6 de novembro de 2026

A Suíça paraguaia

Lembrem-se disso: o Paraguai não é a Suíça. Hoje os brasileiros que moram lá naquele país já sabem dessa verdade. Mas era possível saber antes, bem antes. Conto aqui uma história.

Quando a gente é jovem faz qualquer tipo de loucura para satisfazer uma vontade. E nós fomos em quatro de São Paulo, onde eu morava com meus pais até Assunção para ver Paraguai 0 X 3 Brasil no dia 17 de agosto de 1969. Eram as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, no México, onde fomos campeões. Num venerando DKW Vemag seminovo de um dos quatro, com seu antigo motor de dois tempos, saímos de São Paulo para Assunção via Foz do Iguaçu. Fizemos só a parada de Foz para chegar logo. A gente não acreditava que o motor suportasse o embalo, mas ele aguentou heroicamente ida e volta. Justificou o apelido de "padre", pois motor de dois tempos não troca o óleo.

Era um jogo duro e a gente corria o risco de apanhar, pois tínhamos levado uma faixa com os dizeres "Avante, putada!" que não agradou os paraguaios no Estádio Puerto Sajonia, hoje Defensores Del Chaco e que fica perto da Avenida Colón, onde nos hospedamos. Aos 25 minutos do segundo tempo Mendonza, zagueiro, marcou contra e Jairzinho e Edu fizeram os dois gols restantes no final do jogo. Saímos corridos do estádio que era menor do que o mostrado nessa foto, feita no ano passado. Mas era um alçapão já bem grandinho!

No dia seguinte a gente ia voltar ao Brasil, mas decidimos tomar um uísque no hotel. Quando botei a bebida na boca, cuspi. Era álcool puro! Até no hotel a bebida era falsa e não adiantou reclamar. Mas no dia seguinte acordei antes dos outros, tomei o café da manhã e esperei pelo resto do pessoal na porta do hotel. Então vi uma senhora já idosa que rebocava uma criança de uns 12, 13 anos. Menina asustada. Ela apontou para a guria e me perguntou:

- Dez dólares?

Entrei correndo pelo hotel adentro, pagamos a conta e só contei a história aos amigos já no carro. Paramos para comemorar em Foz do Iguaçu, longe da raiva paraguaia. Esse é o Paraguai. Consta que melhorou muito nos últimos 47 anos, mas nem tanto assim. Governado pela extrema direita amiga de Donald Trump é um país à venda, como queriam ver o Brasil aqui os descendentes e admiradores de Jair Bolsonaro, o presidiário.

A quebra do Ueno Bank, esperança de alguns brasileiros, era algo previsível. Tanto que viver no Paraguai foi recomendado pelo "Véio da Havan" recentemente. Cerca de 270 mil brasileiros mudaram-se para lá, Assunção principalmente, uma cidade bem arborizada e quase toda plana, mas cheia de gangs, sobretudo no terreno político. Há paralelos fáceis de serem feitos entre Ueno e Master, pois os Vorcaro de lá são parecidos com os daqui. E os governantes de lá são amigos dos Bolsonaro que pensam quase igual a eles e também queriam vender o Brasil aos Estados Unidos como Santiago Penã fez lá. Agora vai dar trabalho desfazer os acordos celebrados e que envolvem abrir todas as portas do país aos ianques para uma base militar e roubo de energia elétrica da Itaipu Binacional. 

A Suíça, gente, é um país modelo da Europa e que tem Berna como capital. É caríssima e dela só conheço Zurique, mesmo assim muito rapidamente. O Paraguai é o Paraguai e pronto. Sobretudo agora com a extrema direita no poder. Aqui, lá, nos Estados Unidos, em todos os lugares essa corrente política saudosa dos movimentos nazi-fascistas europeus é formada sobretudo e principalmente por delinquentes.

Eu não moraria lá. É uma Suíça tão falsa quanto o uísque do hotel. 

3 de novembro de 2026

Turbulência no Reino da Faria Lima

Parecia uma orquestra afinada: passado o susto da derrota nas urnas do extremista de direita Flávio Bolsonaro, o 01 de Jair Messias, e no dia seguinte, 26 de novembro, as grandes redes de televisão foram inundadas por entrevistas com economistas que tinham todos uma só opinião: a da necessidade de se interferir na política econômica do governo Lula para que ela se adapte aos ditames do mercado de capitais, ou simplesmente do mercado, nesse seu quarto mandato. Era - e é - um cardápio único o desses comensais.

E o que é essa entidade tão poderosa e que se situa principamente na Avenida Faria Lima, em São Paulo? Ela é um sistema junto a outro, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) que conecta empresas, governos e investidores, permitindo a captação de recursos financeiros de longo prazo. É diferente do mercado de crédito tradicional do Brasil e de outros países, e no qual bancos intermediam empréstimos com taxas e prazos fechados a juros que podem ser negociados. Nesse mercado de capitais as transferências de recursos ocorrem de forma direta, com emissão e negociação de valores.

Dá para ver logo de saída que no Reino da Faria Lima os negócios envolvem grandes fortunas, interesses ainda maiores e um poder que só tende a se alastrar. A se agigantar. Foi justamente por esse motivo que houve a turbulência. Todos acreditavam piamente numa vitória bolsonarista na eleição que ditaria os rumos do Brasil de 2027 a 2030. Mas ela não aconteceu. Entre as previsões e sua concretização estava um ex-metalúrgico sindicalista com mais de 60 anos de experiência política e capaz de mudar os rumos da maior eleição presidencial que nosso país já patrocinou. Ele e o Exército de Lula comandado pelo deputado federal André Janones.

Que pena; hoje já não se aposta tanto em golpes de Estado como antigamente! As manchetes internacionais como a de The Economist (foto do lado direito) mostram isso. O pasmo a que me referi logo acima, também. A ironia foi todos descobrirem logo após as 21 horas de 25 de outubro que o resultado do primeiro turno da eleição brasileira seria bem menor do que o susto do returno. Sobretudo para os "estudiosos" que já davam entrevistas falando de um futuro governo que poderia durar até oito anos. Golpismos e charutos deixam a boca torta!    

O susto da Faria Lima teve de tudo e até mesmo perdas grandes de dinheiro em apostas feitas antes da contagem dos votos. Até na maratona de Nova Iorque houve memes envolvendo a fuga de Flávio (foto do lado esquerdo). E ninguém no topo da pirâmide social do Brasil esperava que esse ex-metalúrgico desrespeitosamente chamado de "nove dedos" pelo representante dos Bolsonaro em debate de televisão pudesse vencer a Faria Lima, a Meta, o "reinado" Donald Trump, os governos de extrema direita da maioria dos países sul-americanos e mais outras forças que às vezes disfarçadamente e outras vezes nem tanto fizeram de tudo para, como todos diziam, encerrar os tempos do PT no Brasil. Dentre as quais estavam grandes redes de televisão, personagens de destaque no mercado.

Qual é o erro desse grupo de miliardários que mandam nas economias do mundo? Eles, do alto de seus mercados, não enxergam as quitandas da base das pirâmides sociais do mundo todo. E ao menos no Brasil foi possível acordar boa parcela dessa majoritária quintanda financeira brasileira para dizer "não" aos projetos desse mercado. Afinal, as grandes fortunas jamais enxergaram a massa de trabalhadores brasileiros e do restante do mundo senão como massa mesmo e de manobra que pode ser usada e descartada sem um instante de dúvida.

Mas não é assim. Agora mesmo nos Estados Unidos Donald Trump pode estar descobrindo isso. Esse senhor da guerra senil e decrépito vai aprender uma lição eleitoral aos 80 anos de idade: talvez essa descoberta custe muito ao restante do mundo, mas o problema será mínimo se os Estados Unidos mudarem sua forma de se verem como nação após a passagem dele. Afinal, Trump, o Breve, merece isso mesmo: o julgamento duro da história.          


28 de outubro de 2026

As patas de Tio Sam

Restando apenas uma confirmação oficial de que o Governo dos Estados Unidos teve participação direta na fuga do candidato derrotado à presidência Flávio Bolsonaro daqui do Brasil para lá, esse episódio vai se revestir de uma gravidade única na história das relações diplomáticas entre países tão próximos. Os EUA sempre foram uma força intervencionista, sobretudo na defesa de seus interesses mais imediatos. Mas nunca antes como hoje. E no passado, antes da ascensão de Donald Trump ao poder pela segunda vez, jamais um ato ilegal, quase de pirataria, havia sido cometido de modo tão claramente descarado.

Isso há de marcar por muito tempo as relações entre os dois países. E também será a identidade definitiva do que é a política externa do atual presidente ianque.

Agora mesmo tem muita gente comemorando o fato de esse tal 01, moderado de araque, ter ido embora do Brasil. Li alguns "já vai tarde", como se isso encerrasse a questão. Não. Há o chefe do Departamento de Estado Marco Rubio por trás desse ato e de hoje em diante, lá dos Estados Unidos, Flávio fará parte de todo o esforço de chantagem contra o Brasil e que já tem a ajuda de figuras como Steve Bannon, um fascista confesso, beligerante sem limites e que de agora em diante poderá incitar a cada dia mais o clima de hostilidade contra nosso País. E isso vai ser feito sem tréguas, com Flávio se aliando a Eduardo na tarefa. Caberá ao governo brasileiro rastrear dinheiro, pois eles terão que sobreviver agora sem uma fonte de renda conhecida e vinda daqui, já que não têm trabalho regular, remunerado, por lá.

Num passado não muito distante o embaixador Lincoln Gordon serviu de trampolim entre o governo dos EUA e os golpistas que derrubaram o presidente Joao Goulart em 1964 e instalaram uma ditadura militar de 21 anos no Brasil. Hoje as coisas não funcionam dessa forma e uma nova "Operação Brother Sam" seria inviável. Mas Trump é um gangster de paletó e gravata que confessa abertamente estar roubando o petróleo da Venezuela. Que tipo de escrúpulos o impediriam de roubar nossas terras raras? Nenhum!

O desaparecimento descoberto na manhã de ontem foi um fato inédito e que gerou, logo de saída, até mesmo memes como esses que ilustram o texto de hoje. Durante todo o dia, entrando pela noite, legiões de repórteres tentavam saber onde estava o sujeito, sua mulher e duas filhas. O mistério era a tônica até que às 18h30 minutos o senador Rogério Marinho deu entrevista para dizer que o telefone dele não parava de tocar e tudo o que sabia era que o candidato derrotado de domingo havia tirado o dia para "esfriar a cabeça". E ele estava com todo o primeiro escalão do governo que não houve a seu lado, de modo que era difícil acreditar no discurso aparentemente mal ensaiado. Como tudo o que cerca os fatos.

Estamos diante de um teatro de mais autores para tentar explicar como vieram parar aqui, mais uma vez, as patas de Tio Sam. De certo sabe-se que outro membro dessa família de milicianos golpistas foi para os Estados Unidos atentar contra nosso País. O resto já se conhece. Bem como sabemos todos que o núcleo irracional desse movimento fascista contiuará apoiando qualquer insensatez o tempo todo e desfilando de carros com bandeiras do Brasil nas janelas. Felizmente esse simbolismo já começa a perder força.

Mas antes de que isso se corporifique tem gente até mesmo com mandato parlamentar pedindo a demissão de pessoas ligadas ao PT; outros - vejam que perigo! - sugerindo marcar casas e outros lugares ligados a votantes de Lula com estrelas vermelhas pintadas; o presidente da Faculdade de Direito de Vitória, instituição premiada, fez discurso golpista contra o resultado das eleições e até mesmo já foi sugerido que Flávio Bolsonaro, com ajuda dos Estados Unidos, deva ser declarado "presidente do Brasil no exílio" ou qualquer outro título do tipo "samba do crioulo doido" desses que aparecem por essas horas. Temos malucos para tudo, sobretudo em horas insólitas! 

E o governo Lula? Deve desconhecer essa pantomina, claro. Mas não sem antes fazer chegar ao governo dos Estados Unidos nossa indignação com a situação. Trump deve estar perto do fim do seu caminho pouco antes das eleições de meio de mandato por lá... Vamos lembrar em todos os instantes que os reais motivos dessa fuga estão ligados a crimes financeiros de grande monta cometidos sobretudo contra os aposentados e tendo como parceiros de Flávio e o restante do clã Bolsonaro figuras horrorosas como Daniel Veercaro, Willer Tomaz e outros ligados a esse submundo que emergiu dos esgotos com o renascimento da extrema direita política no Brasil.

É uma situação ridícula, mas própria de um movimento de aloprados. Quanto menos espaço eles tiverem, melhor. Vão sofrer de inanição política até que morram, no sentido figurado ou não. Agora, por exemplo, ainda há dúvidas durante o "Hora 1 da Notícia", da Rede Globo, sobre onde deve estar o fugitivo e sua família, mas eles teriam pousado em Guaiaquil, de onde o avião decolou depois para Miami. E já se vão daqui do Brasil tarde. Eles não o merecem. Nunca mereceram. Nem eles nem aqueles que os consideram maiorais de bravata.

26 de outubro de 2026

O golpe continuado

Desde as 21h09m de ontem Lula é presidente pela quarta vez e ganhou as eleições com mais de 4,4 milhões de votos de diferença para seu adversário. Mas é muito esperar que os Bolsonaro reconheçam uma derrota. Eles sempre perdem para o "golpe" embora sejam os golpistas do País desde que surgiram na política aliada ao crime.

Conheço a Universidade Presbiteriana Mackenzie de longa data. Desde muito antes de ela fechar seus portões ontem antes da 17 horas (foto) para não receber mais votantes da eleição presidencial do Brasil. No passado esse berço do fascismo paulista foi palco de fatos criminosos. Quem viveu 1968 se recorda da "Batalha da Maria Antônia", acontecida em 02 de outubro daquele ano. Alunos da Mackenzie e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP eram vizinhas na Rua Maria Antônia e entraram em confronto na época política conturbada e que desembocou no Ato Instituconal n° 5, de 13 de dezembro.
Foi uma batalha campal entre os estudantes da Universidade Federal - contrários à ditadura - e os da elite encastelados na Mackenzie - favoráveis, claro!

Houve vários feridos e um estudante da Federal morto. Ao final a escola na USP teve que ser transferida de local. Ontem, como hoje, as raízes do fascismo estudantil paulista estavam e estão lá. Na eleição presidencial de ontem isso pode ser checado com incrível facilidade. A foto em preto e branco que está aí ao lado talvez seja a única conhecida que restou daquele episódio. O palco para o estupro definitivo da nossa democracia estava sendo preparado pelo fascismo que havia tomado conta do Brasil desde 1º de abril de 1964.

Por que cito esse episódio no artigo de hoje? Porque como sempre os fatos se encadeiam. Hoje, como ontem, o golpismo do Brasil está no mesmo lugar. Ele fica junto à elite brasileira e os símbolos que ela carrega. A Mackenzie sempre foi um desses símbolos. Talvez o mais forte de São Paulo em 1968, quando ainda estavam nos corações e mentes dos brasileiros as "marchas das famílias com Deus pela liberdade" que abriram caminho para o golpe de Estado e a deposição do presidente João Goulart. Vocês notam com a história tenta se repetir? Primeiro como farsa e agora tentando ser tragedia de novo?

Ontem pela manhã, indo em direção à minha sessão eleitoral em Vitória, no bairro classe média de Jardim da Penha, zona norte, onde moro, cruzei com algmas pessoas vestindo o número 22 do candidato do fascismo. Eles sempre estão de semblante carregado. Os que vestiam o 13 da campanha do presidente Lula sorriam e mostravam as mãos com o símbolo do "L". É assim: um lado joga de peito aberto, o outro está acostumado com as sombras.

Flávio Bolsonaro disse que não iria - como não vai - reconhecer a vitória do opositor. Considera-se vítima de "uma sacanagem" como disse em seu pronuncimento rápido de mal perdedor. Recorrerá à Justiça para perder de novo e poder ficar com o discurso de vítima de um golpe que, sabe ele, vem de dentro de sua família. Está no DNA dos Bolsonaro e daquele imenso contingente de brasileiros saudosos da ditadura militar de 1964, de episódios de cunho golpista como a "Batalha da Maria Antônia" e outros. Eles sentem falta do Ato Institucional Número 5, das eleiçõs indiretas e de quando os adversários ou inimigos do regime político podiam sumir da noite para o dia. Agora, não mais. Agora as buzinas tocam depois da eleição e os vencedores comemoram na certeza de que, apesar de o golpe ser continuado, sempre haverá outro dia de sol e o Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Ainda bem que vivi para ver isso!

23 de outubro de 2026

As faces da verdade

O filme "O outro lado das redes" (imagem ao lado), que entrou em cartaz ontem, pode ser explicado como "um drama biográfico de suspense funcionando como a sequência independente de 'A rede social'". Ao menos assim explica a sinopse oficial. Mostra fatos reais ocorridos em 2019/2021, quando uma informante, a engenheira Francis Haugen que é vivida por Mikey Madison passou informações sigilosas sobre o Facebook, agora Meta, ao jornalista Jeff Horwitz (Jeremy Allen White), do The Wall Street Journal.

O resultado foram as reportagens "Os arquivos do Facebook" que desnudaram essa empresa e o empresário Mark Zuckerberg, cofundador da hoje Meta Platforms, ainda muito pior que a anterior e focada, como sempre, apenas em lucro, não importando as suas consequências.

As faces da verdade são muitas. Tanto que apesar do escândalo da época e de suas vertentes judiciais perdurando até hoje, a empresa que congrega as redes sociais Wastsapp, Facebook e Instagram continua atuando sem limites e fazendo mal não apenas àqueles de seu alcance direto nos Estados Unidos, mas também aos brasileiros que estão sendo atingidos pela interferência em nossas eleições e que vem sendo praticada com orientações que partem diretamente da Casa Branca, onde Zuckerberg é um cão de faro favorito a serviço do atual presidente norte-americano Donald Trump e sua entourage ou séquito, quadrilha, etc.

Aqui  no Brasil teremos domingo o segundo turno das eleiçoes presidenciais que colocam frente a frente o miliciano Flávio Bolsonaro e o presidente Luis Inácio Lula da Silva, que tenta sua quarta e última reeleição como presidente. Os brasileiros estão tendo que decidir entre um político da velha guarda, ex-retirante nordestimo e focado até hoje em causas sociais e um gangster de paletó e gravata, amante da ditadura militar 1964/1985 e que segue a cartilha, a cantilena de seu pai, o hoje presidiário Jair Messias Bolsonaro. Mais do que isso: servil ao extremo, já tendo tentado até mesmo mais de um pedido de intervenção militar norte-americana no Brasil e admirador de torturadores da época ditatorial.  

Em tempos normais seria uma escolha fácil. Mas não vivemos tempos normais.

Peca contra a lógica ou age de forma desonesta quem imagina os Estados Unidos apenas acompanhando à distância nossa eleição. Claro que não. O Brasil tem importância estratégica na América Latina, sobretudo na América do Sul, e é o último país importante que os EUA desejam ter sob sua influência direta no atual governo Trump, cujo foco é ter todo o hemisfério ocidental como sua área de influência direta. Esse é o projeto da extrema direita renascidas das cinzas de ditaduras passadas para as américas e que se insere num outro projeto, esse global, da estrema direita mundial também renascida. Nesse caso Donald Trump, Benjamin Netanyahu e outros menos votados são o epicentro do fenômeno que surgiu no início do século passado como mostra a ilustração e sob a inspiração de Benito Mussolini na Itália e Adolf Hitler na Alemanha. Eram movimentos de massa, como hoje...  

Por que vivemos um período decisivo? Porque
vamos definir nosso futuro domingo. E também se teremos futuro, porque o projeto da extrema direita é entregar o Brasil e suas riquezas de bandeja aos Estados Unidos. Sobretudo as terras raras, um imenso mar de minerais estratégicos que foi colocado sob nosso solo. E porque dentro de duas semanas serão os Estados Unidos a tentar cortar as asas desse abutre com ninho na Casa Branca e que pode, se tudo der certo, passar a ser apenas um pato manco, como se diz por lá e na segunda metade de seu mandato tendo que prestar contas a um Congresso então de maioria democrática.

É preciso ter em mente a dimensão do que estamos vivendo. A escolha de domingo deve ser a maior de todos os tempos para os brasileiros. Ou o Brasil segue soberano em seu caminho de progresso para além dos tempos de Lula, que em função de idade deste já estão chegando ao fim, ou acordamos segunda-feira novamente em 1964. Talvez até mesmo por causa disso o ministro Nunes Marques, do Superior Tribunal Eleitoral, ameace tanto o "Exercito de Lula" e consulte a Meta antes de tomar decisões de censura e antidemocráticas. Nós, os mais velhos, sabemos como isso se dá e o que foi há 62 anos...

19 de outubro de 2026

O gangster em sua arena


Esse que está publicado aí acima é o meme mais gentil que encontrei referente ao "debate" de ontem à noite na Band TV entre o presidente Lula (PT) e o candidato Flávio Bolsonaro, do PL. E foi ele próprio, o candidato, quem se colocou nessa situação ao ficar andando de um lado para o outro durante o tempo todo da transmissão de televisão, sempre atrás do presidente e com o claro intuito de atrair para si as atenções daqueles que acompanhavam o programa. Uma tática, como devo dizer, bem no estilo de Donald Trump e que consiste em atacar sempre, de maneira torpe e não responder a praticamente nada que incomode. 

Flávio Bolsonaro não é mais do que um gangster da política atual. Atua nas sombras, envolvido com crimes e criminosos e representando o que de pior a extrema direita política brasileira gerou nos últmos anos. Ele estar à frente das rachadinhas e da compra de sua mansão em Brasília é o mínimo. Também tomou ao jogador Richarlison uma propriedade na Ilha Comprida, Rio de Janeiro, "na mão grande", como explicou o atleta. A questão é tão insólita e estranha quanto qualquer outra história envolvendo a família Bolsonaro. Além disso são públicas e notórias as ligações desse 01 com milícias e outros gêneros de crime organizado, o que inclui até mesmo condecoraçoes dadas a criminosos condenados.

No debade de ontem à noite ele jogou por terra qualquer expectativa de que houvesse um confronto de ideias naquele ambiente. Desde o início levou a discussão para o terreno das agressões pessoais e passou o tempo todo chamando o adversário de mentiroso e acusando o governo atual de estar envolvido em corrupção. Mas em momento algum especificou a que caso ou casos de corrupção se referia. Essa é uma tática solerte, mas que em muitas situações dá resultado: jogar sobre o adversário as acusações que normalmente pesam contra quem acusa, repeti-las à exaustão e ao menos gerar dúvida razoável entre os espectadores. E isso ele fez. Estava bem treinado e o presidente chegou a se retrair, talvez de susto, no início.

Nem mesmo as tais "considerações finais" puderam ser feitas com calma porque a claque ficou histérica e isso levou a de Lula ao mesmo comportamento. Os dois jornalistas escalados pra mediar o debate devem ter saído de lá com a cabeça quente, da mesma forma que os telespectadores. Agora teremos outro episódio como esse na sexta-feira que vem, desta feita promovido pela Rede Globo. Ao menos o formato deve ser mudado. 48 horas antes da eleição não temos a esperança de ver outro Flávio, mais civilizado, no palco do combate, já que confronto de ideias dificilmente poderemos ver com esse personagem em cena.

Vejam com a questão é complicada. O candidato não explica coisa alguma, acusa de forma calhorda, promete reduzir despesas ao extremo sem dizer de onde o dinheiro vai "encolher" ao mesmo tempo em que garante manter projetos sociais do atual governo com custo elevado e, pior de tudo, recusa-se de forma definitiva a dizer o que foi feito com os R$ 134 milhões dados a ele pelo "banqueiro" Daniel Vorcaro ao mesmo tempo em que toma para si acusações levianas feitas por uma suposta amiga do filho do presidente, arrota outra acusação falsa de tomada de dinheiro desse mesmo Vorcaro para a feitura de um filme da vida de Lula que jamais existiu - fatos já negados -, transita entre essas acusações levianas com a desenvoltura de um porco no chiqueiro e insufla sua claque o tempo todo com o intuito gerar a cada vez mais confusão e desconforto. Conseguiu!

Houve um momento que deve ser destacado: o presidente Lula sugeriu a abertura total de contas dele e de Flávio Bolsonaro para o Brasil saber quem é corrupto. Ou então se ambos são. Ele, claro, desconversou.  Pode alguém como Flávio Bolsonaro governar o Brasil? Poder pode porque a Constituição permite, mas não deveria. Se num debate feito com o objetivo convencer eleitores indecisos sobre qual dos dois candidatos é o ideal para exercer a presidência da República do Brasil ele já impede de forma desonesta que ideias e projetos sejam apresentados, estamos diante da expectativa do caos. O que iria ser, caso Flávio se eleja, o Ministério da Prosperidade? Que atribuições teria? Que tipo de especialidades seriam entregues a ele? Quem seria o ministro? Um adepto de Olavo de Carvalho, um ideólogo de Donald Trump ou um general da ativa especializado em estatística?

Domingo dia 25 o Brasil vai decidir se teremos futuro ou não.

18 de outubro de 2026

Mais um ovo da serpente

O Projeto de Lei (PL) 3.723/2019, enviado ao Congresso Nacional originariamente por Jair Bolsonaro e agora defendido pelo seu filho 01, Flávio, propõe a alteração de normas sobre controle de armamentos e munições, o que inclui a dispensa ou revogação da exigência de marcação e/ou numeração de identificação de lote nos cartuchos e cápsulas de munição. Essa aberração foi aprovada pela Câmara dos Deputados e depois passou por discussão e impasses no Senado Federal, onde se encontra. O filho e candidato a presidente a defendeu na entrevista ao Jornal Nacional de quinta-feira última à noite.

Vamos recuar no tempo. Na década de 1970 o Brasil estava infestado de esquadrões da morte. Em Vitória um cemitério clandestino foi descoberto na Barra do Jucu, município de Vila Velha, onde eram desovados cadáveres de pessoas perseguidas pelos órgãos policiais ou de segurança. Não eram apenas criminosos comuns, mas também aqueles considerados "inimigos do Estado" tais como adversários políticos ou perseguidos pelas autoridades. Na ocasião eu era editor de esportes do jornal A Gazeta e trabalhava também como correspondente do jornal Folha de S. Paulo. A mim foi dada a incumbência de cobrir aquele fato para os jornais do Grupo Folhas.

Era fedorento chegar perto da Suprintendência de Polícia Civil, que ficava na Rua 7 de Setembro e depois em Bento Ferreira. Mas fui lá porque tinha que ir. O processo do Esquadrão da Morte do Espírito Santo envolveu um grande número de policiais que acabaram sendo acusados, presos e condenados, alguns a mais de 200 anos de prisão. Fui uma vez tentar ouvir o delegado Oswaldo Simões Sales, o Quito, homem extremamente violento. Na porta do gabinete dele havia uma placa: "O que você ver aqui, o que você ouvir aqui, quando sair daqui, deixe ficar aqui". O certo é escrever "O que você vir aqui", mas é muito esperar algum conhecimento da língua portuguesa por parte daquela gente.

Ouvi várias ameaças veladas de Quito referentes a não escrever "coisas inconvenientes" porque esse tal esquadrão da morte "não existe". Mas existia sim e seus membros exibiam com orgulho os chaveiros e outros adereços da Scuderie Detetive Le Coq, que os identificava (segunda foto). Note que no escudo existe um "E.M" bem marcado e que significava Esqudrão da Morte, embora eles o identificassem como Esquadrão Motorizado. Tenho histórias sobre isso contadas em meu romance "O faxineiro" (Edições Tertúlia, 2015).

Era muito difícil chegar aos criminosos de então. As marcações de munição foram instituídas para facilitar a perícia e identificar criminosos, principalmente os que se escondiam e se encondem nos organismos policiais do Brasil todo. Aliás, eles são uma fixação de Flávio Nantes Bolsonaro, conhecido apoiador de milicianos e outros criminosos comuns. Alguns, homenageou quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro onde o crime organizado é muito forte hoje, como sempre foi.

Esse projeto de lei que o candidato bolsonarista considera coisa pequena, "um detalhezinho" como disse na entrevista, será um salvo conduto para os novos esquadrões da morte. O pai, Jair, sempre foi suspeito de apoiar, esconder e até de participar dessas organizações criminosas. Em 04 de julho de 1995 panfletava para sua campanha à reeleição no Rio de Janeiro em Vila Isabel quando foi rendido por dois assaltantes. Teve roubada a moto Honda Sahara seminova de 350 cilindradas e uma pistola Glock calibre 380 que estava sob a jaqueta. Um dos assaltantes, Jorge Luís dos Santos, acabou identificado e preso em Salvador dias depois. Trazido para o Rio de Janeiro foi "encontrado" morto por enforcamento numa cela da Divisão de Polícia Civil da Barra da Tijuca. Era chefe de tráfico em Acari e seu assassino jamais foi encontrado. Teria sido ao menos procurado?...

Flávio levará ao Planalto os mesmos vínculos caso o Brasil cometa a insanidade de o eleger presidente da República. Como deputado estadual carioca ele condedeu moções de louvor, título e a Medalha Tiradentes e diversos policiais militares que depois foram investigados, denunciados e até condenados por homicídio, corrupção e participação em milícias e grupos de extermínio. Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do BOPE, acusado pelo "Escritório do Crime" (um nome novo, mais moderno!)  e chefe de milícia em Rio das Pedras é o maior exemplo desse grupo que ainda conta com Fabrício Queiroz e outros.

Cabe a pergunta: é esse o Brasil que você quer?       

15 de outubro de 2026

O fascismo e a prosperidade

 
Flávio Bolsonaro diz que se vencer a eleição de 25 deste mês vai criar o "Ministério da Prosperidade" e ficar sempre, o tempo todo de seu mandato que ele pretende aumentar para cinco anos, "junto ao povo brasileiro". Isso não é novidade na história moderna e vou contar a vocês como surgiu o "Carro do Povo" lançado há quase um século na Alemanha e cujo chefe de Estado, Adolf Hitler queria o amor incondicional de sua população.

Quando esse futuro ditador assumiu o poder na Alemanha, em 1933, seu país tinha um dos menores índices de motorização da Europa e ele queria mudar isso. Radicalmente. Inspirando-se em um modelo de produção em massa que havia sido criado por Henry Ford nos Estados Unidos, tocou o projeto de construir as "autobahns", rede de estradas alemãs tambem chamadas de "autobahnen" ou "Bundesautobahn". Mas pretendia mais: precisava de um carro para o povo chamar de seu e que custasse no máximo 1.000 Marcos do Reich, preço de uma moto na época. Ele entregou o projeto a Ferdinand Porsche - nome que nos remete até hoje a bons automóveis - e fez mais uma série de exigências que não vêem ao caso no nosso artigo. O carro foi lançado depois de idas e vindas - foto do lançamento - e se tornou, com o passar dos tempos, no icônico Fusca que os brasileiros amaram a partir de 1959. Cada um de nós tem ao menos uma história com eles.

Só para nos "alegrar", o projeto também se chamou KdF-Wagen (Kraft durch Freude ou "Força pela Alegria"). Que coisa bonitinha! Em 1959 ele passou a ser montado no Brasil, em São Paulo. As autobahns alemãs existem até hoje e lá elas não têm limite de velocidade em certos trechos onde "se recomenda" não passar dos 130 quilômetro por hora. Aqui isso ia fazer um sucesso incapaz de ser imaginado pelos mais prudentes. 

A prosperidade e a alegria sempre foram fixações do fascismo ou da extrema direita política, como vocês preferirem chamar sem que a gente entre em considerações acadêmicas. Esse projeto esconde o totalitarismo, as ditaduras civis e militares e os governos que pretendem se eternizar no poder. Hitler destruiu a democracia da Alemanha, tentou conquistar o mundo, gerou a II Guerra Mundial, os campos de concentração ou extermínio e sua guerra foi responsável por cerca de 40 milhões de mortos totais, a maioria deles civis e não só na Europa.

Por trás de uma aparência quase gentil, Flávio Bolsonaro, o 01 esconde um projeto extremista de poder e que começou com a ascensão do pai, o militar frustrado que tentou um golpe de Estado em 08 de janeiro de 2023 para não deixar a presidência a seu sucessor. Agora o clã quer voltar ao poder do Brasil, o último país da América do Sul que tem importância continental e ainda não se rendeu aos planos do novo fascismo que aqui em nosso continente é representado por Donald Trump, comandante do esquema mundial e encastelado na Casa Branca, onde elabora planos planetários. Mirabolantes.

Esse Flávio não tem compromisso algum com a democracia. Da mesma forma que Tarcísio de Freitas em São Paulo, Sérgio Moro no Paraná, Jorginho Melo em Santa Catarina e agora Luciano Zucco no Rio Grande do Sul. Cuidado, capixabas, com Lorenzo Pazolini aqui no Espírito Santo. Ele é um dos tentáculos desse polvo de proporções gigantescas...

Por tudo o que foi dito e ainda muito mais, é preciso preservar o Brasil. Já há fazendeiros querendo invadir terras de povos naturais, incêndios florestais e destruição de centros de estudos e pequisas em Universidades Federais. Tudo o que representa o progresso no Brasil e no restante do mundo eles odeiam. Acredito piamente na capacidade que temos de vencer a eleição de 25 de outubro, colocando para fora do poder de Estado do Brasil esse projeto que não chamo de tupiniquim em respeito aos nossos lindos povos originários.

Vamos lutar contra isso. Chorar o leite derramado vai ser muito pior. 

13 de outubro de 2026

O Estado fraturado

Às vésperas de um segundo turno de eleição presidencial nós, os brasileiros, independente de corrente política assumida, vivemos em um Estado fraturado. Com fratura exposta. Dividido quase literalmete ao meio e em um clima de quase guerra civil e que deveria ter no Poder Judiciário um elemento pacificador. Mas não esse o nosso caso.

A cisão dos últimos tempos levou à polarização social que representa o afastamento das posições em direção a dois extremos ideológicos - esquerda e direita - que enfraquecem as posições moderadas e, sobretudo, o Centro. E estou me referindo à direita ideológica, situada anos luz de distância da extrema direita em ascenção no mundo e no Brasil e também ao Centrão, o aleijão político oportunista quase próximo do assalto a mão armada.

Os últimos eventos envolvendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e seu presidente, o ministro Kassio Nunes Marques, são o retrato do que ocorre nas cortes superiores de Justiça à vésperas dessa eleição. Escolhido pelo ex-presidente hoje condenado e mantido em prisão domiciliar já faz um bom tempo, Jair Bolsonaro, vê este comandar a extrema direita de seu endereço no Jardim Botânico de Brasília. Até as paredes sabem que nem uma única pedra é movimentada nesses tempos turvos sem seu conhecimento e aprovação.

Hoje o filho candidato a presidente recebeu autorização de visita e disse ter encontrado o pai feliz com o resultado do primeiro turno. Ele sabe disso desde o dia da contagem dos votos. Sabe também que passos seu espectro político deve dar daqui para a frente e que ordens diretas passar aos aliados, inclusive Kassio e André Mendonça.

O leitor acredita que Jair é um doente necessitando de tantos cuidados? Creio que não. Informa-se diariamente pela TV, internet e embora tenha restrição de acesso a seu próprio celular, o da esposa está livre e solto. Condenado a 27 anos e três meses de prisão, esse ex-presidente não passou um único dia trancafiado. É um caso único entre os presos brasileiros. Prova viva de que tentar golpe de Estado no Brasil é um ótimo negócio. Basta viajar para os Estados Unidos, se fazer de vítima e comandar o circo da extrema direita.

O Governo Lula seria totalmente inocente nesse espetáculo de baixa qualidade se não tivesse sido indiretamente envolvido nele graças ao fato de os tentáculos de Daniel Vorcaro terem atingido o Supremo Tribunal Federal. Mas não sua administração, apesar dos esforços de parte da chamada "Grande Imprensa" em conseguir isso via seu filho Lulinha. Ao menos se trata de um coadjuvante que não sabe manter distância protocolar da arena dos lobos.

O Estado fraturado não vai sair incólume desse processo. E embora a imensa maioria da bandidagem atual esteja encastelada no PL e proximidades, o jogo político de baixo escalão faz com que a lama de Brasília atinja a todos quase indistintamente. Kassio Nunes Marques, dono de vínculos com o escândalo Master, precisa de uma vitória bolsonarista para se manter quase incólume no submundo da extrema direita. Tem envidado esforços nesse sentido. Hoje, com o clima quase irrespirável do Brasil, já não é possível cravar que as eleições ocorram sem sangue derramado. Fogo em patrimônio público já há. 

8 de outubro de 2026

Crime de Responsabildade, a vingança

Desde o final da noite de domingo último o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se apoderou das narrativas eleitorais como se já fosse o novo presidente da República. Mas seu receituário de projetos seria apenas estranho se partisse de um político de viés democrático. Em se tratando do filho de um golpista amante da ditadura militar 1964/85, fã do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra e que tentou concluir um golpe de Estado no Brasil em janeiro de 2023 os discursos aparentemente inocentes têm o odor fétido dos esgotos de onde saiu a extrema direita política brasileira nos últimos tempos.

"Reformar a Constituição"? "Redemocratizar o Brasil"? De onde esse indivíduo tirou esses termos sem sentido no Brasil de hoje? Nosso país é uma democracia que provavelmente serve de modelo a muitas outras pelo mundo afora. Menos para quem quer ter o Judiciário no bolso da calça. Esse Flávio não tem noção do que fala ou seu linguajar vem diretamente do condomínio onde mora seu pai, o condenado por atos antidemocráticos? Vamos conferir!

Já se falou que a conquista de maioria absoluta no Senado serviria para que diversos próceres da República, notadamente membros do Supremo Tribunal Federal possam vir a sofrer impeachment acusados de "crime de responsabilidade". O que vem a ser isso? Trata-se de uma "infração político-administrativa que pode vir a ser cometida por por agentes políticos quando esses atentam contra a Constituição e o funcionamento regular das instituições democráticas". Na prática tem que haver um delito comprovado e praticado pelo alvo para que ele seja processado e afastado do cargo. Só que quando se trata de vingança política, de vindita, qualquer bom escritório de advocacia monta um caso e o envia ao Senado. A "Comissão de Constituição e Justiça" montada a caráter para representar não o Direito, mas o Governo, faz o resto. Com incrível facilidade, como sempre.

Os termos jurídicos que classificam o "crime de responsabilidade" são vagos, genéricos e qualquer grupo de espertalhões pode usar expedientes os mais variados para fazer pedidos de teor de impeachment. Dentro e fora do Congresso. Durante os últimos anos uma centena ou mais de solicitações do gênero dormitaram nas gavetas dos presidentes da Câmara e do Senado, que não as levaram adiante. Agora, ao que parece, a estrema direita encastelada no PL quer  tornar esse sonho realidade. Fazer da farinha de trigo um pão doce recheado. Usar o "crime de responsabilidade" como uma vingança contra os que ocuparam o poder de Estado no último mandato em lugar de Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, o filho mais velho e seguidor do pai, tenta usar máscara parecida com as dos atores de uma série vitoriosa de TV (FOTO) para se esconder ou camuflar um projeto antes de chegar ao poder, se chegar, para então estar em condições de impor as vontades do grupo que representa. Já está montando até seu ministério (SIC!). Mas não consegue passar honestidade no que faz. O enredo é conhecido demais, o elenco, muito fraco e um dark horse em Brasília não sairia inteiro do papel. Principamente nos dias de hoje, quando sabidamente o papai Jair mais uma vez não poderá contar com a ajuda das Forças Armadas, pois seu grupo de apoio fascista a cada dia mingua mais. Que pena para ele!

Hoje é quinta-feira, véspera do reinício da propaganda eleitoral gratuita e do dia em que os novos projetos vão ser mostrados pelo presidente candidato à reeleição.Talvez ele mostre nesse horário eleitoral em que falcatruas seu adversário se envolveu nos últimos tempos, pois boa parte delas não foi denunciada pela grande imprensa, chamada por ela mesma de "imprensa profissional". E são delitos - podem ser chamados assim - comprovados. Será que o brasileiro de hoje conviverá facilmente com crimes que envolvem conchavos com milicianos, uso de uma imensidão de dinheiro fácil e apoios parlamentares que passam de um lado para o outro ao sabor dos ventos de campanha. Isso está longe do ideal.

Hoje, nessas vésperas, o TSE julga se os votos dados ao candidato Garotinho no Rio de Janeiro são nulos ou não. E se Deltan Dallagnol, no Paraná, pode ser senador mesmo estando inelegível e envolvido numa imensa série de escândalos que envolvem também o governador eleito pelos paranaenses Sérgio Moro. Os julgamentos atuais do TSE e do STF, nesses tampos bicudos me remetem a um aforismo apócrifo que diz há séculos: "aos amigos os favores; aos inimigos os rigores da lei". Isso já foi atribuído a Nicolau Maquiavel e a Getúlio Vargas. Ambos são inocentes no caso citado...

Talvez não haja inocentes na política brasileira daqui para a frente. Vamos torcer ao mesmo por um desfecho sem que tribunais superiores sejam provocados. E sem que o candidato da oposição fale em jogar dentro das "quatro linhas". Isso é sinônimo de golpe, hoje e sempre!

6 de outubro de 2026

Luto? Não, luta!

 

Vamos cometer um erro se tentarmos inverter o resultado da eleição de domingo - e isso vai acontecer, creiam todos! - tentando infantilizar ou imbecilizar o eleitor brasileiro. Ele vai se sentir agredido! Uma vez, falando sobre a onda fascista na Alemanha, William Reich disse: "As massas não foram enganadas, elas desejam o fascismo". Em abril de 1945 se viram diante do grande erro praticado, mas então já era tarde. Uma imensa maioria dos brasileiros que hoje apostam na extrema direita não tem a exata noção do que está fazendo e houve o canto das sereias. Mas a melhor forma de acordá-los é com a razão, embora eu acredite que nada pode levar a isso quem reza diante de pneu, por exemplo.

Uma vez mostrei a imagem de um punho cerrado e erguido para uma pessoa cética. Esse aí da foto e de uma pessoa negra. Ela me perguntou porque eu gostava desses símbolos "do comunismo". Expliquei que o simbolismo remonta à antiga Assíria como sinal de desafio diante da violência. Atravessou os tempos significando resistência, força, solidariedade e unidade. Hoje é amplamente usado contra racismo, sexismo e opressão, tendo sido muito utilizado, claro, por movimentos de esquerda política. Só para ilustrar, a civilização Assíria existiu por cerca de 19 séculos até ser extinta por colapso por volta do século VII a.C.

Hoje os que desejam a vitória do candidato Lula nessa eleição não estão de luto. Se estivessem já teriam perdido. Eles estão em estado de luta, isso sim. E cabe ao movimento antifascista mostrar aos demais brasileiros que eles devem abandonar a bandeira do atraso que só na II Grande Guerra levou à morte 60 milhões de pessoas e então abraçar a aposta no futuro. Cerca de 33 milhões de brasileiros não votaram domingo. Eles precisam estar presentes às cabines de votação no II turno. Os demais, também. E cabe sobretudo à campanha de reeleição mostrar a esses brasileiros e aos demais tudo o que será perdido com a volta da extrema direita ao poder. A começar pelos programas sociais. Todos eles.

Sempre pergunto às pessoas se elas usam o Farmácia Popular. Eu uso! O Bolsa Família. Não uso porque seria uma desonestidade! O Minha Casa, Minha Vida. Já moro em casa própria! E mais uma infinidade de outros benefícios como o Desenrola, por exemplo. Não estou endividado! Tudo isso vai ser perdido ou reduzido a quase nada. As Universidades Federais, pobres delas. Os Institutos Federais também. As verbas da Educação serão retiradas do MEC para o ensino público ser sucateado e não haver a obrigação legal de o Estado investir no setor. Se você quiser estudar, vire-se nas escolas particulares, as privadas e caras. Durante o governo anterior foi amplamente dito que universidade é para os ricos!

Com todos os seus defeitos, Lula é um homem que nasceu na pobreza e veio para a cidade grande de pau de arara. Ele trabalhou duro como torneiro mecânico, perdeu um dedo em acidente de trabalho e vive com foco no social por destino. Era um líder sindical. Seu adversário jamais deu um dia de trabalho duro. Viveu de expedientes, golpes, rachadinhas e apoio a criminosos como assasinos de aluguel e milicianos. Na extensa ficha corrida de sua familícia constam dezenas de compras de imóveis em dinheiro vivo. Ultimamente também desonestidades envolvendo filmes, Banco Master e farras com uísque e prostitutas.

Foram as redes sociais que impulsionaram Flávio e seus seguidores. Somente um deles, Nikolas Ferreira, teve quase 3,2 milhões de votos impulsionados por carradas de mentiras "vendidas" em redes sociais. Conseguiu ser feito seguidor, ídolo, por uma imensa legião de fãs que acreditam nele. Recentemente - e isso está gravado - esse sujeito disse que as pessoas acreditam em tudo o que diz porque são burras. Por isso não são de esquerda, para não terem de estudar. Ele faz renascer em nós o pensamento monumental de nosso eterno Ziraldo: "No Brasil, homem público é o masculino de mulher pública".

Luto? Não, luta!

5 de outubro de 2026

O vulcão

 

Quem foram as pessoas que colocaram seus dedos na tecla "confirma" das urnas eletrônicas, como na foto acima, e conseguiram, como se diria no futebol, dar um "drible de corpo" em todos os institutos de pesquisa do Brasil nas eleições de ontem? Mais importante ainda: por que cerca de 33 milhões de brasileiros não foram às urnas para participar da escolha do novo presidente, senadores, deputados federais e estaduais, além de governadores deste país? Pior: a soma das abstenções com votos nulos e brancos chega a 24,63 por cento do eleitorado no 1° turno. Talvez a resposta a essas duas perguntas seja mais importante do que avaliarmos agora como se deu a vitória da extrema direita nas eleições brasileiras.

Afinal, um vulcão  entrou ontem em erupção por aqui. 

É fato afirmar uma coisa: estamos diante do risco de sermos governados por um plantel miliciano-evangélico nos próximos quatro anos graças a denominações neo pentecostais que invadem a vida pública no rastro de cometa dos princípios da "Teologia do Domínio" importada dos Estados Unidos de alguns anos para cá. E de vermos crescer no Brasil a política por familiares. Magno Malta não conseguiu eleger sua filha, a inexpressiva Maguinha, mas Jair Bolsonaro tem quase toda a família hoje em cargos públicos eletivos. Carlos agora vai para Brasília juntamente com Jair Renan, o filho mais novo. O suplente de Michele é seu irmão e o da amiga do coração, Damares Alves, o próprio filho. Todos serão diplomados durante férias que elas terão ao longo dos oito anos de mandato. Que beleza!

Outra coisa que surpreende são as votações de Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, ambos do PL de Minas Gerais e São Paulo, respectivamente, que somaram mais de três milhões de votos. Eles são a fina flor do reacionarismo político nacional. A extrema direita raiz! A estes soma-se pelo menos Eduarda Campopiano, de Praia Grande, deputada estadual mais votada em São Paulo. A moça - ela é jovem, com 23 anos - agradeceu aos colonizadores pelo fato de o Brasil existir e associou os indígenas - que ela chama de índios - ao canibalismo. Essas pessoas foram eleitas pelos brasileiros e possuem mandatos legais, lícitos.

E quem é o eleitor brasileiro? Tenho um hábito simples e que é o de perguntar a pessoas com as quais converso qual é a diferença entre deputado federal e senador em termos de suas atribuições de mandato. Quase ninguém sabe nada, nem mesmo parlamentares eleitos. E é uma coisa simples: deputados representam o povo que os elegeu enquanto senadores são representantes dos Estados aos quais estão ligados e a seus interesses regionais no plano federal. Não, atingir o Supremo Tribunal Federal não figura como principal atividade senatorial. Ele, o senador, é membro de uma casa revisora e deve avaliar e discutir, além de modificar, se for o caso, os projetos que já passaram pela Câmara Federal. A ele cabe ver se esses textos interessam a seus estados, àqueles pelos quais foram eleitos.

Mas a Constituição também delega a eles o direito de processar, de julgar autoridades como o Presidente da República, ministros de Estado e também do STF em "crimes de responsabilidade" que podem levar até a impeachment. E aqui está o projeto da vida de vários deles. Razão pela qual fizeram campanha e foram eleitos no Brasil desses tempos polarizados.

Como vai ser, então, o segundo turno das eleições deste ano? O vencedor do primeiro turno é um gangster miliciano, praticante de rachadinhas, membro de uma família que compra às dezenas imóveis vários, condecorador de criminosos e que nada faz na política. Ao menos nada fez até hoje. Seu adversário, Lula, é conhecido como o presidente que mais se volta a projetos sociais, vindo que é de uma família nordestina muito pobre e que chegou a São Paulo de Pau de Arara. Tem mutos defeitos, mas é dono da maior, da mais vasta e bonita carreira política da história de nosso país. Todos os que falaram, desde ontem até agora sobre o resultado do primeiro turno das eleições dizem que o principal defeito da campanha de Lula reside na comunicação. Se são todos, eles não podem estar errados. Então, esse é o ponto! Mas o PT, partido do candidato, também precisa se abrir mais no plano das alianças.

Assusta ver na internet postagens como a que publicamos acima e de autoria de Paulo Motoryn. Esse mesmo texto, um pouco modificado também foi levado ao ar com o desenho de um fradinho do nosso imortal Henfil. Você viveu os idos de 1964? Passou pelo que houve depois daquilo? Se não é esse seu caso, leia um pouco sobre o assunto. Estude a história recente do Brasil e saiba porque nós não podemos aceitar retroceder 72 anos na vida nacional. Seria muito doloroso, seria trágico passar por novos 21 anos de ditadura militar. A ditadura que os Bolsonaro tanto admiram a ponto de elogiarem até os torturadores nossos mais cruéis, como é o caso do miserável Carlos Alberto Brilhante Ustra. Não, a gente não merece.  

2 de outubro de 2026

Insegurança globística

Agora pela manhã é unânime em veículos do Sistema Globo um discurso preparado: a insegurança jurídica (sic!) provocada por decisões judiciais monocráticas de ontem fizeram a Rede Globo cancelar o debate que seria o filé mignon da cobertura das eleições de domingo. O palco já estava armado (foto acima), o púlpito vazio de Lula, colocado devidamente no seu lugar e até o lugarzinho de última hora, garantido para Romeu Zema e seu um por cento de preferência popular estava lá. Mas a emisorra estrelada cancelou tudo. A festa não ficou como ela queria e não havia tempo hábil para mudar cenário tão cafona.

Falar de insegurança jurídica é fácil quando as sentenças são desfavoráveis a nós e não há tempo para recorrer. E de decisões monocráticas também. O presidente Lula recorreu contra o fato de que iriam todos os adversários, representantes da direita e extrema direita política, se voltar ao púlpito vazio para perguntas capciosas. Renan Santos também recorreu para pedir seu lugar de candidato com maior percentual de votos que ao menos um dos escolhidos para ter púlpito. Finalmente, Flávio Bolsonaro desistiu porque não queria "adversários" que levantassem o podres dele no debate. Então a Globo desistiu porque àquela altura, num podcast, Lula já arregimentava 1,5 milhão de espectadores à sua fala.

Todo mundo tem o direito de não gostar, protestar, espernear e xingar. Só que para os jornalistas da Rede Globo é ao menos insensato falar que os tribunais superiores estão fragilizando a democracia do Brasil com as decisões de ontem. Há três anos e pouco menos de oito meses estivemos dentro do turbilhão de um quase golpe de Estado provocado pelo governo que antecedeu o atual. Hoje embaixada e consulados dos Estados Unidos foram fechados "por medida de segurança" em diversos pontos do Brasil. Diversas denúncias sérias contra Flávio Bolsonaro estão sendo omitidas pelo Sistema Globo e demais veículos de nossa "grande imprensa" e que envolvem até prostitutas em festas com Daniel Vorcaro. A hora deveria ser a de dosar ao máximo o teor "revolucionário" do choro incontido.

É preciso medir as consequências: quando um veículo que tem a penetração da Rede Globo, num momento como o de agora, fala em democracia frágil, deve saber o que pode estar pavimentando. Quando esse mesmo veículo diz que os tribunais superiores, ao emitirem decisões monocráticas sobre um caso urgente - não havia como fazer diferente - estão fortalecendo a possibilidade de o Brasil eleger o Senado com discurso de atingir em cheio o Judiciario, deve saber o que vai representar para o Brasil um poder senatorial formado por nomes da extrema direita tirando poder da Justiça. Assim nascem as ditaduras.

Mesmo os não formados em Direito, como é meu caso, sabem que a Justiça age quando provocada. Tem que agir. É obrigada a fazer isso. No caso de ontem, havia lacunas nas decisões acerca desse último debate que não tinham ainda sido dadas a público. E brechas através das quais bons advogados podem com facilidade produzir textos legais pedindo mudanças de última hora. Tudo isso deveria estar previsto, caso contrário a inclusão de Romeu Zema no debate não teria sido aceita sem questionamentos no início da noite do evento. O vendaval só surgiu quando Flávio Bolsonaro, aquele contra quem as maiores denúncias não foram divulgadas, fugiu de cena ao ver Renan Santos entrando na festa.

Muitas perguntas podem ser feitas mesmo depois de a insegurança globística ter implodido o evento da noite de gala. Por exemplo: por que a Rede Globo sempre tem direito ao último e mais importante debate das eleições? Por que os candidatos aceitam as regras impostas pela emisora? Será que os Estados Unidos, via Departamento de Estado, fizeram algum tipo de pressão via Lei Magnitsky para a Globo - ela tem muitos milhões aplicados por lá - abdicar de sua "imparcialidade" nessas eleições? O que será que será que ainda não foi dito?        

Cautela, Rede Gloro, isso e caldo de galinha não vão fazer mal a você.           

28 de setembro de 2026

Respeito religioso e Estado laico

 O que é laicidade de Estado? É o princípio político e jurídico que separa oficialmente o governo e as instituições religiosas. Isso não quer dizer que o Estado, nesse caso, renegue as religiões; em absoluto. Quer dizer que esse País, no caso o Brasil, não tem uma religião oficial e permite o exercício de todas elas por seus cidadãos, não privilegiando nenhum credo específico em detrimento dos demais. É esse princípio legal que garante aos brasileiros a paz religiosa que sempre imperou entre nós. E é por isso que a foto acima, de destruição de imagens católicas em  um templo, são totalmente inaceitáveis.

Há uma diferença imensa entre Estado laico como o nosso e Estado religioso ou ateu. Cito um exemplo no caso, Israel. Ele foi criado em 1948 para dar uma pátria aos judeus, pessoas que praticam a religião judaica. Mas nunca aceitou os praticantes de outros credos como cidadãos donos de direitos iguais. Os muçulmanos israelenses são pessoas de nível inferior, e isso se baseia em leis. Qualquer não judeu em Israel tem status menor. Hoje, com o governo sionista no poder, essa situação se agudiza. O Estado Judeu Sionista é genocida e se não for detido vai destruir os palestinos. Seus atuais governantes querem desconhecer a Palestina como Estado e os palestinos como povo. Isso é genocídio e está sendo visto não apenas em Gaza, mas também na Cisjordânia ocupada e fatiada ante a indiferença mundial.

É uma situação assim que queremos no Brasil? Quando o indivíduo Flávio Bolsonaro diz a seus apoiadores que sua primeira medida como presidente seria decretar que nosso País "é do Senhor Jesus", ele agride a Constituição e rompe com os princípios do Estado Laico. Ele por ventura sabe que para os judeus, sobretudo radicais, Jesus não passa de um "falso profeta"? E que apesar disso ele era judeu? Esse sujeito já viu cristão sendo hostilizado em Israel? Um conhecido meu teve o crucifixo cuspido por um pirralho de quipá em Jerusalém.

Destruir ou hostilizar uma imagem religiosa é um sacrilégio e um crime. No Brasil da extrema direita isso já foi feito diversas vezes contra confissões afrobrasileiras. Nossos noticiários mostraram ao vivo e a cores templos afro agredidos ou vandalizados. Num país que foi escravocrata durante séculos, que tornou escravos homens e mulheres trazidos à força para cá em navios negreiros, isso é inimaginável. Nosso País, é preciso lembrar, escravizou até mesmo os povos nativos chamados pelos invasores de "preguiçosos". Nessa mesma campanha política cujo primeiro turno terá votação domingo, o candidato do PL já citado aqui chegou a dizer num palanque que não queremos "índios fazendo uuuuu" pelas ruas. Isso mostra o desprezo que essa gente tem pela cultura dos outros.

Quando rapazola tive um amigo nissei e ia à casa dele às vezes. Tinha imenso respeito pelo fato de os pais do moço serem Mahayanas, adeptos do ramo do budismo mais praticado no Japão. Um dia o senhor Watanabe me pergntou qual era minha religião e eu disse que não tinha. Ele pensou um pouco e voltou a questionar: "Ateu?". À minha resposta afirmativa, ganhei um abraço e uma liçãode vida: "Fala isso, sim. Respeito tanto seu pensar quanto você o meu, Álvaro sam!". Num Estado laico onde ateus temem a rejeição, fui abraçado por uma pessoa que amava o Brasil, a liberdade que desfrutava aqui e o seu ídolo Sidarta Gautama.

Esse é o Brasil que nós construímos. Um País de respeito religioso e Estado laico. Não podemos permitir que a insensatez, a ignorância e a ignomínia tentem destruí-lo. Continuaremos sendo praticantes de todas as religiões ou de nenhuma delas, tanto faz. Continuaremos vivendo em comunhão uns com os outros. Aqueles que tentam destruir nossa paz através da negação da laicidade vão perder. Rezar para pneus, tentar manter contato com estraterrestres por celular e acampar diante de instalações militares para buscar uma forma de destruir o Estado Democrático e de Direito por meios violentos só os leva ao fracasso. Levou no passado mais recente e iria levar agora se não fosse detido como foi.    

24 de setembro de 2026

Jornalismo e crime organizado


No dia 02 de junho de 2002 o jornalista Tim Lopes foi sequestrado e morto a mando do traficante Elias Maluco na Vila Cruzeiro, Complexo do Alemão, Rio de Janeiro. Ele apurava matéria investigativa sobre o abuso de menores pelo tráfico de drogas, assunto muito importante até hoje, e uma microcâmera o denunciou. Foi torturado antes de ser executado selvagemente. A Rede Globo, empresa que o empregava, denunciou o fato e o noticiou durante muito tempo. Toda a imprensa brasileira fez isso e a internacional também.

Mas já faz 24 anos que essa morte se deu e é possível dizer que de lá para cá não surgiu outro Tim Lopes no jornalismo brasileiro. Sou capaz de afirmar que porque talvez isso não interesse tanto às empresas de Comunicação do Brasil, sobretudo aos grandes meios. Mas de lá para cá surgiram milhares de Elias Maluco no crime organizado de nosso País para substituir o de junho de 2002, porque este morreu em 22 de setembro de 2020 aos 54 anos na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, vitimado por "asfixia mecânica". E apareceram tantos outros porque isso interessa demais ao crime organizado, claro!

O jornalismo não é responsável pelo crescimento do crime no Brasil, nem direta nem indiretamente, mas as grandes empresas podem ser acusadas de terem se omitido no crescimento do número de criminosos ligados aos grandes grupos atuais pelo fato de nunca mais depois de Tim Lopes terem investido pesado na formação de grandes repórteres para a área investigativa. Nos tempos passados era imperativo ao profissional da especialidade ir além da notícia. Acrecesntar sempre algo ao fato, investigar, revelar. E para esse ramo do jornalismo a fonte, essa "entidade" muito comentada nos dias de hoje principalmente nos casos do Banco Master e suas ramificações, era vital para as maiores coberturas.

Pode-se dizer que cometo injustiça. Por exemplo, que o jornalismo de televisão investe na investigação de fatos ligados à política. Isso é real. Mas há uma diferença abissal entre o Tim Maia no campo, buscando a notícia onde ela brotava, e os profissionais de hoje, sentados em estúdios, celulares ou notebooks nas mãos telefonando para autoridades, na maioria esmagadora dos casos também estas em ambientes refrigerados. Existe hoje o "Profissão Repórtes Procura", no qual Caco Barcellos tenta lançar, digamos, revelações na Globo. Mas isso é pouco, com resultados de destaque que desconhecemos. Aqui no Espírito Santo o "Curso de Residência em Jornalismo" da Rede Gazeta serve apenas para que a empresa possa abastecer sua redação com mão de obra barata. A maioria dos profissionais tem atuação breve num dia-a-dia quase sempre subordinado à área comercial.

Matamos o jornalismo investigativo já faz mais duas décadas e o reultado é a queda da qualidade do noticiário de modo geral, tanto de jornal quanto de rádio e televisão. No Espírito Santo isso se mostra de forma até patética. Amaro Neto, um cidadão que busca a reeleição a deputado federal aparece no horário de propaganda eleitoral gratuita fazendo trejeitos de programas de baixo nível policial para conquistar votos. Só tem isso a mostrar, pois foi nesse terreno que hoje se mostra fértil nas TVs que ele apareceu.

No dia em que o presidente Lula falou na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU pelo Brasil, como ocorre todos os anos, o Jornal Nacional mostrou a fala, que para a imensa maioria das pessoas era muito importante - e era mesmo -, como matéria de segundo nível, após coberturas outras. Ora, se é uma posição política, tudo bem, mas isso deveria ser demonstrado de forma clara: "Não apoiamos esse candidato", por exemplo. Se não é ou se falta coragem para dizer isso, então a cobertura foi péssima e em momento algum tentou ir além do fato, o que na TV é ruim, pois se tratava de uma cobertura matutina.

Nos tempos de invasão do crime organizado em praticamente todos os setores da vida nacional, já que hoje eles têm representantes até mesmo no Congresso Brasileiro e um candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro, vinculado claramente a milícias e a diversas outras formas de cometimento de crimes, falta-nos um jornalismo local, estadual e nacional capaz, competente, ético, investigativo e desvinculado de coisa alguma que não seja a dignidade da informação. Os brasileiros a merecem.

21 de setembro de 2026

As bets e o bom combate

O crime das bets toma conta do Brasil já faz muito tempo e ninguém faz nada para combater esse mal. Foi um candidato à presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva, do PT, quem deu um grito e disse: "Eu vou acabar com as bets no Brasil". Todos os demais estão até agora calados, passando ao largo desse problema como se ele não existisse e por um único motivo: gente poderosa, dona de muito poder mesmo, ganha rios de dinheiro com isso e com o silêncio do entorno. E essa gente incomoda!

Chama-se ludopatia a doença do jogo. Aquela que faz uma pessoa perder tudo diante de uma tela tentando ficar rica nas apostas contra as bets. Não fica mesmo. Por que Las Vegas é uma cidade miliardária e poderosa no meio de um deserto do Estado de Nevada. nos Estados Unidos? Porque ela vive de depenar, literalmente tirar todas as penas dos iludidos que chegam lá com o sonho de ficaram milionários nas máquinas caça níqueis, no black jack, na roleta e nas outras maneiras que os donos das maiores casas de apostas do mundo têm para tirar dinheiro de incautos de manhã, à tarde, à noite e de madrugada.

Aqui no Brasil as bets viraram essa miragem desértica. E, por incrível que possa parecer somente um candidato à presidência tem no enfrentamento aos jogos que viraram uma febre maléfica, um câncer social inimaginável, projeto de campanha e de governo. Por quê? Que tipo de medos ou compromissos subterrâneos impedem os demais de abraçarem esse mesmo combate que é vivido pelo cadidato do PT? Porque nós, brasileiros, não podemos combater o bom combate para livrar o País da situação que vive hoje, com milhares de pessoas dignas endividadas, perdendo patrimônios de uma vida inteira, a saúde, a família a até mesmo recorrendo ao suicídio, o que não é raro, para jogar a cada dia mais.

As TVs ganham rios de dinheiro como as bets. E querem mais. Jogadores de futebol se jogam nessa escumalha, jornalistas comentaristas também. É grande a quantidade de pessoas que perdem o pudor para encher os bolsos de dinheiro tomado a esses doentes de ludopatia que a cada dia ficam em pior situação. E isso não é brincadeira: médicos dizem que essa doença se assemelha a um vício por droga por causa da dificuldade que as pessoas têm de deixar a tentação, sobretudo depois de afundarem no pântano de dívidas contraídas.

Já vi isso. Fui ao cassino de Vinã Del Mar, no Chile, quando passei por lá. Acompanhei um amigo a um cassino clandestino de um hotel de Guarapari e, em outro caso, do já não mais existente Hotel Porto do Sol, em Jardim Camburi, Vitória. Nos dois casos foi difícil tirar os amigos de lá. Todo mundo sabia onde os cassinos estavam, que eles operavam livremente mas a Polícia não aparecia lá. Faltavam os endereços? Talvez por coincidêcia é na jogatina que a máfia ganha mais dinheiro! Quase tanto quanto Vorcaro na corrupção.

Vamos combater as bets, essa nova forma de roubar dinheiro das pessoas até mesmo via salário mínimo e bolsa família, impunemente. As grandes redes de TV já não embolsaram o suficiente? Querem mais? Há poderosos tentando intimidar o candidato do PT? É muito estranho que diante de um quadro grave como esse somente um candidato se atire à luta. E os demais se dizem valentes... Lula dá seguidas entrevistas dizendo que combaterá as bets no Brasil depois de retornar dos Estados Unidos onde nesta terça-feira vai denunciar a intromissão do goveno de extrema direita de Donald Trump nas eleições brasileiras, no país que ele pretende ver como um "quintal" que quer conquistar a mais para seu império já decadente.

É preciso mais gente para combater o bom combate.  

17 de setembro de 2026

Supremo em Chamas

 
Em 08 de janeiro de 2023 a sala de julgamentos do Supremo Tribunal Federal foi quase totalmente destruída pela horda de vândalos que invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília. A foto acima mostra como foi feita a depredação durante aqueles atos. Dia 15 último, terça-feira, a reunião realizada lá para a discussão dos impasses surgidos depois de denúncias de proximidade e diálogos espúrios entre ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso, provocou mais estragos que todos os malfeitores juntos causaram ao STF.

Mas uma coisa precisa ser dita porque está sendo evitada por conveniência, omisssão ou crença equivocada na esmagadora maioria da considerações acerca desse malfadado fato: toda a crise que vivemos hoje, às vésperas das eleições mais importantes da história dessa República, foi provocada propositadamente pelo ministro André Mendonça para que o caos invadisse o pleito de 04 de outubro próximo. Ela é um movimento político da extrema direita brasileira e armada, como vingança contra o ministro Alexandre de Moraes, aquele que condenou Jair Bolsonaro à prisão. Só foi possível por este abriu seu flanco ao ataque.

Em 62a.C. um centurião romano de nome Clódio invadiu o salão de banho das mulheres na casa de Júlio César e onde a esposa deste, Pompéia, era banhada para a festa em honra à deusa Bona Dea. Ele estava disfarçado de mulher, mas foi flagrado. O imperador comunicou que iria se divorciar da esposa. Quando esta alegou que havia sido a vítima e era honesta, César respondeu: "À mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta".

Quando, depois de muitos anos de casado, Dilermando de Assis foi pego traindo sua então esposa Ana com outra mulher, no início do século passado, esta reagiu serenamente, anunciando sua separação dele em definitivo: "De todos os homens do mundo, você era o único que não tinha o direito de prevaricar. Por tudo o que eu passei!". Ela havia sido casada primeiro com o escritor Euclides da Cunha e teve filhos com ele. Apaixonou-se por Assis, bem mais jovem e isso provocou reação armada de Euclides, que foi morto pelo oponente, um militar campeão de tiros. Anos depois um dos filhos de Ana e Euclides foi tirar satisfações com Dilermando, sacou de uma arma e foi também morto por este em outro caso de legítima defesa.

Não importa quantas testemunhas Alexandre de Moraes consiga para provar que não teve ligação próxima com o banqueiro e criminoso Vorcaro. Ele era o prêmio, a cabeça que o bolsonarismo sonhava ter numa bandeja para se vingar da condenação do sentenciado Jair e seu desafeto a deu de presente aos oponentes. A Moraes não bastava ser honesto, ele tinha que parecer honesto e não parece mais. André Mendonça, Fux, Kássio e outros podem pedir desculpas por esse ou aquele escorregão, mas Alexandre, por tudo o que houve e por todos os episódios que protagonizou no STF, era o único que não tinha o direito de prevaricar.

Assim é a vida, fazer o quê?

Flávio Bolsonaro, filho de golpista e herdeiro do golpismo, amigo de milicianos, condecorador de assassinos, beneficiário de rachadinhas, lavador de dinheiro em loja de chocolates de grif, comprador de dezenas de imóveis em dinheiro vivo, inclusive sua mansão do Lago Sul, em Brasília e que faz política há anos sobretudo como deputado e senador com atuação absolutamente medíocre e sem um único projeto de realce que possa apontar, promete salvar o Brasil. De que? De quem?

Ele quer presidir o País e acusa o hoje presidente Lula de ser autor de corrupções que desgraçam nossa Nação. Quais? Não as cita e nem mostra ao menos evidências de autoria. Hoje, por exemplo, diz que seu alvo é quem sustentou e sustenta Alexandre de Moraes no STF. Esse ministro foi indicado por Michel Temer e o atual presidente tem relações de proximidade com ele, mas também com os demais ministros do STF e com o judiciário como um Poder da República. Em suas manifestações públicas, sempre respeitou a independência dos Três Poderes. Esse tipo de acusação não se sustenta como lema de campanha política honesta.

Hoje presisamos nos preocupar mais, isso sim, com as tentativas de interferência externa em nossas eleições partidas dos Estados Unidos com a ajuda de traidores da pátria como Alexandre Bolsonaro e com os danos que tais atos provocam até na economia brasileira manipulada por esse tal "mercado" incapaz de aceitar um presidente que tem como lema governar para aqueles que presisam e age para sabotar o governo em vez de ser capaz de criticar o que merece ser criticado e ajudar na correção de rotas com sugestões válidas.

César mandou Clódio para uma guarnição de fronteira onde ele terminou assassinado. Dilermando findou seus dias sem saber se Ana de Assis, a S'anninha, o havia perdoado pela traição. Nenhum dos dois cometeu "crimes" como os que se cometem hoje, por eexemplo, nas festas do Madame Satã, em São Paulo, ou nas "Festas dos Astronautas", em Nova Iorque. Lula não participa nem delas nem da composição desse Supremo em Chamas!.       

14 de setembro de 2026

Véspera da erupção

Hoje é véspera de erupção e o vulcão está em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, o STF. No final da manhã de amanhã ministros da mais importante corte de Justiça do País vão se reunir teoricamente para decidir se prospera ou não a acusação contra o ministro Alexandre de Moraes, que está sendo acusado pelo também ministro André Mendonça de ter conversado com o hoje detento Daniel Vorcaro sobre assuntos nada republicanos. E embora os fatos se deem a todo minuto e se atropelem enquanto são comentados via satélite por praticamente todos os canais de TV e outros meios de Comunicação, é impossível dizer agora o que vai acontecer na reunião. Ela deve ser aberta a todos e com os ódios supremos à flor da pele.

Será talvez a primeira vez que a política, mais precisamente a eleição do próximo presidente da República, será o tema desse encontro. Em 1889, quando um golpe de Estado derrubou a monarquia para criar a República no Brasil, o instante foi eternizado na obra de Benedito Calixto, que é mostrada acima, na abertura desse texto. Foi uma violência que mandou para o exílio o imperador decidido a não reagir para poupar o sangue brasileiro. E ao longo dos hoje 137 anos dessa nossa hoje forma de Governo, nunca antes a Suprema Corte havia sido tão invadida pelos calores políticos de uma democracia que vive de se esquecer de suas origens. Em 1887 o golpe de Estado se deu no Rio de Janeiro. Hoje ele é teoriaente distante.

Independente do que venha a ocorrer nessa reunião, ela arranha a democracia. Creio eu - e essa é uma opinião pessoal - que um Ministro do Supremo jamais deveria ser cruzado de uma corrente política. André Mendonça é. E também que ministros de uma Suprema Corte e seus parentes diretos devem estar distantes de quaisquer empreendimentos empresariais advocatícios que possam se aproximar da atuação do STF. Mais de um ministro faz isso. Também não se deve aceitar patrocínio para viagens internacionais em eventos patrocinados por empresas que possam vir a ser parte de processos, etc. Distância é preciso manter.

Enfim, são muitos os motivos que levam o Brasil a hoje parar diante de aparelhos de TV ou outros meios de comunicação para saber o que acontece em Brasília. Alguns ficarão apenas curiosos. Outros, preocupados. Alguns, pasmos. Haverá quem torcerá para um determinado resultado e até mesmo, impossível mas acontece, que o som das lagartas dos tanques de guerra cruzando a Praça dos Três Poderes interrompa os debates e restaure a ditadura militar. Se possível e por mais incrível que pareça, "com Bolsonaro no poder".

A primeira pesquisa feita depois das últimas denúncias tornadas públicas e que dipararam o elenco de aberturas de sigilo que inflam a reunião de amanhã mostram que o candidato Flávio Bolsonaro não foi atingido, ao menos por agora, pelo mar de denúncias que o mostram como corrupto, parte de acordos inacreditáveis de desvio de dinheiro público e mais uma carrada de comprovações claras e irrefutáveis de que ele é parte de um grande esquema de corrupção que varre o Brasil a partir do Poder Legislativo, está entranhado em todas as instâncias da vida nacional e esse candidato de sobrenome Bolsonaro não pode ser um porta voz da luta contra os desmandos da vida nacional porque é parte deles.

Tomara o Supremo Tribunal Federal possa atravessar essa tormenta na forma de erupção vulcânica intocado, mesmo tendo que atingir alguns de seus membros. Tomara a urbanidade e o respeito se sobreponham aos argumentos de ódio nesta que pode ser a suprema obra indireta de intervenção bolsonarista sobre a vida nacional em sua luta para voltar ao poder e transformar o Brasil em quintal dos Estados Unidos e outras desgraças mais. O resultado dessa reunião e da marcada para a próxima terça-feira pelo presidente Edson Fachin vão ser vitais para nossa saúde democrática. Muita gente torce pela paz e pelo cosenso, mas a extrema direita quer ver o caos em forma de crise mais forte do que nunca.

De uma coisa todos podem ter certeza: na hipótese (improvável?) de o candidato da hoje oposição vencer no segundo turno os jornalistas de todo o Brasil não vão precisar pergntar a vencedores e vencidos sobre a hipótese de um golpe de Estado, pois isso não vai ser necessário. Como não vem sendo nos debates de agora. Por que será?