Lansky não explorava o jogo, a prostituição e as drogas em Cuba sozinho. Junto com ele atuaram com grande desembaraço outros mafiosos da época como Santo Trafficante Jr. (que nome lindo!), Lucky Luciano e Charles "The Blade" Tourine. Era só um pulinho o voo de Miami até a Capital cubana onde todas as portas estavam abertas para os representantes do crime organizado dos Estados Unidos. Havia na época uma "licença" de 25 mil dólares por cassino a ser paga ao chefe de Estado cubano. Além disso uma percentagem fixa de 10 a 20 por cento dos lucros anuais obtidos com hotéis, cassinos e redes de prostituição, além das drogas, para obter a proteção governamental. E os "empresários" dos Estados Unidos ainda tinham que lidar com a ganância de Fulgêncio (segunda foto), sempre interessado em aumentar os seus lucros e sua participação nos negócios escusos. Afinal o país era dele, não era? Não foi sempre assim?
Sair correndo de lá em 1° de janeiro de 1959 - alguns fugiram antes disso - quando aquele bando de barbudos tomou a Capital de Cuba, foi um desconforto muito grande. As tropas do Movimento 26 de Julho que tinham à frente, além de Fidel, um argentino também de barba grande, Ernesto Guevara de La Serna, o "Che", que se tornaria responsável pelo julgamento e condenação dos que haviam infelicitado seu país por tantas décadas. Balas de fuzil havia em grande quantidade por lá e os criminosos foram condenados a serem mortos por fuzilamento contra uma parede enorme, um "paredon" de Havana. Os Rubio, os Perez e muitos outros não podem perdoar isso. Não mesmo!
Por isso Marco Rubio, o Secretário de Estado de Donald Trump nomeou seu amigo Daniel Perez para ser embaixador dos Estados Unidos no Brasil. O nomeado e ainda não dono do "agrément" quer logo vir para cá. Ao Senado ele declarou estar preocupado com a liberdade de expressão no Brasil e com a lisura das eleições - essas não são funções de embaixadas! - , preocupações que passam muito ao largo da agenda dos Estados Unidos nas terras de aliados tradicionais como a Arabia Saudita, por exemplo. E de outros também como é o caso do sionismo genocida hoje reinante em Isarel e onde os EUA fazem vista grossa para o genocídio palestino, além de abastecerem o regime político local criminoso com todo o tipo de armas capazes de eliminar de sobre a face da terra os palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia ocupada. Essa última que os sionistas julgam ser parte da Grande Israel e que vem sendo tomada a seus povos originários dia após dia diante do silêncio cúmplice da comunidade das nações.
A mim ocorre que Trump é refém de Rubio e do "Maga", movimento de extrema direita fascista que hoje garante apoio a esse presidente. Ele não pode abrir mão disso para não ser deposto por impeachment. Rubio e Perez são próceres dessa denominação. E ocorre também que o presidente Lula está errado quando chama de "amigo" o chefe de Estado dos EUA. A embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti corre riscos ficando lá sem seu visto diplomático. O "amigo" de Lula pode mandar que ela seja expulsa ou presa como imigrante ilegal. Por aqui o cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, que transformou seu consulado em centro de difusão de mensagens golpistas e facilidades aos amigos, continua com o visto dele. Por quê? A reciprocidade é boa e está prevista na nossa Constituição. Foi aprovada pelo nosso Congresso!
O presidente Lula deve ter cuidado com os saudosos de Bastista. Eles matam. Aprenderam com Mayer Lansky.
NOTA DO TITULAR DA COLUNA: Esse artigo comemora os 20 anos do blogdoalvaro@blogspot.com.
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