"a história ocorre duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa"
Esse texto é de Karl Marx, contido na monumental obra "O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte". Ele se referia à Revolução Francesa e a uma comparação entre entre os papéis de Napoleão Bonaparte (Napoleão I) e Luís Bonaparte, o Napoleão III. Este último tentou ser do mesmo porte do primeiro pelo fato de ser seu sobrinho e chegar ao poder pelo voto. Mas não, ele era só uma farsa que foi desmontada ao longo dos tempos. Capturado em batalha, deposto, foi morrer no exílio abandonado pelos franceses.
Nós vivemos época de farsas. Como a que pretende fazer colar nas pessoas a ideia de que, não houve tentativa de golpe de Estado no Brasil durante o governo do presidiário Jair Bolsonaro. Ele tentou golpear a democracia do Brasil desde que entrou no Palácio do Planalto eleito pelo voto popular. Buscou fazer isso via Estado de Sítio, Estado de Defesa e o que mais houvesse para ser tentado na nossa Constituição ou fora dela. Ele não aceitava, como não aceitou nunca, o fato de não ter sido reeleito. Tentou a farsa com o golpe.
Agora ela surge num outro viéz. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, feito membro do STF por Bolsonaro e por ser "terrivelmente evangélico" quer pagar o favor. Atropela todos os ditames jurídicos, todos os limites para tentar atingir o colega (sic!) Alexandre de Moraes. Mostrou áudios deste em contato com o banqueiro desonesto Daniel Vorcaro e em diálogos ao menos suspeitos. Mas que devem e têm que ser explicados aos brasileiros. Só que ele também tem escontros secretos com o mesmo personagem e no seu caso alega não haver nada de errado. Claro que não. O errado é sempre aquele que a gente quer atingir, quer destruir. Quer retirar do nosso caminho.
Relator de processo, invadiu as contas e documentos privados de muita gente, sobretudo do filho do atual presidente da República. Sim, indiretamente isso atinge o presidente. Mas nada fez contra o candidato Flávio Bolsonaro, com quem toma espumantes nos restaurantes de luxo de Brasília, esse sim envolvido em casos claros de corrupção capazes de fazer corar muita gente. Dois pesos, duas medidas. Terrivelmente parcial!
A ideia do golpe de Estado nunca se afastou totalmente da nossa história e do nosso dia-a-dia. Está presente em praticamente todos os atos praticados pela extrema direita política desse país. Mas, sinceramente, não esperava dar de cara com ela no salão de julgamentos do Supremo, esse mesmo que foi destruído pelo golpistas em janeiro de 2023 (foto). Mas eis que, para ao menos pasmo, ele surge prostituído no ambiente reformado.
Os organismos formados pelas pessoas são todos constituídos por homens e mulheres que levam consigo para todos os cargos que ocupam a totalidade de seus defeitos e virtudes. Mas por que essa miseravel decisão de logo no Supremo Tribunal Federal eles darem voz sobretudo e principalmente aos seus piores defeitos? Aos mais mesquinhos? E não há motivo para isso. Leva-se uma vida inteira para construir a honra e poucos instantes para jogá-la na lama. Pior de tudo é que a democracia que muitos desejam enlamear depende da honrabilidade do Poder Judiciário para se manter de pé.
Mirem-se, senhores no exemplo de Carmen Lúcia!
E protestem contra todo tipo de farsa e farsantes.

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