Faz exatos três anos hoje que houve a última tentativa de golpe de Estado para a deposição de um presidente da República no Brasil. Mais do que isso, há três anos uma horda de marginais, dentre os quais havia alguns poucos inocentes úteis tentou tomar Basília logo em seguida à posse de um governo legitimamente eleito num processo eleitoral altamente fiscalizado. Dentre outras coisas a horda de criminosos destruiu até as instalações do Supremo Tribunal Federal como mostra essa foto do Correio Brasiliense.
Se essa gente liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro tivesse obtido sucesso nós não estaríamos hoje comemorando a vitória da democracia em nosso país. Quem viveu o regime militar 1964-1985 sabe o que é uma ditadura e os danos que ela é capaz de produzir.
As cenas e vandalismo do 08 de janeiro de 2023 foram mostradas ao vivo e a cores pelas emissoras de TV durante todo o tempo. Eu particularmente vi constrangido, quase chorando, quando um bandido que não usava camisa com as cores da bandeira de nosso país jogou do chão do pedestal onde ele se encontrava o relógio do XVII, peça histórica e dada de presente ao nosso país pelo imperador D. João VI.
Ele teve que ser restaurado posteriormente na Suíça por especialistas em mais de 1000 horas de trabalho e sem custo para o Brasil. Hoje está de volta a seu pedestal, no mesmo Palácio do Planalto invadido pelos vândalos de três anos passados. É o mesmo de antes, em toda a sua grandeza e pertence ao povo brasileiro.
Muitas coisas podem ser escolhidas para representar aquele dia de ignomínia. Pessoalmente prefiro o relógio que está aí ao lado, destruído e recuperado numa montagem fotográfica. Ele é o retrato da selvageria e da falta de patriotismo de uma gente canalha que fez e ainda faz da bandeira do Brasil um símbolo para eles de seu desconhecimento, de dignidade, ética, vergonha na cara e de decência.O mais incrível em tudo isso é que talvez o atual presidente da República tenha que usar o dia de hoje para vetar uma tal de "dosimetria das penas" do 08 de janeiro de 2023, artifício legal horroroso arranjado por um tal de deputado Paulinho da Farça, ou da Força, que tenta com isso reduzir as penas dos criminosos e sobretudo do presidiário Jair Bolsonaro.
Ele, que passou o tempo todo agredindo, dizendo que preso tem mais é que morrer na cadeia, apoiou tortura, prisão ilegal, debochou das pessoas e disse que não é coveiro, dentre outras coisas, hoje passa os dias soluçando, chorando e caindo na cela de cabeça contra móveis. Não passa de um covarde, o que sempre foi desde a época do Exército.
Faz pouco tempo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes disse que os crimes contra a democracia não podem ser beneficiados por anistia ou outros perdões legais como forma de cancelamento de pena. Tomara ele estenda esse seu entendimento à tal "dosimetria" também. As "velhinhas de bíblias nas mãos" eram e são extremistas de direita política e voltarão a delinquir se obtiverem qualquer tipo de perdão ou redução de pena.
Mesmo cumprindo os anos que ainda têm pela frente não abdicarão dos projetos de golpismo hoje entranhados em suas veias e vidas. Os que puderam fazer isso já estão em liberdade depois de acordos com a Justiça Federal reconhecendo suas culpas.
Hoje é um dia de solenidades em Brasília e outros lugares. Trata-se de levar o povo às ruas em atos de defesa da democracia e da soberania, como vai acontecer também em Vitória na Rua 7 de Setembro, no Centro. Talvez também de veto à "dosimetria" e outras aberrações mais. Mas sobretudo é um dia de reflexão: temos ou não temos amor ao Estado Democrático e de Direito? O brasileiro precisa pensar muito nisso. E a hora é essa!


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