2 de julho de 2022

Projeto Terra Arrasada


Que ninguém se iluda: o projeto atual de Jair Bolsonaro é deixar para seu sucessor - sobretudo se esse for o ex-presidente Lula - um Brasil economicamente arrasado, impossível de ser governado e entregue aos humores de um Congresso que sempre quer mais, muito mais, para satisfazer sua goela imensa. Agora ele tem meios e modos de exercer tal poder e o projeto está em andamento!

Os últimos movimentos, que envolveram até mesmo adesão covarde da oposição, são a prova concreta disso: o Brasil não tem hoje como gastar mais de R$ 41 bilhões somente em projetos não sustentáveis de "amparo" a caminhoneiros e paupérrimos, furando outra vez o teto de gastos. Todos sabemos que essa "ajuda de emergência" só dura até dezembro. Quando o mês de janeiro chegar teremos em nosso horizonte um país quebrado e que vai precisar apertar o cinto até sufocar cada um de nós, sobretudo e principalmente os mais pobres. O governo federal sabe disso, o gado que o apoia também, mas o mais importante para todos eles é manter o atual grupo à frente do poder até 2026. A qualquer preço.

No último cálculo feito os economistas chegaram a um número assustador em termos de dinheiro: a PEC que está para ser aprovada em definitivo pela Câmara dos Deputados no início da semana que entra representará um custo absurdo de R$ 343 bilhões, somados todos os itens do esforço do atual presidente para reverter sua espantadora desaprovação popular, incluídas as desonerações previstas. Tudo isso seria até mesmo elogiável em tempos calmos, se o Brasil tivesse dinheiro para gastar, estivéssemos distantes de uma eleição polarizada e se essa loucura não objetivasse a compra de votos de miseráveis (foto) que sobrevivem abaixo na linha de pobreza. Eles não sabem, coitados, que quando janeiro chegar tudo vira miragem no deserto e a miséria será ainda maior. Total!

Como se isso ainda não fosse suficiente, a decretação de estado de emergência não se ampara em fatos que a justifiquem sendo, então, ilegal. Inconstitucional! Apenas um artifício de malandros. Dessa forma, se algum partido ou membro do Congresso Nacional quiser levar o caso ao Judiciário - ao STF - , deve se decretada a inconstitucionalidade de todas as medidas. Quem tem peito para fazer isso agora? Quem vai ser patriota- aí finalmente se justifica o uso do termo - o suficiente para impedir a loucura? A pergunta cabe porque os dias passam e ninguém quer apostar sua carreira para salvar o Brasil.

O tempo urge, minha gente! 

30 de junho de 2022

LDO, um crime contra o Brasil


Com o conluio do Poder Executivo, o Legislativo do Brasil cometeu um crime essa semana: na definição da LDO 2023 (Lei de Diretrizes e Bases), ele não apenas confirmou a excrecência do "orçamento secreto", mas o tornou impositivo (foto). Isso significa dizer que com a promulgação dessa lei o Poder Executivo não apenas terá de conviver com o orçamento sem nomes e destinos, mas também não terá mais o direito de se negar a cumprir os desejos, grande parte deles obscuros, dos parlamentares.

E por que isso acontece? O atual presidente da República ocupou o poder depois de passar 28 anos como deputado federal sem fazer nada a não ser contratar e dispensar pessoas para seu gabinete e os de entorno, visando acomodar parentes, amigos e parceiros no poder público. Com o nosso dinheiro! Ao chegar à presidência disse que estava gerando uma "nova política". Mas ele só sabia e só sabe fazer a velha, pois é oriundo do baixo clero onde tudo o que se produz visa ao atendimento de projetos pessoais, de grupelhos e troca de favores - escusos ou não - visando a perpetuação do poder.

Quando Bolsonaro tentou colocar o Legislativo sob sua tutela este lembrou-lhe que o jogo era e é jogado da maneira de sempre. Aquela bem conhecida, dos favores que o baixo clero faz no âmbito dos partidos do Centrão tão bem entrosados em inúmeras jogadas políticas envolvendo "rachadinhas", subornos, acordos com milicianos, violência em último caso, lavagem de dinheiro via, por exemplo, lojas de chocolates, compra e venda de imóveis e até mesmo mansões em Brasília, pois quando o esquema reúne uma família inteira sobra dinheiro escuso para muito mais...muito mesmo.

Então o presidente terminou refém do grupo de onde saiu. Subjugado, com medo de perder a reeleição e ter que conhecer a Papuda por dentro, o amante de ditadores, elogiador de torturadores e patética figura nos planos intelectual e de princípios fechou os olhos para o Centrão de agora não tão saudosa memória. Hoje nós brasileiros, distantes do submundo de Brasília, vamos ver todo o ano uma dinheirama imensa obtida via nossos impostos ser drenada para os cofres e favores de deputados federais e senadores para atender a suas "necessidades".

E o povo? Ora, o povo é apenas um detalhe. Incomoda, mas não manda mais nada.

       

25 de junho de 2022

Pressentimentos...


Tenho o pressentimento de que o presidente Jair Bolsonaro foi avisado pelo ministro da Justiça, Anderson Torres, de que o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, teria seu apartamento em Santos alvo de busca e apreensão por ordem de um juiz federal. Também, pressentimento meu, num gesto de magnanimidade, ele avisou seu ex-companheiro desse desagradável fato. Também aproveitou para pedir a ele para destruir em sua casa documentos íntimos de família, pois isso deve ficar a quatro paredes. E fez tudo isso de Nova Iorque. Que amigão!

Também é pressentimento meu que o ex-ministro fez a limpeza. E depois, quando preso não foi transferido para Brasília e somente para São Paulo, pois ele e os pastores Gilmar e Arilson esperavam uma decisão judicial de relaxamento de prisão. Quanta certeza! Não prestaram depoimento, não cumpriram os trâmites processuais comuns a esses casos, mas isso não tem a  menor importância. Afinal, Arilson não precisou cumprir a ameaça de "destruir todo mundo", como disse em mensagem gravada com autorização judicial.

Tenho o pressentimento de que o governo federal vai continuar protegendo Milton et caterva até onde for possível. Afinal ele é um arquivo vivo, não pode ser eliminado do dia para a noite como ex-servidor da FUNAI, e se abrir a boca em desespero pode, sim "destruir todo mundo". Ele, Gilmar e Arilson. Mais um pressentimento: no Palácio do Planalto deve ter crescido muito o consumo de remédios para dormir. Afinal, ninguém é de ferro.

Jair Bolsonaro brinca com a sorte. Somente de forma pública ele já disse em mais de uma oportunidade que obter informações privilegiadas é algo de que não abre mão. E controlar a Policia Federal, também. Só que a PF é órgão de Estado e não de governo, o que torna crime (de responsabilidade?) a obtenção de informações sigilosas, ainda mais para proteger amigos e familiares como ele faz.

Por último, tenho o pressentimento de que se esse presidente perder a reeleição seu futuro será negro. O seu e os dos principais assessores que, com ordens e pressão dele precisam desrespeitar as leis em vigor no País para agradar ao chefe e manter empregos à custa de suas honras.   

                

15 de junho de 2022

Não tenhamos esperanças


É muito difícil entender como foi possível à embaixada do Brasil no Reino Unido manter contato com os familiares do jornalista Dom Phillips, anunciar o encontro de seu cadáver mais o do indigenista Bruno Pereira para depois tudo ser desmentido porque a viúva de Dom comunicou isso a um jornalista competente, digno e que colocou a notícia no ar em sua emissora. E levou outros a noticiarem o fato, como foi meu caso na crônica anterior. Duas certezas moram comigo no que diz respeito a esse episódio: ordens superiores determinaram o desmentido da embaixada (cabeças vão rolar..) e não existe a menor possibilidade de que os dois desaparecidos em Atalaia do Norte estejam vivos.

Não tenhamos esperanças.

Esse caso nos remete a um passado não muito distante para todos os que acompanharam a história do Brasil recente, pós 1964. Se a gente se recordar da Guerrilha do Araguaia (foto) vai entender como funcionavam as coisas naquela época: prender, julgar, condenar, dava muito trabalho. Sumir com as evidências era mais fácil. Isso foi feito também fora do Brasil porque os métodos são todos oriundos dos Estados Unidos. Por isso Ernesto Che Guevara foi assassinado depois de ter sido capturado vivo na Bolívia. Dar a ele o marketing de um julgamento público, do qual sairia endeusado para muitos, estava fora de cogitação. Era melhor "morrer em combate". Como as PMs fazem no Brasil até hoje quando matam e dizem que o inimigo ou inimigos resistiram à prisão armados. Claro, sem testemunhas.

Na Amazônia é fácil abrir o ventre de um cadáver, colocar um peso dentro dele e afundá-lo no rio mais próximo. Fica praticamente impossível encontrar alguma coisa, até porque a imensa maioria dos peixes são carnívoros. Eles fazem a pior parte do trabalho. Quantos presos políticos até hoje estão desaparecidos no Brasil? Por isso as autoridades insistem em parar com as buscas.

Dom Phillips e  Bruno Pereira, dentre outras coisas, estavam ensinando índios e ribeirinhos a operarem drones para monitoramento e denúncia de garimpo e pesca ilegal, mineração criminosa, grilagem e outros crimes comuns na região. Tinham que morrer pela lógica do crime organizado. Talvez, e isso é uma aposta minha, nunca venham a ser encontrados. Quem sabe tudo são aqueles que deram as ordens superiores.

Mas eles não vão falar...           

13 de junho de 2022

O crime organizado é ele!


Aconteceu o que todos temiam, mas ninguém queria afirmar: a embaixada britânica comunicou hoje à viúva do jornalista Dom Phillips que os corpos dele e do sertanista Bruno Pereira foram encontrados pelas equipes de buscas. Isso ocorreu em seguida ao encontro de uma mochila dos dois desaparecidos e assassinados pelo crime organizado que ocupa praticamente toda a Amazônia. Em seguida a Policia Federal e outros órgãos desmentiram o fato, mas uma informação da embaixada a familiares nunca pode ser descartada como noticia oficial

Jair Messias Bolsonaro é o crime organizado!

Desde que ele assumiu a presidência tem feito tudo para, dentre outras inúmeras coisas, permitir a devastação da Amazônica e o massacre dos indígenas brasileiros. Acabou com os órgãos fiscalizatórios, sobretudo a Funai, demitiu ou exonerou servidores encarregados da fiscalização e controle do meio ambiente e das terras indígenas e muito mais. Bruno Pereira, por exemplo, cumpria seu papel protegendo as áreas onde vivem grupos isolados de índios, esses com pouco ou nenhum contato com os "civilizados", e por isso foi exonerado. E não só ele. Inúmeros servidores dos mais diversos órgãos já foram afastados de seus cargos depois que esse sujeito assumiu a presidência. Até a Polícia Federal terminou atingida porque o presidente pura e simplesmente quer controlar a tudo e a todos, colocando marionetes sob seu comando em postos chaves.

Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos por Jair Bolsonaro. Não por ele pessoalmente - já que diz aos quatro ventos ser capitão de artilharia e o que sabe fazer é matar -, mas pelos esquemas montados para permitir a devastação do Brasil. Esses esquemas incluem fazer vista grossa a crimes que são praticados por garimpeiros, grileiros, madeireiros e outros, o que permite o crescimento das redes de criminosos que atuam na Amazônia à revelia das leis. Como o presidente só sabe agir atropelando nosso arcabouço legal, quem age como ele é seu amigo de fé, irmão, camarada.

Que as mortes de Dom e Bruno nos acordem de uma vez por todas.                          

7 de junho de 2022

A reforma de um só lado


A proximidade da eleição presidencial de outubro está trazendo à baila uma discussão que sempre volta à mesa de negociações de quatro em quatro anos: as relações trabalhistas do Brasil. E agora ela está sendo focada num tema espinhoso: o presidente a ser eleito - quem já tocou no assunto foi Luiz Inácio Lula da Silva, do PT - deve ou não deve revogar a reforma feita pelo atual governo?

Sempre que se discute o assunto toma-se por base a lógica do capital: o custo do trabalhador é muito elevado no nosso país porque os encargos trabalhistas mais do que dobram para o empregador o custo final da mão de obra. Mas a discussão passa por cima de um fator fundamental e que reside no fato de termos dois brasis num mesmo país: o do INSS e o do serviço público. Um é pobre e vive de pires na mão. O outro tem pouco ou quase nada a reclamar e se aposenta com vencimentos integrais depois de, ao longo da vida, ganhar bem mais do que os trabalhadores da iniciativa privada. Sem demissão.

O que foi a reforma trabalhista do atual governo? Apenas e tão somente a vontade do capital. Em nenhum momento o trabalho foi ouvido. Ou muito me engano ou o atual presidente jamais recebeu um líder trabalhista. Nunca ouviu as suas reivindicações. Em momento algum esteve em um sindicato ou outro órgão representativo dos trabalhadores. Mas na "República da Faria Lima" já foi várias vezes.

Só existe justiça social quando se consegue conciliar os interesses do capital e do trabalho. E isso é possível! Uma reforma trabalhista feita de um lado só, além de não conciliar interesses engorda quem já é gordo e torna mais frágil quem já passa necessidades. E basta andar pelas ruas, ver as legiões de moradores em situação de miséria para constatar o que estou afirmando aqui.

Não podemos viver num Brasil onde se desconhece a existência do trabalhador privado. E também onde o servidor público forma uma casta privilegiada. Essa questão tem que ser enfrentada, discutida, vencida. E é claro, isso não vai acontecer com o atual presidente renovando seu mandato. Precisamos ter em Simone Tebet, Lula ou Ciro Gomes uma opção de construção de sociedade mais justa.

Afora a expectativa de um dos três não temos nada na linha do horizonte.              

30 de maio de 2022

Matam Genivaldo todos os dias


Não é surpresa para ninguém que o Inominável tenha chamado Genivaldo de Jesus Santos de marginal. Surpreendente seria o inverso. Mas deixa o Brasil estupefato nós sabemos que muitos "genivaldos" são mortos todo os dias em todos os locais desse País, contanto cumpram com alguns requisitos, digamos básicos: sejam pobres, negros, morem em regiões muito carentes (favelas), não se vistam bem e se recusem a cumprir cegamente as ordens dos agentes públicos.

O homem assassinado era doente mental, tomava remédio controlado, foi parado pela Polícia Rodoviária Federal porque estava pilotando motocicleta sem capacete e com toda a certeza, depois de cumprir as primeiras ordens da PRF, se insurgiu por puro medo. Infelizmente, e é preciso admitir isso, os órgãos policiais brasileiros são reconhecidos por grande parte da população como inimigos.

Pilotar sem capacete o Inominável faz quase todos os dias e não apenas jamais foi parado pela PRF, mas em inúmeras ocasiões acabou sendo escoltado por ela. Os pobres não têm essa sorte. São assassinados como aconteceu com Genivaldo e depois desse último episódio, alguns casos estão vindo a público, pois denúncias são feitas agora que a coragem supera o medo de morrer sem que os assassinos sejam identificados para pagar, mesmo com a mais alta autoridade do Brasil os chamando de marginais.

Recentemente houve mais uma chacina no Rio de Janeiro. Eram criminosos os mortos? Que fossem, mas tudo indica que alguns foram executados. No penúltimo episódio dessa natureza isso ficou provado com as investigações e filmagens feitas. Pouco importa aqui se alguém acha que bandido bom é bandido morto porque a diferença entre o bandido e o mocinho é que o segundo segue religiosamente as leis até mesmo por dever de ofício. É isso o que difere um do outro.

Nós  moramos num país onde os agente públicos armados acham que podem matar impunemente atropelando todos os textos legais. Que tragédia! Mais "genivaldos" vão ser mortos por tortura, pura crueldade, na frente de todo mundo, em plena luz do dia e em via pública.          

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23 de maio de 2022

Sua excelência o factoide


Hoje mesmo o presidente da República promoveu novo ataque aos governadores, tentando mais uma vez transferir a eles a responsabilidade pelos aumentos do preço dos combustíveis. Ele mente, sabe disso e insiste porque, como diziam os próceres do nazismo, uma mentira repetida inúmeras vezes se torna verdade. E levar a discussão a esse terreno, também ele sabe, muda a discussão de esfera: ela sai do desemprego, da crise econômica, do desencanto do país para outro terreno menos pantanoso.

O presidente se recusa terminantemente a aceitar os princípios do pacto federativo que regem o Brasil nos campo político e econômico. O que é isso? Trata-se de um conjunto de dispositivos constitucionais que desenham a moldura jurídica, as obrigações financeiras, a arrecadação de recursos e o campo de atuação dos entes federados: União, estados e municípios. O poder é compartilhado porque assim se
determinam os limites entre uma atuação e outra. Nada é e nem pode ser absoluto.

Mas como enfiar isso na cabeça tosca de um sujeito que já fez diversos pronunciamentos dizendo-se amante da ditadura militar de 1964, da tortura e do assassinato de inimigos? Mas que hoje veste a fantasia de democrata de véspera de eleições, pregando uma liberdade na qual jamais acreditou?  Ele apenas e tão somente quer o poder pelo poder e sua continuação no cargo de presidente da República depois das eleições de outubro. Por isso constrói factoides a cada dia que passa, buscando fazer virarem verdade as mentiras que diz todo dia. Como, por exemplo, a de que a Amazônia está sendo preservada!

Esticar a corda é sua preocupação diária, sua maior fixação. Não aceitar as regras democráticas tornou-se um mantra para esse indivíduo que só ainda não deu um golpe de Estado no Brasil porque a parte mais responsável das Forças Armadas nega-se a embarcar com ele nessa aventura.

Factoide é uma informação falsa ou não comprovada e que é aceita como verdadeira em função de sua repetição sistemática. Isso dá certo em situações nas quais o esquema montado pode contar com o apoio dos meios de comunicação comprometidos com ele. Não é o caso de hoje. Que ódio isso provoca no projeto de ditador de aldeia travestido de democrata! Então a única solução para ele é continuar esticando a corda e gerando atritos diários e repetidos. Afinal, governar ele não sabe.                   

11 de maio de 2022

Compromisso com o golpe


Parece totalmente  fora de dúvida que Jair Bolsonaro quer o golpe de Estado. E aos poucos vai se cercando de militares de alta patente, todos ávidos por dinheiro e poder, para concretizar seu intento. Já não é mais possível disfarçar, fingir que ninguém está vendo: o sujeito não aceitará deixar a presidência da República por via pacífica após as eleições de outubro e talvez tente estuprar a democracia antes disso. Basta ele sentir que suas chances de vencer as eleições são muito pequenas ou nulas.

São falsos, sempre foram, seus discursos em nome da liberdade. No passado não remoto ele deu várias entrevistas se dizendo a favor da ditadura, da tortura e da morte de adversários políticos. A imagem acima, que reproduz uma declaração dele, é mostra clara disso. Pior: todos os mais chegados ao poder sabem com quem estamos tratando hoje, inclusive alguns jornalistas canalhas que se aproximaram dessa fera para obter favores e os estão conseguindo em diversas bolhas de noticiário fraudulento. Um deles, patife até a medula, foi a um restaurante e Brasília vestido com uniforme militar camuflado.

Os questionamentos acerca das urnas eletrônicas, recorrentes, irritantes e inócuos, são uma forma de esticar a corda, tensionar, não permitir que o País saia da crise fabricada pelo presidente com o único intuito de criar um clima pró golpe e tirar a atenção dos brasileiros de seus verdadeiros problemas que passam pela debacle econômica vivida hoje e os constantes escândalos de corrupção registrados todos os dias. Hoje mesmo a Folha de S. Paulo noticia que os generais e serviço do governo ganham cerca de R$ 300 mil a mais por ano que os demais oficiais militares, estejam eles na ativa ou na reserva.

Isso tudo é um escândalo.

Precisamos ficar atentos. Temos que reagir. Denunciar todos os dias os planos maquiavélicos do Capetão para tornar muito difícil que ele destrua nossa democracia. O fato de hoje não contar com a ajuda expressa dos Estados Unidos já é alguma coisa. Mas não tudo. Cada um de nós, brasileiros, temos que lutar contra isso e a favor de eleições livres como estão sendo projetadas pelos TSE com todos os requisitos de segurança possíveis e imagináveis e resistindo a pressões espúrias.

Os patriotas somos nós e não os que sonham com o golpe.        

5 de maio de 2022

Lula pode perder para Lula

O ex-presidente Lula tinha grande vantagem sobre o presidente Capetão na corrida pelo Palácio do Planalto. De bobagem dita em bobagem dita quase todos os dias essa dianteira está indo para o ralo. Para o buraco. Ou os assessores do PT convencem seu candidato a parar de falar besteiras e o preparam melhor para entrevistas importantes como a dada à revista "Time" ou seu mais forte opositor não vai precisar mais chorar o leite derramado como nessa charge acima.

É coisa parecida com o que faz Ciro Gomes. Estava na cara que a ida dele a uma feira do agronegócio no interior de São Paulo provocaria protestos com falta de educação e civilidade por parte do gado bolsomínion. Aconteceu e ele reagiu com um soco no agressor. Também não pode. Só se reage no tapa quando se sofre agressão física. Nas demais situações ou a reação é verbal ou nem deve existir.

O comando da campanha petista passa hoje pelos mesmos problemas de sempre: todo mundo quer aparecer, mandar, dar "pitaco", exercer postos de comando. Não pode porque tribo com mais cacique que índio comum nunca deu certo. O primeiro erro do PT talvez tenha sido o afastamento de Franklin Martins, pois ele é muito capaz. A indefinição que se seguiu a isso acaba sendo pior.

O presidente Capetão conseguiu se cercar de gente competente na área do comando de sua campanha, sobretudo não dando mais o protagonismo de decisões estratégicas ao seu filho do meio. Até quando isso vai durar é impossível prever porque nas familícias como a atual o protagonismo também é disputado com ferocidade. E de ferocidade o gado bolsomínion entende, e muito bem.

Lula corre o risco de perder para Lula. E pelo menos no que toca a mim esse era um risco que eu sabia ser quase certo. Dizer que Zelenski é tão culpado quanto Putin pela guerra e se recusar a fazer análise econômica do momento atual do Brasil não pode acontecer. Não é difícil discorrer sobre a economia brasileira de hoje e qualquer assessor competente da área ajudaria.

Enfim, ainda falta muito para as eleições, a economia brasileira está nas cordas, o desacato à Justiça parece norma de conduta para a chefia de governo, os escândalos se sucedem, a inflação dispara e os erros parecem não mais ter fim. Talvez a sorte de Lula resida no fato de que o Brasil está mal, muito mal, não há competência mínima no governo e Bozo é capaz de produzir mais idiotices que seu opositor.

Se isso não acontecer e a terceira via se recusar a surgir sobretudo com Ciro Gomes à frente, aí sim Lula vai perder para Lula nas eleições presidenciais de outubro.                

30 de abril de 2022

Genocídio indígena no Brasil


As imagens agridem, chocam, levam qualquer pessoa honesta ao pranto. São índios brasileiros em suas reservas, sendo massacrados. Na terra dos ianomâmi mais de 20 mil garimpeiros ilegais invadiram aquele espaço para retirar ouro e outros minerais ilegalmente com o beneplácito do governo federal. Além de fazer vista grossa, esse governo comandado pelo presidente Capetão ainda incentiva os crimes. Até crianças são prostituídas, violentadas e assassinadas à vista de todos.

Diariamente as imagens da agressão são mostradas. Fotos aéreas, filmagens também feitas por aviões e tomadas de satélites. O governo sabe onde estão os garimpeiros, como chegar lá, de que maneira intervir a fim de prender quem comete crimes e deter a escalada do genocídio indígena. Mas não faz nada. Cruza os braços criminosamente, dá campo a que o garimpo ilegal continue a devastar o meio ambiente e acena com falsa impotência dizendo que esse problema é endêmico no Brasil.

A foto que ilustra meu texto é a síntese de tudo. Dois índios em primeiro plano e a floresta devastada, queimada, em segundo plano. O índio depende da mata, do meio ambiente. De lá ele só tira o que precisa para seu sustento, para abastecer sua comunidade. Do meio ambiente vem o alimento que o mantém, a casa que o abriga, a roupa que o protege da chuva e do frio. E também as poucas armas que usa exclusivamente para caçar. Ele não sente prazer em matar, mas apenas precisa se alimentar.

E enquanto os índios são mortos todos os dias e a todas as horas, a campanha política do governo passa por cima disso. Ignora o absurdo. E enquanto a região amazônica é devastada nada se cometa, nada se analisa, não há planos para deter a tragédia. A Funai praticamente não existe mais, o ICMbio foi reduzido a pó, o Ministério do Meio Ambiente é só uma fachada. Tudo está tomado por militares com tendências golpistas, representantes de ruralistas, garimpeiros ilegais e outros criminosos. A tragédia do Brasil não tem mais tamanho.

O que resta fazer?  O que está sendo feito, sobretudo por aqueles que buscam na Justiça uma forma de parar com isso. No Supremo Tribunal Federal está a esperança dos que procuram todos os modos de interromper os crimes contra o meio ambiente e o morticínio das populações indígenas. Infelizmente no Brasil de hoje, principalmente em época de eleição e quando o Centrão foi comprado com nosso dinheiro para representar o crime e os criminosos, afora o STF só há oportunismo na linha do horizonte.

E o STF nos representa. Pelo menos a mim!         

22 de abril de 2022

O decreto tem que cair


Não há a menor sombra de dúvida sobre uma afirmação que faço aqui e agora: o atual presidente da República não sabe governar sem crises. Se elas não existem ele as fabrica. Até porque, e isso é a convicção de muita gente no Brasil de hoje, ele simplesmente não sabe governar coisa alguma.

O último ato do presidente para agredir as instituições democráticas do Brasil foi editar um decreto para dar graça e um bandido que havia sido condenado a pouco menos de nove anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em julgamento que sequer ainda transitou em julgado (foto). E fez isso porque o beneficiado (sic!) é seu amigo pessoal e divide consigo e com o restante da familícia e bolsomínions de raiz o profundo desrespeito por tudo o que os conteste. Principalmente o Judiciário.

Em nome da democracia, em nome das instituições sobretudo civis desse país, em nome da dignidade do Brasil como nação o decreto presidencial tem que cair. Ele precisa ser tornado nulo pelo mesmo STF por ele desrespeitado. E movimentos nesse sentido já estão crescendo a cada dia que passa.

A Marquesa de Santos, amante do imperador D. Pedro I, gostava de chamar seu amado de Capetão. Era um apelido carinhoso embora não parecesse. O Capetão que inferniza a vida dos brasileiros de hoje é diferente. Ele não ama, não sabe fazer isso. Sob seu governo o Ministério da Educação está sendo violentado. O Ministério da Saúde tornou-se mero apêndice da vontade presidencial e de pseudo pastores evangélicos. O meio ambiente é destroçado diariamente enquanto o ministério que teria de lutar por sua preservação é cúmplice no processo destrutivo. A economia patina, há clima de confronto retroalimentado em todas as suas instâncias e o enfrentamento entre o governo federal e os estados e municípios tornou-se política de Estado. Para não tornar o artigo enfadonho, basta dizer mais uma coisa: a Lei Rouanet, tão atacada pelo governo, agora despeja quase meio milhão de reais num projeto de edição de livro sobre armas. Sei quanto custa a edição de livros porque sou escritor. E porque sou escritor sei também que essa aprovação é pura e simplesmente roubo de dinheiro publico a céu aberto.

O Capetão não suporta a vida democrática. Existem imagens de entrevistas dele elogiando a ditadura militar para sustentar minha afirmação. Ele ataca o Judiciário apenas e tão somente para preparar sua militância no projeto de não respeitar o resultado das urnas em outubro se este lhe for desfavorável. Por isso tem que ser enfrentado. Sua graça a um bandido agride. A comoção que vivemos é a de ver o país agredido por quem quer ser seu dono sem contestação alguma, e não pelo veredito do STF.

Repito: é hora de reação. O decreto tem que cair.                          

19 de abril de 2022

Lugar de Toda Canalhice


Um dia ele estava na pensão onde morava e a polícia entrou. Foi levado para um destacamento militar onde chegou com um dedo machucado. "Está doendo?", perguntou o soldado com fuzil nas mãos. Ato contínuo disse que iria tratar do ferimento e, com a coronha fuzil bateu contra o dedo ferido até praticamente o esmagar. O preso, Gildo Loyola Rodrigues (foto), fotógrafo profissional, um dos criadores do Departamento Fotográfico do jornal A Gazeta sofreu tantas torturas que, depois de solto passou algum tempo em um hospício antes de se recuperar e poder voltar a trabalhar normalmente.

A polícia queria saber qual era a "senha". Que senha? É que na entrada da pensão todo dia ia sendo colocado o cardápio de almoço. Por exemplo: "arroz, feijão, bife acebolado, batata frita, salada". E essa relação mudava diariamente. Como Gildo, que tinha militância em partido político clandestino, mas nunca havia atirado em ninguém, se recusasse a dar uma senha inexistente, a polícia e o Exército fizeram o que sabiam fazer quando achavam que alguém era culpado de alguma coisa: torturaram.

Gildo se aposentou em 2011. Fotógrafo brilhante, foi um dos autores do livro "Lugar de Toda Pobreza", produzido juntamente com os também jornalistas Amylton de Almeida e Carlos Henrique Gobbi e parceria de fotos com Helô Sant'Anna sobre o documentário do mesmo nome com dados levantados por Amylton e Gobbi na região do contorno de Vitória onde uma grande invasão se dava em fins da década de 1970. Ele nada tinha a ver com guerrilha, com resistência armada e outros atos de violência. Mais morava, como moramos, no Lugar de Toda Canalhice.

A divulgação dos áudios de julgamentos do Superior Tribunal Militar (STM) com a admissão de torturas durante a ditadura militar brasileira, feito pela jornalista Miriam Leitão que começou sua carreira trabalhando em Vitória no jornal A Gazeta, só surpreende a dois tipos de gente: desavisados e desonestos. E só faz rir os canalhas que consideram lícito terem organizações policiais e as Forças Armadas Brasileiras participado de atos de ignomínia contra parcela de nossa população. Sim, é preciso denunciar. É preciso trazer à baila esse assunto escabroso e deixar tudo registrado nos jornais, rádios, TVs, livros e outros meios, inclusive eletrônicos. Senão acontece de novo.       

14 de abril de 2022

Do que ele tem mais medo?


O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República proibiu a divulgação dos dias em que pastores pilantras foram recebidos no Palácio do Planalto em 2020 e 2021 (foto), o que agride a Lei de Acesso à Informação. A justificativa de garantir a segurança presidencial contra o pedido de um meio de Comunicação é apenas uma desculpa míope para encobrir o verdadeiro motivo: coalhado de caso de corrupção em seu final de mandato, o presidente Bolsonaro quer encobrir todos os seus passos e os de sua familícia nesse ano de eleição negando à sociedade o sagrado direito de saber o que acontece nas entranhas, melhor dizendo, nos intestinos do poder. Denúncias são nitroglicerina pura!

Desde que o Congresso Nacional revogou a Lei de Segurança Nacional, um anacronismo dos tempos da ditadura militar que perdurava na Constituição, o presidente tentou de todas as formas contornar essa "dificuldade". Sem outra alternativa, usa o GSI, um órgão a seu serviço pessoal e comandado por militares subservientes, para se blindar ilegalmente. O último ato foi tornar secretas as idas de pastores ao palácio. Daqui para a frente tudo o que o incomodar terá o mesmo destino. A menos, é claro, que alguém ou alguma instituição recorra ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra essas violências.

O final do mandato de Bolsonaro está sendo um rosário de casos de corrupção. Nunca antes se viu tanta ilegalidade quanto agora. Atos espúrios que vão desde o favorecimento explícito à Engefort, empresa laranja dona da maioria dos grandes contratos do governo federal, à influência de representantes de seitas neopentecostais que se aboletaram nos cumes do poder para garantir todo o tipo de vantagens. E não são só elas: a corrupção cresce até mesmo entre os descendentes diretos do ex-capitão de artilharia e agora envolvem seu filho mais novo, Renan, que não aceita ficar fora da divisão do butim.

Do que Jair Messias Bolsonaro tem mais medo? De perder a reeleição, não importa para quem. Ele sabe que se isso acontecer, seu futuro será responder a uma grande gama de processos e possivelmente dar adeus não apenas ao poder, mas quem sabe à liberdade. Ele conhece todos os atos ilegais que praticou usando a caneta ou ministros, sobretudo em ministérios como os da Saúde e da Educação. Jair, ele tem consciência disso, não pode perder de forma alguma. E para garantir sua intocabilidade, de agora em diante até diarreia vai merecer sigilo de cem anos. Isso sem falar nas ilegalidades que estão por chegar, e no aumento do desmonte das instituições públicas e ataques diretos à democracia. 

O Bolsonaro ditador está apenas tirando a máscara.                

9 de abril de 2022

O vírus militar


Não é o maior filme de todos os tempos, está longe disso, mas vale a pena ver "A mulher de um espião", uma produção japonesa. Na foto acima, os dois principais protagonistas: o "espião" e sua mulher. O fato é real e muito bem documentado numa obra cinematográfica onde é possível ver as limitações de verba nos pequenos detalhes, como os bondes cujas janelas não mostram o que se passa do lado de fora.

Mas esse não é o mote do meu artigo. Sua razão de ser está num fato que mostra até onde vai a capacidade de destruição do totalitarismo, sobretudo militar e independente de ideologia. O "espião" descobre atos de selvageria em investigação "científica" que o Japão promovia na Manchúria ocupada em 1940. E foram os militares japoneses que arrastaram o país para a guerra e o holocausto subsequente.

Ao final do conflito mundial terminado em 1945, o Julgamento de Tóquio mostra o destino que tiveram os maiores comandantes japoneses. Sim, porque na guerra o vencedor julga o vencido e impõe a ele suas leis e penas. Não a toa os norte americanos jamais foram julgados pelos crimes de guerra cometidos no Vietnam e em outros conflitos armados dos quais participaram e participam.

Note o leitor: ao final da guerra o imperador Hiroito, homem probo e que em vida foi reconhecido como a maior autoridade mundial em biologia marítima da época, não perdeu o trono. Deixou de ter status de divindade, sua autoridade passou a ser meramente cerimonial, mas o império sobrevive intocado no Japão. Digno, austero e agora incapaz de ser corrompido pelo poder militar. Sim, porque o Julgamento de Tóquio visava destruir o militarismo japonês, o câncer daquele país, e isso foi conseguido. O império, a forma de governo, jamais foi alvo.

Nas sociedades modernas é necessário que o poder seja equânime. Não pode um estrato social ter prevalência sobre os demais, sobretudo um setor armado. Ele pode ser levado a se considerar dono do Estado, artífice da Justiça, acima das leis e dos costumes quando não concordar com eles. Se isso se tornar agudo os danos que o país sofrerá são inimagináveis. Um dia o Brasil vai ter que liquidar, preferencialmente por via pacífica, com o vírus de seu militarismo. E é chegada a hora. 

29 de março de 2022

Não há mais governo nessa corrupção


Um mantra do atual presidente da República é dizer que não há corrupção em seu governo. Mas toda semana explode um escândalo de grande porte. O último fez com que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, fosse defenestrado. Ele já era o quarto ocupante da pasta somente durante os últimos três anos e pouco. Por mais que lute contra isso, por mais que tente fazer a opinião pública negar o óbvio, a cada dia Bolsonaro se envolve em outros atos espúrios que ele mesmo patrocina e tenta repassar a terceiros.

Dois ministérios de importância vital para o Brasil vivem de escândalo em escândalo desde a posse do capitão quase expulso do Exército: Saúde e Educação se tornaram feudos da pequenez intelectual de Bolsonaro em sua ascensão ao poder. E isso porque ele quer de todas as formas dar às duas pastas a "sua cara", como costuma dizer. E essa cara é fascista, revisionista, limitada e presa a preconceitos que vão do ódio que sente contra todos os pensamentos de esquerda ao alinhamento incondicional a seitas neopentecostais picaretas. E elas não são poucas. Proliferam porque não têm predadores...

Milton Ribeiro é o mais recente exemplar dessa fauna estranha. Todos sabemos que as ordens sempre vieram da presidência da República. Ou os ministros obedecem cegamente ao presidente ou são demitidos. Até mesmo Sérgio Moro, o ex-juiz que se aliou a esse governo depois de ter sido artífice da Operação Lava Jato, esquema de perseguição política implacável (não estou dizendo que os acusados e condenados eram inocentes) e que influiu decisivamente nas eleições de 2018, acabou sendo vítima do grupo que ajudou a colocar no poder de Brasília. Teve os olhos arrancados pelos corvos que criou...

Jair Messias Bolsonaro sacrificou seu último ministro para tentar sair do foco das investigações. Demitiu o presidente da Petrobrás para criar uma cortina de fumaça. Mas até as paredes do Palácio do Planalto sabem que a família presidencial comanda a corrupção do governo desde a época das rachadinhas e outros crimes e que o gado, os fascistas emergidos com o atual grupo político, ditam as regras desde o primeiro dia de mandato de seu ídolo. Agora, com ajuda decisiva do Centrão.

Como virou piada depois do desgaste do "Não há corrupção no meu governo", o brasileiro agora diz que "Não há mais governo nessa corrupção". E isso é certo!      

26 de março de 2022

As vítimas de sempre


É inquestionável que a invasão da Rússia à Ucrânia representa um crime, sobretudo e principalmente contra as vítimas de sempre em todas a guerras: os civis, as crianças, aqueles que nada têm a ver com a decisão de um país atacar o outro e que, mesmo assim, pagam a maior parte do preço das agressões. São dantescas as imagens de crianças chorando desesperadas. São horrorosas as de civis adultos ou idosos tendo que largar suas casas para correrem a estados estrangeiros sem saber sequer se um dia poderão voltar a seu país, seus lares, suas cidades, seus trabalhos, seu sossego.

Mas é preciso pensar mais adiante: não existem vestais na ONU e não é possível encontrar virgens políticas na OTAN. Mais: desde a dissolução da União Soviética e o fim da guerra fria não há mais razão para que a Organização do Tratado do Atlântico Norte exista, a não ser se agora ela serve para expandir suas fronteiras em direção ao Leste, comprimindo a Rússia e a cada dia mais chegando próxima da China. Essa, por sinal, é o alvo maior: os Estados Unidos não querem permitir que os chineses tenham a maior economia do mundo, em condições de tirar-lhe o posto de donos do planeta.

Discutir aqui se a Rússia pode justificar seu ataque à Ucrânia não é o mais importante. Ela é o agressor. O governo daquele país não aceitou o avanço da OTAN em direção a ele e o fato de aos poucos os agora 30 estados da organização ocidental estarem colocando mísseis apontados para Moscou. Pior porque os Estado Unidos vestem sempre seus presidentes de estrelas de xerife para curvar o mundo à sua vontade, como acontece hoje com esse Joe Byden da foto acima.

Por trás da decisão norte-americana de usar os aliados europeus para abrir uma guerra comercial contra os russos e ameaçar outra contra os chineses se eles não ficarem "do lado certo" existe um imenso interesse comercial militar que representa bilhões de dólares em armas e munições que a indústria bélica dos EUA precisa negociar para tocar sua economia em muitos pontos baseada nisso. As vítimas de sempre, pelo fato de serem de sempre, pagam a conta por não saírem da frente.                

16 de março de 2022

Ensaio para o Armagedom


Durante a Guerra dos Cem Anos, mais precisamente na Batalha de Azincourt, em 1415, o arco longo inglês (foto) foi decisivo. Confeccionado em madeira de teixo, tendo quase dois metros de comprimento, era capaz de enviar flechas com uma velocidade imensa. Elas penetravam a armadura dos inimigos ou então seu escudo, matando-os. Que arma terrivel! Os franceses provaram dessa cicuta!

Na idade média ou antes dela os guerreiros tinham que ser muito fortes e bem treinados. Só isso. Podiam ser analfabetos - e geralmente eram -, o que  não fazia a menor diferença no campo de batalha. Eles aprendiam a usar o arco e flecha, a espada, a maça e outros instrumentos de combate a pé, a cavalo ou usando demais meios de locomoção. Milhares morriam, pois as guerras jamais pouparam ninguém. Principalmente aqueles que nada tinham a ver com os motivos desses morticínios.

Hoje o combatente do século XXI é um homem muito bem preparado, culto, inteligente. Pilotar um avião moderno de combate exige preparação que quase equivale a curso superior. As máquinas são a última palavra em tecnologia. Então, quando a gente vê exércitos indo para as batalhas, sobretudo em aviões modernos de combate, navios e outros equipamentos de ponta, isso equivale e dizer que estamos enviando para morrer parte do melhor de nossas juventudes.

E eles vão para guerras estranhas à sua vontade, ao seu desejo, para matar outras pessoas e morrer em combate sem glória alguma. Sim, não há glória. As imagens da guerra da Rússia contra a Ucrânia mostram essa verdade. Milhares de civis estão sendo imolados; outros, fugindo. As fotos e filmagens são dantescas. Uma delas mostrou cadáveres de soldados russos insepultos, deixados para trás enquanto tropas avançavam para um lado e civis tentavam sobreviver correndo para o outro.

Mas o pior dessa guerra é que os dois lados admitem estarmos às vésperas da III Guerra Mundial. Se isso for verdade ninguém vai comemorar a vitória porque somente russos e norte-americanos têm poder de fogo atômico suficiente para destruir o mundo diversas vezes. Seria a vitória da iniquidade, da insensatez, da negação dos valores da vida e dos motivos pelos quais nascemos, crescemos e morremos. É o Armagedom bíblico, não importa aqui se eu acredito ou não nele. Aliás, não vai fazer diferença alguma.

O arco inglês dá uma saudade!!!!!                   

4 de março de 2022

Os demagogos e a indústria da morte


Vimos todos ontem pela TV a informação de que o presidente da República, Jair Bolsonaro, manteve contato telefônico com o atual primeiro ministro inglês para os dois lutarem pela deposição das armas na Ucrânia. Daria vontade de rir se o normal não fosse sentir raiva. Ainda estão vivas na memória de todos uma entrevista desse Bozo e na qual ele diz textualmente ao entrevistador: "Sou a favor da ditadura, xará". E: "sou a favor da tortura", dentre outros absurdos mais. Esse é o "artista" verdadeiro. O de agora é um produto mal feito e mal acabado para as eleições de outubro.

Por sinal, do presidente real temos várias imagens. Como essa foto, de ele "se exercitando" com um fuzil diante de uma plateia de seguidores. Ou então um filmete no qual não consegue atirar e o filho corre em seu socorro para dizer que a trava não havia sido inativada. Coisa de quem não sabe usar a pistola...

Demagogias à parte, tanto de ocasião quanto ideológicas, as guerras existem por diversos fatores, dentre os quais um determinante: a indústria da morte de alimenta delas. Os fabricantes de armas precisam demandar seus produtos, pesquisar, lançar a cada dia mais novidades e o melhor local para testes é o conflito armado. Como a finalidade é matar, carne humana serve muito bem de alvo. Ainda que seja e dos inocentes como crianças, por exemplo. Mero efeito colateral...

A Rússia é grande produtora de armas e precisa usá-las em seus locais apropriados. Os Estados Unidos, que no atual contexto se faz de mocinho contra bandidos, a mesma coisa. Não fosse assim e armamento norte-americano não seria usado todos os dias na África para matar, em países como a Somália. Fosse diferente e Israel não estaria massacrando os palestinos há décadas usando como argumento falso que precisa se defender. Todos estão alimentando a indústria das armas, da morte em larga escala.

O Brasil se ressente de não participar mais ativamente desse grande negócio. Principalmente agora, quando um projeto de ditador de aldeia defende abertamente a venda indiscriminada de armas e, com isso, coloca milhares delas nas mãos de criminosos que agem livremente no Brasil, como é o caso dos milicianos espalhados por todo o país, matando a torto e a direito.

A indústria da morte  não pode parar.

Não há inocentes nesse palco. Vladimit Putin, o bandido de hoje, cumpre seu papel. Joe Biden, o mocinho de ocasião, o dele. E a indústria bélica, grande interessada em todas as guerras, vibra com o atual momento que o mundo vive. Nunca, num passado recente, lucrou tanto quanto agora.         

28 de fevereiro de 2022

O inferno de Dante

"Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral" Esse pensamento é de Dante Aligheri e descrito no seu "Inferno de Dante" para mostrar onde, segundo ele, vão parar os que se omitem em momentos de grande crise. Ao menos alegoricamente. Como não alegoricamente a maioria dos países faz hoje na ONU (foto).

Sempre é bom ver os dois lados de uma questão, sobretudo essa tão candente como a invasão da Ucrânia por parte da Rússia. Se o diálogo não houvesse cessado quase antes de começar e se o calor das discussões também não tivesse tido a participação agressiva e ao mesmo tempo distante dos Estados Unidos, é possível que o povo ucraniano não estivesse passando pelo que passa esses dias.

Lado um da questão: a Ucrânia tem o direito de se associar à União Europeia em busca de um guarda chuvas de desenvolvimento econômico nesses tempos de instabilidade sobretudo política. Lado dois da questão: a Rússia tem o direito de não se ver cercada por tropas hostis e mísseis de uma União de estados europeia que depois do término da guerra fria tem pouca ou nenhuma razão de existir. Razões havia antes da dissolução da União Soviética. Agora, não. Agora basta que o relacionamento entre nações seja feito sem a necessidade de uma sobrepujar a outra  militarmente por intenções externas à Europa.

O atual presidente dos Estados Unidos, Joel Biden, vive momentos de baixa popularidade num ano em que o congresso dos Estados Unidos vai ser renovado em parte, o que pode dar ao Partido Republicano de seu inimigo Donald Trump supremacia nas duas casas legislativas. Para se recuperar diante da opinião pública ele mostra com toda a força seu lado belicista para uma disputa das mais perigosas contra Vladimir Putin, um direitista de ocasião, demagogo e com pendores czaristas.

É um caldo de cultura de tragédia.

E onde fica o Brasil nesse sopa de letrinhas? Fica sobre o muro. O presidente carnavalesco Jair Bolsonaro pediu licença aos milionários que o recepcionavam num iate de luxo no Guarujá, colocou uma camisa azul e, com seu estilo pouco ou nada letrado procurou explicar que precisamos de fertilizantes, petróleo e outros produtos que a Rússia produz e não produzimos por incompetência, como é o caso do trigo. E não podemos tomar partido, como se alguém não soubesse qual ele já tomou. Depois voltou à bermuda e ao carnaval porque ninguém é de ferro...

Mais do que aos neutros, o inferno está reservado aos covardes.