13 de fevereiro de 2023

Fake news é poder!


A cada dia que passa mais me convenço de que a regulamentação das redes sociais não é apenas necessária, mas urgente. Afinal de contas é nelas que se sustenta o poder dos homens representantes de grupos políticos de extrema direita que minam as democracias representativas usando principalmente mentiras plantadas e que nós convencionamos chamar de "fake news". No Brasil por exemplo, uma ala do Palácio do Planalto foi transformada em "sala do ódio", onde auxiliares do ex-presidente hoje homiziado nos Estados Unidos produziam carradas de informações falsas diariamente capitaneados pelo filho dele, Carlos. E essa atividade produziu danos imensos à democracia brasileira.

A cientista política norte-americana Barbara Walter estudou profundamente esse assunto no livro "Como as Guerras Civis Começam e Como Impedi-las", editada pela Zahar. E traçou um paralelo entre o que aconteceu nos Estados Unidos em 06 de janeiro de 2021 e em 08 de janeiro de 2023 no Brasil. Para ela, tanto Donald Trump quanto Bolsonaro usaram e ainda querem usar a receita de Viktor Orbán na Hungria para minar as democracias de seus países de dentro para fora com o desmonte das instituições civis garantidoras do Estado de Direito e, em último caso, terminar a obra com uma guerra civil. Esse modelo também é seguido nas Filipinas, na Índia, na Turquia e em Israel, para pararmos por aqui.

E qual é o argumento contra a regulamentação? Dizer que isso afronta os valores democráticos, sobretudo a liberdade de expressão. Balela. Todos os meios de comunicação têm regulamentação para mais ou para menos. Somente as redes sociais ainda não têm porque interessa a príncipes da área como Mark Zuckerberg manter inalterado o poder que as redes sociais possuem. E elas hoje são um poder absoluto, às vezes tão grande ou maior do que o poder de Estado, sobretudo para difundir inverdades e solapar as bases das democracias a partir do enfraquecimento de suas instituições.

Barbara Walter dá uma explicação excelente sobre facções ao dizer que "A faccionalização tem uma característica única: ela é racial, étnica ou religiosa". E como resultado disso sua disseminação e crescimento tornou possível o retorno do conceito da superioridade branca e do cristianismo evangélico como valores. Hoje nos Estados Unidos 80 por cento do Partido Republicano é assim. No Brasil há um projeto muito parecido com ele que se corporifica na ideia de "ministro terrivelmente evangélico" que Bolsonaro tentou implantar no STF e só não conseguiu porque perdeu as eleições.

Lembremo-nos de uma coisa: regulamentar as redes sociais não é atacar a liberdade de expressão, é defender a democracia. Há um grande movimento de extremismo de direita se formando em grande parte do mundo e que precisa ser combatido. Nos Estados Unidos e no Brasil fizemos bem o dever de casa, mas isso não basta. Ontem mesmo Bolsonaro disse nos EUA que a tarefa dele ainda não acabou e pretende voltar. Se abrirmos a guarda ele tentará fazer isso mesmo.    

7 de fevereiro de 2023

O Neto aplicado


Hoje é o dia de divulgação da ata do Copon que manteve a taxa de juros do Banco Central do Brasil em inacreditáveis 13,75 por cento ao ano. E a divulgação dessa ata terá a presença de Roberto Campos Neto, o presidente do BC e um seguidor incondicional do vovô Roberto Campos, o cuiabano que foi guru do pensamento econômico ultraconservador da época anterior e durante a ditadura militar brasileira, à qual serviu com dedicação. Quem não puxa os seus é monstro!

Ontem, quando o Copon se reuniu para traçar suas metas, recebi pelos Correios um impresso de um cartão de crédito que uso. Utiliza a cor vermelha...rsrsrs... Oferecia-me empréstimo de R$ 20 mil a juros camaradas, no ver dele. Calculei o pagamento em 48 vezes, como era ofertado e daria ao final R$ 50 mil. Duas vezes e meia o valor do empréstimo! No prazo menor de um ano as parcelas mensais não estariam ao alcance da maioria das pessoas que usam essa modalidade e, ao final de 12 meses a pessoa teria pago pouco mais de R$ 30 mil. 57 por cento de juros acumulados ao longo desse período.

Minha memória correu para a época da juventude. Morava atrás do Palácio Anchieta e um dia meu avô me deu uma certa quantia em dinheiro e me disse para procurar um certo fulano e acertar com ele a dívida contratada. Fui lá. O sujeito estava tomando cerveja em um bar que ficava na rua General Osório e no pé da Escadaria Doutor Carlos Messina. Falei do assunto e estendi o dinheiro a ele. Agradeceu, se levantou e guardou as notas ao lado do revólver cujo cabo aparecia por baixo da calça. Era um agiota.

Não sou economista, mas reservo-me e direito de questionar as muitas contestações que hoje são feitas ao atual presidente porque ele e sua equipe econômica acham escorchantes ou juros cobrados pelo banco que dita a referência do custo do dinheiro e impacta tudo o mais. Seus defensores julgam que esse é o remédio para o controle efetivo da inflação e eu, no alto dos meus muitos anos de jornalismo e de discussões sobre fatos econômicos me reservo o direito de achar que o remédio pode matar o paciente num Brasil destruído pelo extremismo de direita e que precisa crescer para atender aos pobres.

 Meu avô tomava dinheiro a agiotas na época em que empréstimo bancário era difícil e ele se recusava a dar a casa, seu único bem, como garantia de dívida. Hoje uma administradora de cartão de crédito cobra juros absurdos para emprestar a quem precisa. E por trás disso tudo está o Banco Central e sua política de combater a inflação arrochando o custo dos empréstimos que sufocam a economia. Mas essa é a receita de Roberto Campos Neto, que segue e cartilha do vovô e votou nas últimas eleições vestindo camisa verde amarela, uniforme do bolsonarismo, embora o correto fosse a neutralidade, ao menos em público.

3 de fevereiro de 2023

O samba do Brancaleone doido


Os últimos dias vividos pelo Brasil são mistura do "Samba do Crioulo Doido" com "O Incrível Exército de Brancaleone", de Vittorio Gassman  (vejam seu cartaz). A primeira, música que todos nós já ouvimos e cantamos, é um primor para explicar nosso país meio louco. A segunda é um filme maravilhoso que fala dos delírios malucos de quem quer o poder a qualquer preço em movimentos que sempre terminam mal. O filme foi lançado durante a ditadura militar e exibido sem censura porque os sensores tinham (como ainda têm...) QI de ameba. Tanto a música quanto o filme parecem inspirar o ex-presidente da República fugido nos Estados Unidos, o senador Marco do Val, o ex-deputado Daniel Silveira, o também senador Flávio Bolsonaro e mais a imensa trupe de pobres de espírito e bandidos que formam nossa extrema direita.

Estranho, mas o senador do Val, figura obscura e que desfila cheio de broches da Swat dos Estados Unidos imagina ter encontrado um meio de ser protagonista de alguma coisa. Deu entrevista a Veja (matéria escrita por um repórter que era seu assessor no Senado) denunciando um plano de golpe de Estado por parte do ex-presidente, depois disse que não é bem assim, depois mudou mais um pouco e agora, em entrevista à CNN Brasil falou que vai pedir o afastamento do ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito sobre os atos antidemocráticos e sobretudo o 08 de janeiro. Um plano tosco, denunciado pelo jornalista Otávio Guedes e chamado pelo ministro Moraes ironicamente de "genial".

Nossos doidos são mais perigosos do que os soldados e comandantes do "Brancaleone". O enredo deles bate de 10 a 0 na letra do "Samba do Crioulo Doido". E mostra como um presidente maluco pode gerar insanidade por todo o país. Tanto que em Brasília um extremista de direita fanático gritou a plenos pulmões um "morte ao Xandão" e em seguida se imolou ateando fogo ao corpo. Recentemente, num supermercado, ao ouvir um "feliz 2023", uma certa senhora enlouqueceu e começou a gritar que 2023 vai ser o fim do Brasil porque estamos sendo governados por ladrões. E atacou as forças mal armadas.

Somos, depois de quatro anos de governo genocida e focado em fake news propagadas pelas redes sociais, um país de gente mentalmente doente. Não todos, claro, nem muito menos a maioria. Mas essa minoria que vive num outro mundo é capaz de tanto mal que às vezes se volta contra seu próprio corpo. Ou então grita aos quatro ventos que os extraterrestres vão nos salvar um dia desses. Quando sem outro assunto, podem encontrar a calma rezando para pneus colocados em frente a quarteis.  

São alucinados sem causa e isso é muito perigoso. Mas alguma coisa me diz que dá e passa.        

30 de janeiro de 2023

Nossos índios, nossa vergonha


- Precisamos reconhecer que o Brasil é terra indígena!

Essa declaração foi prestada agora à tarde na Globo News pela repórter Sônia Bridi em fala sobre seu trabalho jornalístico exibido ontem no programa "Fantástico", da Rede Globo. Trabalho de excelente qualidade e que reforça as denúncias sobre o crime de genocídio cometido contra as populações indígenas da Terra Yanomami nos últimos quatro anos durante o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro. Não foi uma ação eventual e nem fruto de descaso. Nada disso. Tivemos no Brasil um projeto criminoso e que visava exterminar os indígenas que vivem naquela região amazônica, a começar pelas crianças. Um nojento plano oriundo da cabeça do presidente, mas com a ajuda "valiosa" de auxiliares como Ricardo Salles, Damares Alves e outros mais, todos ministros de um governo onde ninguém se mantinha no cargo se não seguisse cegamente seu líder. Hitler teria ficado com inveja...

As imagens que nos chegam diariamente da região chocam. Corpos esqueléticos, crianças com desnutrição severa (foto), acometidas de malária em situação que lembra em muito campos de extermínio nazista de durante a segunda guerra mundial. A diferença mais marcante é a inexistência de fornos crematórios, porque no mais tudo parece quase igual. Sobretudo e principalmente o fato de que era um projeto mesmo e colocado em prática por um presidente que fez questão de visitar os criminosos. Falou a eles, deixou-se filmar junto a bandidos porque bandido é. E, mais ainda, o chefe!

Já está provado que informações falsas foram prestadas ao Supremo Tribunal Federal, decisões judiciais acabaram descumpridas, os órgãos de fiscalização, controle e combate a crimes ambientais estão sucateados, a FUNAI virou uma fachada para encobrir o massacre de povos originários e tudo isso tem  nome e chefe na figura daquele que deixou a presidência em 1º de janeiro e hoje se esconde nos EUA.

O que falta para esse sujeito começar a pagar por seus crimes? Porque o Tribunal Internacional de Haia ainda não foi abastecido com provas decisivas contra ele? Já é tempo de esse ex-presidente e seus auxiliares mais chegados conhecerem as barras dos tribunais nacionais e internacionais. Todos, eles sem exceção. Nossos índios já foram nosso orgulho. São os brasileiros que estavam aqui antes de os portugueses chegarem e continuam sendo os cuidadores das terras brasileiras, de onde só retiraram seu sustento. Hoje são nossa vergonha interna e externa porque envergonha qualquer pessoa digna ver o que um governo bandido fez com eles para extrair ouro ilegalmente de suas reservas, acobertado e apoiado por chefões, chefes e chefetes do crime organizado que envolve até madeireiros.

Vamos acabar com isso. É hora de atacar o garimpo ilegal e exterminar esse mal de nossas vidas!                    

27 de janeiro de 2023

Lula, pense antes de falar


Uma das maiores críticas que se fazia ao ex-presidente Bolsonaro era a de que ele só falava para seus apoiadores, estivesse onde fosse. Fazia isso costumeiramente no "chiqueirinho" do Palácio da Alvorada, em discursos de solenidades e até mesmo na OUN, nessa em duas ocasiões. E como Lula pediu no seu primeiro pronunciamento como presidente para ninguém se fazer de puxa-saco com ele, dou minha contribuição aqui: não repita os erros do genocida. E pense muito antes de falar.

Na Argentina Lula usou os locais de pronunciamentos, inclusive quando estava junto ao presidente da Argentina, Alberto Fernández (foto) para alfinetar o antecessor. E em dado momento durante o périplo que envolveu também o Uruguai, ocupou-se do episódio do impeachment de Dilma Roussef para chamá-lo de "golpe de Estado". Nada mais falso. Foi, sim, uma grande injustiça provocada sobretudo e principalmente pela falta de tato da ex-presidente. Nada mais do que isso, pois o processo teve à frente o presidente do Supremo Tribunal Federal, na época Ricardo Levandowski. E esse foi apenas o erro mais crasso.

Lula, nos últimos tempos, ocupou-se do passado praticamente em todos os pronunciamentos. Nós conhecemos seu episódio de 580 dias preso e o fato de que ele proclama inocência aos quatro ventos. E só o próprio presidente pode saber qual é o grau de sinceridade que existe nessas declarações. Também já reclamou do mercado, das reações às suas falas (então era melhor não falar!), do comportamento de parte da oposição e da imprensa marrom. Também atacou o ex-presidente Michel Temer e levou um contra-ataque pesado. Chega, está na hora de parar e focar em frente. No futuro.

Temos um Brasil por ser reconstruído e o chefe do Executivo precisa ser o artífice dessa reconstrução. Sua ministra da Saúde tem falado sempre sobre projetos e os problemas da pasta. Está mostrando serviço, tornando-se importante no governo e jamais usou da sua capacidade de manifestação para atacar os que a antecederam, embora todos sejam "pratos cheios". Sobretudo e principalmente o general Eduardo Pazuello, figura decrépita e que conseguiu ser pior do que Queiroga somente pelo fato de que não era médico e quando abria a boca para tocar em assuntos de saúde, dela só saiam leviandades. 

Que tal, Lula, começarmos a reconstruir o Brasil? Sabemos que você é um pote até aqui de mágoas, mas tente depurá-las. Seu antecessor hoje corre o risco de ser processado pelo Tribunal Internacional de Haia. Como perdeu e eleição, não tem mais meios de exterminar os índios e destruir totalmente a Amazônia. Virou um cadáver politico morto de medo. Não é bom isso? Lute pelos indígenas, ataque de frente o garimpo ilegal e os madeireiros igualmente foras da lei. Proteja nossos ecossistemas, ajude-nos a salvar a Amazônia e entre para a história. Evite pronunciar o nome do genocida. Não se chuta cachorro morto.   

20 de janeiro de 2023

O golpista fracassado


Não se iludam: Jair Bolsonaro só não patrocinou um golpe militar no Brasil porque isso foi impossível pelo menos por agora, pois ele não desistiu de seu projeto. É que uma parte maiúscula da sociedade brasileira hoje rejeita esse tipo de violência e, além do mais, as reações e  repercussões internacionais são tremendamente contrárias. Somente por isso e também porque uma grande quantidade de oficiais das três armas teme um fracasso ou adotou o legalismo por conveniência ou convicção nós não vivemos para ver novamente tanques de guerra nas ruas. Sendo assim, até mesmo os maiores meios de Comunicação brasileiros são contra uma ruptura da democracia agora, embora tenham sido favoráveis em 1964 quando fizeram vista grossa para as prisões ilegais, as tortura e os assassinatos (ilustração).

Claro que houve algumas tímidas reações durante o período militar brasileiro. O jornal "O Estado de São Paulo" publicava poesias nos espaços em que deveria sair uma notícia cortada pela censura. "O Globo" defendia seus jornalistas como podia e o presidente do grupo, Roberto Marinho, jamais demitiu quem quer que seja porque era comunista. Conta-se que uma vez, ao receber de comandantes militares uma lista de profissionais esquerdistas de sua redação, teria dito: "O senhor, general, manda no seu quartel. Na minha redação mando eu". Ele nunca confirmou o fato, mas também jamais o negou. Além disso sempre houve jornalismo de resistência por aqui, quer seja no plano nacional quanto no regional. Com a legalização dos partidos de esquerda e o fim da ditadura eles deixaram de circular. Não eram mais necessários. E fazendo uma homenagem à verdade, aqui no Espírito Santo o jornal A Gazeta também nunca afastou quem quer que seja do trabalho jornalístico por posições ideológicas.

Mas não nos iludamos: da proclamação dá independência até hoje tivemos nove golpes de Estado ou tentativas deles no Brasil, todos patrocinados por nossas forças armadas. O que houve no dia 08 de janeiro fica de fora. Portanto, o golpismo é uma tradição do militarismo brasileiro desde que nos separamos de Portugal. E isso passa por uma herança histórica maldita, pois se entranhou no pensamento do militar brasileiro que as forças armadas são o poder moderador da República, o que daria a Exército, Marinha e Aeronáutica o direito de intervir na vida nacional sempre que estivéssemos diante de uma fase mais conturbada. E não foi por outro motivo que o presidente que fugiu do Brasil no dia 30 de dezembro passou quatro anos produzindo uma crise atrás da outra, sem sucesso.

Foi o nosso único caso de golpista fracassado de alto escalão.               

   

11 de janeiro de 2023

Sem mais negociação

Negocia-se com quem quer negociar. Com quem não quer tem que ser a ferro e a fogo.

Todo mundo deve ter visto as imagens dos terroristas bolsonaristas liberados para responderem a processos em liberdade por diversos motivos sendo levados para fora de onde estavam detidos depois dos atos de domingo. Isso aconteceu ontem. Vimos claramente pela TV vários deles, sobretudo homens idosos, com os braços e os rostos para fora das janelas, acenando ameaçadoramente. Uns faziam "muque", mostrando os músculos dos braços. Não, eles não poderiam ter sido liberados! E também não seria possível liberar mulheres que levaram criança para os acampamentos. Na minha opinião de não jurista, isso deveria servir para agravar ainda mais a situação delas porque, afinal, quem tem a coragem de levar um menor para servir de escudo é criminoso da pior espécie. Principalmente se for um filho.

Agora mesmo circula nas redes sociais um cartaz convocando pessoas para "Mega manifestação nacional" e, pasmem, "pela retomada do poder". Em seguida são listadas as cidades onde o ato está previsto para hoje às 18 horas, com os locais escolhidos em cada cidade. Isso é um desafio, um confronto e não pode acontecer num Estado Democrático e de Direito. Infelizmente até minha cidade de Vitória está relacionada e com o local do ato criminoso sendo na Praça do Papa. Coitado dele!

Dos Estados Unidos, onde o filho mais velho diz que ele "está lambendo a ferida" o meliante Jair Falso Massias Bolsonaro incita os seus seguidores, sobretudo os fanáticos ditos "de raiz". Finge que não tem nada a ver com isso, posta aberrações para retirar em seguida e estuda como voltar ao Brasil porque pode ser expulso dos Estados Unidos a qualquer momento e também há muita pressão para que a Itália não conceda cidadania nem a ele nem ao seu entorno, sobretudo a familícia.

Não há mais como negociar. Depois do que houve domingo em Brasília e com o horizonte que temos diante de nós, o Estado moderno, que detém o monopólio do uso da força, precisa se preparar para isso. Caso o golpismo cresça, caso o confronto seja sempre o previsto, as forças de segurança devem ser liberadas para utilizar armamento letal. E se for preciso, que  façam uso necessário dele.

É uma pena, mas não podemos permitir a destruição do Estado de Direito.  

    

8 de janeiro de 2023

Eles vão perder! Já perderam!


Para quem não viveu esse tempo, posso afirmar que vi a ditadura militar do Brasil. E recordo-me de um episódio dentre milhares que poderiam ser citados aqui: a celebração religiosa pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog, na Catedral de São Paulo. O cardeal Dom Paulo Evaristo Arns o rabino Henry Sobel rezaram por Vlado diante de milhares de pessoas sem poder dizer claramente que ele tinha sido torturado e morto covardemente pela ditadura depois de se apresentar espontaneamente ao Exército para prestar declarações. Não o conheci pessoalmente, mas segundo todos os que conviveram com ele, era uma doce figura. Militante do PCB, foi massacrado por suas convicções políticas. Na época o mesmo aconteceu com o operário Manoel Fiel Filho.

Tenho nojo da ditadura militar brasileira e de todos os canalhas que pedem intervenção militar no Brasil, como foi feito hoje em Brasília. São porcos, nojentos. Durante esse domingo, milhares desses nojentos se aproveitaram da omissão criminosa do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha e do secretário Anderson Torres para destruir parte do Palácio do Planalto, do STF e do Poder Legislativo em "protesto" a favor do genocida Jair Bolsonaro, hoje fugido nos Estados Unidos. Os que o apoiam irracionalmente o querem de volta à presidência. Mas ainda vão se deparar com ele na prisão.

Eles vão perder! Já perderam!

Hoje, na invasões de sedes do poder em Brasília, destruíram tudo o que viram pela frente, mas sobretudo obras de arte. A mais sublime manifestação do gênio humano é a arte em suas diversas formas e talvez isso os agrida porque eles são intelectualmente paupérrimos. Apunhalaram seis vezes um quadro de Di Cavalcanti. Dois vasos chineses de grande valor acabaram no chão. O Di pode ser restaurado, mas os vasos talvez não. Eram propriedade do povo brasileiro e foram destroçados da mesma forma como talvez tenham sido algumas obras de arte que estavam no Palácio da Alvorada. Eles têm horror da cultura.

E eu, repito, tenho horror deles sobretudo porque conheço várias histórias de prisões ilegais, torturas e assassinatos praticadas por aqueles que o canalha Bolsonaro cultua, como o torturador Brilhante Ustra. Talvez tenha sido parcialmente em homenagem a ele que os terroristas atacaram o Poder Legislativo, como mostra a foto acima. Não respeitam a democracia e têm que pagar por isso. Sou um dos brasileiros ainda vivos que podem testemunhar como foi duro, cruel, ter o Estado Democrático e de Direito de volta. E isso me orgulha muito.   

7 de janeiro de 2023

Lula e o "mercado"


Desde antes da posse como novo presidente do Brasil Lula teve que lidar com os maus bofes do "mercado", aí entendidos os diversos setores onde se aglutina o capital do Brasil, tanto o que já está aqui quanto o que pode vir a ser aplicado. E é interessante porque o mau humor não foi notado durante o governo anterior, embora o chefe de Estado tenha dado vários motivos para tanto. Furou teto de gastos várias vezes, trocou inúmeros ministros por outros que atenderiam suas ordens sem questionar, fez uma farra de gastos impressionante, ameaçou de forma clara e inequívoca dar um golpe de Estado no país, além de entregar um Palácio do Planalto com todas as portas internas trancadas e sem chaves e o Palácio da Alvorada com interior quase destruído, o que inspirou a charge que ilustra esse texto.

O nosso mercado é ideológico.

O ministro da Marinha anterior ao atual se recusou a participar da passagem do cargo para não prestar continência ao presidente. Isso é insubordinação, mas não houve nada contra ele. Nem agora nem quando das ameaças de Bolsonaro de romper com o Estado Democrático e de Direito. E isso não aconteceu em homenagem ao espírito legalista de nossas forças armadas, porque elas nunca o foram. Sempre tiveram um pé no golpismo e ele só não aconteceu depois de 30 de outubro porque a maioria dos oficiais superiores teve receio de as coisas darem errado, sobretudo e principalmente por dois motivos: internamente a reação contrária seria forte e externamente o Brasil ficaria muito mais isolado do que sempre esteve de quatro anos para cá. As FFAA não têm vocação para o heroísmo de fachada.

As nossas forças armadas são ideológicas.

Por isso o presidente Lula deve governar seguindo sua cartilha, apesar de em alguns pontos ela não parecer muito eficiente. Deve prosseguir com sua "opção preferencial pelos pobres", mesmo enfrentando os maus bofes dos donos do dinheiro, mas com o olho aberto para a necessidade de termos uma âncora fiscal que impeça o Brasil de gastar mais do que arrecada. Isso é vital para a governança.

E antes que eu me esqueça: vai ser preciso defenestrar a ministra do Turismo. Ela é uma bomba relógio que pode explodir e fazer um estrago imenso ao governo logo no seu início.    

31 de dezembro de 2022

Fim das "cuestões"


No seu patético discurso final em live antes de ir para os Estados Unidos onde vai permanecer tentando ver se a temperatura amorna no Brasil, Jair Bolsonaro, que já pode ser chamado de ex-presidente nos despediu de suas "cuestões". Depois foi para a Base Aérea de Brasília, de onde voou para Miami no avião presidencial com vasta comitiva (foto). Tudo às nossas custas. Mas a partir de amanhã já não terá direito a nada disso e a aeronave tem que voltar ao Brasil. Basta desinfetar e usar de novo.

Por que Bolsonaro, que recebeu a faixa presidencial de Michel Temer, não vai passá-la a Lula? Porque as ações das pessoas têm a mesma estatura delas mesmas. Quem é grande age com grandeza; quem é pequeno, com pequenez. E se o ex-presidente tivesse convicção de ter agido "dentro das quatro linhas" - que termo ridículo! - nos seus quatro últimos anos de presidência, não estaria hoje assombrado pela perspectiva de muitos processos por responder. E nem de prisão por enfrentar.

Bolsonaro já passou. Passado é e com o tempo será julgado pelos brasileiros depois de vencida a paranoia dos acampamentos de militantes fanáticos no entorno dos quarteis do Exército.

Lula, em um dos seus pronunciamentos de anúncio de ministros disse que não precisa de puxa saco. Também acho e então vamos ao fatos. O ministro das Comunicações é um provável erro. E tomara o errado seja eu. Juscelino Filho votou a favor do impeachment de Dilma Roussef e era favorável à privatização dos Correios. Médico e em seu segundo mandato, tenta se apresentar como conservador num país onde esse termo é comumente confundido com reacionário. Vamos ver qual é a dele.

Outra figura muito estranha no ninho é Daniela do Vaguinho, ministra do Turismo. Essa pedagoga que, a exemplo de Juscelino está filiada ao União Brasil, defende a "linguagem neutra" no ensino. Esse é um apelido para a tal "escola sem partido", na prática uma forma de os conservadores/reacionários tirarem o ensino crítico das escolas públicas brasileiras. Ora, tudo o que o aluno precisa, sobretudo em seus primeiros tempos de formação intelectual, é da capacidade de julgar nas ciências sociais.

O perigo das frentes amplas é que se eles se tornarem amplas demais, perde-se o horizonte. Sim, Lula necessita de apoio dos partidos do Centrão para poder tocar seus projetos de governo e reconstruir um país arrasado. Mas abrir muito o leque tem riscos grandes. A ministra Daniela, por exemplo, já foi bolsonarista de carteirinha e defendeu o fugitivo dos EUA com força.

Feliz ano novo, Lula. E boa sorte. 


























Foram escolhas pessoais de Lula, que precisa de apoio desse e de outros partidos do Centrão para governar. Tomara a aposta dele dê certo, mas duvido. O problema das frentes amplas é que elas acabam amplas demais e, com isso, perde-se o horizonte. Pronto, fui crítico.

Feliz ano novo, Lula!             

28 de dezembro de 2022

Devolvam os orixás!


Quando assumiu o cargo de primeira dama, se é que isso existe, Michele Bolsonaro se disse incomodada com a existência, no Palácio da Alvorada, de peças sacras que são de propriedade pública. Assim sendo, ela determinou a transferência para o Palácio do Jaburu - segundo consta - de todas elas, inclusive as de motivação católica como duas santas barrocas trabalhadas em madeira. Mas o mais absurdo foi tirar do salão do Alvorada a tela "Orixás", de Djanira (foto), um quadro de valor inestimável e que para ela é apenas "macumba".

Jamais entrou na cabeça daquela senhora e nem na do marido dela, o presidente, que até domingo eles são meros inquilinos do Alvorada, bem como ele tem o Palácio do Planalto como local de trabalho. Então é difícil aceitar que, por exemplo, no início de seu caótico desgoverno, o presidente tenha mandado desmontar a biblioteca do Planalto. Ele queria espaço para o filho Carlos montar o gabinete do ódio, onde passou quatro anos produzindo fake news para enganar os "patriotários" que hoje ainda montam guarda nas portarias de quarteis em boa parte das cidades do Brasil aguardando um golpe militar ou de extraterrestres. Onde estão os livros?

Se eu me hospedo em um hotel não tenho o direito de mudar o mobiliário que lá está, a não ser com autorização expressa da direção. E ao que consta a direção raramente autoriza coisas como essa. O quadro "Orixás", bem como as representações de santos e outras obras de arte do Palácio da Alvorada pertencem ao Brasil, a nós todos, e não apenas e tão somente atendem aos ditames religiosos da mulher do presidente que fica de joelhos vestindo camiseta com o nome "Jesus" diante de manifestantes.

Nos últimos dois meses nós já vimos gente rezando para pneu, gente levantando aparelho celular para convocar extraterrestres, outros ajoelhados diante de portões de unidades militares pedindo intervenção militar e muitas outras idiotices mais. Chega!!!!! É hora de investir minimamente em sanidade, em respeito à escolha da maioria que elegeu um presidente adversário do atual.

Que ele leve para onde bem entender sua motocicleta de madeira entalhada, a estátua também de madeira que o representa e já foi apelidada de "Jumento de Tróia" e mais os demais presentes ridículos que recebeu nos últimos quatro anos, enquanto destruía o Brasil. Pode enfiá-los onde achar melhor. Mas as obras de arte que nos pertencem têm que ser devolvidas intactas.        

14 de dezembro de 2022

A velha jovem golpista

Durante uma semana joguei fora uma hora minha por dia para ver a TV Jovem Pan e sua programação dedicada ao golpismo e à tentativa de destruição da democracia brasileira. Aquilo é um horror! E a se analisar pela alta rotatividade dos "comentaristas" que eles contratam e demitem quase todos os dias, vai ser difícil encontrar tantos fascistas dedicados ao "jornalismo" para levar às suas bancadas de programas pobres, repetitivos e cheios de ódio. Na foto que ilustra esse texto, de um programa intitulado "Os pingos nos is", três dos personagens já tiveram que ser demitidos.

Eles constroem suas próprias "verdades" invertendo fatos diariamente, criando factoides analisando de forma desonesta quaisquer falas que contrariem seus pensamentos ou os de seus patrões, enfim, tudo o que não possa colaborar para que o ainda presidente da República continue a sonhar seu sonho golpista de que venceu a eleição do dia 30 de outubro ou então que esta foi-lhe roubada maquiavelicamente por forças ocultas controladas pelo comunismo internacional que quer tomar o Brasil dos "patriotas" e comer as nossas indefesas criancinhas.

Existiu no passado em São Paulo a Rádio Panamericana, que se dedicava a futebol e música. Na época, a TV Record, então a emissora de maior audiência do Brasil tinha como CEO Paulo Machado de Carvalho e era do grupo. Ele foi um empresário conservador, apaixonado por futebol e que chefiou a delegação brasileira na Copa do Mundo da Suécia, em 1958. Ganhamos o Mundial e ele o título de "Marechal da Vitória". A Record foi revolucionária na televisão, tendo lançado o embrião da maior parte do que de melhor temos hoje. Ficando em poucos exemplos, na Record surgiram Hebe Camargo, Jô Soares, os festivais de música, as séries de TV e muito mais. Mas ela foi vendida depois e hoje pertence ao senhor Edir Macedo, tido como bispo da Igreja Universal.

A Rádio Panamericana se tornou Jovem Pan e conseguiu um certo grau de modernização. Até ter como CEO Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, vulgo Tutinha, neto de Paulo Machado, nazifascista de carteirinha e que comanda o golpismo televisivo do País. Conseguiu grande audiência com seus desonestos "comentaristas" mas, temendo um processo atrás do outro, vira e volta manda alguém embora. E vai continuar a fazer isso até a fonte secar porque não se comete crimes de fake news, calúnia, injúria e difamação sem pagar por eles o tempo todo, a vida toda. A conta vai chegar em breve.

Essa gente já perdeu!                                

8 de dezembro de 2022

"Você não entendeu..."


Corria o ano de 1965 e o primeiro presidente da ditadura militar leu em um jornal que um seu irmão, servidor de carreira da Receita Federal havia ganho dos outros funcionários um carro Aero Willis zero quilometro como retribuição à ajuda que dera para a feitura de uma lei que organizava a carreira federal naquele órgão. Imediatamente o presidente, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco ligou para o irmão e determinou que o veículo teria de ser devolvido à concessionária.

O irmão então disse: "Veja, Humberto, se cada fiscal tivesse sido presenteado com uma gravata, o valor seria muito maior". E acrescentou que a devolução o colocaria fragilizado no seu cargo. Então o presidente encerrou a conversa: "Você não entendeu. Afastado do cargo, você já está. Estamos agora decidindo se você vai ser preso ou não". Esse episódio foi narrado pelo jornalista e historiador Elio Gaspari para a Folha de S. Paulo em 10 de julho de 2005.

Vamos nos transportar para esse final de 2022. O que um jornalista como eu, que odeia a ditadura militar, pensaria se tivesse que traçar um paralelo entre o Castelo Branco de 1965, apenas um ano depois do golpe de Estado que depôs o presidente João Goulart e o Jair Bolsonaro de hoje que, às vésperas de entregar a presidência a Luiz Inácio Lula da Silva, abastece todos os canalhas que o seguem nos projetos de golpe de Estado e destruição da democracia construída a duras penas de 1985 para cá. Isso quando o último ditador de plantão, João Batista Figueiredo, que preferia cheiro de cavalo a cheiro de gente, não tentou um golpe.

Na montagem de foto acima estão Castelo de um lado e Bolsonaro de outro. É abissal a distância ética entre um e outro. No caso do presidente atual, eleito pelo povo, ele escondeu anos de "rachadinhas" suas e dos filhos. A familícia comprou mais de uma centena de imóveis em dinheiro vivo. Agora mesmo o mais velho da filharada quer passar por cima de normas legais para ter uma ilha no litoral fluminense. São tantas as falcatruas que isso chega a desconcertar. E mesmo assim ainda há uma legião de idiotas e criminosos capazes de seguir esse esquema rezando para pneus e chamando extraterrestres.

Chega, por favor. Todos têm que ser processados para pagar por seus crimes. Essa gente precisa ser condenada e presa, sem que se cogite em anistia. O Brasil não pode mais ser desmoralizado como está sendo por essa quadrilha de maioria psicopata. E os processos devem envolver também os que não estão diante de quartéis, mas alimentam de ódio todos os dias as redes sociais. CHEGA!                        

2 de dezembro de 2022

Como se não houvesse amanhã


No dia 1° de janeiro, quando tomar posse na presidência da República o presidente Luís Inácio Lula da Silva encontrará um Brasil devastado para gerenciar. E mesmo hoje, ao comando de uma equipe de transição, já tem a exata noção disso. O Ministério da Saúde, um dos mais destruídos, chegou ao cúmulo de negar à próxima administração o direito de conhecer dados e fatos, sobretudo os ligados à vacinação dos brasileiros. Bolsonaro governa o seu final de tragédia como se não houvesse amanhã!

O Brasil está terminando de ser desmontado. Caiu 24 posições no ranking dos países que conseguem reter seus talentos (do 45° para o 69º lugar); as universidades públicas foram devastadas e talvez mais do que os nossos biomas tão caros e frondosos; o valor destinado à produção de conhecimento cai a cada ano que passa: 40,7 bilhões em 2014, 20,7 bilhões em 2022 e previsão de 17,1 bilhões em 2023; não há mais dinheiro para o Ibama conter grilagens e invasão de terras indígenas, para citarmos somente dois casos; o garimpo ilegal nunca floresceu tanto; até mesmo as polícias estão sem poder manter veículos em funcionamento.

E o presidente, no Palácio da Alvorada (foto), não vai à reunião do Mercosul e passa os dias pensando no que pode fazer para tornar ainda mais pedregoso o solo onde Lula vai pisar. Mas existe amanhã!

Ele assumiu o poder em 2018 com o plano de reagir a qualquer insubordinação às suas ordens com um golpe de Estado. Previa isso, mas deu com os burros n'água. Em determinado momento chegou a dizer que interviria no Supremo Tribunal Federal e teve que recuar diante de conselhos contra essa aventura insana. Depois de perder a reeleição, voltou-se às forças armadas para tentar estuprar a democracia. Só que a aventura foi recusada por todos ou, ao menos, pelos de mais juízo. Ele jamais acreditou no Estado Democrático e de Direito porque todos os seus ídolos são ou foram fascistas ou ditadores e esses só têm apreço pelo totalitarismo. Falar de liberdade para esse homúnculo é mera falácia.

Mas existe amanhã. E o do indivíduo recluso no Palácio da Alvorada onde passa dos dias a imaginar  como destruir ainda mais devem ser os processos, as condenações e a prisão. Que, por sinal, merece.                  

24 de novembro de 2022

Pelo enfrentamento sem anistia


O atual presidente da República jamais vai aceitar o jogo democrático e sonhará com um golpe de estado enquanto ainda vislumbrar essa possibilidade. É um fascista e o projeto de poder do fascismo passa longe dos valores do Estado Democrático e de Direito. Ainda mais porque o Brasil tem hoje um enorme contingente de pessoas que apoiam esse tipo de movimento, numa afronta aos mais comezinhos valores da Democracia. Os últimos movimentos dessa gente miserável podem ser vistos claramente a partir de mais uma tentativa frustrada de desacreditar o resultado da eleição de 30 de outubro.

Ontem mesmo recebi mensagens por via WhatsApp de bolsonaristas de Vitória, minha cidade, e na qual eles espalham novas mentiras cercando a eleição e pedindo sua anulação ou intervenção militar. Não vão parar e talvez tentem entrar com esse esforço desonesto pelo mandado do próximo presidente, de modo a não permitir que ele governe com um mínimo de tranquilidade.

E o atual presidente já está fazendo isso. A Polícia Federal não conta com verba para funcionar minimamente. O SUS, segundo foi apurado, corre o risco de paralisar muitas atividades, o mesmo acontecendo com a ANVISA. Talvez não haja em 2023 dinheiro para a compra de vacinas, para o programa Farmácia Popular e outras ações necessárias e que são complementares ao Bolsa Família como é o caso da Merenda Escolar. Minha Casa Minha Vida então, nem se fale... O caso do Farmácia Popular é um crime de genocídio porque ele fornece medicamentos vitais à manutenção da vida de quem depende de drogas de uso contínuo e  não tem como adquirir. Eles vão morrer.

Bolsonaro tem que ir para a cadeia!

Hoje já não se trata mais de denunciar esses fatos e enfrentar os milhões de brasileiros que aceitaram prostituir suas mentes em favor do apoio a um psicopata chefe de quadrilha e que inunda as redes sociais com mentiras diárias, todas elas visando infelicitar o Brasil. Até pedidos a extra terrestres essa gente faz para não aceitar o resultado das urnas, fruto de uma luta que vencemos de 1985, depois de passarmos 21 anos sob uma ditadura militar que estuprou a Constituição, prendeu e matou brasileiros. Esse quadro horroroso pode ser visto na reprodução de uma capa da Folha de São Paulo da época (foto).   

Chega. Temos que enfrentar esse grupamento de crápulas e não podemos aceitar anistia.          

18 de novembro de 2022

Nomes, Lula, por favor!


O anedotário político conta uma ótima história de Tancredo Neves. Ele havia sido eleito governador de Minas Gerais e um cara chato que ajudara na campanha insistia em ser secretário. Mas não tinha estatura para isso. Todo santo dia o sujeito perguntava: "Doutor Tancredo, estão me questionando se fui convidado para assumir uma secretaria. O que respondo?" Não falhava uma vez. Até que o governador não aguentou mais e, ao ser interrogado na enésima oportunidade, disse: "Faça o seguinte; no próximo questionamento diga que você foi convidado e recusou. Eu confirmo!"

Não sei se o presidente eleito Lula está passando por isso, mas ele tem que anunciar logo alguns ministros, principalmente os mais importantes, sobretudo o da Fazenda e o do Planejamento. Ao menos esses. Vai acalmar o mercado se escolher bem e terá tempo para terminar a tarefa com menos pressão para definir demais as escolhas com vagar. Esses dois primeiros ministros são vitais e devem ser pessoas com trânsito entre os que influenciam o mercado. Não há outra alternativa. Se o Bolsa Família ficar fora do teto de gastos será possível lidar com as promessas sem problemas.

Hoje o presidente está em Portugal com uma agenda confortável. Amanhã terá dez horas de voo até o Brasil. Dá para pensar, telefonar, alinhavar algumas coisas e tomar decisões. Não acredito que as opções já  não estejam certinhas em seu radar. O Lula dos governos passados sabia pensar com antecedência e tomar decisões. Nos seus oito anos como presidente escolheu auxiliares das pastas econômicas que transitavam com facilidade junto aos donos do dinheiro. Não desaprendeu. 

Se nosso eleito fizer isso e evitar discursos de improvisos, sobretudo aqueles nos quais se empolga e não consegue terminar de falar, tudo vai dar certo. Ninguém sobre a face da terra conseguiria ser pior do que Jair Bolsonaro, embora este tenha deixado atrás de si um astro de terra arrasada como jamais se viu no Brasil, isso antes de se retirar para o Palácio da Alvorada onde hoje constrói seu universo paralelo (foto). E se Lula tiver pela frente alguém chato e querendo a todo custo um cargo de primeiro escalão, o exemplo do velho político mineiro Tancredo Neves servirá como uma luva.           

11 de novembro de 2022

Mercado seletivo


Duas considerações precisam ser feitas relativamente à reação nervosa do mercado financeiro brasileiro ontem, depois do pronunciamento de Lula em Brasília. Primeiro, que se trata de um movimento seletivo e que visa atingir um governo ainda não formado e com o qual o grande capital não tem afinidade alguma. Portanto, uma reação ideológica. Segundo, para evitar esse tipo de movimentos que tendem a desestabilizar o governo por meio de chantagem financeira, seria bom o novo presidente não fazer discursos de improviso ou então tirar o tema "âncora fiscal" de seus contatos públicos com a população e a imprensa.

Vamos nos lembrar do seguinte: nos últimos quase quatro anos o atual mandatário Jair Bolsonaro produziu uma imensa quantidade de discursos fantasiosos, falaciosos, arrogantes, desafiadores e destituídos de qualquer lógica ou civilidade. Em momento algum houve reação tão pronta contra suas falas. Claro que o cidadão ainda no poder (?) falava quase a mesma língua desse mercado que tem um único interesse: ganhar a cada dia mais dinheiro. Se ele sente que seu chão não está seguro o reflexo na bolsa de valores é imediato. Junto com ele vem o sobe/desce do real e das principais moedas internacionais, sobretudo o dólar. Lula, nos seus dois primeiros governos respeitou as regras dos gastos, reduziu a inflação e a dívida pública. Mas o mercado já se esqueceu disso.  

Esses movimentos muitas vezes são usados como chantagem econômica. E vai ser assim doravante, até que o novo governo se estabeleça com a confiança de quem realmente interessa: a população ou uma grande parcela dela. O "tal mercado" não está mais acostumado a ouvir político falando em matar a fome do povo. Coisa de comunista! Isso pouco ou  nada interessa à "República da Faria Lima". Ela gosta de ouvir que o Brasil é o celeiro do mundo, embora a produção agrícola gigantesca que serve à exportação não mate a fome de uma imensa parcela dos brasileiros e só sirva ao enriquecimento dos barões do agronegócio.

Vai ser difícil enfrentar a reação, porque até pequenos produtores se deixam acariciar pelo canto das sereias. Mas tem que ser assim. Matar a fome do povo, recuperar a Educação, dar um sentido à saúde e gerar uma economia direcionada a todos, sobretudo aos mais fracos sempre provoca reações as mais desesperadas possíveis. Então, para não botar lenha na fogueira seria bom se os principais assessores convencessem o presidente a falar pouco. E a sair do palanque, já que o Palácio do Planalto vai ser seu local de trabalho por quatro ano depois de primeiro de janeiro.                    

9 de novembro de 2022

Samba do crioulo doido


Não me recordo do ano, mas faz muito tempo. Estava em São Paulo passando uns dias com meus pais e fui ver um show dos Demônios da Garoa. Queria ouvir "Trem das 11", mas de repente um dos cantores falou sobre um crioulo que endoidou ao escrever letra de escola de samba e apresentou o "Samba do Crioulo Doido". Era e é muito engraçado. O público vibrava com a apresentação dos cinco membros originais do grupo que melhor representa o samba paulista. E hoje penso que essa música nunca foi tão atual como está sendo no Brasil dos últimos dias. O país de após a eleição presidencial.

A gente todas as horas vê pessoas ajoelhadas diante de muros de quartéis militares, rezando para "salvar o Brasil do comunismo". Outros mostram as surradas e criminosas faixas de intervenção militar ou "ruptura", um termo que imaginam mais rebuscado. Ontem um teve que ser retirado amarrado à maca para ser levado a um hospital psiquiátrico. Gente aparentemente sem nada o que fazer acampa diante de instalações das FA para exigir que os militares impeçam a posse do novo governo.

Mas esses são apenas casos psiquiátricos. Grandes empresários financiam grupos para, sobretudo em estradas, atentar contra a democracia bloqueando-as e buscando impedir o fluxo de mercadorias. Ou então usam armas até mesmo contra a Polícia Rodoviária Federal que é hoje cúmplice do atual governo nas ações desestabilizadoras da democracia. Ela e os outros organismos policiais. E olhem: esses são órgãos de Estado e não de governo. Têm que respeitar normais legais não importa se elas se colocam ao lado ou contra correntes que apoiam. Todos, rigorosamente todos têm que pagar pelo que estão fazendo.

Dentre os empresários financiadores dos atos criminosos atuais estão alguns do Espírito Santo. Recentemente tive a oportunidade de ver um filmete feito no Supermercado Perin, onde os empresários praticamente obrigavam seus funcionários e aderir às posições bolsonaristas destes. Caminhões da empresa circularam várias vezes em ações de atos criminosos. E não são os únicos. Outros fazem o mesmo, mas de modo mais subterrâneo, como agem os grandes criminosos, sobretudo aqueles "patriotas" que sonegam impostos para enriquecer à custa dos esforços dos demais.

Hoje estamos diante de um "samba do crioulo doido" que causa pena e espanto. Às vezes pasmo. A eleição já acabou e eles não se convencem de que perderam e são obrigados ética e moralmente - se é que têm isso - a aceitar o resultado das urnas. Mas agora chega, não é? Já passou a hora de cada um desses bandidos de terno e gravata terem um encontro marcado com a Justiça. Afinal, o trem tá atrasado ou já passou!           

1 de novembro de 2022

Que as árvores tenham sorte


No "discurso" de ontem no Palácio da Alvorada o presidente da República em final de mandato foi mais uma vez Bolsonaro de raiz. Não disse rigorosamente nada que prestasse. Sua fala poderia ter sido redigida por um pré-adolescente de dez anos. Não falou que perdeu a eleição, não citou o nome do eleito, desconheceu todos os fatos das últimas 48 horas e apenas se disse grato aos que votaram nele e que apoia apenas e tão somente quem respeita a não violência e o direito de ir e vir. Recado aos caminhoneiros mais açodados...

Mas isso não é o que preocupa. Ele, Bolsonaro, ainda vai habitar o Alvorada até 31 de dezembro próximo, tempo suficiente para fazer vista grossa aos desmatamentos da Amazônia, do Cerrado, da Mata Atlântica, do Pantanal e dos demais biomas brasileiros que no último debate contra o presidente Lula foram chamados por ele de "miomas". Não duvido nem um pouco de que faça isso. Que nossas árvores tenham sorte! Que os deuses indígenas brasileiros possam lançar sua rede de proteção sobre a floresta! Para proteger e criar, dois meses representam pouco tempo. Mas para promover a destruição isso é mais do que suficiente, como mostra a foto.

Os garimpeiros também devem receber a senha para avançar sobre as áreas de atuação ilegal. Os grileiros podem encontrar meios e modos de matar mais indígenas e ocupar terras públicas derrubando a floresta e abrindo imensos bolsões de espaços vazios a serem ocupados por gado e outras "criações". Como a festa está no fim, ainda há tempo para serem emitidas novas licenças ambientais, pode-se tornar legais milhares de toneladas de madeira nobre derrubada criminosamente em área de preservação como acontecia há bem poucos meses, durante o período do "passa a boiada". 

Há pressa, sim, pois o governo Lula vem aí. Mas aqueles que querem ganhar dinheiro fácil, mesmo que seja à custa do futuro de nossos descendentes estão com a faca e o queijo nas mãos por dois meses. Hoje, antes de iniciar a rápida leitura de seu texto de coisa nenhuma, Bolsonaro olhou para o lado e disse a alguém como que num sussurro que as câmaras flagraram: "Eles ainda vão sentir saudades da gente!". Talvez uns poucos sintam...          

30 de outubro de 2022

Boa sorte, Lula

Esperei até o último instante da eleição presidencial encerrada faz poucos minutos para começar esse artigo de Blog não com o vencedor, mas com o perdedor. Nunca imaginei que um presidente eleito da República pudesse descer tão fundo no esgoto para tentar continuar no cargo. Até fazer com que órgãos de Estado cometesse ilegalidades ele fez. A PRF, por exemplo, tornou-se um bando de milicianos. Muitas polícias militares - inclusive hoje - cometeram crimes os mais variados. Um ex-deputado maluco atirou contra a Polícia Federal que vinha prendê-lo. Uma deputada reeleita saiu pela rua de pistola em punho atentando contra a vida de "um preto" acusado de tê-la desrespeitado.

Um horror. Sobra disso tudo a certeza de que aqueles que desceram ao esgoto deverão permanecer lá. Já o Brasil vai emergir com seu presidente Lula e a frente ampla que o levou de volta ao Palácio do Planalto. O presidente eleito deverá chamar todos os brasileiros a, juntamente com ele, lutarem na tarefa de reconstrução de nosso país. Chega de extremismo de direita, de pauta de costumes, de violências contra opositores e de um projeto de governo que se resumia a destruir o que ainda temos de pé e feito por outros.

É preciso fazer aqui um registro: como foi maiúscula a presença de Simone Tebet nessa campanha. Arregaçou as mangas e lutou por um projeto que passou a ser dela. Confessou que Lula não era seu candidato - como não era também o meu, pois não sou petista -, mas que ele representava, como realmente representa, o melhor para o Brasil. Foi difícil vencer um projeto de perpetuação de poder que envolvia jogar todos os jogos possíveis e usar de todos os golpes baixos para continuar. Só que eles perderam. Jair Bolsonaro e sua familícia vão embora. Mas antes, já sem os privilégios do cargo que ainda ocuparão até 31 de dezembro, terão de responder pelos inúmeros crimes que cometeram ao longo dos últimos quatro anos. Ele foi o pior presidente da história do Brasil. Nem os generais da ditadura chegam aos seus pés em termos de desonestidade.

Boa sorte, Lula. Você vai precisar dela porque nosso país foi destruído.