28 de junho de 2016

Os nossos dilemas e os deles

A vitória dos que defendiam a saída da Grã Bretanha da União Europeia pegou a todos de surpresa. Principalmente porque agora ninguém sabe o que está por vir. E analistas políticos de matizes os mais diferentes possíveis tentam traçar paralelos entre essa crise europeia e os problemas do hemisfério sul, onde despontam com mais força os do Brasil. Pontos em comum há.
No caso inglês, o resultado das urnas foi mais do que uma reação dos mais velhos contra a montanha de imigrantes que hoje toma sobretudo a Inglaterra. Lá, como nos Estados Unidos, há forte reação contra os políticos tradicionais, bem como a repulsa envolve sobretudo a classe média menos favorecida inclusive intelectualmente, tanto contra imigrantes que teoricamente vão lhes tomar os empregos, quando contra a tecnologia que aumenta a automação e rouba postos de trabalho a todos. Os seja, o protesto vai da mão de obra pouco capacitada à alta tecnologia. Duas coisas que vão continuar existindo, apesar de todos os protestos que se venha a fazer.
E o Brasil? Aqui vivemos uma época de descrença em praticamente todos os políticos, e essa apostasia nasce sobretudo na classe média, que vem perdendo status já faz alguns anos. Não precisamos nos separar de outros países, mas temos definições sérias a tomar em termos de convívio econômico regional - vide Mercosul e Unasul - e ainda uma luta sem tréguas contra a corrupção que se enraizou como um câncer terminal da vida dos brasileiros de todos os lugares.
A alguns parece que o mal está na esquerda. Dizem isso até mesmo aqueles que não sabem explicar politicamente o que é isso ou então os que chamam todos os pensamentos não direitistas de comunistas. A outros surge a direita ou o liberalismo, a livre iniciativa, como os responsáveis pelos danos sofridos pelo Brasil. Ambos os pontos de vista estão errados. O mal se situa na extrema direita, pois ela é xenófoba, racista e genocida; e também na corrupção da esquerda, já que esta destrói ideais e a economia, como acontece no Brasil.
Nós vivemos entre os discursos da "bancada evangélica" do Parlamento, para os quais até o rock tem a ver com o demônio, com a insanidade de Jair Bolsonaro e amigos, e também com as prisões de falsos próceres da "esquerda", todos envolvidos num esquema de saque ao País sem precedentes na história. Nosso dilema maior tem a ver com isso. E dele nasce a repulsa do brasileiro pelos políticos.
O que vai acontecer? Não existe no horizonte um líder carismático e não populista que possa disputar o comando do Brasil contra os políticos profissionais. E as soluções (?) estão vindo de ações judiciais como a Operação Lava Jato e outras, que processam e prendem corruptos.
Mas a solução para o Brasil, como para os Estados Unidos e a Inglaterra, nasce e morre no sistema político-legislativo. Os casos europeu e norte-americano são problemas deles. O nosso é nosso. E só sairemos do atoleiro onde nos metemos se varrermos a corrupção e a maioria dos corruptos dos postos de comando. Sem isso apenas viveremos épocas de trégua sem progresso permanente. E essa luta é de todos os brasileiros. Em todos os dias, a todas as horas e todos os minutos.

14 de junho de 2016

Nosso herói desconhecido

Monumento a Domingos José Martins
No dia 12 de junho de 2017 vão se completar 200 anos da morte de Domingos José Martins. Fora de círculos acadêmicos e dos das pessoas que se interessam por história, poucos sabem quem foi esse capixaba que lutou na Revolução Pernambucana, também chamada de Revolução dos Padres, um movimento emancipacionista que eclodiu em seis de março de 1817 na que era então a Capitania de Pernambuco e foi sufocado violentamente pela Coroa portuguesa.
As razões para a Revolução são várias. Vão desde as ideias iluministas propagadas pelas sociedades maçônicas das quais Domingos fazia parte, passando pela crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e os enormes gastos necessários para custear a Família Real e seu séquito, que haviam chegado ao Brasil por aqueles tempos. As capitanias tinham que enviar ao Rio de Janeiro enormes somas para o custeio dos portugueses, o que envolvia até as faraônicas festas que davam.
Domingos nasceu no Sítio Caxangá, no hoje município de Marataízes, filho de militar. Foi para Portugal, depois para a Inglaterra. Tornou-se comerciante também e amigo de um certo general Miranda, que havia lutado na guerra pela independência dos Estados Unidos e numa tentativa de emancipação da Colômbia. Esses, dentre alguns outros, foram os caldos de cultura da formação do revolucionário capixaba. Ele queria, como muitos, o Brasil emancipado de Portugal.
Mas o movimento acabou derrotado. Domingos Martins foi preso, enviado à Bahia e arcabuzado (fuzilado por arcabuzes) no dia 12 de junho de 1817 no Campo da Pólvora, hoje conhecido como Campo dos Mártires. Virou, com o tempo, patrono da Polícia Militar do Espírito Santo, do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), da cadeira 14 da Academia Espírito-santense de Letras (AEL), nome de escola e de um município de região de montanha capixaba.
Mas é desconhecido pela esmagadora maioria dos espírito-santenses.
O Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo tem obra sobre a vida dele. Em Pernambuco os relatos da Revolução de 1817 o situam no contexto da revolta. E como falta pouco tempo para se completarem dois séculos de sua execução, está na hora de o Espírito Santo resgatar oficialmente essa história. Nos colégios, nos círculos acadêmicos, nas discussões acerca de nosso passado, de nossa herança cultural, em todos os lugares onde as maiores figuras tenham um "altar" assegurado.
Os que usam o termo "herói" com as conotações atuais hão de perdoar Domingos José Martins. Ele não marcou um gol decisivo, não bateu recorde esportivo algum, não ganhou disputa de música e nem praticou outros atos menores. É um herói de nossa história por motivos maiores. Por ter lutado por um Brasil livre das amarras e dos grilhões que o mantinham colônia.  


12 de junho de 2016

O nosso vazio de líderes

O respeito de antes se  materializa na foto acima. Onde ele está hoje em dia?
O escritor escocês Irvine Welsh, que hoje mora nos Estados Unidos onde se prepara para lançar o livro "A vida sexual das gêmeas siamesas", sobre a vida na América e mais precisamente em Miami, deu entrevista a Época na qual, provocado pelo repórter, acabou tendo que falar sobre as eleições de novembro naquele país. Posso destacar do dito o seguinte:
"Trump e Hillary são duas das pessoas mais odiadas dos Estados Unidos. Se os dois candidatos são há algo errado com o sistema político. (...) representam a tão desprezados pelo povo, é porque avareza, a ganância, a arrogância, a pura ambição e o egoísmo. E aí você pensa: 'Meu Deus! A sociedade está tão ruim e débil que só conseguiu produzir candidatos assim?'".
Michel Temer é desprezados por grande parte do eleitorado brasileiro. Dilma Rousseff, por parcela incomparavelmente maior dele. Lula, que ainda detém parte de seu capital político apesar de todo o envolvimento nos escândalos das últimas duas décadas, tem rejeição recorde entre o eleitorado e corre o risco de vir a ser preso. Aécio Neves não consegue o respeito desse mesmo eleitorado.
O que está havendo conosco é parecido com o que ocorre nos Estados Unidos.
Selecionei para essa crônica a foto que a ilustra. Paulo Brossard (à esquerda) fala com Tancredo Neves (ao centro) e com Ulísses Guimarães (à direita). Eram líderes na mais pura acepção da palavra. Não aglutinavam todo o eleitorado, claro, tinham oposição de setores que ficavam bem à esquerda ou à direita do espectro político, mas em torno deles havia respeito. Quem, hoje, dentre os políticos mais em evidência, tem pelo menos uma pequena parcela da representatividade daquele trio? Ninguém. Nem mesmo Aécio conseguiu, ao longo da carreira, transferir para si parte do prestígio do tio.
Nós vivemos a mesma encruzilhada dos Estados Unidos? Não.
O que nos diferencia é que lá o melhor da política, com todos os seus percalços e representado pelo presidente Barak Obama, tenta evitar que um despreparado fanático chegue à Casa Branca e à proximidade dos botões que disparam mísseis nucleares. Aqui, um sindicato de ladrões apeado do governo tenta de todas as formas voltar a ele para garantir, ao menos em parte, a estrutura montada ao longo de 13 anos para a perpetuação de um projeto, não de Estado, mas de poder.
Nos Estados Unidos há um dilema. Aqui, uma tragédia.
Mergulhados na maior crise econômica da nossa história, não temos mais líderes robustos, de respeito. Temos a crise, o Centrão, um vazio que a mim principalmente assusta. Os líderes que se foram não conseguiram formar quem os sucedesse. Resta a nós, nesse momento, escolher o caminho menos pior. Aquele que mostra uma réstia de luz ao fim do túnel. E esse caminho se materializa no não retorno da presidente Dilma Rousseff ao poder. Ao menos para evitar o caos.  

11 de junho de 2016

Metamorfose calhorda ambulante

Em 1996, como ele mesmo fez questão de lembrar no discurso feito na noite de 10 de junho na Avenida Paulista, Lula denunciou "os 300 picaretas do Congresso". De lá para cá muita água passou por debaixo da ponte e a "metamorfose ambulante", como o ex-presidente de definiria um belo dia, acabou sendo amigo fraterno de muitos desses picaretas. Precisava deles para governar o Brasil e como seus atos se confundiam com os dos picaretas, o País passou a não conseguir diferenciar quem eram esses e que eram aqueles (no caso, Lula e seus ministros/amigos mais chegados).
Na noite de 10 de junho Lula retornou ao discurso de 20 anos passados. Disse sobre um caminhão de som durante os protestos petistas contra o presidente interino Michel Temer que os 300 picaretas de antes hoje são talvez muitos mais. Não sei se ele se inclui no rol. Incluo-o eu por minha iniciativa.
Lula não tem pudor. Para ele, o dito ontem não fica registrado. Não nas mentes daqueles que pretende alcançar com seus arroubos de boquirroto irresponsável. Diz, desdiz, acusa, nega, denuncia, recua e, sobretudo, mente. Mente desaforadamente o tempo todo. Tenta de todas as formas construir a cada dia uma "realidade" nova que sirva aos seus interesses. Elas, claro, nada têm em comum. Os interesses, claro, mudam a cada dia passado. Em comum as "realidades" de Lula guardam o fato de não serem reais. Como a vida dele é baseada em ficção política, suas "realidades" também o são.
Lula ameaça ser candidato à presidência da República em 2018. Promessa essa que guarda algum risco. Até lá existe a hipótese de que a "alma viva mais honesta desse País" - mais uma vez como ele próprio se definiu numa entrevista a jornalistas - esteja presa acusada de uma série de crimes. A alma e seu dono. O principal desses crimes, de ter usado a presidência da República para enriquecer desonestamente, enriquecer sua família, seus amigos e um seleto grupo de grandes empresários brasileiros, a maioria dos quais empreiteiros de obras públicas. Para azar de Lula, tanto esses empresários quanto muitos dos mais próximos amigos de governo do início dos anos de ouro do PT, em 2003, estão hoje cumprindo pena por crimes os mais variados possíveis.
Mas esse tipo de coisa não entra na cabeça de Lula. Ou então entra e ele expulsa. No discurso da Paulista (veja a foto que ilustra esse texto) ele não encampou em momento algum as teses atuais da presidente afastada Dilma Rousseff. Falou em respeito aos votos sem tocar no ponto crucial: votos e eleições têm que ser conquistadas dentro da lei. E mais uma vez usou a velha tática do amigo dos pobres, daquele que governa pelos menos favorecidos num instante da vida brasileira em que todos sabem, sobejamente, que Lula governa para si próprio e para os ricos que lhe dão apoio.
"A alma viva mais honesta desse País" é um mito que a realidade vai aos poucos desmontando. E a "metamorfose ambulante" existe. Mas é uma metamorfose calhorda ambulante.        

18 de maio de 2016

Os protestos dos "artistas"!

Brasileiros em Cannes se unem aos protestos para desacreditar o Brasil
Não existem protestos válidos sem causas dignas. E as causas precisam ser sempre, obrigatoriamente, claras. Não luta por nada quem luta apenas por seus interesses particulares, mesquinhos.
Ver pela TV ontem e pelos jornais hoje um grupo de artistas brasileiros protestando em Cannes contra o fim do Ministério da Cultura, o Minc, foi triste. Pessoas ricas, que em alguns casos passaram grande parte dos últimos anos se locupletando de dinheiro público, fizeram uma exibição de falta de respeito para
com seu País em um evento de cunho artístico. E com que finalidade? Apenas e tão somente para desacreditar um governo em exercício e defender um outro, que sofreu impedimento e foi responsável pela maior rapina de que o Brasil já foi vítima em todos os tempos.
Essas pessoas não estão vendo o estado em que se encontra a saúde pública brasileira? Não estão. E não estão porque não dependem do SUS. Quando precisam de assistência médica, utilizam-se de hospitais privados do nível do Albert Einstein ou do Sírio Libanês, os mesmos que atendem ao ex-presidente Lula e à presidente afastada Dilma Rousseff, além de muitos outros apaniguados do poder no Brasil, com o dinheiro do contribuinte sofrido, pobre, sem esperanças.
Essas pessoas não estão vendo o rombo das contas públicas brasileiras provocado pelo governo que eles defendem? Rombo esse que vai desmoronar sobretudo contra as costas dos brasileiros mais pobres, aqueles mesmos que o tal governo dizia criminosamente ser seu representante?
Essas pessoas não estão prestando atenção para o fato de que temos hoje mais de 11 milhões de desempregados no Brasil? Todos sem condições de se sustentar por culpa única e exclusiva desses 13 anos de desmandos do PT e de seus protegidos? Não, mais uma vez não estão.
Essas pessoas não estão vendo que programas ditos sociais como Minha Casa, Minha Vida e Bolsa Família estão insolventes porque foram usados de forma demagógica e desonesta pelos últimos governos para engordar votações em eleições importantes, sobretudo federais? Não estão.
Essas pessoas não estão se preparando para conhecer o rombo do BNDES? Não sabem que Dilma Rousseff deixou a presidência com o Brasil apresentando déficit de cerca de R$ 242 bilhões? Dinheiro que o Tesouro não tem para cobrir, tudo isso por causa de fraudes conhecidas como "pedaladas" e "economia criativa", coisas que em outros países dariam anos e anos de cadeia?
Ora, amigos, não me obriguem a usar o termo artistas como sendo "artistas". Vocês e muitos dos outros que protestam aqui só estão tristes por terem perdido suas "boquinhas". Ouçam aqueles que se envergonham de tais práticas. Ou então recolham-se às suas mansões para chorar as mágoas. Não contribuam para que nossa tragédia como nação seja ainda maior.          

12 de maio de 2016

Tchau, querida. Você mereceu!

Por 55 votos contra 22, em um quorum de 77 senadores, a presidente Dilma Rousseff foi acusada formalmente de crimes de responsabilidade e agora vai ter que responder por uma acusação definitiva. Está afastada de suas funções e corre o grave risco de ter o mandato cassado. É uma situação merecida e fruto de um processo absolutamente legal, acompanhado e validado pelo Supremo Tribunal Federal. Não cabem contestações, portanto. Não houve golpe algum.
De 2003 a 2010 o ex-presidente Lula, por intermédio de expedientes diversos, destruiu o Brasil. Isso foi possível porque ele se aproveitou da situação mundial favorável, da ignorância de grande parcela da população e da boa fé de outras pessoas, além do radicalismo de uns mais, para construir sua base de votos. Chegou a ter mais de 80 por cento de aprovação popular. Mas corrompeu o Parlamento, destruiu empresas públicas, distribuiu dinheiro de grandes empreiteiras corruptas entre aliados, e tudo isso para garantir que o Brasil pudesse ser aparelhado para satisfazer a seus interesses e de sua quadrilha. A Petrobras, antes maior empresa do Brasil, foi jogada à lona.
Dilma Rousseff, maior de seus "postes", assumiu como escolha pessoal de Lula. Conviveu diretamente com ele ao longo de todos os anos que antecederam sua escolha e foi até mesmo Ministra Chefe da Casa Civil. Tinha conhecimento de tudo o que se passava. Ninguém que usa os meios que estou usando é criança para não saber disso. Ela foi e é parte do esquema.
É arrogante. Humilha seus semelhantes. Grita com todo mundo. Está sendo afastada em parte por isso. Mas seus crimes de responsabilidade estão provados. Está provado também que para vencer as eleições de 2014, maquiou as contas públicas e mergulhou o Brasil na maior crise econômica de sua história. Caso não renuncie, e torcemos para que faça isso, será responsabilizada por todos os crimes cometidos. A começar por Pasadena e a terminar pela caixa preta do BNDES. Ainda não se sabe ao certo o montante do buraco aberto contra esse banco. Mas isso há de ser tornado público.
Daqui para a frente resta a nós, brasileiros, acreditar que o governo chefiado pelo vice-presidente Michel Temer será marcado pela lisura. Pela honra. Não, ele não é santo. Mas é o remédio constitucional de agora. O único à mão. Caso não corresponda às expectativas, poderá ser afastado ainda de forma mais dura, mais acachapante. Que não ocorra isso.
Temos como sair da nossa maior crise. Somos grandes e em 2018 poderemos construir um governo de homens e mulheres dignos, capazes de nos resgatar como Nação. Capazes de nos recolocar no cenário mundial como um País de crédito internacional. Honrado e progressista.
Tchau, querida. Você mereceu!              

10 de maio de 2016

Meu Brasil sangra!

Meu Brasil sangra!
Meu País se debate atolado na maior crise de todos os tempos. E enquanto isso acontece, bandidos com mandato lutam para manter privilégios, mamatas e um Estado inchado onde não cabem mais propinas, fisiologismos, formação de quadrilhas e tudo o que possa ser assemelhado a isso. Sim, porque não há mais dinheiro. O Tesouro está vazio. Levaram tudo.
No exterior (vejam a foto de Veja/Abril) os noticiários se avolumam mostrando essa crise muitas vezes com tintas mais negras do que a realidade. Isso interfere nas decisões de órgãos importantes como as agências de classificação de risco, que podem nos rebaixar ainda mais.
Meu Brasil sangra.
E nessa madrugada um bucéfalo entronizado como presidente interino da Câmara Federal revogou uma loucura que havia feito na véspera. Pronto, não está mais valendo a decisão de tentar anular o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas o estrago está feito. O que virá agora saindo das cabeças dos celerados que tentam manter esse cadáver político no poder da República a qualquer custo? Ao custo de gritos e loucuras as mais variadas?
Eles sabem que quando sua defunta presidente cair, cairão todos os privilégios. Têm tudo a perder, quem sabe até mesmo a liberdade, pois adeus foro privilegiado. Cerca de 130 mil cargos comissionados para apaniguados de importância pequena, média ou grande desaparecerão. Os ministérios, segundo anunciado ontem, caem de 41 para 31. Deverá haver redução de gastos da máquina pública, pois nossa dívida interna já ultrapassou 10 por cento do PIB. Viramos uma Grécia!
Mas isso não é nada. Dilma e seus sequazes querem quebrar o Brasil antes. Hoje inauguram bairros do Minha Casa, Minha Vida em lamaçais. Querem dar reajuste de nove por cento ao famigerado Bolsa Família quando contribuintes do INSS, aposentados e pensionistas receberam cinco. E prometem fazer mais do dinheiro já inexistente anunciando obras que não virão.
No Congresso, foi recolocado em pauta um reajuste para o Poder Judiciário. Ministros do Supremo Tribunal Federal podem passar a ganhar R$ 39 mil mensais em vez de 33 mil. Servidores desse poder podem ter reajustes que chegam a 41 por cento. E não há dinheiro no Tesouro. O efeito cascata que essa decisão, se tomada, vai provocar, nos tornará insolventes quase sem remédio.
Meu Brasil sangra!
E esse sangramento já se tornou uma hemorragia que não estão querendo conter. O que as pessoas são capazes de fazer para manter privilégios. Simplesmente quebraram meu País. O que virá agora?  

3 de maio de 2016

Derrubar esse governo não é luta ideológica

Quanto mais o Senado se aproxima do momento de votar a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff, mais crescem os esperneios dos que ainda apoiam seu governo. Dentre eles estão quem se locupleta com a farra do dinheiro público, quem vive de Bolsa Família, acredita no Minha Casa, Minha Vida e outras "crendices" criadas pelo Estado ou então, e isso choca, pessoas inteligentes que conseguem ver no atual momento uma questão ideológica. Uma luta de classes. Um "nós contra eles". Ou coisa parecida. Não se vê na Operação Lava Jato e em todos os fatos que abundam nos dias atuais o que eles realmente são: nossa oportunidade de ouro de combater roubos de dinheiro público, de passar o Brasil a limpo de uma vez por todas.
Finalmente, de construir por cima do que sobrou do nosso País depois da rapina dos últimos 13 anos, uma nação que realmente nos orgulhe. Que nos represente de verdade.
Uma das figuras mais patéticas dos dias atuais é uma senadora da República. Gleisi Hofmann, aquela que promete que "vai ter luta", guarda por debaixo de suas madeixas uma ferocidade inconsequente. E necessária no caso dela, já que tanto ela quanto seu marido podem vir a ser réus em processos da Lava Jato. Não há um pingo sequer de ideologia em seu combate sem quartel contra os que querem ver o final desse governo já findo. Ela luta para sobreviver, apenas isso.
E nem parece ser a figura mais importante, mais "de peso", nesse cipoal de bandidagem em que se transformou os últimos governos brasileiros. Refiro-me especificamente aos do PT. Ela se destaca pela beleza física, pela sobriedade no vestir e falar e pelas inconsequências que é capaz de dizer. Ontem, por exemplo, tentou obrigar uma pessoa convidada a falar aos senadores sobre as pedaladas fiscais da presidente, que queria o impeachment. Que, podendo, votaria pelo impedimento da presidente. O cidadão estava lá apenas para dar qualidade técnica aos argumentos que defendia.
Sabemos todos, pois não somos bobos, que gente desonesta não se restringe ao PT. Eduardo Cunha está aí mesmo para não nos deixar mentir. Renan Calheiros, estrategicamente "esquecido" agora pelos defensores do governo, idem. Mas sabemos todos também que para limpar esse País, estripar de nossas vidas essas quadrilhas organizadas. é preciso começar. E o começo precisa se dar obrigatoriamente pelo topo da pirâmide. É de cima para baixo que se limpa a corrupção de um País.
Portanto, insisto: essa luta não é ideológica. E nem é uma luta contra o "governo dos pobres" porque essa é mais uma mentira criada pelos quadrilheiros para nos anestesiar.  

26 de abril de 2016

O custo não importa mais

Na falta do que fazer, pois não tem o que fazer, o  ex-presidente Lula sobe em palanques e faz ameaças. Não falta do que fazer, pois nada sabe fazer, a presidente Dilma Rousseff reúne claques e grita contra o "golpe". E esses espetáculos de baixa qualidade preenchem o tempo em que vivemos enquanto o Senado se prepara para votar o impeachment da chefe de Estado. Há um clima de litígio no ar e muitos não se incomodam sequer em disfarçar a disposição para brigar além dos limites que a Constituição impõe. No caso do governo, ninguém quer perder milhares de cargos e dinheiro federal.
Ao que tudo indica os setores ligados ao governo se preparam para 180 dias de impedimento que, depois disso, podem ser definitivos ou não. Tem-se a luta no Senado como perdida. E caso isso se concretize, uma coisa é certa: o PT e seus aliados vão tentar não permitir que Michel Temer governe. Vão tentar manter o Brasil parado por meio ano, pois há muito tempo ele não se move. Onde é o fundo do poço que a maioria dos economistas honestos garantem ser mais embaixo?
Onde ficará Dilma se ela sofrer seis meses de impedimento? No Palácio da Alvorada, conspirando? Claro que não pode. E Lula que então não terá de se preocupar em ser mais ministro da Casa Civil? Para onde se deslocará o "foco de resistência" dessa esquerda de araque assaltante de cofres públicos que há 13 anos faz do Brasil um grande butim? Tão grande que não se tem ideia do tamanho.
Como sairá nosso País desses mais seis meses de enfrentamentos? Claro fica que o presidente empossado, Michel Temer, terá todos os poderes constitucionais à mão. E se ele quiser fazer de um semestre um mundo, terá de rebolar. Mudar tudo. A começar por injetar ânimo na economia, desmontar os esquemas petistas que tomam o Brasil todo, em todos os setores, reduzir o "Custo Brasil", os ministérios, os apaniguados de hoje, os párias do poder central. E tudo isso sob fogo.
Quanto resta ao Brasil em termos de capacidade de suportar revezes é o que sempre me vem à mente. Sim, porque a economia está destruída, a Petrobras é uma empresa tecnicamente falida, ainda não se tem noção do tamanho catastrófico dos danos causados ao BNDES, aos fundos de pensões das empresas estatais e a muitos outros setores. Como resistir, como começar a reconstruir a partir do zero tendo que abaixar a cabeça de minuto a minuto para se desviar de projéteis?
Ao afastamento de Dilma, caso se concretize, não se seguirão dias de paz. Muito pelo contrário. Na improvável hipótese de ela continuar, não terá como governar. Desse caos todo emerge, pelo menos para mim, uma única certeza: não há outra saída que não seja enfrentar a situação como está colocada. E torcer para que a Operação lava Jato siga célere na direção em que está, tentando nos ajudar a fazer no Brasil a faxina que deve ser feita. E não importa mais o custo que isso tenha.          

21 de abril de 2016

Dilma surtou!

Dilma Rousseff surtou!
Em 2014 ela cometeu várias "pedaladas fiscais", saques ilegais em bancos públicos sem que houvesse dinheiro no caixa do Tesouro para cobri-los. Voltou a fazer isso em 2015. As primeiras contas foram recusadas pelo Tribunal de Contas da União. As de 2015 devem seguir o mesmo caminho. Isso é considerado crime porque configura empréstimo e penaliza empresas bancárias públicas. E ela cometeu tais atos juntamente com seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, seguidamente. Era ano de eleição e Dilma queria porque queria abastecer programas sociais como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, com intuitos eleitorais. Cometeu crimes de responsabilidade sabendo o que estava fazendo. E agora grita e reitera que está sendo vítima de um golpe.
Ontem o STF, por três de seus ministros, disse claramente que o impeachment é perfeitamente legal. Apenas trata-se de um julgamento político, como acontece em todos os países nesses casos. Mas ela mesmo assim viajou para os Estados Unidos e vai falar na ONU numa reunião onde o tema é clima. Consta que seu discurso fugirá à pauta da reunião para repetir a mesma ladainha. Isso é um crime, pois se trata de viajar com dinheiro público para defender interesses próprios, pessoais.
A TV hoje mostrou as imagens de Dilma entrando no helicóptero da FAB para ir à Base Aérea de Brasília. De carro com batedores a viagem dura 25 minutos. Por via aérea, dez, E para economizar 15 minutos ela gasta pelo menos 20 vezes mais em dinheiro público. Viaja em primeira classe, fica em suítes presidenciais de hotéis cinco estrelas, não poupa cartão corporativo e fala em proveito próprio. Tudo isso gastando irregularmente o nosso dinheiro. Dinheiro do contribuinte.
Dilma Rousseff custa por dia ao Tesouro brasileiro 40 por cento a mais do que a rainha Elizabeth II custa ao erário britânico. Mesmo com a monarca de 90 anos tendo que consumir energias a não mais poder para cumprir cerca de 300 tarefas oficiais/cerimoniais por ano.
Dilma participou do governo Lula, na maior parte do tempo ocupando sala ao lado da do presidente. Durante grande parte desse período, cometeu-se uma infinidade de delitos contra o interesse público. Mas ela alega não ter nada com isso. Alega nada ter feito. Ser ilibada.
Pobre Brasil.
Poderemos ver amanhã, pela primeira vez na história, uma presidente falando na ONU para tentar destruir ética e moralmente seu País por intermédio de mentiras. Mentiras deslavadas, que só mesmo gente incapaz de fazer um mea culpa ou então de mudar procedimentos erráticos é capaz de cometer. O tempo dela chegou ao fim. Caso contrário, estaremos todos na miséria em breve. Somente hoje, como fruto de seus desmandos, mais de 10 milhões de brasileiros não têm do que viver.
Basta!      

19 de abril de 2016

Duas opções para Temer

A presidente Dilma Rousseff que foi à televisão falar de seu impeachment na Câmara dos Deputados não diferenciava da que falou antes em nada. Ou talvez por um detalhe: vestia um sóbrio conjunto azul (foto), o que não é lá muito de seu feitio. No mais, demonstrou a mesma arrogância de sempre. Essa arrogância está sendo sua perdição e é incrível que ela não perceba isso.
Dilma Rousseff foi a pior chefe de Estado que o Brasil já teve. Durante os oito anos de Lula, viu a imensa quantidade de roubos que aconteciam e nada fez. Depois que assumiu a cadeira de seu sucesso no Planalto, continuou fazendo de conta que as falcatruas do governo não aconteciam. Só por isso, ao menos um crime ela cometeu ao longo desses anos todos: conivência. E sua assinatura em documentos da Petrobras, sobretudo na compra da usina de Pasadena, a leva a mais.
A presidente cometeu, sim, crime de responsabilidade. Isso está explícito na Lei. O Executivo não pode tomar empréstimo aos bancos públicos e, em ano de eleição, nem aos bancos privados. Dilma fez isso tudo sabendo que estava errando. Mas insistiu. Agora mesmo, em 2015, continua fazendo as mesmas coisas e suas contas do ano passado deverão ser travadas pelo Tribunal de Contas da União da mesma forma como aconteceu com as de 2014. É um crime continuado.
Sou capaz de apostar que a influência de Lula vem sendo e vai continuar a ser a desgraça da presidente. Ele fez dela o que é. E a gerentona jamais teria sido eleita nada caso não fosse pelo prestígio do ex-presidente, que deixou o poder com mais de 80 por cento de aprovação em 2010. Lula elegeu alguns postes. Dilma foi um deles. Só que ela continuou sendo o que já era na Casa Civil e em outros postos que ocupou: arrogante, grosseira, incompetente, sem capacidade para negociar.
Se cair, e tudo indica que isso vai ocorrer, terá caído por seus deméritos e mais nada.
E Temer, gente? O vice-presidente se sentará na cadeira da gerentona para entrar para a História ou para ser apenas mais um político do PMDB fiel ao fisiologismo de seu partido? Para ele só há essas duas opções. Mais nenhuma. E a goela do PMDB é imensa. Gigantesca. Basta ver algumas biografias, como as de Renan Calheiros e Eduardo Cunha para comprovarmos isso.
Torço, pois amo meu País, para que pela cabeça de Michel Temer esteja passando a vontade, a determinação de entrar para a história. De fazer a diferença domando o PMDB e exigindo dele que o deixe governar um País em frangalhos, caindo aos pedaços, quase falido.
Caso contrário, coitado do Brasil!  

15 de abril de 2016

Continuo o mesmo

Fiz hoje uma coisa que não queria e que a mim causa mal estar: bloqueei no meu Facebook um velho companheiro de jornalismo. Ele foi deselegante e me acusou do que está se tornando moda hoje entre aqueles que defendem o moribundo governo Dilma Rousseff, e que é chamar os adversários de parciais, de fazerem jornalismo por encomenda e de terem abandonado velhas crenças e convicções.
Deixo aqui um registro: sou hoje o mesmo Álvaro que um dia militou no Partidão, com as mesmas crenças políticas, a mesma ideologia e, sobretudo e principalmente, os mesmos princípios: não tolero ladrões. Sobretudo e principalmente os de dinheiro público. Por isso, acho imperativo que o Brasil seja passado a limpo, varrido, faxinado. E isso tem que começar pela cúpula do poder.
Os que quiserem me chamar de coxinha podem fazê-lo à vontade. Não passei a ser um homem de direita, apenas continuo sendo direito. Às vezes na vida é preciso parar, pensar e acusar aqueles que fingiam estar ao lado dos planos de justiça social e de progresso, mas fizeram disso uma cortina de fumaça para poder roubar, engodar seus cofres e os de seus apaniguados. E ainda têm o desplante de se defender acusando terceiros, tentando rotular os adversários e se denominando ou "a alma viva mais honesta desse País" ou então "ilibada". Esse tipo de coisa é mais do que suspeita.
O Brasil vive um momento de crise muito aguda. O País foi roubado. Assaltado. Dilapidado. Ontem mesmo ficamos sabendo do total do rombo dos fundos de pensões das grandes estatais. São bilhões de reais. E o desvio vem de 2003 a 2015. Quem estava no poder nesse período? Os mesmos do mensalão, do petrolão, da destruição da Petrobras, dos desmandos da Eletrobrás, do BNDES (nesse caso a gente ainda nem conhece direito o montante do butim). Os mesmos que nunca sabem de nada, que não conhecem ninguém, que abandonam seus capangas à própria sorte para tentar sobreviver escondendo-se nos chiqueiros onde vivem, entre os montes de lavagem. Os mesmos que tremem de medo toda a vez que o nome Celso Daniel é pronunciado em qualquer lugar ou circunstância.
Virou moda acusar aqueles que lutam contra o governo federal de estar ao lado, "da Globo, de Veja, de Época, de IstoÉ, da imprensa golpista em geral, inclusive de Vitória". Tem muito mais gente honesta nesses meios de Comunicação do que entre aqueles que batem no peito arrotando virtudes que não existem e proclamando a valentia dos covardes. Cegueira política é um mal que não tem cura. E esquerdismo tardio, sem base alguma, algo que pode ser manipulado por malandros.
Votei em Lula em 2002. Tinha esperança de que velhos militantes de esquerda fossem capazes de, dentro da legalidade, lutar pela construção de uma sociedade mais justa. Enganei-me. Havia ajudado a eleger uma quadrilha de bandidos sem princípios. E formada até por gente que no passado lutou nas ruas, foi presa política e exilada. Onde esses canalhas jogaram seus ideais?
Eu, de minha parte, continuo o mesmo.  

11 de abril de 2016

Casa de Tolerância Golden Tulip

Um hotel cinco estrelas, que funciona como casa de tolerância, mostra ao Brasil até onde a classe política pode chegar em termos de promiscuidade. Para salvar o mandato da presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula se encastelou no Hotel Golden Tulip, em Brasília. É seu bunker. Perto dali, no Palácio da Alvorada, bunker dela (vejam na foto as duas localizações), a presidente Dilma aceita que tudo seja negociado. O ex-presidente pergunta a um seu interlocutor: "Do que você precisa para ficar conosco?" O corruto, digo, interlocutor dá o preço e o negócio é fechado. Mas nomeações só saem depois da votação do impeachment. negócio entre essa gente é assim. Lula e Dilma trocam telefonemas, impressões, acordos e acertos o dia todo, sem parar. E tudo o que é acertado leva nosso dinheiro de contribuinte brasileiro, a vítima de todos os esquemas de corrupção.
A presidente "ilibada" sabia desde o início que suas campanhas políticas eram abastecidas com dinheiro de propina. Delações premiadas com status de prova mostram isso. Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, está contando tudo. Só das obras da Usina de Belo Monte saíram R$ 150 milhões em propina e grande parte desse valor abasteceu, travestido de doações legais, as campanhas do PT de 2010 e 1014. A candidata Dilma, a mesma que aprovou a compra da sucateada refinaria de Pasadena, em sua infeliz passagem pela Petrobras, sabia de tudo.
Hoje, enquanto na Câmara dos Deputados vota-se a aprovação ou não do relatório que pede a cassação de Dilma, no quarto prostíbulo do Golden Tulip o ex-presidente Lula continua a receber seus convidados. "O que você quer?", pergunta ele. E o consultado responde. Numa época em que a Saúde está à hora da morte, com casos de gripe H1N1 espoucando por todos os lugares, o Ministério da Saúde pode cair em mãos ineptas ou desonestas. E ao mesmo tempo em que os estudantes de todo o Brasil não têm escolas que prestem, o mesmo vai acontecer com o Ministério da Educação.
Eis o tamanho da tragédia brasileira.
E ela é maior ainda porque o vice-presidente Michel Temer pode chegar ao poder sem apoio popular algum. E se ele também for cassado, as opções seguinte são todas da pior espécie que se pode imaginar. Mas não há saída: só se começa uma faxina tirando do poder os chefes das quadrilhas. Aqueles que transformaram a corrupção em projeto de Estado. Os que assumiram o poder não com planos de governo, mas sim com ambições de pessoais. E na vontade de chegar sem nunca mais sair vieram o Mensalão, o Petrolão e todas as demais formas de corrupção.
Como essa que acontece agora, à luz do dia, no Hotel Golden Tulip.    

3 de abril de 2016

Um museu corre risco no Espírito Santo

Na entrada, o Museu Mello Leitão convida o visitante...
Era assim: na portaria bem cuidada pagava-se R$ 2,00 por pessoa para ingressar. Podia-se ficar o tempo que se quisesse. Uma lanchonete tem montada vendia não apenas lanches mas também recordações que podiam ser camisetas e outras coisas. Não raro alguém da administração auxiliava os visitantes com informações. E havia diversos tipos de atrativos, inclusive um filme rápido e que era exibido ao público contando a história do museu. Hoje tudo mudou.
O Museu de Biologia Professor Mello Leitão, que fica no Centro de Santa Teresa, região serrana do Espírito Santo, é público federal e subordinado ao Instituto Brasileiro de Museus e Instituto Nacional da Mata Atlântica. Foi fundado em 1949 pelo naturalista Augusto Ruschi e seu nome homenageia um importante pesquisador. O que aconteceu com ele? Depois de muito tempo passou ao controle federal. A cobrança de ingressos foi abolida. E com a crise atual e o contingenciamento de verbas públicas, aos poucos a penúria vai chegando à instituição que é motivo de orgulho para os capixabas.
Falar sobre isso, só em off. Mesmo assim com cuidado. Os que aceitam admitir as dificuldades dizem que foi um erro a abolição da cobrança de ingressos. Eles não mantinham a instituição mas ajudavam. Agora o museu depende em tudo do governo federal. Na hora em que as verbas cessarem - e alguns acham isso possível - ele vai fechar. A Prefeitura de Santa Teresa não tem como manter. E nem quer.
Fala-se com cuidado por um motivo simples: o temor é de que críticas façam com que o governo federal abdique do Mello Leitão: "Estão insatisfeitos? Então fiquem com ele". Salvar a instituição teria de passar pela volta das cobranças de ingressos, talvez mais caros, e pelo encontro de patrocinadores. Coisa difícil em tempos de crise. Teme-se mais: que o governo federal use as críticas para deixar o museu de lado dizendo que agora os pobres não vão mais poder ter acesso a ele.
...mas os sinais de abandono já são bastante claros
Sim, o Mello Leitão recebe, durante as semanas, excursões de estudantes vindos de todos os lugares. Isso sempre houve e sem cobrança, Mas sobretudo nos sábados e domingos as visitas são avulsas. Até algum tempo atrás, pagas. Foi dessa verba que se abriu mão. E em praticamente todo o mundo, paga-se para visitar museus. Senão, como manter as estruturas?
O Mello Leitão ainda tem atrativos. Mas os macacos foram embora. Recentemente foi fechado o espaço dos jabutis. Nas áreas de visitas é fácil notar que os cuidados diminuíram. A  lanchonete está mal cuidada e às vezes não abre. Não se vende mais lembranças. Também diminuiu o número e a diversidade de animais do acervo. Em off as pessoas falam que falta dinheiro e que esse assunto se tornou tabu. Até as redes sociais estão bloqueadas no local. Oficialmente, para evitar que os funcionários se distraiam ao trabalho. Mas não é verdade, os teresenses sabem disso.
A verdade é que a instituição que tem por objetivo coletar, estudar, preservar e expor exemplares de plantas e animais, sobretudo da Mata Atlântica, está em perigo. Seu acervo não é mais de 40 mil exemplares como prega o site. E as estações biológicas de Santa Lúcia e Caixa d'Água também correm risco. Ninguém fala abertamente sobre isso por enquanto. Mas logo todos terão que falar.              

1 de abril de 2016

Um tiro na mosca!


Vejam como um ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso (foto), sem saber que estava sendo gravado, deu um tiro na mosca. Colocou a nu todos os maiores problemas de nossa política. Falava informalmente, não sabia que havia um sistema interno de gravação, e mandou bala.
Disse ele despreocupadamente à plateia acadêmica: "A política morreu, porque nós temos um sistema político que não tem um mínimo de legitimidade democrática. O sistema deu uma centralidade imensa ao dinheiro e à necessidade de financiamento, e se tornou um espaço de corrupção generalizada. Estou falando aqui, em um ambiente acadêmico, como se eu estivesse com meus alunos. Quando anteontem o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e disse: 'Meu Deus do céu, essa é a nossa alternativa de poder'. Não vou fulanizar. Quem viu a foto, sabe do que eu estou falando. Portanto, o problema da política nesse momento é a falta de alternativa. Não tem pra onde correr. Isso é um desastre"'.
O ministro tem razão. Carradas de razão. O vice-presidente que agora pode assumir o poder com o impeachment da presidente Dilma Rousseff é o seu vice. Até a semana passada, chamado de parceiro, de companheiro, de outros adjetivos bondosos. Deu o fora e agora é bandido. E no dia de hoje, no desespero para não perder o mandato, a presidente do PT tenta cooptar para perto de si todos os bandidos disponíveis. Aqueles que se vendem a preço de ocasião, trocando apoios em momentos críticos por cargos onde possam roubar. Ou trocando por dinheiro mesmo. Como aconteceu no Mensalão, Como jamais deixou de acontecer na política brasileira. Desgraçadamente.
Sempre houve promiscuidade na política brasileira no trato com o dinheiro público. Mas foi de 2003 para cá que a prática se tornou política de Estado. Lula mandou que todos os à venda fossem comprados. Ele queria fazer passar o projeto do PT, que jamais foi um projeto de governo mas sim de poder. Dos que se faz para que esse poder seja mantido indefinidamente. Sim, porque para o PT não deve haver alternância, como pregam as boas prática democráticas. Deve haver uma administração que dure para sempre, que jamais interrompa sua atuação, mesmo trocado de chefe. Afinal, não se vai instrumentalizar o Estado, não se vai tomar de assalto todos os cargos públicos para abandonar o butim depois. Os "cumpanheiros" têm que ter como ganhar a vida trabalhando pouco ou quase nada.
A constatação do ministro Barroso é de todas as mentes lúcidas do Brasil. E por isso é preciso começar a passar a limpo esse País. De preferência de cima para baixo, aprovando o impeachment da presidente. E esse será apenas o primeiro de muitos outros passos.
      





31 de março de 2016

Vamos começar a faxina agora!

Só se limpa o que está sujo começando a faxina pela sujeira mais em evidência. Depois, aos poucos, com cuidado, vai-se limpando o resto. Caso contrário a sujeira fica e aumenta.
Hoje, a maior "preocupação" dos que defendem com unhas, dentes e irracionalidade política o governo Dilma Rousseff é dizer que se a presidente for afastada, Michel Temer assumirá. Ou então Eduardo Cunha. Ou então Renan Calheiros (que é aliado deles até prova em contrário). Ou então qualquer um. E eles perguntam: "Você quer isso?". Se minha parte, agora quero sim. Estou há anos luz de distância de considerar qualquer dessas pessoas moralmente apta para assumir a presidência da República. Mas ou nós começamos a limpar o Brasil agora ou isso nunca será feito. E, no momento, os crimes de responsabilidade foram descobertos no atual governo. São ônus da Chefe de Estado. O responsável é sempre aquele que está à frente do governo. Ao seu comando.
Dilma Rousseff cometeu ou permitiu que se cometesse, o que hoje dá no mesmo, vários crimes de responsabilidade. Tirou dinheiro de empresas bancárias públicas para aplicar em programas sociais durante uma campanha eleitoral com interesse em obter votos na eleições. Isso é ilegal. E ela recentemente teve que repor esse dinheiro. Maquiou contas públicas para dar aos brasileiros a falsa intenção de que estaríamos tendo superavit quando o navio estava naufragando. A intenção era enganar para ganhar as eleições. Isso é ilegal, aético e amoral. E foi feito. Cometeu outros crimes denunciados pelo senador Delcídio do Amaral em sua delação premiada e as conversas dela com o ex-presidente Lula, divulgadas com autorização judicial, são um escárnio. Só mesmo cegos pelo PT podem acreditar que a intenção não era a de "blindar" Lula. Afastá-lo da Operação Lava Jato.
Há base jurídica de sobra para o impeachment. Acusar o procedimento de golpe é uma espécie de defesa cega do indefensável. O que se faz quando não há mais argumentos a expor.
A limpeza do Brasil tem que começar pelo Executivo ou não começará nunca. Depois do afastamento de Dilma, ela não deve parar. Deve ir até o fim.  Há nesse País hábitos políticos que tornam as relações de poder de uma promiscuidade absurda. Sempre com prejuízo para o erário. Ou isso será erradicado agora ou não se erradicará nunca mais. Agora mesmo esse governo ética e moralmente morto está trocando apoios por cargos sem preocupação alguma com a defesa do dinheiro público. Não tenho a menor dúvida: muitos dos que ganharão "agrados", entrarão no governo para roubar.
Temos compromissos para com o futuro do Brasil. Desse Brasil que ficará para nossos descendentes.  

27 de março de 2016

Quem realmente destrói a democracia

Conversei muito com um amigo ontem, sábado. Ele é funcionário concursado da Petrobras e está, da mesma forma que milhares de outros empregados da estatal, preocupado. Aqui no Espírito Santo as demissões estão acontecendo, inclusive entre os concursados. Setores estão sendo ou vão ser fechados e muita gente terá de aceitar transferências - para Macaé, por exemplo - para fugir ao cepo. "Destruíram a credibilidade da minha empresa - disse ele -. Ninguém mais negocia com a Petrobras. Ninguém mais acredita em que a gente consiga se recuperar. A não ser, claro, com dinheiro do governo. E isso significa dizer com dinheiro do contribuinte brasileiro. Como eu e você".

Eis aí um ataque à democracia. Perpetrado desde 2003 pelos governantes que chegaram ao poder como representantes do PT e promoveram nesse País o mais assalto da história. O butim foi tão grande que uma única Lava Jato não será capaz de mensura-lo com exatidão.
Sigo pelas redes sociais as manifestações daqueles que ainda defendem o governo. Em momento algum tocam na casca da ferida. Apenas divulgam que Aécio Neves foi acusado disso ou daquilo, que Míriam Dutra acusa FHC de ter pago pensão de alimentos com dinheiro de procedência duvidosa. Tenho saudades, como muitos, dos "escândalos" passados. De presidente ao lado de mulher sem calcinha em camarote de desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro. Eram coisas de seminaristas rebeldes diante do que acontece agora num Brasil tomados pelas prostitutas do poder.
Há, sim, base legal para o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a pior da história brasileira. As chamadas "pedaladas fiscais" foram criminosas e envolveram instituições financeiras públicas. Também há casos comprovados de obstrução da Justiça. E ainda nem se falou do que já há mais do que indícios acumulados, da entrada de dinheiro sujo na campanha presidencial de 2014. Os mantras dos defensores da Rousseff, "não vai ter golpe" e "não passarão" têm apelos paupérrimos. No caso do primeiro, se houver impeachment dentro da lei isso não será golpe. E traçar algum paralelo entre o Brasil de hoje e episódios da Guerra Civil Espanhola é caso de camisa de força.
Os que defendem o roubo, o escárnio e a destruição da economia brasileira, tentando jogar pás de cal sobre o monte de estrume já revelado, esses sim atentam contra a democracia. Além de não reconhecerem que o atual governo patrocinou e patrocina o maior assalto aos bens públicos da história brasileira, ainda tentam abafar os escândalos evocando fatos passados e acusações contra alguns dos que lutam contra o governo. Por que o PT chama Eduardo Cunha de criminoso? Porque ele está do lado de lá. Se estivesse de braços dados com Dilma e Lula seria um anjo injustiçado.
Senhores apoiadores do PT e dos governos que se sucederam desde 2003, os senhores destruíram a Petrobras. Não será necessário mais nada para que esse País amaldiçoe o dia em que vocês se elegeram, tomaram o poder e consideraram o Brasil como um feudo de seus interesses mesquinhos.      

22 de março de 2016

Das fantasias restam as máscaras.


No carnaval as pessoas se vestem com fantasias. Homens podem usar roupas de mulheres, de Superman, etc. E as mulheres também. Nos desfiles de escola de samba, então, o céu é o limite. No caso dos militantes do PT, o carnaval começa em 1º de janeiro e termina em 31 de dezembro. Todos fantasiados, eles passam o ano inteiro travestidos do que não são. Agora a moda é usar a roupa de "defensor do estado democrático de direito". A maioria não sabe o que é isso. Mas não importa.
O agravamento da crise institucional brasileira fez com que cada um deles, juntamente com militantes do PCdoB, CUT e outras organizações, passassem a bradar de manhã, à tarde e à noite o mantra escolhido para esses tempos: "Não vai ter golpe!". Claro que não. O impeachment é previsto na Constituição e só possível seguidos todos os ritos legais. O que está sendo feito. Mas como "estado democrático de direito", essa coisa desconhecida, pode ser interpretada a bel prazer, a palavra "golpe", que significa uma ruptura da normalidade constitucional pela força, se torna também uma palavra fantasiosa na boca de cada um deles e do agrado dos que ainda detêm o poder.
A situação conseguiu inflamar até o presidente boliviano Evo Morales, que ameaçou ir à Unasul denunciar o "golpe" no Brasil. E invadir nosso País. Não sei se ele bebe tanto quanto Lula, mas que deve beber um bocado, deve. E eu ainda pensava que Morales fosse um índio bom...
Lula, no desespero, perdeu o rumo. Agora ele cultiva a mentira como uma planta preciosa. Brada contra as instituições como se todas as leis pudessem e tivessem de ser mudadas para salvar o seu pescoço e os dos que estão no seu entorno. Urra que nunca houve roubos no país da alma viva mais honesta que existe. Xinga, é jocoso, faz ameaças, tenta confrontar os poderes da República e age como agia um determinado personagem da história que infelicitou a Alemanha. A receita é a mesma. Ele deve ter se inspirado nesse torpe indivíduo. Afinal, politicamente não é nada.
O governo brasileiro vive hoje sua fase de esperneio. De busca por um escaler. À medida em que o castelo de cartas desmorona, mas ele grita, mais urra. Mais acusa, ataca, ameaça.
Já faz um bom tempo que a senhora Dilma Rousseff não tem condições de governar o Brasil. Agora, depois dos últimos episódios, nem éticas ou morais. Lula, após de ser um dos políticos de maior prestígio da história brasileira, vai acabar como um pobre diabo desonesto. Provavelmente condenado. Não poderá reclamar; foi ele quem escolheu seu caminho. Da fantasia original do Chefe de Estado resta a máscara. E ela aos poucos desaba junto à de Dilma et caterva.
São escolhas, fazer o quê?      

15 de março de 2016

Chega. Ministério não é coito de bandido!

Quem viveu até ingressar no que tecnicamente se chama de terceira idade, já viu de quase tudo no Brasil, Mas ministério servir de coito de bandido é inédito! Nunca imaginei que a degradação ética e moral de nossa política, em todos os níveis, fosse chegar a esse rés do chão de fronteira com o vaso sanitário. Se nada for feito o nosso País, coitado, estará acabado.
Conversei hoje durante meia hora com uma pessoa conhecida que chegava de giro pelos Estados Unidos e alguns países da Europa. Notícias do Brasil no exterior, de uns tempos para cá, somente sobre escândalos. Os norte-americanos e europeus não conseguem entender como um País se atolada tanto no lodaçal da corrupção e do comportamento hipócrita, amoral, irresponsável.
O ex-presidente Lula faz exigências para assumir um ministério. Quer a mudança radical da política econômica do Brasil falido para torna-lo de todo inviável. O PT não consegue enxergar a necessidade de mudanças estruturais que devem passar, obrigatoriamente, por um freio nas tais "políticas sociais" que na verdade sempre foram, são e serão, se nada for feito, um enorme sistema de captação de apoio popular via sobretudo e principalmente o Bolsa Família. E pouca gente tem coragem cívica de dizer que esse programa pode até ter pendor para a inclusão social, mas existe apenas e tão somente para tirar votos dos pobres por intermédio de mentiras e demagogia.
A Operação Lava Jato já conta com toneladas de provas de corrupção contra os governos que se sucedem no poder desde 2003. Agora vem a delação premiada do senador Delcídio do Amaral, um político da alta cúpula do poder desmascarado quando tentava dar fuga a um preso acusado de ter roubado milhões de reais (ou dólares) da Petrobras.
O ex-presidente que se pretende proteger escondia em cofres do Banco do Brasil e em outros lugares uma enormidade de presentes riquíssimos ganhos durante seus governos - que pela lei pertencem à União - e, pasmem, peças que faziam parte dos acervos dos palácios do Planalto, Alvorada e Granja do Torto. Não há limites para esse homem e seus familiares.
É triste, é muito triste ver no que o Brasil está se transformando. Ainda mais porque ainda existe uma parcela da população, felizmente minoritária, que apoia esse ex-presidente e seus asseclas.
A esperança é que o Brasil que pensa tenha visto com atenção as manifestações do último domingo. E que sobretudo o Judiciário entenda que basta, que chega de tanta patifaria. Ou então esse governo defunto só vai acabar depois de matar nosso País também.

10 de março de 2016

O ovo da jararaca

Promiscuidade.
Eis o termo correto para classificar como se processam as relações entre os poderes Executivo e Legislativo desde talvez os tempos de Império. E também porque Luís Inácio Lula da Silva foi o único dentre todos os presidentes brasileiros a elevar essa falta de pudor, de ética, de moral e honestidade em política de governo e de Estado. Ele, muito mais do que todos os demais, não separa em nada o público do privado. Ao contrário, faz do público um privado seu, particular.
Em 2010 mesmo várias emissoras de TV, jornais e internet mostraram o desfilar de veículos de mudança tirando dos palácios do Planalto, Alvorada e da Granja do Torno a mudança da família Lula da Silva. Na época cheguei a me perguntar se aquela mudança não envolveria itens inúmeros que não pertenceriam à família do ex-presidente, mesmo se a gente se lembrar que ele foi sempre muito presenteado enquanto esteve no poder e usou sua aura de quase santidade.
Escrevi algumas cartas de sugestão de pauta para grandes meios de Comunicação dizendo que aquilo deveria ser investigado, mas fui solenemente ignorado. Quem teria coragem para atacar Lula com 87 por cento de aprovação popular ao fim do segundo mandato? A mudança saiu...e sumiu.
No Brasil os agentes públicos sempre tiveram vocação para se apropriar ou aproveitar de bens públicos. Grandes empresas dependiam e dependem de verbas públicas. Como as de Comunicação, por exemplo. O império da Globo foi construído à custa do apoio incondicional à ditadura militar. A Rede Gazeta saiu de um jornaleco para se tornar o que é da mesma forma. E ainda hoje empresas de Comunicação usam de pressão para obter publicidade oficial. Em troca de alguns silêncios.
Quando Lula assumiu a presidência ele já conhecia todo o jogo. O esquema. Havia estado no Congresso. Havia se relacionado com políticos e empresários de diversos tipos. Havia testemunhado acordos espúrios os mais variados em diversas ocasiões. Já no Palácio do Planalto, resolveu que não apenas o PT tinha um programa de poder (e não de governo) como também que todos os frutos diretos ou indiretos de sua administração seriam dele. Seriam "privatizados".
Por isso vieram o mensalão e o petrolão que são no fundo a mesma coisa. Lula não teve escrúpulos para mandar comprar, no Congresso, todos aqueles que poderiam ser cooptados por dinheiro para concretizar a política de poder do PT. O Congresso, é claro, fez o mesmo em sentido inverso.
E como era necessário perpetuar os governos petistas, tudo o que podia ser controlado na esfera pública o foi. Daí as mais de 150 mil nomeações que começaram em 2003 e crescem até hoje, o que torna impossível sanear as contas públicas. Ao menos impossível a esse governo.
O que vai acontecer daqui para a frente? Difícil imaginar. Mas Lula continuará a ser o mesmo. Quando ele ocupou a presidência, o ovo da serpente já estava pronto para eclodir. Ocupou-se dele. Portanto, se intitular jararaca não é surpresa. É isso mesmo o que ele julga ser.