Escalada para cobrir o julgamento pela revista "The New Yorker" e que se realizaria na Casa da Justiça onde um homem seria julgado por suas antigas vítimas, ela não se viu diante de um monstro como imaginava, mas sim perto do cidadão comum, arrivista de pouca inteligência, na verdade uma nulidade pronta a obedecer a qualquer voz superior, um simples funcionário incapaz de discriminação moral e, sintetizando, um indivíduo sem consistência própria e que havia assumido eufemismos burocráticos como seu caráter.
Quem é Jair Bolsonaro, hoje preso na Superintendência da Polícia Federal de Brasília (foto) e condenado a 27 anos e três meses de prisão senão um sujeito tão pequeno como aquele e que exerceu um cargo para o qual levou todas as suas frustrações e falta de tirocínio durante quatro anos e ao longo dos quais exerceu um poder despótico e distante das normas mais comezinhas de comportamento? Segundo a psicóloga Marta Suplicy, ele é o psicopata sem chance de recuperação, que não sente empatia, remorso, sentimento de culpa e nem sequer tem a capacidade de conviver com quem pensa diferente dele.
Hitler tinha essa síntese e só podia viver ao lado de gente medíocre, que não questionasse suas ordens, que jamais tentasse se contrapor a suas convicções geralmente baseadas em nada e que se reduzisse ao tamanho que seu dono dava a ele. Gente como Eichmann. Por isso Bolsonaro teve ministro da Saúde general especialista em estatística, da Educação que não era entendido por ninguém, ministro das Relações Exteriores nascido do quarto escalão do Itamarati, etc. O arquétipo era assim determinado como modelo único.
Bolsonaro merece ficar onde está, cercado por cuidados médicos porque é doente e o Estado tem que se responsabilizar pelas pessoas que mantém sob custódia.
Vivemos uma época da qual devemos nos orgulhar. Generais, um almirante e outros oficiais superiores das Forças Armadas do Brasil foram condenados e começaram a cumprir pena por terem participado, juntamente com seu chefe, da mais recente tentativa de golpe de Estado brasileira. A primeira que causou esse tipo de dano, com prisão e condenação de seus responsáveis diretos e indiretos. Talvez o Brasil tenha jeito. Pelo menos nossas instituiçoes passaram incólumes por uma prova de fogo. Ou estão passando.

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