30 de julho de 2026

"We can do it"

Já se vão muitos anos e, se bem me lembro, foi a revista "Realidade", antecessora de "Veja", quem conseguiu imagens de um silo nuclear de algum lugar dos Estados Unidos. A gente podia ver na foto o controle da instalação, a ogiva do míssil e, na parede ao fundo, grandes, os dizeres bem mostrados: "We can do it". Sim, eles sempre puderam fazer isso, mas desde o fim da guerra fria contra a hoje inexistente União Soviética, o botão que dispara míseis nucleares capazes de destruir totalmente o mundo parecia esquecido nas paredes dos silos que ainda existem. Mas agora um homem laranja, um homem bomba chamado Donald Trump (foto acima), pode reacender o estopim da guerra nuclear. Ele tem medo da China. Muito medo. Como todo psicopata medroso, um dia acaba perdendo o controle. Eis o risco.

Os Estados Unidos são um império decadente e sabem disso. A China, um enorme país ascendente, e os Estados Unidos também sabem disso. A paranóia de Trump vê os chineses como aqueles que vão sepultar o sonho americano de dominar o mundo e esse presidente usa a ameaça e o medo como armas contra essa quase perda de status mundial. Ontem ele propôs um tal "Pacto de Sobrevivência Ocidental" como forma de evitar o seguinte: "Eles vão invadir a Europa! Estão invadindo a Europa...é uma invasão total! E o Reino Unido é o suspeito número um!. Quem se juntar ao Pacto fecha fronteiras, deporta em massa, defende sua cultura. Quem não...fica sozinho diante da invasão. E o primeiro que deve assinar é o Reino Unido...ou afunda!". Silêncio sepulcral no Salão Oval da Casa Branca.

O projeto do presidente dos EUA começa pelo domínio da América Latina. Aqui ele já tem uma presidente fantoche subjugada na Venezuela e uma figura patética ecoando seus brados a partir de Buenos Aires. Esse personagem, Javier Milei, vocifera contra a China esquecendo-se de que seu País, o maior devedor do FMI nos dias atuais, recebeu um polpudo cheque do governo chinês para poder sobreviver. Sem apoio internacional e boa coexistência com o Brasil, sucumbe. Os argentinos sabem disso e tentam alertá-lo, mas ele não quer ouvir. Prefere cumprir ordens de seu mentor maior sem olhar para as consequências. Hoje a Argentina tem hordas de sem teto pelas ruas, pessoas que entram em filas de açougues para comprar carne de burro e mais de 20 mil empresas falidas na cauda de cometa das loucuras mileianas que buscam sabe-se lá o que dos anseios presidenciais.

Para completar o caldo de cultura de mais uma loucura nacional, os argentinos acordaram hoje sabendo que por obra e graça de Milei, daqui para a frente qualquer estrangeiro que falar mal daquele país e de qualquer coisa a ele ralacionado vai ser imediatamente expulso de lá. Milhares de brasileiros moram, trabalham e sobretudo estudam em terras argentinas.   

Em um discurso no Estado do Michigan, faz poucos dias, o presidente ianque chamou de comunista (que falta de imaginação...) uma pessoa que o interrompeu chamando-o de "protetor de pedófilo" durante um discurso que fazia parte das comemorações pelos 250 anos da Independência de seu país. O manifestante foi retirado do local. Esse périplo trumpista faz parte da campanha dele para as eleições de meio de mandato, quando corre o risco de perder maioria em pelo menos uma das duas casas legislativas norte-americanas e, mais do que isso, de se tornar um "pato manco" se derrotado na Câmara e no Senado.

Em meio a tantas incertezas, à necessidade de apoiar quase incondicionalmente Benjamin Netanyahu, de encontrar um meio de encerrar a guerra no Irã e que foi iniciada por ele, de impedir a vitória da Rússia na Ucrânia e de conseguir com o Congresso mais dinheiro para gastar com armas, esse eterno candidato a fazer do Prêmio Nobel da Paz uma piada de mau gosto no plano internacional, dá voltas em torno de si mesmo tentanto encontrar o caminho que jamais construiu pois na sua vida toda ele só fez destruir. E para quem não sabe para onde deve ir ao vai, qualquer caminho serve. 

Mostra disso é o fato de que em seu governo não existe diplomacia. Tudo o que se refere a política externa é feito por um genro e um amigo, estes sim de sua inteira confiança. Eis Donald Trump! Eis o homem que pode tirar da poeira dos tempos de guerra fria as imagens dos silos nucleares dos Estados Unidos, como esse da foto ao lado, e que dormitavam em suas camas/sepulturas até a chegada desses novos tempos de distopia mundial.

Tempos capazes de gerar pesadelos como o da criação desse tal Pacto de Sobrevivência e que na verdade é a tentativa final do império decadente de manter hegemonia mundial e, mais do que isso, de rapinar riquezas naturais de países que ainda se curvam ante o imperialismo ocidental como é feito hoje de forma descarada sobretudo na Venezuela, um Estado outrora soberano e que foi sequestrado num ato de pirataria incapaz de encontrar respalto algum na legislação internacional que é seguida e respeitada pela maioria das nações exceto Estados Unidos, Isarel e outros poucos e que não pretendem modificar, mas sim subverter a ordem mundial para a criação de um sistema no qual o termo liberdade vai estar intimamente ligado somente ao apoio total, incondicional, ao que a extrema direita entender como correto.

We can't do it!      

                     
 

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