19 de março de 2026

Presidiário em campanha

Quantos presos no Brasil podem dispor de mais de 70 metros quadrados para usufruir deles durante sua estada na prisão (veja na foto)? Quantos têm assistência médica total 24 horas? Quantos recebem todo santo dia a comidinha especial feita em casa? Quantos dispõem de ambulância à porta para encaminhamento ao hospital no caso de necessidade? Quantos podem fazer seguidos pedidos de prisão domiciliar humanitária quase todo dia depois de terem tentado romper tornozeleira eletrônica e passado uma vida inteira debochando de direitos humanos até atentarem contra o Estado Democrático e de Direito num arrebatamento insano de tentativa de golpe de Estado? Ao que parace, só uma pessoa da Papudinha.

Jair Bolsonaro quer voltar à casa que ocupa num condomínio de Brasília para transformá-la mais uma vez num comitê eleitoral. Comitê de campanha. Mas ele é preso condenado a 27 anos e três meses de prisão em processos nos quais teve ampla oportunidade de defesa. O que uma pessoa assim perde? Ela tem cassado seu direito à liberdade caso a pena defina a privação desse direito, não pode assumir cargo público, pode ser obrigada a reparar danos causados pelos crimes e, nesse seu caso, principalmente fica sem os direitos políticos, não pode votar e nem ser votado. Esqueceram de dizer isso a esse preso?

O ex-presidente do Brasil jamais aceitou sua situação. Mesmo com uma carrada de provas contra ele, proclama aos quatro ventos uma inocência tão real quanto a Branca de Neve. Esse discurso é o oficial, usado por todo seu entorno e alimenta o bolsonarismo raiz, aquele formado por gente sem capacidade cognitiva quase nenhuma e capaz de, dentre outras coisas, acreditar que o Brasil é hoje governado por uma espécie de clone do presidente Lula, já morto desde sabe-se lá quando e substituido no comando do País por "n" pessoas.

A República brasileira começou em 1889 por um golpe de Estado. Ao longo de quase 137 anos, coexistiu com uma série de aquarteladas e golpes que se sucederam sem que a sociedade fosse capaz de se proteger contra o mal. De se vacinar... Na última vez, tivemos 21 anos de ruptura do Estado Democrático e de Direito, o que aconteceu entre 1964 e 1985. O presidente hoje preso é um saudoso dessa ditadura, apoiador daqueles que foram seus inspiradores, devoto de torturadores como Brilhante Ustra e autor de uma série quase interminável de disparates como "eu não sou coveiro", "e daí?, todo mundo vai morrer um dia" e outros mais como o inacreditável "não te estupro porque você não merece!"

Agora que ele mais uma vez apresenta problemas de saúde (?), uma parcela considerável da sociedade, grandes meios de Comunicação à frente, defendem que seja removido do apartamento da Papudinha - sim, aquilo não é uma cela! - para o conforto da casa de dois andares onde passava os dias com tudo pago pelo PL e outros meios de manutenção, dos quais os menos usados eram suas aposentadorias obtidas na bacia das almas. E sobretudo para voltar a conspirar com desenvoltura. Bolsonaro não tem correção: é golpista, seus filhos também, uma boa parcela dos que o seguem são inimigos declarados da democracia e estamos correndo um risco de, refiro-me sobretudo ao Supremo Tribunal Federal, entregar novos meios e modos de alimentar essa serpente em direção ao caos que ela representa.

"Cria cuervos y te sacarán los ojos"

16 de março de 2026

Caso de identidade

Quando eu era pequeno, ia muito a cinema, coisa que faço até hoje. Num deles então existente da Avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci em São Paulo, gostava de ver os filmes de bangbang, que eram muitos e passavam todos os dias. Ficava triste porque os índios perdiam todas as batalhas, até que um dia papai me disse: "É da cultura deles, filho. O índio e o assaltante de bancos são os bandidos dos filmes". Então entendi porque a maioria se identificava tanto com as histórias de mocinho e bandido.

Um dia meu pai foi comprar munição para uma espingarda de caça dele numa loja de Campos dos Goytacazes porque iriam, ele e seu cunhado Antônio caçar marrecas nas barrancas do Rio Paraíba do Sul, perto de Atafona. Eu não iria com eles para não ver os bichos serem mortos e provoquei uma gargalhada geral na loja de armas ao questionar se lá eram vendidos "revólveres de mocinho". "Como são esses?", perguntou o comerciante. Expliquei: "Eles só ficam sem balas depois que os xerifes se escondem atrás das pedras. Os dos índios e dos bandidos nunca acertam o alvo e falham porque as balas mascam depois do segundo tiro..."

"Um batalha após a outra", o grande campeão do Oscar 2026 - seis estatuetas - é o retrato da cultura dos Estados Unidos. Um belo filme, com um Leonardo DiCaprio marcando presença (foto), mas apenas isso. Só que ele é a identidade do cinema daquele país. É a cara da cultura norte-americana e quem escolhe os campeões de qualidade em Hollywood são todos de lá. Identificam-se com os mocinhos de seus filmes. "O agente secreto", lindíssimo e com uma aula de interpretação de Wagner Moura é a cara do Brasil, um retrato de nossos valores, uma reconstituição de parte da história brasileira mais recente e seria mesmo muito difícil ficar com o maior de todos os prêmios nas terras de Tio Sam.

2025 foi ano de belos filmes. Como "Hamnet: A vida antes de Hamlet", que premiou Jessie Buckley como melhor atriz no papel de Anne Hathaway, a mulher do bardo William Shakespeare. Não poderia ter sido escolhida outra. "Valor Sentimental", mais uma bela obra, acabou premiado porque não poderia ficar de fora. "Marty Supreme" e "Pecadores", que não vi, também foram reconhecidos. Faltou premiar "Sonhos de trem", um drama humano belíssimo e que tinha um brasileiro como autor da fotografia. Enfim, não se pode exigir muito no mundo do cinema. Nem que a grandeza de "Foi apenas um acidente" terminasse reconhecida, isso para não termos que falar de todos, como também de "Frankenstein".

Como no ano passado com "Ainda Estou Aqui" o Brasil mostrou que estamos num momento mágico de nosso cinema, o que não seria possível num governo de extrema direita. Hoje mesmo muita gente minúscula comemorou o fato de "O Agente Secreto" não ter ganho ao menos um Oscar, mas todos sabemos que ele é o grande vencedor e vai ser lembrado como alguma de nossas melhores produções, como foi o caso de "Eles Não Usam Black Tie", que nada ganhou além de muito respeito por ter sido um enfrentamento à ditadura militar.

O Brasil é pródigo em bons atores e atrizes, diretores talentosos e autores com belas histórias. Uma delas foi "Marighela", de 2019, que marcou a estréia de Wagner Moura como diretor e contou com uma atuação maiúscula de Seu Jorge vivendo o personagem principal. Esse filme talvez nunca entrasse em circuito nacional se o hoje presidiário Bolsonaro ainda fosse presidente, porque todos os boicotes foram feitos para impedir a exibição desse trabalho. Não passa e não passará pelas cabeças das pesssoas muito pequenas, sobretudo ética e moralmente, que o cinema é antes de tudo uma expressão artística e não existe arte dissociada de seu caráter social, político e também ideológico.         

Definitivamente, o Brasil leva jeito...             

 

11 de março de 2026

A Justiça e o Estado de Direito

O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se alvo preferido dos ataques mais solertes da extrema direita política do Brasil, e não por suas falhas e erros que evidentemente existem, e muitos, mas sim por seus méritos inequívocos, sobretudo e principalmente na defesa intransigente da democracia brasileira. Isso o extremismo brasileiro não aceita de forma alguma. Para eles, muito melhor do que o Estado Democrático e de Direito é ver porta-aviões dos Estados Unidos no Lago Paranoá, em Brasília, sonho dourado de Flávio Bolsonaro, a cópia do pai preso e feita em papel carbono retocado desse criminoso, inelegível e genocida.

Devemos reconhecer: a extrema direita política brasileira não aceita o STF porque não se vê nele.

Ela foi apoiadora do golpe Estado de 1° de abril de 1964, guerreou pela manutenção deste e estava em campo oposto ao das forças democráticas que lutaram durante 21 anos pela volta da democracia representativa ao Brasil, em 1985. De lá para cá sempre tentou solapar as instituições civis brasileiras que se reconhecem ao olhar no espelho do Brasil de hoje. Por isso estava acampada diante de quartéis durante a tentativa de golpe de Estado de 08 de janeiro de 2023 e consegue ver no seu país de hoje uma ditadura. Mas muito diferente daquela que apoiara num passado recente, para prender ilegalmente, torturar e matar.

Hannah Arendt, filósofa alemã que marcou época no pensamento mundial com a criação do conceito de "banalidade do mal" ao escrever "Eichmann Em Jerusalém" e onde disseca a personalidade de Adolf Heichmann, disse certa feita que "a essência dos Direitos Humanos é direito a ter direitos". Ora, sempre que um regime ditatorial ocupa o poder em qualquer parte do mundo, a primeira coisa que ele faz é retirar dos cidadãos seus direitos mais elementares. Isso aconteceu no nazismo que a judia Arendt estudou tão bem através da personalidade de criminosos de guerra. Acontece ao longo dos tempos, como agora no Brasil quando os saudosos do nazifascismo tentam reviver os períodos mais sombrios da história brasileira.

O STF é alvo porque representa a democracia que só pode ser questionada pela maioria da população via eleições e/ou plesbicito. Como o extremismo de direita teme esse tipo de processo de consulta popular, tenta obter o poder através da força. Tem hoje no psicopata Donald Trump um aliado fundamental que usa o fascismo político como arma para conseguir ocupar corações e mentes. A direita brasileira vê nele um aliado e pode querer usá-lo como trampolim para que um novo Bolsonaro ocupe o poder. Mas esse sujeito, o ianque, vê apenas dinheiro diante de si. No nosso caso, principalmente minerais raros que  pretende tomar, se preciso à força, usando o artifício de "narcoterrorismo" para tanto.

O Supremo não é perfeito. Composto por seres humanos, carrega em si os defeitos de todos nós, ainda mais porque alguns ministros têm tido pouco cuidado e permitido que interesses privados se confundam com o público prevalecente acima de tudo. Graças a isso tornam-se alvo do oportunismo político de quem não se vê nele. O momento brasileiro atual reflete isso: centenas de vigaristas de mandato investem contra os organismos superiores da Justiça para atacar. Dessa forma pretendem atingir todas as instâncias do poder constituído e abrir caminho para seu discurso eleitoral maquiado e diredionado a destruir o Estado de Direito.

A imprensa, dolosa e culposamente colabora com isso. Uma jornalista de O Globo, Malu Gaspar, tem se dedicado a acusar o STF. Não teria problema se ela não fosse uma lavajatista conhecida e que se deixou fotografar diante de um Sérgio Moro em pose de majestade quando ele ainda era respeitado. Sua blusa laranja na foto acima destaca-se no grupo e a coloca em situação de dúvida. A mesma que tenta jogar agora contra ministros do Supremo. Por isso, no exercício da denúncia o jornalista tem que ser homeopático nos offs e, ao mesmo tempo, abusar de fontes identificadas ou situações concretas, paupáveis. Malu, profissinal talvez digna, deveria saber disso e ter esse cuidado para não deixar a posição de pedra e se tornar vidraça.

Estamos em tempos difíceis. Enquanto no Brasil a maior corte de Justiça, da qual o país não pode abrir mão por tudo o que ela representa, é alvo de tiroteio intenso, uma parcela grande, imensa mesmo do espectro político nacional defende com unhas e dentes um recuo ao autoritarismo na calda de cometa do presidente norte-americano capaz de tudo para obter seus objetivos. Isso de novo nos remete a Anna Arendt no livro "As origens do totalitarismo". Ela defende que esse sistema, inédito no mundo até o início do século XX, não busca apenas controle político das sociedades, mas a dominação total do homem, do ser humano agora definitivamente destituído de esfera privada e capacidade de ação individual.

Seria isso o que queremos?   
             

          

9 de março de 2026

O Fusca da Ana

 

Ninguém diria que a paranoía de extrema direita fascista do presidente norte-americano Donald Trump tiraria do túmulo da ditadura militar brasileira um cadáver político de 1969. Mas tirou! E isso aconteceu porque um senhor idoso foi detido no aeroporto internacional da Ciudad de Panama quando em trânsito para a Guatemala num voo da empresa aérea papamenha Copa Airlines. O jornalista Franklin Martins viajava para uma palestra em evento na Cidade da Guatemala e fazia escala no Panamá porque não existe voo direto entre o Brasil e a capital guatemalteca. Só por esse motivo. Detido, acabou devolvido ao Rio de Janeiro graças aos arquivos da inteligência (?) dos EUA e numa história que merece ser recontada.

Em 1969 o Brasil vivia o auge da repressão política e eram comuns prisões ilegais, torturas e assassinatos nos porões dos órgãos de repressão da ditadura. Nesse ano a Ação de Libertação Nacional (ALN), e o Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8) sequestraram o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick no Rio de Janeiro. Era intenção trocar o diplomata por presos políticos brasileiros, o que aconteceu 78 horas depois. O fato foi amplamente divulgado pela imprensa (composição de fotos acima) e, dentre os sequestradores estavam o hoje comentarista da Globo News Fernando Gabeira e Franklin Martins, então jovem militante político que acreditava, como muitos outros, na opção da luta armada para combater a ditadura militar brasileira.

Houve carta-manifesto lida nos órgãos de Comunicação e foto do grupo embarcando para o exílio no México (foto ao lado).  Todos os envolvidos ficaram para sempre ligados ao fato e, sobretudo, aos órgãos de segurança dos Estados Unidos. Anos mais tarde Franklin seria nomeado ministro do governo Lula nas suas passagens iniciais pelo Palácio do Planalto nos primeiros dois governos e, na ocasião, o novo ministro, oriundo da TV onde era comentarista político optou por não aceitar ir aos Estados Unidos numa delegação brasileira porque havia o risco de ele ser preso pela Justiça daquele país, mesmo ocupando ministério.

Mas nem o tempo que passou para não voltar mais apagou para os EUA o fato de que um sequestrador de diplomata não havia sido preso e condenado lá. E isso não prescreve! Então, na ida à Guatemala o agora veterano palestrante brasileiro foi detido no Panamá, não conseguiu chegar à Guatemala e precisou acionar o sempre amigo Lula para intervir. Ele foi ao País centro-americano, sim, mas depois de o caso esclarecido junto ao Itamarati.

O irônico é que Nilo de Souza Martins, irmão mais velho de Franklin e que já morreu faz 16 anos, foi editor chefe do jornal A Gazeta de Vitória onde eu era editor de esportes. Na época a gente sabia de um fato insólito ligado ao sequestro de Elbrick: na falta de algo melhor, Franklin pegou "emprestado" para o sequestro o Fusca de sua irmã Ana Maria Machado, escritora e que chegou a ser presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) no biênio 2012/2013. Ela não sabia de  nada, chegou a ser presa e teve que ficar exilada durante bom tempo por causa disso. Guarda mágoas até hoje.

Então um belo dia conversávamos sobre isso Nilo e eu na sala do editor chefe de A Gazeta e o irmão mais velho de Franklin (foto recente deste à esquerda), à época ministro de Estado,  disse que seu mano jamais 
poderia pisar nos Estados Unidos por causa desse fato e já estava conformado porque havia vivido anos na Europa como exilado político. Então eu ri e disse ao Nilo: "A raiva deles é que seu irmão desmoralizou os Estados Unidos. Onde já se viu, em plena ditadura militar, em época de guerra fria um embaixador ianque ser sequestrado por militantes comunistas de Fusca? É muita desmoralização para o Tio Sam!"

Nós demos grandes risadas por causa disso, sobretudo Nilo, um homem politicamente de centro. O Fusca de Ana Maria Machado jamais frequentou o caso de Burke Elbrick como história contada. Mas é um caso único no mundo das crises políticas. E hoje é triste a gente ver o fascismo de volta, a Casa Branca tomada por extremistas e o Brasil correndo o risco de ser atacado por causa de grupos criminosos tornados narcoterroristas sem o serem graças ao conluio de brasileiros traidores da Pátria que querem destruir a nossa incipiente democracia. Triste também ver que dentre esses entreguistas há jornalistas lavajatistas ou ocupantes de cargos de presidência em academias de letras.               
           


7 de março de 2026

O Escudo Trump

 
O Brasil não foi convidado para a reunião "Escudo da América" que Donald Trump realiza hoje o dia todo em uma de suas propriedades na Flórida, onde vai se encontrar com a fina flor o reacionarismo político latino americano como é o caso do presidente da Argentina, Javier Milei (foto) e poderá discutir abertamente com esses seus próximos as mais diversas formas de sabotarem os princípios mais básicos da democracia representativa que hoje ainda consegue sobreviver nesse mundo de guerras. É uma grande honra para o governo brasileiro não fazer parte do convescote de reacionários declarados.

Ontem mesmo, para não ser preciso usar muito a memória, Trump disse nos EUA que a ele não importa se o próximo governo do Irã será democrático ou não, contanto seja "bom" para os Estados Unidos, Israel e os países próximos. E também que deem a ele o direito de roubar petróleo da mesma forma como isso está sendo feito na Venezuela. Democracia jamais foi do interesse do presidente norte-americano. Aliás, isso é um estorvo. Tanto que seus  maiores aliados do Oriente Médio são ditaduras duras, familiares e reacionárias. A Arábia Saudita, que como diz seu nome pertence à família Saud, é um exemplo claro.

Desde que assumiu a presidência há pouco mais de um ano Trump fez crescer de maneira exponencial sua fortuna. Em bilhões de dólares. E premiou os setores empresariais que o apoiaram e apoiam com recursos quase ilimitados, como é o caso da área de petróleo. Hoje saem navios lotados de óleo bruto da Venezuela para os Estados Unidos a fim de engordar as reservas estratégicas daquele país. O fluxo tende a aumentar muito, sobretudo agora que as relações diplomáticas foram reatadas oficialmente entre Washington e Caracas.

Pior para Cuba, o próximo alvo da sanha do odio trumpista. Ele diz quase todos os dias que o fim do país caribenho está próximo. Para isso conta com a ajuda incondicional de seu secretário de Estado, Marco Rubio, um filho de exilados cubanos anticastristas que dariam e dão tudo para verem a derrocada do regime político cubano. Mesmo à custa da miséria do povo que, em última análise, é formado por ascendentes dos Rubio.

Aliás, miséria dos povos pouco importa ao atual governo ianque. Nos primeiros momentos da guerra entre EUA e Israel contra o Irã uma escola de meninas foi borbardeada e mais de 180 pessoas morreram, dentre elas uma centena - acredita-se - dessas jovens garotas, algumas na pré-adolescência. Os Estados Unidos nada fazem para apurar responsabilidades. Está fora de cogitação um pedido formal de desculpas. Afinal, o que aquela garotada estava fazendo lá na casa dela enquanto os EUA lutavam por petróleo e pela manutenção do sionismo nazifascista de Benjamin Netanyahu? Elas morreram e pronto. Acabou!

A marca clara do atual governo dos Estados Unidos pode ser medida pelo fato de que em todos os lugares onde o país vai regociar a "paz" e há petróleo por perto, um dos mediadores é Jared Kushner, o marido da filha Ivanca, empresário, investidor bilionário e atual "diplomata" a serviço do sogro. Afinal de contas, tudo no atual governo, como a reunião de hoje num endereço privado, são negócios de família. Apenas grandes negócios.

Mesmo um ataque a Cuba para destruir o governo cubano e aquele país é uma oportunidade rara de negócios. Em Varadero, por exemplo, Trump, Kushner e o restante da gang podem expandir o balneário e fazer um resort - tipo a Gaza dos Sonhos! - onde irão magnatas norte-americanos quem sabe para jogar nos cassinos a serem construídos e operados pela mesma máfia que Fulgêncio Bstista mantinha lá antes de 1959, com as cubanas sendo as meretrizes a serviço da "elite" visitante. Afinal, é confortável ter um prostíbulo tão perto de casa!  

Business is business!      
 

5 de março de 2026

Suicídio ou "suicídio"?


O Estado é responsável pelas pessoas que mantém sob custódia, e isso não é de hoje. O cidadão de nome extenso Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo simbólico apelido de "Sicário" (foto), se suicidou na prisão quando estava sob custódia da Polícia Federal, em Belo Horizonte e logo após ser preso.

No mínimo ou miseravelmente ele não foi custodiado como deveria e permitiu-se que encontrasse meios de se matar por enforcamento dentro de uma cela da PF. Isso se foi mesmo suicídio, se foi ele quem tomou a decisão e se acabou sendo bem atendido no Hospital João XXIII, para onde foi levado e constatou-se morte cerebral durante o atendimento. Por sinal, os aparelhos que o mantém vivo ainda não foram desligados.

Sicário significa indivíduo contratado para matar alguém. Um assassino de aluguel. Um pistoleiro. Jagunço, em outras palavras. Há vários nomes na língua portuguesa, com mais de uma origem, para dizer o que é esse personagem. Fácil então concluir que quem carrega nome como esse não pode ser pessoa de respeito. Do bem. Tanto que hoje mesmo sua prisão, suicídio e morte em um hospital já geraram memes como esse abaixo e que o mostra sendo colocado numa ambulância ao ser levado da PF para atendimento de emergência.  

O caso do Banco Master Ruboriza. Não apenas pela amplitude, mas também pelos personagens que envolve. De cara consta que as autoridades já encontraram nos celulares de Daniel Vorcaro - são inúmeros - gente como os parlamentares Marcelo Álvaro (PL-MG), Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), Hugo Motta (Repubicanos-PB), Arthur Lyra (PP-AL), Nikolas Ferreira (PL-MG), Diego Coronel (PSD-BA), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), João Carlos Bacelar (PL-BA), Altineu Cortes (PL-RJ), Doutor Luizinho (PP-RJ), Fausto Pinato (PP-SP), Márcio Marinho (Republicanos-BA), Flávia Arruda (PL-DF), Rodrigo Maia (PSD-RJ), Lucas Gonzales (Novo-MG), Vinícius Poit (Novo-SP), Bilac Pinto (União Brasil-MG) e Fábio Mididieri (governador de SE-PSD). Nikolas Ferreira voou 12 vezes no avião de Daniel Vorcaro durante a campanha presidencial em 2022, mas não sabia quem era ele. E esse escândalo tem origem no bolsonarismo à época da gestão de Jair Bolsonaro na Presidência da República.

Mais: o senhor Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil durante a gestão Bolsonaro estava e está à frente de toda a permissividade que levou ao escândalo do Caso Master. Ainda não foi responsabilizado por isso. Somente Daniel Vorcaro e sua proximidade maior, onde se situam até mesmo pessoas ligadas ao Banco Central do Brasil estão presas. Vorcaro, inclusive, era chefe de quadrilha e chegou a ameaçar de morte várias pessoas como é o caso do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.

Isso tudo fede. E o Brasil tem um longo histórico de pessoas que dasaparecem por serem arquivos ambulantes. Esse "Sicário" não é o primeiro e, ao que parece, não será o último a morrer pouco antes de uma delação premiada. Durante a ditadura militar isso aconteceu muito com conotações políticas, mas hoje continua ocorrendo sempre que alguém sabe demais contra gente poderosa e não pode ou não deve falar.

É preciso também que se olhe para outro fator: após o vazamento da informação de que 18 deputados da direita, incluindo Nikolas Fereira e Arthur Lira constam do WhatsApp de Daniel Vorcaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu não priorizar a CPI do Banco Master. Quem tem a consciência pesada tem medo...rsrsrs.  

Presumo que era de bom tom que o "Sicário" se calasse.             

   

2 de março de 2026

Teatro do absurdo

A paz só é possível, em quaisquer circunstâncias imagináveis, se as partes em conflito a estiverem buscando. Ela não surge do nada e se na mesa de negociações é colocada apenas a submissão absoluta de uma delas em relação à outra ou às outras, a possibilidade de um acordo se torna quase igual a zero. Isso antecedeu o ataque dos Estados Unidos e de Israel em Irã. Os EUA e o governo israelense sempre tiveram a intenção de atacar aquele país. Desde o início.

Donald Trump joga sujo em relação à política internacional e tem em relação a Benjamin Netanyahu uma submissão difícil de ser entendida. Faz com que ele enfrente até seu núcleo duro de apoio político conhecido como Maga para atender aos interesses do sionismo governante na Israel de hoje, jamais parando de fornecer armas ao aliado incondiconal. Aliás, incondicional sempre, porque foi assim com praticamente todos os presidentes norte-americanos desde a fundação do estado judeu de 1948 para cá.

As negociações de Omã em busca da paz foram apenas um teatro do absurdo que antecedeu a hora certa do ataque ao Irã. Enquanto Steve Witkoff, o enviado dos EUA para assuntos externos e Jared Kushner, o genro do presidente, representavam seu país em Omã diante do ministro das relações exteriores daquele país, Badr Albusaidi, americanos e israelenses monitoravam Teerã. Quando uma reunião de cúpula foi convocada porque os iranianos acreditavam que as negociações seguiriam, o ataque veio. Sem comunicado algum. Sem declaração de guerra. Sem que as hostilidades fossem alertadas antes ao Congresso, como manda a Constituição dos Estados Unidos. Sem que o israelense comum soubesse de coisa alguma, a não ser por um seco comunicado de Netanyahu e pelas sirenes de ataque aéreo.

Donald Trump jamais se preocupou com democracia. Aliás, ele acabaria com a dos EUA caso pudesse. Seus maiores aliados no Oriente Médio são ditaduras como a da Arábia Saudita, onde o chefe de Estado mandou matar um cidadão de seu país - um jornalista - em Istambul e sumir com o corpo. Era um opositor e ele não aceita opositores.

Da mesma forma como esse presidente ianque é amigo dos ditadores que o abraçam, faz vista grossa para as armas nucleares de Israel, hoje capazes de destruir muito mais do que essa da foto acima, lançada pelos EUA contra Hiroshima em 06 de agosto de 1945, três dias antes de os japoneses decidirem que a II Guerra Mundial teria de acabar. Ele também não se importa com teocracias e atacou o Irã não por esse motivo porque teocratas amigos abundam no Oriente Médio. Os sauditas são uns deles. Além disso, esse país rico em petróleo e em favores para com os aliados tem forças armadas poderosas fornecidas pelos americanos.

Israel cultiva inimizades e comete genocídio no Oriente Médio sob as asas de seu protetor da América do Norte. Não fosse assim, já teria buscado a paz com os vizinhos para viver com eles nas fronterias determinadas pela ONU em 1948. O apoio incondicional norte-americano alimenta o expansionismo sionista e também seu militarismo e o enfrentamento aos demais países. Enquanto isso não terminar teremos um quadro de instabilidade política extrema naquela região e um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento com consequências inimagináveis. E ele ainda não explodiu. Está latente.

Até lá talvez os palestinos sejam exterminados.     

26 de fevereiro de 2026

A arte de fazer o molho

 

"A liberdade de eleições permite que

você escolha o molho com o qual

será devorado" (Eduardo Galeano)


A intenção às vezes não é percebida como a gente deseja. E se isso acontece, fica fácil aos opositores construir factóides capazes de destruir essas metas e fazer com que o público acredite na mensagem contrária, aquela que torna o caminho traçado apenas um atoleiro onde vamos nos meter para afogar todas as aspirações.

Sem a intenção de fazer disso um laboratório de pesquisa, dediquei-me nos últimos tempos a perguntar, simplesmente por questionar, o que pessoas próximas a mim e não obrigatoriamente amigas pensam da campanha presidencial que se aproxima. Dois discursos são perfeitamente detectáveis: "Lula é ladrão" e "Bolsonaro é honesto". Para milhares de brasileiros comuns essas afirmações são reais. E ambas estão tão distantes da verdade factual quanto a terra do sol (só por curiosidade, são 149,6 milhões de quilômetros).

Por que distantes? Primeiro, não há prova alguma concreta, palpável, de que o atual presidente tenha roubado. Se há ela é um mistério tão profundo que a oposição a ele a guarda presa dentro de sete chaves, mas mantém o discurso porque ele "pegou". A segunda, então, faz corar porque abundam evidências, provas robustas de que Jair Bolsonaro e seu séquito familiar usaram e abusaram do direito de produzir provas contra si. A compra de mais de uma centena de imóveis em dinheiro vivo é apenas uma delas. As "rachadinhas" que envolvem o filho Flávio, "financiamento" de mansão em Brasília, etc, são outras. Os processos do 08 de janeiro, também. E há mais centenas.

Mas isso tudo não basta. Constroem-se contra o atual governo a ideia de uma administração perdulária. Uma das coisas que ouvi: "Bonita a 'fantasia' da Janja em Seul!". A mulher do presidente coleciona narrativas de gastadora e de quem se intromete na administração pública sem ter mandato para tal. Em Seul ela vestiu o hanbok (foto), traje típico das mulheres. A intenção era a de homenagear a primeira dama coreana. Houve isso, sim, mas o discurso no Brasil virou-se contra ela.

O governo não sabe escolher o molho das eleições e elas estão próximas. O antipetismo, caracterizado pela rejeição ao Partido dos Trabalhadores e ao presidente Lula, se mantém alto. Não desce de maneira nenhuma e o desfile das escolas de samba pode ter sido um tiro pela culatra. Sorte para o governo é que o mesmo acontece com o antibolsonarismo. Estamos, portanto, diante de um quadro no qual deve vencer nas urnas o menos rejeitado e não o com retrato de realizações de governo, onde Lula mantém ao menos a vantagem da terra à lua. Isso é ruim para o Brasil, mas essa é a realidade que se avizinha. Dura, cruel até, mas bem consolidada. 

A campanha eleitoral vai ser dura. Talvez suja. E o governo só vence se parar de errar. Recentemente, próceres do PT chegaram a pregar um absurdo: pretendem formar chapa puro sangue, só de petistas, para concorrer. Isso seria suicídio! Mas há setores no partido do governo que defendem esse molho e o assumem, o que reflete, sobretudo, a verdade de que o partido que exerce o poder gosta de governar sem coalizões. Sem dividir decisões. Dessa forma vai ser devorado, como no pensamento de Eduardo Galeano.

Uma vitória de Flávio Bolsonaro em outubro será péssimo para a democracia. Um horror! O tal de "01" e seus amigos há disseram que a anistia - e ela beneficiaria não apenas Bolsonaro, mas também milhares de criminosos outros - será cobrada até "fora das quatro linhas" se o STF não a aceitar. E é inconstitucional! Na prática o que eles querem é que Jair e não seu filho governe como uma espécie de ministro plenipotenciário, anistiado de tudo, para sempre. O golpismo está sendo alimentado todos os dias, disseminado às quatro paredes. Eu era pré adolescente, entrando na adolescência em 1964 quando vi esse filme. Foi péssimo. Só ganhava "Oscar do Terceiro Reich".

Saber fazer o molho é uma arte. Hoje vital não apenas para o governo, mas sobretudo para a democracia do Brasil.                           



23 de fevereiro de 2026

Autocracias e autocratas

Num artigo recente, chamei Donald Trump de psicopata porque esse era o diagnóstico à distância de ao menos dois psicólogos conhecidos. Fui corrigido por uma leitora que o chama apenas de pessoa muito má, ruim. Talvez ele seja as duas coisas como mostra essa foto acima, onde aparece fazendo sua mais célebre careta debochada. Uma coisa é certa: o atual presidente dos Estados Unidos é um autocrata que se julga dono de certo projeto de autocracia. Mas foi contido pela Suprema Corte de seu país pelo menos por agora, embora já dizendo que vai continuar a atacar o mundo com tarifas endereçadas a todos.

Aliás, as tais tarifas são a arma predileta dele, juntamente com os porta aviões nucleares. Esse instrumento, também chamado de imposto, foi criado para que as economias se protegessem em embates comerciais. Existem no mundo todo. Mas têm sempre um argumento, que é o de proteger setores determinados das economias contra ações estrangeiras. Hoje mesmo o presidente brasileiro Lula enfrenta dificuldades para exportar carne brasileira à Coréia do Sul porque os produtores sul-coreanos acham que serão prejudicados. Esses embates fazem parte do cotidiano das relações econômicas entre nações.

O caso do autocrata norte-americano é diferente. Ele disse em mais de uma oportunidade que impunha tarifas de 50% ao Brasil porque o ex-presidente Bolsonaro, genocida, inelegível e presidiário, sofria processos na Justiça brasileira. E defendeu essa decisão enquanto foi possível, ao mesmo tempo mantendo criminosos brasileiros homiziados lá. Em síntese, fez dos EUA coito de bandidos. Isso se estendeu também a outros países que se opunham às suas políticas ou não se curvavam a ele, fato que durou até a Justiça de seu próprio país dizer "chega", o que aconteceu na semana passada.      

O que é um autocrata? A definição mais aceita diz que esse personagem é um governante, líder que detém poder absoluto, inquestionável, centralizado e exerce sua autoridade sem freios legais, à  margem da democracia representativa. Nos regimes em que governantes detêm esse poder despótico temos as autocracias. Isso hoje acontece, por exemplo, na Hungria de Viktor Mihály Orbán, o primeiro ministro. E em outros lugares menos votados, como é o caso do país/prisão El Salvador do caricato Nayib Bukele. Trump se imaginava alguma coisa parecida com isso, mas descobriu que ao menos por enquanto, não é.

Tem seguidores fieis. Como o presidente da Argentina, Javier Milei, que o segue para onde ele mandar porque obtém vantagens pecuniárias assim. O narcocapitalismo é uma forma pouco disfarçada de apoio incondicional às classes dominantes de um país, bem como aos delírios do mentor norte-americano. Na definição clássica da nomenclatura de Milei, ele se encaixa mais no lugar onde instituições legais estão corrompidas pelo poder e pela riqueza do tráfico ilegal de drogas, cartéis controladores da política e da economia, etc. Mas essa definição não cabe na que ele próprio dá ao seu governo que não sabe como conceituar.

Hoje temos no Brasil um quadro no qual a extrema direita política se apresenta com um senador filho de ex-presidente preso sendo candidato à presidência da República e indicado por este mesmo pai presidiário. Talvez em nenhum outro país do mundo um condenado a mais de 27 anos de prisão em processos com carradas de provas contra si possa atuar abertamente em conspiração contra o Estado Democrático e de Direito reclamando de barulho de ar refrigerado, ventilador e demais confortos que nenhum outro preso tem, e ainda ocupando espaço de mais de 70 metros quadrados, maior do que qualquer imóvel do programa Minha Casa Minha Vida criado para aqueles que não têm onde morar sem terem cometido crimes.

É irônico, mas o séquito do ex-presidente preso é fã incondicional de Trump, Orbán, Bukele, Milei e quem mais aparecer no espectro político que tenta ressurgir das cinzas da II Guerra Mundial, como é o caso também de Benjamin Netanyahu, o primeiro ministro de Israel - estado títere - hoje procurado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia (TPI) por crimes de guerra cometidos contra o povo palestino. Só que em terras brasileiras, o tal filho candidato a presidente se apresenta como "moderado", politicamente centrista e "apoiador" da ciência, saúde, educação pública de qualidade e do SUS, além de todas as demais bandeiras que puderem dar votos a ele, mesmo com a existência de montanhas de entrevistas e ações recentes e passadas nas quais ele e seus próximos pregaram e fizeram o inverso. Basta conferir.

O maior inimigo dos justos de hoje não são os autocratas e as autocracias, mas sim as quadrilhas de extrema direita política que, no Brasil, querem de volta o poder. Precisam perder!                   

     
 

20 de fevereiro de 2026

As férias sionistas


A foto ao alto mostra Morro de São Paulo, lindo baleário baiano que tem se tornado um dos points de militares israelenses em férias no Brasil. Eles hoje desfrutam de muitas benesses em seu lugar predileto da Bahia, onde há cardápios e hebraico, bandeiras do País deles espalhadas pela região e até uma sinagoga improvisada onde podem rezar. Não se tem notícia da existência da rabinos no lugar. Na foto abaixo, do lado esquerdo, aparece um soldado de Israel que se divertia por terras baianas e teve que voltar às pressas para seu país porque era acusado de crimes de guerra e uma juíza determinou que ele fosse investigado. Procurado pela Polícia Federal, teve fim antecipado de festa no "paraíso tropical"...

Em princípio, estrangeiros podem visitar nosso país caso queiram e devem ser bem tratados. Tratados com respeito. Mas o que acontece com a horda de soldados israelenses em férias depois do cumprimento do serviço militar obrigatório é diferente. Há snipers entre eles, não têm respeito pela população local, hostilizam quem os questiona e chegaram a tomar uma bandeira palestina de uma brasileira que estava por lá. Isso tudo, pasmemo-nos, com a ajuda de garçons dos bares e restaurantes que existem naquele lindo lugar. Não custa dizer: por aqui esses sionistas não estão em casa para fazerem o que querem.

E eles não escolhem só o Brasil. No Chile, outro país que esses militares têm frequentado, um sniper israelense acusado de crimes de guerra contra palestinos, estava se divertindo. Identificado como sendo Rom Kovtun, sionista de origem ucraciana, teve que ir embora para não ser preso pelas autoridades locais. Lá o presidente ainda é Gabriel Boric. Kast só toma posse em março, com muitas saudades de Pinochet...

Antes que alguém acuse esse artigo de antissemita, é preciso dizer duas coisas. Primeiro, que ele é antissionista. Segundo, que o Brasil é signatário de acordos internacionais contra criminosos de guerra e não pode tolerar a presença deles em nosso território. Da mesma forma que Benjamim Netanyahu, os soldados que assassinam palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia ocupada ou em quaisquer outros lugares têm que ser presos e entregues ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para serem julgados, preferencialmente em Haia, na Holanda.

Há registros de que chega a cinco mil o número de militares isreelenses em folga que escolhem o litoral da Bahia para o descanso de depois do serviço militar. Ou, melhor dizendo, depois da matança de palestinos que pode incluir mulheres, idosos e crianças. E eles não têm sido incomodados a não ser pela juíza que fez um voltar às pressas para Tel Aviv ou então o outro que ajudou a roubar a bandeira palestina destinada a ser queimada e só a devolveu porque a Polícia foi chamada e determinou essa revolução.

Eles são mal educados. Moradores locais reclamam que sujam as praias e não as limpam, tratam mal as pessoas, recusam-se a falar em qualquer outro idioma que não seja o hebraico e o inglês e importunam mulheres. Com a ajuda do tal garçon, tiraram a bandeira da Palestina das mãos da turista brasileira para a queimar em seguida. Não o fizeram por pouco. Mas a Polícia que impediu a destruição do objeto também nada fez contra eles.

A Grande Israel marcada em vermelho 

Até nos Estados Unidos a extrema direita de lá está cansada do apoio incondicional que seu governo dá ao sionismo de Israel e ao primeiro ministro procurado pela Justiça. Hoje o Estado Judeu só existe como tal graças ao apoio norte-americano. E com esse apoio ocupa a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e agora tenta legalizar terras ocupadas ilegalmente graças a uma "decisão" de seu país. A intenção é a de que a Palestina seja totalmente inviabilizada, dividida que já está, cortada ao meio pela presença judaica em seus territórios.

Recentemente Netanyahu declarou que os judeus são o povo escolhido por Deus para viver na terra. E com esse salvo conduto o governo do país ocupa a cada dia mais territórios estrangeiros à força para criar a Grande Israel bíblica. Ontem mesmo, cúmulo dos cúmulos, Donald Trump dirigiu a 1ª reunião de seu Conselho da Paz, um convescote de medíocres formado por grande maioria de Estados inexpressivos e líderes neofascistas. Lá ele determinou aos outros membros o que cada um deveria falar no tempo de dois minutos e ocupou parte de seu tempo, o que só ele define como será, para ameaçar o Irã de guerra. Quanta paz!

O Brasil não pode silenciar. Nem pecar por omissão, e hoje não basta se recusar a fazer parte desse conselho espúrio. Também é preciso mostrar aos sodados com sangue nas mãos que Morro de São Paulo ou outros lugares de nosso país não são a Casa de Mãe Joana.

16 de fevereiro de 2026

Exclusividades danosas

Vamos admitir que a intenção da Rede Globo de Televisão, ao selecionar imagens que poderiam ou não ir ao ar ontem durante o desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói fosse mesmo a de defender a legalidade e zelar pela equidade nas propagandas das eleições de outubro próximo. Nesse caso ela teria que tornar seu "editorial" de abertura da cobertura do carnaval do Rio de Janeiro 2026 uma constante nas atuações que desenvolve, principalmente quando tem a exclusividade de determinadas ações jornalísticas. Mas não é isso o que acontece. Desconheço registro de outro fato sequer parecido, mesmo quando todos sabemos que o carnaval é e sempre foi o território do jogo do bicho.

Em 1976, quando iniciou sua tragetória vitoriosa no carnaval carioca sob a competência do carnavalesco Joãosinho Trinta, a Escola de Samba Beija Flor de Nilópolis desfilou com o tema "Sonhar com rei dá leão", uma clara alusão à jogatina do bicho. Ganhou com méritos e a Globo não fez editorial sobre a contravenção presente em praticamente todas as escolas de samba. E nem se recusou a receber o dinheiro da Liesa e outros patrocinadores pela cobertura exclusiva. Em 1993, quando uma sentença histórica da juíza Denise Frossard condenou 14 dos principais "banqueiros" a seis anos de prisão por formação de quadrilha, a presença deles no samba do Rio de Janeiro ficou de fora do puritanismo da emissora e em nenhum momento foi prometido que seria ou contravenção ou ela na cobertura do carnaval.

As exclusividades de coberturas jornalísticas de grandes eventos são danosas. Além de essa prática impedir a concorrência pelo talento, também permite que a detentora do privilégio adquirido com dinheiro de patrocinadores possa decidir sobre o que deve e o que não deve ser mostrado, nem sempre usando para tanto critério de moralidade. Na maioria das vezes isso é determinado por interesses meramente pecuniários ou de pressão do poder econômico. Ou também por imposição de conveniências dos patrocinadores.

No desfile de ontem pela Marquês de Sapucaí, a escola de Niterói mostrou alegorias que remetiam ao ex-presidente Jair Bolsonaro como palhaço ou presidiário (foto). Até os ladrilhos portugueses de Copacabana sabem que o mercado de capitais odeia o governo Lula, tudo o que cheira a esquerda política, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ensino ou saúde públicos, Gás do Povo e outras das muitas iniciativas públicas atuais.

E também que o grande capital nacional é não apenas aliado desse setor que comanda a economia, mas igualmente ligado a ele. Então, muitas decisões tomadas pelos grupos de comunicação são subordinados a esses interesses e às vezes de forma muito pouco disfarçada. Chega a ser descarada. Tomemos como exemplo o Espírito Santo onde o carnaval, além de ser feito sete dias antes da hora, ainda é entregue com exclusividade a uma empresa, no caso a Rede Gazeta. E não é coincidência o fato de ela ser filiada à Globo... Mas é preciso esclarecer que as exclusividades a que me refiro nos remetem apenas às empresas privadas de comunicação, já que as públicas podem transmitir caso queiram.

Desde Getúlio Vargas o carnaval sempre teve uma pitada política forte. Por sinal, todas as manifestações públicas humanas são de conteúdo político. Em 1950 a música "Retrato do velho", de Haroldo Lobo e Marino Pinto e cantada por Francisco Alves, o "Rei da Voz", pedia a volta de Vargas ao poder. Faz um certo sucesso até hoje. E não houve reação por parte de setores da oposição política no sentido de ela ser proibida por censura.

Quer a gente goste, quer não goste, Luiz Inácio Lula da Silva é o personagem de maior estatura popular da política brasileira em todos os tempos. Vencer seu nome e grupo tem que ser tentado pelo meio do voto. As reações hoje registradas visando a iniciativas judiciais para impedí-lo de concorrer levam o odor fétido de golpe e se parecem com o ocorrido durante a "Lava Jato", essa manipulação judicial que asfaltou o caminho da extrema direita política em direção ao Palácio do Planalto quando Jair Bolsonaro foi eleito. O então juiz Sérgio Moro sequer teve pudores ao largar a carreira para ser ministro da Justiça do grupo que havia descaradamente ajudado a chegar ao poder da República com suas sentenças.

A política do Brasil vive agora uma fase intelectual e eticamente paupérrima. Basta olharmos para a fauna que tenta por todos os meios inviabilizar o governo federal e alcançar o poder por qualquer artifício, inclusive e principalmente pelo golpe, para chegarmos a essa conclusão. Os vírus golpista disfarçado em artifícios jurídicos dos mais diversos feitios nunca nos deixou. Ao contrário! E é difícil acreditar que as mentes mais informadas da Rede Globo e adjacências não saibam disso. Claro que sabem. A hora, nessa segunda-feira de canaval, é a de dançar: "Pega o retrado do velho Lula/bota no mesmo lugar/ o retrado do velhinho/faz a gente trabalhar". Que tentem tirá-lo de lá pelo voto!

Fazer política não foi crime ontem, não há de ser hoje. O crime está na Faria Lima onde o dinheiro trafega diuturnamente por meios subterrâneos.                                

14 de fevereiro de 2026

O papel da PF e o STF

 

Houve uma época no Brasil em que a Polícia Federal causou danos. Isso durante a ditadura, quando virou um canal de repressão política a serviço do regime militar. Órgãos ligados à Polícia Civil - o DOPS - , Exército - DOI-Codi, Marinha - Cenimar - e Aeronáutica - CISA - atuaram quase que em conjunto com empresas que ajudavam com recursos e pessoas que os abasteciam de informações, sendo os "dedos duros" formadores do sistema de violência do Estado responsável por milhares de prisões ilegais, torturas e centenas de assassinatos ocorridos entre 1964 e 1985. Eram tempos que não podiam e não podem ser comparados com os de hoje, quando a PF é apenas, como deve ser, uma polícia judiciária (foto).

Talvez graças a isso ela seja tão criticada extra oficialmente por alguns membros do Supremo Tribunal Federal (STF) porque atua no caso do Banco Master e desdobramentos. Para quem tem algo a esconder um aparato policial que age dentro das leis com competência e estrutura científica é um risco potencial...  

Na PF, durante a ditadura, passei uma noite inteira sentado em um banco esperando o delegado "voltar do jantar". No dia seguinte, quando ele apareceu por lá, disse de forma grosseira: "O que você está fazendo aqui?". Respondi que havia sido convocado para comparecer desde a noite anterior e ele completou: "Convocado? Quem convoca é Zagalo. Eu trago vagabundo até aqui debaixo de porrada. Suma e não torre mais meu saco." Sumi, mas não parei de encher o saco.

O que os governos de extrema direita do Brasil e do restante dos países mais se dedicam a fazer é redefinir o papel dos organismos de segurança em benefício de seus projetos. De seus propósitos. Vejamos o que ocorre agora mesmo nos Estados Unidos com o ICE e a gente vai entender melhor esse funcionamento. O presidente psicopata Donald Trump precisa agir desde os intestinos de seu país para poder colocar em prática o projeto de dominação global. Ainda tem que minar a estrutura das instituições civis norte-americanas para ampliar seu poder de fogo em casa. É esse o projeto que agora tenta convencer a todos da "fragilidade" do sistema de voto dos Estados Unidos. Fazendo isso ele pode se perpetuar no poder controlando as eleições. Foi o que Bolsonaro tentou aqui, correto?

Por isso tomei a PF como mote. Ontem mesmo o STF começou a julgar um caso que pode redefinir os limites da Lei da Anistia de 1979 em relação aos crimes cometidos durante a ditadura militar. O que se analisa é a possibilidade de responsabilização penal de agentes do Estado acusados de ocultação de cadáver porque esse delito, segundo o Ministério Público Federal (MPF) se prolonga no tempo enquanto o paradeiro da vítima permanecer desconhecido. O julgamento vai até o dia 24, terça-feira após o carnaval.

O caso foi levantado a partir de fato ligado à Guerrilha do Araguaia, ocorrida entre 1972 e 1974, quando combatentes desapareceram, sendo que em alguns casos eles tiveram seus corpos jogados sobre a floresta amazônica para jamais serem encontrados. Há um caso de uma guerrilheira grávida vitimada dessa forma. O julgamento vai dizer se a Lei da Anistia alcança atos de ocultação de cadáveres praticada durante nossa útima ditadura e mantidos depois de 1979. Há ainda hoje uma sensação de impunidade que vai muito além do "apartamento" de três quartos onde um genocida inelegível "passa mal" todos os dias em crises de soluço que provocam a insônia da extrema direita.

Aqui em Vitória, durante o período que foi de 1964 a 1985 conta-se que um certo general comandante da então Polícia Federal recebia todas as tardes de sua mulher uma embalagem com bolo e refrigerante. Era o lanche da tarde e graças a ele esse personagem ficou conhecido como "general festinha". Mas o que ele fazia não era engraçado como o apelido. Em "Ainda estou aqui", filme multipremiado, contamos a história de Rubens Paiva, retirado de casa para "prestar depoimento" e nunca mais encontrado. Vladimir Herzog compareceu expontaneamente e acabou morto nas dependências do II Exército, em São Paulo. São apeas dois casos e aos quais se somam inúmeros outros, como o do operário Manoel Fiel Filho. 

É isso o que ninguém quer ver esquecido ou impune.                     

                    

  

12 de fevereiro de 2026

O nazismo que mora em nós

Essa foto acima foi tirada em Santa Catarina nos anos de ascenção mundial do nazismo, antes de 1939. Deveria ser vista como coisa do passado, mostras de um tempo que não volta mais, pois todos sabemos quais foram os resultados da II Grande Guerra. Mas a gente encontra o modelito em diveros lugares desse Estado do Sul do Brasil ainda hoje. E em franco crescimento! O cãozinho Orelha, supliciado recentemente, que o diga. Seu mal foi acreditar no ser humano. Mais precisamnete nesse ser humano atual que crê, dentre outras coisas, em superioridade racial e no direito de matar outros seres "inferiores", humanos ou não.

Um dia chamei o estado brasileiro de Santa CataReich e um conhecido filho de catarinenses me abordou na rua: "Pô, não faz isso!". Quem faz, meu caro, comanda seu estado eleito pelos descendentes de seus familiares. Em nenhum outra unidade da Federação células nazifascistas florecem e se multiplicam com mais facilidade. Por isso o cão Orelha, que vivia numa praia de lá, acreditou que não corria perigo perto de moleques capazes de matá-lo por nada além da satisfação de vê-lo sofrer. Isso é parte da crença deles, bem como do fato de a Polícia proteger quem faz o mal mas tem poder e o usa para encobrir crimes.

Orelha (foto ao lado) é apenas um exemplo de como funcionam as mentes politicamente criminosas do Brasil. Elas acreditam estar acima das leis e usam de seu poder para fazer valer o pensamento pela força. O cachorrinho vira latas, coitado, não teve tempo de correr antes de ser atingido. Sua morte provocou comoção popular, mas logo será esquecida. Os papais e mamães que mandaram alguns dos criminosos para os Estados Unidos antes de o caso poder ser abafado, logo logo terão os rebentos em casa. No futuro quem sabe eles vão tomar coragem para matar um ou mais moradores em situação de rua. Esse parece ser o destino traçado para eles.

Aumentam a olhos vistos os casos de violência sobretudo da Polícia Militar catarinense, o Estado que já tem 52 células nazistas identificadas nos dias atuais. Depois que o governador Jorginho Melo retirou as câmaras corporais dos PMs do Estado, o crescimento da violência contra o cidadão atigiu 160 por cento. O Estado Democrático e de Direito se deteriora a olhos vistos por lá. Em ataques ao cidadão comum o uso do "mata leão" é prática costumeira embora todos saibamos que isso pode levar à morte. E já são incontáveis os casos de agressões também contra mulheres em vias públicas.

Recentemente comemorava-se a festa de um ano de fundação de uma barbearia em Florianópolis quando a Polícia Militar chegou para combater a "perturbação do sossego". Agindo como o ICE de Donald Trump a tropa usou de violência sem medir consequências. Uma mulher foi agredida pelo pescoço e levou golpe de cabo de fuzil contra as costas. Houve gritos, spray de pimenta. Quem tentava impedir aquele massacre era agredido com golpes de enforcamento. Com mata leão. Era uma exibição de selvageria das tropas de Jorginho, o governador sem leis.

É irônico, mas as primeiras células de partido nazista fora da Alemaha surgiram em 1934 em Santa Catarina. Cresceram. Nunca deixaram de existir, sobretudo e principalmente durante a ditadura militar. Infelizmente, desgraçadamente o novo nazismo viceja no Sul do Brasil. Tenta tomar também São Paulo onde o Governo Tarcísio de Freitas teve que ser obrigado a botar filmadoras nos uniformes dos PMs, mas onde tambem a violência cresce de forma desmedida. O Paraná, Rio de Janeiro e Goiás também. Por aqui pelo Espírito Santo a PM capixaba que um dia da foi adepta do diálogo e da psicologia, hoje usa e abusa da violência contra o cidadão comum com a desculpa de estar protegendo a sociedade contra o crime e os criminosos.

O naziso mora em nós. Precisamos lutar contra ele dioturnamente.

7 de fevereiro de 2026

As hienas espreitam...

Agora mesmo alguns questionamentos públicos são feitos à respeito do veto ou não, por parte do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, da decisão "extra teto" do Congresso Nacional. Ele vai vetá-la ou não? Porque se não vetar todas as imoralidades decididas, elas passarão a ter força de lei. Mas é preciso colocar em mente uma coisa: as hienas estão à espreita, como sempre estiveram. E hoje os defensores das ilegalidades seguem cercando o Governo, prontos para atacar. Em almoços e jantares, longe das lentes e gravadores de repórteres e cinegrafistas, ele tramam. Ameaçam. É o que sabem fazer.

Nos tempos atuais o que vale é a fake news. A mentira plantada. Por exemplo: o que significa essa foto acima? Pode ser, como é, uma simples conversa entre um presidente e um ministro do Supremo Tribunal Federal por ele indicado sobre qualquer assunto banal. Todos estão relaxados e apenas o ministro cobre a boca. Mas pode também ser transformada em um flagrante de concluio entre ditadores que pretendem prender os "patriotas" e que vira notícia na revista Oeste, no site Brasil Paralelo ou em qualquer outro endereço de quadrilha de extrema direita apoiadora incondicional do golpismo instalado na vida brasileira. Depende!

A política do desrespeito ao teto de pagamentos do funcionalismo é norma nos altos escalões, como as emendas parlamentares, que se tornaram uma forma pouco disfarçada de corrupção em desvios ilegais de dinheiro público. Quando isso acontece nos poderes Executivo e Legislativo o fato causa apenas espanto, mas pode-se compreender nos tempos atuais. Sobretudo no Legislativo onde temos a pior representação de nossa história. Mas é motivo de pasmo e desespero descobrir que a prática é assimilada pelo Poder Judiciário encarregado de zelar pelo que é legal ou ilegal em todos os setores da vida nacional.

Atualmente os ganhos "extra teto" já somam R$ 11 bilhões e segundo o jornal O Globo de hoje já há 60 penduricalhos do gênero no Brasil. Está sendo criada no serviço público uma casta de privilegiados que se situa acima da imensa maioria e pode viver vida de luxos inimagináveis num país de restrições orçamentárias como o Brasil. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende que o presidente Lula vete a decisão do Congresso. Muitas entidades representativas - do funcionalismo ou não - corroboram essa posição. A maioria da população também.

Mas o Brasil é "governado" pela pequena minoria que pode pedir impeachment do presidente, ministros do STF, tem o poder de paralisar o Congresso Nacional, aprovar pautas bomba, gerar fake news nas redes sociais, conspirar abertamente no exterior e inviabilizar o funcionamento do Estado. Representam a vida de nababo desses poucos.

Nesse dilema o governo está. Nessa encruzilhada se encontra.

O brasileiro deveria dizer que basta. Que o império das leis deve ser respeitado, preservado, tornado bússola mostrando o Norte a todos, sobretudo e principalmente àqueles que detém o poder de decidir. Mas como, se uma parcela grande da sociedade apóia a destruição do Estado Democrático e de Direito devolvido ao Brasil não por eles, os conspiradores, mas pelos outros, que lutaram durante 21 anos contra a ditadura real brasileira, aquela que estuprou os valores nacionais, prendeu ilegalmente, torturou e matou milhares?

Essa é a decisão que precisa ser tomada. Vetar ou não vetar? O veto é uma questão de dignidade e Justiça, mas pode abrir um fosso na governança do Estado e as hienas estão prontas para se aproveitar disso, inclusive investindo contra o minstro Flávio Dino, hoje uma referência de dignidade e respeito para o Judiciário Brasileiro. E se tal acontecer o Poder que julga vai fechar questão monoliticamente em torno da defesa dele? O desenho atual do Brasil e do que se faz, em público ou escondido, leva à supeita de que não.    

5 de fevereiro de 2026

O crime sem castigo

Eu estava começando a vida como jornalista no jornal A Gazeta, Rua General Osório, 127, Centro e, como havia morado em São Paulo, conhecendo jornalistas de lá, recebi a incumbência de cobrir como correspondente free lancer o "Caso Araceli" para a Folha de S. Paulo. O fato marcou a vida no Estado e no Brasil de 1973 em diante. Era uma coisa escabrosa, que tornou o crime assunto único na maioria das rodas de conversa. Sobretudo porque um dos acusados pela morte da menina Araceli Cabrera Crespo, 8 anos de idade (foto acima), Paulo Constanteen Helal, era filho do dono da Magazin Lojas Helal, a mais famosa loja de departamentos de Vitória nos anos 1960/70, situada ao lado da Praça Oito de Setembro. Ele e Dante Brito Michelini eram amigos e frequentavam o Franciscano, a mistura de bar, hotel e prostíbulo situado no início da Avenida Dante Michelini e que até hoje ostenta o nome da família.

Paulinho e Dantinho, como eram chamados, desceram em poucos dias das colunas sociais para as páginas de Polícia dos jornais. E eu, Editor de Esportes, tive que passar a frequentar o Departamento Médico Legal e as salas de delegados para colher informações capazes de abastecer a Agência Folhas Interior-Estados, que recebia os informes dos correspondentes, no meu caso enviados via Agência Central dos Correios, no Centro. Tudo por Telex! Agarrava-me ao amigo Paulo Maia, Secretário de Redação do jornal para me ajudar na confecção dos noticiários. O Paulinho de A Gazeta, um dos maiores amigos que tive no jornalismo, fazia noticiário policial com a facilidade de quem toma um copo d´água.

Era preciso ir aos fatos. Presenciei Paulinho Helal sendo colocado no "cofre" de um carro da Polícia, no dia de sua prisão. Ao ver onde teria de entrar ele olhou para os policiais e pediu: "Aí não, pega mal!" Mas foi lá assim mesmo. Estive no DML várias vezes e aquilo cheirava a carne em decomposição desde longa distância. Acompanhei a retirada do corpo da menina das "matas do Hospital Infantil", mas a um distância regulamentar. Protocolar. Naquele lugar, na subida da rampa que ainda hoje leva ao HI, dois prédios grandes de apartamentos substituem o antigo matagal onde os criminosos esconderam o corpo da garota morta.

Pouca gente sabe, mas o Franciscano funcionava como prostítulo, fornecendo as "meninas". E para gente graúda! Um familiar meu um dia me perguntou se eu gostaria de conhecer o lugar "na horizontal". Declinei do convite. São coisas de Vitória, mas até hoje uma das mais importantes avenidas da cidade mantém o nome de um antigo dono de puteiro!

Era lá que Dantinho Michelini, encontrado morto e decapitado num sítio de sua propriedade em Guarapari, levava os amigos como Paulinho Helal para as farras. Era a casinha do papai! Foi para lá que ele teria levado a menina Araceli após sequestrar para drogar e matar juntamente com o companheiro desse crime. Consta que, muito cheios de cocaína, os dois teriam acabado de assassinar a menina devorando partes de seu corpo com mordidas. O corpo teria sido colocado no freezer do bar junto do cervejas e outras bebidas. 

Tratava-se de uma garota de 8 anos, mas muito desenvolvida, perto de completar 9. E bem bonita. Isso pode ter atraído a dupla de assassinos que a encontrou ou recebeu drogas como "encomenda" da mãe dela diante do Bar Oásis depois que ela saiu da Escola São Pedro, na Praia do Suá, onde estudava. Uma escola que não existe mais e que foi roteiro para o crime. Fui lá duas vezes em busca de informações para noticiário. Ninguém falava nada!    

Muita coisa que envolveu a morte da menina Araceli ficou encoberta. A Polícia embaralhou os fatos porque, afinal de contas, os acusados eram gente poderosa. Ficaram dúvidas. Dona Lola Sancres Crespo, a mãe da menina, fazia dela um "avião" para entregar drogas vindas da Bolívia, de onde era? A mulher enlouqueceu com o crime. Um dia invadiu o jornal A Gazeta de exemplar em punho aos gritos de "minha filha está viva", e para esfregá-lo na cara de um "jornalista qualquer essa 'mierda' da jornal". Fez isso no rosto de um funcionário do Departamento Financeiro, coitado, que não entendeu nada de nada.

Minha avó Almerinda, que morava na Rua Francisco Araújo, atrás do Palácio Anchieta, nunca mais foi ao Magazin. Aquilo virou loja de criminoso! E aos poucos o noticiário sobre o assunto foi arrefecendo depois de confirmada a morte da menina e o esgotamento do interesse público sobre o assunto. Era o que as duas famílias queriam. Paulinho e Dantinho passaram pouco tempo presos. A culpa da dupla jamais foi provada sem questionamentos. Em pouco tempo o Magazin entrou em decadência e fechou. O prédio do Franciscano foi derrubado e nunca mais se falou nele. Hoje o "Caso Araceli" é uma lembrança distante e mantida principalmente por causa de dois livros escritos sobre assunto.

O corpo de Dantinho, encontrado queimado e decapitado no sítio semi-abandonado de Guarapari teria movido mundos e fundos na década de 1970, se voltássemos no tempo. Afinal, a Agência Folhas Interior-Estados, que era quem me pagava, não representava apenas a Folha de S. Paulo, mas sim os então sete jornais do grupo empresarial da poderosa e apoiadora da ditadura família Frias, um dos quais era Notícias Populares, que cheirava a sangue e para onde foram mandadas e publicadas quase todas as matérias que fiz. Mundo cão!   

4 de fevereiro de 2026

O silêncio protege o crime

 

O silêncio sempre protegeu a desfaçatez no Brasil. Hoje, como antes e provavelmente como será amanhã, o Congresso Nacional usa a arma - ou seria um artifício? - do silêncio para ocultar suas intenções que quase nunca são claras. Assim foi aprovado um aumento para os servidores do Legislativo que em muito ultrapassa o razoável. E o das pessoas "comuns". Assim deve ser sepultada a ideia de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master, cujas consequências podem nos atingir a todos. Tudo foi decidido sem que o brasileiro comum soubesse de nada. Em poucos minutos... Até quando irá isso?

Os parlamentares, sobretudo federais, se revoltam sempre que parte da população se insurge contra o que acontece e grita esse slogam: "Congresso inimigo do povo", o da foto acima. Mas ele reflete o pensamento de grande parcela da sociedade. Hoje mesmo, pela manhã, vi de passagem uma entrevista de um deputado federal do Espírito Santo, Evair de Melo, e no qual ele dizia que o aumento dos servidores do Legislativo só passou porque a oposição "é minoria". O quê? Como? E o máximo que a apresentadora da TV Gazeta fez foi dizer que Melo havia sido o único capixaba que tinha aceitado dar entrevista. É o critério? Trabalhei lá por 27 anos e sei como a empresa funciona, sobretudo depois da morte de Cariê Lindenberg e de jornalistas de coragem saíarem de lá. Antônio Carlos Leite, Kaká, foi o último deles.

Antes de tudo isso acontecer, na cerimônia do início do ano legislativo na qual houve até tiro de canhão, o presidente da Câmara defendeu as emendas parlamentares, hoje uma forma descarada de desvio de dinheiro público. Até aqui no Espírito Santo há uma delas em tramitação e na qual a Academia Espírito-santense de Letras (AEL) pretende receber um total de R$ 1,8 milhão para uma obra incialmente orçada em cerca de R$ 400 mil. Há uma omissão imensa em torno do assunto e ninguém se ruboriza ao comentá-lo - até porque o silêncio cerca tudo - nem de vergonha nem de raiva. Encaminhei esse caso ao MP estadual.

O silêncio protege o crime. Hoje e como sempre aconteceu. A esperança é a de que os brasileiros acordem. Todos eles, como é o caso do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que deve explicações a todos nós por seus atos incomuns como relator do caso do Banco Master. Mas essa é a esperança menor. A maior diz respeito às eleições que se aproximam. Ou o brasileiro aprende minimamente a votar em outubro ou o Brasil vai enfrentar tempos ainda mais difíceis, muito danosos, nos próximos quatro anos.

O senador Flávio Bolsonaro articula ser presidente da República com o apoio do presidiário-pai que manipula política menor de dentro da penitenciária. Só no Brasil isso acontece! Esses cidadãos, bem como toda a extrema direita brasileira, jamais falam de educação, saúde, transporte, geração de empregos, mobilidade urbana, segurança pública feita dentro das leis, sanemento básico, nada disso. Só atacam, sabotam, mentem de forma descarada e usam as redes sociais para gerar o ódio e a interteza. O golpismo não morreu. Ele está vivo e à espreita!   

27 de janeiro de 2026

Tempos cruéis e os insensatos

"Chegou a época dos predadores", diz Giuliano Da Empoli sobre os tempos mais recentes, esses que se vive depois do retorno de Donald Trump à Casa Branca. Hoje, para os novos fascistas não existe mais multilateralismo, organizações supranacionais - como a ONU -, nada disso. Vale a lei do mais forte, a daquele que pode enviar uma determinação da Casa Branca ao mar e destinar a determinado território do mundo um dos porta-aviões nucleares que os Estados Unidos possuem. Para o professor da Universidade Autônoma de Barcelona, Steven Forti, lembrado num brilhante artigo intitulado "Novo Mapa Geopolítico", de autoria de nosso Frei Beto, foi inaugurada uma nova era. Volta à cena o mundo de ontem.

Por si só esse fato deveria ser motivo para reflexões, discussões sérias e busca de saídas que permitam ao mundo outrora chamado "livre" continuar sua trajetória num planeta terra onde as leis internacionais e as fronteiras entre países não são mais respeitadas todos os dias. Mas não. Somos obrigados a ver diariamente, ao vivo e a cores pela TV, um imbecil de nome Nikolas Ferreira, cercado por muitos outros de igual falta de nível, desfilar por rodovia à frente de uma espécie de passeata sem sentido e que termina em Brasília onde uma chuva torrencial quase provoca tragédia quando uma descarga elétrica atinge a nau dos insensatos (foto).

Criança, morando em São Paulo, recordo-me de um dia em que a garotada foi chamada para assistir a uma palestra de autoridades sobre clima. Havia ameaça de chuva forte em terras paulistas e lá esses riscos devem ser levados a sério. No Ipê Clube fomos orientados a, durante tempestade, nos afastarmos de postes, outras elevadações, cercas ou proteções de metal, enfim, qualquer objeto que pudesse atrair as desgargas elétricas conhecidas como raios. Nunca me esqueci daquilo. Mas não os idiotas que Nikolas capitaneava. E o tempo rugiu!

Nem de longe esse rugido se compara ao que estamos vivendo no plano internacional. Mas preocupa ver cerca de 18 mil pessoas - segundo estimativas - reunidas debaixo de temporal para protestar contra a prisão de um ex-presidente criminoso que tentou dar um golpe de Estado e buscando mais uma vez fazerem acampamentos de protesto, agora em frente à penitenciária de Brasília, onde está o energúmeno. Felizmente foram contidos.

Felizmente também ontem o presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ficou cerca de 50 minutos ao telefone com Trump. Diplomaticamente, falando de Palestina, Venezuela e talvez de outros assuntos. Diplomaticamente, debatendo um com psicopata sobre política internacional e, ao final disso, marcando um encontro entre ambos a Casa Branca. Vai dar resultado? Talvez não porque as razões subterrâneas e subalternas que movem a política internacional atual são difíceis de serem removidas. Mas essa - o diálogo e a tentativa de convencimento - é a única forma civilizada de isso ser tentado.

Ao mesmo tempo em que esse diálogo acontecia, numa região da Papuda cercada de restrições e atividade policial, o deputado movia sua nau dos insensatos. Eles nunca falam de saúde - e os feridos pelos raio foram atendidos pelo SUS -, educação, meio ambiente, infraestrutura, segurança pública - sem assassinatos -, pleno emperego, nada disso. Querem anistia para tentar o golpe outra vez. Perseguem a continuação desses tempos cruéis em todo o mundo porque aqui podem levar seus projetos (sic!) ao gado que os apoia e buscar um meio de voltar ao poder para mais uma vez usá-lo em benefício das elites que os sustentam.

É o que sabem fazer.