Quando eu era pequeno as pessoas tinham o hábito de chamar os menos favorecidos intelectualmente de estrupícios. Na linguagem popular esse termo pode identificar confusão, barulho, problema ou gente chata, atrapalhada e ignorante. Como é o caso do deputado federal Nikolas Ferreira, autor de vários disparates linguísticos, dono de uma ignorância monumental e a ponto de dar declaração conceituando Brasília como uma cidade feia em comparação com o Capitólio, nos Estados Unidos ou o prédio do Congresso espanhol. É como comparar alhos com bugalhos, sem querar desmerecer os exemplos citados por ele.
O prédio dos EUA teve pedra fundamental lançada em 18 de setembro de 1793. Foi ocupado inicialmente em 1800 e passou por diversas reformas e ampliações, sendo a última em 1962. Ele foi erguido em estilo neoclássico tentando lembrar as antigas democracias de Roma e da Grécia e nas quais o país pretendia se espelhar. Mas de que maneira explicar isso a um indivíduo como aquele?
Brasília, que mostro na foto acima, do Eixo Monumental, é talvez a obra maior de Oscar Niemayer, um arquiteto que foi referência no mundo todo. Ele e Lúcio Costa, o calculista que trabalhou na obra, fizeram a cidade em estilo modernista inaugurada em 1960, concebida na primeira metade da década de 1950 e cuja obra foi iniciada em 1955. Não é possível comparar as duas coisas sem que se tome como parâmetro maior o espaço de tempo e a proposta embutida em cada uma delas. Esse indivíduo de baixíssima estatura intelectual e que conseguiu mais de 1,5 milhão de votos ao ser eleito, também não deve gostar do Palácio Tancredo Neves, a obra que parece suspensa no ar como por mágica e que faz parte da Cidade Adminstrativa de Belo Horizonte (foto abaixo).
O projeto é do mesmo Niemeyer e está localizado no Estado que elegeu esse estrupício para nos representar no Congresso Nacional. O Brasil é terra de grandes arquitetos. O autor das duas obras citadas é considerado o maior deles, mas isso é questão de gosto. Um outro, autor do Museu dos Coches, de Lisboa, uma construção belíssima e também modernista, Paulo Mendes da Rocha, projetou o Cais das Artes em Vitória, projeto magnífico e que a pouca visão de futuro dos administradores públicos de meu Estado ainda não permitiu que fosse concluída apesar de tantos anos de trabalho.
Hoje estamos diante de uma situação crítica. Vamos eleger um presidente da República numa época em que a maior potência militar do planeta, governada por um psicopata corrupto - o mais corrupto de toda a história norte-americana -, tenta impor seu pensamento político a outras nações e ataca o Brasil por não querer ser quintal do país governado por ele, como vem acontecendo com outros estados sul-americanos. O candidato preferido por esse estrupício estrangeiro e filho do ex-presidente brasileiro condenado pela Justiça, é também intelectualmente um pobre diabo que teve o desplante e o descaramento de fazer uma foto sua mostrada logo abaixo, com recursos de IA e na qual ele aparece usando sunga branca, com faixa presidencial atravessada no peito e se mostrando como uma espécie de super-homem deficiente mental ao lado de uma piscina e com lata de algum líquido na mão esquerda. Um indivúduo assim não pode ocupar o Palácio do Planalto em hipótese alguma.
Quando digo que estamos diante de um momento crítico quero falar que o Brasil corre o risco de ser diminuído conceitual e intelectualmente no concerto das nações por conta desse tipo de gente que nos representa. E isso nem é culpa direta deles porque foram eleitos pelos mesmos brasileiros que vão entregar o Poder Executivo ao próximo presidente dentro de muito pouco tempo. É uma situação grave e que precisa ser vista com o olhar de quem planeja seu próprio futuro. Infelizmente temos uma sociedade onde ainda pontifica certa espécie de conservadorismo político que beira o reacionarismo, às vezes o ultrapassando, e na qual as pessoas entregam seu voto àqueles que lhes conseguem transmitir verdade, mesmo a partir de mensagens falsas, patriotismo entreguista e promessas vagas, abstratas e cheias de preconceito contra o adversário chamado de inimigo.
"Deus, pátria e família" era o slogan do fascismo de Benito Mussolini. Aqui no Brasil a ele foi acrescentado um "liberdade" na qual os fascistas não acreditam a não ser se ela significar o apoio total, inquestionável, a todos os seus dogmas e "verdades" que são propagados de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. E eles ainda pregam que nosso país está sendo destruído ao mesmo tempo em que acumulam fortunas imensas que não podem ser explicadas como sendo fruto de seu trabalho. Até Michele Bolsonaro declarou 4,4 milhões em bens sabe-se lá vindos de onde, para concorrer a um mandato de senadora.
Aliás, sabemos todos de onde veio esse dinheiro! E por sabermos precisamos eleger a pessoa certa em outubro. Chega de extrema direita no Brasil!


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