As imagens que o mundo já tem e que mostram o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, fato ocorrido nesta madrugada (três fotos ao lado e abaixo), apresentam ao mundo um escárnio. O Direito Internacional violado, o respeito a Organização das Nações Unidas (ONU) jogado no lixo e, pela primeira vez na América Latina, um sequestro de chefe de Estado em sua Capital feito na surdina, na madrugada, enquanto a maioria das pessoas dormiam esperando pelo dia de sábado, o terceiro desse ano de 2026. Também causa espanto o fato de a segurança de Nicolás Maduro não ter reagido ao ataque. Por que terá sido?
"Tio Sam" sabe como depor governos com os quais não concorda. Isso foi feito aqui no Brasil em 1964 depois de uma longa campanha de desacreditação do presidente João Goulart e que levou ao golpe de Estado de 31 de março (ou seria 1° de abril?). Também na Argentina, no Chile, citando só os mais crueis, longevos e de maiores danos psicológicos.
No caso do Chile ainda houve como agravante o assassinato do chefe de Estado Salvador Allende no Palácio de La Moneda, de onde ele se recusou a sair para abrir caminho aos golpistas. Morreu lá com a sede do governo sob bombardeio da sua própria Força Aérea e tendo no comando do golpe um general canalha nomeado por ele para comando militar. Allende, ao contrário dos pulhas, recusou-se a fugir para Cuba ou outro país, mesmo tendo um avião à sua disposição. Não é nada sutil a diferença entre homens, chefes de Estado, e os vagabundos. Allede morreu sem soluços, sem vacilações e defendendo com a vida o seu mandato e a Constituição chilena que havia jurado defender.No Brasil, Goulart optou por ir embora para o Uruguai. Viu que uma tentativa de resistência seria vã. Quem pode julgar seu ato hoje, depois de quase 62 anos? Os militares que chefiaram o golpe de Estado de 64, tendo por trás da trama o presidente ianque John Kennedy e o embaixador Lincoln Gordon, foram os mesmos que Juscelino Kubsticheck havia anistiado depois de aquarteladas acontecidas durante seu governo, como a de Aragarças. Não se anistia golpista. Não se perdoa golpismo. O golpe volta a ser tentado se a decisão for essa.
O presidente Donald Trump disse que transferiu o presidente Nicolas Maduro para outro país. Não, isso foi sequestro. Disse e diz que defende a liberdade dos outros povos. Não, ele quer roubar o petróleo venezuelano, da mesma forma que num futuro próximo vai querer os minérais raros de países como o Brasil. Se defendesse democracias não apoiaria a Arábia Saudita que sequestrou, matou e picou em pedaços o jornalista Jamal Khashoggi quando este procurou pela embaixada de seu país em Istambul para pegar documentos e se casar.
Por fim, a foto que mostra o presidente Maduro sequestrado e nas mãos de militares da Força Delta dos Estados Unidos, a primeira acima, ainda não está confirmada, mas possivelmente é real e mostra um chefe de Estado sangrando e sendo levado à força para fora de seu país. Não importa se a gente apoia ou não o governo de Maduro, se acha ou não que ele fraudou as eleições venezuelanas. A vida no mundo das leis jamais vai funcionar como quer Donald Trump. Ele é apenas um criminoso como Benjamin Netanuahu, comandante do genocídio palestino, e tem lugar reservado nos tribunais internacionais que devem julgar e punir os criminosos de guerra de ontem, de hoje e de sempre.
A nota oficial do presidente Lula mostra de forma clara, serena e sóbria o que sentem ou devem sentir os brasileiros diante dos fatos dessa madrugada: "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremanete perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenaçao ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação."

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