13 de setembro de 2022

O golpismo sobrevive...

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, cancelou uma reunião que haveria hoje com o ministro d a Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para discutir pela enésima vez o processo eleitoral brasileiro, mais particularmente para as eleições de 02 de outubro. Por trás disso tudo está o medo de uma derrota do atual presidente para o adversário Lula, pois à medida que o tempo passa essa hipótese mais se avizinha. E as Forças Armadas do Brasil têm uma longa tradição de golpismo!

O ministro da Defesa não é burro para desconfiar das urnas eletrônicas, mesmo depois de tantos testes e simulações. Ele sabe que o presidente da República foi eleito durante 28 anos com essas urnas. E jamais as questionou quando era um medíocre deputado do baixo clero. Mas agora ele não quer perder o poder. E os militares pretendem manter suas boquinhas - ou boconas - que estão sendo cultivadas ao longo dos últimos três anos e oito meses, a cada dia que passa mais generosas. Principalmente não querem ver Lula de novo presidente.

Tudo o mais é balela. Os  militares sabem que as urnas são seguras, que não vai haver roubo porque nunca houve, mas é preciso criar um clima insurrecional que justifique o ato de força. Isso só não foi feito ainda porque não estamos mais em 1964 e um golpe de Estado isolaria definitivamente o Brasil no cenário internacional. Com custos inimagináveis. Mas uma parcela da Forças Armadas, a que se beneficia diretamente da forma como o presidente hoje governa não quer perder privilégios. Sobretudo não quer perder poder. Vai daí essa parcela sonha com um novo golpe de estado e o estupro da democracia.

O ministro Alexandre de Moraes fez bem ao cancelar a reunião. Não há mais o que ser discutido. Continuar com isso era pura e simplesmente aceitar uma pressão injusta, desonesta e desprovida de sentido. Uma pressão bem ao gosto do desespero de um presidente que não aceita perder eleição. Se essa pressão esconde mais outra, outra mais outra, até que uma tentativa de golpe chegue, que venha agora.

O Brasil precisa de que todos os patifes tirem as máscaras.

10 de setembro de 2022

Semana surreal


Hoje é o último dia de uma semana surreal. No curso dela um presidente (sic!) da República desrespeitou a cerimônia oficial do Bicentenário da Independência do Brasil, protagonizou várias cenas toscas e inimagináveis durante e após uma festa de gala em Brasília, cometeu crimes contra a democracia (mais uma vez...) e até um palhaço fantasiado de Zé Carioca foi admitido no palanque ao lado do presidente de Portugal. E parcela da nossa sociedade ainda é capaz de aplaudir isso...  

Não era possível imaginar que no dia 07 de setembro, sobre um carro de som e diante do palanque oficial da cerimônia do aniversário da Independência do Brasil, o presidente eleito pelos brasileiros fosse se declarar "imbrochável", como se alguém tivesse interesse em saber da vida dele. Isso no terceiro casamento que tem e quando os dois primeiros terminaram porque suas mulheres o traíram com outros parceiros. Mesmo assim ele diz que os homens devem se casar com "princesas" e, no momento da declaração no carro de som a atual esposa, cognominada primeira dama, botou a mão no queixo (foto) com uma falta de charme e de compostura que beirou o inacreditável.

Aliás, tudo é inacreditável nesse governo. A começar pelo fato de que, por ódio ao PT, uma grande parcela dos brasileiros ainda acreditem que o traste de Brasília seria o candidato ideal para novo mandato eletivo. Esse assunto só não marcou toda a Semana da Pátria porque a atenção dos brasileiros e do mundo teve que ser desviada para a Escócia onde a rainha Elizbeth II morria. Não fosse por isso...

Mas não é tudo. Apenas o patético. O mais grave foi depois, durante uma discussão banal, quando um admirador do presidente matou com 15 golpes de faca um outro, defensor do adversário Lula. Todo mundo se assustou. Os demais candidatos à presidência reagiram denunciando o absurdo da situação e pedindo providências contra a escalada da violência nesse período eleitoral. E o presidente? Esse ficou em silêncio. Mudo. Distante, mas cúmplice porque é ele quem acirra ânimos todo dia, estimula a violência e arma milícias para "defendê-lo" acima das leis e da ordem estabelecida.

Realmente foi uma semana surreal. Esperamos, embora sem convicção, que não haja outras.   

7 de setembro de 2022

Solenidade corrompida

O dia 7 de setembro ainda não acabou, mas já é possível lamentar a instrumentalização de uma festa cívica que deveria ser de todo o povo brasileiro e não de um presidente da República que se apropria dela em seu nome e de sua candidatura à reeleição para fazer proselitismo com o dinheiro do contribuinte no Bicentenário de nossa Independência. E dentre as muitas aberrações já vistas nessas comemorações, uma se destacou: imagem do empresário Luciano Hang, o Zé Carioca, com seu horroroso terno de paletó verde, gravata amarela e camisa branca postado na tribuna de honra do desfile de Brasília ao lado dos presidentes da República do Brasil e de Portugal.

É uma solenidade corrompida em seus valores!

A Constituição desse país, logo em seus "Princípios fundamentais", diz que ela tem como fundamentos, dentre outras coisas, "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação". Em seguida diz também que todos são iguais perante a lei, o que representa consagrar direitos e deveres. Mas no Brasil de hoje há um homem e sua "familícia" acima das leis, questionando-as todos os dias. Persegue quem tenta domar seus instintos autoritários, suas crenças irretocáveis e sua determinação de agredir a todos os que o contestam.

No desfile de Brasília esse homem, o presidente, queria caminhoneiros na Esplanada. E se insurgiu contra a determinação do governador do Distrito Federal que, por medida de segurança, não permitiu essa participação. Caminhoneiros fizeram baderna em resposta a isso. Um marginal que atende por Roberto Jeferson, em nome não se sabe de quem, foi às redes sociais para protestar, insuflar desobediência civil e se referir a um ministro do Supremo Tribunal Federal chamando-o de "Xandão". Ao mesmo tempo tratores de produtores rurais desfilaram pela Esplanada representando o governo e não o Estado.

Está tudo errado.

Mas como sempre há luz no fim do túnel, quem puder ir a São Paulo não pode deixar de visitar o novo Museu do Ipiranga. Conheci muito o antigo e era lindo de viver! Esse é mais bonito ainda, com o dobro do espaço de exposições e um jardim que salta aos olhos. Melhor, reaberto ontem (foto), ele é um espaço do povo brasileiro, de todos e não somente daqueles que alimentam sonhos totalitários,                              

4 de setembro de 2022

Falsos profetas da fé

Nunca me senti a vontade para dissertar sobre religião, ateu convicto que sou. Mas o momento exige alguma reflexão contra a "Teologia do Domínio" (foto), seus reflexos, presença nos movimentos chamados neopentecostais e sobretudo no início de reação que já existe contra ela no Brasil.

Socorri-me a velhos amigos evangélicos para invadir um pouco o pensamento no tema esquisito, mas muito fácil de ser explicado: essa corrente que viceja atualmente entre as seitas claramente oportunistas prega um falso evangelho da violência, com uma teologia nascida daquela da Prosperidade e que tem como projeto básico tomar o poder. As seitas neopentecostais, cujos principais proprietários são Edir Macedo, RR Soares, Valdomiro Santiago, Silas Malafaia e alguns outros são acumuladoras de riquezas em nome de seus donos. Constroem templos faraônicos e chamam as pessoas para usufruírem de seus milagres. Mas tudo isso tem um preço, claro, e algumas dessas "confissões" são claramente políticas. Por isso elas dão seu apoio ao atual presidente da Republica, abrem as portas das "igrejas" à pregação que ele faz junto com sua mulher e entorno e, em troca disso, obtêm o silêncio conivente das autoridades. O mundo inteiro sabe, por exemplo, que Edir Macedo tira rios de dinheiro do Brasil quase diariamente e leva para os Estados Unidos onde vive vida de nababo num apartamento de alto luxo. Para facilitar, ele e seus iguais possuem passaportes diplomáticos dados pelo Estado brasileiro... 

Não há, no modelo de meus artigos como ir mais adiante. Mas é preciso deixar claro que correntes evangélicas tradicionais, as que interpretam o evangelho como sendo mensagem de amor e não de ódio evitam defender armas, não pregam a eliminação das minorias, leem os textos sagrados como mensagem de união entre todos e buscam proteger suas igrejas da pregação política barata.

Agora mesmo começa a haver reações. O ex-ministro da Ciência e Tecnologia, junto com mais alguns "correligionários" foi vaiado em um templo. Em outras manifestações, fieis se insurgiram contra o uso de suas instituições religiosas como locais de proselitismo político, sobretudo em nome do presidente da República. A mulher deste, aquela do cheque de R$ 89 mil, só fala entre os que sabidamente emprestam o nome de suas "igrejas" às pregações de tentativa de ocupação de espaços de poder. São poucos no universo total do protestantismo, mas suficientes para montar imensa bancada no Congresso.

Esse tipo de reação tende a aumentar. Acredito que a tendência para a "Teologia do Domínio" seja a de isolamento crescente, mas lento. Não creio - crença minha, pessoal - que os falsos profetas da fé tenham futuro num Brasil mais aberto ao diálogo democrático. Oxalá eu esteja certo.                                

23 de agosto de 2022

O maquiador de fatos

Algumas pessoas acharam ruim a entrevista dada ontem à noite pelo presidente da República ao Jornal Nacional comandado por William Bonner e Renata Vasconcelos (foto O Globo de entrevista de 2018). Eu não. Maquiador de fatos como sempre foi, ele passou o tempo todo tentando dizer que não disse o que disse e não fez o que fez. Só para citar dois exemplos, chegou a insistir em que Manaus só ficou dois dias sem vacinas quando ficou nove e que nunca xingou ministros do STF quando, aos berros, dirigiu-se a eles com o termo "canalhas!"

Enfim, esse é o Bozo! 

Hoje teremos Ciro Gomes.  Amanhã ninguém, porque seria o dia de André Janones que renunciou ao direito de concorrer em dois de outubro. Quinta-feira virá Lula e sexta-feira, Simone Tebet. O mínimo que se espera deles é que tenham compromissos com a verdade. Aquela verdade à qual os jornalistas se apegam e que é a factual. Porque nos tempos modernos é impossível tentar maquiar fatos impunemente.

E também que falem de seus projetos para a hipótese de vencerem a eleição. Isso passou batido na entrevista de ontem porque em momento algum o chefe de Estado dissertou sobre o que pretende fazer caso seja reconduzido ao cargo por mais quatro anos a partir de janeiro de 2023. Não tem projetos ou não quer se comprometer com nada? Fica a dúvida.   

O presidente se negou a comprar vacinas logo no início da pandemia da Covid 19 e retardou a decisão enquanto foi possível. Insistiu no tal "tratamento precoce" mesmo contra todas as evidências, e à exaustão. Foi grosseiro uma infinidade de vezes com jornalistas e outras pessoas. Interferiu (ou tentou) na Polícia Federal, trocou todos os ministros que não foram submissos a suas verdades, apoiou com dinheiro público vários pastores de seitas picaretas para comprar votos e igualmente a criação do "orçamento secreto", com a mesma finalidade. Pior de tudo, mente dizendo que não há corrupção em seu governo quando pipocam casos aqui e ali praticamente todos os dias. E nem vou perder meu tempo para falar do entorno dele, como de filhos e mulheres. Nem vale a pena relembrar mansões e cheques.

Não sei se muita gente notou, mas o presidente trazia na palma da mão esquerda uma "colinha" com várias anotações. Não sei se a caligrafia era dele, do Carluxo ou de um assessor qualquer, mas não importa. Importa, sim, saber que mesmo controlado em termos de educação e respeito, foi o mesmo de sempre. Falou para o gado, o cercadinho que desde ontem o aplaude entusiasticamente.

Gado é assim mesmo!    

17 de agosto de 2022

Mera formalidade


Olhando a posse do ministro Alexandre de Moraes ontem como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral foi possível ver como são tensas e distantes as relações de poder no Brasil de hoje, embora o novo comandante do TSE tenha cumprido à risca o protocolo e, inclusive, falado de maneira gentil com o chefe de Estado. Na prática, todos cumpriram mera formalidade, na maioria do tempo afastados de forma prudente pelo cerimonial, como é possível ver pela foto acima, do site 360.

O caldeirão vai ferver em breve e o pedido de trégua do traste é, como dizem os franceses, mero mise-en-ecène! Daqueles feitos para serem colocados na internet, nos grupos de fake news.

O presidente ficou a maior parte do tempo de falas sentado com ar de paisagem, estático e com o olhar perdido. Nos momentos de palmas ele não aplaudiu os elogios ao Tribunal, às urnas eletrônicas e a mais nada que escolheu como inimigo. Sua mulher, sentada de frente para os lugares reservados às autoridades mais altas comportou-se da mesma maneira. Estática, múmia paralítica, apressou-se em ir embora com o marido tão logo o presidente Alexandre de Moraes deu por encerrada a solenidade.

Foi possível ver que o ex-presidente Lula não olhou para o seu maior desafeto, a não ser em raros e inevitáveis momentos. O inverso também é verdade. E, indicativo do que vem por ai, enquanto a solenidade corria as redes sociais de ambos derramavam ataques os mais variados de uns contra os outros. Essa vai ser a primeira eleição na história do Brasil na qual o "demônio" tende a ser um personagem central. Entenda-se o que se quiser com isso. E por sorte ele não pode ser eleito.

O sistema eleitoral foi amplamente elogiado e o ministro presidente, aplaudido de pé. A democracia e suas instituições, da mesma forma. Como resumo da ópera é possível afirmar que Bolsonaro está a cada dia mais isolado em sua bolha, tanto que Nunes Marques, Augusto Aras e André Mendonça esforçaram-se para cumprir minimamente o protocolo. E uma última coisa precisa ser dita: ninguém falou das tais forças armadas. Para o bem ou para o mal, foram solenemente esquecidas. Trocando em miúdos, ficaram no lugar que lhes cabe e que é o limbo do processo político brasileiro.    

11 de agosto de 2022

Todos às ruas hoje!


Vamos nos recordar um pouco do passado mais recente no dia em que todos os que puderem devem ir às ruas em nome da democracia: durante 21 anos, de 1964 a 1985 o Brasil viveu sob o coturno de uma ditadura feroz, sanguinária e comandada pelo que existia (e ainda existe...) de mais reacionário nas forças armadas de nosso País. E foram as mesmas multidões progressistas que hoje lutam pela manutenção da democracia quem tirou a ditadura do poder. Na época, o traste que hoje nos governa junto com seus sequazes estava conspirando para impedir o retorno do Estado Democrático e de Direito, sobretudo e principalmente no Clube Militar e outras organizações nazifascistas.

Vamos todos às ruas hoje lutar pelo Brasil. Nós, e não eles, somos os verdadeiros patriotas.

Tenho amigos que foram torturados. Outros acabaram mortos. Milhares de brasileiros sofreram perseguições. Para ficarmos em um único exemplo, somente na UFES onde vai acontecer o protesto de hoje em Vitória (figura acima) estudantes foram expulsos do ensino superior por serem "subversivos", com base um instrumento legal da ditadura conhecido como 477, filhote espúrio do AI5. Esse mesmo demônio legal que o traste defendeu e usou até ele ser extinto da ordenação jurídica brasileira.

Gente: a democracia é uma conquista nossa. Não podemos abrir mão dela!

Hordas de golpistas pedem a volta da ditadura. Milhares desfilam com faixas pedindo "intervenção militar" e "destituição do STF", além de outras monstruosidades. O traste já desfilou até mesmo a cavalo apoiando seu gado em quaisquer situações. O 7 de Setembro do ano passado foi um momento de pedido pela volta à ditadura em plena Avenida Paulista. O que o traste vai fazer no 200° aniversário de 1822 somente vamos saber no dia. Mas lutaremos pela democracia.

"Mas embalde...Que o direito não é pasto de punhal. Nem a patas de cavalos - Se faz um crime legal... Ah! não há muitos setembros, - Da plebe doem-lhe os membros - No chicote do poder. E o momento é malfadado - Quando o povo ensanguentado - Diz: já não posso sofrer." (Castro Alves, em 'O povo ao poder'). Espero que ele não seja chamado de comunista...hehehe...

Vamos todos lutar pela democracia! Hoje, em 7 de setembro, no primeiro turno da eleição e no segundo, se necessário for. "O povo ao poder"! 

         

       

8 de agosto de 2022

Os demônios da Michele


Pensei que já tivesse visto de tudo com relação ao governo federal atual. Mas não. Ontem, num culto evangélico realizado no templo de uma seita de Belo Horizonte a mulher do presidente da República disse diante de inúmeras testemunhas que o Palácio do Planalto (talvez o da Alvorada também) era "consagrado a demônios". Aparentemente ela estava sóbria e o mesmo pode ser dito sobre o marido, embora ambos tenham se ajoelhado numa espécie de altar montado para a celebração.

Veio-me à mente então um episódio que deve ter passado desapercebido a muita gente quando a "familícia" Bolsonaro chegou ao poder. Na primeira visita ao Alvorada dona Michele disse que iria retirar do segundo andar a tela "Orixás", de Djanira, uma obra de imenso valor e que pertence ao povo brasileiro (foto). Era um quadro "de macumba". Aliás, nos palácios da Alvorada e do Planalto há inúmeras obras de arte de autores consagrados, do Brasil e do exterior. "Orixás" mostra cinco mulheres negras vestidas com roupas de candomblé. É lindíssima, mas deve conter os demônios.

Seriam esses os tais "diabos consagrados"? Aliás, como o quadro pertence ao povo brasileiro, já que é um bem público, onde ele se encontra agora? Está sendo preservado como deve acontecer ou foi queimado na fogueira das loucuras, das insanidades que marcam esse (des)governo? Não sabemos.

Mas talvez, ao se referir a esses seres "endemoniados" que habitavam os palácios brasileiros, dona Michele tenha querido se referir ao hoje maior objeto de repulsa de todos os bolsomínions: o ex-presidente Lula. Nem Ciro Gomes nem Simone Tebet são alvos de tantos ataques quanto o maior oponente do traste nas eleições de novembro. E olhem que a campanha política de rádio e TV ainda não começou, de modo que haja munição para eles gastarem todos os dias até novembro...

As eleições vão passar e com elas, creio, essa gente maluca, tresloucada e que hoje ocupa cargos de grande importância no Brasil. Depois, quando a poeira baixar nós poderemos acordar desse pesadelo que vivemos agora para descobrir que todos os demônios existiam apenas dentro daquela gente.

Torçamos por isso!          

31 de julho de 2022

Por um novo Congresso


Vamos partir do princípio de que só se corrompe quem é corrompível.

Então, quando o atual presidente decidiu que deveria jogar definitivamente no balde do lixo seu discurso falso de "nova política" ele sabia o que estava falando e fazendo. Tinha passado 28 anos como deputado federal do baixo clero num ambiente promíscuo, conhecia todos os vícios da única política que sabia e sabe fazer e pura e simplesmente comprou todas as prostitutas que poderia comprar na Câmara e no Senado. Elas são muitas e ele conhece os caminhos de como chegar a cada uma delas. E também o custo que isso teria e tem para nós, os demais brasileiros.

Portanto não basta ao Brasil tirar da presidência da República esse presidente das "rachadinhas", dos acordos espúrios e dos discursos que sempre agregam ameaças contra o Estado Democrático e de Direito. Vai ser preciso renovar o Congresso se pretendermos viver anos de progresso com dignidade.

Hoje mesmo os jornais estampam em manchetes que esse presidente quer "as Forças Armadas" desfilando  no Rio de Janeiro em 7 de setembro para "comemorar 200 anos de liberdade". É esse o presidente que já declarou em alto e bom som várias vezes ser apoiador da ditadura e da tortura, dentre outras coisas. Os ídolos dele são todos autocratas que não acreditam no Estado de Direito. Que liberdade ele defende? Aquela representada por Carlos Alberto Brilhante Ustra, um seu ídolo querido?

Bolsonaro tem que deixar o poder. Se o mandato dele for renovado tudo o que não foi feito nesses primeiros três anos de sete meses para destruir as instituições civis do Brasil será terminado agora nos próximos quatro anos. Inclusive a destruição do meio ambiente brasileiro, o mais rico que existe.

Mas isso só será possível se junto com Bolsonaro deixar Brasília boa parte da ala podre do Congresso Nacional, para que outro presidente não tenha mais como infelicitar os brasileiros como faz hoje Arthur Lira, um presidente de Câmara dos Deputados capaz de ir numa convenção partidária ostentando no peito um "Bolsonaro 22" na camiseta usada para a ocasião e depois de guardar nas suas gavetas uma centena e meia de pedidos de abertura de processo de impeachment contra o presidente.

Mudar o Congresso é necessário. Por um novo Congresso!        

26 de julho de 2022

A jogada final


Não se iludam: o Jair Bolsonaro que discursou domingo para seus seguidores no Maracanãzinho nunca desistiu e não vai desistir de tentar implantar no Brasil um regime político de extrema direita. Isso está tão entranhado nele que nem mesmo os conselhos de marqueteiros para que se contenha durante a campanha são mais aceitos. Ele é o que é: um traste que pretende arrastar ao caos os não seguidores.

Vejam uma coisa, o que é o nazismo?  Prega a reverência incondicional a um líder, usa de ufanismo exacerbado que sublima o falso patriotismo, defende o estado autoritário, cultua o militarismo e exalta a guerra, defende a existência de um partido único, despreza valores individuais, dissemina o ódio, tem aversão às minorias e uma necessidade paranoica de eleger um inimigo. Vocês estão vendo o presidente do Brasil nesse retrato? Filhote de Hitler? Aqui não há partido único, mas ele pretende que um dia haja.

Há alguns meses conversava eu com um jornalista que se iniciou comigo em A Gazeta e é filho de um grande amigo, também jornalista. Mas ainda se trata de profissional relativamente jovem, evangélico e levado ao reacionarismo político por maus aconselhadores. Defendeu seu ídolo de barro diante de mim, negando a verdade nazista na figura de Bozo: "Mas ele adora Israel!". De nada adiantou eu dizer que era preciso para ele ter um excelente disfarce de seus verdadeiros credos pois eles, os nazistas, hoje são criminosos. O antigo companheiro de redação não se convenceu.

Não se iludam porque já me iludi muito: o atual presidente não vai querer abandonar o poder. Não pelos meios legais, consagrados. Quantas vezes nós já o ouvimos dizer que cumpre uma "missão"? Que é presidente por vontade divina e que só Deus pode tirá-lo da presidência? A cada discurso, a cada aparição pública, a cada pesadelo com o inimigo Lula ele mais se idiotiza, mais se afunda em seus delírios e se apega àqueles que o acompanham, na maioria dos casos para obterem vantagens pessoais. 

O presidente do Brasil é um ser doente. Um sociopata e extremamente perigoso. Mas não vai ser capaz de dar um golpe de estado clássico, daquele dos tanques de guerra nas ruas porque 2022 não é 1964. No entanto tem como fazer muito mal a seus opositores. E ao Brasil sobretudo e principalmente. Essas eleições são a jogada final dele. Perdendo, talvez não tenha mais sequer como viver livre até a morte.                  

19 de julho de 2022

O pior que vive em nós


Faltando pouco mais de 70 dias para as eleições gerais do Brasil, inclusive na escolha de quem vai ocupar a presidência da República pelos próximos quatro anos, já é possível dizer que o atual mandatário, Jair Bolsonaro, conseguiu em três anos e pouco mais de nove meses de governo fazer surgir o pior que vive em nós, os brasileiros. Hoje sabemos que o oportunismo, a violência, o radicalismo politico, o fascismo e todo o tipo de negacionismo travestido de ideologia política de direita estavam latentes em cada um de nós. Escondidos, mas prontos para emergir.

Poderíamos dizer aqui que não votamos na proposta dele em 2018, não estamos saindo às ruas para dar-lhe apoio e, portanto, não somos parte do gado que usa de todos os artifícios para apoiar os atos - quaisquer que sejam eles - de seu presidente de estimação. Isso importa pouco. Entre 25 a 30 por cento dos brasileiros como nós alimentam as sandices do presidente e seu grupelho. E nesse imenso volume de gente há parentes nossos, (ex)amigos, (ex)amores, (ex)correligionários, etc.

Hoje mesmo, e isso é possível ver na imagem que abre esse texto, alguns dos maiores jornais do mundo comentaram a excrescência que foi o papel ridículo desempenhado ontem pelo presidente ao reunir embaixadores creditados em Brasília para diminuir seu próprio país através de críticas absurdas ao sistema eleitoral. Algo nunca visto antes no mundo, mesmo se o espetáculo for comparado ao dado por Donald Trump em seu 6 de janeiro. Até a embaixada dos Estados Unidos reagiu, coisa inédita para eles, e desacreditou o discurso do Palácio da Alvorada, apostando suas fichas em nossas urnas eletrônicas.

Jair Bolsonaro quer um golpe de Estado. Não consegue viver em democracia e já teria provocado uma ruptura institucional no Brasil caso tivesse amplo e irrestrito apoio das Forças Armadas, da sociedade e dos maiores países do Mundo. Mas não tem. Então torna-se um cavaleiro da triste figura até mesmo no Alvorada, o palácio que Niemayer criou para abrigar chefes de Estado e não ditadores de aldeia.

Ele vai perder sua aposta no caos, não tenho dúvida. Mas até lá nos infernizará.                 

13 de julho de 2022

Tradição golpista

O jornalista e escritor Elio Gaspari, um intelectual brilhante e autor de cinco volumes sobre a história do regime militar no Brasil, publicou hoje uma carta fictícia de Tancredo Neves para Lula. Resumo da ópera: não aceite provocações de Bolsonaro (bem "sereno" na foto) e sua quadrilha nesses tempos bicudos que antecedem as eleições presidenciais. Criar um clima de instabilidade política é tudo o que interessa a essa corja. O artigo "O senhor precisa de um país que olhe para a frente" serve também a Ciro Gomes e Simone Tebet. Os demais atores desse enredo são insignificantes.

Ninguém melhor que Gaspari conhece a tradição golpista das Forças Armadas do Brasil. Isso está claro na densa obra dele que detalha os 21 anos de ditadura militar brasileira vividos entre 1964 e 1985. Mas a nossa tradição golpista remonta ao término do Império e a todo o regime presidencialista. Em tempo algum os militares brasileiros deixaram se estar associados a aquarteladas e tentativas de golpe. 1964 é apenas o exemplo mais recente e doloroso. Portanto, aí vai o "conselho" de Tancredo para Lula no texto "psicografado": não aceite provocações. Ciro e Simone também não.

O presidente atual é um excremento político desses muitos que o Brasil defeca de tempos em tempos, sobretudo durante crises. Nesse caso, foi gestado pelos escândalos envolvendo o PT durante os governos Lula e Dilma, sobretudo o primeiro. Figura menor até mesmo no baixo clero, o capitão quase expulso do Exército viu na crise sua chance de ouro de ascender ao trono. Não a perdeu. E levou para o Palácio do Planalto o que existe de pior e mais tacanho na política brasileira. Sobretudo o golpismo, a mentira como forma de agir e a violência que ele não tem nem pudor nem vontade de disfarçar.

Infelizmente para nós, conta com a ajuda de algumas poucas empresas de comunicação e "jornalistas" que divulgam suas mentiras travestidas de verdades como se efetivamente verdades fossem. E se prepara para tentar promover um golpe de Estado, movimento já em curso, se perder a eleição como tudo indica que vai acontecer. Aliás, ainda não fez isso porque, ao contrário de 1964, não teria ajuda externa, sobretudo dos Estados Unidos, para sobreviver à aventura.

Nós podemos, hoje, iniciar o sepultamento do golpismo no Brasil. Mas é preciso ter inteligência, tirocínio e calma. Sei que é difícil. Gaspari mesmo destaca em sua carta a tendência "palanqueira" de Lula. Portanto, é agora ou quem sabe nunca mais - se estivermos vivos - para presenciar essa oportunidade de derrotar não apenas o presidente e seus generais de bravata, mas o golpismo. 
     

9 de julho de 2022

Arautos da falsa liberdade


Cresce a cada dia que passa o numero de mensagens que falam do termo liberdade ligando-o ao atual presidente do Brasil e exortando a população a temer o "avanço comunista" sobre o país. Antes de mais nada é preciso dizer o seguinte: de 1964 a 1985, durante 21 anos, o Brasil viveu sob uma ditadura militar de extrema direita cruel e covarde. Ninguém era livre para se opor. E nós só nos livramos daquela situação porque a oposição ao regime ditatorial lutou o tempo todo por isso. Naquele tempo o atual presidente estava ao lado dos ditadores e, como ficou registrado, dizendo dentre outras coisas que era a favor da ditadura e da tortura. Esse indivíduo falar em liberdade é um escárnio.

Eu trabalhava em redação de jornal. Havia no quadro de avisos da sala um lugar onde se lia: "CENSURA". Ali todos os dias eram afixadas as ordens da Polícia Federal que proibiam noticiar uma infinidade de coisas. Havia situações incríveis ou hilárias como essa: "De ordem do senhor ministro da Justiça fica proibida a divulgação de declarações do senhor presidente da República e na qual este diz que não existe censura no Brasil". Decerto pensaram que era muita cara de pau...

Não eram só notícias que se censurava. Músicas, livros, peças de teatro, filmes, discursos, manifestações públicas, tudo podia ser objeto da tesoura do Estado ou do humor dos censores. Uma vez proibiram a exibição do filme soviético "Ivan o Terrível" sob o argumento de que era obra comunista e subversiva. Millor Fernandes reagiu em sua coluna de "Veja": "Ivan morreu mais de 300 anos antes da revolução de 1917. Ele não poderia ter nada com isso por mais terrível que fosse".

Centenas de brasileiros foram presos ilegalmente. Muitos acabaram torturados e mortos nos porões dos órgãos de repressão. No auge da ditadura até o direito ao habeas corpus foi suspenso e o Congresso, fechado. Contra tudo isso lutaram as correntes democráticas que hoje são contra o atual governo de índole golpista e que pretende fazer do 7 de setembro uma antessala de novo golpe contra o estado democrático e de Direito.

E para quem acredita que o "comunismo internacional" arma um golpe, informo que Fernando Henrique Cardoso governou por oito nos, Lula por mais oito, Dilma Roussef por seis e nenhum deles desrespeitou a Constituição como acontece hoje. Pensem bem aqueles que acreditam em falácias: os riscos à liberdade estão com os pregadores do caos e difusores de mentidas e do ódio. E acreditem nisso enquanto ainda há tempo porque o palco está se armando para o 7 de setembro.       

2 de julho de 2022

Projeto Terra Arrasada


Que ninguém se iluda: o projeto atual de Jair Bolsonaro é deixar para seu sucessor - sobretudo se esse for o ex-presidente Lula - um Brasil economicamente arrasado, impossível de ser governado e entregue aos humores de um Congresso que sempre quer mais, muito mais, para satisfazer sua goela imensa. Agora ele tem meios e modos de exercer tal poder e o projeto está em andamento!

Os últimos movimentos, que envolveram até mesmo adesão covarde da oposição, são a prova concreta disso: o Brasil não tem hoje como gastar mais de R$ 41 bilhões somente em projetos não sustentáveis de "amparo" a caminhoneiros e paupérrimos, furando outra vez o teto de gastos. Todos sabemos que essa "ajuda de emergência" só dura até dezembro. Quando o mês de janeiro chegar teremos em nosso horizonte um país quebrado e que vai precisar apertar o cinto até sufocar cada um de nós, sobretudo e principalmente os mais pobres. O governo federal sabe disso, o gado que o apoia também, mas o mais importante para todos eles é manter o atual grupo à frente do poder até 2026. A qualquer preço.

No último cálculo feito os economistas chegaram a um número assustador em termos de dinheiro: a PEC que está para ser aprovada em definitivo pela Câmara dos Deputados no início da semana que entra representará um custo absurdo de R$ 343 bilhões, somados todos os itens do esforço do atual presidente para reverter sua espantadora desaprovação popular, incluídas as desonerações previstas. Tudo isso seria até mesmo elogiável em tempos calmos, se o Brasil tivesse dinheiro para gastar, estivéssemos distantes de uma eleição polarizada e se essa loucura não objetivasse a compra de votos de miseráveis (foto) que sobrevivem abaixo na linha de pobreza. Eles não sabem, coitados, que quando janeiro chegar tudo vira miragem no deserto e a miséria será ainda maior. Total!

Como se isso ainda não fosse suficiente, a decretação de estado de emergência não se ampara em fatos que a justifiquem sendo, então, ilegal. Inconstitucional! Apenas um artifício de malandros. Dessa forma, se algum partido ou membro do Congresso Nacional quiser levar o caso ao Judiciário - ao STF - , deve se decretada a inconstitucionalidade de todas as medidas. Quem tem peito para fazer isso agora? Quem vai ser patriota- aí finalmente se justifica o uso do termo - o suficiente para impedir a loucura? A pergunta cabe porque os dias passam e ninguém quer apostar sua carreira para salvar o Brasil.

O tempo urge, minha gente! 

30 de junho de 2022

LDO, um crime contra o Brasil


Com o conluio do Poder Executivo, o Legislativo do Brasil cometeu um crime essa semana: na definição da LDO 2023 (Lei de Diretrizes e Bases), ele não apenas confirmou a excrecência do "orçamento secreto", mas o tornou impositivo (foto). Isso significa dizer que com a promulgação dessa lei o Poder Executivo não apenas terá de conviver com o orçamento sem nomes e destinos, mas também não terá mais o direito de se negar a cumprir os desejos, grande parte deles obscuros, dos parlamentares.

E por que isso acontece? O atual presidente da República ocupou o poder depois de passar 28 anos como deputado federal sem fazer nada a não ser contratar e dispensar pessoas para seu gabinete e os de entorno, visando acomodar parentes, amigos e parceiros no poder público. Com o nosso dinheiro! Ao chegar à presidência disse que estava gerando uma "nova política". Mas ele só sabia e só sabe fazer a velha, pois é oriundo do baixo clero onde tudo o que se produz visa ao atendimento de projetos pessoais, de grupelhos e troca de favores - escusos ou não - visando a perpetuação do poder.

Quando Bolsonaro tentou colocar o Legislativo sob sua tutela este lembrou-lhe que o jogo era e é jogado da maneira de sempre. Aquela bem conhecida, dos favores que o baixo clero faz no âmbito dos partidos do Centrão tão bem entrosados em inúmeras jogadas políticas envolvendo "rachadinhas", subornos, acordos com milicianos, violência em último caso, lavagem de dinheiro via, por exemplo, lojas de chocolates, compra e venda de imóveis e até mesmo mansões em Brasília, pois quando o esquema reúne uma família inteira sobra dinheiro escuso para muito mais...muito mesmo.

Então o presidente terminou refém do grupo de onde saiu. Subjugado, com medo de perder a reeleição e ter que conhecer a Papuda por dentro, o amante de ditadores, elogiador de torturadores e patética figura nos planos intelectual e de princípios fechou os olhos para o Centrão de agora não tão saudosa memória. Hoje nós brasileiros, distantes do submundo de Brasília, vamos ver todo o ano uma dinheirama imensa obtida via nossos impostos ser drenada para os cofres e favores de deputados federais e senadores para atender a suas "necessidades".

E o povo? Ora, o povo é apenas um detalhe. Incomoda, mas não manda mais nada.

       

25 de junho de 2022

Pressentimentos...


Tenho o pressentimento de que o presidente Jair Bolsonaro foi avisado pelo ministro da Justiça, Anderson Torres, de que o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, teria seu apartamento em Santos alvo de busca e apreensão por ordem de um juiz federal. Também, pressentimento meu, num gesto de magnanimidade, ele avisou seu ex-companheiro desse desagradável fato. Também aproveitou para pedir a ele para destruir em sua casa documentos íntimos de família, pois isso deve ficar a quatro paredes. E fez tudo isso de Nova Iorque. Que amigão!

Também é pressentimento meu que o ex-ministro fez a limpeza. E depois, quando preso não foi transferido para Brasília e somente para São Paulo, pois ele e os pastores Gilmar e Arilson esperavam uma decisão judicial de relaxamento de prisão. Quanta certeza! Não prestaram depoimento, não cumpriram os trâmites processuais comuns a esses casos, mas isso não tem a  menor importância. Afinal, Arilson não precisou cumprir a ameaça de "destruir todo mundo", como disse em mensagem gravada com autorização judicial.

Tenho o pressentimento de que o governo federal vai continuar protegendo Milton et caterva até onde for possível. Afinal ele é um arquivo vivo, não pode ser eliminado do dia para a noite como ex-servidor da FUNAI, e se abrir a boca em desespero pode, sim "destruir todo mundo". Ele, Gilmar e Arilson. Mais um pressentimento: no Palácio do Planalto deve ter crescido muito o consumo de remédios para dormir. Afinal, ninguém é de ferro.

Jair Bolsonaro brinca com a sorte. Somente de forma pública ele já disse em mais de uma oportunidade que obter informações privilegiadas é algo de que não abre mão. E controlar a Policia Federal, também. Só que a PF é órgão de Estado e não de governo, o que torna crime (de responsabilidade?) a obtenção de informações sigilosas, ainda mais para proteger amigos e familiares como ele faz.

Por último, tenho o pressentimento de que se esse presidente perder a reeleição seu futuro será negro. O seu e os dos principais assessores que, com ordens e pressão dele precisam desrespeitar as leis em vigor no País para agradar ao chefe e manter empregos à custa de suas honras.   

                

15 de junho de 2022

Não tenhamos esperanças


É muito difícil entender como foi possível à embaixada do Brasil no Reino Unido manter contato com os familiares do jornalista Dom Phillips, anunciar o encontro de seu cadáver mais o do indigenista Bruno Pereira para depois tudo ser desmentido porque a viúva de Dom comunicou isso a um jornalista competente, digno e que colocou a notícia no ar em sua emissora. E levou outros a noticiarem o fato, como foi meu caso na crônica anterior. Duas certezas moram comigo no que diz respeito a esse episódio: ordens superiores determinaram o desmentido da embaixada (cabeças vão rolar..) e não existe a menor possibilidade de que os dois desaparecidos em Atalaia do Norte estejam vivos.

Não tenhamos esperanças.

Esse caso nos remete a um passado não muito distante para todos os que acompanharam a história do Brasil recente, pós 1964. Se a gente se recordar da Guerrilha do Araguaia (foto) vai entender como funcionavam as coisas naquela época: prender, julgar, condenar, dava muito trabalho. Sumir com as evidências era mais fácil. Isso foi feito também fora do Brasil porque os métodos são todos oriundos dos Estados Unidos. Por isso Ernesto Che Guevara foi assassinado depois de ter sido capturado vivo na Bolívia. Dar a ele o marketing de um julgamento público, do qual sairia endeusado para muitos, estava fora de cogitação. Era melhor "morrer em combate". Como as PMs fazem no Brasil até hoje quando matam e dizem que o inimigo ou inimigos resistiram à prisão armados. Claro, sem testemunhas.

Na Amazônia é fácil abrir o ventre de um cadáver, colocar um peso dentro dele e afundá-lo no rio mais próximo. Fica praticamente impossível encontrar alguma coisa, até porque a imensa maioria dos peixes são carnívoros. Eles fazem a pior parte do trabalho. Quantos presos políticos até hoje estão desaparecidos no Brasil? Por isso as autoridades insistem em parar com as buscas.

Dom Phillips e  Bruno Pereira, dentre outras coisas, estavam ensinando índios e ribeirinhos a operarem drones para monitoramento e denúncia de garimpo e pesca ilegal, mineração criminosa, grilagem e outros crimes comuns na região. Tinham que morrer pela lógica do crime organizado. Talvez, e isso é uma aposta minha, nunca venham a ser encontrados. Quem sabe tudo são aqueles que deram as ordens superiores.

Mas eles não vão falar...           

13 de junho de 2022

O crime organizado é ele!


Aconteceu o que todos temiam, mas ninguém queria afirmar: a embaixada britânica comunicou hoje à viúva do jornalista Dom Phillips que os corpos dele e do sertanista Bruno Pereira foram encontrados pelas equipes de buscas. Isso ocorreu em seguida ao encontro de uma mochila dos dois desaparecidos e assassinados pelo crime organizado que ocupa praticamente toda a Amazônia. Em seguida a Policia Federal e outros órgãos desmentiram o fato, mas uma informação da embaixada a familiares nunca pode ser descartada como noticia oficial

Jair Messias Bolsonaro é o crime organizado!

Desde que ele assumiu a presidência tem feito tudo para, dentre outras inúmeras coisas, permitir a devastação da Amazônica e o massacre dos indígenas brasileiros. Acabou com os órgãos fiscalizatórios, sobretudo a Funai, demitiu ou exonerou servidores encarregados da fiscalização e controle do meio ambiente e das terras indígenas e muito mais. Bruno Pereira, por exemplo, cumpria seu papel protegendo as áreas onde vivem grupos isolados de índios, esses com pouco ou nenhum contato com os "civilizados", e por isso foi exonerado. E não só ele. Inúmeros servidores dos mais diversos órgãos já foram afastados de seus cargos depois que esse sujeito assumiu a presidência. Até a Polícia Federal terminou atingida porque o presidente pura e simplesmente quer controlar a tudo e a todos, colocando marionetes sob seu comando em postos chaves.

Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos por Jair Bolsonaro. Não por ele pessoalmente - já que diz aos quatro ventos ser capitão de artilharia e o que sabe fazer é matar -, mas pelos esquemas montados para permitir a devastação do Brasil. Esses esquemas incluem fazer vista grossa a crimes que são praticados por garimpeiros, grileiros, madeireiros e outros, o que permite o crescimento das redes de criminosos que atuam na Amazônia à revelia das leis. Como o presidente só sabe agir atropelando nosso arcabouço legal, quem age como ele é seu amigo de fé, irmão, camarada.

Que as mortes de Dom e Bruno nos acordem de uma vez por todas.                          

7 de junho de 2022

A reforma de um só lado


A proximidade da eleição presidencial de outubro está trazendo à baila uma discussão que sempre volta à mesa de negociações de quatro em quatro anos: as relações trabalhistas do Brasil. E agora ela está sendo focada num tema espinhoso: o presidente a ser eleito - quem já tocou no assunto foi Luiz Inácio Lula da Silva, do PT - deve ou não deve revogar a reforma feita pelo atual governo?

Sempre que se discute o assunto toma-se por base a lógica do capital: o custo do trabalhador é muito elevado no nosso país porque os encargos trabalhistas mais do que dobram para o empregador o custo final da mão de obra. Mas a discussão passa por cima de um fator fundamental e que reside no fato de termos dois brasis num mesmo país: o do INSS e o do serviço público. Um é pobre e vive de pires na mão. O outro tem pouco ou quase nada a reclamar e se aposenta com vencimentos integrais depois de, ao longo da vida, ganhar bem mais do que os trabalhadores da iniciativa privada. Sem demissão.

O que foi a reforma trabalhista do atual governo? Apenas e tão somente a vontade do capital. Em nenhum momento o trabalho foi ouvido. Ou muito me engano ou o atual presidente jamais recebeu um líder trabalhista. Nunca ouviu as suas reivindicações. Em momento algum esteve em um sindicato ou outro órgão representativo dos trabalhadores. Mas na "República da Faria Lima" já foi várias vezes.

Só existe justiça social quando se consegue conciliar os interesses do capital e do trabalho. E isso é possível! Uma reforma trabalhista feita de um lado só, além de não conciliar interesses engorda quem já é gordo e torna mais frágil quem já passa necessidades. E basta andar pelas ruas, ver as legiões de moradores em situação de miséria para constatar o que estou afirmando aqui.

Não podemos viver num Brasil onde se desconhece a existência do trabalhador privado. E também onde o servidor público forma uma casta privilegiada. Essa questão tem que ser enfrentada, discutida, vencida. E é claro, isso não vai acontecer com o atual presidente renovando seu mandato. Precisamos ter em Simone Tebet, Lula ou Ciro Gomes uma opção de construção de sociedade mais justa.

Afora a expectativa de um dos três não temos nada na linha do horizonte.              

30 de maio de 2022

Matam Genivaldo todos os dias


Não é surpresa para ninguém que o Inominável tenha chamado Genivaldo de Jesus Santos de marginal. Surpreendente seria o inverso. Mas deixa o Brasil estupefato nós sabemos que muitos "genivaldos" são mortos todo os dias em todos os locais desse País, contanto cumpram com alguns requisitos, digamos básicos: sejam pobres, negros, morem em regiões muito carentes (favelas), não se vistam bem e se recusem a cumprir cegamente as ordens dos agentes públicos.

O homem assassinado era doente mental, tomava remédio controlado, foi parado pela Polícia Rodoviária Federal porque estava pilotando motocicleta sem capacete e com toda a certeza, depois de cumprir as primeiras ordens da PRF, se insurgiu por puro medo. Infelizmente, e é preciso admitir isso, os órgãos policiais brasileiros são reconhecidos por grande parte da população como inimigos.

Pilotar sem capacete o Inominável faz quase todos os dias e não apenas jamais foi parado pela PRF, mas em inúmeras ocasiões acabou sendo escoltado por ela. Os pobres não têm essa sorte. São assassinados como aconteceu com Genivaldo e depois desse último episódio, alguns casos estão vindo a público, pois denúncias são feitas agora que a coragem supera o medo de morrer sem que os assassinos sejam identificados para pagar, mesmo com a mais alta autoridade do Brasil os chamando de marginais.

Recentemente houve mais uma chacina no Rio de Janeiro. Eram criminosos os mortos? Que fossem, mas tudo indica que alguns foram executados. No penúltimo episódio dessa natureza isso ficou provado com as investigações e filmagens feitas. Pouco importa aqui se alguém acha que bandido bom é bandido morto porque a diferença entre o bandido e o mocinho é que o segundo segue religiosamente as leis até mesmo por dever de ofício. É isso o que difere um do outro.

Nós  moramos num país onde os agente públicos armados acham que podem matar impunemente atropelando todos os textos legais. Que tragédia! Mais "genivaldos" vão ser mortos por tortura, pura crueldade, na frente de todo mundo, em plena luz do dia e em via pública.          

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23 de maio de 2022

Sua excelência o factoide


Hoje mesmo o presidente da República promoveu novo ataque aos governadores, tentando mais uma vez transferir a eles a responsabilidade pelos aumentos do preço dos combustíveis. Ele mente, sabe disso e insiste porque, como diziam os próceres do nazismo, uma mentira repetida inúmeras vezes se torna verdade. E levar a discussão a esse terreno, também ele sabe, muda a discussão de esfera: ela sai do desemprego, da crise econômica, do desencanto do país para outro terreno menos pantanoso.

O presidente se recusa terminantemente a aceitar os princípios do pacto federativo que regem o Brasil nos campo político e econômico. O que é isso? Trata-se de um conjunto de dispositivos constitucionais que desenham a moldura jurídica, as obrigações financeiras, a arrecadação de recursos e o campo de atuação dos entes federados: União, estados e municípios. O poder é compartilhado porque assim se
determinam os limites entre uma atuação e outra. Nada é e nem pode ser absoluto.

Mas como enfiar isso na cabeça tosca de um sujeito que já fez diversos pronunciamentos dizendo-se amante da ditadura militar de 1964, da tortura e do assassinato de inimigos? Mas que hoje veste a fantasia de democrata de véspera de eleições, pregando uma liberdade na qual jamais acreditou?  Ele apenas e tão somente quer o poder pelo poder e sua continuação no cargo de presidente da República depois das eleições de outubro. Por isso constrói factoides a cada dia que passa, buscando fazer virarem verdade as mentiras que diz todo dia. Como, por exemplo, a de que a Amazônia está sendo preservada!

Esticar a corda é sua preocupação diária, sua maior fixação. Não aceitar as regras democráticas tornou-se um mantra para esse indivíduo que só ainda não deu um golpe de Estado no Brasil porque a parte mais responsável das Forças Armadas nega-se a embarcar com ele nessa aventura.

Factoide é uma informação falsa ou não comprovada e que é aceita como verdadeira em função de sua repetição sistemática. Isso dá certo em situações nas quais o esquema montado pode contar com o apoio dos meios de comunicação comprometidos com ele. Não é o caso de hoje. Que ódio isso provoca no projeto de ditador de aldeia travestido de democrata! Então a única solução para ele é continuar esticando a corda e gerando atritos diários e repetidos. Afinal, governar ele não sabe.                   

11 de maio de 2022

Compromisso com o golpe


Parece totalmente  fora de dúvida que Jair Bolsonaro quer o golpe de Estado. E aos poucos vai se cercando de militares de alta patente, todos ávidos por dinheiro e poder, para concretizar seu intento. Já não é mais possível disfarçar, fingir que ninguém está vendo: o sujeito não aceitará deixar a presidência da República por via pacífica após as eleições de outubro e talvez tente estuprar a democracia antes disso. Basta ele sentir que suas chances de vencer as eleições são muito pequenas ou nulas.

São falsos, sempre foram, seus discursos em nome da liberdade. No passado não remoto ele deu várias entrevistas se dizendo a favor da ditadura, da tortura e da morte de adversários políticos. A imagem acima, que reproduz uma declaração dele, é mostra clara disso. Pior: todos os mais chegados ao poder sabem com quem estamos tratando hoje, inclusive alguns jornalistas canalhas que se aproximaram dessa fera para obter favores e os estão conseguindo em diversas bolhas de noticiário fraudulento. Um deles, patife até a medula, foi a um restaurante e Brasília vestido com uniforme militar camuflado.

Os questionamentos acerca das urnas eletrônicas, recorrentes, irritantes e inócuos, são uma forma de esticar a corda, tensionar, não permitir que o País saia da crise fabricada pelo presidente com o único intuito de criar um clima pró golpe e tirar a atenção dos brasileiros de seus verdadeiros problemas que passam pela debacle econômica vivida hoje e os constantes escândalos de corrupção registrados todos os dias. Hoje mesmo a Folha de S. Paulo noticia que os generais e serviço do governo ganham cerca de R$ 300 mil a mais por ano que os demais oficiais militares, estejam eles na ativa ou na reserva.

Isso tudo é um escândalo.

Precisamos ficar atentos. Temos que reagir. Denunciar todos os dias os planos maquiavélicos do Capetão para tornar muito difícil que ele destrua nossa democracia. O fato de hoje não contar com a ajuda expressa dos Estados Unidos já é alguma coisa. Mas não tudo. Cada um de nós, brasileiros, temos que lutar contra isso e a favor de eleições livres como estão sendo projetadas pelos TSE com todos os requisitos de segurança possíveis e imagináveis e resistindo a pressões espúrias.

Os patriotas somos nós e não os que sonham com o golpe.        

5 de maio de 2022

Lula pode perder para Lula

O ex-presidente Lula tinha grande vantagem sobre o presidente Capetão na corrida pelo Palácio do Planalto. De bobagem dita em bobagem dita quase todos os dias essa dianteira está indo para o ralo. Para o buraco. Ou os assessores do PT convencem seu candidato a parar de falar besteiras e o preparam melhor para entrevistas importantes como a dada à revista "Time" ou seu mais forte opositor não vai precisar mais chorar o leite derramado como nessa charge acima.

É coisa parecida com o que faz Ciro Gomes. Estava na cara que a ida dele a uma feira do agronegócio no interior de São Paulo provocaria protestos com falta de educação e civilidade por parte do gado bolsomínion. Aconteceu e ele reagiu com um soco no agressor. Também não pode. Só se reage no tapa quando se sofre agressão física. Nas demais situações ou a reação é verbal ou nem deve existir.

O comando da campanha petista passa hoje pelos mesmos problemas de sempre: todo mundo quer aparecer, mandar, dar "pitaco", exercer postos de comando. Não pode porque tribo com mais cacique que índio comum nunca deu certo. O primeiro erro do PT talvez tenha sido o afastamento de Franklin Martins, pois ele é muito capaz. A indefinição que se seguiu a isso acaba sendo pior.

O presidente Capetão conseguiu se cercar de gente competente na área do comando de sua campanha, sobretudo não dando mais o protagonismo de decisões estratégicas ao seu filho do meio. Até quando isso vai durar é impossível prever porque nas familícias como a atual o protagonismo também é disputado com ferocidade. E de ferocidade o gado bolsomínion entende, e muito bem.

Lula corre o risco de perder para Lula. E pelo menos no que toca a mim esse era um risco que eu sabia ser quase certo. Dizer que Zelenski é tão culpado quanto Putin pela guerra e se recusar a fazer análise econômica do momento atual do Brasil não pode acontecer. Não é difícil discorrer sobre a economia brasileira de hoje e qualquer assessor competente da área ajudaria.

Enfim, ainda falta muito para as eleições, a economia brasileira está nas cordas, o desacato à Justiça parece norma de conduta para a chefia de governo, os escândalos se sucedem, a inflação dispara e os erros parecem não mais ter fim. Talvez a sorte de Lula resida no fato de que o Brasil está mal, muito mal, não há competência mínima no governo e Bozo é capaz de produzir mais idiotices que seu opositor.

Se isso não acontecer e a terceira via se recusar a surgir sobretudo com Ciro Gomes à frente, aí sim Lula vai perder para Lula nas eleições presidenciais de outubro.                

30 de abril de 2022

Genocídio indígena no Brasil


As imagens agridem, chocam, levam qualquer pessoa honesta ao pranto. São índios brasileiros em suas reservas, sendo massacrados. Na terra dos ianomâmi mais de 20 mil garimpeiros ilegais invadiram aquele espaço para retirar ouro e outros minerais ilegalmente com o beneplácito do governo federal. Além de fazer vista grossa, esse governo comandado pelo presidente Capetão ainda incentiva os crimes. Até crianças são prostituídas, violentadas e assassinadas à vista de todos.

Diariamente as imagens da agressão são mostradas. Fotos aéreas, filmagens também feitas por aviões e tomadas de satélites. O governo sabe onde estão os garimpeiros, como chegar lá, de que maneira intervir a fim de prender quem comete crimes e deter a escalada do genocídio indígena. Mas não faz nada. Cruza os braços criminosamente, dá campo a que o garimpo ilegal continue a devastar o meio ambiente e acena com falsa impotência dizendo que esse problema é endêmico no Brasil.

A foto que ilustra meu texto é a síntese de tudo. Dois índios em primeiro plano e a floresta devastada, queimada, em segundo plano. O índio depende da mata, do meio ambiente. De lá ele só tira o que precisa para seu sustento, para abastecer sua comunidade. Do meio ambiente vem o alimento que o mantém, a casa que o abriga, a roupa que o protege da chuva e do frio. E também as poucas armas que usa exclusivamente para caçar. Ele não sente prazer em matar, mas apenas precisa se alimentar.

E enquanto os índios são mortos todos os dias e a todas as horas, a campanha política do governo passa por cima disso. Ignora o absurdo. E enquanto a região amazônica é devastada nada se cometa, nada se analisa, não há planos para deter a tragédia. A Funai praticamente não existe mais, o ICMbio foi reduzido a pó, o Ministério do Meio Ambiente é só uma fachada. Tudo está tomado por militares com tendências golpistas, representantes de ruralistas, garimpeiros ilegais e outros criminosos. A tragédia do Brasil não tem mais tamanho.

O que resta fazer?  O que está sendo feito, sobretudo por aqueles que buscam na Justiça uma forma de parar com isso. No Supremo Tribunal Federal está a esperança dos que procuram todos os modos de interromper os crimes contra o meio ambiente e o morticínio das populações indígenas. Infelizmente no Brasil de hoje, principalmente em época de eleição e quando o Centrão foi comprado com nosso dinheiro para representar o crime e os criminosos, afora o STF só há oportunismo na linha do horizonte.

E o STF nos representa. Pelo menos a mim!         

22 de abril de 2022

O decreto tem que cair


Não há a menor sombra de dúvida sobre uma afirmação que faço aqui e agora: o atual presidente da República não sabe governar sem crises. Se elas não existem ele as fabrica. Até porque, e isso é a convicção de muita gente no Brasil de hoje, ele simplesmente não sabe governar coisa alguma.

O último ato do presidente para agredir as instituições democráticas do Brasil foi editar um decreto para dar graça e um bandido que havia sido condenado a pouco menos de nove anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em julgamento que sequer ainda transitou em julgado (foto). E fez isso porque o beneficiado (sic!) é seu amigo pessoal e divide consigo e com o restante da familícia e bolsomínions de raiz o profundo desrespeito por tudo o que os conteste. Principalmente o Judiciário.

Em nome da democracia, em nome das instituições sobretudo civis desse país, em nome da dignidade do Brasil como nação o decreto presidencial tem que cair. Ele precisa ser tornado nulo pelo mesmo STF por ele desrespeitado. E movimentos nesse sentido já estão crescendo a cada dia que passa.

A Marquesa de Santos, amante do imperador D. Pedro I, gostava de chamar seu amado de Capetão. Era um apelido carinhoso embora não parecesse. O Capetão que inferniza a vida dos brasileiros de hoje é diferente. Ele não ama, não sabe fazer isso. Sob seu governo o Ministério da Educação está sendo violentado. O Ministério da Saúde tornou-se mero apêndice da vontade presidencial e de pseudo pastores evangélicos. O meio ambiente é destroçado diariamente enquanto o ministério que teria de lutar por sua preservação é cúmplice no processo destrutivo. A economia patina, há clima de confronto retroalimentado em todas as suas instâncias e o enfrentamento entre o governo federal e os estados e municípios tornou-se política de Estado. Para não tornar o artigo enfadonho, basta dizer mais uma coisa: a Lei Rouanet, tão atacada pelo governo, agora despeja quase meio milhão de reais num projeto de edição de livro sobre armas. Sei quanto custa a edição de livros porque sou escritor. E porque sou escritor sei também que essa aprovação é pura e simplesmente roubo de dinheiro publico a céu aberto.

O Capetão não suporta a vida democrática. Existem imagens de entrevistas dele elogiando a ditadura militar para sustentar minha afirmação. Ele ataca o Judiciário apenas e tão somente para preparar sua militância no projeto de não respeitar o resultado das urnas em outubro se este lhe for desfavorável. Por isso tem que ser enfrentado. Sua graça a um bandido agride. A comoção que vivemos é a de ver o país agredido por quem quer ser seu dono sem contestação alguma, e não pelo veredito do STF.

Repito: é hora de reação. O decreto tem que cair.                          

19 de abril de 2022

Lugar de Toda Canalhice


Um dia ele estava na pensão onde morava e a polícia entrou. Foi levado para um destacamento militar onde chegou com um dedo machucado. "Está doendo?", perguntou o soldado com fuzil nas mãos. Ato contínuo disse que iria tratar do ferimento e, com a coronha fuzil bateu contra o dedo ferido até praticamente o esmagar. O preso, Gildo Loyola Rodrigues (foto), fotógrafo profissional, um dos criadores do Departamento Fotográfico do jornal A Gazeta sofreu tantas torturas que, depois de solto passou algum tempo em um hospício antes de se recuperar e poder voltar a trabalhar normalmente.

A polícia queria saber qual era a "senha". Que senha? É que na entrada da pensão todo dia ia sendo colocado o cardápio de almoço. Por exemplo: "arroz, feijão, bife acebolado, batata frita, salada". E essa relação mudava diariamente. Como Gildo, que tinha militância em partido político clandestino, mas nunca havia atirado em ninguém, se recusasse a dar uma senha inexistente, a polícia e o Exército fizeram o que sabiam fazer quando achavam que alguém era culpado de alguma coisa: torturaram.

Gildo se aposentou em 2011. Fotógrafo brilhante, foi um dos autores do livro "Lugar de Toda Pobreza", produzido juntamente com os também jornalistas Amylton de Almeida e Carlos Henrique Gobbi e parceria de fotos com Helô Sant'Anna sobre o documentário do mesmo nome com dados levantados por Amylton e Gobbi na região do contorno de Vitória onde uma grande invasão se dava em fins da década de 1970. Ele nada tinha a ver com guerrilha, com resistência armada e outros atos de violência. Mais morava, como moramos, no Lugar de Toda Canalhice.

A divulgação dos áudios de julgamentos do Superior Tribunal Militar (STM) com a admissão de torturas durante a ditadura militar brasileira, feito pela jornalista Miriam Leitão que começou sua carreira trabalhando em Vitória no jornal A Gazeta, só surpreende a dois tipos de gente: desavisados e desonestos. E só faz rir os canalhas que consideram lícito terem organizações policiais e as Forças Armadas Brasileiras participado de atos de ignomínia contra parcela de nossa população. Sim, é preciso denunciar. É preciso trazer à baila esse assunto escabroso e deixar tudo registrado nos jornais, rádios, TVs, livros e outros meios, inclusive eletrônicos. Senão acontece de novo.       

14 de abril de 2022

Do que ele tem mais medo?


O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República proibiu a divulgação dos dias em que pastores pilantras foram recebidos no Palácio do Planalto em 2020 e 2021 (foto), o que agride a Lei de Acesso à Informação. A justificativa de garantir a segurança presidencial contra o pedido de um meio de Comunicação é apenas uma desculpa míope para encobrir o verdadeiro motivo: coalhado de caso de corrupção em seu final de mandato, o presidente Bolsonaro quer encobrir todos os seus passos e os de sua familícia nesse ano de eleição negando à sociedade o sagrado direito de saber o que acontece nas entranhas, melhor dizendo, nos intestinos do poder. Denúncias são nitroglicerina pura!

Desde que o Congresso Nacional revogou a Lei de Segurança Nacional, um anacronismo dos tempos da ditadura militar que perdurava na Constituição, o presidente tentou de todas as formas contornar essa "dificuldade". Sem outra alternativa, usa o GSI, um órgão a seu serviço pessoal e comandado por militares subservientes, para se blindar ilegalmente. O último ato foi tornar secretas as idas de pastores ao palácio. Daqui para a frente tudo o que o incomodar terá o mesmo destino. A menos, é claro, que alguém ou alguma instituição recorra ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra essas violências.

O final do mandato de Bolsonaro está sendo um rosário de casos de corrupção. Nunca antes se viu tanta ilegalidade quanto agora. Atos espúrios que vão desde o favorecimento explícito à Engefort, empresa laranja dona da maioria dos grandes contratos do governo federal, à influência de representantes de seitas neopentecostais que se aboletaram nos cumes do poder para garantir todo o tipo de vantagens. E não são só elas: a corrupção cresce até mesmo entre os descendentes diretos do ex-capitão de artilharia e agora envolvem seu filho mais novo, Renan, que não aceita ficar fora da divisão do butim.

Do que Jair Messias Bolsonaro tem mais medo? De perder a reeleição, não importa para quem. Ele sabe que se isso acontecer, seu futuro será responder a uma grande gama de processos e possivelmente dar adeus não apenas ao poder, mas quem sabe à liberdade. Ele conhece todos os atos ilegais que praticou usando a caneta ou ministros, sobretudo em ministérios como os da Saúde e da Educação. Jair, ele tem consciência disso, não pode perder de forma alguma. E para garantir sua intocabilidade, de agora em diante até diarreia vai merecer sigilo de cem anos. Isso sem falar nas ilegalidades que estão por chegar, e no aumento do desmonte das instituições públicas e ataques diretos à democracia. 

O Bolsonaro ditador está apenas tirando a máscara.                

9 de abril de 2022

O vírus militar


Não é o maior filme de todos os tempos, está longe disso, mas vale a pena ver "A mulher de um espião", uma produção japonesa. Na foto acima, os dois principais protagonistas: o "espião" e sua mulher. O fato é real e muito bem documentado numa obra cinematográfica onde é possível ver as limitações de verba nos pequenos detalhes, como os bondes cujas janelas não mostram o que se passa do lado de fora.

Mas esse não é o mote do meu artigo. Sua razão de ser está num fato que mostra até onde vai a capacidade de destruição do totalitarismo, sobretudo militar e independente de ideologia. O "espião" descobre atos de selvageria em investigação "científica" que o Japão promovia na Manchúria ocupada em 1940. E foram os militares japoneses que arrastaram o país para a guerra e o holocausto subsequente.

Ao final do conflito mundial terminado em 1945, o Julgamento de Tóquio mostra o destino que tiveram os maiores comandantes japoneses. Sim, porque na guerra o vencedor julga o vencido e impõe a ele suas leis e penas. Não a toa os norte americanos jamais foram julgados pelos crimes de guerra cometidos no Vietnam e em outros conflitos armados dos quais participaram e participam.

Note o leitor: ao final da guerra o imperador Hiroito, homem probo e que em vida foi reconhecido como a maior autoridade mundial em biologia marítima da época, não perdeu o trono. Deixou de ter status de divindade, sua autoridade passou a ser meramente cerimonial, mas o império sobrevive intocado no Japão. Digno, austero e agora incapaz de ser corrompido pelo poder militar. Sim, porque o Julgamento de Tóquio visava destruir o militarismo japonês, o câncer daquele país, e isso foi conseguido. O império, a forma de governo, jamais foi alvo.

Nas sociedades modernas é necessário que o poder seja equânime. Não pode um estrato social ter prevalência sobre os demais, sobretudo um setor armado. Ele pode ser levado a se considerar dono do Estado, artífice da Justiça, acima das leis e dos costumes quando não concordar com eles. Se isso se tornar agudo os danos que o país sofrerá são inimagináveis. Um dia o Brasil vai ter que liquidar, preferencialmente por via pacífica, com o vírus de seu militarismo. E é chegada a hora. 

29 de março de 2022

Não há mais governo nessa corrupção


Um mantra do atual presidente da República é dizer que não há corrupção em seu governo. Mas toda semana explode um escândalo de grande porte. O último fez com que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, fosse defenestrado. Ele já era o quarto ocupante da pasta somente durante os últimos três anos e pouco. Por mais que lute contra isso, por mais que tente fazer a opinião pública negar o óbvio, a cada dia Bolsonaro se envolve em outros atos espúrios que ele mesmo patrocina e tenta repassar a terceiros.

Dois ministérios de importância vital para o Brasil vivem de escândalo em escândalo desde a posse do capitão quase expulso do Exército: Saúde e Educação se tornaram feudos da pequenez intelectual de Bolsonaro em sua ascensão ao poder. E isso porque ele quer de todas as formas dar às duas pastas a "sua cara", como costuma dizer. E essa cara é fascista, revisionista, limitada e presa a preconceitos que vão do ódio que sente contra todos os pensamentos de esquerda ao alinhamento incondicional a seitas neopentecostais picaretas. E elas não são poucas. Proliferam porque não têm predadores...

Milton Ribeiro é o mais recente exemplar dessa fauna estranha. Todos sabemos que as ordens sempre vieram da presidência da República. Ou os ministros obedecem cegamente ao presidente ou são demitidos. Até mesmo Sérgio Moro, o ex-juiz que se aliou a esse governo depois de ter sido artífice da Operação Lava Jato, esquema de perseguição política implacável (não estou dizendo que os acusados e condenados eram inocentes) e que influiu decisivamente nas eleições de 2018, acabou sendo vítima do grupo que ajudou a colocar no poder de Brasília. Teve os olhos arrancados pelos corvos que criou...

Jair Messias Bolsonaro sacrificou seu último ministro para tentar sair do foco das investigações. Demitiu o presidente da Petrobrás para criar uma cortina de fumaça. Mas até as paredes do Palácio do Planalto sabem que a família presidencial comanda a corrupção do governo desde a época das rachadinhas e outros crimes e que o gado, os fascistas emergidos com o atual grupo político, ditam as regras desde o primeiro dia de mandato de seu ídolo. Agora, com ajuda decisiva do Centrão.

Como virou piada depois do desgaste do "Não há corrupção no meu governo", o brasileiro agora diz que "Não há mais governo nessa corrupção". E isso é certo!      

26 de março de 2022

As vítimas de sempre


É inquestionável que a invasão da Rússia à Ucrânia representa um crime, sobretudo e principalmente contra as vítimas de sempre em todas a guerras: os civis, as crianças, aqueles que nada têm a ver com a decisão de um país atacar o outro e que, mesmo assim, pagam a maior parte do preço das agressões. São dantescas as imagens de crianças chorando desesperadas. São horrorosas as de civis adultos ou idosos tendo que largar suas casas para correrem a estados estrangeiros sem saber sequer se um dia poderão voltar a seu país, seus lares, suas cidades, seus trabalhos, seu sossego.

Mas é preciso pensar mais adiante: não existem vestais na ONU e não é possível encontrar virgens políticas na OTAN. Mais: desde a dissolução da União Soviética e o fim da guerra fria não há mais razão para que a Organização do Tratado do Atlântico Norte exista, a não ser se agora ela serve para expandir suas fronteiras em direção ao Leste, comprimindo a Rússia e a cada dia mais chegando próxima da China. Essa, por sinal, é o alvo maior: os Estados Unidos não querem permitir que os chineses tenham a maior economia do mundo, em condições de tirar-lhe o posto de donos do planeta.

Discutir aqui se a Rússia pode justificar seu ataque à Ucrânia não é o mais importante. Ela é o agressor. O governo daquele país não aceitou o avanço da OTAN em direção a ele e o fato de aos poucos os agora 30 estados da organização ocidental estarem colocando mísseis apontados para Moscou. Pior porque os Estado Unidos vestem sempre seus presidentes de estrelas de xerife para curvar o mundo à sua vontade, como acontece hoje com esse Joe Byden da foto acima.

Por trás da decisão norte-americana de usar os aliados europeus para abrir uma guerra comercial contra os russos e ameaçar outra contra os chineses se eles não ficarem "do lado certo" existe um imenso interesse comercial militar que representa bilhões de dólares em armas e munições que a indústria bélica dos EUA precisa negociar para tocar sua economia em muitos pontos baseada nisso. As vítimas de sempre, pelo fato de serem de sempre, pagam a conta por não saírem da frente.                

16 de março de 2022

Ensaio para o Armagedom


Durante a Guerra dos Cem Anos, mais precisamente na Batalha de Azincourt, em 1415, o arco longo inglês (foto) foi decisivo. Confeccionado em madeira de teixo, tendo quase dois metros de comprimento, era capaz de enviar flechas com uma velocidade imensa. Elas penetravam a armadura dos inimigos ou então seu escudo, matando-os. Que arma terrivel! Os franceses provaram dessa cicuta!

Na idade média ou antes dela os guerreiros tinham que ser muito fortes e bem treinados. Só isso. Podiam ser analfabetos - e geralmente eram -, o que  não fazia a menor diferença no campo de batalha. Eles aprendiam a usar o arco e flecha, a espada, a maça e outros instrumentos de combate a pé, a cavalo ou usando demais meios de locomoção. Milhares morriam, pois as guerras jamais pouparam ninguém. Principalmente aqueles que nada tinham a ver com os motivos desses morticínios.

Hoje o combatente do século XXI é um homem muito bem preparado, culto, inteligente. Pilotar um avião moderno de combate exige preparação que quase equivale a curso superior. As máquinas são a última palavra em tecnologia. Então, quando a gente vê exércitos indo para as batalhas, sobretudo em aviões modernos de combate, navios e outros equipamentos de ponta, isso equivale e dizer que estamos enviando para morrer parte do melhor de nossas juventudes.

E eles vão para guerras estranhas à sua vontade, ao seu desejo, para matar outras pessoas e morrer em combate sem glória alguma. Sim, não há glória. As imagens da guerra da Rússia contra a Ucrânia mostram essa verdade. Milhares de civis estão sendo imolados; outros, fugindo. As fotos e filmagens são dantescas. Uma delas mostrou cadáveres de soldados russos insepultos, deixados para trás enquanto tropas avançavam para um lado e civis tentavam sobreviver correndo para o outro.

Mas o pior dessa guerra é que os dois lados admitem estarmos às vésperas da III Guerra Mundial. Se isso for verdade ninguém vai comemorar a vitória porque somente russos e norte-americanos têm poder de fogo atômico suficiente para destruir o mundo diversas vezes. Seria a vitória da iniquidade, da insensatez, da negação dos valores da vida e dos motivos pelos quais nascemos, crescemos e morremos. É o Armagedom bíblico, não importa aqui se eu acredito ou não nele. Aliás, não vai fazer diferença alguma.

O arco inglês dá uma saudade!!!!!