17 de junho de 2010

2014, a Copa do Mundo da Corrupção


Desde que o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014, criou-se a estranha discussão acerca das cidades que sediarão os jogos, bem como uma imensa lista de exigências que atingiram sobretudo e principalmente o estádio do Morumbi, em São Paulo. E ele tem as mesmas virtudes e os mesmos defeitos dos demais grandes estádios brasileiros. Mesmo tentando disfarçar, a CBF demonstra não querer jogos lá. É contra, e pronto! Não permite discussão.
O clube paulista já apresentou três ou quatro projetos de adaptação do estádio às novas exigências - como o da imagem que ilustra esse texto, à esquerda - e a cada divulgação surgem pedidos novos. Até que o inevitável aconteceu: o Morumbi não vai sediar jogos da Copa do Mundo. A CBF anunciou a decisão tomada, segundo se diz, em Zurique.
O que há por trás de tudo isso?
Muitos jornalistas e profissionais de áreas outras, mas todos independentes, alertam para um fato: a CBF simplesmente não quer o Morumbi na Copa de 2014. Existem interesses pecuniários ancorados em uma grande construtora/empreiteira de obras públicas brasileira, com contratos em praticamente todas as áreas do serviço público, para que uma arena gigantesca e milionária seja erguida em Pirituba, região da Grande São Paulo. Teria estádio, estacionamento, área de eventos diversos, inclusive musicais, lojas e outros. Mas teria, principalmente durante as obras, grandes chances de faturamento para aqueles que dela tomassem parte, inclusive em superfaturamento de obras, pagamento de comissões e outros.
A Copa do Mundo, faz anos, tornou-se um espetáculo bilionário. Hoje em dia as emissoras de TV e fabricantes de materiais esportivos, além de outros como empresas de bebidas e setores de serviços, abastecem a Fifa com bilhões de dólares (ou euros, se for o caso). E vale tudo para aumentar esse faturamento, essa ganância desmesurada por dinheiro. O céu é o limite!
Mas até onde vai isso? Nós sabemos que, no Brasil, superfaturamentos, caixas dois, pagamentos de propinas e outros, são comuns. E os discursos de última hora ou de conveniência não escondem que altas autoridades do País estão envolvidas nisso agora e sempre. Vamos nos relembrar dos escândalos mais recentes? Ocuparia muito espaço...
Mas há se ter respeito para com o esporte. Denunciar o que está por trás das exigências feitas ao Morumbi e a possibilidade de que dinheiro público seja desviado numa Copa do Mundo da Corrupção é um dever de todos nós. Ainda mais porque ela vai ser jogada aqui.
A Copa da África do Sul está sendo realizada, mas todos os orçamentos foram estourados. Houve lá uma festa com dinheiro do contribuinte, sobretudo do pobre. É um dever de cada brasileiro consciente lutar para que isso não se repita.

25 de maio de 2010

O país da felicidade


Um estudo sério publicado há não muito tempo mostra que o país mais feliz do mundo é a Dinamarca. Mas como pode ser o mais feliz do mundo um país que cobra de cada um de seus cidadãos imposto de renda que oscila de 50 a 70 por cento?
Essa felicidade deriva primeiro do fato de que não há miséria na Dinamarca. Todos têm trabalho, um horizonte na vida. O estudo é obrigatório e gratuito durante os dez primeiros anos da vida das pessoas e as universidades também. E o sistema médico/hospitalar igualmente não custa um único centavo ao cidadão, que pode escolher médicos especialistas. Até o final da vida. Para completar, todos os dinamarqueses, depois dos 65 anos, recebem uma pensão do Estado. Para sobreviver com dignidade. E ainda o incentivo para continuar trabalhando. Para a saúde mental.
Esse é o verdadeiro - e possível - estado social!
Nós, brasileiros, pagamos cerca de 40 por cento do que ganhamos em impostos. Não temos sistema educacional que preste, o SUS é uma indecência e a aposentadoria dos que são contribuintes da iniciativa privada, idem. Tudo em nosso país se corporifica em impostos. Agora mesmo todo o trecho da BR-101 que corta o Estado do Espírito Santo vai ser privatizado. Custará cerca de R$ 30,00 cruzar menos de 500 quilômetros de Sul a Norte do pequeno Estado. E vamos continuar pagando a CIDE, um imposto para a conservação de estradas.
Que pena, não estamos entre os primeiros em felicidade. Mas resta um consolo: somos campeões mundiais da demagogia. Do Oiapoque ao Chuí, abundam no Brasil aqueles que se esmeram na arte de enganar o próximo, se perpetuar no poder e fazer desse poder uma redoma onde eles possam se esconder das consequências de seus atos. Esse é o Brasil. O da foto é a Dinamarca.

13 de maio de 2010

Para purgarmos nossos pecados


Vinha resistindo, faz algum tempo, à tentação de escrever sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal de negar o direito de revisão da Lei da Anistia, que nos tornou a todos vítimas eternas dos torturadores que se serviram do Brasil durante o regime militar.
Não que o Brasil de hoje, 25 anos distante de 1985, quando a ditadura efetivamente terminou no País, quisesse um revide contra os que subjugaram essa Nação por 21 anos. Não era isso. Talvez o que a maior parte efetivamente quisesse e ainda queira seja o respeito. O de famílias saberem onde estão os cadáveres de seus entes queridos. De ter acesso a informações sobre como eles morreram. E a de poder divulgar oficialmente os nomes dos que os mataram.
A primeira foto que ilustra esse texto, acima à esquerda, mostra o jornalista Vladimir Herzog morto numa cela militar de São Paulo. Morto por tortura. Assassinado. E seus assassinos não foram até hoje identificados. Não falo de processados.
Os que mataram durante o regime militar por não aceitá-lo tiveram suas identidades reveladas. Inclusive os que não mataram ninguém, mas apenas se opunham à ditadura. Inclusive aqueles que não aderiram à luta armada, mas sabotaram o regime com publicações proibidas, por exemplo. E elas foram feitas aos milhares.
Os que assaltaram bancos e sequestraram pessoas também foram expostos. Inclusive estão sendo denunciados hoje aqueles que continuam assaltando o Estado, montados na máquina administrativo/política, como parte do Poder Executivo. Esses são acusados todos os dias e as denúncias, na maior parte dos casos, procedem. São tristes, portanto.
A Lei da Anistia não foi um pacto nacional, não. Não foi um acordo para passar a borracha sobre o passado, absolutamente. Ela foi aprovada pelo Congresso Nacional por 206 votos da Arena contra 201 do MDB. E até hoje a forma como foi promulgada incomoda muito a muita gente por esse Brasil afora. Muita gente digna - que não matou na ditadura e não rouba hoje, não vivendo encastelada no aparelho do Estado, como se ele fosse uma iniciativa privada sua - se sente mal.
Sabem que motivo me levou a iniciar esse texto com a foto de Vlado Herzog morto? Porque foi a Justiça quem, depois de considerar todo o caso, sentenciou claramente que o Estado era o assassino do Vladimir. Ninguém usou de subterfúgio. O Magistrado não teve medo. E estávamos em plena vigência da ditadura militar. Sob um regime de exceção, que ameaçava e, em casos mais sérios, cumpria as ameaças.
Estávamos na época em que o general Geisel disse a dois jornalistas: "Acho que a tortura, em certos casos, torna-se necessária para obter confissões". E era o presidente da República! Era o inquilino do Palácio do Planalto que, em determinadas ocasiões solenes, colocava no peito de torturadores a Medalha do Pacificador. Que terrível ironia: nossos pacificadores eram os donos da paz dos cemitérios!
Forçar o Estado a reconhecer que prendeu ilegalmente, torturou e matou durante um tempo em que ele não era legitimamente dono do poder não é revanche. Não é ação de ódio ou vingança. É um direito dos povos. É um poder que cada nação deve ter e exercer para que todos possamos purgar, juntos, os nossos pecados.
Não, o Brasil não quer processar, condenar e prender seus torturadores, até porque muitos deles já morreram. Mas temos o direito de conhecê-los. Para que não aconteça mais.

12 de maio de 2010

O problema real


Vira e volta e os meios de comunicação brasileiros investem contra a criação ou revitalização de empresas estatais por parte do Governo Federal. Agora é a vez da ressuscitada Telebrás, que retorna como responsável pela banda larga na internet brasileira, com a promessa governamental de que esse serviço seja duplicado até 2014.
É estéril a discussão sobre se as empresas privadas seriam mais eficientes do que as públicas. Resta discutir como elas são dirigidas. Todos os dias instituições privadas vão à falência no Brasil, vitimadas que são por má gerência empresarial. Já as públicas, essas sangram anos e anos sem fechar a ferida. Sangram dinheiro público.
A revista Época que circulou no final de semana (nº 625) mostra em reportagem de capa que o Governo Lula, de 2003 para cá, contratou cerca de 20 mil pessoas para postos de confiança nos chamados cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS), aparelhando a máquinas estatal sobretudo e principalmente com gente ligada a partidos da base aliada. E também dando cargo de confiança e destaque a incontáveis sindicalistas. Estes, ocupam postos da maior importância em instituições como a Previ, Funcef e Petros. Ricos fundos de pensões.
Devem ser raros - e a gente pode afirmar isso sem medo de errar - os que foram contratados por competência. Quase todos são apaniguados.
O problema não é a empresa, se pública ou privada. O problema é quem a dirige e o fato de ela ser usada como moeda de troca política, mesmo sendo sustentada por dinheiro público. E isso, certamente, vai acontecer também com a Telebrás.
O problema real, conclui-se, é a falta de respeito para com as instituições públicas. Bem gerenciadas, elas poderiam prestar grandes serviços.

30 de abril de 2010

A paz das autoridades

Criminosos ligaram para o vice-presidente da República, José de Alencar, essa valorosa figura da foto, e simularam o sequestro de uma de suas (dele) filha. O vice chegou a pensar que quem gritava ao telefone era mesmo a filha. Ficou desesperado até constatar que tudo não passava de um golpe. Os vagabundos queriam tomar o dinheiro dele.
Caso o leitor queira, pode acessar, neste meu Blog, o artigo "Reféns do terror", postado em 29 de janeiro de 2009. Vai ver que passei por isso. Também de madrugada, também a mulher gritava ao telefone uma frase "pai, fui assaltada, pai". Eu fiquei desesperado porque, como somente notaria depois e como o vice-presidente só se apercebeu também quando as coisas se passaram, vozes aos gritos são todas quase iguais. E na nossa mente quem se esgoela é nossa filha mesmo. As coisas se processam assim.
No meu caso, a filha não chegou em casa porque estava em São Paulo e eu em Vitória, onde moro. Somente depois de desligar o telefone foi que olhei para o bina e vi que a ligação DDD 021 vinha do Rio de Janeiro e não de São Paulo, onde o DDD é 011. Mas as coincidências entre os dois casos vão terminar daqui a mais algumas linhas.
No meu caso e no do vice-presidente, a Polícia disse que essas ligações vêm sempre de presídios. São fascínoras, com cúmplices fora da cadeia, quem arquiteta isso. Tempo eles têm, de sobra. E o golpe rende dinheiro. E traumas para o resto das vidas das vítimas.
Acabaram-se as coincidências.
No caso do vice-presidente José de Alencar, 24 horas depois os criminosos estavam presos. No meu caso, ou são os mesmos ou eles estão soltos até agora. No meu caso, volto a dizer, ouvi da autoridade policial que não era possível fazer nada porque os telefonemas eram dados da cadeia.
Pombas, da cadeia onde estão os criminosos e a Polícia. E ela, no meu caso, volto a insistir, não podia fazer nada. Isso foi-me dito de maneira clara.
Tenho em meu Blog, além do artigo sobre o falso sequestro, outros com o tema dos telefonemas falsos que nos torturam. "Cuidado com telefonemas falsos" e "Vamos denunciar telefonemas falsos" nos remetem a esse tema. E há outros artigos. Quando isso vai parar? Sou capaz de arriscar: no dia em que não deixarem mais o vice-presidente dormir.
No Brasil as coisas só andam assim. Polícia rápida, eficiente e bandido na cadeia só quando a paz das autoridades é atingida. Até lá, é vida que segue!

16 de abril de 2010

Construções de si mesmos


O governo Lula elogia os Estados Unidos mas não o afaga. Age como a cobra, que morde e assopra. Cercado por antigos militantes de partidos clandestinos, o presidente apoia regimes como o de Cuba, Coréia do Norte, Irã, Venezuela, Bolívia e outros. Mas elogia o livre investimento, defende a economia de mercado e o capitalismo "não selvagem", seja lá isso o que for e o que o leitor puder entender.
Não se trata de um governo pragmático, como pode parecer à primeira vista. É um governo aproveitador mesmo. Inculto, arrogante e debochado. E, juro, não estou sendo preconceituoso.
Em época de eleições, o presidente não pode se afastar de seu sustentáculo gerencial. E por isso mantém apoio a regimes políticos considerados hoje como fora de moda. Mas também deve evitar ao máximo contrariar princípios e crenças da esmagadora maioria da classe média - as classes pobres não entendem nada disso - e, assim, deve louvar a cada momento a propriedade privada e o sagrado direito de ir a vir.
Seriam contradições de um governo sem carteira de identidade político-ideológica? Não, claro que não. Isso é a essência de presidente que se sustenta no PT, partido que não é partido, que aglutina todas as correntes existentes de (pseudo)esquerda e, desde 2003, renunciou à ética em nome da contituidade no poder. Se possível, em nome da perpetuação do poder.
O ministro Carlos Ayres Brito, ao multar o presidente, disse com sapiência e propriedade que os chefes de Executivos não são eleitos para fazer seus sucessores. Eles são eleitos para governar, para colocar em prática um projeto de governo. Essa é a essência da democracia representativa, que exige alternância de poder. De homens e de ideias.
Mas como explicar isso a Lula? Se falta ao atual governo sobretudo um norte definido e uma ética consagrada, tudo é possível. Dele espera-se qualquer coisa.
E, esperamos nós, quem sabe essa tal democracia representativa seja capaz de sobreviver a ele. E a outros que não governam para governar, mas sim para se perpetuar no poder, até mesmo se for necessário que isso se faça através de outros. De construções de si mesmos.
Em síntese, um governo pode ser o que quiser. De esquerda, de centro ou de direita. Contanto tenha estofo para tanto e apoio popular para se sustentar onde está. O que ele não pode ser é aético e de vocação continuísta. E disso estamos cheios.

7 de abril de 2010

Os pais (e mães) das tragédias

Há algumas décadas, quando o Aeroclube do Espírito Santo foi construído em Barra do Jucu, Vila Velha, não havia nada em seu entorno, ao lado direito no sentido de Guarapari da Rodovia do Sol. Nos anos que se seguiram, incentivadas por políticos inescrupulosos, milhares de pessoas ocuparam uma região ao sul, onde hoje se situa um bairro miserável denominado Grande Terra Vermelha. Lá convivem, na miséria, quase absoluta ou não, os diversos tipos de marginalidade. Inclusive, é claro, o tráfico de drogas.
Assim como lá, as ocupações irregulares de terras públicas foram incentivadas, na Grande Vitória, a região metropolitana do Espírito Santo, várias ocupações irregulares em áreas de risco, sobretudo nas encostas de morros. E é nesses lugares que ocorrem as tragédias, sobretudo quando chuvas fora do normal atingem os grandes centros urbanos.
Foi isso o que aconteceu nesse início de abril de 2010 no Rio de Janeiro. A quase totalidade dos muitos mortos pelas tempestades foram vítimas de desmoronamentos de encostas. Eram miseráveis que lá, como aqui, construíram suas habitações em laterais de morros, incentivadas pela omissão ou pela corrupção de políticos inescrupulosos. Um crime que se origina em todos os níveis: vem desde a presidência da República até o poder público municipal.
É certo que chuvas torrenciais, o poder de escoamento de água das cidades não suporta. Não há galeria pluvial que aguente. É correto também afirmar que a falta de educação cívica do brasileiro - e aqui nesse ponto todos são igualmente culpados, desde o mais pobre ao mais rico - colabora com isso. Mas é inegável e irrefutável dizer que a classe política é o pai e a mãe dessas mazelas capazes de se repetirem sempre.
Enquanto o exercício do poder político, em todas as suas esferas, for entendido e exercido apenas como um meio de manutenção desse mesmo poder, custo o que custar, doa a quem doer, renuncie-se ao que for necessário renunciar, as consequências doerão mais nas vidas dos miseráveis. E os políticos, por conta da desinformação, da boa fé e ignorância da esmagadora maioria da população, sobreviverão graças a atos e acordos espúrios.
É sempre assim: sobrevive o mais forte. Ainda que não tenha ética, nem vergonha na cara.






30 de março de 2010

O julgamento do inexplicável


Quando a menina Isabella Oliveira Nardoni, essa belezinha aí ao lado, foi morta, em fins de março de 2008, passei alguns dias diante da TV vendo o noticiário e torcendo para que a Polícia conseguisse localizar o tal ladrão que, segundo o pai da criança, invadiu o apartamento dele e a matou por porradas, esganadura e a jogando pela janela do sexto andar do edifício.
A Polícia nada encontrou. Ladrão que não rouba não existe. Imaginei então que o matador seria um pedófilo. Não era, não existia também. A menina não sofreu nenhum tipo de abuso sexual. Só mesmo porradas, a esganadura e foi jogada pela janela.
No julgamento do pai e da madrasta, acusados de responsáveis pela morte, ambos novamente reiteraram que são inocentes. E seu advogado disse que não há provas no processo que os liguem à morte. Só há provas mostrando que a menina de cinco anos morreu mesmo porque levou porradas, sofreu esganadura e foi jogada pela janela.
Quem mais poderia ter matado Isabella? Os meio-irmãos pequenos, menores que ela, um deles bebê? Claro que não. Talvez a gente jamais entenda como um pai relativamente culto e a madrasta idem conseguem cometer um crime bárbaro daqueles. Se a gente fechar os olhos, parece algo nascido de filme de terror absurdo. Parece mentira.
Mas não foi nada disso. Aconteceu mesmo, na maior cidade do Brasil, quando uma garotinha de cinco anos foi passar o final de semana na casa do pai, para matar as saudades dele, dos meio-irmãos e da madrasta. Sem que nada pudesse, possa ou um dia vá poder explicar porque o crime aconteceu. Nem as sentenças dadas ao final do julgamento dos dois, às vésperas da passagem dos dois anos da morte da "Isa", serve de consolo.
Não há consolo para o inexplicável.

11 de março de 2010

A cara do Brasil


A sequência quase interminável de besteiras ditas diariamente pelo presidente Lula alimenta os meios de Comunicação do que eles mais gostam: polêmica. Digo isso de cadeira por ser jornalista profissional e por ter militado por quase três décadas em jornal diário.
Mas não é só isso: a legião de repórteres e outros profissionais de Comunicação que o procuram deliciam-se também com o seu despreparado intelectual. É esse pauperismo de ensino formal e falta de conhecimentos autodidatas que faz com que ele seja capaz de dar as mais desbaratadas declarações o que, invariavelmente, leva a constrangimentos. E a boas risadas.
O exemplo de comparar presos políticos cubanos com criminosos comuns das penitenciárias de São Paulo é um caso exemplar. De deixar pasmos a todos. E Lula viveu, notem bem, a ditadura militar brasileira. Se ele quer defender o regime cubano, e isso é possível, basta citar o bloqueio econômico dos Estados Unidos àquele país, as masmorras de Guantânamo e o fato de que Cuba era um prostíbulo dos EUA à época de Fulgêncio Batista para completar dizendo que uma situação assim sempre vai gerar regimes fechados. Sobretudo, fechados a contestações. Mas, para Lula, para seu QI e sua irresistível tentação de improvisar, isso são detalhes.
Apesar do apoio popular no Brasil a esse presidente - movido sobretudo a estômago cheio - e do estonteante e até certo ponto inexplicável respeito recebido por ele no exterior, o dignatário máximo brasileiro é uma figura caricata. Talvez a mais caricata de todas, desde a época da proclamação da República.
Lula prova de forma cabal que um país com ensino formal deficiente e legiões de pobres ignorantes, é capaz de eleger qualquer um. Sobretudo quem tem a sua cara.

12 de fevereiro de 2010

"Democratas" e "Progressistas"

Podemos falar o que quisermos dos Estados Unidos, e certamente o intitulado "capitalismo selvagem" vive lá mesmo. Mas uma coisa é preciso reconhecer: a estabilidade e o poder das instituições civis deles começa nas agremiações partidárias. Elas são firmes, fortes - reacionárias, é certo - e respeitadas. Ninguém lá está acima de seu partido.
Aqui ocorre o inverso. Troca-se de partido ao vai da valsa. As legendas podem ser alugadas e, quando isso não ocorre, acabam dirigidas por caciques políticos, a maioria dos quais tem apenas um interesse: jamais perder uma eleição. José Sarney talvez seja o exemplo mais candente dessa, digamos, "peculiaridade" de nossa política.
Mas a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, trouxe à tona um outro lado, talvez o mais torpe, de nossa realidade política: temos um partido que responde pelo nome de Democratas, ou DEM, caso alguém prefira, e reúne sobretudo e principalmente as viúvas da época da ditadura militar que se instalou no Brasil entre 1964 e 1985.
Aliás, esse grupo se divide em dois partidos. O outro, descendente direto da Arena, sustentáculo do regime militar, hoje se chama Partido Progressista. Não é engraçado?
Não, não é engraçado. O governador José Roberto Arruda governa com todos os vícios e defeitos aprendidos ao longo de sua "carreira". Como ele, muitos dos demais membros das duas agremiações. Seria gozado se não fosse tão trágico, termos um Democratas dessa estirpe na política brasileira. E um Progressista...
É preciso acordar, é preciso questionar. Na sua primeira noite na prisão o governador Arruda comeu pizza. Sintomático? Talvez, mas também é trágico.
Em tempo: esses dois partidos não são a única anomalia da política brasileira. Na esquerda, no PT e outros, também sobrevivem muitos canalhas. Em tempos de eleições é necessário pensar nisso. Viver com isso em mente.

9 de fevereiro de 2010

Sobre caixas pretas


O reinício dos trabalhos de busca pelas caixas pretas do Air Bus A-330 da Air France, aquele acidentado em meados do ano passado (foto), vai trazer à tona uma pergunta: não seria mais lógico se o conteúdo desses dados eletrônicos ficasse também nas torres de controle dos aeroportos de origem ou destino - preferencialmente - dos voos, em vez de nos gravadores dos equipamentos?
Explico: vivemos a época da transmissão de dados por satélite. As caixas pretas podem gravar dados em seus gravadores e, ao mesmo tempo, fazer a transmissão para uma das torres de controle envolvidas nos voos. Uma vez que eles terminem, basta que tudo seja automaticamente apagado. E não há acesso público a dado algum. Se houver acidente, tudo o é que necessário para ajudar na elucidação dos fatos estará à mão caso os gravadores dos aviões se percam ou fiquem muito danificados.
Claro; isso tem um custo elevado. Claro; isso vai exigir mais sistemas de transmissão e recepção de dados em aviões e, sobretudo, aeroportos. Claro; vai expor tripulantes e aeronaves caso não haja um sistema de bloqueio de transmissões quando for desnecessário que se tenha acesso a elas. Mas, claro também, será mais fácil elucidar fatos.
Claro, por último, tais soluções não são encontradas por restrições feitas por diversos países, a maioria delas ligadas a questões de segurança. Aviões podem conter equipamentos sigilosos. Conversas entre tripulantes muitas vezes tocam em assuntos delicados. Leis, dependendo da procedência, protegem a privacidade. E todos sabemos que rackers invadem até computadores do Pentágono, de modo que não deve ser lá muito difícil interceptar transmissões aviões/torres de controle.
De qualquer forma, a segurança de voo, a melhoria dos aviões comerciais e as vidas humanas envolvidas têm uma importância bem maior. Mesmo depois do 11 de setembro, mesmo depois do crescimento de movimentos violentos mundo afora.
O acidente da Air France já poderia ter sido explicado se os muitos obstáculos legais tivessem sido contornados. O que confortaria - talvez - as famílias e evitaria fatos futuros iguais ou parecidos. Certamente!

25 de janeiro de 2010

A demagogia e a tragédia

Não há nada pior, mais dantesco, mais insensível do que um governo se aproveitar de uma tragédia das proporções da do Haiti para fazer demagogia e tentar vender imagens falsas, nacional e internacionalmente.
O Brasil quer destinar mais de R$ 130 milhões ao Haiti especificamente para a construção de dez hospitais, que pelos projetos anunciados, seriam identificados por uma sigla que os chamam de unidades de pronto atendimento ou coisa parecida.
O Haiti precisa de ajuda. Muita. E o Brasil o está ajudando há quase seis anos, de modo brilhante. Após o terremoto, essa ajuda se intensificou. No que nos toca, estamos fazendo o possível. Mas pergunto: há uma única e miserável justificativa ética e moral, para um governo que ao longo de sete anos não construiu hospital algum aqui, de repente fazer dez lá?
Ao contrário, meus caros, a situação da saúde no Brasil é caótica. Em Sinop, no Mato Grosso, há um hospital (foto ao lado) construído há anos e até agora sem funcionar porque não há lá equipamentos necessários à realização, sequer, de uma sutura. E milhares de brasileiros morrem sem atendimento médico na região todos os dias. Esse, creiam, é apenas um exemplo!
O programa Saúde da Família só tem contado com recursos estaduais e municipais pelo Brasil afora. O Governo Federal não vem entrando com nada. Isso ocorre no Espírito Santo, onde estou e as carências são enormes. Nós estamos órfãos de pai e mãe, inclusive da tal Mãe do PAC, e ainda queremos construir dez hospitais em outro país, por motivos meramente eleitoreiros. É um absurdo. O mundo todo, unido, pode fazer tudo pelo Haiti, bastando haver vontade política e coordenação. E vai fazer, acredito. Nosso governo deveria ter como meta principal prover seu povo, sua população. Mas pouco faz em áreas como saúde e educação, para ficarmos em apenas dois exemplos. Ao contrário, concentra-se única e exclusivamente em demagogias.
É preciso ver isso. É necessário refletir sobre isso. É a hora de os brasileiros lutarem para que nossos recursos sirvam aos outros depois de nos servirem em nossas necesidades.
EM TEMPO: àqueles brasileiros e brasileiras chorosos, ávidos por adotar crianças haitianas, lembro o seguinte: não há meios legais de isso ser feito agora, pois os procedimentos legais estão emperrados naquele país. Crianças não são brinquedos e precisam ser tratadas com uma dose maior de comprometimento, programação. E temos, aqui no Brasil, milhares de pequenos, nossas crianças jogadas nas ruas, à mingua, ou em centros de triagens e favelas, sem serem adotadas por ninguém. Crianças sem passado, sem presente e sem futuro.
Claro, se não forem arregimentadas pelo tráfico. E ele "adota". Pensem nisso!

22 de janeiro de 2010

Os políticos e os púlpitos


A proximidade das eleições gerais brasileiras, que vão definir até mesmo o próximo presidente da República, desnuda um dos maiores problemas brasileiros: somos um Estado laico, mas onde inúmeras igrejas - na verdade, seitas - são usadas rasgadamente para cabalar votos.
Um dos melhores negócios que existem hoje é criar uma igreja. De preferência, pentecostal. E para isso bastam poucas providências legais. Essas instituições surgem com a velocidade das formigas. Depois, é preciso que elas "adotem" um ou mais políticos. E cabalem votos para ele(s) em troca de favores como, por exemplo, uma gorda parcela anual de sua verba de "emendas parlamentares". Outras de nossas aberrações republicanas.
Se enviar o dinheiro diretamente para a seita não for possível, basta a ela criar uma ONG. Uma instituição ligada à "célula mãe" e com aparência de ser benemerente. Nem precisa ser: basta parecer. E ter a capacidade de arrecadar muito dinheiro. De emendas e dízimos.
É assim que proliferam no Brasil "confissões" que estão sendo processadas, em alguns casos criminalmente. Muitas têm problemas com a Justiça. No caso de uma, seus donos foram presos e processados nos Estados Unidos. Mas todas são muito ricas.
Um Estado Laico não poderia permitir isso. "Bancada evangélica" é coisa própria de país onde os partidos não têm a menor importância. Coisa de país onde as agremiações partidárias, que deveriam ser referências na vida política, tornam-se apenas instrumentos nas mãos de caciques políticos, muitos dos quais se escudam nos púlpitos de seitas sem escrúpulos para se aproveitar da boa fé das pessoas e se perpetuar renovando mandatos.
Sim, porque o alvo de todas essas falsas religiões são as pessoas incultas, as pessoas sem informações, as que estão fragilizadas socialmente, perderam empregos, famílias ou se destroçaram em acidentes ou por causa de doenças. São elas que "pastores" e donos de outras denominações arregimentam. E são elas, também, que sustentam os maus políticos no poder.
Em nome de quem? De quem mesmo?




8 de janeiro de 2010

Turista em apuros


Não sou de colocar piada em site. Mas essa, para um início de ano, começa concorrendo à melhor de 2010. Vamos a ela:
Um alemão, procurando orientação sobre o caminho, faz sinal para um carro ao lado de outros veículos, este com um casal de brasileiros dentro.
O alemão pergunta:
- Entschuldigung, koennen sie Deustsch sprechen?
Os dois brasileiros ficam mudos.
- Excusez-moi, parlez vous français?
Os dois continuam a olhar para ele impavidos e serenos.
- Prego, signori. Parlate italiano?
Nada por parte dos brasileiros.
- Hablan ustedes español?
Nenhuma reposta.
- Please, do you speak english?
Nada. Angustiado o alemão desiste e vai embora.
Dona Marisa vira-se para Lula e diz:
- Talvez devêssemos aprender uma língua estrangeira...
- Mas para que, companheira? - pergunta Lula - Aquele idiota sabia cinco e adiantou alguma coisa?
Realmente: não adianta!

7 de dezembro de 2009

Só no papel


"No Brasil, homem público é o masculino de mulher pública".
Quem disse isso foi nosso grande Ziraldo, num momento de grande inspiração. E os políticos brasileiros fazem questão absoluta de confirmar essa verdade todos os dias, a todas as horas. Quem acompanha os escândalos de Brasília sabe disso.
O cipoal de desonestidades revelado no governo do Distrito Federal é a prova mais incontestável de que não vamos mudar a triste realidade brasileira enquanto não houver por aqui um elenco de leis capaz de retirar da vida pública os marginais que hoje a frequentam. Mas conseguir isso de que forma, se são eles que votam as leis.
Por todos esses motivos, não há como questionar o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, quando ele legisla, juntamente com seus pares, fazendo o trabalho que seria do Legislativo. E ele deve fazer isso mesmo. O Brasil é a única democracia representativa com apenas dois poderes: o Executivo e o Judiciário. O terceiro só existe no papel. No papel higiênico.

27 de novembro de 2009

Vamos denunciar telefonemas falsos! (2)


Tenho postado matérias de denúncias sobre telefonemas falsos. A maioria desses números pertence a marginais e são usados até mesmo para falsos sequestros. Mas às vezes ocorrem surpresas, como o e-mail recebido hoje de um leitor. Leiam-no:
"Boa tarde a todos!!! Recebi uma ligação do telefone (085) 3255-0202 e joguei no Google para ver se era de alguma empresa operadora e pra minha surpresa veio um monte de comentários falando de trote, golpe. Estou surpreso e preocupado. Tenho acesso a consulta detalhada e com esse tel. (085) 3255-0202 consta abaixo:
Documento 3300018001574
Proprietário TELEMAR NORTE LESTE S/A
Endereço BORGES DE MELO, 1677 - Ceará
E com o CNPJ ref. ao num. de tel:
CNPJ 3300018001574
Razão Social TELEMAR NORTE LESTE S/A
Situação da empresa: ATIVA
Nome de fantasia: OI
Município: RJ - Rio de Janeiro"
Note o leitor que o número e o nome se repetem nos itens acima "Documento", "CNPJ", "Proprietário" e "Razão Social". Pode-se deduzir que as telefônicas estão monitorando números ou agindo por outros motivos. Seja lá o que for, estão agindo de forma ilegal e irresponsável, pois ligam de madrugada, atrapalham o sono das pessoas e invadem nossas privacidades.
Vamos continuar denunciando. Quem tiver mais dados, passe.
E se você quiser saber de onde veio um determinado telefonema, é possível que o endereço eletrônico da ABR Telecom possa ajudar. Basta seguir o link.

12 de novembro de 2009

A política como meio


As notícias de que o Ministério Público federal vai mover ação judicial no sentido de garantir a fidelidade partidária e a de que o STF vetou a posse de quase 8 mil suplentes de vereadores antes de 2012, são muito boas. Elas representam um combate efetivo à prostituição eleitoral brasileira. Uma chaga que nos persegue já há muitos anos, sempre ganhando força.
Os políticos consideram a fidelidade partidária uma "camisa de força". Por certo, é. Afinal, para eles, o partido é um meio, não um fim. É o meio que encontram de satisfazer seus projetos pessoais e se manter no cenário político nacional sem o menor compromisso para com a causa pública. Muito pelo contrário. E sem o menor compromisso, também, para com projetos nacionais, planos de governo, ideologias ou quaisquer outros sentidos éticos dessa atividade.
A política brasileira - a regra tem exceções, felizmente - não tem ética. Não como ela é conceituada na maioria das atividades. Ao contrário, sua "ética" particular é a sobrevivência. É o próximo mandato. Por isso, por esse objetivo, qualquer coisa vale. O presidente Lula mesmo disse, recentemente, que se Judas vivesse hoje e fizesse política, Jesus teria de fazer acordo com ele. O presidente tentou mostrar porque faz esse tipo de conchavo para sobreviver e ajudar seu grupo de apoio. Mas foi econômico. Faria acordo com o diabo também, se necessário.
No Brasil, é preciso resgatar os partidos políticos. Dar-lhes dignidade. Fazer com que eles sejam uma representação política acima dos cidadãos. Sem isso nosso Poder Legislativo, em todos os três níveis, vai continuar mostrando como identidade uma triste constatação de que realmente vale a pena não investir em educação.
Um povo sem informações básicas vota em qualquer um.

14 de outubro de 2009

Falso sequestro; maldade extrema



Há cerca de um ano venho denunciando o que se faz com os telefones no Brasil. Primeiro, relacionando - e sendo muito ajudado nesse mister por leitores do Blog - os telefones que tocam em todos os lugares e ficam absolutamente silenciosos quando atendidos. Ou então os números que alguém diz serem de empresas, inclusive de telemarketing.
Basta dar uma percorrida nos textos "Cuidado com telefonemas falsos", "Vamos denunciar telefonemas falsos" e "Telefonema falso e falso sequestro", que estão no Blog. Neles, eu e os leitores, eles com seus posts, contamos a história triste de um país que não protege seus cidadãos contra esse tipo de prática criminosa. Muito pelo contrário, nada faz.
Hoje, às 11h50m, recebi um angustiado telefonema. Era minha mãe do outro lado da linha, chorando. Uma criminosa havia telefonado para ela. Da latrina onde estava, gritava: "Mãe, fui assaltada. Fui sequestrada, mãe". Minha mãe perguntou por duas vezes o nome da "filha", sem resposta. Desligou o telefone quando um homem pegou a ligação e começou a falar com ela. Desesperada, ligou para as duas filhas que tem e só ficou um pouco menos tensa depois disso.
Ela tem 88 anos de idade. Nos últimos três anos perdeu, pela ordem, uma filha, o marido e um filho. Não merecia passar por esse tipo de coisa logo no final da vida.
E quem paga por isso? De que forma o cidadão se protege desse tipo de coisa? Já passei por essa experiência. Basta ao leitor ler "Reféns do terror", também nesse Blog, e terá a minha história contada. Quando se contata a Polícia para pedir providências, os policiais dizem que as ligações vêm de presídios do Rio de Janeiro, São Paulo ou outros locais e eles não podem fazer nada.
Que presídios são esses? Em que lugares um presidiário e uma presidiária ficam juntos na mesma cela, com celular à mão, para telefonar e horrorizar as pessoas? Por que um país como o nosso, que divulga todos os dias como vai buscar petróleo a mais de sete mil metros abaixo do nível do mar, não consegue enfrentar e resolver problema teoricamente mais simples?
As autoridades de minha cidade, Vitória (ES), não enfrentam o já endêmico problema dos flanelinhas que proliferam espalhados por todas as ruas porque consideram isso um "problema social". Não é. É banditismo mesmo. Associação com o crime e extorsão do cidadão. É roubo, tráfico de drogas, prostituição, violência pura.
Mas ninguém quer perder votos às véspera do importante ano de 2010. Principalmente aqueles a quem interessa maquiar a real situação do país.
O Brasil é um caos total!

13 de outubro de 2009

"Petrobrás, o escândado!", um filme conhecido


Gente, isso é sério. Ao final vocês têm o link para conferir o texto. Não deixem de ler. Não deixem de refletir. A senhora aí ao lado, dona Dilma Roussef, é parte desse texto.
Na leitura vocês vão se deparar com uma cifra absurda, em negrito. Ela é para a Diretoria Executiva. Mas o Conselho de Administração recebe dez por cento. O que também é um abuso, tratando-se de funcionários públicos.
Boa leitura:
ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRAS, REALIZADA EM 8 DE ABRIL DE 2009
(Lavrada sob a forma de sumário, conforme facultado pelo parágrafo primeiro do artigo 130 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976).DIA, HORA E LOCAL:Assembleia realizada às 15 horas do dia 8 de abril de 2009, na sede social, na cidade do Rio de Janeiro, RJ, na Avenida República do Chile, no 65.Item IV:
Foram reeleitos como membros do Conselho de Administração da Companhia, na forma do voto da União, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, a Senhora Dilma Vana Rousseff, brasileira, natural da cidade de Belo Horizonte (MG), divorciada, economista, com domicílio na Casa Civil da Presidência da República - Praça dos Três Poderes - Palácio do Planalto - 4º andar - salas 57 e 58, Brasília (DF), CEP: 70150-900, portadora da carteira de identidade nº 9017158222, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul - SSP/RS, e do CIC/CPF nº 133267246-91 e os Senhores Guido Mantega, brasileiro, natural de Gênova, Itália, casado, economista, com domicílio no Ministério da Fazenda - Esplanada dos Ministérios - Bloco P - 5º andar - Brasília (DF), CEP: 70048-900, portador da carteira de identidade nº 4135647-0, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo - SSP/SP, e do CIC/CPF nº 676840768-68; Silas Rondeau Cavalcante Silva, brasileiro, natural da cidade de Barra da Corda (MA), casado, engenheiro, com domicílio na S.A.U.S. - quadra 3 – lote 2 - Bloco C – Ed. Business Point - salas 308/309, Brasília (DF), CEP: 70070-934, portador da carteira de identidade nº 2040478, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Pernambuco - SSP/PE, e do CIC/CPF nº 044.004.963-68; José Sergio Gabrielli de Azevedo, brasileiro, natural da cidade de Salvador (BA), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chile, 65, 23º andar - Rio de Janeiro (RJ), CEP: 20031-912, portador da carteira de identidade nº 00693342-42, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia - SSP/BA, e do CIC/CPF nº 042750395-72; Francisco Roberto de Albuquerque, brasileiro, natural da cidade de São Paulo, casado, General de Exército Reformado, com domicílio na Alameda Carolina nº 594, Itu (SP), CEP: 13306-410, portador da carteira de identidade nº 022954940-7, expedida pelo Ministério do Exército e do CIC/CPF nº 351786808-63; e Luciano Galvão Coutinho, brasileiro, natural da cidade de Recife (PE), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chile nº 100, 19º andar, Rio de Janeiro (RJ), CEP 20031-917, portador da carteira de identidade nº 8925795, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo - SSP/SP, e do CIC/CPF nº 636831808-20.
Item VII:
Pelo voto da maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em R$8.266.600,00 (oito milhões, duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos reais), no período compreendido entre abril de 2009 e março de 2010, aí incluídos: honorários mensais, gratificação de férias, gratificação natalina (13º salário), participação nos lucros e resultados; passagens aéreas, previdência privada complementar, e auxílio moradia, nos termos do Decreto nº 3.255, de 19.11.1999, mantendo-se os honorários no mesmo valor nominal praticado no mês precedente à AGO de 2009, vedado expressamente o repasse aos respectivos honorários de quaisquer benefícios que, eventualmente, vierem a ser concedidos aos empregados da empresa, por ocasião da formalização do Acordo Coletivo de Trabalho – ACT na sua respectiva data-base de 2009;..
Se "alguém" disser que é boato... acesse o link aqui! Você terá o texto completo.

7 de outubro de 2009

Sobre Democracia Representativa


O tempo excessivamente longo que nós, brasileiros, passamos na ditadura militar, com que fez todos nos distanciássemos das engrenagens que mostram como funciona a Democracia Representativa, esta que começou a ser praticada ainda incipiente na Grécia, em tempos felizmente memoriais, como mostra a ilustração à esquerda, logo acima.
Sem pretensões acadêmicas, consideremos que nossos "democratas de plantão" buscam sempre uma candidatura única. Tentam de todas as formas destruir qualquer candidatura que não seja a sua/de seu aliado ou que represente a oposição a esta. E impõem candidatos de cima para baixo, desconhecendo a vontade das bases eleitorais e/ou partidárias.
Vamos falar um pouco sobre como deve ser a Democracia Representativa:
1º - tem como base o partido político, esse ente prostituído no Brasil;
2º - escolhe candidatos de baixo para cima, através das militâncias partidárias ou outras;
3º - busca o crescimento dos candidatos a partir de projetos e princípios;
4º - respeita a pluraridade de opções do eleitor e tenta ganhar o voto no convencimento;
5º - não interfere na vontade das outras instituições partidárias ou candidatos;
6º - respeita subalternamente o resultado das urnas, este soberano;
7º - respeita as leis, sobretudo a Constituição do País.
E não é isso o que vemos no Brasil. Tanto no plano federal, onde é fácil constatar, mas também nos Estadual e Municipal. Onde também não é difícil ver.
Democracia primeiro a gente conquista. Depois, cabe ao eleitor a consolidar, pela cobrança de comportamentos democráticos de seus representantes.
Não vamos nos esquecer disso, sobretudo na hora de votar.

30 de setembro de 2009

Uma solução para as obras públicas


Vira e volta, o Tribunal de Contas da União (TCU) é obrigado a forçar a paralisação de diversas obras públicas federais. O motivo é sempre o mesmo: corrupção nos modelos de preços exorbitantes (superfaturamento), cobrança por serviços não realizados, obras de péssima qualidade, pagamento de propinas e outras "coisitas" mais. Mais ou menos como o que está na foto deste artigo.
No caso do Espírito Santo, as obras de ampliação do Aeroporto de Vitória, de suma importância para o Estado, estão paradas já há algum tempo por causa disso.
É difícil acabar com esse quadro? É, quando a gente não quer que ele acabe. Querendo, tudo tem saída. Aí vai uma sugestão. Uma possível solução.
Primeiro, será preciso fazer licitações com serviços perfeitamente delineados de ponta a ponta, com todas as responsabilidades previstas, preços definidos e as letras colocadas no papel de forma clara. Coisa assim: vamos fazer a obra como essa empreiteira faria caso fosse a da casa da mãe do dono dela.
Depois, o Legislativo Federal tem que votar a aprovar uma lei na qual conste o seguinte: sempre que o TCU ou outro órgão detectar e provar a existência de atos de corrupção cometidos por empreiteira de obra pública em contrato licitado, essa empreiteira ficará para sempre impedida de participar de qualquer tipo de licitação ou outra modalidade de participação em serviço/obra público. Mesmo que venha a mudar de CNPJ ou usar qualquer artifício do gênero.
Também nesse caso, basta fazer uma lei clara, com todas as letras claras. Coisa assim: como se o roubo da empreireira esteja acontecendo na obra da casa da mãe do parlamentar que vai votar a lei.
Ia me esquecendo: é preciso também processar, civil e criminalmente, os servidores públicos e políticos envolvidos nessas falcatruas. Mas para eles e esse tipo de delito já há leis. Basta a vontade política de fazê-las serem cumpridas.
Assunto resolvido!

29 de setembro de 2009

Emendas privadas


Uma das coisas mais estranhas na política brasileira são as tais "emendas parlamentares ao orçamento", definidas anualmente quando um orçamento é enviado pelo Executivo ao Legislativo, seja em que plano for, para aprovação. Aqui no Espírito Santo, por exemplo, elas passam esse ano de R$ 800 mil para R$ 1 milhão por parlamentar.
Trata-se de um dinheiro público, arrecadado com os impostos cobrados à população, e que só serve aos interesses privados dos parlamentares. Eles podem destinar o dinheiro ao que quiserem, respeitados poucos parâmetros legais.
Um deles pode, por exemplo, combinar com o prefeito fulano para calçar a rua que passa em frente à sua casa. Pode entregar parte da verba a entidade assistencialista na qual esteja inserido, mesmo através de laranjas. Pode enviar a bolada para a igreja que direciona os votos dos fiéis a ele, contanto ela tenha criado alguma "entidade filantrópica" com essa finalidade, o que quase todas fazem, é claro, nesse país laico.
Pode pintar, bordar, casear e pregar botão!
O Executivo não questiona a prática. Precisa dos votos dos parlamentares para seus projetos. Engole o sapo - isso quando considera a prática um sapo - e contribui para a construção ou reconstrução de carreiras políticas longevas. Que, na maioria das vezes, nada têm a ver com o interesse público das comunidades que pretensamente representam. Ou então sem planos, projetos, coisa alguma com um mínimo de substância.
Hábitos políticos brasileiros bem arraigados na falta de compromisso público.

15 de setembro de 2009

Formações sem sentido


Era amigo de um diretor de escola de ensino superior da Grande Vitória. Um dia, reclamando das excessivas regulamentações do governo, ele me disse em tom de desabafo:
- Álvaro, deveria ser livre a criação de cursos superiores privados, ressalvada a qualidade. Afinal, minha empresa não é pública e eu não seria louco de criar um curso de grego clássico!
Deve ter sido mais ou menos isso. E as declarações vêm à minha mente agora, quando leio todos os dias que profissionais de curso superior têm sido obrigados a aceitar trabalhos de nível médio ou menor. Ou então, de trabalhar em atividades totalmente alheias à sua formação acadêmica.
Claro que meu amigo, já morto, tinha razão. A escola era da família dele e eles criavam os cursos que queriam, podiam ou o governo permitia. Mas no ensino público deve ser diferente. No ensino mantido com o dinheiro dos nossos impostos, a formação teria de ser, obrigatoriamente, toda ela voltada para o mercado de trabalho. Não tem sentido como é hoje.
A maior parte dos profissionais de nível superior formados pelas universidades públicas é oriunda das classes média e alta. São eles os mais bem preparados para enfrentar os vestibulares. E muitas vezes consomem tempo e dinheiro público para se formar em uma especialização que o mercado não querer. Isso quando não se formam apenas para enriquecer o currículo e obter vantagens em empregos públicos ou ingressar neles através de concurso.
Não tem sentido, volto a dizer. Mas as coisas são como são. E nada nos tempos atuais indica que estejam próximas de mudar. Não há fumaça branca saindo da chaminé do Ministério da Educação, de onde costumam vir esses sinais, quando existem.