6 de fevereiro de 2022

Vamos fazer acontecer


Tenho uma convicção íntima: ou essas eleições do final do ano tiram Jair Bolsonaro e seu entorno do poder ou o Brasil estará destruído, talvez irremediavelmente. As pessoas que continuam a apoia-lo de forma incondicional, são totalmente comprometidas com esse esquema destrutivo, apostam no nazi fascismo e não conseguem ver um metro diante dos olhos. São cegas. Vamos aos fatos.

Para o orçamento desse ano há nada menos do que R$ 38,1 bilhões comprometidos com os políticos que querem usar dinheiro público para renovar seus mandatos. Essa imensa massa de recursos está sendo carreada para a parte podre, corrupta do Poder Legislativo via emendas do relator (conhecidas como  orçamento secreto) (R$ 16,2 bilhões), emendas individuais (R$ 10,5 bilhões), de bancada (R$ 5,7 bilhões) e fundo eleitoral (R$ 5,7 bilhões). Tudo isso foi feito com o beneplácito do presidente da República que quer renovar seu mandato e evitar um processo de impeachment em ano de eleição.

Além disso a destruição da Amazônia está atingindo esse ano níveis nunca antes registrados, segundo levantamentos de satélite do IPAM. Evidentemente que esse movimento de destruição atinge também o cerrado, a mata atlântica, pampa e todos os demais biomas brasileiros. Paralelamente a essa tragédia, o crescimento da miséria atinge níveis insuportáveis. O desemprego é absurdo. O custo de vida, insuportável. Em Vitória, onde moro, as ruas estão lotadas de mendigos e o número aumenta todos os dias. Nas outras cidades brasileiras também. Milhares estão comendo ossos que antes eram jogados fora e agora os açougues vendem "baratinho". Famílias inteiras que perderam as casas foram morar em barracas montadas nas ruas, como acontece em São Paulo (foto Folha de S. Paulo) e outras cidades. Pior de tudo: não há luz no fim do túnel, muito pelo contrário.

Questionei hoje um bolsonarista que se diz "de raiz" num supermercado. O que ele me disse: "Não quero ver nada, Álvaro. Voto em Bolsonaro porque não aceito o PT de volta ao poder". Perguntei então porque ele não considerava os outros candidatos, já que há tantos. Não quer. Encerrou a conversa e foi embora "antes que eu me aborreça com você". Uma parte do Brasil está cega!

Mas a solução existe: tirar Bolsonaro por meio do voto. Sacar esse sujeito e torcer para que o presidente sucessor tenha a capacidade de impedir a continuação da rapina que o meio político pratica hoje sobre os recursos públicos nacionais. Tenha como parar a destruição do meio ambiente brasileiro. Queira combater a miséria em todas as frentes e respeite e Constituição como uma bíblia que a todos protege. Isso não é impossível, podem acreditar. E nós vamos fazer acontecer em outubro.            

1 de fevereiro de 2022

As lições de Portugal


Eleições são lições e aprende com elas quem tem um mínimo de inteligência. Hoje, passados dois dias do pleito que deu o poder de governar ao Partido Socialista em Portugal, o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE) amargam uma derrota impensável e que abriu caminho para dois nanicos fascistas terem mais cadeiras no Legislativo: Chega e Iniciativa Liberal.

É fácil explicar o que houve. Havia em Portugal, no comando político do país, uma união de siglas à qual se deu o nome de geringonça e que era capitaneada pelo Partido Socialista de António Costa. Coisa dos portugueses. Os demais partidos de esquerda formavam essa coalisão e não aceitaram o projeto de orçamento que o PS levou à votação. Como não houve acordo, o governo caiu porque é assim que as coisas funcionam no Parlamentarismo. Ou seja: PCP e BE derrubaram seu próprio governo.

Como foi necessário antecipar as eleições legislativas em dois anos, o eleitor de Portugal deixou seu recado: ele apoia o projeto socialista e ficou revoltado com o fato de as duas siglas de inspiração comunista não o terem aceito e, em função disso, provocado a queda de todo o projeto. António Costa (no cartaz da foto) volta a comandar o país e agora não precisa de geringonça nenhuma como muleta. Além do mais a pouca inteligência e o nenhum jogo de cintura das agremiações comunistas colocou a extrema direita no governo. Eles ainda não representam quase nada, mas já terão capacidade de gritar a plenos pulmões, o que sabem fazer muito bem.

Aqui no Brasil teremos eleições em outubro. Ou a esquerda se une e enfrenta o bolsonarismo sem radicalismos, com acordos claros, ou correrá o risco de ressuscitar um morto político. Foi a carrada de erros e roubos cometidos pelo PT e seus aliados ao longo dos governos de Lula e Dilma Roussef o que propiciou a chegada ao poder de Jair Bolsonaro, as rachadinhas, as milicias et caterva. Estamos vendo no que nos metemos dia após dia, mês após mês nos últimos três anos. Agora até mesmo cenas de chiqueiro os brasileiros têm que assistir enquanto um presidente que já gastou R$ 30 milhões em cartões corporativos tenta se mostrar "um homem do povo" com galinha frita e farofa sendo comidas com as mãos.

Mirem-se no exemplo de Portugal. Tenham inteligência. Chega de fascismo tupiniquim.    

28 de janeiro de 2022

A tática do confronto


Uma pergunta toma conta hoje de todos os noticiários jornalísticos políticos brasileiros, sobretudo nas TVs fechadas: qual foi a tática de Jair Bolsonaro ao não comparecer para depor na PF, em Brasília, mesmo depois da intimação por parte do ministro Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal? Resposta simples: é a tática do confronto e da tentativa de destruição das principais instituições civis brasileiras, de fora para dentro ou de dentro para fora. Não há outro motivo.

Só os tolos e os que agem de má fé acreditam nos discursos de defesa da democracia, das liberdades individuais e da preservação do Estado Democrático e de Direito que o presidente apregoa nos seus pronunciamentos geralmente cheios de falácias de factoides. O Bolsonaro real é um amante da ditadura militar 1964/85, gostaria de intervir no Supremo e no Congresso, é a favor da tortura e nunca, jamais em tempo algum teve por objetivo ser o presidente de todos os brasileiros. Governa apenas para seus correligionários. Por isso só fala no cercadinho do Palácio da Alvorada e dá entrevistas combinadas para poucos meios de comunicação. O principal deles é a TV Jovem Pan, apoiadora de seu governo.

Desrespeitar o Supremo é perigoso? É, mas Bolsonaro faz isso como um risco calculado. Ele já armou parte da população que o apoia, cooptou parcela das instituições policiais municipais, estaduais e federais e conta com a apoio incondicional dos "bolsonaristas de raiz", os apoiadores incondicionais, cegos e que foram apelidados de "gado" por seu próprio filho Eduardo. Com isso, pode protagonizar uma crise institucional de grandes proporções se julgar necessário. Uma convulsão social não seria má ideia, sobretudo diante de um quadro de derrota eleitoral iminente como parece muito provável.

Ele sabe que uma derrocada em outubro vai colocar a ele e a todo seu clã ao alcance da Justiça. Quer evitar porque isso é uma questão de sobrevivência política e física. Vale tudo para fugir a esse risco. Desrespeitar o Supremo não comparecendo à sede da Polícia Federal em Brasília, a esse prédio solene da foto, faz parte do projeto. Seus apoiadores incondicionais vibram só de acompanhar o noticiário. E a democracia que é desrespeitada de forma pungente com esses atos? Dane-se ela. Como já foi dito, o miliciano das "rachadinhas" e das fake news só é democrata da boca para fora.     

26 de janeiro de 2022

Luto por nós


É muito estranho esse país chamado Brasil! Mais de 600 mil pessoas morreram por omissão criminosa do governo federal capitaneado pelo presidente Jair Bolsonaro e ontem pela manhã a bandeira nacional foi baixada a meio pau para que os imbecis da República chorem a morte de um mendigo intelectual de nome Olavo de Carvalho (foto), falecido de Covid-19 nos Estados Unidos. E isso acontece em meio a uma crise política sem precedentes na historia recente, quando o Poder Legislativo nos governa via Centrão depois de emparedar um presidente que quer tentar a reeleição a qualquer custo.

Em meio a todo esse caos o governo federal comemora o fato de o Brasil estar cotado para ingressar na OCDE dentro de alguns anos (sic!). Poucos pararam até agora para pensar no fato de que para isso acontecer o país vai ter que se comprometer com a luta contra a corrupção, pela preservação da democracia e defesa do meio ambiente, além de outras exigências. E qualquer criança ingressando no ensino fundamental sabe que Bolsonaro não tem compromisso com combate à corrupção, está pouco se lixando para a democracia e quer mesmo é destruir o meio ambiente do Brasil, o que já está sendo feito.

É incrível como em meio a tudo isso os apoiadores incondicionais do presidente o sustentam contra todos os fatos. Focados na tentativa de destruição do ex-presidente Lula, centram fogo nele praticamente se esquecendo de todos os demais candidatos hoje colocados à consideração dos eleitores. Como Ciro Gomes (PDT) até agora o único a apresentar um plano de governo consistente. Somos levados a crer que planos de governo não existem para o poder federal atual e seu gado. Só Lula os incomoda. E se Ciro crescer nas pesquisas haverá tempo de centrarem fogo nele, encontrando na lata do lixo intelectual onde vivem argumentos suficientes.

Olavo de Carvalho notabilizou-se por ser um autodenominado filósofo. Num governo que odeia filosofia, antropologia, sociologia e tudo o mais que represente ciências sociais, era cultuado por ser um extremista de direita que intercalava momentos de amor com outros de ódio ao presidente brasileiro. Virou motivo dos mais variados tipos de piadas desde o momento do anúncio de sua ida para o inferno. A bandeira brasileira hasteada a meio pau, sobretudo em frente ao Palácio do Planalto, é um retrato pronto e acabado do governo que temos: com a imagem e o nível de sua filosofia.

Talvez até pior do que isso. Precisamos mesmo é de um luto por nós.   

16 de janeiro de 2022

Jogada de alto risco


Hoje discordei de afirmação da coluna de um meu querido amigo, quando ele disse que Jair Bolsonaro - louquinho para visitar Vladimir Putin em Moscou - apoia politicamente o governo da Ucrânia. Digo e repito porque tenho convicção: o presidente do Brasil apoia quem ou o que é de sua conveniência. Torna-se inimigo de quem ou do que é de sua inconveniência. E como muda todos os dias dependendo da evolução dos acontecimentos ou da avaliação sempre tosca que faz deles, isso também nunca pode ser escrito. Aliás, nada do que esse governante submisso ao Centrão diz pode ser escrito.

Em junho de 2019 o presidente brasileiro teve um encontro pessoal com Putin (foto). Isolado pela totalidade dos líderes sérios do mundo, é capaz de fazer qualquer coisa para "provar" não ser um pária. Encontrar o presidente russo em Moscou faz parte de suas apostas, mas, nesse caso, trata-se de uma jogada do mais alto risco por causa da situação explosiva em que se encontram as relações políticas internacionais atuais, sobretudo envolvendo Estados Unidos e Rússia. Então, para que ir ao país do czar num momento como esse? Para que tocar num barril de pólvora? Eu sei: para falar ao gado!

Desabando nas pesquisas de opinião pública, a cada dia mais isolado, Bolsonaro se apoia nos seus apoiadores fieis. De raiz. São eles e apenas eles que podem garantir suas hoje parcas expectativas de chegar ao segundo turno nas eleições presidenciais de outubro. Por eles é capaz de fazer qualquer coisa como, por exemplo, tentar aprovar no Congresso aumento salarial apenas para a PF e a PRF. Essas são as impressões digitais de um governo miliciano. E que também compra o apoio quase incondicional de grande parte das polícias militares com o compromisso não escrito mas claro de elas o defenderem "fora das quatro linhas da Constituição" caso sejam por ele convocadas.

A tudo isso se soma sua atuação fora da lei nas redes sociais. E verdadeiros absurdos como não fazer o menor esforço - muito pelo contrário - para que procurados pela Justiça do Brasil homiziados nos Estados Unidos e no México sejam presos pela Interpol para responder por seus atos. Bolsonaro joga no caos, pelo caos e para o caos. Só assim vai poder posar de vítima caso seja mesmo derrotado nas eleições de outubro próximo, resultado que não deve aceitar em hipótese alguma.

Bom, existe a possibilidade de daqui até a viagem a Moscou as relações internacionais se deteriorarem  mais, os russos invadirem a Ucrânia e a situação criada tornar impossível um deslocamento como esse. A agora, Jair? Problema nenhum; basta dizer que tudo isso é invenção da imprensa fabricante de fake news e que quer vê-lo fora do poder que ocupa desde 2018 por vontade divina.        

    

10 de janeiro de 2022

7 de setembro vem aí!

Vamos começar pelo título: 7 de setembro vem aí e vai marcar os 200 anos da Independência. Donde o perigo. Concordo com todos os que dizem não ter Bolsonaro esgotado seu projeto de golpe de estado na comemoração passada. Ataques como esse mostrado na foto continuam no script desse ano. Talvez seja a última chance e ele não a vai perder. Talvez perca a aposta, mas não a oportunidade.

Hoje mesmo vi na TV Jovem Pan uma "entrevista exclusiva" dada pelo presidente a uma falsa repórter de roteiro nas mãos. Explico como funciona essa farsa: a edição combina tudo com o entrevistado e passa ao entrevistador a relação de perguntas a serem feitas. Tudo devidamente combinado, treinado. E sob cenário solene, bem verde/amarelo e luxuoso, é gravado o mise-en-scène. Proibido fugir ao script. Durante sua fala, dentre  inúmeros factoides, Bolsonaro tentou demonstrar experiência lembrando os 28 anos passados no Parlamento. A repórter perguntou a ele o que fez durante todos esses anos? Não. Não estava no roteiro. Não se deixa o dono da festa de calça curta.

O bicentenário da Independência, aposto, está no esquema da campanha à reeleição. Como ele não pretende aceitar a derrota hoje certa em hipótese alguma, vai tentar repetir Trump, o primeiro cavaleiro da triste figura do fascismo século XXI que assola o mundo. Já está em campanha. Aliás, sempre esteve. Por sinal, nunca deixou de estar. O segundo mandato é a fixação desse projeto de ditador de aldeia apoiado por milhares de extremistas de direita que formam seu gado e que hoje, por orientação sua, se tornaram milícia violenta, armada, disposta a cometer crimes para defender o chefe. O mito. O par(mito).

Difícil antecipar os passos desse presidente. As coisas mudam todo dia, a cada episódio, a cada crise que ele próprio constrói para tirar das pessoas o foco dos verdadeiros problemas do Brasil e dos quais hoje é o único senhor. O único construtor. O único artífice. E se as vacinas e as urnas eletrônicas não forem suficientes para criar mais estresse até a eleição, ele vai encontrar outros assuntos. Para isso está competentemente assessorado pelo filho 02 e as redes sociais.

Mas nós vamos ganhar. O bicentenário da Independência está chegando e será mais uma festa da democracia, mais uma vitória das instituições civis que nos orgulham. Do verdadeiro verde/amarelo. Vamos que vamos!            

31 de dezembro de 2021

Feliz ano novo para nós!


Os dois homens que você vê na foto não estão andando de moto aquática. Nem se divertindo em Santa Catarina. Eles são moradores da Bahia onde uma grande quantidade de casas, estabelecimentos comerciais, industriais, rurais e outros foram destruídos nos últimos dias pelas chuvas que castigaram aquele Estado brasileiro. Não vão ter um feliz ano novo! Conseguiram salvar suas vidas, o que já é muito. E os dramas deles, de milhares de brasileiros, foram vividos também em outros estados.

Houve, sim, alertas de chuvas fortes. Mas o presidente dessa pobre república estava preocupado em programar suas férias com a família, tudo às custas do povo brasileiro, e não tinha tempo a perder com essa gente pobre que só sabe torrar a paciência dos outros. Por isso ele nem sequer interrompeu a farra familiar. Deu ordens diretas aos seus ministros para não somente irem lá em lugar dele, mas também para voltarem a promover contenciosos contra as vacinas de Covid 19, seja porque agora são para crianças e adolescentes, seja porque destinam-se a estudantes universitários. Que morram todos!

As imagens desse presidente se divertindo no Parque Beto Carreiro com mulher e filha a tiracolo enquanto a população nordestina - principalmente - morre ou fica na miséria mais completa são de cortar o coração. Sobretudo quanto a gente tem que ler declarações dele dadas em rede social e nas quais diz que o Brasil não precisa de ajuda argentina para a Bahia mas, sim, aceita auxílio japonês. E ainda usa de ironia, de deboche, contra o povo de seu País.

Bolsonaro não sente empatia. Também não tem adversários políticos. Ou tem moleques de recados capazes de fazer qualquer coisa ou então vê os semelhantes como inimigos. Assim olha para o presidente da Argentina, Alberto Fernandez. Assim vê quem quer se vacinar e tem receio de morrer infectado por quem não se vacina. Que se danem todos. Ele precisa de seu gado e de sua estupidez.

O presidente do Brasil não apenas jamais sente empatia por seu semelhante como é mau. É cruel. Ele tem prazer em fazer sofrerem as pessoas das quais não gosta. E de subjugar os dejetos sob seu comando. Não vai melhorar, não vai mudar e, tenho certeza, ainda não desistiu do projeto de um golpe de estado. Ainda não o perpetrou porque faltam-lhe força e apoio militar.

Feliz ano novo para você e para todos nós que não somos como ele.            

20 de dezembro de 2021

Viva Chile! Viva a Democracia!


Ontem à noite, enquanto era saudado por milhares de pessoas após ser eleito presidente do Chile aos 35 anos de idade, o ex-deputado descendente de croatas Gabriel Boric discursou agradecendo o esforço de seus correligionários e dizendo também ser grato àqueles que votaram em seu "contendor" pois todos haviam dito "sim" à democracia chilena. Antes disso o extremista de direita e admirador pinochesista José Antonio Kast, o derrotado, havia admitido ter perdido e cumprimentado o vencedor. Isso partido de um político com raízes paternais no nazismo é muito bom.

Vamos demorar um pouco para saber do que Boric é capaz, ainda jovem e à frente de um país em crise e que terá de ser governado sem maioria parlamentar. Mas o jovem de fala clara parece focado, parece disposto a negociar e a apostar no regime democrático que para os chilenos custou tanto sangue, suor e lágrimas num passado ainda não muito distante. O novo presidente não é membro do Partido Comunista Chileno, mas foi eleito com o apoio deste (foto de O Globo). Talvez por isso acredite tanto na democracia e queira apostar num "estado de bem estar social".

Explico: no Chile - como no Brasil - foram os comunistas os maiores construtores da democracia. Estudem um pouco a história mais recente! Depois dos golpes de estado que estupraram as constituições daqui e de lá - de outros países latino-americanos também! -, foi com o suor e o sangue das oposições onde pontificavam os comunistas que a normalidade democrática acabou sendo restabelecida. A democracia que temos hoje é fruto dos esforços desses que são os maiores, os verdadeiros patriotas. E não daqueles que pregaram e pregam as ditaduras, a intervenção sobre o Poder Judiciário e a dissolução pura e simples do Legislativo.

O tempo passa, as coisas mudam. Hoje conceitos como "ditadura do proletariado" estão relegados aos livros de história. Foram uteis às lutas iniciais, mas agora não são mais. Hoje o estado moderno é construído por todas as mãos disponíveis num país como o Chile de Boric. Porque nos tempos de Pinochet isso não seria possível. Naquela época o que contava era a capacidade de o detentor do poder esmagar seus opositores, tivessem eles quaisquer das cores ideológicas existentes.

Foi e é assim, por exemplo, com o indivíduo Bolsonaro. Ele faz de sua vida política uma luta sem quartel contra qualquer pessoa ou grupo que discorde dele. Não admite isso. Ao contrário de Kast, não cumprimentaria seu opositor e vencedor em uma eleição, como não pretende fazê-lo. Ao inverso de Boric, jamais teve a intenção de promover o "estado de bem estar social", pois nele não cabem o golpismo, o autoritarismo, o "milicianismo" e os acordos de grupos, familiares ou não. A ele e aos iguais a ele no mundo moderno, à esquerda ou à direita, está reservado o lixo de história.

Boric não haverá de nos decepcionar e servirá de modelo para nós do ano quem vem em diante. Torço por isso desde ontem à noite, quando fui dormir feliz da vida, leve, livre e solto.

Viva o Chile! Viva a Democracia!             

8 de dezembro de 2021

Quantas desgraças ele ainda vai fazer?


"Essa coleira que querem colocar no povo brasileiro. Cadê a nossa liberdade? Prefiro morrer do que perder a minha liberdade. Tem que ter coragem para falar. Parece que sou o único chefe de Estado no mundo que teve posição diferente. Dizem que toda a unanimidade não é bem-vinda. E o que eu fiz? Estudei, corri atrás..."

O autor dos pensamentos acima é a mesma pessoa que, não muitos anos passados, em uma entrevista dada a um apresentador de TV, ainda deputado federal, disse mais ou menos textualmente: "Eu sou  favor da ditadura, xará! Sou a favor da tortura. Se eu fosse, presidente? Fechava o Congresso na mesma hora. Fechava o Supremo Tribunal Federal" (as imagens existem e qualquer um pode ver).

Pois o autor das frases de ontem diante de uma plateia de puxa-sacos é o mesmo que deu as declarações à TV faz alguns anos. Chama-se Jair Messias Bolsonaro, indivíduo brindado pelo povo brasileiro com o cargo de presidente da República porque o ódio ao PT, sobretudo aos desmandos cometidos durante os governos de Lula e Dilma desaguou na escolha de um psicopata para assumir a presidência.

Eis o resultado!

Bolsonaro sente uma necessidade doentia de ter ou fazer inimigos. Como ao longo da vida ninguém o ensinou a construir pontes, ele só sabe destruí-las. A única que fez não em sentido figurado foi uma pinguela na região amazônica, de madeira, ligando nada a lugar nenhum e cuja cerimônia de inauguração custou aos cofres públicos muito mais dinheiro que a "obra" em si. Dizer que estudou é um absurdo tão grande que seria risível caso não fosse triste.   

Ele também sente necessidade de mentir patologicamente. De deturpar fatos. Um dos últimos destes é dizer que estão tentando fechar o espaço aéreo brasileiro com o passaporte de vacina que teima em não permitir seja dado. Talvez o documento seja exigido com mais mortes de cidadãos, o crescimento da pandemia em território nacional ou uma ordem expressa do Supremo Tribunal Federal que felizmente ele  não teve como fechar.

É um "cavaleiro da triste figura", sem que queiramos comparar sua estatura moral à do personagem de Miguel de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha. Bolsonaro vai passar. Como tudo o que não presta, é inútil, só serve para infernizar os outros, irá embora talvez de forma muito mais triste do que chegou na esteira de cometa de uma raiva doentia a um partido politico.

Resta saber quantas desgraças fará até lá.              

2 de dezembro de 2021

O Estado Laico corre risco?


Muito mais do que os discursos extremistas de direita, muito mais do que a homofobia, muito mais do que o ódio e a perseguição aos adversários, temo no governo do atual presidente do Brasil a tentativa de destruição do Estado Laico, uma de nossas maiores virtudes enquanto nação. E causa preocupação ainda maior a suspeita justificável de que o sorriso da foto desse artigo, mostrado ontem durante a sabatina de araque no Senado Federal, seja  mera encenação. Seja cinismo.

Durante a tal sabatina vimos no Senado um André Mendonça distante do pregador evangélico de sempre. Quase um conciliador. Mas depois, no discurso do recém entronizado já surgia no horizonte o sujeito terrivelmente religioso: "É um passo para um homem, um salto para os evangélicos!"

Vou me explicar. O melhor do Estado Laico reside no fato de que todos podem exercer seu credo religioso sem sofrer nenhum tipo de perseguição. Ou não exercer credo algum, como é o meu caso. Só não se pode pregar a dissolução ou a divisão do Estado. Mas sabemos todos, e ninguém é inocente para desconhecer esse fato, que algumas "confissões" ditas evangélicas ambicionam o poder. E o querem para moldar o país às suas crenças, aos seus dogmas e, sobretudo e principalmente, a seu projeto de grupo. Basta ver como são bilionários os donos delas e como as fortunas deles crescem ilegalmente diante de todo mundo e sem que o governo faça nada para coibir tais crimes. Muito pelo contrario...

O que se espera de um ministro do Supremo Tribunal Federal é que ele seja um especialista em direito constitucional e que esteja apto a defender a Constituição em todas as circunstâncias e momentos. Não importa o que para ele é pecado. Isso não vem ao caso. Dane-se! Pede-se apenas que lide com o que é legal.

Vamos descobrir em breve, muito breve, se está hoje no STF um ministro ou um pastor evangélico, terrivelmente evangélico e, pior, a serviço de um governo que odeia quem é adversário, persegue e tenta impor ao Brasil uma camisa de força que o aprisione dentro de suas convicções negacionistas. O Senado resolveu correr o risco, inclusive com o apoio descarado de alguns parlamentares de "esquerda".

Vamos ver a conta a pagar.

21 de novembro de 2021

O voo pirata


A foto acima mostra um Legacy da Força Aérea Brasileira que faz parte do grupamento de transporte aéreo a serviço dos poderes da República, sobretudo autoridades. Tem prefixo VC99B, identificação de cauda FAB2582 e nada teria como notícia caso não fosse agora alvo de investigação pela acusação ter feito um voo pirata para retirar do Brasil, às pressas, o senhor Olavo de Carvalho, astrólogo, "filósofo" ou simplesmente picareta intimado a depor na Polícia Federal. Voou de São Paulo a Nova Iorque onde pousou em um aeroporto pequeno, longe dos olhares indiscretos. Lá o passageiro teria ficado.

Isso é fato de extrema gravidade. Há suspeitas de que o avião foi usado por intervenção do ministro de Estado Fábio Farias. O voo era o BR46. Era época de reuniões internacionais na Europa e muita gente voava ao exterior à custa dos impostos que pagamos. O passageiro Olavo saiu às pressas de um hospital público onde estava internado recebendo tratamento médico VIP ao qual eu e você não temos acesso, fez isso sem sequer se despedir dos médicos que o atendiam e assim fugiu de responder a inquérito ao qual havia sido intimado para explicar a existência de milícias digitais no Brasil a serviço da construção de notícias falsas (fake news) que sustentam o Governo Federal.

Esse fato se deu no dia 16 desse mês e o indivíduo Olavo estava internado no hospital público desde o dia 09 porque não tem plano de saúde nos EUA. Já nos Estados Unidos disse ter retornado às pressas porque disseram a ele ter exatos 15 minutos para sair e ir ao aeroporto embarcar. Isso jamais poderia ter acontecido sem o conhecimento e aprovação de altas autoridades da República. Isso jamais aconteceria num país democrático sólido sem que muita gente pagasse caro pelo crime cometido.

São públicas e notórias as atitudes criminosas cometidas hoje em dia para proteger membros da República, sobretudo os da família Bolsonaro. Nos últimos tempos ao menos 15 delegados da Policia Federal perderam seus cargos por agir para fazer cumprir leis em vigor e investigar. Nos altos escalões todo mundo sabe da pressão sofrida por funcionários investidos em cargos que podem interferir em desmandos cometidos pelo Planalto. E o Supremo Tribunal Federal (STF), tão atacado e achincalhado pelo "gado" parece ser a última trincheira de hoje na defesa da democracia.

O voo BR46 tem que ser investigado. Rápido! Os responsáveis por retirar do País subterraneamente um indivíduo intimado a depor na PF precisam responder por isso. Não é a primeira vez; o apoiador bolsonarista Allan dos Santos deixou o Brasil da mesma forma. Provoca urticária saber, como todos estamos sabendo, que o governo brasileiro não apenas apoia mas também patrocina pirataria aérea, além de muitos outros crimes que estão se tornando banais do final de 2018 para cá.

Até quando? Onde mora hoje o jornalismo investigativo do Brasil?       

19 de novembro de 2021

É notícia? Tenho que dar!


Trabalhei durante 27 anos num jornal diário de Vitória. Ao longo desses anos conheci muita gente digna, aprendi demais com elas, mas também convivi com muitos canalhas. Fazer o quê? O fato é que depois de tanto tempo passei a ter uma definição minha desse mágico termo chamado notícia. Vamos a ela: "Notícia é fato de interesse público". Simples assim. Não importa se gosto, se não gosto, se amo ou detesto a pessoa ou a situação que gerou essa informação. Tenho que dar e ponto final. Em último caso posso exercer o direito à opinião e meter o sarrafo. Mas só depois de noticiar.

Hoje o Jornal Nacional noticiou que o ex-presidente Lula está na Europa sendo recebido pelos  maiores chefes de Estado daquele continente. Gente que jamais recebeu Jair Bolsonaro presta homenagens ao ex-presidente brasileiro até mesmo em parlamentos europeus como pode ser visto na foto que ilustra esse texto. Claro que isso deve incomodar muito ao "bolsonarismo de raiz", já que o atual presidente brasileiro, exceto quando foi a Israel, até hoje só dialogou com ditadores. E adora essa gente!

Bolsonaro não pode reclamar de não ser notícia. Fala-se dele toda hora. Que censurou a Mafalda, que visitou a "Torre de Pizza", que proibiu o termo "golpe de 64" numa questão do Enem preferindo "revolução", que conversou com Jim Carrey durante a Cop 26 e muita coisa mais. Principalmente que "a floresta amazônica, por ser úmida, não pega fogo". Mas que está sendo devastada dia após dia como nunca antes foi visto, isso está. Só que presidente não fala isso. Tadinho, não pode se lembrar de tudo!

Nós vamos enfrentar muito mais até outubro próximo, quando deverão ser realizadas as eleições mais tensas e violentas de todos os tempos no Brasil. Eleições que Bolsonaro não queria ver de forma alguma. Se dependesse dele haveria golpe de Estado. Ou "intervenção militar" como pede aos gritos o gado que o segue para onde quer que ele vá, ainda que seja ao matadouro. Mas, enfim, como os tempos atuais não são mais como 1964, o ano da "revolução", talvez o "chefe de Estado" tenha mesmo que participar de uma festa da democracia contra a vontade. A maior de todas as festas!

E quem concorda comigo em que ele não vai passar a faixa?                          

8 de novembro de 2021

O exterminador do passado


A última viagem internacional do presidente da República foi mais um show de ignorância e isolacionismo. Nessa foto que ilustra o texto, aquele que talvez seja o maior exemplo de tacanhice do chefe de Estado do Brasil: depois de passar por Pisa, na Itália, citou a torre inclinada que é ícone mundial de turismo como sendo a "torre de pizza". Como estava na Toscana, deve ser receita regional... Antes disso já havia estado rapidamente com o enviado especial dos EUA para o clima, John Kerry a quem chamou de Jim Carrey. Aliás, isso não causa surpresa alguma porque o ator canadense citado fez, dentre outros filmes, "Debi & Loide". Bolsonaro pode ser qualquer um dos dois. Ou ambos. 

Triste foi ver o presidente sem interlocutor na reunião do G20 que reunia os maiores chefes de Estado do mundo. Triste e vergonhoso. Ainda mais porque ele foi até garçons que serviam autoridades, pediu água, fez piadas das quais ninguém riu e depois ficou apontando os governantes com o dedo como perguntando quem era quem naquele grupo de pessoas. Na única hora em que falou em público para o presidente da Turquia, que estava junto a outras autoridades, não fez perguntas, recitou temas nacionais brasileiros, citou a Petrobrás, os militares enfiados no governo e causou apenas constrangimentos.

Fez com que jornalistas fossem agredidos, deu mais um de seus espetáculos de falta de respeito para com os semelhantes, entrou em igreja sem ser recebido por religiosos e terminou o périplo de cavaleiro da triste figura no cemitério de Pistoia onde foram sepultados os soldados brasileiros mortos na II Guerra Mundial. Entendeu que ele, um fascista notório e que estava acompanhado por Matteo Salvini, líder fascista italiano, homenageava assim soldados que morreram lutando contra o fascismo.

Agora, novamente acuado no Brasil, vendo suas mais recentes ações sendo contestadas, assistindo ao calvário do presidente da Câmara, seu fiel ajudante de ordens, continua a destilar ódio, a atacar instituições e elegeu a Petrobrás como sua mais nova vítima, como sempre para desviar a atenção das pessoas do que realmente importa no nosso País: a crie institucional. Esse sujeito vive no militarismo de 1964. Os tempos para ele ainda são os de guerra fria e seu sonho dourado continua sendo o golpe de estado que não consegue dar. Vive em tempos outros esse nosso Exterminador do Passado.            

     

21 de outubro de 2021

O universo paralelo


Um dia desses recebi envio de mensagem de pessoa com a qual sempre mantive laços de amizade, embora com abissal distância ideológica. E essa pessoa citava versões inacreditáveis relacionadas a fatos recentes. Procurei então saber de onde vinham as informações e fui parar num tal de "jornaldacidadeonline", um dos muitos "veículos" que abastecem os bolsonaristas de raiz, os membros do gado, da interpretação que eles amam relativamente a acontecimentos do dia a dia. É um horror. Não recomendo a ninguém esse tipo de "passeio".

Tudo começa pelo fato de que eles lutam uma luta sem quartel contra o "comunismo". Encontram comunistas em todos aqueles que não defendem o bolsonarismo, como mostra a imagem que abre esse artigo. E isso me recorda um fato que muitos amigos juram ser verdadeiro: Maurício de Oliveira retornava do Leste da Europa onde havia ganho prêmio internacional com sua magnífica obra "Canção da Paz" e comemorava com amigos num estabelecimento da Praia do Canto. Um advogado conhecido de Vitória entrou na conversa sem ser convidado e perguntou: "Maurício, é verdade que os comunistas comem criancinhas?". O músico respondeu: "Não, fulano, é mentira. Comunistas só comem gente grande, principalmente alguns advogados. Vá até lá que você vai gostar muito deles..."

Nos meios de "comunicação" bolsonaristas abundam os adjetivos. A CPI é chamada de "Circo", os políticos, afora os apoiadores do presidente, de criminosos. O Supremo Tribunal Federal sofre todos os xingamentos possíveis além da afirmação de que ele é composto por dez vagabundos, o que retira da classificação o ministro escolhido pelo presidente. Em tudo surge o apoio evangélico e a afirmação de que os adversários do movimento de raiz querem desvirtuar os caminhos das crianças com sua "educação de gênero".  E vai por aí. Aqui esclareço que notícia se diferencia de artigos como esse meu pelo fato de que a primeira é a descrição de fatos e não deve conter opinião. Essa quem forma é o leitor, ouvinte ou telespectador depois de ter conhecimento dos assuntos.

Enfim, e para a gente não gastar munição com inimigo cego, o apoio incondicional ao presidente é formado por uma seita. E quem adota esses movimentos não muda seu pensamento nem com as evidências colocadas sobre a mesa. Uma pena! Mas resta o consolo de sabermos que seitas geralmente não vencem eleições. É necessário o apoio de outras alas, outras correntes de pensamento político.     

5 de outubro de 2021

O simulacro de presidente

É preciso acreditar que no futuro o Brasil olhará para trás e verá no atual governo, do cidadão Bolsonaro, uma coisa difícil de ser explicada. Um passo fora da curva dado por parte sociedade que de repente acordou com raiva e um partido político, o PT, e de um ex-presidente, Lula, e para afastar seus dois inimigos elegeu um psicopata extremamente perigoso como presidente da República. Um inconsequente capaz de protagonizar a imagem dessa crônica: colocar sobre os ombros uma criança pequena, vestida com farda militar e armada com um simulacro de fuzil. Nada mais absurdo!

Um presidente sempre serve de exemplo para uma imensa quantidade de pessoas que veem nele a imagem do certo, da verdade, ainda que de momento. Esse presidente faz isso. Quem vestiu farda no menino e deu-lhe o simulacro de arma para posar nos ombros do chefe do Executivo assimilou seu triste discurso a favor das armas da "população". Na verdade ele quer armar os donos de áreas rurais, milicianos, outros correligionários e pessoas que numa situação de convulsão social iriam às ruas para tentar um golpe de Estado. Como as corporações policiais e policiais militares, por exemplo.

Essa não é a primeira vez que esse indivíduo comete tal tipo de crime. Em ocasião anterior, tirou a mascara de proteção anti-Covid-19 de outra criança cujos (ir)responsáveis levaram a ato de campanha política fora do tempo legal. Mas hoje seus desatinos somados levaram a ONU a reagir e protestar contra essa patifaria. O presidente deveria se preocupar com a quantidade de reações que ele já acumula, inclusive no plano internacional. Isso pode custar caro. Tanto aqui no Brasil quanto fora dele.

É estranha a sensação de impunidade do presidente. Seus seguidores e assessores mais diretos podem fazer o que quiserem e nada lhes acontece. Para os que se opõem valem as leis mais duras. Ontem mesmo um alto comandante militar instaurou inquérito contra militares filiados ao PT. Ora, trata-se de um partido político legal, de vida pública. E os militares podem se filiar a ele, sim.

O que sustenta Bolsonaro hoje é principalmente o fisiologismo e necessidade de sobrevivência de parte da classe política. Para manter esse apoio que nasce no presidente da Câmara Federal o presidente torra dinheiro do contribuinte numa farra de gastos que nasce em orçamentos secretos e desagua com força nas "offshores" somente agora sendo denunciadas. E enquanto isso acontece a oposição digladia, lutam uns contra os outros por projetos pessoais e não de país. Dessa forma podem acabar dando ao psicopata um segundo mandato que hoje é improvável.

Questão de escolha!
     

20 de setembro de 2021

O educador grande demais


Quase tudo o que poderia ser dito sobre Paulo Freire já está publicado, inclusive nas incontáveis matérias jornalísticas levadas aos leitores no dia de ontem, quando foram completados 100 anos de seu nascimento. Mas nada esgota os assuntos referentes a esse monumental educador brasileiro que morreu há um quarto de século e continua sendo cultuado como se tivesse desaparecido ontem.

Li "Pedagogia do oprimido" faz algumas décadas e jamais me esqueci das lições dadas por Freire no livro onde ele prega uma pedagogia capaz de unir professor, aluno e sociedade. Uma visão inclusiva do ensino como forma de fazer crescer a qualidade intelectual de todo um povo e não apenas dos brancos, ricos e praticantes dessa ou daquela religião. Ele previa a educação de todo mundo e por isso projetava seu trabalho através dos oprimidos. Era duro para madame imaginar uma sociedade onde os filhos de sua empregada doméstica teriam a mesma oportunidade de ingressar na Universidade que seus filhos. Mas era esse o Brasil de nosso maior educador. Era esse o Brasil que incluiria a todos.

Chego a sentir asco hoje quando ouço e vejo o ministro de deseducação do atual governo falando que ensino universitário deve ser para poucos. Dá vontade de vomitar quando ele proclama que os deficientes atrapalham o ensino dos "normais". Mas é exatamente assim que o governo Bolsonaro vê o mundo das famílias "eleitas", das rachadinhas, das filas que são furadas, da economia sempre decidida pela vontade e opinião dos detentores do capital e jamais com a participação do trabalho. No mundo torpe e apoiado por um gado emagrecendo a cada dia o único argumento forte e repetido à exaustão é o pregador o ódio, golpe de Estado, invasão de terras públicas, destruição do meio ambiente e de opositores.

Paulo Freire era e é odiado por essa gente porque sua sombra não pode ser desconhecida. Porque ele e sua pedagogia do oprimido, que tantos destes deserdados tirou do analfabetismo, hoje serve de horizonte para aqueles que jamais vão aceitar o mundo da grilagem de terras, do massacre indígena e da falta de expectativa dos que passam diante das universidades e escolas técnicas olhando para elas e dizendo: Isso é meu. Minhas mãos pobres e calosas ergueram esse património tão caro.

Paulo vive. Essa gente do atual governo federal, não. Freire é grande demais.     

   

16 de setembro de 2021

Prevent Fraude


O plano de saúde Prevent Sênior, de São Paulo, é mais uma vez a cara cuspida e lavada do atual governo federal brasileiro: na prática é uma Prevent Fraude, na medida em que mantém um protocolo de atendimento hospitalar que prevê tratamento de pacientes com a gororoba de drogas escolhida pelo Ministério da Saúde como sendo um "tratamento precoce" contra Covid-19: cloroquina, ivermectina e mais outras porcarias menos votadas. Mas há um ponto que torna todo o procedimento criminoso: os pacientes e familiares nunca deveriam ser informados pelo Hospital Sancta Maggiore - o do plano - dos medicamentos prescritos aos doentes.

O mais horroroso de tudo é que esse procedimento acontecia sob uma espécie de supervisão criminosa do governo federal, mais precisamente do "gabinete paralelo" mantido pelo presidente Jair Bolsonaro como uma espécie de central de experimentos. Mais: falsificava-se laudos, diagnósticos e principalmente escondia-se as causas mortis daqueles que eram tornados vítimas inocentes dessa prática dantesca. Qualquer coisa próxima do que se fazia nos campos de concentração e extermínio nazistas da II Guerra Mundial.

O Prevent Sênior é bonitinho mas ordinário (foto). Na entrada, belas luzes, recepções espaçosas e convidativas. No atendimento básico de centros médicos, tudo muito eficiente porque é relativamente fácil esse tipo de procedimento. Mas após a internação, quando necessária, vinha o horror disfarçado de tratamento com drogas ineficientes administradas criminosamente às pessoas sem conhecimento destas e de seus responsáveis. Depois, com óbitos também disfarçados de cardiopatias, cânceres o outros males estranhos aos casos. Nunca Covid-19. Jamais com a informação da medicação que havia sido feita na surdina. Uma irmã minha que mora em São Paulo está correndo para cancelar o plano dela.

Isso tudo vai ser amplamente investigado, descoberto, denunciado e terá seus autores processados como manda a lei. Mas o que acontecerá com o verdadeiro autor intelectual dessa ignomínia, chamado Jair Messias Bolsonaro e residente no Palácio da Alvorada? Se o Brasil não tiver força, não se unir em torno a decisão de punir ele sairá mais uma vez livre para os braços de seu gado que vive imerso em bolhas de fake news, construindo narrativas cada dia mais fantasiosas.

Acorda, Brasil. União de todas as oposições daqui para a frente. Impeachment já! Antes que seja tarde.                  

11 de setembro de 2021

O nosso 11 de setembro


Impossível não passar algumas horas hoje diante da TV revendo o drama do 11 de setembro nos EUA. Eu estava em Belo Horizonte naquele dia, no Centro de Convenções e assistindo ao fim do Empretec, um curso de empreendedorismo do Sebrae quando o comentarista (sic!) Alexandre Garcia apresentava a programação e foi chamado à coxia. Voltou correndo, parou a exposição do dono da Sugar e disse que havia sido convocado às pressas ao Rio de Janeiro pela Rede Globo porque estava havendo um ataque contra o World Trade Center (foto). Todo mundo riu porque eram muitas as pegadinhas da ocasião, mas ele disse que estava falando sério. Saí de minha cadeira em uma das extremidades da imensa sala e, do lado de fora vi tudo ao vivo por uma das muitas TVs. Impossível não ficar chocado com aquilo.

O 11 de setembro é umas das coisas difíceis de serem explicadas. A lógica não o aceita. Os padrões mínimos de civilidade também não. Conheço islamistas e eles dizem que o muçulmano é um ser cordato e apenas diferente de nós no plano social. Uma questão de cultura. Os extremistas defendem uma interpretação do livro sagrado deles que a imensa maioria repudia. Em São Paulo morei próximo do maior templo mulçumano daquela cidade e só via gente dócil entrando e saindo do lugar. Rezavam suas rezas voltados para a Meca sem nem ao menos fazer barulho para não incomodar ninguém.

Estou escrevendo isso porque ontem bloqueei no Facebook um jornalista que foi minha "cria" em A Gazeta, filho de um outro que prezo e admiro. Ele se tornou membro de uma congregação evangélica vulgar, dessas feitas para enriquecer seus donos, e passou a hostilizar minhas publicações anti-Bolsonaro. Ontem disse que a imprensa saiu menor do episódio do arrego de seu (par)mito e entendi que era a hora de parar com aquilo. Difícil explicar isso por parte de gente culta, inteligente. A lógica não aceita. Os padrões mínimos de civilidade e respeito ao semelhante também não.

Você pode, leitor, argumentar que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Discordo porque na minha visão tem, sim. Esse presidente JMB é o nosso 11 de setembro. Está destruindo o Brasil e suas instituições em nome de uma visão nazista da política e uma grande massa de brasileiros ainda cerra fileiras a seu lado. Cheguei a ouvir de um que a carta escrita por Michel Temer para ele assinar foi uma grande demonstração de sabedoria tática. Genialidade. O ídolo do gado estaria preparando golpe. Recuando taticamente. Não duvido, mas não vai dar certo. Ele dará com os novilhos n'água.

O 11 de setembro que hoje faz 20 anos é um episódio triste da história mundial. No futuro talvez sociólogos o expliquem melhor depois de passados os tempos de ódio insano do projeto religioso dessa gente extremista. O nosso 11 também vai ser explicado um dia. Essa cólera acumulada pela extrema direita brasileira vai passar porque também tem muito de seita tosca, cega. Quando vejo as demonstrações de insanidade deles chego a pensar que moro no Afeganistão verde e amarelo. Mas não acredito que joguem seus mísseis improvisados contra os inimigos. No fundo morrem é de medo.          

9 de setembro de 2021

Farsante, sim!


...conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará...

Jair Bolsonaro gosta de citar um salmo da Bíblia que fala de verdade: "...e conhecerás a verdade e a verdade vos libertará...". Nada está mais distante dos hábitos diários do presidente do gado do que a verdade. Sobretudo a factual, aquela com a qual as pessoas devem lidar para se comunicar, questionar, citar e debater fatos. Ele não debate nada. Fechado em suas bolhas formadas por fanáticos, incultos e golpistas, tenta torpedear a democracia do Brasil. Essa mesma democracia que o elegeu presidente.

Por isso, no mais devastador comentário sobre os ataques do chefe do Executivo às instituições brasileiras, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso (foto), disse hoje que o salmo bíblico, transportado para o universo bolsonarista é esse que abre o meu texto. E o disse da forma como está. Da mesma maneira falou que o povo brasileiro, aquele que sabe analisar a realidade com distância e separando o joio do trigo, conhece perfeitamente quem é o farsante do Brasil de hoje. Quem é o boquirroto, o falso valente, o patife que se esconde por detrás do medo para fazer ameaças.

Bolsonaro é realmente um farsante. Agora mesmo, nesse 09 de setembro, caminhoneiros estão bloqueando em parte estradas do Brasil a mando dele. Serão retirados, se preciso com o uso de força. Um marginal de apelido Zé Trovão, procurado pela Polícia, insiste em pregar a desordem e o desrespeito às leis. Pessoas mais chegadas ao presidente, como seus filhos e alguns parlamentares criminosos, se escondem nas sombras para pregar o fim da democracia. Nenhum deles vale nada. Mas todos ainda parecem acreditar que nada no mundo poderá deter e derrotar o "mito" que nasceu do apelido "parmito" pela magreza.

Esses tempos vão passar. Se até 03 de outubro do próximo ano esse presidente do gado ainda estiver no Palácio do Planalto e a nossa democracia permanecer intacta como esperamos, poderemos escrever sobre os tempos que passaram. Sobre o pesadelo vivido hoje por todos aqueles que lutaram, lutam ou lutarão por um país que viva sob a proteção de leis que foram feitas após uma ditadura militar. E por aqueles que estão sendo duramente perseguidos hoje e não por esse presidente de meia pataca que surgiu, cresceu e se tornou o que é à sombra e tendo por inspiração ditadores.

Nossa democracia vai sobreviver a essa fraude. 

       

5 de setembro de 2021

Dâmocles e o 7 de setembro


Talvez o presidente brasileiro nem saiba ao certo porque e o que é isso, mas toda vez que vejo seus rompantes de falsa valentia, na verdade com o medo estampado na testa (será só medo na testa?), volto-me ao conto da espada de Dâmocles representando a insegurança daqueles que detêm um poder muito grande e sentem temor imenso de que este lhes seja tomado.

É uma fábula bastante conhecida do cortesão bajulador Dâmocles que vivia na corte do tirano Dionísio de Siracusa e homenageava o chefe sempre que podia dizendo que ele era afortunado por ter grande poder. Dionísio então ofereceu-se para trocar de lugar com ele e dar-lhe todas as mordomias da coroa. Em troca, uma espada sustentada apenas por um pelo de rabo de cavalo ficaria suspensa sobre sua cabeça. O cortesão perdeu o interesse na mesma hora. O sentimento de danação iminente o levou a se afastar do cargo, da corte e de todo o luxo e conforto que a situação oferecia.

O presidente brasileiro é nosso cortesão tupiniquim que, ao contrário do outro, jamais poderia deixar de aceitar a presidência e todo o luxo e conforto que esta oferece a si e a toda sua "familícia". Mas a espada sobre a cabeça, o risco real ou imaginário de perder tudo de uma hora para a outra o apavoram. E como ele não tem sabedoria alguma, usa o que sempre esteve à disposição de suas crenças extremistas de direita: a violência, também tanto real quanto imaginária, e as ameaças.

Cercado de inimigos fantasmas criados por seus atos na maioria dos casos insanos, reage a eles com o que tem à mão: o Golpe de Estado! Ou será apenas imagina ter? Na realidade seu poder se dissolve a cada dia que passa, menos para os bandos de "bolsomínions" que o cercam nas saídas e entradas no Palácio da Alvorada e nas motociatas e cavalgadas nas quais, como um Mussolini revivido, desfila seu pavor patológico pelas cidades brasileiras sempre que pode. À custa de nosso dinheiro!

E agora vem aí o 7 de setembro! Ele imagina fazer da data uma "segunda independência", como prega sua turma. Mas está apavorado! Não sabe o que vai acontecer, se terá mais uma vitória de Pirro pelas ruas de Brasília e São Paulo ou se os atos sairão de controle para se tornarem demonstrações de confronto ou violência. Ele tem medo, muito medo, e se esconde por detrás dele escudado na bolha.

Mas bolhas se rompem. Como rompe também o pelo do rabo de cavalo que sustenta a espada apontada para sua cabeça descabelada. Bolsonaro sabe que hoje a distância entre a glória e a miséria é mínima. A roda da fortuna já parou de girar para ele... Mas o Napoleão de hospício vive em outro mundo.