29 de março de 2024

Faz 60 anos... (5)

Vista aérea de Vitória em 1964, ano em que houve o golpe de Estado no Brasil. Triste ano! 

Para crianças e adolescentes a noite do dia 1º para o dia 2 de abril foi como outra qualquer. Para os adultos, não. Muita gente teve dificuldade para dormir por não entender exatamente o que acontecia. Ainda com o presidente João Goulart no Brasil a ditadura tomou sua primeira medida: investiu, de madrugada, Ranieri Mazzilli no cargo de presidente interino  onde ele ficaria 13 dias sem mandar em absolutamente nada, já que um triunvirato militar exercia o poder de fato. Estava sendo preparado o palco para a posse de Castelo Branco, o primeiro dos cinco presidentes que se revezariam no poder até 1985, quando o regime ditatorial, totalmente exaurido, se encerrou. No dia 2 de abril acordei cedo, fiz o que fazia todos os dias e depois de ouvir inúmeros conselhos da minha avó, fui para o colégio devidamente escoltado por Élia, a fiel empregada que atendeu à família por muitos anos.

No Colégio Americano os rituais de todos os dias foram seguidos. Os professores deram aulas, a cantina funcionou normalmente e havia por parte do corpo docente a preocupação de não se falar de política, sobretudo da deposição do presidente Goulart. Quem quisesse saber desse tipo de assunto deveria ouvir rádio, televisão e comprar jornais que tinham mais ou menos a mesma linha. Ou conversar com os pais. Meu avô chegaria em casa com o "Diário da Noite", do Rio de Janeiro, exemplar trazido por um amigo que chegou a Vitória de avião pela manhã, e a manchete dizia: "Decidiu o Congresso essa madrugada - Ranieri Mazzilli é o presidente" Todas as letras em caixa alta (maiúsculas). Esse jornal ficou anos lá na casa da família até que alguém sumiu com ele. Jogou fora.

A quase totalidade dos outros seguiu o mesmo caminho. Mas não todos. A história registra que três jornais defenderam o respeito à Constituição: "Última Hora", "A Noite" e "Diário Carioca", sendo que os dois últimos tinham poucos leitores. A revista "Fatos & Fotos" noticiou "A grande rebelião", tentando dar um verniz de imparcialidade ao noticiário. "O Cruzeiro", que chegaria à nossa casa, deu uma edição extra com "Edição Histórica da Revolução". E surgia assim o termo "Revolução" ligado ao golpe de Estado e que a imensa maioria dos meios de comunicação usou desde então, o mesmo acontecendo com os militares. "O Estado de S. Paulo" não perdeu tempo e noticiou: "Vitorioso o movimento democrático". Estava decidido que o governo Goulart era antidemocrático! Bebeu do próprio sangue: inconformado em ter censores na redação, o Estadão passou a se opor à ditadura, não substituía as matérias censuradas e no lugar delas colocava receitas culinárias ou poesias. Todo mundo sabia o que aquilo queria dizer. 

Eu, uma vez no colégio fiz o que sempre fazia todos os dias: vi as aulas com atenção, no recreio comi um sanduiche de mortadela e tomei um refresco de groselha (como gostava daquilo!), conversei muito com os amigos e mais uma vez não pude sair no intervalo. Estava no ginásio e sair do colégio entre as aulas - na maioria dos casos para fumar um cigarrinho - só era permitido aos alunos e alunas do científico. Coisas do velho Americano! E na saída do colégio, uma surpresa: meu avô foi me buscar para "escoltar" até em casa. Andava com seu passo apressado de sempre, praticamente me rebocando e pedindo para que eu me adiantasse. Queria me ver dentro da residência o mais depressa possível. À noite, juntamente com a TV, ouvimos um pouco de rádio e ele vaticinou: "O novo governo vai ser portador de um tempo de muita paz para o Brasil."

Ele nunca tinha sido bom de vaticínios!      

28 de março de 2024

Faz 60 anos... (4)


A noite de 1º de abril de 1964 foi de busca de informações para muita gente em Vitória e cidades do mesmo porte. Afora Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre (para onde o presidente João Goulart havia se deslocado para ficar junto ao governador Leonel Brizola e tentar a resistência) e outras metrópoles, poucos tinham informações precisas sobre o que acontecia no Brasil e particularmente em Brasília. Era preciso esperar pelo noticiário noturno das TVs já controladas pelo novo governo ou adesistas a ele, ou nas rádios que estavam na mesma toada. Os jornais, esses circulariam no dia seguinte ainda sem sensores nas redações mas já com "orientações" sobre como noticiar o movimento que havia "salvo" nossa frágil democracia.

A cidade, com o por do sol, ficou ainda mais vazia. A maioria das pessoas não obrigadas a trabalhar à noite, preferiu se recolher mais cedo. E isso porque naquele mesmo dia começava, por parte dos militares a para eles incansável busca dos "subversivos". Garoto, na época, eu não conhecia ninguém do gênero. Mas depois de adulto, trabalhando com jornalismo, acabei amigo de muitos dos que sobreviveram.       

Os jornais, por sinal, eram precários e impressos em máquinas chamadas rotoplanas, com péssima qualidade de impressão. Na época nem existia diagramação em Vitória. Diagramação que por aqui chegou pelas mãos do artista gráfico e chargista José Antônio Nunes do Couto, o Janc, trazido para cá pelo diretor de A Gazeta Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Filho, o Cariê, diretamente da Rio Gráfica e Editora (foto jornal de 1969). Diagramar era "desenhar" as páginas do jornal ainda na redação, numa reprodução das paginas chamado diagrama, colocando nelas todas as matérias, fotos, ilustrações, etc. Antes o que se fazia era descer tudo para oficina e lá, depois que os textos eram compostos, eles iam sendo colados nas páginas pelos gráficos. Quando o espaço era insuficiente, cortava-se o final das matérias e era colocado um "continua na página X". Ficava tudo cheio de "joelhos", mas era vida que segue... Por isso na época se dizia que pé de galinha e pé de matéria tinham sempre o mesmo destino, a faca ou tesoura. Então os repórteres concentravam o importante dos textos no início e deixavam o irrelevante para final. Os jornais de Vitória eram assim e não havia plantão para atualizar textos.

Sem informações precisas para obter e só com noticiário das TVs e rádios, vivemos do burburinho das conversas de rua com os vizinhos trocando impressões. A maioria, sem saber absolutamente em detalhes o que estava realmente acontecendo, achava que as autoridades estavam certas. Fui dormir naquela noite, assim como grande parte das pessoas de Vitória, sem ter um noção mais real do que se passava. Bom, porque muita gente não sabia de nada. Vovô e vovó tomaram a iniciativa de dizer que nos recolheríamos cedo. Mas antes uma informação ele tinha: haviam telefonado do Colégio Americano e dado uma boa notícia.

Ia haver aulas no dia 2 de abril!

27 de março de 2024

Faz 60 anos... (3)


Pode-se dizer que o dia 1º de abril de 1964 foi, por todos os ângulos, muito diferente dos outros, e já a partir do fato de que um golpe de Estado sem muitas explicações prontas, com dúvidas e medos, aconteceu justamente no dia dos mentirosos. Mas eu não tinha estrutura para pensar nisso naquele momento, em vésperas dos 14 anos, e voltei para a casa dos meus avós depois de passar pelas partes mais conhecidas do Centro de Vitória logo após o almoço. Deixando a Praça Oito de Setembro, em vez de ir em direção à Praça Costa Pereira (foto) andei pela Avenida Jerônimo Monteiro no sentido Parque Moscoso, passando por pontos que conhecia como as Lojas Helal Magazin, Casas Santa Terezinha e Hudersfield. Nessa última meu avô comprava, quando o dinheiro dava, os tecidos de seus ternos.

Em vez de subir a Escadaria Barbara Lindenberg, fui mais para baixo e entrei pela Rua General Osório. Ela me levaria à Escadaria Doutor Carlos Messina, de onde a gente às vezes tinha que descer correndo para pegar as bolas das peladas que eram desviadas durante os rachas na Rua Francisco Araújo. Passei pelos números 78, 92, 120 e 130, os prostíbulos da cidade e que rivalizavam com os da Volta de Caratoíra. Esses últimos não eram conhecidos pelos números, mas sim pelas cores ou acabamentos que ostentavam: Casa Branca, Casa Verde, Casa Caiada, etc.

Na porta de um dos prostíbulos da General Osório, sei lá eu hoje qual, uma das "primas" estava parada na porta vendo certa batida policial. Não, nada tinha a ver com o golpe de Estado que se desenvolvia no Brasil e que já havia afastado o presidente da República. Era só um bêbado que estava sendo colocado no "camburão". "Aprende a respeitar a Policia, safado", ouvi o policial dizer enquanto o empurrava para dentro do veículo e sapecava um tapa na cara do preso. Tão forte que o estalo pode ser ouvido à distância.

Na casa de vovô e vovó um "conselho de estado" estava formado. Meu tio Walter, um dos irmãos de mamãe, havia se reunindo com o pais e fui autorizado a participar das conversas. Ele, funcionário do Banco do Brasil, explicava com base em "fontes confiáveis" que um regime militar iria se formar para ajudar a salvar o Brasil do comunismo, mas que, mais uma vez segundo as fontes, essa intervenção se daria até as próximas eleições. Só isso, Um pequeno intervalo para tirar os contestadores e subversivos do raio de ação. Mas seria coisa pouca. insistiu meu tio respondendo a uma interrogação de vovó.

Sim, só duraria 21 anos...  

25 de março de 2024

Faz 60 anos... (2)


No 1º de abril de 1964 minha mãe, que morava em São Paulo juntamente com todo o restante da família, ligou para Vitória na hora do almoço, o que não era fácil. Queria saber de mim e conversei com ela rapidamente. Tive que ouvir o relato sobre um tal de "movimento democrático militar" que estava assumindo o poder no Brasil em lugar do "outro". Pediu-me para ficar em casa. Então almocei juntamente com meus avós - eram pais de mamãe - e fomos ver televisão. Nos velhos tubos de imagem que nos traziam o preto e branco cheio de chuviscos e sombras tomamos conhecimentos da deposição do presidente João Goulart no linguajar de justificativas que os militares já estavam controlando.

Ainda não se tinha a exata noção do que estava acontecendo, mas de boca em boca já se ouvia que o presidente não se encontrava mais em Brasília (estava a caminho do Rio Grande do Sul) e que logo um presidente interino (Paschoal Ranieri Mazzilli) assumiria a presidência (por 13 dias, até a posse de Humberto de Alencar Castelo Branco). Tudo era confuso, principalmente numa Vitória provinciana de meados da década de 1960. Meus velhos logo foram dormir a sesta de todos os dias e recomendaram a mim não sair de casa naquele dia. Saí tão logo eles dormiram.

Subi a rua Francisco Araújo passando ao lado do prédio da Legião Brasileira de Assistência (LBA) e saí na lateral do Palácio, a que dá para a Praça João Clímaco e ao lado da casa da família Barbosa Leão, hoje pertencente à Academia Espírito-santense de Letras e chamada de Casa Kosciuszko Barbosa Leão. Aparentemente estava tudo calmo, apenas com uma quantidade de soldados bem maior que o normal para a segurança da sede do governo estadual.

O governador Francisco Lacerda de Aguiar, o Chiquinho, não estava na rua. Consta que em seu gabinete palaciano. Poucos dias antes ele havia dado entrevista e dito que ficaria ao lado do presidente João Goulart para o que acontecesse. O que desse e viesse... Mas já eram dias perigosos! Segundo o anedotário de então, naquela manhã do golpe militar o comandante do 38º BI telefonou para ele. A conversa teria sido rápida: "Governador, fui incumbido de perguntar ao senhor de que lado está?". Ele respondeu de pronto: "Estou ao lado da Escola Normal!". A velha Escola Normal Dom Pedro II, de tanta saudade para mim...

Sentado em um dos bancos da praça, olhei para o prédio da Assembleia Legislativa ao lado e decidi andar em direção à Praça Oito de Setembro, descendo pela Escadaria Bárbara Lindenberg e dobrando à esquerda. Gostava muito de andar na região da Praça Oito (foto) para onde ia, dentre outras coisas sempre que precisava postar uma carta. Lá ao lado, na Avenida Jerônimo Monteiro, ficava a principal agência dos Correios.

Sim, era época de cartas...     

Faz 60 anos...(1)


Parecia um dia comum e todos estávamos em aulas naquela quarta-feira, até sermos chamados para ouvir o diretor do Colégio Americano de Vitória no auditório. Iam turmas grandes, uma a uma. O professor Alberto Stange Júnior, ar preocupado, disse rapidamente que o País estava vivendo um momento grave, de muita conturbação e, por precaução, as aulas daquele 1º de abril seriam suspensas. "Saiam agora da escola e todos para casa. Não fiquem nas ruas. Quem quiser pode usar o telefone e chamar os pais para virem buscar. Já há muitos parentes de automóvel por aqui. Vamos torcer para tudo dar certo".

Saí. Morava na casa dos meus avós quase ao lado do Palácio Anchieta, bem perto do Americano. Tudo no Centro de Vitória. Eles não tinham carro e eu sabia que voltaria a pé mesmo. Preferi passar pelo Parque Moscoso e vi que ele estava quase deserto naquele meio de semana. Uma falsa calma. Um veículo militar passou devagar e havia soldados armados olhando para os lados, como que procurando por alguma coisa "errada". Ao longo das horas eu veria muitos outros mais. Andei devagar e parei num ponto muito frequentado naquela época: o Bar Dominó. Estava com fome e naquele horário costumava lanchar na escola.

Hoje não me recordo mais o que pedi. Deve ter sido uma Coca-Cola e um misto quente. Sentei-me a uma das mesas do lado de fora, na calçada, e notei que os garçons estavam começando a fechar o bar. Um deles me fez sinal para comer logo o lanche e ir embora. Fiz isso. O que estaria acontecendo? É preciso entender que naquela época não havia celular, internet, nada disso. Os telefones eram pretos, de discar e ligações interurbanas tinham que ser feitas com a ajuda das telefonistas. Comecei a andar o trecho final.

Na lateral do Centro de Saúde, passei por um homem de meia idade, passo apressado, aparentemente indo para casa. "Ande logo, menino", disse ele. Eu apressei o passo e cruzei com um carro da Polícia Civil que também rodava bem devagar. Logo após a rua General Osório, subi a escadaria Doutor Carlos Messina (foto) e cheguei à Francisco Araújo, "rua de vovó". Ela estava na varanda, corpo debruçado para fora e me viu. Imediatamente fez sinal para que eu entrasse. Tudo aquilo era muito estranho para mim.

Meu avô havia saído sei lá eu o motivo e chegou em seguida dizendo que a cidade estava cheia de veículos militares e policiais. De onde eu estava era possível ver a então Escola Normal D. Pedro II e parte de uma das laterais do Palácio. Aparentemente estava tudo OK. Afinal, era um 1º de abril de 1964 e alguém deveria estar passando trotes.

Só que não!       

17 de março de 2024

Até quando, Bolsonaro?


- Até quando, Bolsonaro, abusarás da paciência nossa? Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós? A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?

Assim mesmo, trazendo para o português a pergunta/denúncia em latim feita por Cícero a Catilina é permitido adequar aos dias de hoje os acontecimentos da Roma antiga. O denunciante havia descoberto que seu inimigo estava querendo dar um golpe através de um complô que previa vários assassinatos de autoridades romanas - cônsules - e um incêndio na cidade. Viram como o caso é próximo de nós? Então ele gritou: "Quosque tandem abutere, Catilina, pacientia nostra?" Corria o ano de 65 a.C. Cicero escreveu então suas célebres "Catilinárias" em resposta àquele que era acusado de trair a confiança do povo. Desde então o termo Catilina, antes apenas o nome do senador, ficou com o significado de temerário, amoral e outros, pela incapacidade para o cargo governativo a que se propunha Lucius Sergius Catilina e que morreria condenado três anos depois e numa rebelião promovida por ele. Esse é um episodio da vida humana que merece ser estudado com mais profundidade por todos os que se interessam em não reescrever a história. 

Mas estou me propondo agora a somente traçar paralelos. Bolsonaro, esse Catilina de triste figura, abusa da paciência de todos. Segundo juristas com os quais conversei, ele só não foi preso ainda porque é preciso que todo o procedimento jurídico seja respeitado, sobretudo com ele tendo amplo poder de defesa. Motivos para a prisão já há aos montes, mas tem que ser preservado o princípio do "devido processo legal" no qual se ancoram as leis. 

Só que nesse meio tempo o ex-presidente continua a conspirar. A atentar contra o Estado Democrático e de Direito. Não perde uma oportunidade sequer de falar em público, de viajar, arrotar valentia e, como fez ontem no Rio de Janeiro, dizer em público que não teme ser julgado, contanto o seja "por juiz isento". E o poder de julgar essa isenção é apenas dele e do gado que muje à sua passagem. Só que isso já ultrapassa a nossa paciência, a capacidade de suportar esse golpista e ditador de aldeia, esse projeto fracassado de chefe de Estado que decidiu não respeitar a Constituição do Brasil. 

Chega! Até quando? O ex-presidente brasileiro tem que ser contido, preso. Tem que passar muitos anos na prisão pagando pelo crime de ter tentado de todas as formas destruir a democracia brasileira tão arduamente construída entre 1964 e 1981 (foto). E é preciso lembrar: ela foi um projeto nosso, dos que hoje estão no poder tentando evitar a volta dele e dos fascistas que mantiveram a ditadura militar brasileira por 21 anos.                

9 de março de 2024

Os comícios de Lula


 A queda na popularidade do presidente Lula, medida essa semana por institutos de pesquisa sérios, deve ser motivo de apreensão. Mas, sobretudo, pode servir como parâmetro para que um novo norte de atuação do governo seja implementado e desenvolvido daqui para a frente. Parece claro, cristalino, que a comunicação dos últimos 15 meses está falhando e a oposição vai se aproveitar disso a cada dia mais e com maior força.

Os comícios de Lula, aqueles feitos no início da carreira política dele no ABC (foto) e que levaram à fundação do PT, ainda não desembarcaram da agenda do presidente. Ele saiu do sindicalismo, mas o sindicalismo não saiu dele e esse é um erro crasso. Nos dois primeiros mandatos do atual presidente como governante maior, o PT era visto como um símbolo da oposição à ditadura e ao presidente quase tudo era permitido. Uma espécie de "efeito teflon" manteve-o sempre com avaliação elevada. Mas hoje as coisas são muito diferentes. O PT não é mais símbolo de autoridade moral para milhares como era e o antipetismo surgiu como força no Brasil juntamente com o conservadorismo, o reacionarismo e o extremismo de direita puro e simples. Esse último é o perigo mais claro, mais pujante!

Quando assumiu o governo, Lula disse que não queria bajuladores, mas sim críticos de sua atuação. E como esse que aqui escreve torce pelo sucesso do governo para que a extrema direita não possa voltar, aqui vai uma contribuição sincera: Lula, saia do comício sindical! Desça desse palanque!  Ouça antes de falar, escreva antes de ter um discurso pronto e não fale de improviso. Noventa por cento de tudo o que você fala, Lula, é correto. Mas existe o modo exato de colocar as palavras, sobretudo em política internacional, sobretudo em reuniões de Estado, onde tudo, até mesmo uma tosse, vai repercutir.

A economia do Brasil está bem. Os projetos do governo que focam educação, saúde, inclusão social, apoio ao homem do campo e às atividades econômicas nas cidades é acertada. Há uma clara preocupação oficial para com o desenvolvimento nacional com justiça social e isso sempre faltou a nós. A oposição cria todos os obstáculos possíveis e imagináveis, mas isso já era esperado. Os chamados "evangélicos" formam um grande contingente de oposição, mas temos a exata noção de que esse bloco está nas "confissões" chamadas de neopentecostais e não nas religiões tradicionais. É a picaretagem travestida de religião quem impera nesse segmento e que quer ver o governo fracassar.

Se tudo isso é tão claro, voltar a subir nas pesquisas pode ser um trabalho de resultados positivos possíveis e talvez até rápidos. Basta corrigir o rumo. O brasileiro tem que conhecer mais as ações do Governo Lula. Falta comunicação, repito! O presidente precisa sempre agir e falar como estadista, tomando cuidado com os improvisos. Não pode aceitar provocações nem fazer bravatas em palanques. Esse tempo e o "efeito teflon" passaram. 

O tempo de mandato ainda é longo, mas o de correção de rumos urge. A extrema direita lambe os beiços de vontade de voltar. Ela se esconde nas trevas, nas redes de fake news, nas ações subterrâneas. Claro que isso pode e deve ser combatido sobretudo com processos judiciais e eles deveriam ser mais considerados hoje. Se ações como essa se somarem a um governo no rumo certo, Jair Bolsonaro e sua gang verão o mandato de Lula ser renovado ou quem vier a ser indicado por ele, eleito em 2026 para mais quatro ano no Planalto.

Mais do que isso: verão da cadeia.             

1 de março de 2024

Os novos nazistas atacam


Enquanto as forças armadas de Israel atacam os palestinos na Faixa de Gaza e promovem o maior massacre de que se tem notícia em tempos recentes, uma quantidade grande de pessoas teme denunciar governo de Israel para não sofrer acusações de antissemitismo. Bobagem. Esse termo é uma palavra moderna que serve para designar o ódio aos judeus e à sua cultura milenar. Isso não está em questão. O que se denuncia hoje é o crime de limpeza étnica cometido pelo governo israelense de extrema direita comandado por Benjamin Netanyahu e mais todos os novos nazistas que ele conseguiu reunir em seu "gabinete de guerra".

Esse governo ressuscita o antigo pensamento judaico que autoriza a morte de gentios, ou seja, não judeus e com base em princípios contidos na Torá, o livro sagrado do judaísmo e que contrapõe o Antigo com o Novo Testamento. Essa é raiz de todos os ódios nascidos, ainda segundo os textos religiosos, com a morte de Jesus, considerado um falso profeta e desprezado pelos judeus que não o têm como filho de Deus. Não pretendo entrar mais fundo nesse tema.

Se o leitor olhar bem a foto que ilustra meu texto vai ver a figura de um soldado israelense deitado no berço de uma criança palestina e, debochando dela, abraçado a um seu bichinho de pelúcia. O bebê havia sido morto, assim como milhares de outros desde que Israel invadiu a Faixa de Gaza como resposta ao ataque do Hamas em início de outubro último. Não apenas recém nascidos são mortos, mas também mulheres, idosos e demais civis palestinos que nada têm a ver com as atividades bélicas do Hamas.

E por que os soldados israelenses fazem isso? Porque desde jovens, sobretudo quando ingressam no serviço militar obrigatório de seu país, eles aprendem que os palestinos são pessoas frias, cruéis, a serviço do mal, da destruição da Grande Israel. Portanto, são gentios que não merecem viver. E esse pensamento é também compartilhado por boa parte da população civil de Israel, sobretudo e principalmente a parcela que adota como sua ideologia oficial o extremismo de direita, discricionário e fomentador de ódios.

Foi a extrema direta alemã ocupada pelo nazismo quem gerou o episódio hoje chamado de holocausto e que matou seis milhões de pessoas. Para o nazismo os principais seres inferiores eram os judeus, mas não apenas estes. Também o eram comunistas, deficientes físicos, deficientes mentais, negros, ciganos, homossexuais e todos aqueles que não comungavam totalmente com os valores arianos. Transportado para os dias atuais, esse pensamento é rigorosamente idêntico ao do extremismo político de Israel que mata palestinos. A intenção é a de elimina-los da face da terra ou pelo menos da região onde só deve ficar a Grande Israel! Afinal, como os governantes atuais do Estado Judeu dizem, palestino não é povo e apenas se constitui em um grande bando de animais.

Por isso os novos nazistas atacam. Eles não são diferentes em nada dos velhos nazistas!          

27 de fevereiro de 2024

O Estado Laico é o alvo


O domingo dia 25 de fevereiro representou os estertores dos esforços do genocida inelegível para não se tornar também presidiário. Não vai funcionar, tomara. Mas o perigo não estava nas palavras explícitas que foram ditas ao longo daquela tarde pela maioria sobre um trio elétrico, mas no que escondia o evento pago pelo "pastor" Silas Malafaia com dinheiro de seus fieis, sobretudo nas palavras da ex-primeira dama Michele Bolsonaro (foto) e através das quais ela defende claramente a invasão do controle político pelas tais "igrejas neopentecostais" do Brasil. O que eles querem é atacar as bases do Estado Laico onde se ancora nosso país desde sempre.

Foi triste ver um batalhão de pessoas perdidas na mais importante avenida de São Paulo. Não foi engraçado ouvir algumas delas enaltecendo o "cristianismo" de Israel. Ou então outras tentando cantar sem saber a música "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores", de Geraldo Vandré, um hino do combate à ditadura militar de 1964. Vimos velhas carcomidas pela idade e ignorância tentando sambar uma espécie de samba do crioulo doido fascista nas calçadas ou no asfalto daquele ponto famoso da maior cidade do Brasil e que hoje é administrada pela pobre figura caquética do prefeito Ricardo Nunes.

Assustava o pauperismo intelectual da maioria daquela gente!

E digo isso para citar inclusive aquelas que estavam aboletadas sobre o trio elétrico principal e o outro. São um retrato fiel e desesperador do que é o bolsonarismo, a extrema direita no Brasil. Ontem mesmo, enquanto eu esperava a abertura da agência do Banestes de Jardim da Penha, aqui em Vitória, uma senhora idosa resolveu gritar a plenos pulmões e sem ser provocada nem nada, um "Quando vai sair o impeachment do Lula?" Afora um senhor também carcomido pelos anos que defendeu o fuzilamento de todos do atual governo, ninguém mais se manifestou. Eles foram embora.

Conforta o fato de que a imensa maioria dessa gente envelheceu. Há jovens, sim, mas são a minoria. Mas assusta sabermos que parte deles, sobretudo a mulher do ex-presidente, representam o projeto das correntes neopentecostais de atacar as bases do Estado Laico, em um plano de mudar a Constituição. Esse é o caso de Malafaia e dos demais chefes das principais correntes existentes, principalmente a Igreja Universal do Reino de Deus. Por isso insistem sempre em anunciar o Brasil como "país cristão". Por isso cresce a bancada evangélica aliada à da bala e à do boi, todas interessadas em criar para nós um novo caminho distante daquele que nos trouxe até aqui.

Esses "evangélicos" estão espalhados por todos os partidos de direita ou extrema direita. E isso é um projeto! Para eles o partido é apenas uma sigla sem sentido que pode ser descartada em qualquer momento. Por isso é importante que eles se espalhem nas câmaras e no Senado. O projeto visa principalmente as eleições para a renovação senatorial, quando serão eleitos dois senadores de cada Estado. Se fizerem maioria estarão com a faca e o queijo nas mãos e poderemos ver morrer o Brasil que construímos um dia.

Repito, esse é o projeto. E o Estado Laico em que vivemos é o que nos trouxe paz até hoje e uma vida distante de movimentos separatistas e de perseguição política e religiosa institucionais. Resta lutar e denunciar. Caminhando e cantando e vivendo a canção. Ainda creio que somos todos iguais, braços dados ou não! 

22 de fevereiro de 2024

Diplomata de botequim


A diplomacia é um terreno sutil e difícil de ser trilhado com perfeição. Por isso exige tanto preparo. No Brasil, ingressar no Instituto Rio Branco e se tornar diplomata é sonho de muita gente e realização de poucas. Quem consegue se dedica de corpo e alma a essa atividade necessária ao bom relacionamento entre nações. Por isso jamais concordei com um costume que vez ou outra o Brasil trilha e que é o de dar cargos de diplomacia como presente a políticos, sobretudo ao final de mandatos. Isso pode prostituir a atividade porque vai colocar leigos oportunistas como chefes de missões.

Não é raro governantes meterem os pés pelas mãos e cometerem impropriedades nos momentos mais delicados do relacionamento entre nações. Como aconteceu exatamente agora, quando o presidente dos Estados Unidos usou um "son of a bitch" para se referir ao presidente russo Vladimir Putin. Talvez ele realmente possa ser assim considerado por seus detratores, mas um chefe de estado de nação que mantém relações diplomáticas com os russos deveria se abster de falar. Mas, enfim, falou.

Muitos estão criticando Lula por ter, numa entrevista, dito que "Hitler matou judeus" na Segunda Guerra Mundial no episódio do holocausto. E é verdade. Não era uma declaração oficial, nem ele estava falando para nações em uma assembleia geral, mas foi tocado um ponto delicado da história recente da humanidade. Lula não é diplomata e o Itamarati tem meios e modos de corrigir esse tipo de gafe por intermédio de seus profissionais.

O assustador é todos vermos o chanceler de Israel, homem que deveria estar em sintonia com os hábitos e linguajares de sua atividade, descer a nível rasteiro em rede social para atacar o presidente brasileiro como numa discussão de botequim. E ainda mais levando para o centro do debate uma brasileira que havia sido sequestrada e resgatada do Hamas (foto). Mais do que isso, esse chanceler Israel Katz mentiu o tempo todo, distorcendo a fala do brasileiro e tentando capitalizar o episódio para deslocar o foco da crise que seu país enfrenta num momento em que  autoridade do primeiro ministro é questionada internamente. Ainda humilhou o diplomata brasileiro falando em uma língua não dominada por ele e portando um microfone de lapela para gravar a fala do "oponente".  

Israel já tem um chefe militar em cargo de ministro que se refere aos palestinos como "animais", uma ministra de pasta ligada a colonização de terras estrangeiras roubadas ilegalmente capaz de dizer que o palestino não é um povo, e agora uma outra que fala: "Estou orgulhosa das ruínas de Gaza. os bebês palestinos lembrarão de nós". Todos são do Likud, o partido da extrema direita israelense. Todos são tão nazistas como foram os da Alemanha entre 1933 e 1945 quando houve a derrocada do nazifascismo.

Qual é a diferença entre o episódio da Segunda Guerra Mundial e o massacre dos palestinos agora? Talvez somente uma questão de escala. A extrema direita precisa de inimigos para sobreviver. Não sabe fazer nada sem eles. Hitler uniu grande parcela do povo alemão no ódio aos judeus. Bons alunos. os nazifascistas de Israel usam a receita para exterminar os palestinos, seus inimigos. Todos, sem exceção alguma. só sabem odiar e destruir.  

19 de fevereiro de 2024

Sionismo é morte


Erra por ignorância ou absoluta má fé quem confunde um ataque ao Estado de Israel com uma dura crítica aos desvarios de extrema direita do sionismo israelense encastelado no governo que é hoje liderado pelo extremista genocida Benjamin Netanyahu. Talvez o único erro do presidente Lula tenha sido não deixar isso bastante claro na crítica que fez ao se despedir da África domingo. Todos os que agora investem contra o Brasil em decorrência das declarações dadas pelo governante passam por cima dessa evidência.

Desde o massacre de Sabra e Chatila entre 19 e 20 de setembro de 1982, quando de 800 a 2000 pessoas, a maioria palestinos, foram assassinadas por milicianos maronitas que agiam apoiados pelas forças armadas de Israel, sabe-se que o plano da extrema direita israelense, mais precisamente do sionismo daquele país, é a completa aniquilação da população palestina. Ontem isso foi feito no Líbano. Hoje, na Faixa de Gaza. A extrema direita de Israel quer que o povo palestino seja exterminado para que não haja a menor possibilidade de haver uma "solução de dois estados", como se pede para aquela região.

Aliás, só para constar, a "solução final para o caso judeu", de Hitler, não era diferente.

Se nós formos agora imaginar que crimes de facções políticas extremistas podem e devem ser confundidas com as imagens dos países aos quais elas estão ligadas, seria o caso de acusarmos os alemães e a Alemanha de serem responsáveis pelos crimes perpetrados pelos nazistas no período compreendido entre 1939 e 1945. Ou então, pelo projeto da medíocre extrema direita do Brasil, que a partir de 2018, pretendia criar em nosso país um nazifascismo tupiniquim, que ele envolve todos os brasileiros e que o povo é cúmplice dos projetos megalomaníacos de um capitão expulso do Exército de nosso pais.

Não e assim. As forças armadas de Israel cometem crime de genocídio em Gaza desde outubro passado para se vingarem do ataque do Hamas feito pouco antes. E se alguém ainda acredita no discurso de Netanyahu que justifica as ações de seu governo como tendo apoio no direito internacional, deve dizer em que leis o sionismo se baseia para invadir ilegalmente a Cisjordânia e montar lá inúmeras colônias de judeus violentos que aos poucos estão massacrando as populações locais. Famílias que deixam suas casas pela manhã para trabalhar, à tarde não têm para onde voltar porque seus bens foram todos tomados.

Sim, Israel, por seus governantes atuais, comete crime de genocídio e quer eliminar os palestinos de sobre a face da terra. Não há como questionar isso. Desgraçadamente. E também desgraçadamente, sionismo é morte.              

17 de fevereiro de 2024

Dia 25, o ato final


Parece mentira, mas o genocida inelegível encontrou forças para convocar um ato para o domingo dia 25 deste mês na Avenida Paulista, icônico endereço de São Paulo (ilustração). Quantas vezes fiz esse trajeto, na maioria dos casos saindo da Rua Maestro Cardin onde moravam meus pais para a Consolação, onde iria ver algum filme no lindo Cine Belas Artes. Até hoje me recordo com saudade daqueles quase quatro quilômetros em linha reta que são historia pura. Pois mais uma vez a Paulista vai ser palco de um ato espúrio.

Esse ex-presidente pretende fazer do dia 25 os estertores de sua aventura nazifascista, na derradeira oportunidade em São Paulo onde conta com o beneplácito de um prefeito medíocre e simpatizante. Que seja preso nesse dia, logo em seguida ou antes de embarcar para lá. Dizer que vai receber seus correligionários em defesa da democracia é um escárnio. Um atentado à inteligência das pessoas mais informadas. O indivíduo que infelicitou o Brasil por quatro anos passou esse tempo todo planejando um golpe de Estado. Fez o que era possível fazer e só não teve sucesso em seu projeto porque, acredito, ficou sem o apoio da maioria dos comandantes militares com poder de decisão.

Fomos nós, a centro esquerda e a esquerda do espectro político brasileiro os responsáveis pelo fato de estarmos hoje numa democracia renascida das cinzas com a Constituição Cidadã de 1988. Se isso tivesse dependido da vontade da extrema direita brasileira estaríamos ainda agora entregues à ditadura militar que prendia ilegalmente, torturava e matava brasileiros todos os dias. Então como pode esse canalha fazer uma convocação popular em nome da defesa de uma democracia que ele tanto despreza?      

Há registros de centenas de falas do sujeitinho e nas quais ele tece loas aos chefes da ditadura militar brasileira, a elogia e diz apoiar tortura, fechamento do Congresso, do Supremo Tribunal Federal, além de adotar como de seu governo o slogan "Deus, Pátria, Família", que era de Benito Mussolini e ao qual acrescentou um "liberdade" para disfarçar. E mal, porque quem gosta de ditadores, de tortura e do fechamento do Legislativo e do Judiciário sabe que, para ele, a liberdade só serve a seus capangas.

É impossível enumerar aqui os crimes praticados pelo genocida inelegível, tantos são eles e tão pequeno é o espaço ao qual me imponho nesses artigos. E quem estará a seu lado dia 25 patrocinando o ato espúrio da Avenida Paulista? Silas Malafaia, prova viva de que as chamadas "igrejas neopentecostais'" são o melhor lugar para se lavar dinheiro no Brasil de hoje. Juristas de renome dizem que só faltam detalhes para que esse pústula, representante do nazifascismo brasileiro seja preso e condenado a longa pena. Tomara esse tempo se esgote quando chegar o último domingo de fevereiro.       

8 de fevereiro de 2024

Até quando?


"Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra"

As catilinárias, cuja expressão principal roubo acima, são uma série de quatro discursos do cônsul romano Marco Túlio Cícero (ilustração), feitos em 63 a.C. Ele denunciava a conspiração que fazia o senador Lucio Sérvio Catilina para tentar tomar o poder romano. E prosseguia num texto que agora para mim trago do latim para o português: "Não vês que tua conspiração foi dominada pelos que a conhecem?"

Nos dias de hoje essa expressão na qual Cícero pergunta até quando Catilina, um político falido mas que não queria deixar o poder vai abusar na paciência alheia, foi em diversas ocasiões transferida para o nome do genocida inelegível que desfila em carros de trio elétrico pela orla da Baixada Santista discursando pobre e livremente aos seus correligionários. Ele quer retornar ao poder de qualquer forma e faz isso ao abrigo de uma central de construção de narrativas falsas e que pretende levar uma parcela da população brasileira a acreditar que estamos diante de uma quase revolta popular.

Fazem uma espécie de samba de uma nota só, mas bem pobre em conteúdo. Vira e volta passo os olhos por endereço de redes sociais nas quais essa gente pontifica. E eles distribuem textos idênticos. Essa espécie de central, que já foi chamada de gabinete do ódio produz o 'conteúdo' que o gado divulga. Tudo igual, sem sentido. Bem diferente do que faço e do que fazem milhares de outras pessoas quando estas escrevem sobre política brasileira denunciando o golpismo explícito do exército de criminosos das redes sociais.

Agora mesmo eles, o gado destronado, distribuem uma 'denúncia': milhões de brasileiros inconformados com os desmandos do Judiciário, Legislativo e grande parte do Executivo se preparam para invadir a Avenida Paulista e outras grandes artérias brasileiras para derrubar essa ala podre da vida nacional e instalar um governo que os represente. Seria engraçado se não fosse ridículo. Mas o discurso se sustenta em parte ancorado na nada desprezível parcela golpista das Forças Armadas que sonha com novo golpe de Estado apoiada pela extrema direita despida de ideias e armada de ódios.

É triste. E mais triste ainda é ver como o genocida inelegível se movimenta livremente pelo Brasil e fora dele pregando atos inconstitucionais sem ser detido. Falando todas as asneiras possíveis sem que o braço da lei o impeça. E assim "ri-se a orquestra irônica, estridente,..E da ronda fantástica a serpente faz doudas espirais..." (obrigado, Castro Alves).

E eu, da minha incompreensão para com essa imobilidade que alimenta o golpismo desenfreado dos loucos pelo poder, apenas pergunto: "Até quando?" 

     

2 de fevereiro de 2024

"Meninos, eu vi!"


"Meu canto de morte,

guerreiros, ouvi:

Sou filho das selvas,

nas selvas cresci;

guerreiros, descendo da tribo tupi."

Foi ouvindo na TV a notícia do encontro de remédios destinados aos povos Yanomami jogados numa fossa em Roraima que me veio à mente o monumental poema "i-Juca Pirama", de Gonçalves Dias. Ele cantou a saga dos guerreiros timbiras e usou como título a expressão tupi que significa dizer "aquele que deve morrer". Foi uma professora minha da época de início de ginásio em São Paulo quem nos botou a todos os alunos em contato com essa poesia épica. Tenho certeza de que o grande poeta jamais imaginou que num dia desgraçado medicamentos seriam jogados numa fossa para que indígenas morressem em suas terras, definhando como se em campos de concentração nazifascistas.

Como surgiu isso no Brasil?

No meu romance "O faxineiro" descrevo uma passeata ocorrida em São Paulo às vésperas da edição do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, quando a Avenida São João estava tomada por estudantes, soldados da Polícia Militar e os brucutus, carros blindados que jogavam água e areia sob alta pressão contra os manifestantes que combatiam a ditadura militar capaz de nos infelicitar por 21 anos. A gente usava bolas de gude para derrubar cavalos...

Ali estava o ovo da serpente!

Foram os 21 anos de negação dos princípios do Estado Democrático e de Direito o que gerou o Brasil de hoje. Muito mais do que um ex-presidente inelegível e genocida, muito além daquelas "marcha da família com deus pela liberdade", o despertar de nosso extremismo de direita, do reacionarismo de grande parcela da população brasileira veio ao mundo nos anos que nasceram pouco antes do AI-5 e sobretudo depois dele. De 1964 - foi em primeiro de abril, OK? - até 1985 todos os pudores se foram e essa parcela do Brasil passou a ter orgulho de dizer "sou de direita", na maioria dos casos sem saber o que é isso, sem separar conservadorismo do reacionarismo crescente e desfilar pelas ruas impune e desavergonhadamente pedindo intervenção militar em nossas vidas.

E, pasmem, as rezas para extra terrestres, pneus e o ajoelhar patético diante dos quarteis militares não foram o ápice dessa onda de enlouquecimento sem sentido. Nem mesmo a tentativa de explodir um artefato terrorista próximo do aeroporto de Brasília para gerar uma ditadura fabricada e encomendada pelo genocida e seus asseclas. Por mais desgraçado que possa parecer, é o encontro dos medicamentos enviados aos indígenas descartados numa fossa o que representa esses tempos, esse desvario. É a tentativa de massacrar nossos povos originários o ápice do plano de destruição do Brasil brasileiro, esse que construímos em 524 anos.

Se amanhã ou depois alguém duvidar disso, de que os brasileiros levaram milhares de indígenas à morte pela fome e por doenças como a malária, nós se estivermos vivos poderemos dizer, ainda que com lágrimas nos olhos um: "Meninos, eu vi!"

Eu pelo menos vi!     

30 de janeiro de 2024

O PIX e o "esculachado"


O Brasil, por seus representantes mais torpes, vem se notabilizando por enfrentar normas constitucionais em defesa de interesses privados e corporativos. Isso acontece hoje no caso da invasão de competência da ABIN e da "criação" das emendas PIX por parte dos políticos federais para envio secreto de verba pública a prefeituras nesse ano de eleições municipais. O ex-presidente novamente flagrado cometendo crimes reage da forma como sabe e é de seu nível: está sendo "esculachado"!

Sem revelar o nome, digo que conversei com uma pessoa responsável pelo assessoramento direto a um prefeito de município importante do Espírito Santo. Ele disse claramente que "os PIX de transferência de dinheiro das emendas parlamentares são usadas para que prefeitos as paguem em "custeio". De quê? Da contratação de pessoas que vão trabalhar nas campanhas, usar a máquina pública para reeleger esses prefeitos dos municípios de interesse daqueles que lidam com esse dinheiro que vem dos impostos pagos pelos cidadãos". Isso é ilegal, mas de que importa?

O STF considerou inconstitucional o orçamento secreto, mas a classe política jamais aceitou isso. Primeiro emparedou o atual presidente da República para que ele liberasse o dinheiro por intermédio das verbas parlamentares ou outros meios. Depois e agora, para que tudo voltasse a ser secreto via PIX. Ficou a mesma coisa ou pior, porque o avanço da classe política sobre o orçamento da União se tornou acintoso. A única saída é mais um recurso ao STF para que esse volte a considerar essas práticas como inconstitucionais. Ou isso ou então o Executivo não será mais quem controlará o orçamento federal. O Judiciário vai ser novamente acusado de intromissão em outro Poder, mas dane-se. Não há alternativa.

Essa aberração surgiu quando o ex-presidente genocida e inelegível ficou nas mãos do Congresso, mais precisamente nas do presidente da Câmara, Artur Lya, e teve que ceder a cada dia mais poder ao Legislativo para não sofrer processo de impeachment. Esse sujeito que ontem, barriga de grávida de oito meses (foto) ao lado do filho Carluxo teve que fugir de lancha em Angra dos Reis descartando provas no oceano, é um criminoso contumaz. Difícil continuar entendendo como ele ainda não está preso. Talvez seja porque fala sempre em seu linguajar chulo, de individuo vindo da sarjeta, e se defende dizendo que está sendo "esculachado".

Isso é linguajar de ex-presidente? No caso presente, sim. Nós, os brasileiros, elegemos essa pústula na calda de cometa do ódio ao PT quando se findou o governo Dilma/Temer. Ele passou quatro anos enfrentando a Constituição. Não satisfeito, lançou tentáculos que ainda hoje estão presentes em organismos de Estado como a ABIN. E para defesa pessoal, dos filhos e de interesses inconfessáveis. Chega!

É hora de o Judiciário ser provocado para se manifestar contra o desrespeito à decisão de considerar o orçamento secreto inconstitucional. Via OAB? É hora de a Justiça dar um basta à sequência de ilegalidades do clã Bolsonaro. De outra forma eles não vão parar. Nem o ex-presidente desqualificado, nem o Congresso oportunista por seu representante maior, Artur Lyra.        

26 de janeiro de 2024

Só não deu certo...

A gente ria vez ou outra. Um prefeito de Guarapari resolveu filosofar para homenagear seu balneário: "Guarapari, país calmoso e hereditário. Onde se respira o ar puro por consequência. De um lado um oceano marital e do outro um oceano matagal". De outro caso fui testemunha. O prefeito queria mostrar as obras de seu governo e encomendou um vídeo. Mas ficou grande porque "as minhas 'realização' são muitas". Então ele resolveu diminuir para deixar "na faixa etária dos dez minutos".

Era engraçado. Marinho Delmaestro, figura folclórica, foi ao Maracanã ver um jogo do Botafogo e ouviu os torcedores gritando: "Marinho, Marinho..." Era para Marinho Chagas, lateral esquerdo. Mas o político voltou impressionado com "a responsabilidade que tenho 'sob' os ombros". Em outra ocasião, discursou contra a riqueza em contraposição com a pobreza: "porque, meus 'amigo', enquanto os 'rico' dormem em cama com colchão de mola, os pobres estão no catre de pau duro". E por aí vai...Um prefeito de Cariacica discursava e começou a ser vaiado. Não aceitou: "É por isso que essa merda não 'progrede'....

Por que a política perdeu a graça? Porque nós retiramos a extrema direita do esgoto. Antes votávamos mal, mas elegíamos vez ou outra gente inculta, com quase nada de ensino formal, mas boas intenções. De 2018 e de lá para cá os nossos púlpitos municipais, estaduais e federais ficaram recheados de pessoas com ódio, a maioria das quais se especializou em usar redes sociais para disseminar sua raiva. E elas não têm apego algum ao que chamamos de "Estado Democrático e de Direito".

A última novidade foi a utilização da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) para arapongagem. Tudo rigorosamente ilegal. Com um presidente da República à frente das ações golpistas os atos foram praticados ao longo dos quatro anos de mandato dele para que uma ditadura militar o mantivesse poder no caso de não reeleição. A última, a derradeira tentativa depois de uma horda de idiotas ficar durante meses à frente de quarteis de instituições militares foram os atos espúrios de 08 de janeiro de 2023.

Todos, rigorosamente todos merecem ir para a prisão, a começar pelo ex-presidente. Eles trabalharam o tempo todo pelo caos, pela destruição de nossas caras instituições civis garantidoras do ordenamento democrático - vejam-nos nos palanque, a maioria deles nessa foto - e acreditavam que teriam sucesso em sua empreitada. Só não deu certo...
  

12 de janeiro de 2024

O genocídio palestino existe


A imprensa nacional brasileira está toda voltada contra a posição da nossa chancelaria, que apoiou a denúncia da África do Sul contra Israel, acusado de genocídio do povo palestino na guerra que se desenrola desde o início de outubro último. Para a maioria dos meios de comunicação controlados pela elite nacional, a posição do Brasil quebra uma tradição de neutralidade e "equilíbrio" nas questões internacionais. E mais: não podemos mais ser interlocutores em conflitos entre países. Será?

Se recuarmos a 18, 19 e 20 de setembro de 1982 estaremos diante de um fato incrível: a milícia maronita libanesa de Elie Hobeika invadiu os campos de refugiados de Sabra e Chatilla e matou mais de 2.400 palestinos libaneses indefesos. Para fazer isso, contou com a ajuda do exército de Israel que cercou os campos impedindo que as pessoas que seriam mortas, na sua maioria mulheres, velhos e crianças, pudessem fugir. Esses fatos se deram logo depois de o líder libanês Bashir Gemayel ser assassinado num atentado a bomba no Líbano. Diretamente envolvido no massacre, Israel foi acusado de genocídio pela primeira vez na ONU. Mas ficou impune graças ao direito de veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança.

Desde sua criação em 1948, Israel só fez expandir ilegalmente suas fronteiras com a ajuda da extrema direita judaica que acredita serem os judeus donos de toda a região da "Grande Israel". E o país foi crescendo sobre milhares e milhares de cadáveres. Quando da criação do Estado judeu a ONU recomendou - mas não determinou - que a Palestina também fosse criada. No desenho original as terras dadas aos judeus à revelia da vontade dos povos que moravam na região já eram muito maiores do que as que ficariam com os palestinos, moradores seculares das terras e muito mais numerosos. E os governos que se sucederam em Israel, afora o comandado por Menachem Begin, jamais tiveram a intenção de reconhecer a Palestina e conviver com ela em dois estados soberanos.

A história é longa, mas vamos reduzir: desde há décadas os judeus babam de vontade de tomar para si a Cisjordânia. De uns tempos para cá, de modo desavergonhado, foram ocupando a região aos poucos de forma ilegal e enviando colonos para lá. Muitos palestinos chegaram em casa e descobriram que ela não era mais sua. Família judaicas estavam instaladas nos lugares tomados à força. Quando as nações que lutam pela legalidade nas relações internacionais vão denunciar esses crimes?

Isso justifica o ataque do dia 07 de outubro? Não, mas o explica. Muitos movimentos palestinos, sobretudo o Hamas que é sunita, se recusam a aceitar a agressão. E promovem outra ainda maior. Esse movimento é chamado de terrorista pela mídia ocidental. Nas grandes corporações jornalísticas, sobretudo do Brasil, repórteres, editores e comentaristas têm que usar o termo "terrorismo" ao se referirem a atos de Hamas. Mesmo se discordarem. Mas Israel jamais é alvo da mesma classificação, apesar de suas ações atuais tirarem a vida de milhares de crianças palestinas, como as da foto. O estado judeu, não obstante, se tornou um estado terrorista e o que acontece em Gaza é mesmo genocídio.

A posição do Brasil está correta! 

9 de janeiro de 2024

Os insensatos


Tudo o que havia para ser dito sobre o 8 de janeiro de 2023 (foto) foi falado ontem. As TVs - sobretudo - passaram o dia todo transmitindo de Brasília ações alusivas ao primeiro ano dos fatos. Ao final da programação, já tarde da noite, foi a vez de serem focalizadas as tentativas de reconstrução da realidade por parte dos bolsonaristas mais fanáticos que rezam para pneu e esperam a ajuda dos extraterrestres. Eles insistem em que aconteceu no Brasil um legítimo protesto contra uma eleição fraudada, embora todas as evidências apontem em sentido contrário. Aconteceu, sim, uma tentativa de golpe de Estado.

E isso não foi um fato isolado, gestado espontaneamente. Guardo na lembrança as imagens do então presidente da República montado em um cavalo na Esplanada dos Ministérios, qual um Napoleão de hospício, saldando seus correligionários. Ou então ele na Avenida Paulista montado num palco garantindo aos que haviam lotado a avenida que não mais respeitaria ordens do Supremo Tribunal Federal. Tudo isso era parte do projeto de não passar o poder aos adversários, sobretudo Lula caso não conseguisse se reeleger. Estava tudo programado pelo Gabinete do Ódio do Palácio do Planalto.

Tenho hoje a mais clara convicção de que esse ex-presidente tinha certeza de que o golpe viria caso ele não conseguisse, como tentou seguidamente, vencer a eleição por meio normal. Normal que a gente diz é comprando votos, bloqueando estradas e atacando não apenas o Supremo Tribunal Federal, mas também as urnas eletrônicas que tentou desacreditar o tempo todo para levar o povo a crer que haveria fraude. Quase houve realmente, mas ela vinha do outro lado, daquele grupo de insensatos que ajudavam o Bozo maluco na sua tarefa de tentar destruir a nossa frágil (?) democracia.

E ele esteve perto de conseguir. Se a ala das Forças Armadas sem ligação com a legalidade tivesse conseguido convencer o alto comando a embarcar na aventura estapafúrdia do golpe nós estaríamos hoje num regime de exceção tão grave ou até pior do que aquele que nos infelicitou de 1964 a 1985. Sim, até pior porque o ex-presidente tem menos escrúpulos do que os ditadores que se revezaram no poder ao longo dos 21 anos de nossa última e mais cruel ditadura militar.

Mas eles perderam. Os insensatos - e estou usando um temo leve - lambem suas feridas. Tomara terminem todos a fazer isso na Papuda.       

4 de janeiro de 2024

Salve Júlio Lancelloti!


Um dia da semana passada fui almoçar num restaurante aqui do bairro de Jardim da Penha onde moro, em Vitória. A comida é boa e a gente é servido em mesas colocadas na calçada. Estava comendo quando um morador de rua me abordou dizendo que estava com fome. Pedi que um prato fosse servido a ele. Então mais dois dos inúmeros homens e mulheres que vivem nas nossas ruas vieram pedir também e tive que dizer que não poderia dar comida a todos. Um deles me xingou de "riquinho filho da puta". Continuei a comer normalmente, mas confesso que o alimeto teve gosto ruim daí em diante.

Por que a gente miserável e capaz de odiar os pobres do Brasil quer atacar o padre Júlio Lancelloti? Ele luta dia a noite, todos os dias, para minorar a dor daqueles que passam fome nas ruas de São Paulo. São iguais aos daqui, sem diferença alguma. Fazem isso para ganhar as eleições? Para aparecerem como heróis aos desqualificados da extrema direita? Eles nunca pensaram em abrir CPI para investigar os "bispos" e "pastores" das falsas denominações evangélicas interessados apenas em enriquecer, em não pagar impostos e em retirar dinheiro do Brasil escondido em aviões executivos para levar ao exterior. São oportunistas da pior espécie, criminosos como esse vereador de São Paulo que é capaz de gastar milhões de dinheiro público em festas e viver de atacar a honra alheia.

Sou ateu convicto. Mas também pessoa convicta da necessidade de defendermos gente como o padre Júlio Lancelloti. Sem ele a vida do povo das ruas seria ainda mais duro do que já é. Com o pouco que sei sobre religião, sobretudo com relação à católica, entendo que o homem nascido numa manjedoura há pouco mais de dois mil anos falava a língua desse padre e não a da gente odiosa e capaz de discorrer sobre Deus com armas na cintura e sentindo ódio daqueles que não comungam com seus pensamentos. Eles são aliados do falso messias que governou o Brasil até faz pouco tempo, pregando o ódio entre as pessoas e provocando a desunião de amigos, parentes, até pais e filhos.

Não há de ser o governador de São Paulo, preocupado em promover "excludente de ilicitude" nas polícias de seu Estado quem vai lutar pelo povo das ruas. Isso continuará entregue às pessoas que têm no amor a próximo sua profissão de vida. Aqueles que se sentem agredidos também com as muitas tentativas de destruição do Estado Democrático e de Direito do Brasil acontecidas recentemente e denunciadas como fez ontem o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Acreditem: nós vamos vencer todas as adversidades em nome de um princípio basilar: justiça social.

Salve Júlio Lancelloti!    

        

31 de dezembro de 2023

Pazolini é só um boneco


A atual administração municipal de Vitória, através da Secretaria da Educação, retirou do acervo das escolas municipais recentemente três livros que eram usados com destinação didática. Um deles de uma autora capixaba foi considerado indigno de ser usados pelos alunos porque, em determinado trecho, a escritora usou o termo "todws", uma designação que nos remete ao homossexualismo. Isso para os militantes de extrema direita é um pecado mortal. Indigno de ser visto por crianças. Deve merecer a forca mesmo!

Até pouco tempo no Brasil as pessoas usavam o cumprimento "todos" quando se dirigiam a uma plateia porque ele se referia à totalidade dos presentes. Então alguém inventou "todos os todas" achando que o hábito antigo excluía as mulheres do cumprimento, embora isso seja obtuso. Mas, com o objetivo de não deixar ninguém fora da saudação vieram outros para acrescentar o "todxs". Um modismo idiota, mas que não podemos criticar para não sermos chamados de "homofóbicos" e politicamente incorretos.

O prefeito de Vitória é fascista tupiniquim e nem deve saber disso. Talvez ele não use o "anuê", cumprimento dos seguidores de Plínio Salgado, admirador de Hitler e Mussolini e responsável pela vinda dessa ideologia para o Brasil (vejam a marca acima). Mas cultiva o eleitorado na extrema direita política que tem muita força no Estado. Essa corrente, que teve importância enquanto o nazifascismo ocupava a Europa de 1930 a 1945, está ressurgindo agora na calda de cometa de um crescimento do autoritarismo no Velho Continente, isso aliado à onda de xenofobia que despreza os imigrantes, sobretudo africanos.

O lema que eles trouxeram para cá, "Deus, Pátria, Família" e que era de Benito Mussolini, foi acrescido do  "Liberdade" por Jair Bolsonaro, o atual líder da corrente. O que não faz sentido, posto que esse ex-capitão literalmente expulso do Exército sempre foi apoiador de tortura física e da ditadura que infelicitou o Brasil por 21 anos através de prisões ilegais, torturas e assassinatos em organismos dos porões do regime. Que liberdade é essa? Que Deus é esse que se esconde nos subterrâneos das masmorras onde vidas são destruídas?

O fascismo brasileiro desenvolvido por intermédio de Plínio Salgado tem algumas características que o diferem do modelo europeu, mas não num ponto: o conservadorismo (reacionarismo) visa sobretudo impor à sociedade, porque ela é inimiga dos "costumes", princípios que não permitem sequer a citação - que se diga a glorificação - do homossexualismo e suas hoje diversas variantes vistas no nosso dia-a-dia. A isso se soma mais uma infinidade de outros dogmas (?), muitos dos quais sequer podem ser considerados com parte do catolicismo conservador no qual a crença se ancora.

O coitado do prefeito de Vitória é só um boneco manipulado! Ele vai na onda de seu líder maior, seu mito, na expectativa de conseguir galgar postos na hierarquia da política regional para ver se chega à nacional. E para fazer isso precisa satisfazer às alas mais imbecilizadas do nosso espectro do atraso cultural tirando livros das estantes de escolas e bibliotecas públicas. Felizmente essa onda vai passar e não se pode mais queimar livros em praças públicas como nos tempos em que os nazistas comandavam a Alemanha.   

22 de dezembro de 2023

O único caminho é o STF


Os episódios envolvendo as votações do Orçamento brasileiro, da LDO e até mesmo os diversos tipos de  emendas a que os parlamentares lançarão mão no ano que vem, principalmente os quase R$ 5 bilhões de financiamento da campanha eleitoral, representam uma página negra na história do Poder Legislativo brasileiro. Nós não estamos mais numa democracia republicana. O que estamos vendo hoje e que já vem se mostrando desde há cinco ou seis anos é uma gradativa tomada de poder por parte de parlamentares eleitos para representar a população, agindo em nome e em benefício dela. O Legislativo brasileiro se prostituiu de forma definitiva e só mesmo recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF) os cidadãos desse país poderão retomar as rédeas de seu destino.

Os brasileiros elegeram, nas últimas eleições, o pior Congresso de todos os tempos. Não é correto dizer que se trata de um poder conservador. Talvez nem mesmo reacionário. Estamos hoje à mercê de um grupo usurpador do Estado Democrático e de Direito comandado pelo que se chama normalmente de Centrão e que agora passa a ser apoiado até mesmo por outras siglas fora dessa órbita. E como a goela dessa gente não tem fundo, é de se prever que ano que vem eles vão querer ainda mais do que os R$ 53 bilhões do orçamento assaltados agora, talvez até que o Poder Executivo seja um mero executor de ordens. E vão continuar comemorando isso aos gritos como foi feito agora e está na foto acima.

O orçamento é elaborado com base em estudos de direcionamento dos recursos do Tesouro, todos eles oriundos dos impostos que pagamos todos nós. O Congresso encontrou nas emendas parlamentares agora que parecem não ter mais fim uma forma de driblar o Poder Judiciário após este ter considerado inconstitucional o tal "orçamento secreto". Sim, esse não é tão secreto assim, mas dá campo a todas as desonestidades possíveis e imagináveis. Com R$ 5 bilhões de verba para gastar nas eleições municipais de 2024 não tenho dúvida de que muita gente vai pura e simplesmente botar dinheiro no bolso.

Hoje eu conversava com amigos na casa destes e ouvi deles que a Prefeitura de Cariacica, depois de negar abono ao funcionalismo por falta de recursos, enviou cestas de Natal que imagino serem muito caras a todos os deputados estaduais da nossa "briosa" Assembleia Legislativa. O prefeito sabe onde colocar dinheiro e por qual motivo faz isso! Da mesma forma, os vereadores de Vitória querem uma nova sede para seu endereço porque a atual está muto mal cuidada e pode desabar na cabeça deles. Não querem que o povo tenha essa sorte de mega sena política. E assim como esses dois exemplos capixabas que dou aqui, centenas - ou seriam milhares? - de outros podem ser encontrados pelo Brasil afora.

É preciso que essa excrescência vá ao Supremo Tribunal Federal. Ele hoje é nossa última fronteira e talvez a salvação não apenas do PAC, mas da governabilidade, seja com esse ou com um futuro presidente.    

6 de dezembro de 2023

Antes de Israel...

Quando da criação do Estado de Israel por parte da ONU, em 1948, tinham os diplomatas reunidos em Nova Iorque a exata noção do que iria acontecer em seguida? Inclusive o representante do Brasil, ministro Oswaldo Aranha? Não sei se sim ou se não. Mas quero crer que diversos sabiam, sim, que os muçulmanos seriam enxotados de suas terras e que a Palestina jamais iria ser criada. Tanto que o ato daquele ano incluía uma "recomendação" pela criação de dois Estados Nacionais. Recomendava, mas não determinava.

Daquela data em diante uma "norma" foi estabelecida: Israel jamais respeitou decisão alguma da Organização. E sempre que o estado judeu desconhecia solenemente as determinações das Nações Unidas, era seguido e apoiado pelos Estados Unidos, aliados incondicionais sem jamais sentir o menor constrangimento em usar o direito de veto para sufragar atos israelenses. Isso foi o ovo de serpente do Estado Terrorista de Israel que vemos hoje em todas as cores massacrando o povo palestino e inviabilizando a "politica de dois estados".

Quando a Segunda Guerra Mundial acabou foi o Reino Unido quem primeiro pediu a criação de um Estado Nacional Judeu. Na época o trauma dos campos de extermínio nazistas era terra fértil para uma situação de "sim". E então os judeus tiveram o que nenhum outro grupo religioso jamais teve: um país para chamar de seu. Os muçulmanos reúnem-se em estados onde têm no islamismo sua religião oficial. Isso acontece também com outras confissões religiosas. Mas nada se assemelha a Israel.

Não vale a pena perder tempo discorrendo aqui sobre a carrada de atos de genocídio cometidos pelos israelenses, que sempre invocam o "direito de defesa" depois de invadir e tomar territórios de outros povos. Massacres hoje são tantos que não dá mais para contar nos dedos. E os palestinos assassinados já somam um holocausto completo, mas que o "mundo livre" não contabiliza porque isso significaria reconhecer que Israel, um país voltado para dentro de si próprio, é a reencarnação do nazismo, agora sob a estrela de David.

E já ia me esquecendo de explicar: a foto que abre esse texto é de uma praia da Faixa de Gaza em 1944. A diferença para hoje é que na época Israel não existia...
 

16 de novembro de 2023

Danem-se os descontentes

O episódio da ida a Brasília em mais de uma oportunidade de certa mulher casada com um criminoso preso em Manaus gerou muito desconforto ao atual governo, e tudo por causa de um filtro frouxo nos ministérios. Essa investigação sobre quem pede para ser recebido por ministros tem que ser mais dura, mais focada para evitar fatos futuros de igual monta. E isso sobretudo porque no caso atual a grande imprensa, sobretudo o Estadão e a Folha aproveitaram o episódio para atacar o governo, o que para eles é inevitável. E foram seguidos pela "marginalha" que apoia o ex-presidente inelegível, o que era previsível.

Mas para quem procura ligação real de governantes e ex-governantes com a "elite" do crime organizado no Brasil basta olhar a arte dessa postagem. Está tudo explicado.

Não conheço pessoalmente o ministro Flávio Dino, mas acompanho sua vida pública. Até prova em contrário nada há que o desabone. Rigorosamente nada. O que há é muito ódio contra ele porque sempre retrucou aos que o atacam e, dono de respostas ferinas, costuma levar a nocaute os menos dotados de atributos intelectuais que o criticam e que formam a espinha dorsal torta dos saudosos do genocida. Desses costumo rir muito!

E talvez também pelo fato de ser um intelectual de fino trato além de juiz federal conhecido por sua capacidade de conhecimentos, ele gera desconforto pelo fato de ter seu nome lembrado para a vaga da ministra Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal toda vez que isso é veiculado. Seus detratores nesse campo não estão apenas entre a dita "oposição" legislativa formada por gente sem preparo, ética e moral, mas também e infelizmente por uma ala do PT que deseja outra solução para a nomeação a ser feita. Dino é oriundo do PCdoB e os petistas que o tentam fritar querem um nome do Partido lá. Burrice!

A batata quente está sobre a mesa do presidente Lula e vai ter que ser descascada. Não há outra saída. Ficar protelando uma decisão sobre isso parece também pouco inteligente. Afinal, para aqueles capazes de ver as coisas pelo lado mais lógico o ideal nesses casos é lançar mão do que se tem de melhor. Danem-se os descontentes de plantão.    

11 de novembro de 2023

A raiz de todos os problemas


Quando eu digo que Israel se tornou um estado terrorista muita gente critica. Um seu ministro atual disse faz poucos dias que os palestinos gostam de perder terras... Outro, que uma bomba atômica resolveria de vez a questão palestina... E o primeiro ministro que pode perder o mandato e no futuro ser até mesmo preso declarou que Israel vai ocupar a Faixa de Gaza por tempo indeterminado. Quem sabe como já ocupa a Cisjordânia que agora já é conhecida como "ocupada". Lá proliferam as colônias judaicas lançadas sobre terras roubadas. Em muitos casos os palestinos são simplesmente expulsos de suas residências para nelas entrarem famílias judias que vão morar no lugar com títulos de posse (sic!).

A imagem acima e à esquerda é um mapa oficial do Oriente Médio de 1947. Meio desbotado... Nele aparece em destaque a região que era conhecida como Palestina (Palestine) e  ao lado de Egito (Egypt), Jordânia (Trans-Jordan), Síria (Syria) e Líbano (Lebanon). Esse mapa não existe mais. Um ano depois a ONU, com a ajuda decisiva do voto do embaixador brasileiro Oswaldo Euclides de Souza Aranha, criou o Estado de Israel. O poder do dinheiro foi decisivo nesse caso. Como isso  aconteceu num espaço de tempo tão curto? Foi muito simples, como posso explicar logo em seguida.

A II Guerra Mundial havia terminado e mais de seis milhões de pessoas tinham sido mortas pelos nazistas nos campos de extermínio montados em diversos países. Não eram apenas judeus, mas também comunistas, ciganos. negros, deficientes físicos, deficientes, mentais e todos os demais considerados seres inferiores pela ideologia nazifascista. O estranho é que hoje o Holocausto só homenageia os primeiros... O mundo saiu dessa guerra decidido a criar um estado para os judeus e, através da Resolução 181 da recém criada ONU decidiu-se dividir o território palestino mostrado acima: 53,5% ficariam com Israel e 45,4% com a palestina, mesmo os israelenses sendo apenas 30 por cento da população na região de então. E assim foi feito. Armados pelos Estados Unidos que logo no primeiro momento apoiaram a decisão, os judeus invadiram o território agora seu.

Eles obedeceram a divisão por pouco tempo e em seguida, aproveitando-se do fato de sobretudo os muçulmanos não terem aceito a nova situação e reagido contra ela, foram à guerra, conseguiram vencer graças à injeção de dinheiro e armas dos norte-americanos e expandiram seu território para além das fronteiras consideradas legais. Das terras conquistadas somente as tomadas ao Egito foram devolvidas e por causa de um acordo de paz. Os egípcios são um inimigo que pode ser muito poderoso. Nos demais casos, não. E jamais o Estado Judeu admitiu verdadeiramente apoiar a criação do Estado da Palestina, a não ser por um breve momento, quando o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, intermediou um acordo entre o palestino Yasser Arafat e o israelense Yitzhak Rabin. Estava  tudo certo? Não, porque um terrorista judeu matou o primeiro ministro de seu país e permitiu a chegada ao poder israelense de um nazismo sionista que nunca mais saiu de lá. E que hoje fragmenta as terras palestinas.

Eis a raiz de todos os problemas. Eis o ovo da serpente. Eis porque nos dias atuais o ódio e o terror das guerras não poupa velhos e crianças dos dois lados. Sobretudo do lado mais fraco.                  

7 de novembro de 2023

Os novos nazistas


Árvore dos salmos

Mahamound Darwich

No dia em que minhas palavras forem terra...

Serei um amigo para o perfilhamento do trigo bom

No dia em que minhas palavras forem ira

Serei amigo das correntes

No dia em que minhas palavras forem pedras

Serei um amigo para represar

No dia em que minhas palavras forem uma rebelião

Serei um amigo para terremotos

No dia em que minhas palavras forem maçãs de sabor amargo

Serei um amigo para o otimismo

Mas quando minhas palavras se transformarem em mel

Moscas cobrirão

Meus lábios!...

Os garotos e meninas de Israel entram na escola muito cedo e fazem obrigatoriamente todo o ensino fundamental. Desse momento de suas vidas ao término do ensino básico, vão diretamente para o serviço militar que também é obrigatório. Curso superior é feito depois e para aqueles que puderem. No ensino fundamental aprendem, nos livros didáticos, que os palestinos são seres inferiores. Geralmente associados a terrorismo, acabam mostrados nas escolas como gente de bairros paupérrimos, sempre com máscaras nos rostos e, nas fotos dos lugares onde eles supostamente vivem, não aparecem pessoas. Nurit Peled-Ehhanan, israelense e estudiosas crítica do  atual governo de seu país, denuncia isso em longo e pungente depoimento e mostra como todos são preparados para chegar às forças armadas de seu país com o ódio no coração.

Quando Israel foi construído sobre terras roubadas aos árabes, muitos colonos que viviam em acampamentos receberam suas primeiras casas. Houve caso de gente que entrou em seu novo domicílio encontrando no interior bens que eram anteriormente dos palestinos e árabes expulsos do lugar. Poucos recusaram o novo endereço. Os que fizeram isso disseram que não iriam repetir o que os nazistas tinham feito com os judeus no holocausto.

Quem tem Netflix em casa deve ver lá a série "All the Light We Cannot See". Passada numa pequena cidade francesa ao lado do mar, denuncia os dramas dos moradores ao final da II Guerra Mundial, quando os aliados intensificaram os bombardeios sobre toda a região. Eles lançaram panfletos pedindo aos residentes para irem embora e os alemães fecharam todo o perímetro urbano, bloqueando as saídas. Vista pela ótica de uma garota cega, a história mostra como foram didáticos os ensinamentos nazistas para boa parte dos judeus que pouco tempo depois viajaram para invadir as terras dos palestinos.

O que os israelenses fazem hoje escudados pelo fato de o Hammas ter cometido o desatino de matar mais de 1.400 pessoas, é a repetição da essência da ideologia nazista que partia do princípio de que os judeus eram serem inferiores, responsáveis por todos os males da Alemanha e por isso mereciam ser exterminados. Gaza é agora, nesse momento, a repetição de uma tragédia. O que estamos vendo é a solução final para o caso palestino.

Muitos daqueles que sofrem no dia-a-dia o terror de Israel não aceitam mais que suas palavras se transformem em mel. Preferem morrer a passar por isso. E em consequência as crianças se tornam as maiores vítimas. Como aconteceu no primeiro holocausto.   

3 de novembro de 2023

Os perigos do 15 de novembro


Se a memória presente do Brasil for apagada e daqui a um século nós tentarmos explicar aos que nos sucederem o que significa a foto acima, ninguém vai acreditar. "Brasileiros em oração para um pneu? Você só pode estar delirando!" E nos perguntarão como tivemos a ideia de fazer montagem fotográfica de tamanho mal gosto. Mas tanto a imagem é real que imbecis das mais diversas matizes pretendem repetir os fatos no próximo dia 15 de novembro, tornando a comemoração da República uma pantomina golpista.

Essa gente precisa ser detida. O que está sendo arquitetado para a comemoração dos 134 anos da República não é manifestação de liberdade de expressão; trata-se de um ato de golpismo explícito e isso é muito perigoso. Há exemplos aos milhares do que está sendo feito. Cito um: corre na internet a foto de um bolsonarista pedindo um "novo 08 de janeiro", conclamando os brasileiros a "enquadrar as forças de segurança" e, por fim, avisando que desta vez eles pretendem "tomar o país de volta". Isso não é engraçado. Isso é crime e quem comete crimes tem que ser preso e processado.

Estamos vivendo uma época na qual os imbecis comandam a maioria dos atos nas sociedades. Por omissão. Agora mesmo estou tendo que questionar por via judicial uma ilegalidade cometida pelo condomínio onde moro e através da qual se tenta me impedir de exercer o direito de emitir opiniões, inclusive de forma jocosa. Isso é lícito porque nos tempos atuais somente o jocoso encontra paralelo com o que é mostrado todos os dias aos cidadãos. Pode-se comparar esse fato e muitos outros com a imagem ridícula de milhares de pessoas rezando e cantando o Hino Nacional Brasileiro diante de pneus em frente a quarteis.

No próximo dia 15 essa gente tem que ser detida. Existe a possibilidade de incidentes, sobretudo em estados onde os governadores são apoiadores não disfarçados do golpismo criminoso, como são exemplos São Paulo e Rio de Janeiro, duas das mais importantes unidades da Federação. Conter esse tipo de crime, responsabilizar quem o comete e quem o incentiva não é impedir a liberdade de expressão. É lutar pela manutenção do Estado Democrático e de Direito. Nele, todos somos discípulos das leis e da ordem.

Mais: respeitar as leis não é uma opção. O respeito às leis é ato coercitivo, quer gostemos ou não delas.