Quando o Brasil realizou aqui a Copa do Mundo de 2014, teve que se sujeitar, na assinatura dos termos de compromisso, a uma série de exigências por parte da FIFA que restringiram até mesmo sua independência como nação. Além de o país estar subordinado à Lei Geral da Copa, as mudanças decorrentes dessa situação chegaram a adequações estruturais e financeiras que envolveram até mesmo alterações temporárias na nossa legislação. Não tínhamos sequer soberania jurídica total, como ocorre em todas as demais situações. Era aceitar ou o Mundial seria transferido para outro país.
Mas isso faz 12 anos... Agora o governo de Donald Trump faz o que quer e submete as pessoas a constrangimentos inimagináveis na Copa de 2026, que desde hoje é realizada lá, no México e no Canadá. A sequência de fotos acima mostra a delegação do Senegal sendo alvo de revistas totais mesmo na pista de taxi do aeroporto onde desembarcou, antes de chegar ao terminal aeroportuário. O que aconteceu com a delegação da Holanda, desembarcada quase na mesma hora, foi totalmnete diferente. Um árbitro somali escalado pela FIFA para atuar na Copa e que tinha até passaporte diplomático de seu país voltou do aeroporto, não admitido. E não foi aceito apenas e tão somente porque tinha aquela nacionalidade. Nada mais.
E a FIFA? Curva-se.
O que se passa com a delegação do Irã é ainda pior. Proibida de ingressar em território norte-americano, está hospeadada em Tijuana, no México, ao lado da fronteira. Vai ter que ingressar no país ianque para jogar e retornar imediatemente ao lugar de onde saiu. Não pode sequer pernoitar no quintal de Trump embora as normas da FIFA determinem o contrário. E os ingressos de seus torcedores foram simplesmente cancelados sem maiores explicações embora tenham sido adquiridos como mandam as regras, online.
Isso nunca aconteceu até hoje. Uma Copa do Mundo é uma competição esportiva e nada mais. Todos os países que se classificam nas diversas eliminatórias têm direito de tomar parte da disputa. Motivações políticas não podem interferir de forma alguma. Sempre foi assim até hoje com a entidade que dirige o futebol. Mas agora ela está sendo presidida por Gianni Infantino desde fevereiro de 2016 e com mandato até 2027. E esse presidente, que já criou um troféu da paz para Trump, é poodle desse personagem. Poodle domesticado!
A imensa maioria das reações desse presidente dos EUA tem origem racista. A Somália fica na África, tem população negra, é pobre e os somalis ja foram chamados de todos os epítetos de raça por parte do supremacista branco da Casa Branca. O Senegal, a mesma coisa. O árbitro que teve o ingresso nos Estados Unidos recusado poderia ser enviado para apitar os jogos a serem realizados no Canadá ou no México, mas nem isso Infantino faz. Hoje a gente está tendo uma festa de abertura da maior competição de futebol do mundo sem que os jogadores, atores maiores nesse espetáculo, sejam a atração principal. Ao contrário, esta está na Casa Branca, movida pelo ódio. Trata-se de um degenerado que um dia pagará por isso.
Ele promove a Copa do Extremismo patrocinada pela FIFA.
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