O que acontece é que estamos sendo vítimas de uma tentativa clara de interferência político/ideológica nas eleições de outubro próximo, ao mesmo tempo em que o governo dos EUA protegem sua economia e tentam privilegiar políticas e empresas norte-americanas no Brasil sob a camuflagem de acusações comerciais diversas. E falsas.
Basicamente os Estados Unidos querem três coisas do Brasil: o PIX sendo equiparado às bandeiras americanas do Visa e do Mastercard, a abertura de nosso mercado ao etanol deles e moratória de quatro anos para tributos e multas de plataformas digitais. É o principal. Nada disso se pode negociar. O PIX é sistema público e para pessoas físicas não há cobrança de tarifas na maoiria dos casos. Tarifas existem só para pessoas jurídicas ou em transações com fins comerciais. Além disso, elas são pequenas.
Equiparar esse sistema nosso aos cartões bancários dos EUA para eles competirem em pé de igualdade só seria possível com a cobrançs de tarifas iguais às deles, pois seu sistema é privado e não faz transferências sem custo. Então essa equiparação anularia o caráter social que levou à criaçao do nosso sistema e que hoje beneficia milhões de brasileiros.
Deixar o etanol dos EUA entrar aqui como eles desejam poderia matar todo o esforço de manutenção do Programa Pró Alcool, criado para incentivar os veículos bicombustíveis nacionais. Finalmente, moratória de multas e de tributos para plataformas digitais somente as manteria ao largo das leis brasileiras que elas insistem em desconhecer, obrigando sempre a nossa Justiça a intervir para fazer com que cumpram a legislação. Nada disso é aceitável.
O Secretário de Estado mente quando fala que o Brasil age de má fé nas negociações. Isso não é verdade. Foram mais de 30 reuniões para tratar do problema, sem resultado algum de caráter técnico. E tal situação decorre do fato de que o lado técnico não importa, mas somente tentar pressionar politicamente o Brasil. Temos um déficit comercial de 7,5 bilhões de dólares no comércio com os Estados Unidos e tal fato sequer foi colocado na mesa.
As demais alegações igualmente são insustentáveis. Dizer, por exemplo, que o atual governo incentiva o desmatamento ilegal e o trabalho escravo é agredir a verdade. Tudo o que o atual governo fez ao longo dos anos foi lutar pela redução do desmatamento e o combate a outras práticas criminosas, como é o caso do garimpo ilegal que era largamente aprovado pelo governo anterior e gerava até mesmo uma grnade série de homicídios. Indígenas chegaram a morrer de fome nas reservas abandonadas pelo Estado durante quatro anos seguidos.
Ontem o vice-presidente Geraldo Alkmin e ministros do governo deram entrevista coletiva ao final do dia e explicaram todos os pontos da questão (segunda foto). Nada ficou sem ser focalizado. Portanto, cabe ao Brasil esperar pela concretização das ameaças dos Estados Unidos para tomar medidas de reciprocidade que nada serão além da defesa de nossos interesses sobretudo comerciais. E também cabe encaminhar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), órgão necessário em situações esdrúxulas como essa. A defesa intransigente dos interesses nacionais está acima de tudo hoje e sempre.
Também ontem à noite, em Washington, o presidente Trump falou longamente sobre as eleições de 2020 e disse - sem provas, sempre - que a China interferiu no pleito norte-americano. Ele pretende, com uma ordem executiva, interferir nas eleições de meio de mandato de seu país. Para a extrema direita não basta querer fazer outros países vassalos seus porque é preciso também destruir sua própria democracia interna. Portanto, é preciso estar atento e forte porque o golpismo sobrevive a cada esquina e a América do Sul foi eleita para ser seu quintal. Reciprocidade, sim!


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