4 de junho de 2026

Um PIX no sapato

Notem bem uma coisa que talvez tenha passado desapercebida a muita gente - aos jornalistas da Globo News, certamente - quando a "carta" de Flávio Bolsonaro foi lida na TV logo depois de ser endereçada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele falava o tempo todo que tentou de diversas formas evitar as novas taxações do governo norte-americano sobre nossa economia - pois sim.. - mas em momento algum tocava no PIX. Essa carta, mentirosa como tudo o que vem do  bolsonarismo, esta aí mesmo para quem quiser ver ou rever. Ele pode dizer jamais ter pedido ao dirigente dos EUA para não taxar o Brasil, já que nenhuma testemunha confiável estava presente à reunião entre eles, mas deve o tempo todo defender o sistema de pagamentos instantâneos brasileiros porque este é usado por praticamente todos e negá-lo publicamente seria suicídio. Isso só se faz por baixo dos panos, aliás como agem esses agentes do imperialismo atual.

Foi o irmão de Flávio, Eduardo, quem deixou escapar a forma como essa questão está sendo tratada. Ele falou com orgulho indisfarçável do Zelle, um sistema de pagamentos adotado nos Estados Unidos. Trump e seu governo querem transformar nosso sistema nesse avatar norte-americano. Mas ele é privado, não tem transferência de valores imediata, é ligado aos bancos que decidem se taxam ou não as transações, têm o direito de impor regras ao seu funcionamento e podem inclusive cancelá-lo a qualquer momento, contanto sua existência prejudique "os negócios" como dizem os agentes do mercado aqui e lá.

Flávio nada falou do PIX na "missiva". Tarcício de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e outros próceres da extrema direita evitam o assunto como o diabo foge da cruz. E nenhum deles toca no caso por um motivo simples: eles vão ceder aos Estados Unidos nesse ponto caso um deles chegue ao Palacio do Planalto em janeiro próximo. Oferecerão o sistema público, que é uma invenção brasileira, à voracidade ianque. Isso, juntamente com as terras raras, as instituições públicas e o que mais eles quiserem nos tomar. Como sempre foi, só que de forma menos explícita.

E vão fazer isso, não por ideologia mas sim por seu complexo de vira latas jamais disfarçado e nunca também confessado. Escondidos como estão escondidos até mesmo os rituais nazistas, como o de beber leite copiando o que faziam os líderes supremacistas brancos do século passado (foto ao lado). O ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Geobbels fazia isso porque para ele a prática significava a promoção de ideias de pureza racial ligadas a saúde, vitalidade e outros. Os nazifascistas brasileiros são seus filhos bastardos.

Com a proximidade da campanha eleitoral oficial, nossa extrema direita irá às ruas. E, como sempre, estará armada do que há de mais "moderno" em seu arsenal: a capacidade de tentar transferir para o outro lado, a seu opositor, todas as mazelas de suas vidas e crenças. Eles entendem que, assim agindo, conseguirão iludir a população, ganhar as eleições e reconquistar pelo voto um País em cujo poder pretendem se manter até mesmo por golpe, como já foi tentado recentemente. Só que as coisas começam a não dar tanto certo hoje como ontem. O Caso Master está derrubando Flávio Bolsonaro, outros desacertos começam a afetar alguns dos demais membros do alto escalão da oposição e agora surge esse sistema de pagamentos brasileiro, todo nosso, público, mas que eles pretendem destruir com a privatização travestida de modernidade. Parece que não vai dar certo em momento algum.

Em vez de pedra, a extrema direita tem um PIX no sapato.         

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