14 de setembro de 2026

Véspera da erupção

Hoje é véspera de erupção e o vulcão está em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, o STF. No final da manhã de amanhã ministros da mais importante corte de Justiça do País vão se reunir teoricamente para decidir se prospera ou não a acusação contra o ministro Alexandre de Moraes, que está sendo acusado pelo também ministro André Mendonça de ter conversado com o hoje detento Daniel Vorcaro sobre assuntos nada republicanos. E embora os fatos se deem a todo minuto e se atropelem enquanto são comentados via satélite por praticamente todos os canais de TV e outros meios de Comunicação, é impossível dizer agora o que vai acontecer na reunião. Ela deve ser aberta a todos e com os ódios supremos à flor da pele.

Será talvez a primeira vez que a política, mais precisamente a eleição do próximo presidente da República, será o tema desse encontro. Em 1889, quando um golpe de Estado derrubou a monarquia para criar a República no Brasil, o instante foi eternizado na obra de Benedito Calixto, que é mostrada acima, na abertura desse texto. Foi uma violência que mandou para o exílio o imperador decidido a não reagir para poupar o sangue brasileiro. E ao longo dos hoje 137 anos dessa nossa hoje forma de Governo, nunca antes a Suprema Corte havia sido tão invadida pelos calores políticos de uma democracia que vive de se esquecer de suas origens. Em 1887 o golpe de Estado se deu no Rio de Janeiro. Hoje ele é teoriaente distante.

Independente do que venha a ocorrer nessa reunião, ela arranha a democracia. Creio eu - e essa é uma opinião pessoal - que um Ministro do Supremo jamais deveria ser cruzado de uma corrente política. André Mendonça é. E também que ministros de uma Suprema Corte e seus parentes diretos devem estar distantes de quaisquer empreendimentos empresariais advocatícios que possam se aproximar da atuação do STF. Mais de um ministro faz isso. Também não se deve aceitar patrocínio para viagens internacionais em eventos patrocinados por empresas que possam vir a ser parte de processos, etc. Distância é preciso manter.

Enfim, são muitos os motivos que levam o Brasil a hoje parar diante de aparelhos de TV ou outros meios de comunicação para saber o que acontece em Brasília. Alguns ficarão apenas curiosos. Outros, preocupados. Alguns, pasmos. Haverá quem torcerá para um determinado resultado e até mesmo, impossível mas acontece, que o som das lagartas dos tanques de guerra cruzando a Praça dos Três Poderes interrompa os debates e restaure a ditadura militar. Se possível e por mais incrível que pareça, "com Bolsonaro no poder".

A primeira pesquisa feita depois das últimas denúncias tornadas públicas e que dipararam o elenco de aberturas de sigilo que inflam a reunião de amanhã mostram que o candidato Flávio Bolsonaro não foi atingido, ao menos por agora, pelo mar de denúncias que o mostram como corrupto, parte de acordos inacreditáveis de desvio de dinheiro público e mais uma carrada de comprovações claras e irrefutáveis de que ele é parte de um grande esquema de corrupção que varre o Brasil a partir do Poder Legislativo, está entranhado em todas as instâncias da vida nacional e esse candidato de sobrenome Bolsonaro não pode ser um porta voz da luta contra os desmandos da vida nacional porque é parte deles.

Tomara o Supremo Tribunal Federal possa atravessar essa tormenta na forma de erupção vulcânica intocado, mesmo tendo que atingir alguns de seus membros. Tomara a urbanidade e o respeito se sobreponham aos argumentos de ódio nesta que pode ser a suprema obra indireta de intervenção bolsonarista sobre a vida nacional em sua luta para voltar ao poder e transformar o Brasil em quintal dos Estados Unidos e outras desgraças mais. O resultado dessa reunião e da marcada para a próxima terça-feira pelo presidente Edson Fachin vão ser vitais para nossa saúde democrática. Muita gente torce pela paz e pelo cosenso, mas a extrema direita quer ver o caos em forma de crise mais forte do que nunca.

De uma coisa todos podem ter certeza: na hipótese (improvável?) de o candidato da hoje oposição vencer no segundo turno os jornalistas de todo o Brasil não vão precisar pergntar a vencedores e vencidos sobre a hipótese de um golpe de Estado, pois isso não vai ser necessário. Como não vem sendo nos debates de agora. Por que será?

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