do cogumelo atômico sobre Hiroshima (esse da montagem fotográfica) e Nagasaki ao final da Segunda Guerra. Quem ainda não leu sobre isso, faça o favor. Ainda mais porque os senhores da guerra, que em 1914 se encastelavam no Império Austro-Húngaro e em 1939 no nazismo alemão, hoje estão nos Estados Unidos. Sim, lá mesmo, naquele império dominador e de onde o assunto da defesa das democracias e da segurança nacional nos chega todos os dias via (falsas)mensagens de defesa da liberdade. Serei claro.

Na Idade Média as guerras eram feitas sobretudo e principalmente com o uso de arcos e flechas. Durante a Guerra dos Cem Anos, na Batalha de Azincourt em 1415, os ingleses devastaram as tropas francesas com o uso do arco inglês ou gaulês, maravilha tecnológica daqueles tempos. Feitos geralmente com teixo, tinham o tamanho de um homem adulto e eram capazes de fazer as flechas penetrarem as armaduras de metal e matarem soldados inimigos à distância. Os franceses, desesperados, cortavam os dedos indicador e médio dos inimigos para eles não poderem atirar mais. Os ingleses, reagindo a essas mutilações, mostravam esses dois dedos aos inimigos formando o "V" de vitória, antes de atirarem.

Naquela época os guerreiros eram homens fortes, adestrados para o uso das armas de então e geralmente formavam os exércitos a partir das camadas mais baixas da sociedade, podendo ser até analfabetos. Hoje, não. Nos dias atuais os que vão manobrar os aviões modernos de combate, bem como bases de mísseis e outras armas são profissionais altamente capacitados, com anos de estudos e formação acadêmico militar. Geralmente, o melhor das juventudes de seus países e mandados para morrer nas guerras. Buchas de canhão modernas. 

Pensem nisso: uma Terceira Guerra Mundial vai matar nossos filhos e netos!

Quem escala a crise no mundo são aqueles que têm interesse nessa guerra, embora com o discurso sempre surrado de defesa dos "valores ocidentais". Hoje a pressão é exercida sobre a Rússia por causa da agressão à Ucrânia - só isso vale uma boa crônica -, contra a Palestina para a "defesa" de Israel, mas o que existe por trás da cortina de fumaça é a decisão dos Estados Unidos de não permitir um maior crescimento econômico e militar à China, que fica de longe vendo os demais gastarem munição enquanto faz avançar sua economia e seu poder bélico para a eventualidade de um confronto.

E quem alimenta esse sonho que usa a ONU como alvo de ataques políticos frequentes e a OTAN como base de poder bélico? Sobretudo os chamados chefes de Estado de extrema direita como na Hungria, Itália, Argentina, Israel, além de outros e aqueles que navegam em torno do poder de seus países com o objetivo de tomá-lo, e não para a defesa da liberdade, mas sim para acabar com ela como já foi feito em épocas passadas no mundo. Basta uma leve consulta à história e os projetos da extrema direita política surgirão claros a todos.

Uma Terceira Guerra Mundial vai expor como alvo a ser atingido o território continental dos Estados Unidos e esse é um motivo forte para eles relutarem em tomar a iniciativa. A guerra vai provavelmente não ter vencedores e pode ser que extermine a vida humana e da maioria esmagadora dos animais sobre a face da terra. Quando houve todos os conflitos anteriores esse cardápio não estava sobre à mesa dos senhores da guerra e nem daqueles que eles conseguem catequisar com seus discursos, como ocorre hoje no Brasil, com milhões de inocentes uteis e inúteis seguindo uma cantilena maluca que envolve até mesmo crenças religiosas medievais e distorcidas da realidade.

Pensem nisso: o mundo belicista que vocês defendem pode ser o da última das guerras. E vai matar seus filhos e netos, estejam eles onde estiverem. Não é mais prático pregar - sinceramente - a paz?                          

21 de junho de 2024

O grotesco invade o Congresso


A imagem acima, foto de "Metrópoles", foi usada  como capa da revista "IstoÉ" desta semana e com uma corte que a tornou vertical. Ela é a representação do que há de mais grotesco no atual Congresso Nacional, o pior da história brasileira. Eu pelo menos nunca pensei que um dia poderia chegar a ver coisa como essa. E a iniciativa de levar a "atriz" Nyedja Gennari ao Senado da República para representar um feto gritando partiu do senador Eduardo Girão, o mesmo que tentou falar com Erlon Musk em inglês de Odorico Paraguaçu para pedir ajuda contra a atual "ditadura" no Brasil. Chegamos realmente ao fundo do poço!

Nos mesmos dias em que esse espetáculo dantesco foi mostrado aos senadores para que muitos deles o gravassem em suas redes sociais, um senador e um deputado federal quase se agrediram durante uma sessão da CCJ do Senado, um chamando o outro de "traidor" porque ele não era tão bolsonarista quanto deveria ser. Esse episódio acabou se prolongando e replicando no Aeroporto de Vitória onde Marcos do Val e Gilvan da Federal, duas figuras execráveis continuaram a trocar insultos e empurrões para desespero de passageiros que aguardavam seus voos sem imaginar que seriam testemunhas de tamanho descalabro.

E não é tudo. Em um município do interior de Minas Gerais, Conselheiro Lafayette, o livro "O menino Marrom", de Ziraldo, foi retirado das escolas porque mães e pais ignorantes acharam que o linguajar da excelente obra de Ziraldo poderia interferir na criação de seus rebentos. Será que eles já leram "O menino maluquinho"? Caso tenham lido, essa obra também vai correr risco. Aliás, no Brasil até autores como Monteiro Lobato foram alvos de tentativas de censura por parte de reacionários que, na cauda de cometa de um fenômeno imbecilizatório conhecido como bolsonarismo, querem um Brasil à imagem deles.

Como sempre digo, resta lutar! A história nos é mostrada em ondas e o pior delas geralmente termina onde deve sempre ficar depois de algum tempo: no lixo dessa mesma história. Mas antes costuma fazer muito mal às pessoas, sobretudo àquelas que embarcam em seus ensinamentos de fundo de quintal, pregando o ódio. No Brasil de hoje, esse fenômeno despertou o que há de pior em cada um dos brasileiros que se julgam conservadores e, como consequência, vemos todos os dias amizades longas sendo encerradas, pessoas se agredindo e até mesmo famílias acabando separadas para nada. Apenas pela ignorância e desonestidade difundidas por todos os meios.

Ziraldo, coitado, morreu sem imaginar que sua obra colossal começaria a ser questionada pela burrice generalizada da nação. Irônico ele não ter vivido para ver isso! E também para não continuar vendo, como estamos nós, bandeiras da Idade Média serem desfraldadas pelo setor da sociedade que pretende impor a todos os demais suas crenças, seus princípios - ou a falta destes - e vontades. Esses são aqueles que lutam por "liberdade" em nome de um sociopata genocida e inelegível que jamais acreditou em nada disso, amante que foi, é e será sempre de torturadores, ditadores nazifascistas e da Ditadura Militar assassina que durante 21 anos infelicitou o Brasil, entre 1964 e 1985.

Eles vão perder mais uma vez!                       

19 de junho de 2024

Jogar com a cabeça


Se eu mesmo coloco o laço da corda no pescoço, não posso reclamar se alguém abre o alçapão da forca depois disso.

O presidente da República ficou espantado com os R$ 646 bilhões de renúncia fiscal hoje no Brasil. São números consolidados e referentes a não recolhimentos tributários, de benefícios financeiros e creditícios. Isso foi mostrado pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, na reunião que teve também a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Susto? Talvez, mas Lula deve entender que uma parcela é dele. Os anteriores também fizeram renúncias, mas o atual presidente fica com parte da culpa pelo conjunto da obra. E esse dinheiro faz, sim, falta aos projetos de governo, sobretudo com saúde e educação.

Recentemente, desgostoso com uma Medida Provisória do governo, o chefão da CNA declarou que não quer conversa com o presidente. A ação de seu setor foi recorrer à Justiça e acionar sua gente no Congresso Nacional. Só para informar, dos 594 políticos que nos representam em Brasília atualmente, 273 são empresários e 160, fazendeiros. Eles vivem a época do orçamento secreto, do pagamento obrigatório de emendas parlamentares, da formação de blocos congressistas que estão acima dos partidos políticos, atualmente meras reuniões de letras. E isso numa época em que o governo não tem maioria no Parlamento e elegemos o pior deles em toda a nossa história. É tenebroso.

Sim, todos nós temos culpa. O voto é secreto, a esmagadora maioria da população não é formada pelo empresariado urbano ou rural e mesmo assim o Congresso é esse. Responsabilidade aqui da ignorância geral da nação, levada sempre a votar contra seus próprios interesses seduzida pelos canto das sereias. Os poderosos sabem se unir em torno da defesa de objetivos e não renunciam a eles. Além disso, jamais abrem mão de privilégios obtidos e o "agro", que vive à custa de dinheiro público, não se envergonha disso. Quer mais e mais. Sua publicidade diária que martela na cabeça do cidadão mostra isso.

O atual presidente representa uma parcela da sociedade que talvez seja a mais desunida de todas. Prova disso é o fato de haver no PT, seu partido, correntes antagônicas e que mostram esse antagonismo diariamente, até em reuniões ministeriais. Não entram em acordo nem ao menos para decidir sobre corte de despesas, hoje um imperativo. Então para que o presidente da CNA vai querer conversa? Pobres nunca foram preocupação sua porque o "agro" usa o meu, seu, nosso dinheiro principalmente para exportar. Nenhuma dessas pessoas se ruboriza com isso e todos sonham com a volta do ex-presidente genocida e inelegível ou então alguém que o represente. Aliados são sempre bem vindos!

Mas há saídas porque sempre houve. Para evitar novos sustos como o dessa reunião ministerial, Lula tem que agir somente depois de ouvir muita gente e refletir bastante para não ter que voltar atrás. Também para não falar bobagem. O presidente do Banco Central talvez seja a menor de suas preocupações atuais, a economia vai bem e os projetos estão avançando. Basta ao governo usar as mesmas armas dos adversários e não mais chegar perto do nó da corda. Vamos nos lembrar sempre de que o empresariado (rural e urbano) e o mercado têm aliados em todos os setores, haja vista que até o Banco Central os representa e não ao interesse público. É preciso jogar o jogo com a cabeça, como eles, usando a denúncia, a mobilização popular e até mesmo o direito a rede nacional de rádio e TV para chegar às pessoas. 

E sem tréguas. 

16 de junho de 2024

Abortos e canalhas


Lembro-me vagamente, pois era muito pequeno, de papai e mamãe nos retirando de casa, meus irmãos e eu, e nos levando para a do tio José Álvaro, meu padrinho. Logo em seguida a Polícia chegava a nosso endereço para recolher de lá o cadáver de um natimorto, filho da empregada. Ela havia passado a gravidez toda escondendo sua condição com tiras envolvidas ao corpo e não a revelou em momento algum, mesmo sendo inquirida por minha mãe. Pariu no quarto onde dormia e, sangrando abundantemente, pediu socorro a meus pais, seus patrões. Papai se lembra de ter sido procurado por um médico que o julgava pai daquele morto ao questionamento de "onde está a criança?" A situação só não ficou definitivamente dramática porque a mulher disse ter engravidado do namorado, escondido a gravidez e dado à luz no quarto. Viu que a criança estava morta e a escondeu sob a cama.

Meu pai ainda pagou um advogado para livrar aquela pessoa de maiores complicações, mas tão logo ela foi liberada pela Polícia, desapareceu. Nunca mais soubemos dela e, acredito, nem sequer a Polícia. Eis o perfil da pessoa típica que buscava aborto no passado: pobre, quase miserável e ignorante. Hoje a esse perfil somam-se milhares de crianças vítimas de abusos sexuais até mesmo em casa. Meninas de 10, 11, 12 anos, como aconteceu aqui no Espírito Santo onde moro, com uma que precisou interromper a gravidez em Pernambuco.

Nosso país está cheio de problemas para resolver, e em vez de se concentrarem neles, canalhas colocados no Congresso Nacional por nós, brasileiros, elegeram uma tal "pauta de costumes" para tratar dela em seus mandatos. Abandonam os temas realmente importantes para fazer demagogia barata e cometer crimes contra o cidadão comum tentando impor aos demais princípios que nem mesmo eles possuem, pois muitos já foram flagrados cometendo os mais diversos desatinos, inclusive em diversos casos envolvendo costumes. Como "pastores" de inúmeras confissões evangélicas de fachada, apaixonadas por dinheiro.

Quando se ataca o direito legal à interrupção da gravidez no Brasil, condena-se sobretudo mulheres pobres. E crianças... As ricas pegam aviões, viajam para a Europa e fazem aborto nos países onde isso é legal. Passeiam bastante e voltam para seu país. Poucos ficam sabendo. É justo que quem quiser possa interromper uma gravidez indesejada em casos de grave risco de vida, feto anencéfalo ou estupro. E deveria ser crime falsos moralistas investirem contra essas pessoas ou seus responsáveis, como é feito hoje.

Também peca a igreja quando demoniza crianças, adolescentes e adultas que estão diante desse dilema. Refiro-me especificamente à Igreja Católica, que faria um bem imenso se não continuasse a classificar como pecado o uso de métodos anticoncepcionais entre as mulheres. Elas podem e devem usá-los para não colocar no mundo pequeninos condenados à fome e à falta de instrução num país onde a miséria não é considerada crime por esse bando de anencéfalos morais levados a Brasília pelo reacionarismo brasileiro.     

12 de junho de 2024

Votações do obscurantismo


Está em discussão no Congresso Nacional, por mais incrível que possa parecer, um projeto de lei que pretende tornar mulheres que interrompem a gravidez após serem vítimas de estupro passíveis de acusação de homicídio doloso. Já não bastou o estupro, uma violência inominável, e a pessoa atingida ainda vai ser acusada de ser assassina. E isso por um ato que é previsto em lei como não sendo criminoso. Sim, porque a legislação brasileira considera legal que as mulheres - caso queiram - façam aborto em apenas três hipóteses: no caso de estupro, quando o feto é anencéfalo e quando a grávida pode morrer nessa condição.

Pois o obscurantismo legislador brasileiro quer perpetrar mais um monstrengo jurídico desde já condenado a ser declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O mais absurdo é que isso não está sendo gestado apenas por burrice pura, embora obscurantista seja quem se encontra na escuridão, vive na ignorância. E, em nível social, político e cultural essa situação seja o sistema que nega a instrução e o conhecimento às pessoas com a consequente ausência de progresso intelectual ou material. A rigor, tais preceitos já deveriam estar sepultados pela história, posto que vicejaram sobretudo na Idade Média.

Então o que ocorre hoje na Câmara e no Senado Federal? Acontece que nas últimas eleições, a reboque do pensamento de um sociopata que acendeu à presidência da República antes do governo atual agarrado na calda de cometa do renascimento do pensamento reacionário de grande parte dos brasileiros, foi criada como um dos seus sustentáculos uma tal "pauta de costumes" que reuniu e reúne o que há de mais retrógrado no pensamento e nas convicções dos brasileiros. Ele se baseia na ignorância - sim, eu posso ser ignorante até mesmo tendo curso superior! - e na disseminação de tudo o que existe de pior no cardápio da cultura nacional.

Isso se tornou de vital importância porque virou uma arma política. Pesquisas mostram que esse reacionarismo, em grande parte sustentado por correntes religiosas ligadas ao novo evangelismo formado por "confissões" de líderes picaretas, tem uma força enorme junto ao eleitorado nacional. Pode eleger muita gente, como aconteceu nas últimas eleições legislativas federais, quando um contingente imenso de desqualificados ganhou mandato de deputado federal ou senador para cultuar o genocida inelegível e também para sustentar de todas as formas uma pauta de loucuras que chegam a ser obscenas.

Só para terminar por onde começamos: se você acha pecado interromper a gravidez depois de engravidar vitimada por um estuprador, vá em frente. A lei em vigor te dá esse direito. Mas se para você levar adiante essa situação é mais uma violência injustificável, interrompa a gestação. Da mesma forma como você pode fazer isso se sua vida estiver em risco caso a gravidez prossiga ou se ficar comprovado que seu feto não tem cérebro da mesma forma como, parece, não têm aqueles que defendem essas pautas no Congresso.

Creio que isso vai continuar sendo só uma questão de opção. 

4 de junho de 2024

Fim da linha para vocês!


"A mentira espalhada pelo poderoso ecossistema das plataformas é instrumento de covardes e egoístas!"

São duas pessoas, duas histórias de vida, duas maneiras diferentes de pensar e agir, mas um ponto em comum: os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, o primeiro deixando o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a segunda o assumindo (foto de ontem) têm um ponto e comum: eles defendem de forma tenaz a democracia brasileira reconquistada com sangue, suor e lágrimas em 1985 depois de 21 anos de tirania e reafirmada agora, após as sucessivas tentativas de golpes de Estado que culminaram com os atos de violência de 08 de janeiro de 2023, quando a sede do poder federal foi atacada em Brasília por um enorme bando de criminosos arregimentados por ordem do ex-presidente da República ainda solto.

Alexandre enfrentou a pior fase da turbulência gerada pelo crime organizado de iniciativa de um chefe de Estado e graças também à omissão criminosa de organismos de segurança, sobretudo militares, cooptados por este. Além disso, por uma enorme teia de mentiras orquestradas pelas redes sociais controladas por esses criminosos. Agora Cármen vai encarar uma segunda fase dessa luta, quando terá de ser juíza em uma eleição de âmbito nacional encarregada de sagrar mais de cinco mil prefeitos em todo o Brasil. A extrema direita política, dona de apreço zero pela democracia e representante da mais absoluta falta de respeito pela história do Brasil, lutará pelo caos institucional. Não importa a ela que as eleições sejam limpas, pois se o resultado final não for aquele que espera choverão denúncias irresponsáveis de fraude e outras. Dane-se se o país sofrer danos após isso. O Brasil só importa a eles se for deles a qualquer preço.

Alexandre e Cármen representam o que temos de melhor, seja com nossos defeitos defensáveis - não somos infalíveis -, seja com nossas virtudes que se sobressaem a eles. São a cara do brasileiro! 

O reacionarismo corporificado pelos princípios (sic!) do extremismo politico tem o direito de odiar Alexandre, Cármen e todos os que os acham cidadãos da maior qualidade. Se eles vencerem - e agora é a vez da segunda lutar por isso - nós teremos mantido o nosso país no caminho da defesa das instituições civis e militares que prezam os valores democráticos e os querem fortes, vença quem vencer as eleições que ainda estão por vir. Não importa quem nós apoiarmos, pois energúmenos armados ou donos de mandatos não têm o direito de tentar intervir, sobretudo pela força, nos destinos de todos os demais. A eles está reservado o lixo da história.

A  ministra Cármen Lúcia, de novo presidente do TSE, saberá dizer aos criminosos com a voz serena que sempre ostentou: "Fim da linha para vocês!".  

29 de maio de 2024

A vitória (sic!) dos corruptos


O que pensar de um país onde a maioria de seu Congresso Nacional recusa um texto legal que torna crime a difusão de mentiras (chamadas hoje de fake news) durante eleições municipais de certo ano? O que houve foi que durante o governo do presidente genocida e inelegível, este vetou uma parte da nova Lei de Segurança Nacional que criminalizava o uso das chamadas redes sociais para difusão de mentiras, sobretudo durante eleições. O veto caiu com o novo governo, mas ontem o Congresso Nacional, por ampla maioria decidiu pela manutenção da fórmula do antigo mandatário hoje em vias de ser preso. Ou seja: essa é a vitória do crime sobre a prática honesta do exercício da política.

A quem interessa que durante campanhas eleitorais uma enxurrada de fake news inundem as redes sociais para interferir nos resultados dos pleitos? Aos corruptos. Àqueles que usam de todos os meios ilícitos para construir resultados de eleições a seu favor. Esses homens e mulheres hoje constituem uma bancada de vários partidos diferentes em nomenclatura, mas iguais no horizonte que traçaram para eles mesmos: manter seus privilégios a quaisquer custos. Desde a defesa intransigente de uma "pauta de costumes" da Idade Média até a defesa pouco disfarçada de milícias e outras formas de crimes os mais diversos, a maioria deles por formação de quadrilha e com uso de muita violência, inclusive no campo.

E é bizarra a justificativa: querem defender a liberdade e combater a censura na ditadura onde dizem viver. Fazem isso em nome de um ex-capitão do Exército colocado na reserva remunerada para não ser preso e que se notabilizou por defender a ditadura que infelicitou o Brasil de 1964 a 1985, a prisão ilegal e tortura de opositores, a destruição do Poder Judiciário através do Supremo Tribunal Federal, a Constituição Cidadã de 1988, as instituições civis via sobretudo ONGs e outros. O energúmeno que os representa chegou a defender em plenário o AI-5 e torturadores como o militar Brilhante Ustra. Hoje seus filhos o representam, como o "Zero Um" fotografado ao microfone ontem no Senado Federal (foto).

Os corruptos venceram por agora, mas vão perder logo mais adiante. A extrema direita brasileira e que eles tão fervorosamente representam não sobrevive sem as fake news, sem se alimentar da difusão de mentiras e do ódio que distribuem. Hoje ela tenta penetrar em todos os setores da sociedade brasileira para dominá-la antes de destruí-la. Ao final vão perder, como sempre perderam. Mas não sem antes causar prejuízos imensos à sociedade brasileira. Aliás, isso é tudo o que fazem com reconhecida competência.              

19 de maio de 2024

Essa gente nojenta


A fina flor do excremento político mundial está reunido agora em Madrid num movimento que visa interferir nas eleições para o Parlamento Europeu que serão realizadas em junho e visando a vitória da extrema direita. Querem que ela possa aumentar seu poder de interferência nos parlamentos das nações do grupo, e o ruim é que isso pode vir a ser conseguido em pelo menos sete dos 27 membros da UE. Mas ainda é tempo para os partidos democráticos reagirem e tentarem impedir esse crescimento do nazifascismo não apenas em solo europeu, mas também nas outras regiões do mundo como, por exemplo, na América do Sul.    

Hoje na capital da Espanha já estão intervindo na reunião que eles chamam "dos patriotas" pessoas como o espanhol Santiago Abascal, que é líder do VOX, partido de extrema direita responsável pela convocação da quadrilha toda; o português André Ventura, do Chega e que estava falando faz poucos minutos pelo horário de Brasília; a francesa Marine Le Pen, do União Nacional; o ex-primeiro ministro da Polônia, Mateuwsz Morawiecki, do Lei e Justiça (PiS); e ainda vai haver intervenções por vídeo conferência dos primeiros ministros da Itália, Giórgia Meloni (Irmãos de Itália) e da Hungria Viktor Orbán (Fidesz). Também figuras obscuras da política, como um foragido brasileiro, vão estar presentes ao encontro.

O que essa gente quer? Eles são todos filiados ao mesmo grupo no Parlamento Europeu e se dividem entre o ERC (Vox, Irmãos da Itália, PiS e, talvez depois das eleições, Fidesz) e o Identidade e Democracia (ID), reunindo Chega e União Nacional. A fina flor do novo nazifascismo! E qual é a plataforma dessa gente? Combater o globalismo como eles o compreendem, a nossa luta contra a destruição do clima no mundo e as bases constitucionais dos países que eles pretendem dominar através da luta contra o "comunismo", compreendida essa classificação como sendo aqueles que os combatem social e politicamente. O resto vocês todos já conhecem porque Adolf Hitler e Benito Mussolini, o criador do "Deus, Pátria, Família" abriram um caminho que os países aliados tiveram que destruir ao custo de 40 milhões de vidas.

Agora, por exemplo, a extrema direita brasileira quer impedir via Congresso que o governo federal importe um milhão de toneladas de arroz para manter o preço baixo. Lembro que durante o governo do genocida inelegível o Brasil importou arroz da Tailândia porque o "agro" exportou toda a produção em busca de melhores preços, deixando o mercado interno desabastecido. Agora esse mesmo "agro" predador tenta impedir a importação de arroz para manter os preços altos e longe da capacidade de compra da parcela mais pobre da população brasileira, depois de ter tentado esconder a safra de arroz já colhida e para forçar aumentos.

Esse "agro" vive às custas do contribuinte. Somos nós que sustentamos essa imensa associação às vezes criminosa de latifundiários responsáveis pela destruição das matas nativas brasileiras e pelo incremento do uso indiscriminado de venenos nas lavouras, o que é - está cientificamente provado - um dos fatores determinantes das mudanças climáticas brasileiras que geram, dentre outras coisas, o drama atual dos gaúchos com a destruição de parte do seu Estado. Costumo chamar a extrema direita do Brasil de "essa gente nojenta". Muitos não gostam da classificação, mas eles são isso mesmo. E têm milhões de seguidores, o que é pior para o futuro de nosso país.

Lutemos contra a extrema direita. Contra essa gente nojenta!

15 de maio de 2024

Eduardo e o ato falho


O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, equilibrava-se entre a necessidade que tinha de conseguir ajuda para a tragédia de seu Estado junto ao presidente Lula e a obrigação de permanecer colado à base eleitoral bolsonarista - que é forte no Sul do Brasil - pelo menos até o final desses tempos de altos e baixos. Estava conseguindo, inclusive sem citar muito "o agro", como gosta e é visto nessa imagem do jornal Correio do Povo, de Porto Alegre. Mas ontem escorregou e disse que o excesso de ajuda aos gaúchos vai acabar prejudicando o comércio. Eduardo vai ter que encontrar um meio de chorar o leite derramado fora de hora junto aos mais inteligentes dos seus conterrâneos.

Um estudo publicado recentemente pela Fundação Friedrich Ebert aqui no Brasil e com os nomes dos pesquisadores Marco Antonio Mitidiero Junior e Yamila Goldfarb mostra que, como disse a revista Fórum, no artigo "Mudança Climática, energia e meio ambiente", "o agro não é tech, o agro não é pop e muito menos tudo". Ao contrário, o agro sangra o país para enriquecer desmedidamente uma casta de multimilionários rurais que vivem à custa de dinheiro público para tocar negócios privados sem um mínimo de risco. Num Estado capitalista, ele quer abocanhar até mesmo terras devolutas, como faz em São Paulo.

Mais do que isso: esse ramo de nossa economia interfere na política de gestão ambiental brasileira de acordo com seus princípios de "Estado mínimo" e com isso agride o meio ambiente de todas as formas, sobretudo destruindo solos, rios e florestas num modelo de exploração do campo que concentra a propriedade rural apenas tão somente em imensos latifúndios. Tem uma enorme bancada chamada "ruralista" regiamente paga para defender seus interesses no Congresso e investe muito em propaganda junto aos meios de Comunicação como forma da dar um "cala a boca" na opinião pública. Ultimamente conseguiu  até mesmo ampliar de forma desmedida a área que pode ser desmatada em nossas florestas, a quantidade de veneno usado nas lavouras e a agressão aos direitos dos povos naturais que morriam de fome à época de seu ex-presidente genocida.    

Quem está defendendo o Rio Grande do Sul e minorando o sofrimento dos gaúchos hoje é o governo federal e o maravilhoso povo brasileiro que, excetuada a extrema direita, dá a mão ao próximo sempre que ele precisa, sem objetivar nada em troca. Não é Eduardo Leite, esse frajola amigo dos representantes do agro que se omite nas horas de aperto do povo e não comparece para ajudar, ao contrário do que faz a cozinha do MST e não o seu agro. Agora ele está preocupado, coitadinho, com o comércio que pode ser afetado pelas doações. Claro que sim, pois é o pobre quem vai ser penalizado pela falta de doações se elas escassearem.

O brasileiro comum é quem salva o Brasil.


12 de maio de 2024

Eles renovam. A esquerda, não!


Os jornais que circulam hoje em Portugal, sobretudo "Público" (foto da capa) trazem longas reportagens que falam sobre o crescimento da extrema direita no País. E o fenômeno deles não é diferente do nosso, embora em terras lusitanas já haja um partido político descaradamente nazifascista, o Chega, enquanto aqui no Brasil ainda exista um resquício de pudor impedindo que o Partido Integralista ou alguma coisa parecida com ele emerja das cinzas fecais onde se encontra. E por que isso acontece? Ocorre porque lá na Europa os extremistas de direita estão cooptando a juventude, renovando seus quadros enquanto a nossa esquerda - e talvez a deles também - discursa com os cabelos brancos de seus quadros há muito envelhecidos.

A reportagem de "Público" fala da infiltração fascista na agenda anti-imigração - inclusive com agressões físicas a imigrantes -, do apoio aos outros países onde a extrema direita pontifica como é o caso da Hungria, e mostra que lá, dentre outras coisas, "influencers" atraem universitários ou mesmo adolescentes por intermédio de propagadores do ódio mascarados de jornalistas. Tudo isso vai aos poucos alimentando o Chega e outros grupamentos do nazifascismo da carne nova tão necessária a seu crescimento, à sua disseminação. Foi assim na Alemanha hitlerista.

O jornal "Diário de Notícias", que nasceu na Cidade do Porto, fala da ligação entre o Chega e o governo de Benjamin Netanyahu por intermédio de um "assessor" do presidente da legenda, André Ventura e de nome Tânger Corrêa. Esse indivíduo, dentre outras, acredita que os judeus que trabalhavam nas Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 tenham sido avisados para não irem a seus escritórios no dia do ataque terrorista. Isso é a Teoria da Conspiração levada às últimas consequências...

No caderno "P2" de "Público", que circula aos domingos, uma longa entrevista com o filósofo norte-americano Lee McIntyre, investigador no Centro da Ciência na Universidade de Boston e autor, dentre outros, do livro "Como falar com um negacionista", mostra o entrevistado advertindo: "Na era da pós-verdade a desinformação serve para destruir o conceito de verdade. Os que não votam, não veem notícias e  não acreditam em  nada são um perigo." Também o semanário "Domingo" publica uma reportagem de capa sob o título "O arquiteto demolidor". É biografia de Benjamin Netanyahu, formado em arquitetura no prestigiado MIT e hoje especialista em arquitetar a destruição palestina.

Toda essa pauta comum e que não pode ter sido combinada por meios de comunicação tão diversos e distantes até ideologicamente mostra que há uma preocupação grande em Portugal com o que nos deveria preocupar também. Mas as correntes brasileiras de esquerda, além de duelarem diariamente por questões menores, nada ou quase nada investem na renovação de seus quadros. Onde está, por exemplo, o PT Jovem? A garotada que poderia ocupar espaços generosos nas reuniões dos partidos políticos fica em casa lendo o Tio Patinhas enquanto os herdeiros de Adolf Hitler e Benito Mussolini vão aos poucos mostrando as garras que podem nos levar ao caos.

Assim a democracia vai perder...        

8 de maio de 2024

O esperneio do Brasil doente


Em "A psicologia das massas e análise do eu" Freud disse que "a massa é extraordinariamente influenciável, o improvável não existe para ela". E mais adiante: "Os sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exaltados. Ela não conhece dúvida nem incerteza. Vai prontamente a extremos; a suspeita exteriorizada se transforma de imediato em certeza indiscutível, um germe de antipatia se torna um ódio selvagem. Quem quiser influir, não necessita medir logicamente os argumentos; deve pintar com imagens fortes, exagerar e sempre repetir as mesmas falas". Isso foi escrito em 1921 e se aplica hoje ao Brasil, 103 anos depois...

Nós estamos vendo o que se passa no Rio Grande do Sul. A imagem acima é uma foto do saguão de embarques e desembarques do aeroporto internacional de Porto Alegre tomado pelas águas. Milhares de brasileiros, talvez mais de um milhão se movimentam para ajudar a população desse Estado. Forças Armadas e organismos militares auxiliares, além de civis unem-se ao esforço para salvar a região que, ao final do drama vivido poderá computar mais de duas centenas de mortos. O governo federal faz tudo o que pode para ajudar e nem é preciso gostar dele para dar-lhe o braço nesse esforço. É aquele velho lugar comum que não cabe como trocadilho: nessa inundação sem precedentes estamos todos no mesmo barco.

Mas todos, não. O Brasil doente não embarca na nau de salvamento lançada às águas das inundações. Ele continua a conspirar todos os dias e a todas as horas. Manda legisladores aos Estados Unidos para fazerem denúncias contra a "ditadura" instalada no País, como se ela existisse realmente e denunciada por seguidores de alguém que já se declarou apoiador de tortura e defensor do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Alguém que adotou o lema do fascismo "Deus, pátria, família" e a ele acrescentou um "liberdade" de fake news.

Mas o esperneio do Brasil doente não vai progredir. Frei Beto disse recentemente no artigo "Políticas sociais mudam a cabeça do povo?" que  não. Não mudam e isso confirma o pensamento freudiano. Se fosse assim a União Soviética, percursora de tantos avanços sociais não teria desmoronado sem um único tiro depois de décadas, apesar de carregar sobre os ombros o estigma dos crimes do stalinismo. Depois de discorrer longamente sobre o tema o autor encerra com uma conclusão que também é a minha: só a educação faz uma nação sobreviver ao retorno do fascismo e de outros gêneros absolutistas.

Nos dias de hoje, além de a gente acreditar que os gaúchos vão sobreviver aos eventos trágicos e graves desses dias, ainda nos conforta constatar que o Brasil saudável é muito maior e tem muito mais força. O Brasil doente vai seguir perdendo, como sempre. E também temos uma crença adicional: é preciso eleger a educação como prioridade maior na reorganização do Estado. Ela é a salvação e por isso a extrema direita a odeia.    


1 de maio de 2024

O neonazismo está aí!


Enquanto o Congresso Nacional engaveta o projeto de lei que pretende impor normas de comportamento às chamadas redes sociais, as agressões que elas geram todos os dias só fazem crescer. Mais do que isso, não são baseadas em fatos reais, mas sim criam uma realidade paralela para gerar tumulto e mais animosidades num país extremamente polarizado desde logo em seguida às eleições de 2018. Hoje a falta de moderação de conteúdo dessas redes, sobretudo a "X", antigo Twitter, faz surgirem grupos de extrema direita em atuação no Brasil, segundo foi mapeado pelo Global Project Against Hate and Extremist  (GPAHE), o Projeto Global Contra o Ódio e o Extremismo.

O estudo deste instituto localiza a maioria desses grupos nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, mas não apenas neles. Já foram mapeadas mais de 20 organizações ativas, muitas delas em redes como Facebook, You Tube, Telegran e, como disse antes, "X", além de outros menos usados. Hoje a população LGBTQIA+ é o alvo principal, mas não o único. O Instituto Conservador Liberal, do deputado Eduardo Bolsonaro, pontifica na produção de tudo o que pode ser raivoso, sobretudo em combate ao que para ele é politicamente de esquerda. 

Ao mesmo tempo em que a Câmara dos Deputados diminui o ritmo de apreciação do Projeto de Lei 2.630/2020 com a criação de um grupo de trabalho que tem como objetivo principal paralisar o assunto, vão surgindo frentes de combate à democracia no Brasil como é o caso da FNB, Força Nacionalista, que chama mulheres que não combatem o aborto de "defensoras do diabo". O Falanges de Aço defende a separação do Sul do restante do Brasil (foto) e o Resistência Sulista envereda pelo mesmo caminho. São separatistas, o que é crime. Já temos por aqui até mesmo a Força Nova, versão tupiniquim do neofascismo italiano da Forza Nouva, e até mesmo uma Frente Integralista Brasileira que dispensa apresentações foi recriada recentemente em substituição à de Plínio Salgado.

E enquanto a gente brinca dizendo que isso não passa de modismo, basta recuar um pouco no tempo e vamos ver como o governo que antecedeu a esse acreditava no nazifascismo. Os nazistas alemães bebiam leite publicamente porque na visão deles essa era uma bebida branca, de purificação da raça. Eles passaram, mas o exemplo ficou. Durante o governo passado, um trio de bandidos formado por Bolsonaro e dois ministros foi fotografado ao menos uma vez bebendo leite enquanto o bandido chefe comandava uma live. Tudo isso sob o lema de "Deus, Pátria, Família", criado por Benito Mussolini na Itália.

Nada disso tem graça. O Brasil precisa pressionar o congresso pela aprovação do Projeto de Lei 2.630/2020. E rápido.               

25 de abril de 2024

Sejam heróis vocês!

"uns dizem a sua "história"
outros fazem história
e hão-de viver no exemplo e na memória"

O texto que abre esse artigo é do poeta português José Magro (José Alves Tavares Magro). Esse escritor revolucionário português também vai encerrar meu texto. Trata-se do homem que lutou a vida toda contra o salazarismo, contra a ditadura de seu país, passou 21 anos na prisão - na maioria do tempo em Peniche, para onde a PIDE de Salazar mandava os presos políticos - e só viveu por apenas quase seis anos depois do 15 de abril de 1974, data que hoje completa 50 anos. Morreu pouco antes de completar 60 anos de idade, debilitado que estava por inúmeras torturas e privações. É de gente como José Magro que é construído o futuro do gênero humano. Por essa gente vale a pena viver e lutar!
E foi uma senhora portuguesa, Celeste Caeiro, dona de casa e na época com 40 anos, quem deu nome ao movimento civil e militar que tirou do poder o salazarismo. Ela voltava para casa e viu aquele movimento todo, blindados nas ruas, parou e ficou olhando. Um soldado de entre os amotinados chegou a ela e pediu-lhe um cigarro. Celeste não tinha, não fumava nem nunca fumou. Tirou um dos cravos vermelhos do maço que havia comprado no mercado para enfeitar sua casa e o entregou ao soldado que colocou a flor em seu uniforme. Em pouco tempo outros amotinados encontravam mais cravos, muitos foram colocados até nos canos das armas e as flores acabaram dando home ao movimento que encerrou em Portugal seus tempos mais tristes. A imagem que ilustra esse texto recria o momento em que Celeste entra para a história. Hoje aos 90 anos, debilitada pela idade ela foi instruída pelos médicos a não se emocionar. Como, doutores?
A Revolução dos Cravos é um exemplo. Foi a mais longa ditadura europeia, mais longeva que a de Francisco Franco. E nos 50 anos que se seguiram a ela Portugal deixou de ser um país inexpressivo para se tornar modelo na Europa. Nem mesmo os riscos dos tempos atuais, quando uma extrema direita criminosa tenta dominar o mundo, surge como divisor de águas naquela terrinha de meu avô materno. Como eu gostaria de estar lá hoje! Que pena não estou e só posso ver tudo isso via satélite!
O texto abaixo chama-se "Sê herói, José". Eu digo a todos: sejam heróis vocês. Todos nós. É nessas horas decisivas que o homem se impõe ou tem que viver se escondendo e camuflando suas condições subterrâneas que às vezes afloram em posts de internet enviados para lugares errados e por engano dos diversos milhares de membros dos gados fascistas modernos daqui e de muitos outros países. Aqui, por exemplo, chegamos ao cúmulo de ver durante meses sociopatas acampados em frente a unidades militares pedindo golpe de Estado, rezando para pneus e extra terrestres. Nenhum povo foi mais bizarro que o nosso. 
A mulher de José Magro chamava-se Aída, viveu 102 anos e durante esse tempo todo dignificou o nome de seu companheiro de vida e de Partido Comunista de Portugal. Ela colecionou as poesias do marido que depois seriam publicadas em dois livros. São uma história de vida, de lutas e de ideais que sobrevivem aos homens, como aconteceu na Revolução dos Cravos. Eis o poema feito na prisão de Peniche:

SÊ HERÓI, JOSÉ

tarde de domingo
no largo da vila
toca um realejo que se ouve daqui
no pátio interior prossegue o recreio
e ouço o sussurro da voz dos amigos
não sinto mais nada
o mundo é a cela
veleiro sem vento num mar de vazio

a vida é tão curta e a tarde tão longa!
como hei-de passá-la se só tenho um livro
que li e reli e já nada sugere?!...
deitar-me não quero que logo não durmo
cantar não me deixam falar é de doido
passear os três metros pior que funâmbulo?!...

José que fazer se sei que não gostas
Da introspecção seguro que estás
Que a chave do mundo não cabe no umbigo
E temes ser santo que os santos não têm
O travo salgado do gosto da vida
E os traços de classe que a luta te dá

Que coisas heroicas José que farias
lá fora esta tarde
aqui por teu mal
o grande heroísmo é não fazer nada
Pois é:
- sê herói, José, e sorri…

“TORRE CINZENTA - Poemas da Prisão”
José Magro. C
oleção “Resistência” editora AVANTE!)  

23 de abril de 2024

A política que eles fazem


Alguns se assustam com o fato de o atual governo estar perdendo prestígio junto à população brasileira de modo geral. Não é para assustar. Esse é o resultado da política que eles fazem em confronto com o que se tenta fazer hoje na luta pela reconstrução do Brasil vilipendiado durante quatro anos pelo movimento de extrema direita intitulado "bolsonarismo", e que se instalou no país na calda de cometa do episódio pouco explicado da tentativa morte do então candidato a presidente durante a campanha política.

O ex-presidente não conseguiu se reeleger, mas deixou a reação plantada em solo muito fértil. Legou a seus seguidores um Congresso que é em parte sua cara e defensor incondicional de seus projetos, uma classe média ainda mais reacionária e de garras afiadas, um setor chamado evangélico com pretensões de poder, uma base policial e militar capaz de conspirar a céu aberto e seguidores hoje colocados à frente do poder estadual de algumas das unidades mais importantes do Brasil. Não seria preciso mais do que isso...

Mas a essa reação instalada se soma a inegável capacidade que a reação tem de controlar as chamadas redes sociais e fazer com que elas divulguem todos os dias um número incontável de mensagens mentirosas, torpes, capazes de construir falsas realidades, destruir as que temos e monitorar sem parar um só segundo o rebanho de gado que distribui esse projeto de poder via narrativas de laboratório. De vez em quando um dos milhares de membros do gado reacionário da extrema direita se equivoca e envia os posts muares para endereços errados. Erros às vezes hilários, às vezes lamentáveis...

O que fazer contra isso? Não entrar no jogo, não descer ao nível deles e entender que agem explorando a ignorância popular - vejam os novos evangélicos! - e incitando o ódio instalado em parcelas pouco instruídas da população brasileira, sobretudo na classe média que sonha escalar a montanha da riqueza com a ajuda de um messias qualquer que seja capaz de alimentar esse delírio muito parecido com o que mostram os pastores das "confissões" cheias de vontade de abarrotar seus cofres de dinheiro dos dízimos.

Saber também que isso tudo vai passar. Basta àqueles que combatem o reacionarismo entenderem que combatem o bom combate. Mas que nessa luta não se pode errar muito, nem ao menos falando o que não se deve em hora errada. Acertem na mosca! E nos vermes!                      

21 de abril de 2024

Democracia, sempre!


Parece, e é uma ironia do destino: há 50 anos, no dia 25 de abril de 1974 os portugueses derrubavam a ditadura de Salazar na Revolução dos Cravos. Há 40 anos, no dia 25 de abril de 1984 o Congresso Nacional recusava por 22 votos a Emenda Dante de Oliveira e atrasava mas não evitava o fim da ditadura militar brasileira que nos infelicitou por 21 anos. Os comícios das "Diretas, Já" (foto), lembravam a emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para presidente da República. Os estertores do regime militar não tinham mais forças para impedir a queda do estado de exceção no Brasil.

O mais irônico é que nosso país se repete de tempos em tempos. Faz sua história como uma sequência de ondas que avançam e recuam, e isso só nos serve para atrasar o progresso do país e provocar a cada dia mais divisão e distância entre os brasileiros. A ditadura nasceu através de grande apoio da classe média - sempre ela! -, que gerou as "marchas da família com Deus pela liberdade". Deram gás ao golpismo incorporado às forças armadas e tiveram então o descarado apoio dos Estados Unidos através, até, da "Operação Brother Sam", que enviou uma frota da marinha dos EUA à costa de nosso país para ajudar no golpe.

Hoje os golpistas agem da mesma forma que antes. Eles não mudam! Geram instabilidade política, sonham com um golpe de Estado, vão às ruas acusando uma eleição lícita de ter sido fraudada e ainda de o Brasil estar se aproximando de uma ditadura através do Supremo Tribunal Federal (STF), quando acontece exatamente o contrário e foi essa mesma Justiça apoiada por grande parcela da população quem impediu a quebra da normalidade democrática no ato culminante do esquema de golpe, em 08 de janeiro do ano passado. Até para tentar reescrever a história essa gente é canalha. Incompetente! Não se trata de conservadores, embora alguns o sejam. A enorme maioria é composta por reacionários sem princípios e  apreço às normas democráticas que sempre marcaram nossa história desde o primeiro dos golpes, a Proclamação da República do final do Século XIX.

A democracia mais uma vez vai sobreviver e a população brasileira continuará a ser soberana para escolher seu destino. Enquanto estamos comemorando os 40 anos das "Diretas, Já", populacho reacionário ocupa Copacabana para ouvir discursos pobres e mentiras construídas com o objetivo de derrubar um governo legal. Como em 1964, como em outras oportunidades mais anteriores. Mas vão perder, como sempre perderam. Porque não têm substância e nem um projeto de progresso, mas só de destruição. Vivem num universo paralelo, construído só para eles e sustentado pelo pântano político onde estão.

Democracia, sempre!

15 de abril de 2024

Ao fim, o sionismo!


Ao fim de tudo e justificando as ações que nos remetem aos dramas do Oriente Médio está o sionismo. Ele é a fonte de todos os crimes daquela região e do crescimento de um apoio injustificado ao expansionismo de Israel que não parou desde 1948 quando, sob o peso dos traumas provocados pelo genocídio dos nazistas na II Guerra Mundial, milhares de palestinos foram expulsos de seus lares para a criação do Estado de Israel circunscrito a fronteiras que os sionistas jamais aceitaram. Esse é o ovo da serpente!

O sionismo político foi gerado na Europa no final do século XIX, em um contexto de crescimento do antissemitismo (aversão aos judeus) naquele continente. O movimento surgiu de ações do jornalista húngaro Theodor Herzl, o responsável pelo surgimento de uma organização internacional para defender a ideia de constituição do Estado Nacional Judeu na Palestina. Esse movimento, o sionismo, foi influenciado pela obra "O Estado Judeu" (Der Judenstaat), escrita por Herzl. Ela resultou do crescimento do antissemitismo no continente europeu e sua produção foi motivada pelo caso Dreyfus, a condenação de Alfred Dreyfus, oficial do Exército francês, acusado de alta traição. Ele era inocente e, mesmo sem provas, acabou sendo condenado à prisão perpétua. Por esse motivo surgiram questionamentos sobre sua punição, que ocorreu pelo fato de ser judeu. Ou seja, foi uma pena antisemita!

Desde 1948 o sionismo expande as fronteiras de Israel. Sim, o Estado Judeu sofreu ataques por parte das diversas nações árabes, sobretudo dos Palestinos, ao longo desses anos. Mas é preciso não nos esquecermos de que os judeus invadiram aquelas terras. Israel poderia ter se dedicado a fazer a paz com os estados vizinhos através de  concessões ou outras formas de aproximação. Mas não. Eles queriam e querem não apenas o que lhes foi destinado pela ONU, mas muito mais. Querem toda a "Grande Israel" e por isso hoje ocupam ilegalmente a Cisjordânia de onde não pretendem sair nunca mais, e as terras anexadas a partir das guerras acontecidas. Aliás, só o que foi tomado ao Egito voltou às suas fronteiras históricas. Eis um retrato do drama, feito em poucas palavras.

Por isso a ONU não considerou o bombardeio de uma embaixada por Israel antes de condenar o ataque do Irã e por isso os atos terroristas do início de outubro passado foram condenados como deveriam ser, mas sem que se considerasse que o Hamas atacou terras ilegalmente ocupadas pelo estado judeu. Por último, a maior parte da população de Israel apoia hoje o sionismo e a política de Estado do seu país, o que é um erro.

Poucos são inocentes nessa guerra, além de mulheres, velhos e crianças palestinos.          

10 de abril de 2024

É disso que eles estão atrás


Em um dos dias que se seguiram à eleição do presidente hoje genocida e inelegível, encontrei-me com um conhecido para tomar vinho no supermercado Carone que fica localizado no início da Avenida Rio Branco, esquina com a Leitão da Silva. Ele é um bolsonarista fanático, formado pela Escola Superior de Guerra, e não vou revelar seu nome aqui em respeito à confidencialidade. Mas ele me disse o seguinte: "Não foi Bolsonaro quem ganhou a eleição. Fomos nós. E se tentarem nos tirar do poder vai haver ruptura!" Não houve a quebra da normalidade democrática que estava programada desde o início porque o presidente era e é muito burro, mas a extrema direita fincou os pés no Brasil.

Hoje mesmo o presidente da Câmara, o milionário "coronel" Arthur Lyra, que quer defender seu patrimônio construído sabe-se lá como, disse que não vai levar à votação a PL da regulamentação das redes sociais como a "X", por exemplo, porque não há consenso. Não há e nem haverá. É a extrema direita, que tem Lyra na coleira, quem rejeita regulamentar as fábricas de mentiras que assolam o país. Ele precisa continuar à frente do poder, fazer seu sucessor na Câmara, e esse é o preço a pagar. Ele o paga e nós que nos danemos.

Elo mundial dessa cadeia de extrema direita com fome de poder, o bilionário Elon Musk já atacou o governo brasileiro de todas as formas. O alvo dos ataques, hoje, é o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, mas o objetivo maior é destruir os Poderes Executivo e Judiciário para fazer a rapina mineral brasileira, onde os objetivos maiores são o lítio, o nióbio e o grafeno, minérios que ele precisa e o ex-presidente aceita dar de graça à Tesla em troca de apoio e poder: é disso que eles estão atrás: de poder!

A fome é imensa e o projeto extremista envolve tomar tudo o que for possível abraçar. Até aqui no Espírito Santo, um Estado pequeno, já são fortes na política regional, no comércio, indústria, serviços e colocaram as patas sujas até na Academia Espírito-santense de Letras. Sim, uma entidade mantenedora da cultura interessa pois uma das metas dessa gente é dominar as mentes e a produção científica de modo a que seu progresso seja atrelado, amarrado a fronteiras medievais onde estão encastelados os novos "evangélicos" hoje com enorme sede de ocupar os governos centrais.

Eles querem tudo. Inclusive o Palácio do Planalto!  

9 de abril de 2024

Musk, os outros e os tempos estranhos


De repente, como que surgido do nada, um megaempresário sul-africano naturalizado norte-americano, Elon Musk, se volta contra o Brasil (foto). Mais precisamente contra o Poder Judiciário brasileiro, dizendo com todas as letras que não vai mais respeitar as normas legais de nosso pais. Como se este fosse um apêndice de suas empresas. E isso me remete a um fato passado, quando um ex-presidente, montado num palanque da Avenida Paulista disse também com todas as letras que não iria mais respeitar as normas do Supremo Tribunal Federal. Ambos ameaçaram e ficaram por aí mesmo. Os dois, sobretudo o segundo, sente um medo grande de dar um passo à frente e terminar na prisão.  

O bilionário joga um jogo de alto risco ao comando de uma rede social que se chamava "Twitter", agora virou "X" e que perdeu mais de 70 por cento de seu valor de mercado desde a compra. Ninguém sabe ao certo o que ele pretende com seu negócio. E nem porque escolheu o Brasil como inimigo preferencial. Mas sabemos todos que ele tem contra si o Poder Judiciário, o Poder Executivo e parte do Poder Legislativo brasileiros, todos dispostos a enfrentar a arrogância desse cavaleiro da triste figura. Ele certamente pode estar enfrentando um inimigo superior à sua capacidade de combate e ainda não percebeu isso.

O lamentável é que o ataque desse tal Musk atinge em cheio a soberania nacional, pois ele desafia nosso país no que tem de mais caro: a inviolabilidade da Constituição. Nenhum Estado do mundo aceita ser atacado dessa forma sem uma reação pronta e legal. Mas causa espanto, embora não seja surpresa, que parte do Congresso Nacional, sobretudo e principalmente sua extrema direita não se insurja contra a aberração. Ao contrário, a apoia como se isso se tratasse de fato banal, corriqueiro e possível de ser trazido para o tanque de lavar roupa suja da política brasileira e ao abrigo da inépcia e do adesismo do presidente da Câmara, Arthur Lyra.

As postagens que foram retiradas do ar no "X" referiam-se a comentários mentirosos e divulgadores de mensagens falsas produzidos pela extrema direita do Brasil e que tinham por objetivo difundir o ódio entre brasileiros. Existe uma central de difusão de mentiras entre nós, gestada durante o período da última presidência e que continua em atividade enfrentando as normas legais apesar dos esforços das cortes judiciais superiores de agirem rigorosamente dentro do que pregam as leis. E isso persiste graças ao medo e ao adesismo de ocasião de pessoas como o presidente da Câmara, que age pensando unicamente na defesa de seus interesses privados e corporativos.          

Não mais, não será assim. O Brasil haverá de reagir contra isso.  

4 de abril de 2024

Teologia do Domínio, o inimigo!


Muitas vezes a gente se depara com esforços voltados ao domínio do inimigo errado.  Aqui no Brasil estamos às voltas com o combate ao que se chama de "bolsonarismo" e que é representado pelos projetos e ideais (sic!) dos seguidores do penúltimo presidente da República. O maior inimigo, o mais poderoso, se esconde por trás dele. E não está só no nosso país, mas sim tentando tomar boa parte do mundo através das falas grosseiras e provocativas, belicosas sim, da extrema direita mundial. Refiro-me ao que se chama de "Teologia do Domínio", e que cresce nos esgotos da extrema direita religiosa.

Recentemente, na maior exposição pública do bolsonarismo em São Paulo, a mulher do ex-presidente, Michele Bolsonaro, deixou claro que sua intenção como representante desse grupo é levar o extremismo religioso a tomar o poder. Fazer no Brasil um "estado cristão" em substituição e contraposição estado laico que temos e no qual foi construída a identidade nacional multiétnica, plurirreligiosa e que não congrega apenas cristãos, mas praticantes de diversos outros credos, alguns de povos originários, outros trazidos da África e que constituem um universo de crenças e valores responsável por nossa identidade como povo.

E também por nossa paz interna! 

O candidato a presidente do Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma "bíblia". Nela ele insere a fina flor do pensamento extremista dos EUA onde também quer um estado cristão e onde identifica seus maiores inimigos como sendo imigrantes dos mais diversos lugares, mas preferencialmente de estados latinos. Chama-os de "animais", dentre outras coisas. Segue a cartilha de extremistas da Hungria, Itália, Israel, Portugal e outros países onde essa parcela do pensamento político escala o poder usando meios legais que depois serão destruídos porque o extremismo de direita vive em função de domar os detratores que faz.

Eis nosso inimigo mais perigoso. Ele vai tentar tomar o poder para depois destruir o Estado Nacional que temos e colocar em seu lugar um arremedo de Brasil, um monstrengo de inimigos uns dos outros e onde, como já preconizou o ex-presidente que comanda seu exército de idiotas, inocentes úteis e outros nem um pouco inocentes, para tentar destruir toda a estrutura do país erguido a tão duras penas por nós, sobretudo após a ditadura militar. Essa a hora de começarmos e combater o aleijão teológico e político. Depois pode ser tarde.

Quem viver, verá!