16 de abril de 2008

O (baixo) nível retratado


- Para quem antes falava "menas laranja" falar "en passant" é uma evolução linguística.

Eis aí mais um acesso verbal dos mais sérios do excelentíssimo senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o sorridente da foto. E mais uma vez cometido em discurso diante de platéia de pessoas simples e para a qual ele joga, diga-se a bem da verdade, com grande competência.

Disse isso depois de questionar exigência de que fiscais encarregados de fiscalizar o ITR terem de possuir diploma de curso superior num país "onde o Presidente da República não tem".

Maravilha!

Seria interessante informar aqui que um professor de ensino público de Pernambuco, Estado natal de sua excelência, recebe um piso de R$ 599,00. O menor do Brasil. À guisa de informação, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, que avaliou 57 países, deixou o Brasil em 53º lugar em Matemática, 52º em Ciências e 48º em leitura. É imensa a quantidade de crianças e adolescentes nesse país que terminam o ensino fundamental sem saber interpretar um texto. Já o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) revelou recentemente que o aluno médio brasileiro termina a 4ª série sem dominar as quatro operações básicas: somar, subtrair, multiplicar e dividir.

Problema nenhum: eles são o retrato do nível do excelentíssimo senhor Presidente da República.

15 de abril de 2008

A testemunha silenciosa (ou silenciada)


Chama-se Pietro a única provável testemunha da violenta morte da menininha Isabella Nardoni (aí ao lado, junto com a mãe em foto de família). Ele tem três anos de idade e, se seu pai e sua mãe estão mentindo, estava na cena do crime quando a meio-irmã foi agredida, jogada pela janela do 6º andar de um prédio e morta. E estava acordado, pois uma criança de 3 anos não consegue permanecer dormindo com uma briga aos gritos da mãe com o pai e com os berros desesperados da irmã mais velha, pela qual sentia muito amor.

Existe uma especialidade (?) chamada psiquiatria e/ou psicologia forense, capaz de desvendar casos como este. Um policial disse há alguns dias não cogitar ouvir essa criança porque o procedimento vai traumatizá-la. Ora, se ela presenciou um crime, ainda mais envolvendo uma irmã, pai e mãe, traumatizada já está. Embora, em defesa da tese policial, haja opiniões especializadas dizendo que um trauma pode aumentar se o menino for ouvido agora. Ele estaria, então, sendo preservado ao máximo.

A Polícia afirma de forma categórica, nesse caso que entorpeceu o Brasil, que um pai e uma madrasta, sem motivo algum aparente, mataram de forma brutal uma menina de 5 anos. E nenhum dos dois estava bêbado ou havia ingerido qualquer outro tipo de droga. Não é possível compreender isso.

Alexandre e Anna Carolina, por outro lado, gritam que são inocentes e que não praticaram o crime. Para eles, uma terceira pessoa entrou no apartamento pertencente aos dois e, também sabe-se lá porque, torturou e matou a menina. Que gritava, segundo vizinhos: "Papai, papai, papai, pára, pára..." Parece alguém chamando pelo pai. Gritando por socorro a ele.

Se os pais mataram a menina, Pietro viu. Se não foram os dois, ele também ouviu a gritaria e viu que a irmã não estava mais no apartamento quando foi trazido junto com o irmão ainda bebezinho. Há uma testemunha. Silenciosa ou silenciada. Não se sabe ao certo.

8 de abril de 2008

Vamos visitar museus?




Vocês gostam de museus? Querem visitar os maiores do mundo, aqueles que contam com os acervos mais valiosos, mesmo sem gastar em passagens, hospedagens, vistos e outras coisas mais? A emoção não é a mesma, mas vale a pena ver. A gente pode fazer essa viagem, seguindo o roteiro que vem abaixo. A foto que ilustra esse texto é um detalhe do Hermitage, da Rússia, um dos maiores museus do mundo e também dono de um acervo de valor incauculável. Basta ir clicando e acessando esses museus:


Vale a visita a dois museus: Castro Maia - Açude e Chácara do Céu. São dois primores. O do Açude tem uma localização bucólica, porcelanas da Cia das Ìndias, Debrets, etc... Museu de Arte Moderna - Rio de Janeiro De linhas retas, jardins de Burle Marx, tem Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Portinari e outros. Museu Nacional de Belas Artes - Rio de Janeiro. Prédio em estilo renascentista. Tem Victor Meireles,Rodolfo Amoedo, Almeida Jr. Eliseu Visconti. Coleção de barrocos italianos e 8 obras de Franz Post. Esse site dá boas indicações de museus. Petrópolis - RJ - Imperdível. Tem até espetáculo de son et lumière duas vezes por semana. Museu de Arte de São Paulo - São Paulo - Velasquez, Rembrandt, Rafael, Cézanne, Monet, Renoir, Van Gogh, Matisse, Picasso... MAM - Museu de Arte Moderna - São Paulo Veja obras de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Tomie Otake. E vai por aí...
Divirtam-se

4 de abril de 2008

Borra de café contra a dengue!


Vivemos época de apreensão relativa ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, doença que, na forma hemorrágica, chega a matar e tem provocado muitas mortes no Brasil. Então, anote uma dica simples e eficiente: com borra de café você impede que o mosquito transmissor se reproduza, trazendo perigo. Mata-o como larva mesmo, da forma como está aí acima.
A receita é usar uma solução de duas colheres de sopa de borra para meio copo de água – e ir dobrando a dose sempre que preciso – ou então aplicar a borra diretamente em vasos de plantas, sem diluir em água. E também em outros locais onde o mosquito se reproduz. No caso dos vasos, você ainda estará adubando as plantas, de graça. Maiores informações sobre o assunto podem ser colhidas em www.apromac.org.br/dengue.htm.
Isso não é brincadeira. É sério e dá resultados. Como a maioria dos brasileiros tem o saudável hábito de beber café, pode matar esse mosquito depois do último gole.

20 de março de 2008

Imigração ilegal tem solução


Pode parecer brincadeira - se bem que de mau gosto - mas as autoridades brasileiras perdem tempo discutindo quando a cafetina ou prostituta brasileira - ou ambas as "profissões" - Andréia Schwartz vai voltar ao Brasil. Até um cônsul já perdeu tempo envolvido com o assunto. Como se fosse importante... Num país de tanto problema preocupante, nos envolvemos com coisas desse gênero.
Anualmente, milhares de brasileiros imigram para países estrangeiros, ilegalmente, em busca de trabalho - do fácil ou do difícil, tanto faz - e correndo todos os riscos. A maioria é presa, passa por humilhações e volta para casa. Dias, semanas, meses ou anos depois está de volta à aventura, novamente no exterior sem autorização para ficar. Situação que nunca acaba.
Mas nunca acaba porque as autoridades são lenientes. Vamos propor uma coisa: o indivíduo "X" é preso num país estrangeiro como imigrante ilegal e deportado. Na chegada ao Brasil, tem seu passaporte tomado e cancelado por cinco anos. Depois dos cinco anos, se voltar a ser preso imigrando ilegalmente de novo, perde o passaporte por dez anos. Na terceira vez, por vinte anos. Na quarta, por quarenta anos. E aí deixa de ser problema porque já morreu. Felizmente!
O inverso também pode ser feito: todo estrangeiro deportado do Brasil por estar aqui ilegalmente tem todos os dados de seu passaporte registrados e lançados num banco de dados. Não consegue mais visto de entrada e, chegando a qualquer aeroporto, é embarcado de volta. Se insistir, passa uns dias em algumas de nossas confortáveis cadeias antes de pegar o avião de volta para a casa de onde não deveria ter saído.
É preciso agir assim. Só podemos ser duros se formos honestos. Caso contrário, como protestar quando brasileiros forem tratados como cachorros no exterior?
Senhores deputados e senadores, fazedores de leis às vezes pura e simplesmente imbecis, isso é uma tarefa dos senhores. Mãos à obra! Esse tipo de trabalho não dá tanta notoriedade quanto uma CPI mas vale a pena ser feito. Corrige um problema grave e que se eterniza no Brasil. Gratos pela atenção.

13 de março de 2008

Simplesmente fantástico!


Simplesmente fantástico esse "inocente" exercício de "conhecimentos".

Faça o teste você mesmo, seguindo esses passos:

1º - Vá ao Google;

2º - Digite: politico honesto

3º - clique em 'Estou com sorte' e não em 'pesquisa Google', como seria o natural

4º - veja o resultado com a máxima atenção.

E não é que está certo!

11 de março de 2008

Faesa descumpre leis por R$ 3,00


É desconfortável dizer, mas uma das maiores e mais conceituadas instituições de ensino médio e superior do Espírito Santo desrespeita as leis. A Fundação de Assistência e Educação, conhecida como Faesa e dona do belo logo acima, queria cobrar para imprimir, em sua tesouraria, documento com informações referentes aos pagamentos de mensalidades do ano passado a destinado à minha declaração de Imposto de Renda.
A funcionária da Tesouraria cobrava uma taxa de R$ 3,00 de um aluno pelo documento, quando cheguei. Pedi o da minha filha. Ela disse que custaria R$ 3,00, com nota fiscal e tudo. Nota fiscal de uma ilegalidade! Eu disse que não iria pagar, não sairia de lá sem o documento, que aquilo era ilegal e que exigia falar com um responsável.
Resumo da história: os dados de minha filha foram passados por telefone para um senhor, José Luiz Andrade que, em outro setor, forneceu-me o documento exigido, com todos os dados constantes, mas em papel sem timbre e longe do ambiente onde o computador só emite a versão oficial mediante pagamento da taxa ilegal.
Tenho comigo o documento fornecido. Não o escaneio e divulgo no blog para não expor minha filha. Mas exponho a Faesa. Lamento que ela se porte dessa forma. Uma instituição de ensino como ela, com o conceito que tem no Estado, deveria se portar com ética e respeito às normas legais vigentes.
Ainda que exercendo, caso assim o desejasse, o sagrado direito de discordar delas.

10 de março de 2008

Que Brasil é esse, minha gente!


Pode parecer incrível, mas é verdade. Iniciando um trabalho de coleta de dados de livro de teor histórico que pretendo produzir, entrei em contato com um dos sites do Senta a Pua (esse símbolo simpático aí ao lado), que representa a Força Aérea Brasileira na II Guerra Mundial. "Senta a Pua", hoje popularmente "mete bronca", era o lema dos pilotos brasileiros na Itália.

A pessoa que me atendeu não podia ajudar-me. Não tinha as informações que necessito porque o fato pesquisado restringiu-se a Vitória, Espírito Santo, embora tivesse relação com a Guerra. Mas em certo ponto de seu relato, deixou-me gelado. Leiam-no:


"No Ministério da Aeronáutica eu não saberia dizer (se eu conseguiria obter alguma coisa). Porém, pela experiência que tive com os materiais do 1º Grupo de Caça, acho difícil. Imagine você que os livros contendo todas as missões do Grupo (na II Guerra Mundial) iam ser jogados fora e, se não fosse um dos Veteranos tê-los guardado este tempo todo, estas informações só estariam disponíveis nos Arquivos Norte-Americanos."


Não sei se é para rir, se é para chorar. Ou então se é apenas para ficar pasmo, como estou. Mas o Ministério da Aeronáutica ia jogar fora, no balde de lixo e no lixo da história, todos os dados da aviação brasileira na Segunda Grande Guerra. O livro das missões do 1º Grupo e Caça teria desaparecido, não fosse a mão salvadora de um ex-combatente.

Durma-se com um barulho desses! Que Brasil é esse, minha gente?

6 de março de 2008

Conheça o Clube do Livro


Quero convidar a todos, sobretudo àqueles que lêem esse blog, regularmente ou não, por puro amor à literatura - qualquer que seja o gênero dela - a uma viagem. Busquem e encontrem tempo para dar um passeio ao meu, seu, nosso Clube do Livro . Por sinal, ei-lo visualizado aí acima, na imagem postada para vocês.
Foi criado recentemente por um grupo de viajantes da Internet, alguns dos quais viajam mesmo, e muito, pelo mundo agora, encontrando tempo para ler livros e discutir conteúdos, trocando idéias, contestando pontos de vista, falando sobre verdades e mentiras, o que é sempre discutível porque as minhas verdades não são as suas e nem as suas são as minhas.
Mas é isso o que vale. Dê uma clicada no link e conheça-nos. Estamos à sua espera.

22 de fevereiro de 2008

Para Nelson Calado

Porque ele falava muito, chamaram-no Nelson Calado no meio da aviação. Porque ele acreditava em todos, saiu do quase nada, tornou-se um homem de posses e depois empobreceu novamente. Porque ele amava a família acima de tudo, sua morte, no dia 13 de fevereiro deste ano de 2008, provocou dor intensa em muita gente querida.
Era um excelente piloto. Formado em uma das primeiras turmas do Aero Clube do Espírito Santo, em 1943, participou do esforço de guerra brasileiro na II Guerra Mundial, mesmo sem sair daqui, como membro da Patrulha da Madrugada, um grupo de aviadores que voavam todos os dias, dentre outras coisas patrulhando as costas capixabas para vigiar os portos de uma possível incursão de algum submarino alemão. Por sorte não avistou nenhum e a guerra terminou logo, porque os aviões da patrulha não tinham armamento algum.
Trabalhou com construção civil. Construindo pontes e outras iniciativas no Espírito Santo e Minas Gerais. A primeira estação de tratamento de água de Cachoeiro de Itapemirim, comandou as obras de construção do Cais do Avião, em Santo Antônio, e mais uma série de outras atividades afins e correlatas. E também importantes.
Foi gerente, no Espírito Santo, de uma das primeiras empresas regulares de aviação, a Aerovias Brasil. Na época, com o amigo Djalma Cabral, fundou a Vitur, primeira agência de turismo receptivo do Estado. Trouxe para o Brasil, da Espanha, juntamente com um sócio e amigo, Flávio Torres Ribeiro de Castro, um revolucionário – à época – método de beneficiamento de ferro a frio, fundando, junto com esse sócio, a empresa Armaduras Helitraço, em São Paulo. Fabricou por aqui os primeiros karts e organizou a primeira corrida regular no velódromo do Ibirapuera.
Foi fabricante de peças de alumínio para motores de automóveis Simca quando a esmagadora maioria dos equipamentos do gênero eram feitos em aço. Trabalhou com queimadores industriais, com vendas diversas, com ultraleves e outras atividades mais, sempre ligadas a metais ou aviação. Conhecia tanto do que fazia que, não raro, as pessoas perguntavam a ele em que universidade havia se formado em engenharia. E ele tinha apenas o 2º grau técnico. Ria disso, gostosamente. Afinal, discutia engenharia com engenheiros...
Nos últimos anos, foi um espectador da vida. Espectador crítico e jamais renunciando aos seus princípios, alguns deles hoje relevados. Casou-se e amou a mesma mulher por 64 anos, oito meses e sete dias. Também isso é hoje considerado "ultrapassado".
No dia de seu sepultamento, depois de morrer com complicações várias provocadas por uma queda doméstica aos 88 anos de idade, estavam no velório e no sepultamento menos de cinco dezenas de amigos. Não houve tempo de avisar a todos. As homenagens foram daqueles que realmente o amaram e de algum diletos amigos destes.
Faço aqui o registro da morte de Nelson Calado. Também conhecido como Nelson de Albuquerque Silva, fluminense de Campos dos Goitacazes, brasileiro que viveu intensamente e amou a terra pela qual chegou a patrulhar parte da costa capixaba durante uma guerra sem nunca ter recebido um único “muito obrigado” oficial. Faço isso eu: muito obrigado, meu pai. Você deixa vários exemplos. Que possam ser seguidos.
Legenda: na foto, Nelson Calado está em pé à direita, ao lado da mulher. Sentado, seu cunhado Waldyr. É a última foto do velho Nelson.

12 de fevereiro de 2008

Furando poços...


"Revestimento de chapa metálica (como aço ou outra liga resistente) us. para proteger, contra progéteis, veículos e engenhos de combate, navios, carros fortes, etc."

Se o leitor folhear o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, vai encontrar essa como sendo a primeira definição de "blindagem", termo muito usado por nós no passado e no presente. Mas que agora ganhou outro sentido, sobretudo em Brasília. Tem significado dizer que altas autoridades da República, sobretudo o Presidente, não podem ser investigadas, ter atos espúrios tornados públicos, embora todos esses atos sejam praticados com o nosso dinheiro, proveniente de impostos que pagamos e sempre aumentam.

Pelo menos essa foi a decisão tomada em Brasília, no Congresso, para a formação da CPI que pretende investigar (sic!) o uso indevido dos chamados Cartões Corporativos. Os senhores deputados federais e senadores assim agiram, ao mesmo tempo em que autoridades federais corriam para distribuir cargos de segundo escalão, principalmente do Ministério das Minas e Energia, àqueles que se dizem, por direito, detentores dessas cadeiras.

Quando o deputado federal Severino Cavalcanti, de "saudosa" memória, era presidente do Congresso Nacional, ele disse que queria, como sua, para uso de aliados políticos, uma das diretorias da Petrobrás. "Aquela que fura poço ", explicou candidamente, referindo-se a um dos cargos onde maior é a disponibilidade de dinheiro.

Assim como ratos, no sentido literal, adoram queijo, "ratos" não vivem longe de verbas públicas, cartões corporativos, cargos "ilustres" e outros. Às vezes ocorre que, em certas ocasiões e circunstâncias, a política é a única modalidade de prostituição regulamentada no Brasil. E dizer que nas décadas de 70 e 80, quando surgiu na política um metalúrgico jurando dar nova cara a essa atividade (olha ele aí acima, gente!) milhares acreditaram...

Ironias da vida nacional.

29 de janeiro de 2008

Sugestão à classe política


Imaginem o seguinte: se no Brasil nenhum salário público pudesse subir em percentual superior ao salário mínimo? Imaginaram? Vou esclarecer melhor.
Em nosso país, a cada ano que passa aumenta mais o abismo entre os que ganham menos e os que ganham mais. Há duas ou três décadas, um indivíduo que recebesse salário mínimo teria que trabalhar um número “x” de meses para receber o que recebia o Presidente da República, um senador ou um ministro do Supremo Tribunal Federal. Hoje esse número de meses mais do que duplicou. Pode-se dizer que, dependendo da quantidade de anos, triplicou.
Isso acontece porque a Constituição brasileira dá aos poderes o direito de legislar sobre suas necessidades. O Judiciário ajusta seus vencimentos sempre que deseja – com o beneplácito do Legislativo, que no mais das vezes aprova esses aumentos sem sequer estudar a questão – e o mesmo ocorre com os dois outros poderes. Suas necessidades e “necessidades” são soberanas e jamais levam em consideração o efeito que podem causar sobre o restante da nação.
Já quando se trata de reajustar o menor vencimento legalmente existente no país, pára-se para pensar. É preciso saber, antes, se as prefeituras vão conseguir absorver o impacto, já que elas são inchadas como doentes, mas ao sabor de interesses corporativos. Há também a pressão da iniciativa privada, que teme a sangria de valores e a pressão de sindicatos e outros órgãos. Há, finalmente, a serem levados em consideração, fatores como interesses regionais político-partidários, caciquismos diversos, demagogias as mais variadas e outros senões. Quando tudo entra na panela, o salário de fome da massa à margem da sociedade de consumo é reajustado em alguns míseros reais. E ponto final.
Como mudar isso?
Se nós tivéssemos em nosso corpo de leis uma que instituísse como teto do reajuste dos servidores públicos de todos os poderes e de todos os níveis o percentual determinado para o reajuste anual do salário mínimo, o problema estaria sanado. Como num passe de mágica, do dia para a noite, todos passariam a lutar pelos vencimentos dos mais pobres. Veriam, finalmente, que receber R$ 380,00 por mês é ser condenado à quase miséria. E sobrariam soluções para os problemas nacionais, pois disso dependeriam os reajustes dos grandes salários. Com o tempo é até possível que o abismo existente entre quem ganha mais e quem ganha menos viesse a diminuir e se tornar mais, digamos, civilizado.
O que é preciso para isso? A aprovação de uma lei pelo Congresso? Um texto de reforma constitucional? Qualquer bom advogado constitucionalista, debruçado sobre o tema/proposta/sugestão, encontraria logo a solução. Admito que uma coisa é propor e outra, completamente diferente, conseguir aprovar. Mas de tentativas são feitas as conquistas.
Senhores deputados federais e senadores, sobretudo capixabas, eis aí uma contribuição de um velho jornalista relativa a um dos dramas nacionais. Sempre se diz que a mídia critica mais não sugere. Vamos mudar isso. E se alguém quiser ser o pai da criança, problema nenhum. Tiro o texto do blog e o parlamentar em questão pode dizer que a idéia foi sua. Assino embaixo e reconheço firma.
Agora, mãos à obra!

24 de janeiro de 2008

O hábito do cachimbo


Antes de tudo metafórica, a ditadura militar que governou o Brasil por 21 anos precisou cunhar termos e interpretações próprios para poder dar um ar de legitimidade ao que fazia. Esse hábito sobreviveu aos tempos vividos entre 1964 e 1985 e resiste até hoje nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas, sobretudo e principalmente no último deles, contrariando o histórico de resistência aos anos de chumbo.
Quem estudou naqueles tempos de “regime de exceção”, sobretudo em faculdades ou universidades, acostumou-se com a figura do professor de Educação Moral e Cívica. Figura intimamente ligada ao status políticos, era ele o encarregado de dar cores sutis ao regime. Falava da diferença entre oposição (legal) e contestação (ilegal). Explicava o sistema bipartidário, onde a Arena apoiava o Governo e o MDB se opunha a ele (mas sem jamais contestá-lo, pelo menos em tese). Discorria sobre “subversão”, o termo mais utilizado então, e também sobre os “óbices” que havia para o triunfo da democracia (sic!).
Aliás, sobre ela bem disse o então ditador em exercício, o general Ernesto Geisel, quando perguntado sobre se o Brasil era uma democracia, durante uma viagem à Inglaterra: “Bem, o Brasil é uma democracia dentro de sua relatividade”. Estava criado, para desespero de Einstein, o conceito da relatividade democrática. Nada cientifico, claro.
Mas o fato é que os diversos conceitos de subversão ou o pseudopoder de deter o avanço de quaisquer formas dela, desafiaram e desafiam os tempos. É isso o que faz com que alguns membros da Justiça, vez ou outra, invistam contra a liberdade de imprensa e assumam funções de censura. Ou de tutoramento da sociedade. Às vezes, proibindo a imprensa de noticiar este ou aquele fato. Dar a público nomes de filhinhos de papai envolvidos em crimes. De vez em quando, colocando-se acima da letra da Constituição. Em algumas ocasiões, assinando o inassinável, como fez um juiz que proibiu os motoqueiros seus súditos de usarem capacetes. Isso, em nome do combate à criminalidade, já que há hoje muitos crimes sendo cometidos sobre duas rodas.
Essas decisões tentam combater o que, no ver de certos magistrados, subverte o Estado, a moral e os bons costumes. Não importando se isso é ou não tarefa sua. Não importando saber se a população concorda ou discorda dessas incursões em terreno que deveria ser de decisões privadas e não públicas. Como, por exemplo, quando se proíbe que um determinado jogo de Internet seja visto por nossa juventude.
Aqui é necessário um adendo. Durante a ditadura, não foram todos os membros do Judiciário que fizeram coro com as decisões tomadas. Em alguns períodos, sentenças contrariaram tanto os militares que eles fizeram uso de medidas inconstitucionais, embora revestidas de força legal, para impor sua vontade. A Justiça não enfrentou a ditadura como instituição, mas deixou sua marca na resistência ao autoritarismo.
Enfim, em tudo no mundo há fronteiras. Mesmo num país onde as leis permitem múltiplas interpretações, funções de Estado são claras e delimitadas constitucionalmente. Por e para todos? Não, por e para quase todos. Porque às vezes membros de um determinado poder se permitem ultrapassar o tênue limite entre o legal e o ilegal, sobretudo e principalmente porque, em última análise, serão eles mesmos que terão de dizer se essa fronteira foi ultrapassada. E eles decidirão segundo suas crenças. Em alguns casos, de acordo com o hábito do cachimbo.

21 de janeiro de 2008

Igrejas S/A


Quem passou os últimos dias lendo os principais jornais brasileiros, decerto imaginará não estar mais vivendo num país laico. Segundo os jornais, mas também rádios s TVs, os senhores vereadores, deputados (estaduais ou federais) e senadores distribuem generosamente as tais "verbas parlamentares" a que têm direito a diversas ordens religiosas, sobretudo e principalmente das chamadas correntes pentecostais ou neopentecostais, que se disseminam pelo país como cerveja em botequim. Ou mais um pouco do que isso...

O meu, o seu, o nosso dinheiro recolhido como imposto das mais diversas e injustas formas para custear obras de infra-estrutura, saneamento básico, investimentos em educação, transporte, segurança e outros meios de geração de trabalho e renda, termina nas contas bancárias (ou seria melhor dizer "nos bolsos") de responsáveis por instituições religiosas que, na maioria das vezes, nem ao menos conhecemos. Muitas dessas "igrejas" criam entidades paralelas para receber o meu, o seu, o nosso dinheiro, travestidas como instituições de apoio. Algumas dão remédios. Outra mantêm escolas. Ou oficinas de trabalho. Ou... Ou... Ou...

A grande maioria conhece o poder da televisão. Basta ligar alguns canais brasileiros, de sinal aberto ou fechado, principalmente nas madrugadas, e a gente entra em contato com "milagres" os mais variados. O principal deles é aquele que faz o dinheiro desaparecer do bolso do crente para reaparecer na conta bancária do apóstolo. E eles, os milagres, têm seu preço, cobrado da forma mais descarada possível, ao vivo, no ar, via satélite para todos os que estiverem sintonizados nos canais acima referidos.

A gente já ouviu falar da Igreja Renascer em Cristo, não é? Ela é "neopicaretocostal". Como muitas das demais. Mas nem por isso perde a capacidade de amealhar dinheiro público e, vez ou outra, embarcar com ele para os Estados Unidos.

É preciso, com urgência, que seja proposta lei capaz de impedir os políticos de pagarem dívidas às igrejas com nosso dinheiro. Sim, porque um deles confessou ao jornal O Globo, de domingo último, ter destinado "x" mil reais à "Igreja Tabernáculo Sei Lá de Que" como pagamento pelo apoio recebido quando de sua campanha política.

Somos um nação laica, senhores. Com imensa maioria de pessoas religiosas, claro, mas ainda assim laica. E o dinheiro dos impostos não pode ser distribuído a esta ou aquela corrente sem que o cidadão que os paga seja consultado e diga que aceita. E como essa consulta não é possível, a distribuição, embora legal, é eticamente condenável e imoral.

Como diria Millor Fernandes, nos tempos da ditadura: "Liberdade, liberdade; quantos 'apóstolos' se cometem em seu nome..."

17 de janeiro de 2008

Aprendemos todos


40 anos depois, a maioria dos que conviveram com os conflitos políticos de 1968, desembocando no AI-5, ainda convivem com uma contradição que a alguns atormenta e a outros leva ao riso: combatíamos a ditadura militar do Brasil, gritávamos para que ela caísse, mas apoiávamos outra.
Naqueles tempos, a esmagadora maioria dos que iam às ruas gritar contra o governo era formada por estudantes militantes políticos ou então não estudantes também com militância política. Em comum eles tinham o fato de serem filiados ao Partido Comunista Brasileiro, o PCB ou Partidão, e ao Partido Comunista do Brasil, o PC do B. Mais adiante, muitos se filiariam também às várias correntes que surgiram, sobretudo em decorrência dessas duas e que pregavam a luta armada contra a ditadura: MR-8, Colina, Var-Palmares, Libelu, etc.
Havia uma clara ligação entre os partidos ou movimentos então clandestinos e países como a União Soviética, China e Cuba, principalmente. Como todas eram, como ainda hoje o são China e Cuba, defensoras de princípios marxistas como a “ditadura do proletariado”, queríamos substituir a nossa por outra.
Interessante notar que muita gente se associou à luta e lutou honestamente contra o regime militar não tendo consciência disso. Ou então achando que, uma vez afastados os militares brasileiros, seria possível também afastar, junto com eles, o cerne dos movimentos que lutaram nas ruas brasileiras.
Foram tempos contraditórios.
Em comum, tínhamos todos uma coisa: detestávamos o regime militar brasileiro. Que prendia ilegalmente, torturava e matava. Que estuprou a nossa brasileira, depondo à força um presidente que, se era dúbio na maioria dos seus atos de poder, havia chegado a ele pela via legal. Detestavam também a ditadura quem nada tinha a ver com os partidos de esquerda. (como as mulheres da foto acima, pinçada ao site do Zirando para ilustrar esse texto: Eva Tudor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Lila Diniz, Odete Lara e Norma Belguel).
Foi esse caminho que desembocou, 21 anos depois do golpe militar de 1964, em 1985 e no fim da ditadura. Ela, que saiu de cena desacreditada, quase enxotada, legou aos brasileiros o ensinamento de que as piores democracias são melhores do que as melhores ditaduras. Ou então que o voto é o único caminho inquestionável, dentre os conhecidos hoje, de conquista do poder.
Aprenderam isso também aqueles que lutaram, pelas sabotagens ou pelas armas, contra os ditadores de plantão. Hoje sabemos que, se não existe espaço para a “ditadura do proletariado”, o capitalismo também não é a solução dos problemas. O que se busca é algo que una o que de melhor têm ambos.
Aprendemos todos.

11 de janeiro de 2008

Como se fosse hoje...






1968 é o ano que não cala.
A raiz de tudo foi o dia 28 de março quando um estudante, Edson Luís de Lima Souto, foi morto por forças de segurança no Restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. Os fatos se deram da seguinte forma: Edson era um estudante que participava dos preparativos de uma passeata de protesto contra o aumento de preços das refeições e a demora no término das obras do estabelecimento.
Três choques da Polícia Militar e a guarnição de dois veículos de patrulha chegaram ao Calabouço naquele momento. Auxiliados por uma tropa da Aeronáutica, entraram no restaurante disparando suas armas e dois estudantes caíram feridos: Benedito Frazão Dutra e Edson Luis. O segundo, de 17 anos morreu, com um tiro no peito antes de ser levado a tempo para o hospital. Os amigos tentaram socorrê-lo, mas já era tarde. Revoltados, levaram o corpo para o saguão da Assembléia Legislativa, de onde se recusaram a sair até que alguma providência fosse tomada. O caso teve grande repercussão nacional e internacional. Diversas passeatas e protestos foram organizados, mas sem nenhuma resposta concreta por parte do governo e autoridades para a sociedade, a não ser o afastamento de alguns policiais envolvidos no episódio.
Edson não era subversivo, marginal ou coisa parecida. Era um garoto de 17 anos que, como nós, amava os Beatles e os Rolling Stones. Sua morte provocou um juramente dos estudantes: “Neste luto, a luta começou”. No dia 26 de junho, cem de 100 mil estudantes foram às ruas do Rio de Janeiro, em protesto. Foi a célebre Passeata dos Cem Mil (foto acima, ilustrando o artigo). Em seguida, outras cidades seguiram o exemplo. Daí em diante, 1968, o ano da contestação estudantil, explodiu. E essa explosão tomou todo o Brasil, unindo estudantes secundaristas e universitários numa mesma onda de protestos. Um vagalhão que crescia a cada passo dado.
Em São Paulo, um dos palcos mais importantes foi a Avenida São João. E os desfiles de estudantes eram saudados pela população, que chegava a jogar papel picado do alto dos prédios, à passagem das passeatas. Isso inflamava mais ainda a garotada, que avançava aos gritos de “Abaixo a ditadura” e outras palavras de ordem contrárias ao regime instalado à força, quatro anos antes. E então chegava o Brucutu. Era, nada mais nada menos que um carro blindado usado pelas forças policiais de segurança, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Lembrava de longe o Caveirão dos dias atuais, mas com a diferença de que possuía, na parte de cima, um canhão de lançar água ou areia. Era capaz de, pela força do jato, jogar um homem adulto a cinco ou seis metros de distância.
O Brucutu vinha junto com a cavalaria da PM. Esta levava desvantagem quando atacava de baixo para cima, vinda do Anhangabaú, na subida da São João, em direção do Largo do Paissandu. Os estudantes a esperavam com os bolsos cheios de bolas de gude, além de pedras. As “inocentes” bolinhas de gude que eram arremessadas ao asfalto da avenida. Os cavalos patinavam sobre elas, as ferraduras em contato com o vidro e não contra o piso da rua. Montarias e cavaleiros às vezes vinham ao chão.
Um dia, penalizado mas também paralisado, vi o soldado que se levantava possesso, sacando a arma do coldre e olhando para o joelho ensangüentado da pata dianteira direita de seu animal. Virou-se feito um louco em direção a nós, tentando identificar no meio da multidão de estudantes, aquele que havia jogado a bola responsável pela queda de seu cavalo. Estava ensandecido. Era um mulato, alto, forte como um touro.
Não encontrou em quem atirar e fez fogo para cima. Para o ar. No momento em que mais policiais chegavam, cercando a turba de estudantes que, aos gritos de “Abaixo a ditadura”, começava a se dispersar. Faz 40 anos que isso aconteceu. Parece que foi ontem. Ainda consigo sentir nas narinas o cheiro de pólvora. Ainda vejo o asfalto molhado e as bolinhas de gude descendo a avenida enquanto a cavalaria subia e o Brucutu cuspia água fria em todos nós.
Como se fosse hoje...

7 de janeiro de 2008

Lembrando 68 e "Roda Viva"




Estamos em 2008, ano das comemorações dos 40 anos de 1968. Muita coisa foi dita, muita coisa está sendo dita e muita coisa será dita sobre esse ano que mudou tanto o mundo e o Brasil, graças aos fatos nele vividos. Quero me ater somente a um.

Nós ainda não vivíamos o AI-5 - ele seria promulgado em dezembro -, nem muitos brasileiros tinham sido torturados e mortos pelo golpe militar de 1º de abril de 1964 (sempre o chamo de Golpe de 1º de abril porque, na época, era obrigatório dizer Revolução de 31 de março de 1964. Recuaram em um dia a aquartelada para que ela não parecesse de mentirinha. E não foi mesmo). Mas muitos fatos agudos já haviam se passado. Um inconformismo tomava conta das pessoas, havia protestos em todos os cantos e, em meados de julho, 110 homens ligados ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiram o Teatro Galpão, em São Paulo, e agrediram os atores que encenavam a peça Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda (a foto que ilustra esse texto, da peça, é de uma apresentação no Rio de Janeiro. Não encontrei outra). A obra era considerada subversiva. Marília Pêra, uma das atrizes, chegou a ser agredida, teve que passar nua por um corredor polonês e se afastou de algumas das apresentações seguintes, traumatizada que havia ficado com as agressões. Não resisti e fui ao teatro logo em seguida.

A encenação contava a história de Benedito Silva que não cantava nada mas virou o cantor Ben Silver, da Jovem Guarda. Tornou-se depois o intérprete de música nordestina Benedito Lampião, foi para os Estados Unidos, voltou como traidor e, a partir daí, Chico Buarque de Holanda traçou um painel inteligente do Brasil de então, com todas as suas mazelas e as críticas mais inteligentes possíveis. Com linguagem dura, palavrões em profusão e mensagens políticas e personagens canhestros como a figura do empresário. Não pretendo fazer um texto acadêmico sobre a peça. Mas havia nela um momento fantástico. Durante uma enceração de protesto, atores entravam correndo em cena, atravessavam o palco e lançavam centenas de panfletos ao público. Peguei um deles e li:

"Abaixo a hipocrisia e a burrice, pequenos burgueses. Levantem a bunda da cadeira e façam uma guerrilha teatral, já que vocês não têm peito para fazer uma real, porra!"

Hoje, 40 anos depois, isso parece longe, irreal, banal até. Mas, naqueles tempos, naqueles dias, era um enfrentamento sério. De todos os que vi e vivi posteriormente nas contestações à ditadura militar, talvez tivesse sido o mais belicoso. O mais perigoso. O mais inteligente também, porque inteligência é correr riscos. Nunca mais me esqueci naquela noite em São Paulo. Afinal, pouco tempo depois baixaram o AI-5. E uma longa outra noite de 17 anos se abateu sobre o Brasil. Quem não a viveu deu sorte. Eu, que então morava em São Paulo, pude testemunhar isso e mais muitos outros prelúdios desse longo período de trevas.
Mas já passou. Findou-se (ou finou-se, tanto faz) há quase 23 anos.

4 de janeiro de 2008

As eleições nos EUA


Para que uma longa e tenebrosa noite não desça sobre os Estados Unidos, o bom mesmo é que um democrata vença as eleições que, na prática, começaram nesse 03 de janeiro por lá. Em Iowa, o pequeno estado dos EUA, deu Barack Obama em primeiro, John Edwards em segundo e Hillary Clinton em terceiro. Isso entre os democratas. Entre os republicados, Mike Huckabee (esse aí da foto, ao lado da digníssima esposa (dele), Ann) ficou em primeiro, Mitt Romney em segundo e Fred Thompson em terceiro.

Huckabee é um líder conservador religioso, ligado à corrente evangélica Batista e, dentre outras coisas, defensor do Criacionismo, uma corrente que contesta a Teoria da Evolução das Espécimes e qualquer outra coisa com sabor ou odor de ciência. Romney é Mórmon. Essa corrente religiosa, uma das mais retrógradas de todas as que já surgiram nos EUA desde sua criação como Estado, tem até Bíblia própria pois, claro, Deus não poderia existir sem ter passado por Salt Lake City. Os demais candidatos republicanos são daqueles que pregam todas as guerras, contra todos os inimigos, até a morte, mesmo que isso signifique a morte da humanidade.

Não temos nada a ver com os Estados Unidos, mas Obama, Edwards e Hillary cheiram melhor.

28 de dezembro de 2007

Festa nos presídios: vem aí o 3G


Deve estar havendo muita festa de final de ano nas penitenciárias do Brasil. Explico melhor: vem aí o celular 3G. E como as autoridades brasileiras admitem que não têm como coibir a entrada e o uso desse tipo de telefone nos presídios, o chamado "crime organizado" poderá organizar seus atos criminosos com maior liberdade e raio de ação.

Por exemplo: dentro em breve os presos vão poder ver TV nos presídios. TV em tela pequena, porque em tela maior já estão vendo. Poderão também ter acesso ilimitado à internet para se inteirar dos últimos fatos de interesse mundial. Como estão indo as açõs da Al Qaeda? É muito ilustrativo saber disso. Pode dar idéias maravilhosas...

Mas o melhor é que eles terão todas as condições possíveis e imagináveis para fazer vídeo-conferências. Já pensaram que progresso? Durante horas e horas planejarão mortes. E quando tudo der certo um deles dirá que "já é, já é". Isso sem falarmos em que as rebeliões vão passar a ser acompanhadas em "tempo real". Sequestros relâmpagos também.

É o Brasil das aberrações sem solução!

13 de dezembro de 2007

Voto por voto, eis como caiu a CPMF



A CPMF, um dos impostos mais injustos jamais criados no Brasil, caiu na madrugada de 13 de dezembro de 2007, depois de votação no Senado Federal, com comemoração (foto). Mas, se dependesse dos três senadores capixabas, teria sido mantido e dado mais dinheiro a um governo perdulário, capaz de sustentar um total de 38 ministérios, alguns deles verdadeiras excrescências, além de inchar o Estado com contratações partidárias.
Veja aí abaixo a relação dos votos da CPMF. O "SIM" quer dizer que o parlamentar votou a favor de que o imposto fosse mantido. É bom lembrar; afinal, próximas eleições estão por vir:
DEM
Adelmir Santana (DEM-DF) - NÃO; Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) - NÃO; Demóstenes Torres (DEM-GO) - NÃO; Efraim Morais (DEM-PB) - NÃO; Eliseu Resende (DEM-MG) - NÃO; Heráclito Fortes (DEM-PI) - NÃO; Jayme Campos (DEM-MT) - NÃO; Jonas Pinheiro (DEM- MT) - NÃO; José Agripino (DEM-RN) - NÃO; Kátia Abreu (DEM- TO) - NÃO; Marco Maciel (DEM-PE) - NÃO; Maria do Carmo Alves (DEM-SE) - NÃO; Raimundo Colombo (DEM-SC) - NÃO; Rosalba Ciarlini (DEM-RN) - NÃO.
PC do B
Inácio Arruda (PC do B-CE) - SIM.
PDT
Cristovam Buarque (PDT-DF) - SIM; Jefferson Peres (PDT-AM) - SIM; João Durval (PDT-BA) - SIM; Osmar Dias (PDT-PR) - SIM; Patrícia Saboya (PDT-CE) - SIM.
PMDB
Almeida Lima (PMDB-SE) - SIM; Edison Lobão (PMDB-MA) - SIM; Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) - como presidente do Senado, não votou; Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) - NÃO; Gerson Camata (PMDB-ES) - SIM; Gilvam Borges (PMDB-AP) - SIM; Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) - NÃO; José Maranhão (PMDB-PB) - SIM; José Sarney (PMDB-AP) - SIM; Leomar Quintanilha (PMDB-TO) - SIM; Mão Santa (PMDB-PI) - NÃO; Neuto De Conto (PMDB-SC) - SIM; Paulo Duque (PMDB-RJ) - SIM; Pedro Simon (PMDB-RS) - SIM; Romero Jucá (PMDB-RR) - SIM; Renan Calheiros (PMDB-AL) - SIM; Roseana Sarney (PMDB-MA) - SIM; Valdir Raupp (PMDB-RO) - SIM; Valter Pereira (PMDB-MS) - SIM; Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG) - SIM.
PP
Francisco Dornelles (PP-RJ) - SIM.
PR
César Borges (PR-BA) - NÃO; Expedito Júnior (PR-RO) - NÃO; João Ribeiro (PR-TO) - SIM;
Magno Malta (PR-ES) - SIM.
PRB
Euclydes Mello (PRB-AL) - SIM; Marcelo Crivella (PRB-RJ) - SIM.
PSB
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) - SIM; Renato Casagrande (PSB-ES) - SIM.
PSDB
Alvaro Dias (PSDB-PR) - NÃO; Arthur Virgílio (PSDB-AM) - NÃO; Cícero Lucena (PSDB-PB) - NÃO; Eduardo Azeredo (PSDB-MG) - NÃO; Flexa Ribeiro (PSDB-PA) - NÃO; João Tenório (PSDB-AL) - NÃO; Lúcia Vânia (PSDB-GO) - NÃO; Marconi Perillo (PSDB-GO) - NÃO; Mário Couto (PSDB-PA) - NÃO; Marisa Serrano (PSDB-MS) - NÃO; Papaléo Paes (PSDB-AP) - NÃO; Sérgio Guerra (PSDB-PE) - NÃO; Tasso Jereissati (PSDB-CE) - NÃO.
PSOL
José Nery (PSOL-PA) - NÃO.
PT
Aloizio Mercadante (PT-SP) - SIM; Augusto Botelho (PT-RR) - SIM; Delcídio Amaral (PT-MS) - SIM; Eduardo Suplicy (PT-SP) - SIM; Fátima Cleide (PT-RO) - SIM; Flávio Arns (PT-PR) - SIM; Ideli Salvatti (PT-SC) - SIM; João Pedro (PT-AM) - SIM; Paulo Paim (PT-RS) - SIM;
Serys Slhessarenko (PT-MT) - SIM; Sibá Machado (PT-AC) - SIM; Tião Viana (PT-AC) - SIM.
PTB
Epitácio Cafeteira (PTB-MA) - SIM; Gim Argello (PTB-DF) - SIM; João Vicente Claudino (PTB-PI) - SIM; Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) - não estava presente à sessão; Romeu Tuma (PTB-SP) - NÃO; Sérgio Zambiasi (PTB-RS) - SIM.

7 de dezembro de 2007

Ajudem o Instituto do Câncer


O Instituto do Câncer (foto ao lado), como todos nós sabemos, é uma instituição muito séria. Cabe a nós atender sua solicitação e ampará-lo, pois se depender do Governo (federal, estaduais e/ou municipais) será seu fim! Vamos salvar o site do câncer de mama? Não custa nada.

Digam, cada um de vocês, a 10 amigos - sobretudo amigas - para dizerem a 10 amigos/amigas hoje: o site do câncer de mama está com problemas, pois não tem o número de acessos e cliques necessários para alcançar a cota que lhe permite oferecer UMA mamografia gratuita diariamente a mulheres de baixa renda.

Demora menos de um segundo ir ao site e clicar na tecla cor-de-rosa que diz "Campanha da Mamografia Digital Gratuita". Não custa nada e é por meio do número diário de pessoas que clicam, que os patrocinadores oferecem a mamografia em troca de publicidade. Passem essa mensagem a mais 10, para que passem a mais 10, e assim por diante: http://www.cancerdemama.com.br/

Vocês vão se sentir muito bem depois disso. Eu garanto!

21 de novembro de 2007

Tautologia. Essa nos pega...


Você sabe o que é tautologia? É o mesmo que pleonasmo, termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir:
- elo de ligação - acabamento final - certeza absoluta - quantia exata - nos dias 8, 9 e 10, inclusive - juntamente com - expressamente proibido - em duas metades iguais - sintomas indicativos - há anos atrás - vereador da cidade - outra alternativa - detalhes minuciosos - a razão é porque - anexo junto à carta - de sua livre escolha - superávit positivo - todos foram unânimes - conviver junto - fato real - encarar de frente - multidão de pessoas - amanhecer o dia - criação nova - retornar de novo - empréstimo temporário - surpresa inesperada - escolha opcional - planejar antecipadamente - abertura inaugural - continua a permanecer - a última versão definitiva - possivelmente poderá ocorrer - comparecer em pessoa - gritar bem alto - propriedade característica - demasiadamente excessivo - a seu critério pessoal - exceder em muito.
Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia. Verifique se não está caindo nesta armadilha.

Mantenhamos os impostos...


Nos últimos quatro dias, (21/11/2007 hoje) num trabalho brilhante, o jornal O Globo nos colocou diante do fausto e do desperdício. Só que com dinheiro público. Só manter o Gabinete da Presidência da República composto por um presidente e seus 149 assessores diretos nos custa R$ 1 milhão por dia. Talvez por isso, em sua foto oficial, ele sorria esse sorriso de fecilidade incontida que vemos ao lado. E cogite um terceiro mandato...

A Justiça constrói palácios. Os legislativo coloca televisões caras onde praticamente não passa ninguém. Não há controle sobre os telefones. Os carros são fabricados na Austrália e servem para levar à creche filhos e netos das ilustres autoridades brasilienses.

Na história da "Belíndia", talvez esse seja o exemplo mais punjente. Enquanto nossa suposta Bélgica chega a dar inveja à verdadeira, nossa Índia de verdade precisa a cada dia de mais dinheiro. Afinal, para que políticas inócuas como o Fome Zero e outros possam existir, é preciso manter a CPMF e outros impostos estúpidos. Caso contrário, seria preciso abrir mão de muitos confortos pagos com dinheiro de terceiros.

Isso, ora bolas, nem pensar.

14 de novembro de 2007

PQC chega a cafés capixabas


Três blends do Café Meridiano, empresa de Colatina, interior do Espírito Santo e que aposta em alta qualidade de café, já têm selo do Programa de Qualidade do Café (PQC) da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) (imagem ao lado). Um diferencial que distingue a qualidade do produto e assegura, além da pureza, agora também as características que tornam os cafés capixabas como escolhas de excelência.
Depois do processo de certificação, constante do cumprimento de uma série de exigências industriais, auditorias técnicas e análise laboratorial dos blends, saiu a classificação da ABIC para três cafés (veja abaixo) da marca, fato inédito no Espírito Santo. Em breve as embalagens já terão selos de qualidade e especificações técnicas, o que permitirá ao consumidor saber o que está levando para casa, bem como ter meios de comparação com outras marcas.

Segundo a Abic, “uma das finalidades do PQC é informar a qualidade do café que está sendo vendido, além de permitir que o consumidor identifique o tipo de grão utilizado por cada marca e com isso escolher o sabor que mais agrada. O PQC é elo de confiança indústria/consumidores e avança sobre questões básicas para a oferta de produtos melhores. Segue a premissa de que qualidade é a forma principal do consumo de café e o programa significa o comprometimento da empresa com a adoção de padrões de qualidade de matéria-prima, manutenção de sabor e boas práticas de fabricação. O grande diferencial é a melhoria contínua e a briga constante pelo melhor produto com um preço mais justo”.
O PQC ajuda a orientar o setor e a eliminar de a crença de grande parte dos consumidores de que café é tudo igual. Por isso, complementa a ABIC: “a intenção do Programa é aumentar a sensação de sabor que se tem ao tomar café. A estratégia é: consumidor satisfeito consome mais. Como a cultura do cafezinho é muito forte entre os brasileiros, isso faz com que as pessoas se tornem mais suscetíveis às variações do sabor. Mas a queda de qualidade se reflete no consumo interno e o prejuízo é de toda a cadeia de produção”.
Blends certificados, com classificação segundo a ABIC
Café Meridiano Tradicional: Selo Tradicional: é o café do dia-a-dia. Qualidade recomendável com custo acessível.
Café Meridiano Classic: Selo Superior: é o café com qualidade boa e maior valor agregado.
Café Meridiano Espresso em Grãos: Selo Gourmet: é o café de alta qualidade, excelente e exclusivo. Mais valor e prazer em cada xícara.

7 de novembro de 2007

Simbiose perfeita


José Marçal de Ataíde Assi, advogado, professor universitário, procurador do Estado, resolveu fazer sua primeira incursão na área da literatura. Lançou no dia 06 deste mês, em Jardim da Penha, Vitória, o romance "Simbiose Urbana". Surpreendentemente, uma história de intriga política, corrupção, crimes e vinganças, tudo isso acontecido numa pequena cidade do interior à qual ele deu o nome de Monte Verde.
Em 132 páginas ele conta as peripécias do Dr. Théo. E avisa: "Esse livro é fruto da imaginação criativa do autor. Qualquer semelhança com nomes, lugares, pessoas e fatos será mera coincidência." Para todos os que conhecem a política brasileira e a vida de modo geral, encontrar coincidências não será lá tão difícil.

19 de outubro de 2007

Um Rolex roubado


Faz mais de 40 anos que isso aconteceu. Meu pai era dono de uma pequena fundição de alumínio em São Paulo, onde produzia peças para o motor do automóvel Simca. Houve um problema qualquer que ele precisava solucionar colocando a mão na massa e, para não sujar o relógio Rolex de que tanto gostava, tirou-o do pulso e o colocou sobre uma bancada. Nunca mais viu a peça.
Os policiais chegaram a sugerir a ele deixar que os deixasse dar "uma apertada" nos empregados da Termo Flux, a empresa de então, mas papai disse não. Quem iria depois garantir a segurança dele nas idas e vindas ao trabalho? E tortura, mesmo naquela época, início dos anos 60, não era coisa com a qual se convivesse dormindo em paz todas as noites.
Até hoje, passados tantos anos, às vezes a lembrança do relógio vem à mente dele. E ele fala com tristeza do que aconteceu num dia de trabalho. Foi roubado por um de seus empregados, dentro da fundição onde ganhava dinheiro para sustentar a família e pagar salários.
Luciano Huck também tem o direito de ficar revoltado. Eu teria, você teria.
Ninguém tem o direito de tomar de mim o que conquistei trabalhando, com dinheiro ganho e não roubado. Ladrão não é Robim Hood e não se faz justiçaz social às avessas, protegendo quem rouba e condenando "as elites", como diz nosso presidente, sem explicar direito o conceito.
Se um dia construirmos uma sociedade digna, vamos nos indignar todos quando formos roubados. Mesmo os excluídos e "excluídos" de hoje.

9 de outubro de 2007

O guerrilheiro visionário


Praticamente tudo o que poderia ser dito como elogio à respeito de Ernesto Che Guevara, que aí aparece na célebre foto de Alberto Korda, já foi falado. Do revolucionário, ficam as razões de sua morte.

Che acreditava num equívoco chamado "Teoria do Foquismo". Isso queria dizer o seguinte: se um grupo pretendesse vencer uma revolução e tomar o poder num determinado país, bastava a ele criar um foco guerrilheiro. Esse foco cresceria, se tornaria uma onda, em seguida um vagalhão e ocuparia tudo. O exemplo era a revolução cubana.

Mas a teoria era errada. Em Cuba o foco guerrilheiro tomou o poder porque ele estava nas mãos de uma ditadura tão corrupta que bastaria um sopro. Mas não era nisso que Che acreditava. Pelo foquismo ele lutou na África e na América. Estava na Bolívia tentando criar um foco guerrilheiro que se transformasse em vagalhão quando foi morto, sumariamente executado, em 08 de outubro de 1967. Com ele foi sepultada a "Teoria do Foquismo".

Por ela morreram muitos outros. Inclusive brasileiros, levados a lutar em focos como a Guerrilha do Araguaia, seduzidos pelo mesmo canto. Muito sangue correu. E as lutas terminaram todas em derrotas e em repressões sangrentas também no Uruguai, Argentina, Chile e outros países.

Os visionários às vezes cometem erros graves. No caso do Che, honestamente falando.

3 de outubro de 2007

Saudades de Matheus


Quantas vezes fez-se piada do velho Vicente Matheus. Em algumas ocasiões ele havia falado mesmo as impropriedades - e falou muitas - mas na maioria, não. Dirigia o Corinthians como se aquilo fosse a coisa mais importante da vida. E para ele era.

Hoje, dez anos depois de sua morte, acompanhando à distância a promiscuidade em que se transformou o clube de maior torcida de São Paulo, só é possível sentir saudades de Matheus. Nesta foto acima, por exemplo, ele se realiza: segura um troféu de campeão de seu clube.

De onde saiu aquele Roberto Dualib? Como pode um presidente de clube, que se diz apaixonado por ele, falar em lavagem de dinheiro, em roubo de títulos esportivos, nas coisas mais promíscuas dos subterrâneos do futebol? De onde saiu essa gente, de que porão brasiliense, e como foi possível chegar ao futebol e tomar alguns dos maiores clubes do Brasil. Sim, porque o Corinthians não é a única vítima. E uma investigação séria mostrará isso.

Precisamos descer a esse porão. Limpar tudo, varrer aqueles que se aproveitam do futebol - das federações e da CBF também - para enriquecer ilicitamente.

Lembro-me de uma história hilariante. Candidato à presidência do Corinthians, o velho Matheus fez um improviso na sede corintiana, nos dias de vésperas de eleição: "Espero que os corinthianos compareçam para naufragar nas urnas o meu nome."

Dez anos após sua morte quem naufraga é o Corinthians.

25 de setembro de 2007

Nova (péssima) História Crítica


Esse livro cuja capa está aí ao lado, Nova História Crítica, do historiador (sic!) Mário Schimidt, tem sofrido intenso torpedeamento nas últimas semanas. Sobretudo e principalmente porque, segundo praticamente todos os comentários, ele tem um "viés ideológico de esquerda". Há um erro crasso nessas considerações: quem critica uma obra, seja ela qual for, por seu viés político, utiliza para tanto um outro viés, este antagônico. Trata-se de um vício de origem que tira a credibilidade da crítica.

Certo seria dizer o óbvio: o livro do sr. Schimidt não deveria estar sendo utilizado nas salas de aulas, não porque é de esquerda, mas sim porque é bisonho. Contém erros de língua portuguesa, imprecisões histórias e comentários que chegam quase às raias do absurdo, além de outros desatinos mais. Trata-se de alguma coisa que jamais deveria cair nas mãos - e nos olhos - dos estudantes. Por sua baixa qualidade e não por seu "viés". Afinal, livros de história, todos eles, têm alguma dimensão ideológica.

O Brasil possui, tanto à direita quanto à esquerda de seu espectro intelectual, inúmeros pensadores capazes de produzir obras de qualidade. O MEC deveria tomar cuidado com o que envia aos nossos estudantes.

13 de setembro de 2007

A arma que serve para torturar


O taser (veja a imagem acima, do modelo a que me refiro e que é usado pela segurança do Senado) é uma arma considerada "não letal" e que imobiliza uma pessoa mediante grande choque elétrico. Mas mata, sim. E está sendo usada por membros do serviço de segurança do Parlamento Federal Brasileiro de forma perigosa e ilegal, como ficou claro no último dia 12 de setembro, quando o senador Renan Calheiros teve seu mandato salvo por seus pares. O dia do suicídio do Senado Federal.

Muitas pessoas já morreram por causa desse modelo do taser. Sobretudo gente de saúde frágil, portadores de problemas cardíacos, de marca-passo ou detidos que se encontravam ébrios, mas mesmo assim foram imobilizados com o uso do artefato. Comenta-se que o número de mortos pelo uso desse taser no mundo todo já ultrapasse as 300 pessoas. O representante do fabricante, inclusive, tem um site no Brasil. Recentemente, houve uma reação do Parlamento Francês à adoção do recurso. Leia esse texto relativo ao fato, parte da argumentação dos parlamentares:

Uma pistola de electrochoques paralisantes deixa menos vestígios do que um cassetete, provoca sofrimentos agudos e será susceptível de ser utilizado para intimidar, humilhar ou fazer falar suspeitos, detidos, prisioneiros ou simples cidadãos. Nestas condições, esta pistola parece uma arma de tortura no sentido da Convenção das Nações Unidas contra a tortura, de 1984. A França, tendo ratificado este instrumento em 1986, está na obrigação de prevenir todo acto de tortura que poderia ser cometido sobre o seu solo. Ao dotar forças policiais, em constante contacto com a população, de pistolas de electrochoques paralisantes, nossas autoridades tornam-se culpáveis de falta de vigilância e expõem a população francesa a sofrimentos extremos e injustificados.

É preciso refletir. O Senado da República não pode permitir que seus homens de segurança tenham consigo algo tão perigoso. Uma arma de tortura.

Quem sangra, afinal?


Quem sangra?

O presidente do Senado, Renan Calheiros, absolvido por seus pares depois de quase quatro meses de mais um escândalo de grandes proporções registrado em âmbito federal? O Senado, instituição perto de se tornar bicentenária e que deveria zelar pela ética político-partidária brasileira? O Governo Lula, sempre envolto nesses fatos escabrosos e cujo membro maior, o Presidente da República, insiste em dizer que nunca sabe de nada (alguém acredita nisso, em sã consciência)? Ou sangramos nós, o pobre povo brasileiro, que no dia 12 de setembro assistiu a mais um triste capítulo da decaída vida nacional?

De que valem os sucessos econômicos se o custo que pagamos é esse?

Até mesmo um taser, arma chamada "não letal" foi deixada cair ao chão por um segurança do Senado num entrevero com deputados federais. Essa arma "não letal" é de uso exclusivo de forças policiais e pode matar, sim, por exemplo, um portador de marca-passo cardíaco. Mas estava nas mãos de um segurança particular do Senado.

Todos nós sangramos, gente. Menos esse sorridente indivíduo aí de cima, na foto de Uéslei Marcelino/Folha Imagem, que se preparava para ir para casa comemorar a impunidade. A impunidade é a nossa mais bem cultivada marca nacional. Guardemos essa data: 12 de setembro de 2007. O dia em que o Senado cometeu suicídio.

4 de setembro de 2007

Prioridades de Estado


No Brasil todo, e não apenas no Espírito Santo, Saúde e Educação não são prioridades de Estado. Basta acompanhar a vida do país, os discursos dos que decidem, as ações governamentais e tem-se a exata noção disso. O que não é novidade alguma.

Foi por isso que a moça de 27 anos, Janaína Corona Guimarães, morreu em Vila Velha, na região da Grande Vitória, ao não ser atendida a tempo por unidades capixabas de saúde, no quinto mês de gravidez, neste último final de semana. Ela foi vítima de uma visão de ação governamental que, ao longo dos anos, no Brasil, vem priorizando inúmeras áreas como mais importantes que Saúde e Educação. Como consequência e segundo levantamento publicado no Espírito Santo, morreram sete pessoas em dois meses, vítimas todas elas de desencontros e carências da rede estadual de Saúde.

É por isso, e apenas por isso, que a gente precisa olhar para a face sofrida dessa mãe que aparece acima (imagem de Carlos Alberto da Silva, de A Gazeta), mostrando a foto da filha morta. Ela não consegue entender porque acontece isso num país tão rico e onde se paga tantos e tão injustos impostos.

Problema de cultura política, minha senhora. Somente isso. Meus pêsames, em meu nome e de mais uma infinidade de pessoas, tenho certeza.

22 de agosto de 2007

Atenção: fraudes na Internet.


Circula pela Internet e-mail falso da Receita Federal, solicitando ao incauto que abra links para corrigir supostos erros em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. É coisa parecida com o exemplo aí ao lado, retirado de site que alerta sobre essas práticas criminosas. Delete isso. Nunca abra esses e-mails.

Recebi um deles hoje pela manhã e enviei e-mail para a Ouvidoria da Receita Federal denunciando o fato. Dela recebi essa resposta:

A Receita Federal está alertando as pessoas para que não abram, nem respondam mensagens que chegam em suas caixas eletrônicas em nome do órgão. A Receita informa que não envia e-mails sem autorização do contribuinte. Mensagens falsas, enviadas em nome da Receita Federal, continuam a circular na Internet. Quadrilhas especializadas em crimes pela internet estão tentando obter ilegalmente informações fiscais, bancárias e cadastrais dos contribuintes. As mensagens iludem o cidadão-contribuinte com a apresentação de telas que misturam instruções verdadeiras e FALSAS, que usam o nome e timbre da Receita Federal, informando, por exemplo, que "o CPF deste está cancelado ou pendente de regularização", solicitando o "recadastramento do IRPF", "afirmando que a declaração de Imposto de Renda possui erros e deve ser enviada uma declaração retificadora" etc. Em seguida estimulam o contribuinte a responder questionamentos ou instalam programas nos computadores utilizados, que assim, acabam por repassar, a estes fraudadores, dados pessoais e fiscais. Lembre-se que a regularização cadastral do CPF pode ser feita de duas maneiras: para aqueles que são isentos, de dezembro a julho nas agências do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal ou dos Correios; ou ainda, no período de entrega da Declaração Anual de Isento-DAI de setembro até novembro. Para aqueles obrigados a entregar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), a regularização cadastral do CPF ocorre com a entrega da declaração do último exercício. Veja como proceder perante estas mensagens: 1. não abrir arquivos anexados, pois normalmente são programas executáveis que podem causar danos ao computador ou capturar informações confidenciais do usuário; 2. não acionar os links para endereços da Internet, mesmo que lá esteja escrito o nome da SRF, ou mensagens como "clique aqui", pois não se referem à Receita Federal; e 3. excluir imediatamente a mensagem. Para esclarecimento de dúvidas ou informações adicionais, os contribuintes podem procurar as unidades da Receita ou acessar a página na internet (www.receita.fazenda.gov.br). Também sugerimos o encaminhamento desse tipo de mensagens, consideradas fraudulentas, para os endereços mail-abuse@cert.br, do CERT (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil), ligado ao CGI.br, e crime.internet@dpf.gov.br, da Polícia Federal.

14 de agosto de 2007

A prostituição das idéias


A prostituição das boas idéias é um dos crimes mais duros que se pode cometer, sobretudo contra os mais pobres. Principalmente quando através do exercício do Poder Público.

No início do governo do sr. José Ignácio Ferreira, no Espírito Santo (1999/2002), alguém teve uma idéia simples mas genial: recolher todas as frutas, legumes e demais gêneros alimentícios que seriam jogadas fora no Centro de Abastecimento (Ceasa) da Grande Vitória, montar uma fábrica de sopas e, desta forma, alimentar uma imensa quantidade de pessoas pobres, sobretudo crianças em escolas, creches, etc.

Nos Ceasa, alimentos são jogados fora todos os dias apenas porque estão amassados, arranhados, parcialmente descascados ou contêm outros defeitos. Mas todos estão perfeitamente em estado de uso, são saudáveis. Podem alimentar, e muito bem, as pessoas necessitadas. E é imensa a quantidade desse descarte diário de comida.

A fábrica foi montada e as sopas produzidas, como pode ser constatado pela foto acima. Mas, pouco tempo depois, no rastro do mar de acusações de corrupção que cercou aquele governo, a tal fábrica das sopinhas terminou fechada. Hoje, em meados de agosto de 2007, passados mais de oito anos, a mulher do então governador, sra. Maria Helena Ruy Ferreira, comparece à Justiça para se defender de supostos crimes de desvio ou lavagem de dinheiro cometidos a partir da iniciativa que visava evitar o desperdício de alimentos.

Quantos anos mais esses processos vão correr, não se sabe. Se houve falcatruas, poucas ou muitas, também é coisa a ser discutida na Justiça. Só não se discute um fato: a idéia era muito boa, oportuna em quase todo o Brasil, mas os alimentos continuam a ser jogados no lixo no Ceasa-ES. Em tantos outros por aí afora. E os pobres, daqui, dali e de acolá, passam fome regularmente porque idéia prostituída, no Brasil, é idéia maldita. Nunca mais ninguém a aproveita.

9 de agosto de 2007

O Aeroporto Internacional de Gibraltar


Para quem pensa que o aeroporto de Congonhas é perigoso por estar dentro da zona urbana, basta uma rápida visão do Aeroporto Internacional de Gibraltar (pequena península rochosa que faz fronteira com a Espanha, perto de Marrocos). Uma avenida cruza a pista de pousos e decolagens e, quando o semáforo fica vermelho, os automóveis param e um avião passa a grande velocidade diante deles. Parece que para tudo tem jeitinho nesse mundo...
Mas, pensando bem, com tanto barbeiro, bêbado e doido dirigindo por aqui, um aeroporto como aquele europeu, em qualquer cidade, seria muito mais perigoso do que Congonhas. Ou então do que o aeroporto de Vitória (ES), que tem 1.750 metros de pista. Exatos 190 a menos que o de São Paulo, e onde todos os Airbus A-320 decolam e pousam todos os dias sem nunca sair da pista, embora ela também seja carente de uma área de escape decente.

8 de agosto de 2007

Baianinho se foi...

Algumas pessoas passam pela vida silenciosamente. Cerimoniosamente. E isso, embora façam muito pelos outros. Na última quarta-feira, Carlos Orlando Silva Viana, o Baianinho, foi embora. E combinou que só os amigos mais chegados iriam ao velório. Fiquei sem saber do ocorrido até ontem, quando recebi um e-mail de um amigo comum.
Quem não é de Vitória e tem menos de 40 anos certamente não o conheceu. Fundou um clube que era só amor à camisa, o Fluminensinho. Depois disso, dedicou boa parte de sua vida a comandar uma escolinha de futebol-de-salão, que hoje se teima em chamar de futsal, no Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, outra paixão sua.
Honesto à medula, abandonou o clube e sua história de vida para não conviver com gente que não respeitava. Recolheu-se ao Centro de Vitória, à sua vidinha de solteiro, às suas visitas diárias à Praça Costa Pereira até que uma doença chegou, o prostrou e matou.
Baianinho era uma figura incomum. Dificilmente haverá outro parecido. O amor às coisas tem hoje uma dimensão muito diferente da dele. Infelizmente.