15 de julho de 2026

O Congresso Tiririca

O presidente do PL, Waldemar da Costa Neto, em entrevista longa dada ontem à Globo News explicou (sic!) como funcionam as emendas parlamentares do Brasil que já alcançam R$ 50 bilhões anuais e tendem a aumentar ainda mais tal é a voracidade dos políticos sobre o orçamento da União: o deputado Tiricica (foto) não tem como usar tudo a que tem direito por não possuir votos junto a prefeitos. Só possui "votos de opinião" e então Waldemar, presidente do PL, envia aos prefeitos que só ele sabe quem são o dinheiro do meu, do seu, do nosso imposto para que Tiririca possa usar tudo em benefício próprio ou de terceiros para ser gasto sabe-se lá como. E presidentes de partidos não podem destinar emendas.       
 A figura de linguagem "voto de opinião", mais uma criação da anomalia política brasileira ligada às emendas, está lançada. E Tiririca é um retrato aproximado do que é o Congresso Nacional de hoje: está ao final de seu terceiro mandato, com mais de 15 anos de Câmara e raras são as pessoas que conhecem iniciativas suas. Há registros: isenção pedágios para materiais de circo, isenção de taxa de Enem para doadores de sangue e isenção de contas de água e luz para circos. Que maraviha! Tiririca, claro é (ou foi) de circo.
Aos 61 anos de idade sabe que pode não se reeleger e não deve querer voltar ao picadeiro. Usa então emendas parlamentares via presidente de partido para tentar obter votos. Isso sedimenta uma nova anomalia na política brasileira: a perpetuação de políticos ou seus descendentes nesses cargos públicos, repetindo mandatos quase indefinidamente, o que impede a renovação do exercício dessa atividade no Brasil. E o orçamento da União é hoje usado largamente não apenas para que prefeitos e governadores possam se manter nos cargos ou fazer sucessores, mas também para que não detentores de mandatos utilizem essas verbas públicas à larga.
Ontem Waldemar do PL deu entrevista como se estivesse fazendo alguma coisa absolutamente normal ao usar tal dinheiro tal qual fosse operador dele. E falou com a convicção de que vai seguir em frente mesmo com a reação do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que pretende frear isso. E precisa fazê-lo porque para a classe política, como dizia um antigo programa de TV já faz muitos anos fora do ar, "O Céu é o Limite". Eles vão seguir em frente sequestrando o orçamento até que um poder maior os detenha ou então que o eleitor se canse disso. Que o eleitor diga "basta", "chega", "não pode mais". Mas até lá a farra continua, pois outra forma de o orçamento ser secreto já foi encontrada.
Faço aqui então uma sugestão: ontem o Congresso aprovou a Pauta Bomba, que vai destinar uma boa montanha de dinheiro a agentes de saúde e outros para que estes tenham aposentadoria especial por causa da natureza perigosa de seu trabalho. Mas não há de onde esse montante ser retirado para cobrir o rombo do orçamento. Ou será que há? Basta que seja retirado do total das emendas parlamentares e não do INSS, já com deficit grande. Ora, se nossos deputados e senadores gostam de fazer bondades, que as façam com o "seu"dinheiro. E não vão comprometer nem a metade da bolada de todos os anos.

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