21 de junho de 2018

Pastores do crime e do dinheiro

George e Juliana. Um Estado omisso permitiu que eles matassem seus filhos 
Faz poucos dias, a imprensa de Vitória noticiou que na Rodovia Serafim Derenzi, em Vitória, uma região carente, cerca de 50 templos religiosos estão em construção ou já foram construídos. Em apenas uma avenida. E por quê? Porque é lá naquele recanto pobre da cidade que mora a clientela das seitas
chamadas de neo pentecostais: gente humilde, inculta, com pouca ou nenhuma esperança no futuro e que ou ingressa no crime ou se torna alvo fácil para desonestos que se dizem pastores.
Ontem, Juliana, a mulher do "pastor" George, foi presa em Minas Gerais. Ela é acusada de ter facilitado um crime hediondo: seu marido violentou sexualmente, matou e queimou num incêndio forjado um filho e um enteado. Até pouco tempo atrás acreditava-se que Juliana nada tinha a ver com o caso. Afinal, ela estava viajando com o filho menor.
O culpado por isso é o poder público. Hoje o Poder Legislativo, em todas as suas esferas, está invadido por representantes das mais diversas denominações pseudo-religiosas. São políticos de partidos, mas isso não importa. Sua função no Congresso é a de representar essas pseudo igrejas e seus interesses. Na maioria dos casos, interesses inconfessáveis.
Um deles é bastante conhecido: o dinheiro. É imensa a quantidade de pessoas que descobriram em denominações religiosas uma verdadeira mina de ouro. Um filão. Há donos de "igrejas" que possuem imóveis de extremo luxo, aviões executivos, fazendas e outros bens. Em diversas oportunidades, malas de dinheiro proveniente dos dízimos recolhidos já foram vistas sendo embarcadas em helicópteros, sabe-se lá para onde.
São imensas as facilidades para se abrir uma igreja. E facilidades vantajosas, já que, sendo denominações religiosas, elas estão isentas de praticamente todos os impostos.
Podem também ser donas de cadeias de televisão ou as alugar para disseminar suas pregações. E todo mundo vai para o céu, contanto pague o preço da passagem. Eu mesmo já vi "pastor" entregando carnês aos fieis para que eles pagassem os dízimos "com mais facilidade".
E por que o poder público permite isso? Simples: porque essa legião de pastores possui milhões de votos. Eles praticamente intimam os membros das congregações a votarem em seus indicados. Por isso até mesmo presidente da República presta vassalagem a eles. Recentemente, quando uma denominação daqui do Estado completou 50 anos, até o governador do Estado foi a Brasília para participar das solenidades de comemoração. E olhem que os dirigentes da seita já sofreram acusações graves de utilização desonesta de dinheiro dos fieis.
Nenhum chefe de Executivo tenta coibir isso. Todos preferem fazer vistas grossas, olhando para o potencial de votos de cada dono de "igreja". Mas são, sim, coniventes com o crime.Eles geraram George e Juliana, os psicopatas que mataram se aproveitando da ignorância alheia e da omissão do Estado. Quantos outros como eles estão escondidos em seus púlpitos?   

20 de junho de 2018

As pitonisas da Rússia

Um jornal da Alemanha fez uma charge sobre o intervalo de jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Rússia: aparecem vários jogadores em frente ao espelho, cada um cuidando do cabelo a seu modo. Não há técnico, orientação, nada. Somente preocupações para com a aparência.
Um dia o jogador de futebol brasileiro ainda vai entender que o melhor de sua aparência em copas do mundo, em competições mundiais, é o futebol jogado. Eles poderiam começar esse exercício de conhecimento conversando com Cristiano Ronaldo, o jogador português considerado o melhor do mundo e que não usa penteados estapafúrdios - embora alise o cabelo o tempo todo -, tatuagens pelo corpo e outras modas que são do gosto dos jogadores do Brasil.
Em princípio, ninguém tem nada a ver com o cabelo tipo calopsita tresloucada que o Neymar usou no empate entre Brasil e Suíça na estreia da Copa do Mundo. A menos que suas constantes idas ao cabeleireiro interfiram em seu futebol. Pelo jeito, interferem. Como interferiram também na forma de jogar de alguns dos demais jogadores. No conjunto da obra, isso contribuiu para o fato de o Brasil ter jogado muito mal naquele empate por 1 a 1 de domingo último.
Damos muito valor ao marketing às avessas. Treinadores e restante dos membros da Comissão Técnica acham não ter o direito de interferir na vida privada dos jogadores. Têm. Numa concentração de Copa do Mundo na qual até o ingresso de parentes é severamente vigiada, por onde entram os cabeleireiros, já que os profissionais não saem? Ou será que todos eles fizeram curso da especialidade? Pouco provável porque os "penteados modernos" usam toda a roda da cabeça.
Naquele 1 a 1 da Suíça houve gol irregular validado em favor dos suíços e todo mundo reclamou. Neymar também caiu no gramado uma série grande de vezes e nem mesmo o desconforto no tornozelo direito pode justificar o cai-cai. Afinal de contas, desde o início do futebol atacante apanha de zagueiro. O segredo dos grandes jogadores é saber se defender. Se proteger.
O Brasil já perdeu várias copas do mundo. Algumas delas injustamente e isso é parte do futebol. Na última, em 2014, fomos derrotados pela incompetência de um técnico arrogante, que impôs jogadores contestados e escalou um time que nunca havia jogado junto, numa partida de semifinal.
E agora? Vamos correr o risco de voltar derrotados de novo, desta vez pela vaidade de nossas pitonisas gregas modernas? Tite, um treinador equilibrado e competente, vai permanecer calado, vendo os penteados se alternarem a cada jogo que tivermos pela frente?
Não, nem sempre perder é coisa do futebol.
         

28 de maio de 2018

Abaixo a Belíndia

Um belo dia, comentando a distância que existe no Brasil entre o país que ganha bem e o que ganha mal o economista Edmar Bacha criou o termo Belíndia. Temos aqui uma pequena parcela que vive na Bélgica e uma outra, imensa, habitando a Índia. A nossa Índia talvez seja pior do que a real.
No caso da Justiça, tenho os números mais recentes do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2016 a corte recebeu R$ 544.750.410,00, abaixo do pedido originalmente. Da fortuna, R$ 206.311.277,11 gostou-se em pagamentos dos ativos. R$ 131.300.522,83 aos aposentados. No total, são 1.216 servidores, o que dá a média de 222 por ministro (se todos forem trabalhar ao mesmo tempo não cabe e o prédio pode desmoronar). Ainda há estagiários (306) e terceirizados (959). O incrível é que 19 dos servidores são jornalistas (?????). Tem mais: 29 deles são encadernadores, 116 trabalham  na limpeza, oito são especialistas em saúde bucal. Há 12 auxiliares em desenvolvimento infantil, 58 motoristas. E vai por aí. A relação completa envergonha qualquer um.
O Poder Legislativo é um caso à parte. O custo anual com todos os parlamentares do Brasil é de R$ 11.021.236.800,00. Sim, estamos falando de bilhões. Já se forem  somadas verbas de gabinete, indenizatórias e outros benefícios, os números chegam a R$ 145.000.000.000,00. E eles ainda nos roubam e invadem cargos públicos. As verbas atuais dos ministérios da Saúde e da Educação, somadas, não alcançam esse patamar.
Quem pode fazer críticas éticas e morais aos caminhoneiros? Quem pode tentar apedrejar em praça pública quem não ganha para pagar suas despesas? Certamente não o governo zumbi de Michel Lulia, que conspirou para ganhar o poder mas ao menos o tirou da dupla Lula/Dilma. O pior é que ele está tão atolado na lama da Lava Jato quando seus antecessores.
O Brasil só terá saída no dia em que os privilégios forem eliminados. É certo que alguns cargos são mais importantes do que outros, mas nada justifica o que a gente vê. E mudar isso, eliminar a Belíndia em vive em cada um de nós terá de passar pelo Legislativo, sob pressão do Executivo e do Judiciário. Só mesmo com uma crise de grandes proporções e a vontade expressa de toda a sociedade os brasileiros alcançarão essa vitória. Mas lutar por ela vale a pena.
O que conspira contra nós são os compromissos corporativos ou impossíveis de serem explicados e que ocupam as agendas de nossas classes dirigentes, sobretudo e inclusive as grandes corporações de Comunicação. Enquanto elas não encamparem esses ideais e continuarem a chamar quem discorda de seus pensamentos de populistas ou demagogos vai ser ainda mais difícil chegar lá.
Mas o Brasil há de alcançar esse patamar e os meios de Comunicação virão a reboque da vontade popular. Como aconteceu durante os protestos contra a já moribunda ditadura, quando a maior de todas as corporações jornalísticas do nosso País acabou tendo que cobrir os comícios das "Diretas Já" depois de desconhecer os primeiros deles. Era cobrir ou ser engolfada pela maré montante.     
 

14 de abril de 2018

Lutemos pelo Parque Zé da Bola

Um novo absurdo deve ser perpetrado contra a memória capixaba: uma área de lazer que está sendo construída pela Vale ao final da praia de Camburi (foto), onde era inicialmente o Parque Zé da Bola, vai receber um nome pomposo nome em lugar do anterior, que homenageava um grande atleta do capixaba passado. E isso em área pública, durante a gestão do prefeito Luciano Rezende, ex-atleta de remo.
Zezinho, aqui chamado Zé da Bola, foi um grande jogador de futebol. Começou no Rio Branco mas logo foi embora para o Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Seleção Brasileira, craque que era. Foi campeão da Copa Roca pela Seleção. E no Rio e em São Paulo era considerado virtuose, um centro-avante implacável, marcador de gols e ídolo de seus torcedores. Isso enquanto durou a carreira. Era pai do jornalista Ferreira Neto e de Índio, ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol de Areia que aqui por provincianismo cultural a gente chama de "beach soccer'.
Eu o conheci já veterano. Depois, ex-jogador. Morreu em Vitória vitimado por hábitos de vida que a abreviaram. Mas sempre foi reverenciado. Dar seu nome à área ao final de Camburi, quando o primeiro Parque Zé da Bola foi feito, e era homenagem pequena, foi o mínimo que se fez para preservar a memória dele. Um parque que, com o passar dos anos, foi sendo abandonado e se deteriorou ao final da praia, quase chegando à área da Vale.
Não importa aqui saber que tipo de acordo a Prefeitura de Vitória fez com a empresa produtora de pó preto. Mas, inicialmente, foi distribuída uma imagem na qual era pedido que as pessoas dessem sugestões sobre o nome da estrutura a ser construída no local. Postei e pedi que cada um enviasse sua Identificação preferida. Eu iria enviar a do Zé.
E muitos fizeram brincadeiras ligadas ao pó preto. Sim, porque hoje a ex-Companhia Vale do Rio Doce é conhecida por sua imensa capacidade de poluir o meio ambiente de Vitória sob o beneplácito dos poderes municipal e estadual. Mas tinha eu a esperança de emplacar o antigo nome. Até que de repente o jornal A Tribuna noticiou que a área de lazer já estava com denominação escolhida. E pela empresa que a está construindo.
É é um absurdo. Não acredito que o prefeito de Vitória vá permitir isso sem dar uma explicação pública sobre o assunto. Afinal, o prefeito deve ser o mesmo Luciano Rezende que ia à redação de A Gazeta dar entrevista sobre remo quando era campeão sul-americano de "dois sem" juntamente com seu irmão, Lúcio, e eu editor de esportes daquele jornal.
Recuso-me a acreditar!               

12 de abril de 2018

Em que Instância?

No Brasil, o que se discute hoje é se um réu deve ser preso após condenação em Segunda Instância, como foi definido pelo STF; ou se apenas depois de o processo ter transitado em julgado, como parece prever a Constituição, mas dando margem a dúvidas. E toda a vez que esse tema vem à tona, surge com ele a figura do ex-presidente Lula.
O que deve prevalecer?
Não tenho ideia de quanto está custando a defesa do ex-presidente. E nem de quem está pagando a conta, se bem tenho a impressão de que, de 2003 para cá e ao longo de todos esses anos, os cofres foram abastecidos com numerário suficiente para defender dez presidentes. E parte desse dinheiro foi retirado do nosso bolso. Do bolso do contribuinte brasileiro.
Mas antes que essa pergunta seja respondida e novamente remetida a Lula, cabe um outo questionamento: se um pobre diabo roubar uma galinha para comer e for preso, terá de responder a processo. Que meios terá ele de levar sua questão à última Instancia do Judiciário brasileiro, se seus recursos (?????) só o remetem à Defensoria Pública?
Essa é a questão, senhores!
Nós não podemos discutir e deliberar um assunto como esse pensando em Lula et caterva. Os grandes escritórios de advocacia criminal enchem as burras de dinheiro, sobretudo em tempos como os atuais, e jamais vi defensor de poderoso algum preocupado com a origem do dinheiro que está pagando seus gordos honorários. E nem a douta Justiça se preocupar com isso.
É justo que nosso ladrão de galinhas tenha de encerrar sua luta judicial após a primeira condenação por furto ou roubo - nem sei se ele encontraria amparo para um recurso - enquanto o topo da pirâmide brasileira pode ir às ultimas Instâncias e ter acesso a todos os recursos possíveis e imagináveis para não sofrer condenação? Para ver seu processo, até mesmo por homicídio, prescrever?
Dane-se Lula. Danem-se os demais. Não é com eles que devemos nos preocupar. Se o Estado Brasileiro não pode garantir a todos os seus cidadãos meios iguais de acesso total à Justiça, pobres e ricos em condições de igualdade, a Segunda Instância deve ser o limiar entre liberdade e prisão.
Isso vai ao menos reduzir um pouco o abismo de injustiças que molda a sociedade brasileira.

5 de abril de 2018

Pobre Brasil!

Desde as 14 horas de agora ontem, ouvindo a sessão do Supremo Tribunal Federal, que decidia se Lula poderia ou não obter habeas corpus depois de sua condenação em segunda instância, deparei-me com um fato que chega a ser risível. Como pode um ministro consubstanciar suas convicções para votar assim ou assado? Muito simples.
Todos aqueles senhores e senhoras possuem longa lista de auxiliares, todos juristas muito competentes. Basta dizer: sou a favor do habeas corpus, portanto busquem subsídios para meu voto. Inclusive com pensamentos de juristas os mais famosos possíveis, de preferência estrangeiros. Ou então: sou contrário ao habeas corpus,  portanto busquem subsídios para meu voto. Inclusive com pensamentos de juristas os mais famosos possíveis, de preferência estrangeiros. Resolvido o problema. E é exatamente assim que se faz.
Aliás, é assim que sempre se fez. E a opinião pública passa ao largo das preocupações daqueles senhores. Na última sessão antes dos feriados religiosos a reunião foi encerrada porque uma das excelências precisava viajar para o Rio de Janeiro, onde seria homenageado. Ontem, outro pediu para furar a fila dos argumentos pois tinha viagem marcada para Lisboa onde continuaria participando de um congresso jurídico. Tudo é mais importante do que o interesse público. Temo que um dia, durante um dos julgamentos, o cachorrinho de estimação de alguém tenha uma diarreia séria. O ministro vai sair correndo do plenário e nem precisará trazer atestado médico veterinário na sessão seguinte.
É quase tudo teatro. Talvez alguns dos ministros votem com suas convicções. Mas eles hoje estão mais focados em se exibir para as TVs que cobrem suas reuniões o tempo todo do que com qualquer outra coisa, o que inclui a opinião do cidadão comum.
Um Supremo Tribunal Federal deveria ser formado pelos maiores dentre os juristas existentes no Brasil, sobretudo os pós-doutorados em Direito Constitucional. Mas se admitirmos que nossa corte é formada até mesmo por quem não  conseguiu passar em concurso de Juiz realizado em duas ocasiões, podemos chegar à conclusão de que o País vai mal em todos os setores. Sem exceção alguma.
Felizmente ao menos hoje o habeas corpus que era julgado foi negado, o outro cassado e Lula pode ser preso tão logo se esgotem seus últimos recursos em Porto Alegre. Está fraca, quase apagada, mas ainda há um pingo de luz no fim do túnel.

21 de fevereiro de 2018

Ação coletiva e militares nas ruas

Falar contra ou a favor do pedido de ajuda às Forças Armadas para auxiliar no combate ao crime no Rio de Janeiro peca quando os argumentos se encaminham para o plano ideológico. Enquanto os "próceres" direitistas de hoje clamam pelo Exército policiando as favelas - por que não Copacabana e o Leblon também? -, alguns esquerdistas como Gleicy Hofmann dizem que vai haver sangue nas ruas se Lula for preso. Deve ser algum tipo de problema menstrual...
Partamos do princípio de que esse remédio já foi tentado e se mostrou ineficiente. O Exército, a Marinha e a Aeronáutica são corporações de combate. Elas vivem e treinam para a expectativa de um dia terem de enfrentar um inimigo externo. A defesa da paz interna depende das instituições civis - polícias municipal, estadual e Federal - ou militares auxiliares - Polícia Militar, Força Nacional de Segurança, etc. E se nós não conseguimos resultados hoje, isso decorre da total falência da autoridade no Brasil, que nasce nos vereadores de pequenas cidades até a presidência da República.
O combate às drogas só faria sentido de elas não atravessassem as fronteiras. É lá que se deve dar o real combate. Lutar contra o varejista favelado é pouco ou nada eficiente. E a pirotecnia de chamar organismos militares para enfrentarem o problema de improviso só joga para a galera. Isso num Brasil onde é fácil manipular a opinião pública. Sobretudo para tirar o foco dela dos nossos alvos.
Desde sempre o governo federal soube que não iria emplacar a reforma da Previdência contra os carteis e lobistas que dirigem o Estado brasileiro. O economista Mancur Olson, no livro "A lógica da ação coletiva" (Edusp, 2015) nos ensina: "Grupos menores derrotam com  frequência grupos maiores, que deveriam prevalecer na democracia, porque os primeiros são organizados e ativos, e os segundos normalmente não são". Isso é a cara do Brasil.
Agora por exemplo, enquanto deslumbrados de direita aplaudem o "patriotismo" das Forças Armadas e os bobocas de esquerda se insurgem contra o "novo golpe" o governo se prepara para aumentar impostos, aprovar mudanças legais discutíveis e arrochar ainda mais os que vivem à custa do INSS. Claro, eles não são organizados e ativos, como diz Olson: "Como grupos pequenos com frequência se organizarão para agir em apoio a interesses comuns, e grupos grandes em geral não, o resultado da luta política entre vários grupos na sociedade não será simétrico". Como não é.
Só o povo brasileiro, em outubro, comparecendo às urnas para votar certo, pode dar um verdadeiro golpe de Estado no Brasil. E vai caber àqueles que podem formar opinião vender essa ideia. O País do corporativismo, dos lobistas sem limites pode nos levar a todos ao caos.   

5 de fevereiro de 2018

A Ilha da Fantasia de Atibaia

Ainda tranquilo, Lula curte a vida no sítio de Atibaia 

Quando surgiu o escândalo do mensalão, o então presidente Lula parecia navegar por sobre o mau tempo sem ser tocado pelos ventos. Ou pelas marolas. Ouvi em mais de uma oportunidade, de mais de uma pessoa, algumas delas veteranas em política que nada "colava" no poderoso chefão. Acredito tanto em que Lula confiava cegamente nisso que ele não aceitou deixar a Ilha da Fantasia de Brasília trocando-a por um simples novo endereço em São Bernardo do Campo. Era preciso providenciar outra ilha para ser seu pouso durante a velhice. E ele optou por Atibaia.
É uma região linda, por sinal. Eu a conheço embora tenha ido lá uma única vez já faz muito tempo e para não retornar.Mas me ficou a lembrança de um lugar fantástico, refúgio de ricaços, de gente ávida por tranquilidade e por outros que precisavam lavar dinheiro. Como Lula.
Se o indivíduo rouba a vida toda, sobretudo dinheiro público, um dia o rabo fica de fora. Quando, ao final do segundo mandato Lula deixou Brasília seguido por 11 ou 12 caminhões de mudança carregados com sabe-se lá que coisas, tantas eram as "tralhas", que disse comigo mesmo: "ele está viajando com as provas do crime". Hoje muitas milhares delas estão em Atibaia e já foram catalogadas na perícia feita lá pela Polícia Federal. O processo envolvendo o sítio vai ser muito mais pesado que o do triplex, pois o conjunto de provas é fantasticamente maior.
Uma adega monumental agora lhe será tomada pela Justiça
Estranho esse Luís Inácio Lula da Silva. Fenômeno em comunicação de massas, poderia ter entrado para a história como o mais respeitado presidente do Brasil em todos os tempos. Arrogante, prepotente, desonesto, será lembrado como uma imensa mentira, daquelas que são contadas tantas vezes a ponto de o autor acabar acreditando nelas. Vai terminar na prisão por corrupção, desvio de dinheiro público e outras mazelas mais, em vez de aproveitar a aposentadoria tendo à sua porta filas e mais filas de gente que o iria procurar em busca de conselhos ou de apoios. Ou de ambos.
Nunca antes na história desse País um presidente conseguiu arrecadar tanto capital político vindo da base da pirâmide social, retirante nordestino que é. E nunca antes na história desse País um presidente conseguiu atirar sua reputação no balde de lixo com tamanha desfaçatez. Ele conseguiu enganar tanto em sua trajetória que até meu voto levou quando foi eleito para o primeiro mandato de Presidente da República.
Mas só aquele.   

5 de dezembro de 2017

O teatro de absurdos da Previdência

Com contrato não renovado pela Globo, a atriz Maitê Proença (foto) não se aperta. Como filha de militar e com direito constitucional a receber pensão pela vida toda, ela simplesmente recebe. E cumpre fielmente os rituais da legislação que prevê esse benefício a filhas de personalidades do Judiciário, Legislativo, Executivo, órgãos militares, etc. No caso dela, permanece solteira.
Essa boquinha - ou bocona, dependendo do ponto de vida - custa R$ 3 bilhões aos cofres públicos brasileiros. Mais precisamente, à Previdência Social.
Magistrados, senadores, deputados federais e outras altas autoridades conseguem um feito: geram descendentes que, se quiserem, poderão passar toda a vida sem nunca dar um dia de expediente no trabalho. E ainda ganhando belos vencimentos ao final de cada mês. Recentemente, o Tribunal de Contas da União determinou que os benefícios fossem suspensos mas o Supremo Tribunal Federal, por intermédio de um de seus ministros, derrubou a decisão. Agora ela tem que esperar pela manifestação da Corte e não apenas de um de seus membros.
Como crer na reforma da Previdência tão defendida pelo atual governo diante de quadros como esse? Ele não é único. Existem diversos outros espalhados pelos três poderes da República. Somados, eles contribuem para que o deficit previdenciário atinja níveis estratosféricos.
Vamos combinar: a reforma da Previdência defendida pelo governo atende sobretudo e principalmente aos interesses do empresariado. Da mesma forma como a reforma trabalhista. Não por outro motivo, em todas as publicações brasileiras de circulação nacional defende-se com unhas e dentes as duas iniciativas. E alguma coisa me diz que quando todo o empresariado se une em defesa de alguma coisa, serão os mais pobres os derrotados.
É uma balela acreditar no que se diz diariamente, que a reforma da Previdência vai enterrar todas as desigualdades e defender os mais pobres. Da mesma forma, quando a Constituição de 1988 foi promulgada, ela previa uma cesta de contribuições como abastecedoras da Previdência. Aos poucos tiraram aqui, tiraram ali e sobrou apenas uma fonte de renda. Logicamente, insuficiente.
A Previdência tem que ser reformada. A legislação trabalhista, igualmente. Mas o que assistimos hoje é a um teatro do absurdo, onde os palhaços são os aposentados e pensionistas do  INSS.         

7 de novembro de 2017

Completa e permanentemente

Faz cem anos hoje que uma revolução mudou o mundo. Completa e permanentemente.
Quando os bolcheviques chegaram ao poder em outubro pelo calendário usado na época pelos russos, o mundo precisou mudar seus conceitos políticos e sociais. E na maior parte dos casos, das regiões, isso aconteceu em benefício dos cidadãos, como resposta à tal "maré vermelha".
Ouvi de uma pessoa hoje: "os soviéticos mataram muita gente. Até mesmo seus aliados e dirigentes".
Isso. As revoluções derramam sangue, inclusive dos que as gestam. Aconteceu na Revolução Francesa, estão lembrados? E aquela foi uma revolução burguesa!
Mas aconteceu mais coisa. Na Segunda Guerra Mundial, o sangue de 20 milhões de soviéticos jorrou. E isso ajudou os aliados a vencerem o conflito muito mais rapidamente, inclusive não dando chance aos nazistas de desenvolverem suas armas mais mortíferas. Quando as bombas V-2 começaram a ser lançadas, a Alemanha já estava derrotada. E assim o primeiro míssil balístico do mundo não interferiu no resultado daquela guerra. Mas seus conceitos, sua criação e as armas que foram desenvolvidas posteriormente permitiram a concretização da "Guerra Fria". Uma guerra sem armas disparadas, sem movimentação de soldados em campos de batalha e que manteve todos os mísseis em seus silos porque sabia-se, como se sabe hoje, que os disparos destruiriam a humanidade.
Virou moda depois da dissolução da União Soviética culpar os comunistas e o comunismo por todas as mazelas do mundo. Aqui no Brasil, por exemplo, os grandes órgãos de imprensa, salvo um ou outro caso, são cidadelas de pensamento único. A "livre iniciativa" é a solução para todos os problemas. Os corruptos do Brasil sabem disso muito bem. O sabem também aqueles que evitam o termo "capitalismo", sempre substituindo-o por "democracia". E cobrindo com uma cortina de fumaça o fato de que foi a reação anticomunista que fechou os regimes socialistas depois de 1917 e, principalmente, após o fim da guerra, em 1945. Lênin, que aparece na foto incitando os russos a lutarem contra o czarismo, não poderia prever isso.
E nem que seus seguidores soviéticos seriam incapazes de mudar as consciências dos cidadãos das 16 repúblicas unidas em torno do ideal socialista para a formação de um Estado único. Quando houve a dissolução, todos voltaram às nacionalidades que tinham anteriormente. Sobrou, grande, a Rússia.
Mas nada muda o fato de que há exatos cem anos que uma revolução mudou o mundo completa e permanentemente. E ninguém altera essa verdade.

28 de outubro de 2017

O rito de passagem

Um dia desses, pessoa que conheço faz muito tempo publicou texto elogioso a Dilma Rousseff, que ela chama de "Dilmão". Contestei e, claro, não fui compreendido.
Hoje no Brasil há claramente duas correntes de pensamento que pretendem ter o monopólio da verdade nas questões envolvendo política e os inúmeros escândalos que surgiram pelo Brasil afora desde o primeiro mandato de Lula, que se iniciou em 2003. Quem é totalmente contrário a Lula/Dilma concentra fogo neles. Quem é contra Temer, bate no atual presidente. Na verdade, como se pode ver pela alegria da foto, todos faziam parte do mesmo esquema.
No Brasil sempre houve corrupção. Mas de 2003 para cá, por força do projeto do PT de ficar um quarto de século no poder, ela saiu de controle. Como é fácil comprar grande parte dos políticos brasileiros da atualidade, o foco se concentrou neles. Dava-se cargos em troca de votos que aprovassem projetos legislativos. Dava-se e a prática continua.
Os defensores do "lulopetismo", como se costuma chamar, defendem cegamente Dilma Rousseff por um único motivo: por ela ser mulher e a primeira e única mulher presidente da República. Mas as acusações que sofre não são de gênero. Ela é acusada de fazer parte do mesmo esquema que permitiu a Lula corromper o Congresso às última consequências. E que hoje permitem a Michel Temer fazer a mesma coisa para impedir sua queda da presidência antes do final do ano que vem.
Simples assim.
Então porque era necessário que Dilma caísse, tivesse o mandato interrompido no curso deste? Porque havia a necessidade de que o processo de corrupção fosse detido e isso teria de ser feito por algum começo. E ele era Dilma, a presidente que caiu em desgraça, não sabia fazer a boa política e transpirava arrogância da mesma forma que Lula, antes dela, transpirava literalmente.
Temer é apenas um rito de passagem. Um mal necessário para o Brasil não ter que enfrentar dois impeachments seguidos num momento de profunda crise econômica. Esse político que eu chamo de "presidente margem de erro", vai passar rapidamente, sem deixar saudades. Afinal, não tem forças nem para fazer xixi hoje em dia. O problema é o que virá. E existe a possibilidade de não escolhermos o próximo chefe do Executivo de forma correta.       

23 de outubro de 2017

Quem tem medo das redes sociais?

Sou, antes de tudo e antes de mais nada, jornalista profissional.
Ao mesmo tempo em que acompanho o meu País, leio, vejo e escuto os meios de Comunicação. E a mim causa alguma estranheza o medo que eles sentem das redes sociais. E o esforço que fazem diuturnamente para desacreditas as pessoas e instituições que as utilizam. O existe por trás disso? Simples: essas redes tiraram da mídia tradicional a exclusividade da informação. Mais do que isso: hoje não é mais possível, sobretudo aos grandes conglomerados, decidir o que o cidadão deve ou não deve saber.
Ora, se os gigantes da Comunicação já não podem mais censurar usando outra palavra para esconder essa prática, o que resta a eles? Desacreditar as redes, já que de tanto glorificarem o mantra "liberdade de imprensa", agora não podem pura e simplesmente pregar a censura.
Claro, existem muitos irresponsáveis usando as redes sociais até mesmo para ações criminosas. Mas isso é feito também na mídia tradicional. Não tanto para crimes, mas para a divulgação de fatos e versões que interessem aos detentores do poder. Inclusive do poder de dizer ou não dizer.
Durante a ditadura militar, praticamente todos os meios de Comunicação que hoje defendem as liberdades civis eram os escudos dos governos ilegítimos. E não fizeram isso obrigados, não. Nem por convicção política. Fizeram para enriquecer à sombra do poder.
O que era a Rede Globo antes de 1964? Quase nada. E aqui no Espírito Santo, a Rede Gazeta? Quase nada. O que eles fizeram para crescer? A ditadura tinha que se legitimar, se tornar aceita pela população como representante de um Estado de Direito, mesmo sem que ele o fosse. As grandes redes de Comunicação fizeram isso. Em troca de poder e dinheiro. Muito de cada uma dessas coisas.
Recordo-me como se fosse hoje de meus tempos nas redações de jornais. Havia a censura oficial do Estado, que se corporificava nos comunicados de proibição de notícias que eram contrárias aos interesses da ditadura. E havia também a censura empresarial, através da qual os empresários das grandes redes, nacionais ou regionais, defendiam seus interesses, às vezes escusos, proibindo informações ou então distorcendo-as. Quem era contra eles estava perdido.
Então, vamos agora ao título desse texto: quem tem medo das redes sociais? Resposta: a mídia tradicional. As grandes empresas de Comunicação. E para enfrentar esse "inimigo", elas pregam ao público que só interessa à mídia oficiosa divulgar "fake news". Fazer notícias falsas. E isso esconde o fato de que é nesse meio de divulgação de informações que hoje atua grande parte dos jornalistas que, ao longo dos últimos anos, foram defenestrados da mídia tradicional. Como eu.
Mas importa a eles dizerem que gente como eu atua no Facebook, WhatsApp e outros levando para os computadores os mesmos princípios que defendíamos nas redações? Claro que não.
Eles têm medo de nós.         

10 de agosto de 2017

A festa da pelegada

O Brasil tem hoje cerca de 15 mil sindicatos e ainda cria mais ou menos 250 por ano. Todo ano. Justamente por isso, para as centrais sindicais é preciso criar uma contribuição obrigatória que substitua o imposto sindical a ser extinto com a reforma trabalhista. Senão, como manter a festa da pelegada que vive nababescamente à custa dessas entidades?
Os sindicatos são estruturas necessárias nas relações de trabalho. Sobretudo os dos trabalhadores, que os defendem contra a força maior do patronato. Ao longo das décadas e nos mais diversos países, foram as estruturas sindicais as responsáveis pela imensa maioria das conquistas trabalhistas, fossem elas alcançadas por negociação ou por greves e outros instrumentos de pressão.
Isso se deu no Brasil, mesmo durante a vigência da ditadura militar que durou de 1964 a 1985. E depois dela também. Nas diversas categorias profissionais, com os mais variados matizes inclusive ideológicos, os sindicatos representaram ideais, projetos e necessidades.
Mas por aqui as coisas degringolaram. O imposto sindical começou muito cedo a ser usado como meio de vida por uma grande quantidade de dirigentes sindicais, na maioria dos casos pelegos que passaram a viver à custa das entidades. E como ter sindicato era um ótimo negócio que só perdia em "rentabilidade" para as igrejas neo-pentecostais e para a atividade política corrupta, o número de siglas foi crescendo assustadoramente. Junto com elas, as "necessidades" do dinheiro do imposto sindical. Vieram as centrais, elas invadiram os partidos - sobretudo o PT - e, por meio deles, também os sindicatos. Muitos passaram a ser sucursais da agremiação política. Até hoje dizer que um sindicato é "filiado à CUT" significa o mesmo que afirmar ser ele ligado ao PT.
Muitos dos dirigentes, sobretudo nacionais, enriqueceram. Ficaram famosos. Investiram em carreiras políticas vitoriosas. Ganharam musculatura de poder e, graças a isso, agora podem pressionar Miguel Temer, um presidente sem autoridade, a substituir o imposto sindical por um arremedo dele mesmo.
O sindicalizado é quem tem de sustentar o sindicato. Com sua mensalidade, com sua contribuição espontânea, com sua luta visando a alcançar ideais profissionais. Não é isso o que acontece.
No Brasil, os sindicalizados ligados à CUT e às demais centrais vão invadir as assembleias gerais tão logo a nova lei seja sancionada e impor à maioria que se omite um encargo financeiro ainda maior do que o imposto sindical. O governo sabe disso, as centrais sabem, até os inocentes uteis conhecem a regra do jogo sindical no Brasil.
Mas ele vai continuar sendo jogado.      

8 de agosto de 2017

As quadrilhas políticas

 A vida política brasileira é um jogo de cartas marcadas onde os jogadores, eleitos pela população, agem em benefício próprio ou de corporações. O episódio do projeto do REFIZ e que hoje é assunto no Congresso mostra isso de maneira clara.
O governo federal tem bilhões de dólares a receber de empresas que não pagaram impostos. O REFIZ serve justamente como um instrumento negociador de dívidas e que visa fazer com que esses devedores parcelem e quitem seus débitos. O projeto foi mandado ao Congresso e quem surgiu para ser o relator da matéria? Um dono de empresa devedor de impostos e que, juntamente com outros na mesma situação, descaracterizou totalmente o projeto para que, ao final, quem não pagou impostos fique praticamente responsável somente pelo principal da dívida, sem pagar nem os juros e nem as correções monetárias que o cidadão comum é obrigado a quitar junto ao fisco quando falha com suas obrigações fiscais.
Não existe na nossa legislação texto algum que impeça interessados de lidar com assuntos legislativos nos quais eles são parte e, claro, vão legislar em causa própria e de seus parceiros. Isso não acontece somente no REFIZ, mas em quase tudo o que bate no Congresso Nacional para virar lei que pretensamente protegeria a população.
Assim, a bancada ruralista quer perdão de dívidas e empréstimos a juros de papai para mamãe. A bancada evangélica quer impedir o progresso da ciência e, ao mesmo tempo, continuar arrecadando dinheiro de seus fieis para enriquecer cada vez mais.
Aliás, nesse caso, o principal projeto evangélico é o de poder. Eles querem esse poder para impor sua maneira de pensar ao restante do País, obter mais vantagens ainda e acabar com os princípios que regem o Estado Laico. E são esses princípios, de absoluta liberdade religiosa, que garantiram e garantem ao Brasil a condição de Estado sem problemas de conflitos nessa área. Aqui as pessoas são livre para exercer suas crenças ou crença nenhuma, sem que por isso possam ser perseguidas.
Portanto, não são apenas as propinas e demais formas de roubos de dinheiro público as nossas principais chagas políticas. Também sofremos com as quadrilhas corporativas e que usam a atividade legislativa em benefício de seus grupos de interesse.

27 de julho de 2017

Nosso câncer político

A impressão que o "leigo" tem é a de que o político brasileiro faz um curso superior de desonestidade ao assumir seu mandato. Ele estuda muito ao decidir ser candidato, intensifica o "curso" durante a campanha, escolhe a quadrilha - ou partido, se preferirem - ao longo desse tempo e, quando assume o cargo, finalmente está apto para "seguir carreira". Melhor de tudo, já sabe como usar meios e modos de enriquecer, sobretudo com as emendas parlamentares.
Elas são se tal forma essenciais à atividade do indivíduo que, recentemente, quando houve um movimento pela extinção dessa figura jurídica, o Poder Legislativo rapidamente fez lei tornando impositivo o pagamento das ditas emendas. Ou seja, o Poder Executivo, que tem participação em praticamente todas as falcatruas contra o dinheiro público, é obrigado a destinar verba a vereadores, deputados e senadores mesmo que o chefe do Executivo não queira.
O valor varia. Mas é sempre grande, sobretudo no âmbito federal. Por princípio, o dinheiro dessas emendas deveria ser usado para que o parlamentar fizesse obras de real interesse público em seus redutos - currais - eleitorais. Mas o real interesse público é o que menos se olha. Geralmente uma parte desse dinheiro vai para o bolso do parlamentar das mais diversas formas. Todas desonestas.
Foi com dinheiro das emendas parlamentares que o presidente Michel Temer comprou os votos de que necessitava para evitar que a denúncia de corrupção contra sua pessoa fosse enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). E ele vai continuar distribuindo o meu, o seu, o nosso dinheiro aos deputados federais e senadores até conquistar seu intento.
Não o levam à cruz! Ao menos não o levem sozinho. Lula fez isso de maneira rasgada durante todos os seus dois mandatos, a começar pelo episódio do Mensalão, e Dilma Roussef também. Antes deles, outros presidentes fizeram o mesmo. Os menos honestos, à socapa e os mais honestos, de forma discreta. Mas não fazer de forma alguma, não. Todos fizeram.
Esse talvez seja um dos problemas que estão na raiz da corrupção política do Brasil e explica em parte por que é tão difícil combater essa chaga. A distribuição de cargos "de porteira fechada" é outro motivo e talvez quase tão forte quanto o primeiro. Também mostra que a principal quadrilha de crime organizado do Brasil tem mandato, costas largas e ainda nem um pouquinho de medo da Lava Jato.
Vai demorar até que curemos esse nosso câncer.        

19 de julho de 2017

A tecla de "FIM"

Vamos "perder" um pouco do nosso tempo: as televisões nos mostram todos os dias senadores e deputados federais se expressando sobre o atual momento político brasileiro. Reparem bem como é grande a quantidade de desqualificados de todos os tipos ocupando cadeiras no Legislativo Federal. Eles não têm compromisso algum com o País, com os problemas nacionais (muitos nem os entendem), nem querem resolver coisa alguma. Só um pé de meia.
Eles fazem movimentos de troca e, na base desse sistema está um instrumento que talvez seja o mais perverso da política nacional: a emenda parlamentar. Conseguiu-se criar no Brasil um sistema esdrúxulo de injeção de dinheiro no vereador, deputado (estadual ou federal) e senador que, por via impositiva, obriga o Estado e dar dinheiro a eles. Para "suas bases". Na prática, esse dinheiro que é meu, seu, nosso, no mais das vezes é desviado por fraudes que podem e envolver superfaturamento ou outro tipo de desvio. Também pode ser jogado fora por gastos absurdos que engordam a votação de determinados parlamentares. Exemplos: um campo de futebol onde os amigos de infância dessas pessoas querem se divertir. Uma seita política de espertalhões que engordam os bolsos de "bispos" e outros donos de denominações que existem apenas para explorar a boa fé alheia.
Agora vamos sair um pouco desse meio mais "sofisticado" e ampliar nossos ouvidos para coisas ao nosso lado: reparem como todos os dias, praticamente a todas as horas, um festival de fogos de artifício espouca nos morros. Existem códigos, não se iludam. E cada disparo é um recado de um grupo para o outro. Ou para membros de um mesmo grupamento. Pode ser um grito de guerra, uma ordem de execução, um aleta tipo "a Polícia está chegando". Qualquer coisa.
Nós, brasileiros, convivemos diariamente com isso. Primeiro, com a ópera bufa que vem de Brasília e continua a engordar contas bancárias de pessoas eleitas por nós. Afinal, as emendas são impositivas. Essa parte de nossa tragédia a TV coloca no ar todos os dias, todas as horas. Segundo, com o foguetório tipo final de Copa do Mundo cujo significado real e forma de combate ainda não conseguimos decifrar para combater com mais rigor, com mais eficiência o crime comum.
São os dois lados de um drama todo nosso, todo brasileiro. Enquanto perdemos tempo ouvindo Lula, Temer e outros para sabermos se são inocentes ou culpados - e todos sabemos que eles são culpados, sim -, a tragédia nacional cresce aos nossos olhos sem um c
ombate efetivo.
É preciso apertar a tecla de "FIM".    

4 de março de 2017

Febre amarela e omissão do Estado

A cada dia que passa, a cada macaco que é encontrado morto, aumenta a aflição do cidadão comum - aquele que não pode se internar no Hospital Sírio Libanês - e a ignorância em relação a esse surto de febre amarela que nos afeta hoje. Os macacos, coitados, que não transmitem febre amarela mas sim morrem em decorrência dela, passam a ser hostilizados pela parcela da população ignorante de como surge e se propaga essa doença. E ela se propaga através do mosquito que inclusive mata os macacos.
Na foto feita por mim e que ilustra esse texto, há a imagem de um bugio. Um lindo primata que surpreendi num sítio de Chapéu, em Domingos Martins, propriedade de um preservacionista, Flávio Nicoletti, e de sua esposa Sílvia.Lá os animais vivem livres e comem banana, mamão e outros frutos todos os dias pela manhã. Alimentos colocados em comedores estrategicamente deixados ao alcance deles, que assim têm um reforço na cota diária de alimentos. E de alimentos naturais!
O surto de febre amarela é um atestado da incompetência dos governantes em gerirem a saúde pública. Essa doença, tida como erradicada há décadas, surgiu do nada. Aliás, do fazer nada por parte do governo. E tudo o que se faz hoje é aumentar o número de postos de vacinação e as enormes filas de pessoas apavoradas, carentes e sem informações básicas acerca da doença.
Fui levado a abrir o site http//agendamento.vitoria.es.gov.br para ver como é fácil (sic!) tomar vacina em Vitória. Ao menos ontem pela manhã em praticamente todos os postos de saúde que eu abria pela internet, na Capital a informação era de que não havia mais como agendar vacinação no local "X". As vacinas tinham acabado. E as filas nas "unidades" criadas no desespero aumentavam.
Algo me diz que os macacos e os homens vão continuar morrendo todos os dias de febre amarela.
Não há uma campanha governamental de esclarecimento sobre essa doença e sobre o comportamento que a população deve ter. A campanha não deveria ter apenas nível municipal, mas sobretudo estadual e nacional. Também não se diz que os pobres primatas são nossos aliados e não inimigos.
Pobre Brasil. Pobres de nós, brasileiros, que precisamos conviver com essas aflições crescentes enquanto no mundo da fantasia dos palácios, os governantes pensam nas eleições de 2018. Promover um Plano Nacional de Saúde pode ficar para depois. 2019, de preferência. Até o ano que vem é imperioso garantir os votos da população. Afinal, uma imensa maioria dela vai sobreviver.  

6 de fevereiro de 2017

As digitais de Paulo Hartung

Não deve ter sido difícil para o governador Paulo Hartung encontrar uma forma de se ausentar do Espírito Santo para uma cirurgia de câncer que poderia ter sido feita aqui, deixando para trás um caos já previsto, atrasando a passagem do governo para seu vice e determinando a todos os que ficaram um solene "virem-se" para resolver o problema. Mas ele sempre consegue fazer essas coisas.
Sim, essa greve é orquestrada. E foi programada já faz algum tempo, pois era necessário um mínimo de organização para fazer uma representação teatral mais ou menos convincente de esposas, maridos, filhos, netos e outros "bloqueando" entradas e saídas de quarteis para reivindicar reposições ou reajustes salariais. São justos, sim, os pleitos. Mas a forma como são feitos é para lá de desonesta.
Amarildo Lima, meu amigo chargista, fez um desenho brilhante de Hartung chutando o balde enquanto a crise estourava. E a foto dele pensativo completa o desenho desse texto. Esse tal "não tenho nada com isso" é típico dele. Fez isso na última eleição para a prefeitura de Vitória, quando desafiou alguém a descobrir uma impressão digital dele, uma que fosse, na derrota do apresentador de televisão que enfrentou o prefeito reeleito. Há impressões até hoje em todos os lugares por onde se passe.
A Grande Vitória parou com a greve. Pessoas já morreram, algumas inocentes. Aconteceram arrastões, perseguições, assaltos, depredações e há medo estampado no rosto dos capixabas. Milhares de lojas não abriram. Um sindicato onde eu tinha de ir hoje ficou fechado. Os ônibus estão parando. Os shoppings têm medo de depredações. Muita gente, mas muita gente mesmo, ficou em casa num final e início de semana de medo que poderia ter sido evitado se fosse enfrentado com coragem. Inclusive com a disposição de resolver a crise, solucionar o impasse, ainda que com a perda do que ainda resta de credibilidade do governador. Mas ele preferiu o Hospital Sírio Libanês e São Paulo.
Quem sair hoje por Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Guarapari, Viana e cidades do interior capixaba vai notar que há um esvaziamento no Estado do Espírito Santo provocado pelo medo. Mas quem tiver olhos, olhe para onde olhar, vai encontrar as digitais de Paulo Hartung na nossa desgraça.
Inclusive na dos inocentes,    

30 de dezembro de 2016

Quando fevereiro chegar

Traumático para todos nós, 1968 foi chamado de "o ano que não acabou", inclusive na literatura. Foi nele que tivemos o AI-5 e o recrudescimento da violência da ditadura militar que nos infelicitou durante 21 anos, de 1964 a 1985. Agora temos em 2016 outro ano que promete seguir em frente. Pelo menos até fevereiro quando, muito mais do que carnaval, os brasileiros viverão novos desdobramentos da Operação Lava Jato com as denúncias de elementos da Construtora Odebrecht.
A lama que nos emporcalha atinge a quase todo o espectro político. É como se a propina tivesse se tornado uma prática tão frequente, comum, que as pessoas recebessem dinheiro público, via caixa dois ou não, na serena convicção de que se todo mundo faz, crime não é. Ou então, se gente tão poderosa usa desses artifícios, quem as meterá na cadeia? E se eles não vão, os pequenos não irão também. Mas de repente, não mais que de repente, o Brasil acordou com outra realidade.
E é essa realidade que não se aceita. O juiz Sérgio Moro, símbolo maior da Operação Lava Jato, passou a representá-la e a ser alvo de todo o ódio dos até agora atingidos. Eles não conseguem ver que esse magistrado é apenas uma peça de uma engrenagem hoje muito maior do que ele mesmo e muito mais poderosa do que a soma de todas as reações contra ela. O processo de limpeza do Brasil, acredito eu, vai até o final das investigações. E dessa faxina poderá nascer um novo País, muito mais forte, muito mais capaz de representar efetivamente os anseios de sua população.
Quando fevereiro chegar, junto com esse mês começarão a ser colocadas na mesa novas provas de envolvimento de muitas pessoas, sobretudo dos poderes Executivo e Legislativo, nos casos de corrupção que marcam a vida nacional faz décadas e que passaram a ser política de Estado não confessada desde 2003, com a chegada do PT e de Lula "et caterva" ao poder.
Os petistas odeiam isso, mas é verdade. Foi esse partido político anunciador de novos tempos, de combate à corrupção e distribuição de trabalho e renda a instituição que se tornou a maior prostituta política da história recente do Brasil. No barco petista embarcaram o PMBD - principalmente - e muitas outras agremiações. As delações da Odebrecht, as chamadas "delações do fim do mundo", vão nos trazer muitas surpresas para lá de desagradáveis mas extremamente necessárias.
Quando fevereiro chegar a crise vai prosseguir. Pois ela precisa ir até o fim.            

19 de novembro de 2016

Adriana Ancelmo e a Fecomércio-RJ

Adriana Ancelmo "escondida" pela árvore. (foto de O Globo)
A Fecomércio-RJ pagou cerca de R$ 13 milhões ano passado ao escritório da advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (não confundir com o outro Sérgio Cabral, pai deste). Que "serviços prestados" podem justificar uma soma absurda dessas de dinheiro que vem dos comerciários do Rio de Janeiro? É fácil explicar.
A Fecomércio-RJ, assim como as demais federações patronais estaduais de comércio é filiada à Confederação Nacional do Comércio (CNC), sediada no Rio de Janeiro, pertinho dos escritórios de Adriana. E a CNC, bem como suas filiadas estaduais, são feudos. Ao contrário das demais confederações e federações, no caso do comércio os presidentes se eternizam nos cargos graças ao controle absoluto das confederações estaduais. No caso destas, esse controle é exercido sobre os sindicatos patronais do setor. E isso vem de cerca de meio século.
A Confederação Nacional é "governada" pelo senhor Antônio Oliveira Santos - capixaba - há uma eternidade. Ele se reelege sempre, pois não há obstáculo legal a essa prática. No caso do Espírito Santo, o feudo atualmente pertence ao empresário José Lino Sepulcri, que tem por trás de si a figura do presidente regional do SESC, Gustman Uchoa de Mendonça, um jornalista. Amigo pessoal de Antônio Oliveira Santos é ele quem, na prática, dá as ordens.Há algum tempo, antes de uma eleição regional, todos os presidentes de sindicatos da categoria viajaram à custa da Fecomércio-ES a um hotel de luxo para "reuniões de trabalho". Estava então havendo uma reaçã
o ao continuísmo por parte de alguns presidente de sindicatos. O movimento foi contornar. Ou abortado, como preferirem.
Esse fato, esse feudalismo, compadrio ou coisa parecida, inexiste em muitos outros setores onde candidatos se apresentam a disputam eleições como deve ser feito. Mesmo quando o candidato é único, esse fato deriva de um acordo que pretensamente beneficia a categoria.
Mas no caso da CNC, o poder total, a não alternância, gera absurdos como o descoberto agora que o ex-governador está preso. O setor de comércio precisa se proteger contra esse tipo de coisa abrindo-se a eleições onde pessoas e ideias concorram. E assim deve ser feito em todos os setores. Se as investigações prosseguiram e o presidente da Fecomércio-RJ tiver que prestar informações à Justiça e ao seu setor, vai ser interessante acompanhar suas explicações.        

3 de outubro de 2016

A colheita do PT

Michel Temer, o presidente mais impopular da história do Brasil depois de Lula e Dilma Rousseff, tem razão em uma coisa: quando disse, em carta vazada "sem querer" que era mantido por Dilma como uma figura decorativa. A presidente o fez seu coordenador político e cavou a própria sepultura. Mas terá sido Temer o autor de um golpe, como pregam todos os petistas?
Recordo-me como se fosse hoje de ter ouvido certa feita em pleno Palácio Anchieta, durante o governo de Victor Buaiz, então do PT, que os partidos da coligação chegada ao poder eram meros figurantes. Para cumprir ordens e mais nada. O próprio governador, uma figura honesta e que até hoje trabalha para viver, desligou-se da agremiação partidária ainda no poder.
O PT sempre governou sozinho. Fazia coligações por necessidade mas sem a menor disposição para dar espaço aos "aliados". Muito pelo contrário, colocava-os em posição mais do que subalterna e decidia tudo sozinho. Sou testemunha das situações vexatórias a que eram levadas as instituições culturais de Vitória durante a gestão do prefeito João Coser. O então secretário de Cultura, um carnavalesco, tratava-se com desprezo até o presidente da Academia Espírito-santense de Letras, professor doutor Francisco Aurélio Ribeiro. E assim fazia com os demais.
Sem querer usar lugar comum, mas fazendo isso por ser impossível não fazer, o PT colhe hoje o que plantou desde que começou a assumir postos de comando no Executivo. Vive tempos de colheita.
Durante o primeiro governo Lula o Partido dos Trabalhadores começou a comprar - digo literalmente - apoios no Legislativo para desenvolver seu projeto de poder. Não se tratava de um projeto de governo. E quando veio o primeiro dos escândalos que marcaram a vida do Brasil de 2003 para cá, o mensalão, escancarou as portas da corrupção. Levou o Brasil ao maior caos da sua história. Era preciso fazer isso para salvar Lula. Eles fizeram e fariam muito mais se necessário fosse.
Não vamos nominar escândalos, pois isso não é necessário. Basta dizer que o projeto de poder fez água. O grande Titanic naufragou. O resultado das eleições municipais de ontem mostra o tamanho do dano provocado ao PT por ele próprio. E não adianta agora querer acusar o impeachment de golpe e os meios de Comunicação de golpistas. Foram Lula, Dilma e seus asseclas que se implodiram.
Fico lembrando agora minha avó materna, a baiana casada com meu avô português e que pedia aos filhos e netos para andarem na linha: "Aqui a gente faz, aqui a gente paga".  

15 de setembro de 2016

Dois discípulos de Goebbels

Às vezes parece que o PT de hoje vive de mantras. Essa palavra tem origem no sânscrito e significa que "Man" (mente) se completa com "tra" (controle). Na prática trata-se de um instrumento para controlar a mente e vem de desde o budismo mais antigo. No caso dos dias de hoje a gente pode com facilidade associar essa palavra a uma frase célebre. Melhor dizendo, tristemente célebre: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade". Ela é de Joseph Geobbels, o teórico do nazismo e que com suas teorias ajudou Hitler a cometer uma infinidade de crimes contra a humanidade.
Vamos recuar só um pouquinho. O que fez Dilma Rousseff para tentar dar ao seu impedimento uma característica de golpismo? Repetiu à exaustão uma frase que ainda repete e continuará enquanto viver, pois ela é ao mesmo tempo sua defesa e seu ataque: "Não houve crime de responsabilidade".
O que faz agora Lula quando fala ou quando falam por ele, como foi feito ontem por seus advogados em entrevista coletiva dada em São Paulo ao mesmo tempo em que o cliente era denunciado pelo Ministério Público Federal em Curitiba (foto): "Não há provas".
O mantra de Dilma Rousseff sustenta a tese do golpismo ("Não vai ter golpe") e a coloca como vítima de uma trama diante da qual houve seu impeachment. O de Lula tenta mostrar que ele está sendo alvo da perseguição de um imenso complô que visa destruir sua carreira política ou o que ainda resta dela. Mais uma vez a intenção é clara: a de colocá-lo como vítima.
Dilma sabe que não vai voltar à presidência, até mesmo por que não teria a menor condição de governar. Mas seu discurso contra o golpe é a tentativa de ela se marcar na história como a injustiçada da República. Quem sabe por ser mulher! Lula sabe que sua carreira política está encerrada mas quer, em último caso, se tornar um perseguido político. Só que Dilma cometeu crimes de responsabilidade, sim, e talvez levada a isso por sua empáfia e arrogância. Já Lula foi usufrutuário (usando palavras de Eduardo Cunha) de propinas, marca de seu governo, muito provavelmente levado a isso pela sensação de impunibilidade que o poder provoca.
Os dois, como o PT faz, vivem de mantras e acreditam que a mentira repetida à exaustão surgirá um dia como verdade, ao menos diante dos menos esclarecidos. Eles são discípulos modernos do ideólogo do nazismo Geobbels. Resta saber se consciente ou inconscientemente.

14 de setembro de 2016

Mocinhos e bandidos.

Carmen Lúcia fala ao presidente Michel Temer
Algumas cenas da posse da ministra Carmen Lúcia na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), são icônicas. Como por exemplo a de Lula visivelmente constrangido ouvindo o ministro Celso de Mello fazer um vigoroso discurso anticorrupção, inclusive denunciando os facínoras que tomam conta do Estado para fazer uso dele em benefício próprio e de seus grupelhos.
A ministra foi muito criticada pela lista de convidados feita. Mas ela entendeu que deveria seguir à risca as regras da liturgia da posse, só a quebrando para iniciar sua fala dirigindo-se a "sua excelência o povo brasileiro". Também foi muito rígida em servir água e café aos convivas depois da solenidade, falando a todos sem mostrar embaraço. Afinal, havia convidado mocinhos e bandidos.
Lula faz cara de paisagem ao lado de José Sarney  
O que se pode deduzir disso? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não tinha como comparecer e fez questão de dar uma satisfação à ministra. Educação vem de berço. Lula não deveria ter comparecido, teria de ter entendido que o convite era apenas um gesto protocolar, mas mesmo assim foi. Falta de educação vem de berço.Teve de ficar atrás dos ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello. Ao alcance da indiferença do primeiro e das palavras cruas e bem dirigidas do segundo.
Lula e Temer não se falam durante a solenidade
Icônico foi também o fato de o deputado federal Eduardo Cunha ter tido seu mandato político cassado no mesmo dia, ao final dele, na Câmara Federal. E com parlamentares confessando a jornalistas em off que não poderiam salvar o pescoço de seu protetor em voto aberto. Estamos às vésperas de eleições legislativas municipais, executivas do mesmo nível e em 2018 a coisa pega.
Lula atrás de Gilmar Mendes e Celso de Mello
Para quem acompanha a vida nacional foi didático ver toda a segunda-feira. Para ir digerindo aos poucos, nas horas posteriores, tudo o que aconteceu. Estava ali, diante de nós, um retrato fiel da vida nacional, com o pouco que há por ser preservado e tudo o que precisa ser mudado, inclusive na Justiça, fato ressaltado pela ministra que tomou posse no cargo mais importante do Judiciário.
Estavam juntos o bem e o mal. Os mocinhos e os bandidos. Os que devem subir e os vão cair inevitavelmente. Talvez na última vez em que aparecem juntos numa solenidade de tamanha importância..

2 de setembro de 2016

São os esquemas, senhores!

Chico Buarque e Lula. O primeiro olha a boquinha perdida. O segundo maquina
Enfim, o golpe!
Parecia uma simples plateia. Não era. Enquanto a Pátria Mãe tão distraída era subtraída em tenebrosas transações, as figuras decrépitas de Chico Buarque de Holanda e de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, ocupavam as galerias do Senado. O primeiro foi logo para casa (em Paris?). O segundo ainda tinha funções a cumprir em Brasília: maquiavelicamente, convencer senadores a pagar dívidas passadas rasgando os artigos da Constituição que falam em impeachment.
Vamos recuar só dois dias no tempo. Estamos na sessão do Senado que cassou a presidente Dilma Rousseff (vejam a foto). Jogo perdido, Lula tramava não deixar a logo que seria ex-presidente sem direitos políticos e inabilitada, além de sem cargo. Ele conseguiu cobrar favores passados, convencendo senadores a fatiar o processo de impeachment e deixar Dilma sem mandato mas com todos os direitos políticos preservados. Assim ela poderia voltar aos palanques. Nomeada para cargos públicos relevantes, teria foro privilegiado e não poderia ser alcançada pela Justiça de Primeira Instância. Golpe de mestre! E a Constituição, quando diz claramente que impedimento causa perda total de direitos políticos, que se dane. É mais importante salvar os dedos já que os anéis se foram.
Aliás, o problema são os anéis.
O PT luta para continuar no poder e para salvar o que ainda resta dos milhares de esquemas de ganho de dinheiro público montados ao longo de 13 anos. Para tentar evitar as demissões de mais de cem mil apaniguados colocados em cargos comissionados no processo de aparelhamento do Estado. Afinal, Lula luta há muito mais de 13 anos por tirar milhões dos pobres, remediados e ricos para colocar em contas secretas do PT e seus amigos. Amigos como Chico Buarque de Holanda e muitos outros, todos revoltados com a perda do dinheiro fácil da Lei Rouanet.
O que está em jogo não é a democracia, essa figura de linguagem tão usada, tão falseada. O que está em jogo é mais inclusive do que o poder. São os esquemas, senhores. São um processo de enriquecimento ilícito de uma casta falsamente chamada de socialista ou popular, como queiram, e que chegou ao comando do Brasil para roubar tendo como pano de fundo a ilusão de que estavam lutando pelos pobres e os representando todos os dias, em todas as instâncias.
São a quadrilha mais ignóbil do nosso país! Mas ajudaram muitos parlam
entares, já que sem isso não teriam conseguido do Poder Legislativo o favor de rasgar a Constituição.              

29 de agosto de 2016

Crimes de lesa-pátria

No Congresso, um personagem se defende. E é bem diferente da pessoa real
Nada é mais confortável do que a posição de vítima. E a presidente Dilma Rousseff treinou exaustivamente para ficar nessa situação hoje diante do Congresso Nacional, no Senado da República, diante das câmeras de televisão e das filmadoras de seu documentário.
Por que Dilma Rousseff faz isso? Porque ela pretende provar, agredindo fatos e provas, que não cometeu crime de responsabilidade como prevê a Constituição do Brasil para ser processada e perder o mandato. Diante de toda a Nação ela quer vender a imagem de uma pobre mulher, ex-presa política, que está sendo vítima de um golpe. Isso diante do Poder Legislativo que leva adiante um processo constitucional presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.
Como pode?
Dilma Rousseff, para ganhar as eleições de 2014, aconselhada e dirigida por um seu marqueteiro que hoje está preso e responde a processo por várias ilegalidades, criou a tal "contabilidade criativa", artifício que permitiu a ela iludir o povo brasileiro, maquiar as contas pública e esconder de todos - ou da maioria - a situação caótica vivida pelo Brasil enquanto rios de dinheiro eram gastos para que votos necessários a vencer as eleições fossem ganhos. Dos 54 milhões de sufrágios dados a ela naqueles eleições, um percentual alto foi conquistado de forma espúria. À custa de fraude.
Vieram as pedaladas fiscais. Outros artifícios ilegais para esconder fatos. Paralelamente a isso a verdadeira Dilma, diferente da que fala no Senado, distribuía grosserias pelos quatro cantos, sobretudo em subordinados diretos. Falava uma besteira atrás da outra, todas as vezes em que chegava a um microfone, sobretudo para falar de improviso. Prestou homenagem até à mandioca. E viu as contas do País se deteriorarem e o contingente de miseráveis chegar a um nível  nunca antes visto. Agora, são mais de doze milhões de desempregados. E a corrupção endêmica insiste em não ceder, já que foi política de Estado de 2003 para cá.
Dilma não cometeu só crimes de responsabilidade. Cometeu também crimes de lesa-pátria. E isso é previsto em lei: "Art. 1º - Esta Lei prevê os crimes que lesam ou expõem a perigo de lesão: II - o regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito." Sobretudo e principalmente quando atos irresponsáveis podem levar o Estado às vésperas da insolvência.
Agora a presidente vai gastar o restante do tempo que tem em seu esperneio final para tentar prejudicar ainda mais o Brasil. Vai levar até o fim sua luta para mostrar que a mandatária que está no Senado é a real e não a imaginária. Que pena, dona Dilma, poucos ainda acreditam nisso.  






17 de agosto de 2016

Dilma Rousseff, a patética

É patética a figura da presidente afastada Dilma Rousseff quando ela se apresenta para alguma coisa. Ontem, ao ler sua carta/esperneio no Palácio da Alvorada (foto), tentou fazer o que nunca fez na vida: negociar. Trocar o impeachment quase certo por uma série de barganhas que incluem um inconstitucional plebiscito. Em vão. Nem barganhar ela sabe fazer bem.
Dilma Rousseff paga o preço alto pela arrogância. Durante anos, inclusive antes de ser entronizada presidente como o maior dos postes criados por Lula, ela já era conhecida em Brasília como grosseira e pelos inúmeros episódios de descompostura que dava em seus subordinados e iguais. Teve gente que saiu de sua sala chorando após ouvir gritos e, não raro, palavrões.
Governantes não devem jamais negociar cargos cegamente e colocar em posição de comando pessoas incapazes ou desonestas. Infelizmente o que muitos fazem. Mas nem isso Dilma pode alegar como explicação para ter, ao longo de seus mandatos - esse último pela metade - deixado parlamentares esperando por ela horas em salas de espera. Nomeou ou manteve nomeados dirigentes de estatais que literalmente quebraram o Brasil. Nomeou ou manteve nomeados ministros claramente incompetentes ou desonestos, sim. Sua figura "ilibada" se choca com a realidade dos fatos.
O que ela tenta negociar hoje? A volta ao poder. Esse poder que não aceita perder mas na prática já perdeu, pois não tem mais condições de governar. Se voltasse seria refém de um Congresso hostil, de ações judiciais por improbidade administrativa e de mais uma série de outros fatores. Não poderia sair à rua. Não poderia discursar em atos públicos. Teria que ficar escondida em seus dois palácios usando helicópteros e aviões em seus deslocamentos e ainda exigindo de subordinados que segurassem seus guarda-chuvas em dias de mal tempo. Seria, numa situação como essa, figura mais caricata do que é hoje. E faria o Brasil sangrar mais do que já sangra, pois tentaria desfazer a totalidade dos atos praticados pelo governo em exercício desde sua posse, substituindo ministros, etc.
Dilma Rousseff, figura patética, leu sua carta. Reafirmou o "golpe". E depois retornou à solidão das paredes do Palácio da Alvorada, onde habita. Derradeiro endereço no poder que jamais deveria ter exercido.                    

25 de julho de 2016

Mise-en-scène tupiniquim

"Terrorista" brasileiro é levado para a prisão com espalhafato
Nossos "terroristas" foram enviados para uma prisão de segurança máxima em Mato Grosso do Sul. Vão ficar ao lado de criminosos da mais alta periculosidade para servirem de exemplo. Para que nunca mais tentem comprar fuzis AK-47 pela internet. E, mesmo chamados de amadores pelo mais alto escalão da República, serão tratados como profissionais. Como se do Estado Islâmico fossem. E se os verdadeiros insurgentes chegarem, atraídos por nossas belezas? Bem, aí a gente vê.
O que é um "terrorista"? Basicamente um inimigo que usa da violência. Quando é aliado se torna radical. Se a gente passar em revisitar os noticiários brasileiros dos últimos tempos, vai chegar a essa conclusão. Focando somente a questão israelense, veremos que quando Israel mata crianças da Palestina, os matadores são pessoas sem juízo. Já palestinos com bombas de festa junina nos bolsos são terroristas perigosos. Então prendemos os nossos "terroristas" e os mandamos ao cárcere sem contemplação.
O Brasil nunca foi alvo de grupos extremistas muçulmanos. Não estamos no circo dos horrores e nossa sociedade permite poucos exibicionismos ou violências do gênero. As mazelas brasileiras restringem-se ao crime organizado que, por aqui, é unido umbilicalmente ao tráfico de drogas. E as injustiças sociais colaboram para agudizar o problema. Tanto que jamais o vencemos.
O Brasil faria bem se cuidasse da questão atual de forma comedida. Fazendo segurança cerrada nas Olimpíadas, mas tratando a questão de um possível atentado como algo ainda existente apenas no terreno das probabilidades. E os 12 brasileiros amadores presos ao longo da semana passada e ontem têm pouco a colaborar nesse terreno. As autoridades brasileira sabem muito bem disso.
Jogo de cena fica bem no teatro. Fora dele, com 88 mil homens nas ruas para garantir a segurança das Olimpíadas e dos turistas que por aqui passarão, agirão melhor aqueles que ficarem agindo quietos, silenciosos, aguardando por um descuido de improváveis verdadeiros criminosos internacionais.
Vamos partir do princípio de que não há defesa contra quem ataca protegido pelo anonimato e pela escuridão. Se França e Alemanha, para citarmos apenas dois exemplos, são vítimas, de que somos capazes nós, com nossa experiência zero nesse terreno? De quase nada.
Vamos torcer pelo sucesso nos Jogos Olímpicos nessa arena, já que nas demais o fracasso já está desenhado. É tudo o que Brasil pode fazer. Jogo de cena ajuda pouco ou nada.      

14 de julho de 2016

Um herói esquecido

Sérgio Carvalho o sertanista Cláudio Villas-Boas
No dia seis de fevereiro de 1994, recordo-me bem, foi noticiada a morte de Sérgio Miranda de Carvalho. Sem grande destaque. Lembraram-se os meios de Comunicação de que era um ex-capitão aviador paraquedista da Força Aérea Brasileira, que havia sido reformado compulsoriamente e passado para a reserva em 1969 e que seu apelido era Sérgio Macaco. Pouca coisa. Não houve espalhafato em torno do caso. Mas deveria ter havido. Ele era um herói esquecido da época da ditadura militar.
Durante aquele período, a resistência contra o golpe que chegou à deposição do presidente João Goulart fez com que milhares de brasileiros aderissem à luta armada. Um erro que custou milhares de vidas. E até hoje muitos homenageiam os mortos que tentavam pela via da força acabar com um regime político imposto ao Brasil pelas armas. Admirei e admiro muitos deles. Mas seu erro levou nosso País a permanecer por mais tempo sob a tutela das administrações militares.
Sérgio Miranda de Carvalho nunca foi glorificado por um motivo simples: ele entrou para a história não pode ter atuado com armas nas mãos mais sim por ter se recusado a isso. Com pode?
Em abril de 1968 crescia a reação do governo militar à luta das instituições de esquerda contra a ditadura. Sobretudo reação por luta armada. Presos eram barbaramente torturados e muitas vezes assassinados nas diversas instalações de combate à "subversão". Ainda não havia sido editado o AI 5, mas a estrema direita pretendia aplicar um golpe de morte aos comunistas. Como? Praticando um ato terrorista de grandes dimensões que seria, depois, atribuído a estes. Dessa forma seria possível convencer as alas militares mais brandas e a opinião pública a apoiar um massacre.
O plano foi desenvolvido graças a um psicopata. O brigadeiro João Paulo Burnier entregou a um grupo de quarenta homens do PARASAR (unidade de busca e salvamento da Aeronáutica) o projeto de eles atacarem pontos estratégicos de várias regiões do Brasil e explodirem o gasômetro, no Rio de Janeiro, provocando milhares de mortos. Entre o plano e sua execução estava o capitão aviador da ativa Sérgio Miranda de Carvalho. Ele não apenas se recusou a fazer isso como, apoiado por colegas, frustrou e fez vazar o plano que teve de ser abortado. Mas o alto comando da Aeronáutica, na época da ditadura, era duro: Sérgio foi afastado em definitivo da Força Aérea um ano depois.
O brigadeiro Eduardo Gomes, em 1978, pediu que o oficial fosse reincorporado em carta diretamente enviada ao então "presidente" Geisel. Em vão. Na Justiça, seus parentes e amigos conseguiram que o Supremo Tribunal Federal determinasse o retorno de Sérgio às atividades, como brigadeiro, em 1992 (posto que ele exerceria se tivesse continuado sua carreira). O ministro da Aeronáutica de então, brigadeiro Lélio Lobo, recusou-se a cumprir a ordem. Houve uma segunda determinação, também descumprida. Por derradeiro, o STF determinou o cumprimento da sentença ao presidente Itamar Franco. Esse se recusou a entrar para a história engavetando a ordem da Justiça. Não foi preciso esperar muito mais tempo, pois em 1994 o câncer derrotaria o ex-capitão.
Raramente alguém se lembra dele. Foi um militar oriundo das classes baixas, não tinha descendência na carreira, era negro, apelidado de Macaco e ainda se recusou a cumprir ordens. Como servia no PARASAR, entendeu que o destino o reservara a salvar e não a tirar vidas. Viveu seus últimos tempos quase incógnito. Hoje, quando a gente considera herói até mesmo goleiros que defendem pênaltis, seria bom nos lembrarmos de um oficial militar que poderia ter matado milhares e se recusou.
Seu heroísmo raramente é lembrado.  

9 de julho de 2016

O hábito da mentira

O Brasil se acostumou, desde talvez alguns séculos passados, à mentira oficial. Um exemplo disso é que a "Revolução de 31 de março" na verdade aconteceu no dia seguinte, 1º de abril de 1964. Mas como ela não poderia ser comemorada no "dia dos mentirosos", o engodo foi encampado à história.
Abro dessa forma esse texto para me reportar a um fato dessa semana que se encerra hoje: ministros do Governo Temer, um ao lado do outro, como um grupo de colegiais, anunciando a redução do "rombo" em 2017, que cairá, segundo eles, de 170 para 131 bilhões de reais. Como? Através de uma série de reduções de despesas como os pagamentos a inválidos da Previdência.
Gente, onde está a reforma do Estado? Onde está a redução do custo Brasil? Onde está a demissão de mais de quatro mil apaniguados do PT contratados nos últimos anos e cujas cabeças Temer prometeu, mesmo sabendo que esse número nem representa 10 por cento do contingente de cargos comissionados contratados nos últimos 13 anos para instrumentalizar o Brasil? Onde está a redução dos ministérios? Onde está, sobretudo e principalmente, a eliminação dos privilégios brasileiros? Temer sabia que não faria 90 por cento do que prometeu. Mentiu e mandou seus ministros discursarem em nome da redução do déficit monstruoso das contas públicas. Do Brasil inchado. Há pagamentos indevidos na Previdência, sim. Mas nem chegam aos pés dos demais tipos de roubos. Mas também há no Bolsa Família. Por que ele não ataca por essa trincheira?
Tirar Dilma Rousseff do Palácio do Planalto era e é uma necessidade. Nunca antes na história desse País se viu tanta corrupção. Da mesma forma, era e é uma necessidade que seu impeachment passe pelo Senado em agosto próximo. Essa faxina tem que se feita e completada. E é preciso, em 2018, os brasileiros encontrarem um líder para levar esse Brasil a porto seguro. Claro, o líder não é Temer, Dilma, Lula, Aécio nem nenhuma das outras figuras existentes hoje. Mas há tempo para que surja.
Temer mentiu por saber, desde o início, que não teria forças para enfrentar as corporações dominadoras do Brasil. Corporações essas que não se limitam ao barulho feito por funcionários públicos insatisfeitos com o congelamento de seus privilégios, mas que também se corporificam nos grupos de interesse do Legislativo e do Judiciário. Existe, gente, sobre a face da terra, algo mais disforme, mais canalha, mais despudorado do que esse tal de Centrão da Câmara dos Deputados?
Hoje, todas as grandes revistas noticiosas semanais de circulação nacional tornaram-se discursos monocórdios. Só escreve nelas quem defende a privatização de tudo e de todos. Mas os escândalos brasileiros não têm como grandes protagonistas os maiores conglomerados empresariais brasileiros? Então como colocar na conta de nossos dissabores apenas e tão somente a inépcia do Estado, quando sabemos que ela deriva, não do fato de as empresas públicas serem incapazes por princípio, mas de nossa "tradição" de distribuir nomeações com cargos de direção de estatais a apaniguados? O Estado tem que existir, e empresas públicas só são eficientes quando dirigidas profissionalmente.
Fiz um texto de perguntas. E isso por um motivo claro: se a gente não responder a todas elas em prazo curto ou médio, a crise brasileira só irá se agravar. E outros aproveitadores, outros despreparados como Lula se aproveitarão do fato para chegar ao poder com demagogia e corrupção.