A toda ação corresponde uma reação igual e contrária. Essa é a terceira Lei de Newton, e à qual não se foge. Transportada do campo da física para o da política ela explica a vitória de Zohran Mamdani (foto acima) para o cargo de prefeito de Nova Iorque. E não é nada fácil conseguir isso em uma cidade na qual um muçulmano mete medo, o sionismo tem grande força política e financeira, o socialismo é quase um palavrão ligado ao comunismo e a influência de Donald Trump e seu poder econômico ainda é imenso. Ou será que era?
O norte-americano não quer ser submetido a tiranos de quaisquer espécimes. E o prefeito eleito aos 34 anos e que só teve até hoje um mandao legislativo propõe fazer pelos moradores da maior cidade dos Estados Unidos o que o presidente atual jamais faria: justiça social. Dentre outras coisas ele tenciona conter escalada do preço dos aluguéis numa cidade onde mais da metade da população não mora em casa própria e também oferecer serviço gratuito de transporte público para a população mais carente da cidade. Isso é música clássica para os ouvidos da esmagadora maioria dos nova-iorquinos.
Diz-se que ser eleito numa cidade com tão grande número de judeus é um feito. Sim, mas é preciso levar em consideração que ser judeu não obriga a pessoa a crer no sionismo e nem atuar politicamente genocida de extrema direita. É grande o número de praticantes dessa religião nos Estados Unidos que se opõem à política de Benjamin Netanyahu. São adversários declarados de um autocrata que não permite a oposição, faz acordo com os nazifascistas de seu país e já tentou mais de uma vez limitar o poder do Judiciário para seguir governando sem amarras e não respondendo a processos. Como Bolsonaro tentou aqui...
A mulher dele, Rama Duwaji, de 28 anos, compareceu ao discurso da vitória do marido com um vestido de estilista palestino. Ela, da mesma forma que Zohran, é pró palestina sem ser antisemita E isso porque são duas coisas diferentes e as pessoas lúcidas só devem ser antisionistas. É no sionismo que vive o mal que o judaísmo pode fazer aos outros, como aos palestinos. Sim, porque para estes, palestinos e muçulmanos como o prefeito de Nova Iorque são seres inferiores e não podem pleitear fazer parte da Grande Israel, dada a eles por Deus. E quem acredita ter alguma coisa por direito divino mata por causa disso e dorme em paz.
O norte-americano deu um sinal bem terreno a Donald Trump e sua trupe, parte da qual mora ainda no Brasil. É possível vermos esse socialista democrático pleiteando a Casa Branca dentro de pouco tempo. E por que não? Se não o assassinarem, o novo prefeito com tantos planos sociais pode em breve chegar a um posto onde não caberão reacionários e negacionistas. Os EUA já tiveram um presidente negro sem que este fosse morto. Agora pode ter também um muçulmano. Crescerá muito como povo se isso acontecer.

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