13 de outubro de 2026

O Estado fraturado

Às vésperas de um segundo turno de eleição presidencial nós, os brasileiros, independente de corrente política assumida, vivemos em um Estado fraturado. Com fratura exposta. Dividido quase literalmete ao meio e em um clima de quase guerra civil e que deveria ter no Poder Judiciário um elemento pacificador. Mas não esse o nosso caso.

A cisão dos últimos tempos levou à polarização social que representa o afastamento das posições em direção a dois extremos ideológicos - esquerda e direita - que enfraquecem as posições moderadas e, sobretudo, o Centro. E estou me referindo à direita ideológica, situada anos luz de distância da extrema direita em ascenção no mundo e no Brasil e também ao Centrão, o aleijão político oportunista quase próximo do assalto a mão armada.

Os últimos eventos envolvendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e seu presidente, o ministro Kassio Nunes Marques, são o retrato do que ocorre nas cortes superiores de Justiça à vésperas dessa eleição. Escolhido pelo ex-presidente hoje condenado e mantido em prisão domiciliar já faz um bom tempo, Jair Bolsonaro, vê este comandar a extrema direita de seu endereço no Jardim Botânico de Brasília. Até as paredes sabem que nem uma única pedra é movimentada nesses tempos turvos sem seu conhecimento e aprovação.

Hoje o filho candidato a presidente recebeu autorização de visita e disse ter encontrado o pai feliz com o resultado do primeiro turno. Ele sabe disso desde o dia da contagem dos votos. Sabe também que passos seu espectro político deve dar daqui para a frente e que ordens diretas passar aos aliados, inclusive Kassio e André Mendonça.

O leitor acredita que Jair é um doente necessitando de tantos cuidados? Creio que não. Informa-se diariamente pela TV, internet e embora tenha restrição de acesso a seu próprio celular, o da esposa está livre e solto. Condenado a 27 anos e três meses de prisão, esse ex-presidente não passou um único dia trancafiado. É um caso único entre os presos brasileiros. Prova viva de que tentar golpe de Estado no Brasil é um ótimo negócio. Basta viajar para os Estados Unidos, se fazer de vítima e comandar o circo da extrema direita.

O Governo Lula seria totalmente inocente nesse espetáculo de baixa qualidade se não tivesse sido indiretamente envolvido nele graças ao fato de os tentáculos de Daniel Vorcaro terem atingido o Supremo Tribunal Federal. Mas não sua administração, apesar dos esforços de parte da chamada "Grande Imprensa" em conseguir isso via seu filho Lulinha. Ao menos se trata de um coadjuvante que não sabe manter distância protocolar da arena dos lobos.

O Estado fraturado não vai sair incólume desse processo. E embora a imensa maioria da bandidagem atual esteja encastelada no PL e proximidades, o jogo político de baixo escalão faz com que a lama de Brasília atinja a todos quase indistintamente. Kassio Nunes Marques, dono de vínculos com o escândalo Master, precisa de uma vitória bolsonarista para se manter quase incólume no submundo da extrema direita. Tem envidado esforços nesse sentido. Hoje, com o clima quase irrespirável do Brasil, já não é possível cravar que as eleições ocorram sem sangue derramado. Fogo em patrimônio público já há. 

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