2 de janeiro de 2026

2026, o ano que vai terminar

Um fato aparentemente banal mostrou como foi o ano que passou, justamente no seu último dia. Por sobrecarga de apostas - foram 120 milhões - a Caixa Econômica Federal não conseguiu  totalizar a tempo o prêmio da Mega da Virada e transferiu o sorteio para a manhã do dia seguinte, 1° de janeiro. Isso foi o suficiente para que o deputado federal gaúcho Marcel Van Haten, do Partido Novo, desse uma declaração pelos seus meios sociais acusando o presidente da República de ser o culpado pelo fato porque deve haver "algum rolo" nessa questão. Esse é o nível a que chegou o exercício da política no Brasil...

Desde que o ídolo da Van Haten - ou Van Hitler, caso prefiram - chegou à presidência da República ele arrastou consigo uma fauna inacreditável de nazifascistas defensores de tudo o que a humanidade abomina ou deveria abominar. E o governo do hoje presidiário Jair Bolsonaro mostrou desde o início a que veio. Em 2020 mesmo o então Secretário Especial da Cultura Roberto Alvim precisou ser comparado ao ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, por ter usado trecho de um discurso deste e utilizado estética visual e trilha sonora que rematiam à propaganda nazista. Ele foi demitido por pressão do governo sionista de Israel, porque o então presidente não queria atrito com Benjamin Netanyahu.

Vejam que agora um ex-assessor desse mesmo Bolsonaro, Filipe Martins, foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O sujeitinho, que num passado não muito distante fez gestos supremacistas brancos numa reunião no Senado, isso em 2021, estava condenado, cumprindo pena em prisão domiciliar e desrespeitou as restrições legais impostas a ele, de não participar de redes sociais.

Vejam que o desrespeito a ordens ou regras legais é uma coisa comum a esse tipo de gente, a começar pelo presidiário, genocida e inelegível seu ídolo. Da mesma forma eles não conseguem disfarçar o fato de serem admiradores do nazifascismo e passam dificuldades tendo que "conciliar" essas convicções extremistas com a necessidade de não exteriorizarem seu antisemitismo latente porque o sionismo genocida de Israel é parceiro de convicções e da luta para não terem os governantes atuais julgados e condenados como criminosos de guerra pelo Tribunal Penal Internacional.

Por tudo isso a manifestação de Van Hitler - ou Haten - nem assusta nem surpreende. Todos sabemos que a extrema direita política se alimenta de crises e agressões. Tem necessidade de gerar tumultos porque não possui uma identidade fora desse campo e é nele que mantém seu eleitorado preso a discursos. Portanto, todos sabemos que as campanhas eleitorais desse ano serão marcadas por gritos, xingamentos e crises fabricadas. É o oxigênio dessa gentalha e ela não sobrevive um minuto sequer sem ele. Além disso será esse ano em que eles jogarão sua cartada definitiva tentando tomar o Senado da República para atacar o Supremo Tribunal Federal e, através dele, todo o restante do Judiciário onde hoje só têm alguns representantes.

Lembro-me agora de "1968, o ano que não terminou", de Zuenir Ventura. No texto magistral o autor conta a história dos eventos turbulentos daquele ano, da itensificação da luta contra a ditadura passando pela morte do estudante Edson Luís, a Passeata dos Cem Mil e o endurecimento do regime que desembocou o AI-5, em dezembro. Eu estava lá e vi tudo. Só que agora, em 2026, o Brasil contenporâneo moldado a partir daqueles fatos e daquele ano não se deixará derrotar (?) outra vez. 2026 é o ano que vai terminar. E bem!                     

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