23 de agosto de 2022

O maquiador de fatos

Algumas pessoas acharam ruim a entrevista dada ontem à noite pelo presidente da República ao Jornal Nacional comandado por William Bonner e Renata Vasconcelos (foto O Globo de entrevista de 2018). Eu não. Maquiador de fatos como sempre foi, ele passou o tempo todo tentando dizer que não disse o que disse e não fez o que fez. Só para citar dois exemplos, chegou a insistir em que Manaus só ficou dois dias sem vacinas quando ficou nove e que nunca xingou ministros do STF quando, aos berros, dirigiu-se a eles com o termo "canalhas!"

Enfim, esse é o Bozo! 

Hoje teremos Ciro Gomes.  Amanhã ninguém, porque seria o dia de André Janones que renunciou ao direito de concorrer em dois de outubro. Quinta-feira virá Lula e sexta-feira, Simone Tebet. O mínimo que se espera deles é que tenham compromissos com a verdade. Aquela verdade à qual os jornalistas se apegam e que é a factual. Porque nos tempos modernos é impossível tentar maquiar fatos impunemente.

E também que falem de seus projetos para a hipótese de vencerem a eleição. Isso passou batido na entrevista de ontem porque em momento algum o chefe de Estado dissertou sobre o que pretende fazer caso seja reconduzido ao cargo por mais quatro anos a partir de janeiro de 2023. Não tem projetos ou não quer se comprometer com nada? Fica a dúvida.   

O presidente se negou a comprar vacinas logo no início da pandemia da Covid 19 e retardou a decisão enquanto foi possível. Insistiu no tal "tratamento precoce" mesmo contra todas as evidências, e à exaustão. Foi grosseiro uma infinidade de vezes com jornalistas e outras pessoas. Interferiu (ou tentou) na Polícia Federal, trocou todos os ministros que não foram submissos a suas verdades, apoiou com dinheiro público vários pastores de seitas picaretas para comprar votos e igualmente a criação do "orçamento secreto", com a mesma finalidade. Pior de tudo, mente dizendo que não há corrupção em seu governo quando pipocam casos aqui e ali praticamente todos os dias. E nem vou perder meu tempo para falar do entorno dele, como de filhos e mulheres. Nem vale a pena relembrar mansões e cheques.

Não sei se muita gente notou, mas o presidente trazia na palma da mão esquerda uma "colinha" com várias anotações. Não sei se a caligrafia era dele, do Carluxo ou de um assessor qualquer, mas não importa. Importa, sim, saber que mesmo controlado em termos de educação e respeito, foi o mesmo de sempre. Falou para o gado, o cercadinho que desde ontem o aplaude entusiasticamente.

Gado é assim mesmo!    

17 de agosto de 2022

Mera formalidade


Olhando a posse do ministro Alexandre de Moraes ontem como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral foi possível ver como são tensas e distantes as relações de poder no Brasil de hoje, embora o novo comandante do TSE tenha cumprido à risca o protocolo e, inclusive, falado de maneira gentil com o chefe de Estado. Na prática, todos cumpriram mera formalidade, na maioria do tempo afastados de forma prudente pelo cerimonial, como é possível ver pela foto acima, do site 360.

O caldeirão vai ferver em breve e o pedido de trégua do traste é, como dizem os franceses, mero mise-en-ecène! Daqueles feitos para serem colocados na internet, nos grupos de fake news.

O presidente ficou a maior parte do tempo de falas sentado com ar de paisagem, estático e com o olhar perdido. Nos momentos de palmas ele não aplaudiu os elogios ao Tribunal, às urnas eletrônicas e a mais nada que escolheu como inimigo. Sua mulher, sentada de frente para os lugares reservados às autoridades mais altas comportou-se da mesma maneira. Estática, múmia paralítica, apressou-se em ir embora com o marido tão logo o presidente Alexandre de Moraes deu por encerrada a solenidade.

Foi possível ver que o ex-presidente Lula não olhou para o seu maior desafeto, a não ser em raros e inevitáveis momentos. O inverso também é verdade. E, indicativo do que vem por ai, enquanto a solenidade corria as redes sociais de ambos derramavam ataques os mais variados de uns contra os outros. Essa vai ser a primeira eleição na história do Brasil na qual o "demônio" tende a ser um personagem central. Entenda-se o que se quiser com isso. E por sorte ele não pode ser eleito.

O sistema eleitoral foi amplamente elogiado e o ministro presidente, aplaudido de pé. A democracia e suas instituições, da mesma forma. Como resumo da ópera é possível afirmar que Bolsonaro está a cada dia mais isolado em sua bolha, tanto que Nunes Marques, Augusto Aras e André Mendonça esforçaram-se para cumprir minimamente o protocolo. E uma última coisa precisa ser dita: ninguém falou das tais forças armadas. Para o bem ou para o mal, foram solenemente esquecidas. Trocando em miúdos, ficaram no lugar que lhes cabe e que é o limbo do processo político brasileiro.    

11 de agosto de 2022

Todos às ruas hoje!


Vamos nos recordar um pouco do passado mais recente no dia em que todos os que puderem devem ir às ruas em nome da democracia: durante 21 anos, de 1964 a 1985 o Brasil viveu sob o coturno de uma ditadura feroz, sanguinária e comandada pelo que existia (e ainda existe...) de mais reacionário nas forças armadas de nosso País. E foram as mesmas multidões progressistas que hoje lutam pela manutenção da democracia quem tirou a ditadura do poder. Na época, o traste que hoje nos governa junto com seus sequazes estava conspirando para impedir o retorno do Estado Democrático e de Direito, sobretudo e principalmente no Clube Militar e outras organizações nazifascistas.

Vamos todos às ruas hoje lutar pelo Brasil. Nós, e não eles, somos os verdadeiros patriotas.

Tenho amigos que foram torturados. Outros acabaram mortos. Milhares de brasileiros sofreram perseguições. Para ficarmos em um único exemplo, somente na UFES onde vai acontecer o protesto de hoje em Vitória (figura acima) estudantes foram expulsos do ensino superior por serem "subversivos", com base um instrumento legal da ditadura conhecido como 477, filhote espúrio do AI5. Esse mesmo demônio legal que o traste defendeu e usou até ele ser extinto da ordenação jurídica brasileira.

Gente: a democracia é uma conquista nossa. Não podemos abrir mão dela!

Hordas de golpistas pedem a volta da ditadura. Milhares desfilam com faixas pedindo "intervenção militar" e "destituição do STF", além de outras monstruosidades. O traste já desfilou até mesmo a cavalo apoiando seu gado em quaisquer situações. O 7 de Setembro do ano passado foi um momento de pedido pela volta à ditadura em plena Avenida Paulista. O que o traste vai fazer no 200° aniversário de 1822 somente vamos saber no dia. Mas lutaremos pela democracia.

"Mas embalde...Que o direito não é pasto de punhal. Nem a patas de cavalos - Se faz um crime legal... Ah! não há muitos setembros, - Da plebe doem-lhe os membros - No chicote do poder. E o momento é malfadado - Quando o povo ensanguentado - Diz: já não posso sofrer." (Castro Alves, em 'O povo ao poder'). Espero que ele não seja chamado de comunista...hehehe...

Vamos todos lutar pela democracia! Hoje, em 7 de setembro, no primeiro turno da eleição e no segundo, se necessário for. "O povo ao poder"! 

         

       

8 de agosto de 2022

Os demônios da Michele


Pensei que já tivesse visto de tudo com relação ao governo federal atual. Mas não. Ontem, num culto evangélico realizado no templo de uma seita de Belo Horizonte a mulher do presidente da República disse diante de inúmeras testemunhas que o Palácio do Planalto (talvez o da Alvorada também) era "consagrado a demônios". Aparentemente ela estava sóbria e o mesmo pode ser dito sobre o marido, embora ambos tenham se ajoelhado numa espécie de altar montado para a celebração.

Veio-me à mente então um episódio que deve ter passado desapercebido a muita gente quando a "familícia" Bolsonaro chegou ao poder. Na primeira visita ao Alvorada dona Michele disse que iria retirar do segundo andar a tela "Orixás", de Djanira, uma obra de imenso valor e que pertence ao povo brasileiro (foto). Era um quadro "de macumba". Aliás, nos palácios da Alvorada e do Planalto há inúmeras obras de arte de autores consagrados, do Brasil e do exterior. "Orixás" mostra cinco mulheres negras vestidas com roupas de candomblé. É lindíssima, mas deve conter os demônios.

Seriam esses os tais "diabos consagrados"? Aliás, como o quadro pertence ao povo brasileiro, já que é um bem público, onde ele se encontra agora? Está sendo preservado como deve acontecer ou foi queimado na fogueira das loucuras, das insanidades que marcam esse (des)governo? Não sabemos.

Mas talvez, ao se referir a esses seres "endemoniados" que habitavam os palácios brasileiros, dona Michele tenha querido se referir ao hoje maior objeto de repulsa de todos os bolsomínions: o ex-presidente Lula. Nem Ciro Gomes nem Simone Tebet são alvos de tantos ataques quanto o maior oponente do traste nas eleições de novembro. E olhem que a campanha política de rádio e TV ainda não começou, de modo que haja munição para eles gastarem todos os dias até novembro...

As eleições vão passar e com elas, creio, essa gente maluca, tresloucada e que hoje ocupa cargos de grande importância no Brasil. Depois, quando a poeira baixar nós poderemos acordar desse pesadelo que vivemos agora para descobrir que todos os demônios existiam apenas dentro daquela gente.

Torçamos por isso!          

31 de julho de 2022

Por um novo Congresso


Vamos partir do princípio de que só se corrompe quem é corrompível.

Então, quando o atual presidente decidiu que deveria jogar definitivamente no balde do lixo seu discurso falso de "nova política" ele sabia o que estava falando e fazendo. Tinha passado 28 anos como deputado federal do baixo clero num ambiente promíscuo, conhecia todos os vícios da única política que sabia e sabe fazer e pura e simplesmente comprou todas as prostitutas que poderia comprar na Câmara e no Senado. Elas são muitas e ele conhece os caminhos de como chegar a cada uma delas. E também o custo que isso teria e tem para nós, os demais brasileiros.

Portanto não basta ao Brasil tirar da presidência da República esse presidente das "rachadinhas", dos acordos espúrios e dos discursos que sempre agregam ameaças contra o Estado Democrático e de Direito. Vai ser preciso renovar o Congresso se pretendermos viver anos de progresso com dignidade.

Hoje mesmo os jornais estampam em manchetes que esse presidente quer "as Forças Armadas" desfilando  no Rio de Janeiro em 7 de setembro para "comemorar 200 anos de liberdade". É esse o presidente que já declarou em alto e bom som várias vezes ser apoiador da ditadura e da tortura, dentre outras coisas. Os ídolos dele são todos autocratas que não acreditam no Estado de Direito. Que liberdade ele defende? Aquela representada por Carlos Alberto Brilhante Ustra, um seu ídolo querido?

Bolsonaro tem que deixar o poder. Se o mandato dele for renovado tudo o que não foi feito nesses primeiros três anos de sete meses para destruir as instituições civis do Brasil será terminado agora nos próximos quatro anos. Inclusive a destruição do meio ambiente brasileiro, o mais rico que existe.

Mas isso só será possível se junto com Bolsonaro deixar Brasília boa parte da ala podre do Congresso Nacional, para que outro presidente não tenha mais como infelicitar os brasileiros como faz hoje Arthur Lira, um presidente de Câmara dos Deputados capaz de ir numa convenção partidária ostentando no peito um "Bolsonaro 22" na camiseta usada para a ocasião e depois de guardar nas suas gavetas uma centena e meia de pedidos de abertura de processo de impeachment contra o presidente.

Mudar o Congresso é necessário. Por um novo Congresso!        

26 de julho de 2022

A jogada final


Não se iludam: o Jair Bolsonaro que discursou domingo para seus seguidores no Maracanãzinho nunca desistiu e não vai desistir de tentar implantar no Brasil um regime político de extrema direita. Isso está tão entranhado nele que nem mesmo os conselhos de marqueteiros para que se contenha durante a campanha são mais aceitos. Ele é o que é: um traste que pretende arrastar ao caos os não seguidores.

Vejam uma coisa, o que é o nazismo?  Prega a reverência incondicional a um líder, usa de ufanismo exacerbado que sublima o falso patriotismo, defende o estado autoritário, cultua o militarismo e exalta a guerra, defende a existência de um partido único, despreza valores individuais, dissemina o ódio, tem aversão às minorias e uma necessidade paranoica de eleger um inimigo. Vocês estão vendo o presidente do Brasil nesse retrato? Filhote de Hitler? Aqui não há partido único, mas ele pretende que um dia haja.

Há alguns meses conversava eu com um jornalista que se iniciou comigo em A Gazeta e é filho de um grande amigo, também jornalista. Mas ainda se trata de profissional relativamente jovem, evangélico e levado ao reacionarismo político por maus aconselhadores. Defendeu seu ídolo de barro diante de mim, negando a verdade nazista na figura de Bozo: "Mas ele adora Israel!". De nada adiantou eu dizer que era preciso para ele ter um excelente disfarce de seus verdadeiros credos pois eles, os nazistas, hoje são criminosos. O antigo companheiro de redação não se convenceu.

Não se iludam porque já me iludi muito: o atual presidente não vai querer abandonar o poder. Não pelos meios legais, consagrados. Quantas vezes nós já o ouvimos dizer que cumpre uma "missão"? Que é presidente por vontade divina e que só Deus pode tirá-lo da presidência? A cada discurso, a cada aparição pública, a cada pesadelo com o inimigo Lula ele mais se idiotiza, mais se afunda em seus delírios e se apega àqueles que o acompanham, na maioria dos casos para obterem vantagens pessoais. 

O presidente do Brasil é um ser doente. Um sociopata e extremamente perigoso. Mas não vai ser capaz de dar um golpe de estado clássico, daquele dos tanques de guerra nas ruas porque 2022 não é 1964. No entanto tem como fazer muito mal a seus opositores. E ao Brasil sobretudo e principalmente. Essas eleições são a jogada final dele. Perdendo, talvez não tenha mais sequer como viver livre até a morte.                  

19 de julho de 2022

O pior que vive em nós


Faltando pouco mais de 70 dias para as eleições gerais do Brasil, inclusive na escolha de quem vai ocupar a presidência da República pelos próximos quatro anos, já é possível dizer que o atual mandatário, Jair Bolsonaro, conseguiu em três anos e pouco mais de nove meses de governo fazer surgir o pior que vive em nós, os brasileiros. Hoje sabemos que o oportunismo, a violência, o radicalismo politico, o fascismo e todo o tipo de negacionismo travestido de ideologia política de direita estavam latentes em cada um de nós. Escondidos, mas prontos para emergir.

Poderíamos dizer aqui que não votamos na proposta dele em 2018, não estamos saindo às ruas para dar-lhe apoio e, portanto, não somos parte do gado que usa de todos os artifícios para apoiar os atos - quaisquer que sejam eles - de seu presidente de estimação. Isso importa pouco. Entre 25 a 30 por cento dos brasileiros como nós alimentam as sandices do presidente e seu grupelho. E nesse imenso volume de gente há parentes nossos, (ex)amigos, (ex)amores, (ex)correligionários, etc.

Hoje mesmo, e isso é possível ver na imagem que abre esse texto, alguns dos maiores jornais do mundo comentaram a excrescência que foi o papel ridículo desempenhado ontem pelo presidente ao reunir embaixadores creditados em Brasília para diminuir seu próprio país através de críticas absurdas ao sistema eleitoral. Algo nunca visto antes no mundo, mesmo se o espetáculo for comparado ao dado por Donald Trump em seu 6 de janeiro. Até a embaixada dos Estados Unidos reagiu, coisa inédita para eles, e desacreditou o discurso do Palácio da Alvorada, apostando suas fichas em nossas urnas eletrônicas.

Jair Bolsonaro quer um golpe de Estado. Não consegue viver em democracia e já teria provocado uma ruptura institucional no Brasil caso tivesse amplo e irrestrito apoio das Forças Armadas, da sociedade e dos maiores países do Mundo. Mas não tem. Então torna-se um cavaleiro da triste figura até mesmo no Alvorada, o palácio que Niemayer criou para abrigar chefes de Estado e não ditadores de aldeia.

Ele vai perder sua aposta no caos, não tenho dúvida. Mas até lá nos infernizará.                 

13 de julho de 2022

Tradição golpista

O jornalista e escritor Elio Gaspari, um intelectual brilhante e autor de cinco volumes sobre a história do regime militar no Brasil, publicou hoje uma carta fictícia de Tancredo Neves para Lula. Resumo da ópera: não aceite provocações de Bolsonaro (bem "sereno" na foto) e sua quadrilha nesses tempos bicudos que antecedem as eleições presidenciais. Criar um clima de instabilidade política é tudo o que interessa a essa corja. O artigo "O senhor precisa de um país que olhe para a frente" serve também a Ciro Gomes e Simone Tebet. Os demais atores desse enredo são insignificantes.

Ninguém melhor que Gaspari conhece a tradição golpista das Forças Armadas do Brasil. Isso está claro na densa obra dele que detalha os 21 anos de ditadura militar brasileira vividos entre 1964 e 1985. Mas a nossa tradição golpista remonta ao término do Império e a todo o regime presidencialista. Em tempo algum os militares brasileiros deixaram se estar associados a aquarteladas e tentativas de golpe. 1964 é apenas o exemplo mais recente e doloroso. Portanto, aí vai o "conselho" de Tancredo para Lula no texto "psicografado": não aceite provocações. Ciro e Simone também não.

O presidente atual é um excremento político desses muitos que o Brasil defeca de tempos em tempos, sobretudo durante crises. Nesse caso, foi gestado pelos escândalos envolvendo o PT durante os governos Lula e Dilma, sobretudo o primeiro. Figura menor até mesmo no baixo clero, o capitão quase expulso do Exército viu na crise sua chance de ouro de ascender ao trono. Não a perdeu. E levou para o Palácio do Planalto o que existe de pior e mais tacanho na política brasileira. Sobretudo o golpismo, a mentira como forma de agir e a violência que ele não tem nem pudor nem vontade de disfarçar.

Infelizmente para nós, conta com a ajuda de algumas poucas empresas de comunicação e "jornalistas" que divulgam suas mentiras travestidas de verdades como se efetivamente verdades fossem. E se prepara para tentar promover um golpe de Estado, movimento já em curso, se perder a eleição como tudo indica que vai acontecer. Aliás, ainda não fez isso porque, ao contrário de 1964, não teria ajuda externa, sobretudo dos Estados Unidos, para sobreviver à aventura.

Nós podemos, hoje, iniciar o sepultamento do golpismo no Brasil. Mas é preciso ter inteligência, tirocínio e calma. Sei que é difícil. Gaspari mesmo destaca em sua carta a tendência "palanqueira" de Lula. Portanto, é agora ou quem sabe nunca mais - se estivermos vivos - para presenciar essa oportunidade de derrotar não apenas o presidente e seus generais de bravata, mas o golpismo. 
     

9 de julho de 2022

Arautos da falsa liberdade


Cresce a cada dia que passa o numero de mensagens que falam do termo liberdade ligando-o ao atual presidente do Brasil e exortando a população a temer o "avanço comunista" sobre o país. Antes de mais nada é preciso dizer o seguinte: de 1964 a 1985, durante 21 anos, o Brasil viveu sob uma ditadura militar de extrema direita cruel e covarde. Ninguém era livre para se opor. E nós só nos livramos daquela situação porque a oposição ao regime ditatorial lutou o tempo todo por isso. Naquele tempo o atual presidente estava ao lado dos ditadores e, como ficou registrado, dizendo dentre outras coisas que era a favor da ditadura e da tortura. Esse indivíduo falar em liberdade é um escárnio.

Eu trabalhava em redação de jornal. Havia no quadro de avisos da sala um lugar onde se lia: "CENSURA". Ali todos os dias eram afixadas as ordens da Polícia Federal que proibiam noticiar uma infinidade de coisas. Havia situações incríveis ou hilárias como essa: "De ordem do senhor ministro da Justiça fica proibida a divulgação de declarações do senhor presidente da República e na qual este diz que não existe censura no Brasil". Decerto pensaram que era muita cara de pau...

Não eram só notícias que se censurava. Músicas, livros, peças de teatro, filmes, discursos, manifestações públicas, tudo podia ser objeto da tesoura do Estado ou do humor dos censores. Uma vez proibiram a exibição do filme soviético "Ivan o Terrível" sob o argumento de que era obra comunista e subversiva. Millor Fernandes reagiu em sua coluna de "Veja": "Ivan morreu mais de 300 anos antes da revolução de 1917. Ele não poderia ter nada com isso por mais terrível que fosse".

Centenas de brasileiros foram presos ilegalmente. Muitos acabaram torturados e mortos nos porões dos órgãos de repressão. No auge da ditadura até o direito ao habeas corpus foi suspenso e o Congresso, fechado. Contra tudo isso lutaram as correntes democráticas que hoje são contra o atual governo de índole golpista e que pretende fazer do 7 de setembro uma antessala de novo golpe contra o estado democrático e de Direito.

E para quem acredita que o "comunismo internacional" arma um golpe, informo que Fernando Henrique Cardoso governou por oito nos, Lula por mais oito, Dilma Roussef por seis e nenhum deles desrespeitou a Constituição como acontece hoje. Pensem bem aqueles que acreditam em falácias: os riscos à liberdade estão com os pregadores do caos e difusores de mentidas e do ódio. E acreditem nisso enquanto ainda há tempo porque o palco está se armando para o 7 de setembro.       

2 de julho de 2022

Projeto Terra Arrasada


Que ninguém se iluda: o projeto atual de Jair Bolsonaro é deixar para seu sucessor - sobretudo se esse for o ex-presidente Lula - um Brasil economicamente arrasado, impossível de ser governado e entregue aos humores de um Congresso que sempre quer mais, muito mais, para satisfazer sua goela imensa. Agora ele tem meios e modos de exercer tal poder e o projeto está em andamento!

Os últimos movimentos, que envolveram até mesmo adesão covarde da oposição, são a prova concreta disso: o Brasil não tem hoje como gastar mais de R$ 41 bilhões somente em projetos não sustentáveis de "amparo" a caminhoneiros e paupérrimos, furando outra vez o teto de gastos. Todos sabemos que essa "ajuda de emergência" só dura até dezembro. Quando o mês de janeiro chegar teremos em nosso horizonte um país quebrado e que vai precisar apertar o cinto até sufocar cada um de nós, sobretudo e principalmente os mais pobres. O governo federal sabe disso, o gado que o apoia também, mas o mais importante para todos eles é manter o atual grupo à frente do poder até 2026. A qualquer preço.

No último cálculo feito os economistas chegaram a um número assustador em termos de dinheiro: a PEC que está para ser aprovada em definitivo pela Câmara dos Deputados no início da semana que entra representará um custo absurdo de R$ 343 bilhões, somados todos os itens do esforço do atual presidente para reverter sua espantadora desaprovação popular, incluídas as desonerações previstas. Tudo isso seria até mesmo elogiável em tempos calmos, se o Brasil tivesse dinheiro para gastar, estivéssemos distantes de uma eleição polarizada e se essa loucura não objetivasse a compra de votos de miseráveis (foto) que sobrevivem abaixo na linha de pobreza. Eles não sabem, coitados, que quando janeiro chegar tudo vira miragem no deserto e a miséria será ainda maior. Total!

Como se isso ainda não fosse suficiente, a decretação de estado de emergência não se ampara em fatos que a justifiquem sendo, então, ilegal. Inconstitucional! Apenas um artifício de malandros. Dessa forma, se algum partido ou membro do Congresso Nacional quiser levar o caso ao Judiciário - ao STF - , deve se decretada a inconstitucionalidade de todas as medidas. Quem tem peito para fazer isso agora? Quem vai ser patriota- aí finalmente se justifica o uso do termo - o suficiente para impedir a loucura? A pergunta cabe porque os dias passam e ninguém quer apostar sua carreira para salvar o Brasil.

O tempo urge, minha gente! 

30 de junho de 2022

LDO, um crime contra o Brasil


Com o conluio do Poder Executivo, o Legislativo do Brasil cometeu um crime essa semana: na definição da LDO 2023 (Lei de Diretrizes e Bases), ele não apenas confirmou a excrecência do "orçamento secreto", mas o tornou impositivo (foto). Isso significa dizer que com a promulgação dessa lei o Poder Executivo não apenas terá de conviver com o orçamento sem nomes e destinos, mas também não terá mais o direito de se negar a cumprir os desejos, grande parte deles obscuros, dos parlamentares.

E por que isso acontece? O atual presidente da República ocupou o poder depois de passar 28 anos como deputado federal sem fazer nada a não ser contratar e dispensar pessoas para seu gabinete e os de entorno, visando acomodar parentes, amigos e parceiros no poder público. Com o nosso dinheiro! Ao chegar à presidência disse que estava gerando uma "nova política". Mas ele só sabia e só sabe fazer a velha, pois é oriundo do baixo clero onde tudo o que se produz visa ao atendimento de projetos pessoais, de grupelhos e troca de favores - escusos ou não - visando a perpetuação do poder.

Quando Bolsonaro tentou colocar o Legislativo sob sua tutela este lembrou-lhe que o jogo era e é jogado da maneira de sempre. Aquela bem conhecida, dos favores que o baixo clero faz no âmbito dos partidos do Centrão tão bem entrosados em inúmeras jogadas políticas envolvendo "rachadinhas", subornos, acordos com milicianos, violência em último caso, lavagem de dinheiro via, por exemplo, lojas de chocolates, compra e venda de imóveis e até mesmo mansões em Brasília, pois quando o esquema reúne uma família inteira sobra dinheiro escuso para muito mais...muito mesmo.

Então o presidente terminou refém do grupo de onde saiu. Subjugado, com medo de perder a reeleição e ter que conhecer a Papuda por dentro, o amante de ditadores, elogiador de torturadores e patética figura nos planos intelectual e de princípios fechou os olhos para o Centrão de agora não tão saudosa memória. Hoje nós brasileiros, distantes do submundo de Brasília, vamos ver todo o ano uma dinheirama imensa obtida via nossos impostos ser drenada para os cofres e favores de deputados federais e senadores para atender a suas "necessidades".

E o povo? Ora, o povo é apenas um detalhe. Incomoda, mas não manda mais nada.

       

25 de junho de 2022

Pressentimentos...


Tenho o pressentimento de que o presidente Jair Bolsonaro foi avisado pelo ministro da Justiça, Anderson Torres, de que o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, teria seu apartamento em Santos alvo de busca e apreensão por ordem de um juiz federal. Também, pressentimento meu, num gesto de magnanimidade, ele avisou seu ex-companheiro desse desagradável fato. Também aproveitou para pedir a ele para destruir em sua casa documentos íntimos de família, pois isso deve ficar a quatro paredes. E fez tudo isso de Nova Iorque. Que amigão!

Também é pressentimento meu que o ex-ministro fez a limpeza. E depois, quando preso não foi transferido para Brasília e somente para São Paulo, pois ele e os pastores Gilmar e Arilson esperavam uma decisão judicial de relaxamento de prisão. Quanta certeza! Não prestaram depoimento, não cumpriram os trâmites processuais comuns a esses casos, mas isso não tem a  menor importância. Afinal, Arilson não precisou cumprir a ameaça de "destruir todo mundo", como disse em mensagem gravada com autorização judicial.

Tenho o pressentimento de que o governo federal vai continuar protegendo Milton et caterva até onde for possível. Afinal ele é um arquivo vivo, não pode ser eliminado do dia para a noite como ex-servidor da FUNAI, e se abrir a boca em desespero pode, sim "destruir todo mundo". Ele, Gilmar e Arilson. Mais um pressentimento: no Palácio do Planalto deve ter crescido muito o consumo de remédios para dormir. Afinal, ninguém é de ferro.

Jair Bolsonaro brinca com a sorte. Somente de forma pública ele já disse em mais de uma oportunidade que obter informações privilegiadas é algo de que não abre mão. E controlar a Policia Federal, também. Só que a PF é órgão de Estado e não de governo, o que torna crime (de responsabilidade?) a obtenção de informações sigilosas, ainda mais para proteger amigos e familiares como ele faz.

Por último, tenho o pressentimento de que se esse presidente perder a reeleição seu futuro será negro. O seu e os dos principais assessores que, com ordens e pressão dele precisam desrespeitar as leis em vigor no País para agradar ao chefe e manter empregos à custa de suas honras.   

                

15 de junho de 2022

Não tenhamos esperanças


É muito difícil entender como foi possível à embaixada do Brasil no Reino Unido manter contato com os familiares do jornalista Dom Phillips, anunciar o encontro de seu cadáver mais o do indigenista Bruno Pereira para depois tudo ser desmentido porque a viúva de Dom comunicou isso a um jornalista competente, digno e que colocou a notícia no ar em sua emissora. E levou outros a noticiarem o fato, como foi meu caso na crônica anterior. Duas certezas moram comigo no que diz respeito a esse episódio: ordens superiores determinaram o desmentido da embaixada (cabeças vão rolar..) e não existe a menor possibilidade de que os dois desaparecidos em Atalaia do Norte estejam vivos.

Não tenhamos esperanças.

Esse caso nos remete a um passado não muito distante para todos os que acompanharam a história do Brasil recente, pós 1964. Se a gente se recordar da Guerrilha do Araguaia (foto) vai entender como funcionavam as coisas naquela época: prender, julgar, condenar, dava muito trabalho. Sumir com as evidências era mais fácil. Isso foi feito também fora do Brasil porque os métodos são todos oriundos dos Estados Unidos. Por isso Ernesto Che Guevara foi assassinado depois de ter sido capturado vivo na Bolívia. Dar a ele o marketing de um julgamento público, do qual sairia endeusado para muitos, estava fora de cogitação. Era melhor "morrer em combate". Como as PMs fazem no Brasil até hoje quando matam e dizem que o inimigo ou inimigos resistiram à prisão armados. Claro, sem testemunhas.

Na Amazônia é fácil abrir o ventre de um cadáver, colocar um peso dentro dele e afundá-lo no rio mais próximo. Fica praticamente impossível encontrar alguma coisa, até porque a imensa maioria dos peixes são carnívoros. Eles fazem a pior parte do trabalho. Quantos presos políticos até hoje estão desaparecidos no Brasil? Por isso as autoridades insistem em parar com as buscas.

Dom Phillips e  Bruno Pereira, dentre outras coisas, estavam ensinando índios e ribeirinhos a operarem drones para monitoramento e denúncia de garimpo e pesca ilegal, mineração criminosa, grilagem e outros crimes comuns na região. Tinham que morrer pela lógica do crime organizado. Talvez, e isso é uma aposta minha, nunca venham a ser encontrados. Quem sabe tudo são aqueles que deram as ordens superiores.

Mas eles não vão falar...           

13 de junho de 2022

O crime organizado é ele!


Aconteceu o que todos temiam, mas ninguém queria afirmar: a embaixada britânica comunicou hoje à viúva do jornalista Dom Phillips que os corpos dele e do sertanista Bruno Pereira foram encontrados pelas equipes de buscas. Isso ocorreu em seguida ao encontro de uma mochila dos dois desaparecidos e assassinados pelo crime organizado que ocupa praticamente toda a Amazônia. Em seguida a Policia Federal e outros órgãos desmentiram o fato, mas uma informação da embaixada a familiares nunca pode ser descartada como noticia oficial

Jair Messias Bolsonaro é o crime organizado!

Desde que ele assumiu a presidência tem feito tudo para, dentre outras inúmeras coisas, permitir a devastação da Amazônica e o massacre dos indígenas brasileiros. Acabou com os órgãos fiscalizatórios, sobretudo a Funai, demitiu ou exonerou servidores encarregados da fiscalização e controle do meio ambiente e das terras indígenas e muito mais. Bruno Pereira, por exemplo, cumpria seu papel protegendo as áreas onde vivem grupos isolados de índios, esses com pouco ou nenhum contato com os "civilizados", e por isso foi exonerado. E não só ele. Inúmeros servidores dos mais diversos órgãos já foram afastados de seus cargos depois que esse sujeito assumiu a presidência. Até a Polícia Federal terminou atingida porque o presidente pura e simplesmente quer controlar a tudo e a todos, colocando marionetes sob seu comando em postos chaves.

Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos por Jair Bolsonaro. Não por ele pessoalmente - já que diz aos quatro ventos ser capitão de artilharia e o que sabe fazer é matar -, mas pelos esquemas montados para permitir a devastação do Brasil. Esses esquemas incluem fazer vista grossa a crimes que são praticados por garimpeiros, grileiros, madeireiros e outros, o que permite o crescimento das redes de criminosos que atuam na Amazônia à revelia das leis. Como o presidente só sabe agir atropelando nosso arcabouço legal, quem age como ele é seu amigo de fé, irmão, camarada.

Que as mortes de Dom e Bruno nos acordem de uma vez por todas.                          

7 de junho de 2022

A reforma de um só lado


A proximidade da eleição presidencial de outubro está trazendo à baila uma discussão que sempre volta à mesa de negociações de quatro em quatro anos: as relações trabalhistas do Brasil. E agora ela está sendo focada num tema espinhoso: o presidente a ser eleito - quem já tocou no assunto foi Luiz Inácio Lula da Silva, do PT - deve ou não deve revogar a reforma feita pelo atual governo?

Sempre que se discute o assunto toma-se por base a lógica do capital: o custo do trabalhador é muito elevado no nosso país porque os encargos trabalhistas mais do que dobram para o empregador o custo final da mão de obra. Mas a discussão passa por cima de um fator fundamental e que reside no fato de termos dois brasis num mesmo país: o do INSS e o do serviço público. Um é pobre e vive de pires na mão. O outro tem pouco ou quase nada a reclamar e se aposenta com vencimentos integrais depois de, ao longo da vida, ganhar bem mais do que os trabalhadores da iniciativa privada. Sem demissão.

O que foi a reforma trabalhista do atual governo? Apenas e tão somente a vontade do capital. Em nenhum momento o trabalho foi ouvido. Ou muito me engano ou o atual presidente jamais recebeu um líder trabalhista. Nunca ouviu as suas reivindicações. Em momento algum esteve em um sindicato ou outro órgão representativo dos trabalhadores. Mas na "República da Faria Lima" já foi várias vezes.

Só existe justiça social quando se consegue conciliar os interesses do capital e do trabalho. E isso é possível! Uma reforma trabalhista feita de um lado só, além de não conciliar interesses engorda quem já é gordo e torna mais frágil quem já passa necessidades. E basta andar pelas ruas, ver as legiões de moradores em situação de miséria para constatar o que estou afirmando aqui.

Não podemos viver num Brasil onde se desconhece a existência do trabalhador privado. E também onde o servidor público forma uma casta privilegiada. Essa questão tem que ser enfrentada, discutida, vencida. E é claro, isso não vai acontecer com o atual presidente renovando seu mandato. Precisamos ter em Simone Tebet, Lula ou Ciro Gomes uma opção de construção de sociedade mais justa.

Afora a expectativa de um dos três não temos nada na linha do horizonte.              

30 de maio de 2022

Matam Genivaldo todos os dias


Não é surpresa para ninguém que o Inominável tenha chamado Genivaldo de Jesus Santos de marginal. Surpreendente seria o inverso. Mas deixa o Brasil estupefato nós sabemos que muitos "genivaldos" são mortos todo os dias em todos os locais desse País, contanto cumpram com alguns requisitos, digamos básicos: sejam pobres, negros, morem em regiões muito carentes (favelas), não se vistam bem e se recusem a cumprir cegamente as ordens dos agentes públicos.

O homem assassinado era doente mental, tomava remédio controlado, foi parado pela Polícia Rodoviária Federal porque estava pilotando motocicleta sem capacete e com toda a certeza, depois de cumprir as primeiras ordens da PRF, se insurgiu por puro medo. Infelizmente, e é preciso admitir isso, os órgãos policiais brasileiros são reconhecidos por grande parte da população como inimigos.

Pilotar sem capacete o Inominável faz quase todos os dias e não apenas jamais foi parado pela PRF, mas em inúmeras ocasiões acabou sendo escoltado por ela. Os pobres não têm essa sorte. São assassinados como aconteceu com Genivaldo e depois desse último episódio, alguns casos estão vindo a público, pois denúncias são feitas agora que a coragem supera o medo de morrer sem que os assassinos sejam identificados para pagar, mesmo com a mais alta autoridade do Brasil os chamando de marginais.

Recentemente houve mais uma chacina no Rio de Janeiro. Eram criminosos os mortos? Que fossem, mas tudo indica que alguns foram executados. No penúltimo episódio dessa natureza isso ficou provado com as investigações e filmagens feitas. Pouco importa aqui se alguém acha que bandido bom é bandido morto porque a diferença entre o bandido e o mocinho é que o segundo segue religiosamente as leis até mesmo por dever de ofício. É isso o que difere um do outro.

Nós  moramos num país onde os agente públicos armados acham que podem matar impunemente atropelando todos os textos legais. Que tragédia! Mais "genivaldos" vão ser mortos por tortura, pura crueldade, na frente de todo mundo, em plena luz do dia e em via pública.          

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23 de maio de 2022

Sua excelência o factoide


Hoje mesmo o presidente da República promoveu novo ataque aos governadores, tentando mais uma vez transferir a eles a responsabilidade pelos aumentos do preço dos combustíveis. Ele mente, sabe disso e insiste porque, como diziam os próceres do nazismo, uma mentira repetida inúmeras vezes se torna verdade. E levar a discussão a esse terreno, também ele sabe, muda a discussão de esfera: ela sai do desemprego, da crise econômica, do desencanto do país para outro terreno menos pantanoso.

O presidente se recusa terminantemente a aceitar os princípios do pacto federativo que regem o Brasil nos campo político e econômico. O que é isso? Trata-se de um conjunto de dispositivos constitucionais que desenham a moldura jurídica, as obrigações financeiras, a arrecadação de recursos e o campo de atuação dos entes federados: União, estados e municípios. O poder é compartilhado porque assim se
determinam os limites entre uma atuação e outra. Nada é e nem pode ser absoluto.

Mas como enfiar isso na cabeça tosca de um sujeito que já fez diversos pronunciamentos dizendo-se amante da ditadura militar de 1964, da tortura e do assassinato de inimigos? Mas que hoje veste a fantasia de democrata de véspera de eleições, pregando uma liberdade na qual jamais acreditou?  Ele apenas e tão somente quer o poder pelo poder e sua continuação no cargo de presidente da República depois das eleições de outubro. Por isso constrói factoides a cada dia que passa, buscando fazer virarem verdade as mentiras que diz todo dia. Como, por exemplo, a de que a Amazônia está sendo preservada!

Esticar a corda é sua preocupação diária, sua maior fixação. Não aceitar as regras democráticas tornou-se um mantra para esse indivíduo que só ainda não deu um golpe de Estado no Brasil porque a parte mais responsável das Forças Armadas nega-se a embarcar com ele nessa aventura.

Factoide é uma informação falsa ou não comprovada e que é aceita como verdadeira em função de sua repetição sistemática. Isso dá certo em situações nas quais o esquema montado pode contar com o apoio dos meios de comunicação comprometidos com ele. Não é o caso de hoje. Que ódio isso provoca no projeto de ditador de aldeia travestido de democrata! Então a única solução para ele é continuar esticando a corda e gerando atritos diários e repetidos. Afinal, governar ele não sabe.                   

11 de maio de 2022

Compromisso com o golpe


Parece totalmente  fora de dúvida que Jair Bolsonaro quer o golpe de Estado. E aos poucos vai se cercando de militares de alta patente, todos ávidos por dinheiro e poder, para concretizar seu intento. Já não é mais possível disfarçar, fingir que ninguém está vendo: o sujeito não aceitará deixar a presidência da República por via pacífica após as eleições de outubro e talvez tente estuprar a democracia antes disso. Basta ele sentir que suas chances de vencer as eleições são muito pequenas ou nulas.

São falsos, sempre foram, seus discursos em nome da liberdade. No passado não remoto ele deu várias entrevistas se dizendo a favor da ditadura, da tortura e da morte de adversários políticos. A imagem acima, que reproduz uma declaração dele, é mostra clara disso. Pior: todos os mais chegados ao poder sabem com quem estamos tratando hoje, inclusive alguns jornalistas canalhas que se aproximaram dessa fera para obter favores e os estão conseguindo em diversas bolhas de noticiário fraudulento. Um deles, patife até a medula, foi a um restaurante e Brasília vestido com uniforme militar camuflado.

Os questionamentos acerca das urnas eletrônicas, recorrentes, irritantes e inócuos, são uma forma de esticar a corda, tensionar, não permitir que o País saia da crise fabricada pelo presidente com o único intuito de criar um clima pró golpe e tirar a atenção dos brasileiros de seus verdadeiros problemas que passam pela debacle econômica vivida hoje e os constantes escândalos de corrupção registrados todos os dias. Hoje mesmo a Folha de S. Paulo noticia que os generais e serviço do governo ganham cerca de R$ 300 mil a mais por ano que os demais oficiais militares, estejam eles na ativa ou na reserva.

Isso tudo é um escândalo.

Precisamos ficar atentos. Temos que reagir. Denunciar todos os dias os planos maquiavélicos do Capetão para tornar muito difícil que ele destrua nossa democracia. O fato de hoje não contar com a ajuda expressa dos Estados Unidos já é alguma coisa. Mas não tudo. Cada um de nós, brasileiros, temos que lutar contra isso e a favor de eleições livres como estão sendo projetadas pelos TSE com todos os requisitos de segurança possíveis e imagináveis e resistindo a pressões espúrias.

Os patriotas somos nós e não os que sonham com o golpe.        

5 de maio de 2022

Lula pode perder para Lula

O ex-presidente Lula tinha grande vantagem sobre o presidente Capetão na corrida pelo Palácio do Planalto. De bobagem dita em bobagem dita quase todos os dias essa dianteira está indo para o ralo. Para o buraco. Ou os assessores do PT convencem seu candidato a parar de falar besteiras e o preparam melhor para entrevistas importantes como a dada à revista "Time" ou seu mais forte opositor não vai precisar mais chorar o leite derramado como nessa charge acima.

É coisa parecida com o que faz Ciro Gomes. Estava na cara que a ida dele a uma feira do agronegócio no interior de São Paulo provocaria protestos com falta de educação e civilidade por parte do gado bolsomínion. Aconteceu e ele reagiu com um soco no agressor. Também não pode. Só se reage no tapa quando se sofre agressão física. Nas demais situações ou a reação é verbal ou nem deve existir.

O comando da campanha petista passa hoje pelos mesmos problemas de sempre: todo mundo quer aparecer, mandar, dar "pitaco", exercer postos de comando. Não pode porque tribo com mais cacique que índio comum nunca deu certo. O primeiro erro do PT talvez tenha sido o afastamento de Franklin Martins, pois ele é muito capaz. A indefinição que se seguiu a isso acaba sendo pior.

O presidente Capetão conseguiu se cercar de gente competente na área do comando de sua campanha, sobretudo não dando mais o protagonismo de decisões estratégicas ao seu filho do meio. Até quando isso vai durar é impossível prever porque nas familícias como a atual o protagonismo também é disputado com ferocidade. E de ferocidade o gado bolsomínion entende, e muito bem.

Lula corre o risco de perder para Lula. E pelo menos no que toca a mim esse era um risco que eu sabia ser quase certo. Dizer que Zelenski é tão culpado quanto Putin pela guerra e se recusar a fazer análise econômica do momento atual do Brasil não pode acontecer. Não é difícil discorrer sobre a economia brasileira de hoje e qualquer assessor competente da área ajudaria.

Enfim, ainda falta muito para as eleições, a economia brasileira está nas cordas, o desacato à Justiça parece norma de conduta para a chefia de governo, os escândalos se sucedem, a inflação dispara e os erros parecem não mais ter fim. Talvez a sorte de Lula resida no fato de que o Brasil está mal, muito mal, não há competência mínima no governo e Bozo é capaz de produzir mais idiotices que seu opositor.

Se isso não acontecer e a terceira via se recusar a surgir sobretudo com Ciro Gomes à frente, aí sim Lula vai perder para Lula nas eleições presidenciais de outubro.                

30 de abril de 2022

Genocídio indígena no Brasil


As imagens agridem, chocam, levam qualquer pessoa honesta ao pranto. São índios brasileiros em suas reservas, sendo massacrados. Na terra dos ianomâmi mais de 20 mil garimpeiros ilegais invadiram aquele espaço para retirar ouro e outros minerais ilegalmente com o beneplácito do governo federal. Além de fazer vista grossa, esse governo comandado pelo presidente Capetão ainda incentiva os crimes. Até crianças são prostituídas, violentadas e assassinadas à vista de todos.

Diariamente as imagens da agressão são mostradas. Fotos aéreas, filmagens também feitas por aviões e tomadas de satélites. O governo sabe onde estão os garimpeiros, como chegar lá, de que maneira intervir a fim de prender quem comete crimes e deter a escalada do genocídio indígena. Mas não faz nada. Cruza os braços criminosamente, dá campo a que o garimpo ilegal continue a devastar o meio ambiente e acena com falsa impotência dizendo que esse problema é endêmico no Brasil.

A foto que ilustra meu texto é a síntese de tudo. Dois índios em primeiro plano e a floresta devastada, queimada, em segundo plano. O índio depende da mata, do meio ambiente. De lá ele só tira o que precisa para seu sustento, para abastecer sua comunidade. Do meio ambiente vem o alimento que o mantém, a casa que o abriga, a roupa que o protege da chuva e do frio. E também as poucas armas que usa exclusivamente para caçar. Ele não sente prazer em matar, mas apenas precisa se alimentar.

E enquanto os índios são mortos todos os dias e a todas as horas, a campanha política do governo passa por cima disso. Ignora o absurdo. E enquanto a região amazônica é devastada nada se cometa, nada se analisa, não há planos para deter a tragédia. A Funai praticamente não existe mais, o ICMbio foi reduzido a pó, o Ministério do Meio Ambiente é só uma fachada. Tudo está tomado por militares com tendências golpistas, representantes de ruralistas, garimpeiros ilegais e outros criminosos. A tragédia do Brasil não tem mais tamanho.

O que resta fazer?  O que está sendo feito, sobretudo por aqueles que buscam na Justiça uma forma de parar com isso. No Supremo Tribunal Federal está a esperança dos que procuram todos os modos de interromper os crimes contra o meio ambiente e o morticínio das populações indígenas. Infelizmente no Brasil de hoje, principalmente em época de eleição e quando o Centrão foi comprado com nosso dinheiro para representar o crime e os criminosos, afora o STF só há oportunismo na linha do horizonte.

E o STF nos representa. Pelo menos a mim!