9 de setembro de 2026

O agente do golpe

Foi o ator José de Abreu quem fez uma verdade ser publicada como piada que está hoje na Internet: "O desejo era fechar o STF com um cabo e dois soldados. Arrumaram um pastor". Perfeito! Nada é mais correto!

O filho 03 de Jair Bolsonaro, Eduardo Bananinha, hoje nos Estados Unidos foi quem disse certa feita que era fácil dar um golpe de Estado no Brasil e bastavam para tanto um Jeep com um cabo e um soldado. Não deu para fazer assim. Mas digo com tanta convicção quanto a de que estou vivo na hora em que escrevo esse artigo do Blogdoalvaro: André Mendonça, o pastor terrivelmente evangélico e colocado lá pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para delírio da ex-primeira dama Michele Bolsonaro, é o agente do golpe levado ao STF. De início, calmo. Diria eu, calmo e calculista. Mas agora, no dia certo e no momento ideal ele provoca uma crise institucional sem precedentes e cai toda ela no colo do atual presidente Lula. Bolsonarista de carteirinha, isso era tudo o que André queria desde seus encontros regados a champagne com 01 como nessa foto acima tirada num evento, segundo foi identificado, de juristas conservadores (sic!). Um encontro bem a carater para os dois.

André Mendonça determinou o afastamento do diretor geral da Polícia Federal que não seguia sua cartilha, e de mais um assessor direto deste, no dia de ontem pela manhã. Foi esse o caos que se queria criar, armado, gestado e parido pelas entranhas da extrema direita. Agora, também pela manhã, o ministro Flávio Dino, da mesma forma em decisão liminar, reverteu o afastamento determinado ontem e foi claro ao escrever em sua decisão que o colega (sic!) Mendonça age em causa própria e se apropria de um poder decisório que, segundo a Constituição, é de competência exclusiva da presidência da República, no caso a de nomear ou afastar, dentre outras autoridades, o diretor geral da PF.

Ontem não se falou de outra coisa. Pela TV ouvi o comentarista Otávio Guedes, da Globo News, dizer que não há apenas uma Polícia Federal e os diretores que ontem colocaram seus cargos à disposição são da ala que apoia o diretor geral Andrei Rodrigues. Isso é verdade, e sem querer saber mais o que o jornalista citado, acrescento: a politização da Polícia Federal começou nos anos de chumbo da ditadura militar brasileira, quando a corporação foi colocada a serviço do regime até mesmo para ameaçar e prender ilegalmente. Isso aconteceu em muitos casos, em diversos lugares. Recordo-me como se fosse hoje: eu tomava cerveja no Bar do Yamaguchi - um jodoca que foi assassinado -, no bairro de Jardim da Penha onde morava e moro, quando em uma outra mesa onde estava um delegado da PF, este se jactava por ter esmurrado um seu professor de matemática, dentro da sala de aula, porque anos antes este havia dito ser de esquerda. Eram assim esses dias de medo e ilegalidades...

A extrema direita dos dias de hoje ainda tenta se sustentar no que sobrou desses anos de chumbo. Mas em mim fica a quase certeza de que os extremistas dos tempos da ditadura ainda existem, sim, mas já são minoria. A Polícia Federal de hoje é em maioria uma corporação honrada e que cumpre sua missão de segurança pública subordinada diretamente ao Ministério da Justiça que, por sua vez, está subordinado à presidência da República. Ela é de suma importância para o Estado Democrático e de Direito. Até passaportes são emitidos por ela.

Não creio que o agente do golpe hoje no STF possa fazer muita coisa amparado na PF. Mas se a função dele é a de interferir nas eleições de 04 de outubro para ajudar o candidato Flávio Bolsonaro e a extrema direita política brasileira, já está fazendo isso com extrema competência. Sabujos geralmente cumprem a missao para a qual foram treinados subterraneamente. É a hora da reação daqueles que defendem a democracia e o Estado de Direito. E sem que nos esqueçamos de algo também muito importante: o ministro Alexandre de Moraes deve explicações aos brasileiro que, como eu, eram fãs dele e têm tanto ódio e nojo da ditadura, como Ulisses Guimarães disse um dia, quanto de mafiosos como Daniel Vorcaro.

Todos pela democracia!

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