Acompanhar o noticiário político dos últimos dias tem sido um exercício de paciência, sobretudo e principalmente para com a análise dos universos paralelos de alguns candidatos à presidência da República. Ronaldo Caiado se confirmou hoje falando da excelência de seu trabalho em Goiás, mas se esquecendo de que é um dos pais da UDR, a União Democrática Ruralista, que caçou os membros do MST em seu Estado representando unicamente os interesses do grande latifúndio do qual ele orgulhosamente faz parte e impedindo a reforma agrária. E nunca nutriu interesse algum por pobres e deserdados. Problema de memória, claro.Flávio Bolsonaro, ontem, fez parte de um espetáculo chulo de desrespeito ao Brasil, permitindo que o desqualificado presidente argentino Javier Milei agredisse nosso país em solo brasileiro, dentre outras coisas chamando um ministro do Supremo Tribunal Federal de "lixo careca" e o presidente de "presidiário". É inconcebível isso acontecer em evento oficial e de política interna brasileira entre dois países que mantêm relações diplomáticas, são vizinhos e possuem um longo histórico de relações comerciais e de amizade. Ainda mais com o convidado recebendo a mais alta condecoração do governo paulista para cometer tal desatino de baixo nível. O Itamarati já respondeu convocando a Brasília seu embaixador em Buenos Aires.
Esses episódios não foram capazes de impedir o presidente Lula de dar longa entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post (foto da capa) e na qual ele explicou o cerne da posição do Brasil diante do tarifaço do governo Trump às importações brasileiras. Pela primeira vez na história, tarifas de importação são usadas como armas contra nações amigas. No caso específico da América do Sul, a não ser que se trate de um estado vassalo, capaz de dizer "sim" a todas exigências dos EUA, como mostra a imagem abaixo, de uma das declarações do presidente brasileiro ao jornal norte-americano.

Teremos daqui para a frente uma das campanhas políticas mais agressivas e mentirosas de todos os tempos no Brasil, e isso graças ao fato de que o presidente atual se candidatou à reeleição naquela que será sua última campanha política de uma longa vida de atividades, sobretudo executivas. Ele já é alvo preferencial de todos os demais candidatos e tanto seu nome quanto a sigla partidária à qual pertence devem se tornar motivo de agressões as mais variadas. Um dos temas será tentar colar nele e em seu partido a pecha de estarem a serviço do crime organizado e da corrupção, o que não encontra respaldo na realidade dos fatos. E fatos são fatos. Não se deve agredí-los.
A raiz desse tipo de fenômeno, se é possível chamar por esse nome, está a Casa Branca onde o atual presidente desrespeita todo mundo, bombardeia países, mata cidadãos inocentes e tenta desqualificar instituições caras à civilização como é o caso do Tribunal Penal Internacional, a ponto de o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarar claramente ter pedido ao Secretário de Estado Marco Rubio para que os EUA rompam com o TPI, que nem ele nem seu país reconhecem. Netanyahu, sempre fica bem explicar, é um criminoso internacional sionista, massacrador de palestinos e outras nacionalidades, defensor da "Grande Israel" e que sente prazer em ver morrerem os "inferiores". Como fez Hitler... Seu ídolo Trump, que defende para si o Prêmio Nobel da Paz (supremo deboche!), já brincou até de ser candidato a novo mandato presidencial, embora sabendo que tal coisa é expressamente proibida pela Constituição de seu país. Mas esse tipo de código legal sempre foi um impecílho para os projetos de gente como ele, o presidente de El Salvador, o da Argentina e tantos outros mais espalhados pelo mundo afora e que talvez se julguem acima do bem e do mal. Principalmente do bem. Esse presidente ianque, capaz de rir da morte dos outros e debochar do roubo das riquezas naturais de Venezuela, deve se inspirar em um compatriota seu, já morto e que era autor de pensamento digno de ser registrado no fechamento desse artigo: "Você consegue muito mais com uma palavra amável e um revólver do que somente com uma palavra amável" (Al Capone).
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